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Confira abaixo os principais destaques que selecionamos. Para conferir na íntegra o que rolou em cada dia, inserimos nos títulos das atividades o link que encaminha para o acesso a gravação, disponível em nosso canal no YouTube.
O primeiro convidado foi o Kim Trieweiler, publicitário, egresso da Unisinos, e que hoje atua na Aerolito, como Chefe de Pesquisa (Head of Research). Ele comentou que se reconhece mais como um pesquisador do que como publicitário. Um “pesquisador de futuros”. Ele é membro da WFSF (World Federation of Futures Studies).

“O letramento em futuros, que é a habilidade de conseguir imaginar futuros a partir de diferentes pressupostos, para diferentes fins, é fundamental na nossa vida cotidiana e na nossa vida profissional. E para fazer um mundo melhor.”
Na história da humanidade sempre existiram tentativas de prever o que vai acontecer no futuro. “Existe um fetiche pela previsibilidade. Mas a incerteza é uma característica intrínseca do futuro”. Assim, Kim explicou que a gente cria uma posição de “futureproof” (em tradução livre, à prova de futuro), ou seja, uma posição defensiva de futuro.

Lidar com o futuro no singular é pensar menos em previsão e mais sobre o controle. Precisamos de “letramento para futuros” (Futures Literacy), ou seja, compreender melhor um futuro imaginado, e ter mais consciência do que faremos. Dessa forma, introduzir o futuro no presente é ter uma noção maior do que queremos e podemos projetar agora – no presente- melhor. Dentro da habilidade de “letramento de futuros”, é possível mapear seis pressupostos antecipatórios (AA, em inglês, anticipatory assumption), que levam a gente a entender melhor como imaginar o futuro. São eles: previsão; destino; reforma criativa; autoaperfeiçoamento; pensamento estratégico e sabedoria-tão-ser. Basicamente, eles são a união de três coisas: tipos de sistemas, usos e métodos.
Trazendo isso para a comunicação, é a possibilidade de olhar para inovações de fora do mercado, mas com potencial de impactar diversos setores. O Kim criou uma metodologia chamada “Três ondas de impacto”, que ele desenvolveu dentro da Aerolito, para mapear, explorar e entender melhor os possíveis impactos das tecnologias, ciência e inovação em negócios em um determinado tema, setor ou até mesmo mercado. Dessa forma é possível ampliar o olhar sobre os futuros para além do provável.

Ainda na primeira noite também aconteceu o lançamento dos 50 anos da Comunicação da Unisinos. Que tal? Viu só como ele ficou lindo?

Além do lançamento da revista Josefa, que você pode conferir aqui , ocorreu a apresentação da Alteritat, uma iniciativa das egressas Francine Malessa e Mariana da Rosa. A conversa, além de tratar de dois focos importantes, a comunicação e diversidade, mostrou como é possível empreender com propósito.
A Alteritat é uma consultoria de diversidade, que disponibiliza o serviço para empresas e instituições de diversas naturezas e finalidades, além de agências de publicidade e comunicação, universidades, organizações não governamentais, pessoas físicas que possuem atuação pública e até para políticos.
“Já que nós somos problematizadoras, vamos fazer isso de uma forma que nos dê dinheiro”, brincou Mariana já no começo.

Elas explicaram que existe muita demanda para se falar sobre diversidade. As pessoas querem ouvir sobre, querem uma mediação no debate, porque não querem ser acusadas ou taxadas de serem preconceituosas. Ou seja, as pessoas sabem da relevância do tema.
Não! Inclusificar é um verbo criado pela professora e Diretora do Programa de Doutorado em Organização, Liderança e Análise da Informação da Universidade do Colorado, Stefane Johnson, (que, inclusive, produziu um livro sobre isso) que significa mais do que incluir ou “adicionar”. Inclusificar é “viver e liderar de um modo que reconheça e celebre perspectivas únicas e divergentes, criando um ambiente de colaboração e mente aberta ao qual todos sintam realmente pertencentes”, conforme as meninas da Alteritat colocaram no slide. Ou seja, é criar a sensação de pertencimento, entender que existe o diferente e compreender que esse sentimento exista, mas sem discriminação.
“Ah, mas eu trato uma pessoa negra como eu trato as outras pessoas”, mas dessa forma acabamos tratando como se fossemos todos brancos e pertencentes aos mesmos grupos sociais. Não é apenas contratar (incluir) pessoas e nada mudar dentro das empresas.
“A comunicação é a principal forma da gente se relacionar socialmente. A gente queria levar essa comunicação social falando sobre diversidade, porque a comunicação traz conteúdos simbólicos, a partir de visões de mundo, com subjetividades e valores sociais de diferentes lugares sociais.” – Francine Malessa

Conforme estudos compartilhados recentemente, equipes com mais diversidade tomam decisões mais precisas e também fazem investimentos melhores. Apostar em diversidade nos ambientes profissionais de trabalho, é apostar em inovação, porque traz novas perspectivas e prevê um lucro maior! Mas, por que as empresas e instituições ainda não estão tão abertas para a diversidade mesmo com os números comprovando?
As jornalistas afirmaram que existem obstáculos provados pelo medo de entender e tratar sobre. Isso torna o assunto um verdadeiro tabu, e quem tem medo muitas vezes cria fobia e preconceitos. No entanto, a melhor forma de acabar com isso são as consultorias de diversidade na área da comunicação, como a Alteritat!
Elas contaram que sempre buscam demonstrar isso no trabalho que realizam, existe ciência e estudo por trás de cada afirmação e estratégia. Por isso, é importante mostrar que há embasamento por trás de todo o debate sobre diversidade e comunicação.
Temas como sub-representação, linguagem e acessibilidade foram super bem explorados na apresentação. Elas trouxeram dados importantes, como, por exemplo, as pesquisas que mostram que cerca de 80% da população brasileira prefere marcas com posicionamento claro, seja sobre políticas, causas sociais ou cultura. Outro dado bem significativo é o de que cerca de 24% da população brasileira possui algum tipo de deficiência, sendo a visual a maior delas.

A quarta-feira teve a fotografia documental como tema, com o Leonardo Savaris sendo o palestrante. O evento marcou a volta de um evento presencial em São Leopoldo, no Labtics, mas com transmissão simultânea pelo canal no Youtube do Mescla! A coordenadora do curso de Fotografia, Marina Chiapinotto, e o coordenador de Jornalismo de São Leopoldo, Micael Behs, estiveram juntos.
O Leonardo é egresso do curso de Fotografia da Unisinos e já se tornou uma referência em fotografia documental depois de ser o único brasileiro vencedor no Concurso Sul-Americano de FotoMigração: a Migração com Outras Lentes, em 2021, promovido pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), entidade ligada à Organização das Nações Unidas (ONU). O prêmio veio pela série documental de dez fotos intitulada “Imigrantes Senegaleses”.
Savaris contou sobre a trajetória pessoal e como isso se relaciona com seus interesses com a fotografia. Ele conta que iniciou trabalhando “no chão de fábrica”, com metalurgia, e que pode se encontrar quando começou a cursar Jornalismo na Unisinos, já que na época ainda não existia a graduação em Fotografia na universidade.
Cheio de força e emoção, o fotógrafo contou que não tinha experiência alguma com a área, mas que sentia uma forte identificação com a atividade. O então professor Eduardo Veras (que hoje é professor do Instituto de Artes da UFRGS) encaminhou Leonardo para o recente curso de Fotografia, coordenado por Beatriz Sallet, que também marcou a formação dele.
“Quando eu entro aqui dentro, a Fotografia foi um chão para mim. Eu acho que isso reflete dentro da minha fotografia. Eu fui buscar minha vivência, minha essência, e estou ainda buscando, porque a gente não encontra tão fácil. Acho que dentro da fotografia eu busco um pouco de paz de espírito.”

“Dentro de uma universidade, acho que cada um tem que fazer seu papel como juventude, tem que ir pra cima, tem que lutar. Eu estava para fazer meu TCC, e eu não acho que seja um sindicalista, mas eu acho que temos que lutar pelos nossos direitos e pelo que a gente acredita. Nesse local das fotos, quando eu fui fazer meu TCC, isso era uma ocupação. A Ocupação Saraí. Dentro do cenário político da época, eu tinha o meu posicionamento, mas eu não entendia o mais amplo. Eu não entendia muita coisa, não entendia por que uma pessoa ocupava um prédio abandonado. A galera da ocupação lutava pelo direito de moradia. Eu queria entender. E eu fui, na cara e na coragem.”

Para o fotógrafo, o trabalho com imagem e histórias precisa entender sobre as questões que englobam o nosso dia a dia, no entanto, a forma como abordadá-las tem que ser tratada.
“Estamos falando de pessoas que lutam há 30 anos, por exemplo, como a gente vai retratar eles como coitados? Isso não cabe mais. Eles são muito fortes. Os retratados, quem eu abordei, em nenhum momento aparecem de cabeça baixa. Eles sempre olham para a câmera, direto para a câmera, com postura e força. E eu acho que é esse retrato que tem que ser feito.”

“Vocês têm que conhecer as pessoas, conhecer a luta das pessoas e tentar, de alguma forma, retratar a luta delas. Se a condição que elas estão é precária, certo, mas elas estão vivendo, tem sangue pulsando na veia de cada um.”

No chat, a professora Beatriz Sallet fez um comentário muito rico que pode sintetizar o trabalho do Leo: “Os retratos que o Léo fez na Ocupação Saraí devolveu cidadania e identidade a cada ser fotografado. Ele repetiu isso com os senegaleses.”
Leonardo sintetiza o trabalho dele de mais uma forma: “Toda fotografia é um ato político.”

Neste dia, aconteceu um workshop com a pesquisadora mato-grossense Issaaf Karhawi. Ela está fazendo pós-doutorado no PPG de Comunicação na Unisinos, trabalhando no laboratório Cultpop. A tese de doutorado dela rendeu um livro, “De blogueira a influenciadora – Etapas de profissionalização da blogosfera de moda brasileira”, (inclusive, a capa foi produzida pela egressa de Moda da Unisinos e artista-designer, Marcela De Bettio).
O workshop trabalhou como os influenciadores digitais podem ser um objeto de pesquisa na graduação e demais etapas da vida acadêmica. Issaaf comenta, “Em 2013 eu escrevi um projeto de pesquisa para estudar blogueiras de moda. O que me incomodava naquele momento? Eu sou formada em Jornalismo e existia um embate entre jornalistas de moda e blogueiras. Uma rixa, um desacordo que me chamava atenção, porque aquela intriga sinalizava que tinha algo importante acontecendo.”

“Eu me deparei com a emergência de um novo perfil profissional no campo da comunicação. Um perfil profissional que era o de blogueira em 2013, mas em 2018, quando eu terminei, elas eram influenciadoras, ‘digital influencers’.”

A Issaaf mostrou o trabalho de conclusão em Jornalismo dela, produzido em 2010. Ela estudou a “saga Crepúsculo” em um trabalho intitulado “Entre vampiros, lobisomens e fãs – a saga Crepúsculo e a produção de sentidos no ciberespaço”. Na época ela era professora de inglês, e conta que ouvia dos colegas o conhecido discurso moralista de que os jovens não leem mais. “Eu chegava na sala e precisava esperar os alunos pararem de ler, fechar o livro para começar a aula. Como assim, a gente diz que o jovem não lê e de repente eles estão na sala de aula, de um curso de inglês, com esse livro na mão?”. A partir disso, ela foi estudar o que estava acontecendo, “Fui estudar Crepúsculo e fui me encontrando na pesquisa com as fanfics, as ficções escritas a partir de uma obra específica, nos ambientes digitais.”

“Quando eu digo que estudei blogueiras de moda na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), as pessoas me olham e perguntam ‘Como? Como as pessoas te olhavam’. É isso que eu queria provocar. Os nossos objetos de pesquisa, os temas que a gente escolhe, refletem muito nossos anseios. (..) Os meus indicavam questões que eram controversas. ‘Os jovens não leem’, vou mostrar que eles leem. ‘As blogueiras vão roubar o lugar de jornalista’, eu fui lá e mostrei que blogueira não é jornalista.”

Para a pesquisadora, o TCC é uma importante oportunidade para pensar em algo específico que estava guardado, mas tem vontade de falar, também é o momento de fazer um projeto experimental. Não pode ser visto apenas como uma formalidade. Issaaf pontuou que as perguntas podem surgir a partir da vivência diária, que pode ser tensionada e desenrolar um projeto de pesquisa que se aproxima do nosso campo. Os temas surgem de aspectos de uma área, mas também podem surgir de polêmicas, do senso-comum, de leituras, de conversações, etc.
“Quando a gente pensa em influenciadores, tem um aspecto importante: eles desorganizaram o ecossistema midiático.”
“A Cultura da Participação, que tem a ver com a Convergência de Mídias, com o Digital, com as Redes Sociais Digitais, abre esses polos e permite que cada um de nós produza algo e compartilhe nas redes. Isso gera uma desestrutura.”

A pesquisadora mostrou os principais aspectos a serem pensados na hora de pesquisar sobre influenciadores digitais e todo esse fenômeno digital, por exemplo, a autenticidade; o trabalho digital; os fluxos de comunicação; questões éticas. Esse último aspecto é o “grande burburinho”, segundo Issaaf, porque nesse ponto é que se tenciona o debate sobre influenciadores digitais. As questões éticas debatidas costumam circular em torno de publicidade velada (ou ilegal), responsabilidade e conteúdo e até desinformação e posicionamento e o “cancelamento”.

A última conversa da semana rolou com Victor Antunes, Paulo Barros, Gabriel Simeone e Edson de Sousa, que são integrantes do Núcleo de Tecnologia do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). O evento teve início com uma explicação sobre a atuação do MTST, que luta, dentro da lei fundiária, para que todos tenham direito a um teto. O Núcleo mostrou que o MTST defende a legalidade. Entre as leis, há uma que diz que as propriedades devem cumprir um dever social.
“Da mesma forma que se você tiver um carro, você não pode sair andando em cima da calçada, atropelando as pessoas e andar sem pagar o IPVA. Então, o MTST ocupa as terras que ‘andam na calçada’, ocupa as terras que ‘atropelam as pessoas’ e aquelas que não pagam tributo. Não ocupamos para tomar, mas como uma forma de denúncia, porque o poder público faz questão de não fazer valer a lei sobre essas terras.”

O Gabriel mostrou que o objetivo do Núcleo é organizar os trabalhadores da área de tecnologia em uma ponta e formar novos trabalhadores em outra. Para isso, é necessário desenvolver softwares e enxergar a tecnologia de acordo com a política do movimento.
Atualmente, há mais de 80 desenvolvedores colaborando com o Núcleo e cinco projetos sendo desenvolvidos. Eles detalharam a iniciativa “Contrate Quem Luta”, que é um projeto que oportuniza o contato de empregadores com profissionais para diversos serviços, através de uma plataforma de empregabilidade justa desenvolvida e organizada pelo próprio Núcleo de Tecnologia do MTST.

A ferramenta visa garantir o modelo de trabalho justo, horizontal e cooperativo. Estabelece uma relação direta, através de um robô, no qual você pede um serviço, via WhatsApp. A partir dali o “robô”, busca na base dados quem pode oferecer este serviço. A partir do momento em que a pessoa que busca o serviço e o prestador concordam com o trabalho, o número de telefone é trocado e as pessoas conversam diretamente, combinando horário, pagamento e prazo.

A plataforma foi desenvolvida e pensada em oposição ao modelo da uberização do trabalho. É uma plataforma justa de empregabilidade, que busca desenvolver profissionais, sem gerar algoritmos que possam prejudicar os trabalhadores.

A Semana da Comunicação é sempre esperada porque traz pautas relevantes para pensarmos a área. Nesta edição, pautas sociais e de impacto marcaram a programação, rendendo muitas ideias e dando o que falar. Mas, esse resumo é um convite para aguçar a curiosidade de quem não pode conferir os bate-papos ou então uma forma de lembrar o que aconteceu e refletir para novos debates. Já estamos ansiosos para a próxima edição!
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A equipe de Marketing da Trybe fez a apresentação da escola, que tem sua sede na cidade de São Paulo, e passou o briefing da demanda. A turma, que foi separada em cinco grupos, teve cerca de quatro semanas para desenvolver uma solução de comunicação. A equipe vencedora, formada pelos alunos de Publicidade e Propaganda Andrius Dri, Elisa Brum e Isabela Bresciani, recebeu, como prêmio, a participação em um treinamento no Open Day de Marketing, promovido pela escola paulista.
A Trybe oferece cursos profissionalizantes para quem deseja atuar com programação. A startup possui alguns diferenciais se comparada a outras empresas da área, como a exigência de uma prova para admissão. “Além disso, as pessoas só pagam o curso depois que estiverem trabalhando. Tem uma questão social no trabalho desenvolvido por eles”, explica a professora Adriana Amaral, responsável pela disciplina de “Redes e Mídias Sociais”. A orientação pedagógica contou ainda com a ajuda de Larissa Becko, que atuou como estagiária-docente.
O formato dos estudos da escola é baseado em cursos livres de educação profissional, em que os alunos têm liberdade para renovar o currículo e a grade, se adaptando às exigências do mercado de trabalho. Além disso, a Trybe tem parcerias com empresas e instituições, entre elas, a XP Inc., que está financiando parte das aulas de uma das turmas.
Isabela, uma das integrantes do grupo vencedor do desafio, está no quinto semestre de Publicidade e Propaganda. Ela conta que a atividade envolveu bastante pesquisa e trabalho, mas que foi tranquila e até mesmo divertida por estar junto a colegas de turma que são amigas e com a professora Adriana. “Foi muito dinâmico e de fácil acordo entre a gente. Além dos conteúdos passados pela professora, fizemos bastante pesquisa na internet para poder montar algo concreto e coerente com o que foi pedido”, comenta.
Para Elisa, o contato com a Trybe foi muito enriquecedor. “Além de conhecermos melhor a Trybe e as campanhas que a empresa desenvolve, pudemos aprender a criar estratégias de conteúdo para o Twitter. Foi gratificante”, elogia. A aluna gostou muito também da premiação. “Tivemos a oportunidade de passar um dia com o time de Marketing deles. Era o “Dia D da criatividade”, a data em que os profissionais da Trybe planejam as campanhas do trimestre. Aprendemos demais!”, avalia Elisa.
“Foi muito rico e somou muito para o meu futuro como profissional”, observa Andrius, que é só elogios para as colegas de grupo. “Fazer essa dinâmica com duas amigas foi ainda mais leve e divertido. Cada uma trouxe experiências próprias para o trabalho. Acredito que isso tudo deu muito certo principalmente pela equipe estar sempre alinhada”, acredita.
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O conceito de roupas virtuais fez com que novas empresas especializadas no tema fossem fundadas nos três últimos anos. É o caso da marca holandesa The Fabricant e da ucraniana Dress X. Em seus sites, os dois empreendimentos entendem roupas digitais como uma nova forma de se expressar através da moda, preocupada com sustentabilidade e com maior potencial criativo.


Mas é importante ressaltar que esse movimento, apesar de estar experimentando o seu auge durante a pandemia, surgiu a partir do começo do século 21, principalmente com a popularização do game Second Life, por volta de 2006, como conta o especialista em desenvolvimento de jogos Vinícius Cassol. “O jogo tem a proposta de ser uma simulação de sociedade, na qual você cria um avatar (personagem) do jeito que desejar e sociabiliza com outras pessoas através dele. Então, o jogador fica livre para personalizar seu personagem, seja na parte física ou na escolha das roupas”, explica Cassol, que é consultor de TI e criatividade e já coordenou o curso de Jogos Digitais da Unisinos. “Entendo que a criação do avatar seja uma forma de expor a personalidade da pessoa que está jogando. Por esse motivo, o uso das roupas pelos avatares se tornou tão importante”, reflete. A coordenadora do curso de Jogos Digitais do Senac-SP, Beatriz Blanco, entende que as roupas virtuais ganharam mais prestígio nos últimos dez anos também com games, principalmente com League of Legends e Fortnite. “Nesse tipo de jogo, é possível personalizar seu avatar através das skins, que é basicamente o que veste cada personagem, as suas roupas”, descreve Beatriz.

A professora explica que esse formato de jogo é, geralmente, adquirido de graça. Porém, as roupas dos personagens (as skins) não. Elas são chamadas de “itens cosméticos”. São acessórios que não são obrigatórios para jogar determinado game. As primeiras skins eram pensadas por temas. Eram roupas que homenageavam bandas, animes e filmes famosos. “O preço médio de cada skin, hoje em dia, varia entre 30 e 50 reais. É um mercado de diferenciação e experiência que gera muita arrecadação para os desenvolvedores”, observa Beatriz.
A professora conta que, pela popularização e monetização gerada com o mercado de roupas para personagens de jogos online, nos últimos anos, grandes marcas especializadas em moda passaram a enxergar os games e o mundo geek com outros olhos. “A moda está começando a entender isso como uma oportunidade de mercado. As famosas grifes estão entrando nesse segmento muito porque videogames e geeks passaram a fazer parte do mainstream”, avalia Beatriz. Um exemplo é a produção e idealização de skins para o jogo League of Legends feito pela empresa francesa de moda Louis Vuitton.

Para a professora do curso de Moda da Unisinos Paula Visoná, o movimento de roupas virtuais é irreversível. “Elas vieram para ficar. Não é algo passageiro, pois não está ligado ao produto, mas ao comportamento da sociedade”, acredita. Paula entende que a pandemia ajudou a acelerar esse processo de evolução. “Já que a circulação de pessoas nas ruas diminuiu e elas começaram a, cada vez mais, ‘viver’ no mundo online, dos jogos e das redes sociais, as marcas precisavam manter o contato com seus clientes. Isso explica o crescimento exponencial das roupas exclusivas para games ou como filtros para fotos no Instagram”, destaca.
No entanto, mesmo entendendo que as roupas virtuais são o futuro da moda, Paula ainda vê um movimento de criação feito de forma muito conservadora por parte das grandes empresas. “Creio que o que está sendo levado para o virtual ainda é muito parecido com o que vemos no cotidiano com as roupas físicas reais. Ainda estou achando bem careta. No mundo virtual, não existe limitação de cor ou material. As pessoas não se deram conta desse potencial”, diz a professora, que projeta a mudança vindo dos consumidores, e não das marcas.
Adriana Amaral, também professora do curso de Moda da Unisinos, vê as roupas virtuais como uma oportunidade de avanço na moda e na sociedade. “O movimento ajuda a mostrar que a moda é mais do que somente peças de roupas. É estilo de vida. Além disso, as roupas digitalizadas contribuem para uma mudança nas representações dos corpos na moda. Pode ser uma oportunidade para desconstruir padrões de beleza impostos”, afirma.
Paula leciona disciplinas que abordam as novas tendências e afirma que a academia deve discutir o mais rápido possível temas sobre tecnologia na moda. “Teremos que incluir, por exemplo, aulas e disciplinas que falem de animação e uso de tecnologias de forma criativa na moda”, sugere a professora.
Beatriz já percebe esse avanço na discussão ocorrendo entre os alunos. “Já participei de algumas bancas no curso de Moda como professora convidada para trabalhos sobre estilistas e figurinistas digitais para jogos. Mais uma tendência e nova profissão no mercado”, conta ela, que é também doutoranda em Comunicação na Unisinos.
A tecnologia na moda também é assunto das produções de pesquisa na Unisinos. Bárbara Linhares, estudante de Publicidade e Propaganda, produziu seu TCC sobre tecnologias emergentes na moda. “Pesquisei bastante sobre iniciativas na moda que usam novas tecnologias. Percebi que as marcas estão começando a entender que devem ir além de apenas vender peças de roupas, devem estar sempre inovando seu conteúdo”, reflete a aluna. “A transformação digital está aí. Não tem para onde correr. Pra mim, ela vai democratizar a criação de tendências e, cada vez mais, as roupas serão projetadas para terem funcionalidades tecnológicas, além de apenas focarem no estilo”, acredita Bárbara.
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Alice é egressa do curso de Jogos Digitais da Unisinos e programadora da Aquiris, uma das principais empresas gaúchas de criação de jogos. O Mescla foi conversar com a Alice para entender como ela iniciou sua trajetória como programadora num espaço tão competitivo e ainda tão dominado pelo gênero masculino. Vale a pena ler.

Mescla: Qual o seu trabalho atual e como ele se desenvolve?
Alice Abreu: Atualmente trabalho na Aquiris, como programadora de gameplay. O gameplay de um jogo é formado por todas as possibilidades de ações que o jogo oferece ao jogador. Essas ações são definidas pelos game designers, e o time de programadores de gameplay trabalha implementando todas essas possíveis ações que o jogador pode ter dentro do jogo, como movimentação, interação com outros personagens e itens, etc.
Mescla: Nos fale um pouco sobre a sua trajetória.
Alice Abreu: Então, meu contato com tecnologia começou no ensino médio, pois me formei no Técnico Integrado em Informática (ensino médio e técnico juntos) no Ifsul Campus Charqueadas. De lá, eu sabia que queria seguir na área de TI, e então estava pesquisando quais cursos existentes e olhando o currículo deles, pra ver qual me agradava mais. Em 2013, no último ano do ensino médio, eu estava apresentando um projeto científico na Mostratec, em Novo Hamburgo, e várias empresas de jogos estavam apresentando seus trabalhos. Uma delas era a Aquiris, que estava expondo o Ballistic, um dos projetos dela na época.
Foi conversando com a pessoa que estava disponível para falar com os visitantes da feira que eu pude conhecer mais sobre o universo de jogos e descobrir que existiam alguns cursos voltados para o desenvolvimento de jogos aqui no RS, o que eu ainda não sabia na época. Pesquisei por esses cursos e me apaixonei pelo currículo do curso de Tecnologia em Jogos Digitais, na Unisinos.
Ingressei na Unisinos em 2014 e no final de 2017 finalizei o curso. Desde o início de 2018 comecei a procurar por oportunidades na área de jogos e foi então que conheci a Kobe. Uma startup focada no desenvolvimento de aplicativos para smartphone e também experiências com realidade aumentada e virtual.
Em abril de 2018 ingressei para o time da Kobe como desenvolvedora de jogos e trabalhei lá até junho de 2020. Participei de desenvolvimento de jogos, e também experiências de realidade virtual lá, e foi uma experiência incrível, de muito crescimento profissional e pessoal também. Aprendi muito tecnicamente e também fiz muitas amizades.
Em junho de 2020 parti para uma nova oportunidade, desta vez na Aquiris, a empresa através da qual eu conheci o curso de jogos. Sempre tive a Aquiris como referência e ter a oportunidade de poder contribuir nos projetos da empresa que me inspirou a fazer jogos é muito incrível. Apesar de estarmos todos distantes, trabalhando de home office devido a pandemia, fui muito acolhida desde a minha chegada e mal posso esperar para conhecer todos os meus colegas pessoalmente.
Mescla: Quais os seus hobbies?
Alice Abreu: Gosto de jogar videogames no tempo livre (obviamente hahaha), ler livros, assistir séries e filmes, andar de bicicleta e quando voltar a ser possível (né Covid?), sair com os amigos e viajar.
Mescla: Quais seus projetos futuros?
Alice Abreu: Pretendo fazer um intercâmbio no Canadá para estudar inglês e conhecer Vancouver, cidade que sou fã pelas paisagens e imensa variedade cultural. Além disso, quero ganhar mais experiência técnica como programadora de gameplay, que é uma área que eu estou adorando trabalhar, para quem sabe no futuro poder ajudar programadores juniores a se desenvolver tecnicamente e crescerem também.
Quero continuar ajudando na organização da Women Game Jam e contribuir para o crescimento do evento. Se eu puder passar motivação e conhecimento para que cada vez mais mulheres entrem para a área de jogos, estarei feliz.

Mescla: Como você avalia o mercado de games gaúcho?
Alice Abreu: O mercado de jogos gaúcho está a pleno vapor, eu diria. Temos mais de 100 jogos desenvolvidos no estado, e temos empresas daqui que são referências em todo país.
Em 2018, o RS já era considerado o quinto estado do Brasil com maior número de empresas de jogos, e esse número não para de crescer. Além disso, temos muitos cursos de desenvolvimento de jogos no estado, então o número de profissionais na área está sempre aumentando.
Ainda são cursos novos, e muita gente ainda não conhece o curso quando você comenta que se formou em Jogos, mas o pessoal está vendo que cada vez é algo que está crescendo mais e mais, e que profissionais dessa área certamente terão oportunidades tanto dentro como fora do país.
Mescla: Você acredita que este é um ambiente com oportunidades de emprego? Por quê?
Alice Abreu: Acredito que sim. Ainda mais durante a pandemia, em que os jogos se tornaram um dos principais meios de entretenimento do pessoal que está ficando em casa. Há muitos projetos em desenvolvimento e diversas vagas são divulgadas todos os dias em redes sociais como o LinkedIn, por exemplo.
O mercado está precisando cada vez mais de novos projetos disponíveis para o público que está ansioso por novidades em casa, e acho que isso não só mantém os projetos que estão em desenvolvimento ativos, como cria oportunidades de novos projetos serem lançados e isso sempre traz novas vagas disponíveis, pois com a demanda de projetos, surge a demanda de profissionais.
Mescla: Como as mulheres se encaixam neste cenário?
Alice Abreu: As mulheres infelizmente ainda são minoria no mercado de jogos, mas buscamos mudar esse número. Segundo o II Censo Brasileiro da Indústria de jogos, desde 2013 o número de mulheres trabalhando com desenvolvimento de jogos no Brasil triplicou, mas ainda assim, segundo esse mesmo censo ainda somos 20% dos profissionais que desenvolvem jogos no Brasil.
Mulheres gostam de jogar (segundo a Pesquisa Game Brasil 2019, mais de 50% do público que joga videogame no Brasil são mulheres) e mulheres querem trabalhar desenvolvendo jogos. Porém, o ambiente não é muito acolhedor. Temos notícias de diversas empresas internacionais com líderes sendo denunciados por assédio a colaboradoras, ou colegas fazendo listas “das mais gostosas da empresa”, e isso é muito complicado. Inclusive durante a faculdade, muitas vezes mulheres são assediadas pelos colegas, não têm suas ideias ouvidas, enquanto outro colega quando diz a mesma coisa, é reconhecido e elogiado dentro de um grupo. E isso é muito desencorajador. Temos colegas que não vão até o final do curso pela toxicidade do ambiente, e quando vão, muitas vezes encontram o tóxico na indústria.
Mas, estamos trabalhando para mudar esse cenário. Desde quando eu estava na faculdade, fazia algumas palestras sobre o assunto. Falando sobre como as mulheres estão presentes no mercado de jogos (e de computação) em geral, desde o seu início e também contribuíram de forma muito forte para o seu desenvolvimento. Desde os anos 80 estamos contribuindo com a indústria. Um dos eventos em que já tive o prazer de palestrar foi a Women Game Jam, uma maratona de desenvolvimento de jogos voltada para mulheres e pessoas não binárias. É divulgado um tema no início do evento, e as participantes têm um certo tempo para desenvolver um jogo que aborde aquele tema. Em 2020, tive a felicidade de ingressar no time de organização do evento, como organizadora nacional do Brasil e também colaborei na organização do evento na América Latina. Realmente é muito incrível fazer parte da organização de um evento assim, pois pode ser o primeiro contato de mulheres com a área de jogos, ou quem sabe a chance de uma pessoa mais experiente que geralmente é a única mulher da equipe, conhecer outras mulheres que também trabalham no mercado, e ter esse conhecimento de podemos ser poucas nas nossas equipes, mas somos muitas no geral.
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Causa ou efeito da indústria digital, está a dependência crescente das pessoas com as redes sociais. O documentário O Dilema das Redes, disponibilizado na Netflix, traz um alerta feito por especialistas em tecnologia e profissionais da área sobre os riscos do uso das redes em nossa sociedade e para nossa democracia.
A produção aborda um problema que está apenas na ponta do iceberg, porém, é necessário ir da superfície ao fundo para entender melhor a situação em que estamos. Com uma narrativa didática, o documentário utiliza depoimentos de ex-funcionários, até mesmo de alto escalão, das big techs (Facebook, Google e Twitter) utilizando uma narrativa como pano de fundo, com o objetivo de mostrar como e por que está cada vez mais difícil parar de usar smartphones e redes sociais.
Mesmo com um cenário propício ao aumento do uso, algumas pessoas preferem abrir mão da conexão instantânea, como é o caso do professor da Escola da Indústria Criativa da Unisinos Gilberto Pires de Assis Brasil. O ‘Giba’, como é profissionalmente conhecido, também é carinhosamente reconhecido pelo seu posicionamento crítico às redes sociais, e ao monopólio das grandes empresas de comunicação, como o Google, por exemplo.
Foi por e-mail que o professor respondeu às questões propostas pela reportagem. De formação jornalística, especializado em montagem e com um vasto currículo que inclui trabalhos como Ilha das Flores (1989) e O Homem que Copiava (2003), Giba fez das respostas uma importante reflexão sobre como as necessidades se criam e como não pensamos sobre elas.
Com um estilo transparente e direto, o professor começa sua resposta como uma breve apresentação: “Antes de tudo, se é para me apresentar como um personagem estranho, já adianto que eu também não sei cozinhar nem dirigir automóvel. Não acredito em Deus, no livre mercado, nem em direito autoral. E não respondo pesquisa: acho que ninguém tem o direito de pegar a minha opinião e transformá-la na média da opinião dos outros, e vice-versa. E o mais estranho de tudo: não sei descascar laranja.”, revela.
Antes de contar sobre sua experiência com as plataformas, Giba trouxe uma interessante reflexão sobre duas personagens do mundo da tecnologia e informação: Julian Assange e Mark Zuckerberg. Como elucida o professor, um rouba informações de governos e grandes empresas e distribui de graça para toda a população, enquanto o outro rouba informações de toda a população e vende por muito dinheiro para governos e grandes empresas. A questão é, ao mesmo tempo que um deles está preso e exilado, o outro está entre as pessoas mais ricas do planeta. E o fato de não prestarmos atenção em quem é qual pode ser preocupante.
Por isso, logo na minha pergunta sobre o por que ele não utiliza redes sociais, o professor questiona o espanto que, normalmente, causa nas pessoas por não ter redes sociais: “A verdadeira pergunta, como diria o soldado do passo errado, é: por que tanta gente usa?”. Ele entrou no Facebook em março de 2010, principalmente, pelo fato da plataforma ser uma grande e divertida perda de tempo, como descreviam seus amigos. E Giba sempre gostou de perder seu tempo com algumas coisas que ele diz serem inúteis, como assistir futebol e fazer palíndromos, conforme ele mesmo revela.

Aos poucos o professor do curso de Realização Audiovisual foi descobrindo que por mais que gostasse muito dos seus amigos e parentes, ele não fazia a menor questão de saber o que faziam a cada 15 minutos: “Eu já tinha ultrapassado a marca de mil ‘amigos’ e senti que aquilo tudo não me deixava mais próximo de nenhum deles”, explica. Ele revela, ainda, que muitas pessoas, das quais passou a vida inteira gostando, estavam se tornando, um pouco, insuportáveis. E, no fim, ele sabia que o problema não era ele, nem as pessoas. O tempo ‘conectado’ no Facebook durou um ano e, após isso, o professor conta que nunca teve vontade alguma de voltar para lá.
Com o Whatsapp foi a mesma coisa, o professor da Indústria Criativa até tentou se ambientar a plataforma, pois era uma maneira fácil e barata de se comunicar com a sua filha, que estava morando no Rio de Janeiro. Porém, com o tempo, aquele sinalzinho que soava toda hora por coisa nenhuma e mais ainda a neurose de quando o sinalzinho ficava muito tempo sem soar, o aplicativo começou a ser um problema.
E, talvez, por uma certa sorte, um assalto o ‘ajudou’ a se livrar da ferramenta, como Giba mesmo explica: “Tive que comprar outro celular e, antes de apagar o aplicativo, coloquei no meu “status”, bem claro: “Eu não uso essa merda!”. Apesar disso, de vez em quando ainda recebo e-mails indignados: “Te mandei um Whats. Por que não respondeste?”, comenta. Aliás, confesso que, como repórter, deveria ter prestado atenção no status do entrevistado quando fiquei esperando por uma resposta.
“Estas ações estão produzindo modos de existência e estão articulando importantes processos de subjetivação”, explica a professora do Doutorado em Informática na Educação da UFRGS, Vanessa Maurente. Graduada em psicologia, Vanessa também prefere refletir sobre os sentidos produzidos pelo uso da tecnologia. Ela comenta que é muito desafiador optar por não fazer o uso de certas tecnologias, já que vivemos em um mundo que opera sob esses processos.

Vanessa entende que devemos questionar que padrões atencionais as tecnologias ajudam a acionar: “Que tipos de relacionamentos se normatizam? Que modos de conhecer se instauram?”, questiona.
Pensando nestas outras possibilidades de viver a tecnologia, ela, juntamente com os professores Cleci Maraschin e o Luis Artur Costa, coordena um projeto de pesquisa, intitulado Oficinando em Rede: Figurações Corporificadas. O projeto consiste em um jogo digital direcionado a crianças com idades entre 7 a 12 anos.
O jogo envolve os participantes em uma narrativa imersiva, através da descrição de situações contextuais vividas por crianças fictícias, que incluam os marcadores sociais da diferença. Os participantes devem discutir em plataformas de aprendizagem online ou aplicativos de bate papo, quando eles consideram que a criança personagem da situação experiencia sentimentos mais sofridos, como, por exemplo, a raiva ou o medo: “O objetivo é trabalhar temáticas relativas ao racismo, gordofobia, desigualdade de gênero, classe e inclusão”, explica Vanessa. Um jeito de operar produzindo novos sentidos aproveitando as lógicas comunicacionais das próprias crianças.

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É claro que a Agência Experimental de Comunicação (Agexcom) não iria ficar de fora dessas mudanças. Apesar das grandes melhorias de tecnologia, o período de adaptação não foi tão fácil para estagiários e funcionários ao longo dessas duas últimas décadas. O Marcelinho (supostamente conhecido como Marcelo Garcia) começou a estagiar na AgexJor em janeiro de 2000 e virou funcionário da agência em agosto do mesmo ano. Com 20 anos de trabalho dentro da Unisinos, acompanhou muitas das mudanças físicas e tecnológicas.
Quando ainda eram três agências experimentais (AgexJor, AgexPP e AgexRP), as equipes ocupavam as salas onde hoje estão os laboratórios de TV e as instalações do curso de Realização Audiovisual (CRAV) e do curso de Fotografia. Na junção que transformou as três equipes em uma, foi preciso realocar todos os equipamentos e pessoal para uma sede grande o suficiente, e o Marcelinho acompanhou todos os trabalhos.

“A solução adotada foi desativar um andar inteiro do prédio D01, que na época era conhecido como ‘prédio das Ciências da Comunicação’ ou ‘Centro 3’”, explica ele. “Ali funcionavam seis salinhas de reuniões que alunos e professores usavam para encontros de TCC e monitorias de disciplinas”, lembra. As salinhas iam da entrada do andar até a sala dos racks de informática, segundo a memória precisa de um dos mais antigos funcionários da Comunicação Social. Depois dali, ficava a sala Multimeios, com uma televisão grande, daquelas de tubo, e videocassete embutido, destinada a filmes e videoaulas.
“Como as divisórias das salas eram removíveis, tudo foi abaixo rapidamente”, conta Marcelinho. “Pelo novo projeto, a Agexcom não teria divisórios, pois a ideia era justamente promover a integração entre as áreas de comunicação. Essa questão de integrar Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas estava em alta.”

Na nova sede, as mesas foram padronizadas. Foram trazidas mesas de mogno de outros setores, Já armários, televisores e computadores foram reaproveitados das antigas agências. Apesar de ser um espaço para várias áreas da comunicação, as equipes na recém-inaugurada Agexcom acabaram distribuídas da mesma forma que as antigas agências. A Cris (também conhecida como Cristiane Rodrigues Herold) entrou na agência em 2011 como funcionária de RP, e lembra dessa organização. “Na época, a gente ainda tinha aquela divisão entre o núcleo criativo e o núcleo de jornalismo. Na entrada, era praticamente uma ilha de edição. Logo que se entrava, do lado direito ficava a mesa da coordenadora geral, a professora Thaís Furtado, junto com o pessoal do atendimento”, recorda.

Logo depois, ficava a Área de RP, com a Cris, a professora Nadege Lomando e quatro estagiários. Nessa organização, os funcionários e professores das respectivas áreas ficavam junto aos estagiários. Depois, ficava a Área de PP, com a equipe que veio da AgexPP. “Era a maior área, pois ocupava em torno de seis bancadas”, relembra Marcelinho. A Cris ainda cita que, depois de PP, ficava o pessoal da Programação, importante para colocar os sites no ar e permitir as adaptações de tecnologias. Na sequência, ficava a sala de reuniões, isolada por divisórias, que mais tarde foi convertida em espaço de convívio, se tornando um membro importante da Agex. Foi batizada de Vanessa — isso mesmo. Mas essa é uma história para outro momento. Um pouco isolados, quase nos fundos da agência, ficava, então, a equipe de jornalismo, espalhada em duas ou três bancadas.
“Por fim, foi criada uma sala de aula para 30 lugares”, ordena Marcelinho, que ficava ali pelos fundos também, junto com os estagiários de Jornalismo. “A ideia era aproveitar o andar para receber aulas dos três cursos no período da noite. As aulas poderiam aproveitar a nova sala e toda a infraestrutura da Agexcom.”
A lógica das equipes se manteve até 2017 com poucas alterações, como a criação dos núcleos de audiovisual e digital, mas outras mudanças ocorreram fisicamente. “A própria fachada mudou”, recorda Cris. “Ela era verde e amarela, depois trazia um grande catavento”. Isso foi quando o slogan da agência era “comunicação e movimento. A última adesivagem trouxe um perfil mais colorido e eclético para a porta de entrada, que se reflete também no interior.

Em 2017, a agência, que além das pesadas mesas de mogno tinha grandes armários com livros de pesquisa e CDs com trabalhos gravados, fez a mais recente alteração física, realocando esses arquivos e mudando os móveis. “Alguns tinham cupim. E as cadeiras antigas eram desconfortáveis”, conta Cris. Depois de uma “pausa dramática” para reestruturação da rede elétrica e de dados — uma das raras vezes em que a Agexcom funcionou fora da sua sede, passando uma temporada na sala da Beta Redação, lá no quarto andar do prédio D01 —, o layout passou a organização de agora, com todos os estagiários reunidos na frente, pertinho dos funcionários e onde podem trocar ideias entre si mais facilmente.
Áh, e as cadeiras ficaram bem mais confortáveis.
Tecnologicamente falando
Ninguém melhor do que o Marcelinho para falar do quanto a tecnologia se tornou importante nesse meio tempo em que trabalha na Agexcom. “Ao longo de 18 anos de vida, a Agexcom entregou inúmeros trabalhos aos seus clientes, muitos deles premiados em concursos locais e nacionais. Tudo só foi possível graças ao talento dos alunos, dos professores e dos funcionários. Além de uma ajudinha extra: a tecnologia”, avalia.
Quando foi inaugurada, em 2003, a maioria dos equipamentos eram analógicos. “Os computadores estavam lá, claro, não somos tão velhos!”, brinca ele. “Mas eram mais lentos que os de hoje. Dava para ler e enviar e-mails, acessar sites, incluindo o Orkut, e softwares da época, como o CorelDraw 8, o QuarkXPress 4 e uma versão rudimentar do Photoshop.”

Segundo Marcelinho, como as práticas profissionais ainda não eram muito digitalizadas, para pedir a compra de materiais de escritório, por exemplo, era preciso preencher um formulário à mão, em três cópias feitas com folhas de papel carbono. Os celulares só serviam para enviar SMS e fazer ligações, mas legal mesmo era usar os telefones de mesa para fazer ligações entre áreas, setores e externas. “Todo mundo sabia como transferir uma ligação entre ramais”, comenta ele — provavelmente uma indireta para os estagiários de agora, como eu, que não sabem realizar essa difícil tarefa.
“Tínhamos uma impressora a jato de tinta que vivia dando problema e brigávamos muito com ela”, recorda Cris. Essa era uma das tantas que, ao longo dos anos, sucederam a impressora pioneira: “Era uma enorme impressora colorida, a laser, um pouco maior do que uma fotocopiadora atual. A impressão era ótima, mas levava uns três minutos por folha!”, complementa Marcelinho.
A agência possuía duas câmeras fotográficas analógicas que usavam filmes e duas câmeras digitais a pilha que armazenavam as imagens em disquetes. “Era sempre uma tensão saber se as pilhas estavam carregadas ou não”, conta Cris, já que, na maioria das vezes, a tarefa de manter as pilhas carregadas era, digamos, esquecida.
Para as campanhas de comunicação, era preciso escanear as imagens a partir de um original em papel, como fotografias e livros de agências de imagens — isso seria um antepassado do Pinterest? “Por descompasso de tecnologias entre as atividades, inserir uma imagem produzida por um aluno em uma reportagem a ser impressa em uma revista era algo quase surreal para os padrões de hoje”, explica Marcelinho. Os alunos recebiam uma câmera analógica e dois rolos de filmes com 24 poses. Nada de esperar pela sorte, cada foto era contada e especial. Depois, entregavam os rolos para a Agex, que providenciava a revelação em laboratórios terceirizados. Com as fotos em mãos, os alunos escolhiam as melhores. Então, elas eram digitalizadas para serem utilizadas na diagramação. Já pensou no trabalho?!



Já nos anos 2010, depois de alugar novíssimos tablets para ações de comunicação, a Agex recebeu dois equipamentos como permuta por um trabalho para uma empresa do Tecnosinos. A novidade animou tanto os estagiários que o pessoal levava as apresentações salvas no novo aparelho. Entrevistas, gravações, tudo era possível com um tablet. O digital estava com tudo!
Os computadores melhoraram de desempenho, a Agex ganhou o seu primeiro computador Mac, as redes sociais transferiram a comunicação para o ambiente online, as câmeras analógicas foram substituídas por modelos digitais e é possível criar arte sem papel. “Inclusive o fax sumiu! Até hoje, não sei onde ele foi parar”, brinca Marcelinho. E os telefones de mesa? “Áh, esses ainda estão lá, nas mesas, curtindo um ócio.”
Aliás, como será que eu transfiro uma ligação… Vou aproveitar para dar uma conferida.
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“Na Indústria Criativa, nós temos uma série de competências interdisciplinares que atravessam diversas vertentes da criatividade e podem ser líderes na elaboração de novos negócios”, afirma o decano da Escola de Indústria Criativa da Unisinos, Carlo Franzato. O professor e pesquisador conta que os gestores já se deram conta disso, e muitos buscam colaborações. “No mundo dos negócios que inova, avança e se transforma, que vive um desenvolvimento sistêmico, orientado também à sociedade e à preservação do ambiente, se necessita necessariamente de competências criativas”, destaca.
A criatividade e a colaboração são competências que estão sendo desenvolvidas em todos os cursos da Unisinos. “Nossas áreas são especialmente importantes na elaboração de processos e da concepção de novas ideias de negócios”, conta Franzato. Para ele, o que é central nessa relação é a criatividade, “não só as competências projetuais, mas as competências criativas, de forma um pouco mais abrangente”, explica. Nessa entrevista para o Referências, o decano amplia o entendimento sobre a Indústria Criativa e quais as potencialidades da área.

A CEO do parque tecnológico Tecnosinos, Susana Kakuta, destaca que o empreendedorismo é uma das principais formas de gerar PIB novo para o Rio Grande do Sul. Ela considera a editoria relevante para os empreendimentos e afirma que “quanto mais se conhece, se estuda e se traz à tona bons cases de empreendedorismo, mais se exerce uma influência positiva na formação de novos negócios”. Segundo ela, é necessário uma conexão entre as áreas de conhecimento para que a inovação possa acontecer. As startups da Tecnosinos, por exemplo, utilizam diversos métodos para solução de problemas, onde muitos são da Indústria Criativa. “Essas ferramentas de inovação, como design thinking, sprint, canvas, são extremamente importantes para a transformação, seleção, ou concepção de uma ideia e para ir da ideia a um modelo de negócio. Nós utilizamos essas ferramentas, inclusive, como forma de fazer uma avaliação continuada para nossas startups”, explica.
Kakuta afirma que não tem como fazer inovação sem usar ferramentas que possam “diminuir incertezas e, por outro lado, aumentar risco de sucesso”. A participação da Indústria Criativa, porém, não é limitada a isso, e as interseções são muitas. A CEO comenta que o dispositivo de interação por voz da Amazon, Alexa, por exemplo, é uma forma inovadora de relacionamento com o cliente e que, apesar de ser um instrumento de comunicação, possui tecnologias, como a inteligência artificial, que vem de outras áreas do conhecimento.
“Os processos do passado não tem mais espaço. O ponto é: como que as organizações podem se desafiar a buscar essas soluções criativas”, apontou a decana da Escola de Gestão e Negócios da Unisinos, Cláudia Bittencourt. Os problemas dos negócios atuais são muito mais complexos do que eram antes, e, por isso, a solução precisa ser criativa.
Os processos da Indústria Criativa são cada vez mais utilizados nas estratégias e na gestão de empresas, assim como no desenvolvimento de tecnologias, mas ainda há pouca integração entre as áreas na universidade. A decana entende que é interessante quebrar as fronteiras para que seja possível encontrar soluções diferentes – soluções que não são vistas sem essa integração. A divulgação e discussão sobre essas relações, como a que propõe a editoria Acelera do Portal Mescla, é “fundamental”, segundo ela.
Outra motivação para a criação da editoria vem da lacuna existente sobre publicações que tratam de empreendedorismo no RS. O caderno GeraçãoE, do Jornal do Comércio, por exemplo, é uma das referências para o trabalho de divulgação de empreendimentos gaúchos. Esse ano, a publicação ganhou o prêmio Top de Marketing ADVB e foi reconhecida pela Câmara de Vereadores de Porto Alegre como incentivadora do desenvolvimento econômico e social da cidade, pelo trabalho que realizaram.
Mauro Belo Schneider, jornalista e editor do caderno, conta do impacto que as publicações têm: “Nós mudamos a vida daquele negócio a partir do momento em que ele aparece no jornal”. Para que o empreendimento seja divulgado, o critério de seleção é a mensagem, o propósito e a relevância da proposta. “A gente acaba desenvolvendo muito a economia local, justamente por despertar o interesse das pessoas. Elas começam a consumir mais daqueles negócios que aparecem no GeraçãoE e, então, se desenvolve toda a cadeia ao redor da região”, explica.
O jornalista entende que existe um papel muito importante a ser desempenhado pelas mídias no desenvolvimento do próprio empreendedorismo. “A demanda está muito grande, por causa do desemprego, por causa desse novos formatos de trabalho, então, quanto mais informações tiver e mais popular for ficando o tema, melhor”, enfatiza. O curso de Jornalismo da Unisinos tem sido parceiro do GeraçãoE. Há três anos que a atividade de BetaEconomia produz um caderno especial para o GeraçãoE por semestre, com histórias empreendedoras da região.
“A divulgação é crescente, mas tem bastante a melhorar”, afirma o professor e coordenador do pós-MBA em Gestão da Inovação, Sandro Cortezia, também fundador e diretor executivo da aceleradora de startups Ventiur, que atua no Tecnosinos. Para o pesquisador, há um aumento gradual no interesse por parte da imprensa nos polos tecnológicos, mas ainda é insuficiente. A iniciativa do portal Mescla em lançar uma editoria sobre empreendedorismo, tecnologia e Indústria Criativa é considerada “louvável” pelo coordenador. Sandro comenta que as startups estão entendendo a importância dos profissionais da Indústria Criativa e que eles já utilizam as lógicas e processos da área, de forma quase natural, sem saber a origem, muitas vezes.
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Os repórteres do Mescla estiveram presentes nos dois dias de evento e separaram mais alguns cases, que fecham este especial. Ficou interessado no assunto e não conseguiu ir no FIC? Confere as reportagens que preparamos: a primeira e a segunda podem ser encontradas aqui.
O impacto da era pós-digital na comunicação
Por Lisandra Steffen

Qual o futuro da comunicação na era pós-digital? Essa foi a pergunta que a FIC19 tentou responder. Com um painel composto de profissionais de diversos sindicatos e associações, o debate focou, principalmente, no mercado publicitário. A Era Pós-Digital é a realidade na qual a tecnologia está presente em todos os aspectos da sociedade e os convidados debateram sobre isso com base nas experiências que tiveram ao longo dos anos.
Os convidados para fazer parte do painel foram: Fernando Silveira, presidente da Sinapro-RS; Liana Bazanela, presidente da Associação Riograndense de Propaganda e co-fundadora da Do it; Alexandre Skowronsky, Presidente da Associação Brasileira de Agências de Publicidade; e Moyses Costa, Presidente da ABRADI-RS.
Diversos tópicos surgiram durante a conversa, mas o principal foi a conexão e a interação entre conteúdo, propagandas e público. Para Liana, o público quer interagir com uma propaganda que não pareça uma propaganda de fato. A publicitária acredita que a publicidade deve ser feita de forma que não atrapalhe o consumidor. Logo, a pergunta a ser respondida, na opinião da profissional, é: “como entrar em um diálogo de forma natural e sem ditar regras?”. Os palestrantes concordaram que existe uma necessidade de evoluir as estratégias de marketing para além da simples aquisição de um produto. Não se pode esquecer que comunicação é emoção.
Mais uma vez a convergência de plataformas se fez presente. Segundo os palestrantes, é essencial lembrar, ao fazer uma campanha, o contexto e o momento em que os públicos estão inseridos, uma vez que estão todos no mundo digital. Mesmo assim, o online e o offline ainda andam juntos e a importância de uma marca é feita através da experiência do usuário.
Como analisar o perfil das novas gerações para entender o presente e o futuro do consumo
Por Bruna Lago

A fundadora da Tendere — Pesquisa de Tendências e Soluções em Negócios Criativos, Patrícia Sant’anna, trouxe para debate o impacto das gerações que já estão transformando a forma como nos relacionamos com as marcas e o mundo online. O mercado, diz ela, precisou acompanhar a exigência de experiências que a geração Z demanda, e agora, a geração Alpha (nascidos a partir de 2010). Para este último grupo, salvar o mundo é mais importante do que alcançar status social, então compreender este novo consumidor é tarefa tão sensível quanto lógica. O conflito de gerações pode ser ideológico, mas também é de como cada uma delas se relaciona com a tecnologia.
Patrícia Sant’anna lidera na Tendere o time de pesquisadores que trabalham na construção de soluções criativas e personalizadas. Um dos diferenciais da empresa é envolver a antropologia para compreender tendências de segmentação. Além da sua experiência como geradora de inovação para marcas como Itaú, Renner e Samsung, Patrícia é coordenadora na pós-graduação em Pesquisa de Tendências e Comportamento do Consumidor na Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo, onde também leciona.
“Atualmente temos cinco gerações ativas, e há conflitos. Isso é inevitável, mas também não é ruim. Só depende da maneira como você leva dentro do ambiente de trabalho. A Z é a geração que vai para a briga. Não é uma geração de consumo, eles consomem o mínimo e preferem gastar com experiência, buscam o custo benefício e formas de ajudar o mundo de alguma forma. E isso é mais forte ainda na Alpha. A Alpha é uma geração onde 67% das crianças quer descobrir uma maneira de salvar o mundo.”, explica Patrícia. Nativos da tecnologia e de olho no futuro do planeta, as crianças que hoje ensaiam sua participação no mercado e já exigem dele sensibilidade.
Não basta pensar no cliente de hoje, é preciso planejar quem mais pode vir a se tornar um. E o novo cliente deve se apropriar dos valores da marca
Por Bruna Lago

A inovação nem sempre vem de onde esperamos. Layout inclusivo, embalagem mais prática e interface interativa são exigências do mercado. O melhor produto também precisa gerar a melhor experiência de uso, e é pensando nesses elementos que negócios como Airbnb, empresa que só tem 11 anos no mercado, apostam hoje. Os valores emocionais conquistam tanto quanto um preço acessível.
Esse foi o destaque da fala da gerente de marca e design da Samsung, Renata Borges. Ela tem mais de vinte anos de experiência com criação e gerenciamento de experiência e informação do usuário, mesclando comunicação comercial, design de interface e sistemas interativos para produzir a melhor relação entre marca e consumidor.
“É preciso trabalhar com soluções de alto valor e baixo risco para chegar a um engajamento efetivo. O design hoje precisa pensar no futuro. O que as pessoas vão fazer com o meu produto amanhã? Porque o ideal é que elas queiram usar ele para sempre”, instiga Renata. Ainda usando o Airbnb como exemplo, ela lembra que a ideia da empresa surgiu a partir de uma troca de e-mails de conhecidos que gostariam de se hospedar por temporada em ambientes mais confortáveis do que hotéis. Desde então, a interface mudou, a maneira de se relacionar mudou, mas o propósito do serviço se manteve, como um valor intrínseco do negócio.
Em busca de uma nova Porto Alegre através de trabalhos voluntários e da fomentação da economia criativa
Por Pedro Hameister

Diversos integrantes do coletivo POA Inquieta estiveram presentes na FIC19 para mostrar que a diferença pode ser feita quando todos se unem com um objetivo em comum. Cada palestrante representava um projeto organizado no grupo. Porém, apesar de seus trabalhos serem diferentes uns dos outros, todos eles possuem um objetivo em comum: transformação.
POA Inquieta é formado por um coletivo de pessoas que acredita na produção de mudanças na capital através do incentivo à economia criativa. O grupo promove encontros para trocar ideias, realiza projetos, organiza eventos culturais e explora todas as possibilidades de trazer inquietação para a capital gaúcha. Todas as atividades são abertas ao público e organizadas voluntariamente.
O grupo atua nas mais variadas áreas, como educação, sustentabilidade, turismo, mobilidade, entre outros. Dentro de cada um desses segmentos, diversos projetos e iniciativas são criados para promover uma nova visão sobre Porto Alegre e trazer mudanças para a cidade. Sempre priorizando os espaços culturais da capital e tudo o que ela tem a oferecer para fomentar sua economia criativa. “A ideia é realmente atrair pessoas pela nossa variedade de projetos. Basta escolher aquele com que você mais se identifica e se juntar aos trabalhos”, explicou Márcia Martins, uma das representantes do POA Inquieta presentes no FIC19.
Projetos que trabalham com jovens em situação de vulnerabilidade, orientações pedagógicas para pais e crianças, inclusão e economia local foram trazidos para o festival. Apesar de o trabalho feito pelo coletivo ser apenas em Porto Alegre, nem todos na plateia moravam na capital gaúcha. Ao saberem que ao menos dois deles eram do Vale dos Sinos eles provocaram: “Vocês podem se juntar e criar o Novo Hamburgo Inquieta”. Fica a dica.
O crescimento do designer de experiência de usuário através de sua atuação no mercado
Por Pedro Hameister

O designer digital Thiago Esser trouxe para o FIC19, na track de Experiência e Consumo, a forma como se encontra atualmente o mercado de trabalho para designers de experiência de usuário no Brasil, e como ele ainda pode evoluir. Fornecer espaço para o profissional trabalhar e criar, e incentivá-lo a colocar mais ideias em prática, foram algumas sugestões que o palestrante apontou. “E se, além do espaço acadêmico, as empresas também fossem responsáveis pela formação dos profissionais?”, questionou Esser .
Esser é formado em Artes Visuais pela UFRGS e em Publicidade e Propaganda pela PUC-RS. Já trabalhou na área de design para o Grupo RBS, para a empresa de tecnologia de informação e serviços Intelly e para a plataforma uMov.me. Atualmente, é professor da Uniritter e organizador da UX Conference, fundada em 2015, que reúne profissionais de design de experiência de usuário para uma série de palestras e troca de informações.
O design de experiência de usuário, chamado também de UX Design, é um ramo da profissão que atua na relação do consumidor com o produto. O objetivo desse profissional é garantir que o cliente fique satisfeito em todas as etapas que há no consumo de um determinado serviço. Desde o preenchimento facilitado de um formulário, até na configuração simplificada de um produto e no recebimento dele em uma embalagem fácil de abrir.
Em sua palestra, Esser afirmou que o UX Design no Brasil ainda precisa amadurecer para se consolidar de vez. Um desafio, por exemplo, é trazer visibilidade para profissionais mulheres, visto que esse ramo é predominantemente masculino. “A diversidade no UX Design ainda está começando a surgir. Mesmo quando o trabalho é feito em cima de um produto destinado para mulheres, frequentemente a parte da experiência de usuário é realizada por homens”, afirmou o palestrante.
Para serem lembradas, as marcas precisam ter coragem
Por Rodrigo B. Westphalen

“77% das marcas poderia desaparecer e ninguém se importaria”, afirmou a palestrante ao apresentar os dez passos para marcas corajosas. Entre as dicas e provocações sobre posicionamento de marca e publicidade, a falta de coragem das empresas e das agências de agirem com propósito foi um dos principais problemas destacados por Fedrizzi.
Luísa Fedrizzi é formada em Comunicação Social e atua como Head da Contagious no Brasil, fornecendo serviços de inteligência e consultoria para excelência criativa e estratégica junto a clientes como Nubank, Rede Globo, Coca-Cola, Google, Publicis e F/Nazca. O conselho para impactar as pessoas enquanto agência é ser “útil, relevante e divertido”, e não fazer marketing apenas para vender, “mas para servir às pessoas”, disse.
“A melhor propaganda nem sempre é propaganda”, provocou. Para ter resultados relevantes, é necessário gerar um impacto real na vida das pessoas, com ações que vão além da mídia. Luísa recomendou que as marcas se inspirem em cases de sucesso que transformaram clientes em fãs. Com a constante participação das pessoas nas redes produzindo conteúdo e compartilhando informações, a palestrante recomenda que as marcas devem “armar” a audiência, de forma com que os clientes tenham recursos para influenciar outras pessoas. Criar campanhas que engajem, não só comuniquem de forma unilateral com o público, disse.
Fedrizzi afirmou que as agências devem sempre lembrar de priorizar a experiência sobre a inovação. É o uso que a marca faz das novas tecnologias que a torna memorável. “A tecnologia tem que servir à criatividade, e não o contrário. Uma tecnologia nova não justifica uma ideia ruim”, alertou. Em busca de uma agilidade, ela convidou marcas a participarem do “clube dos 5%”, que possuem uma fração do orçamento exclusiva para experimentar e errar rápido (ou acertar, claro). Luísa concluiu em síntese: “sejam mais corajosos”.
De revista à loja, bar e espaço cultural
Por Josi Skieresinski

Void começou em Porto Alegre como uma revista impressa, há 15 anos, época em que o digital era novidade. E nasceu se posicionando de forma crítica à cultura vigente, se mantendo assim até hoje. A prioridade era temas tabus, assuntos que não eram tão abordados, mas comuns à sociedade. Um dos exemplos comentados por Pedro era contar histórias de pessoas que não se encaixavam em determinações de gênero. “A idéia era muito sobre protagonizar os “lokis” (pessoas alternativas), tudo que a gente faz é identificar essas pessoas e essas cenas culturais. Trazendo elementos inovadores, transgredindo de alguma forma, se aproximando deles, produzindo junto com eles, além de retratar essa galera”, comenta Pedro sobre o objetivo da revista.
Pedro Damasio foi sócio da Parafuso e da Lava, editor, repórter, fotógrafo e planejador criativo na Revista Void. Foi também redator na Paim, Competence e Global. Colaborador na Vista Skateboard Art, consultor criativo na Indiada e Yerbah Mate Decks. Participou de projetos de comunicação e produção de conteúdo para grandes marcas como a Converse, Melissa, Santander Cultural, entre outros. Atualmente é gestor de conteúdo e comunicação na Void, integrante do Nodal, produtor/curador do Mimpi Film Festival e faz parte da Lipstick Skateboards.
Hoje em dia, a revista fica em segundo plano e é custeada pelos outros projetos desenvolvidos que recebem o mesmo nome. A Void foi se transformando em um lifestyle (estilo de vida) e foi ganhando espaços físicos também pensando em seus leitores. Atualmente, esses espaços viram lojas de conveniências, mas não como as dos postos de gasolina, a ideia é ir além.
Algumas são lojas, bares, espaços culturais e o ponto de encontro da galera. Além de colocar à venda artigos de utilidade, esses locais vendem desde cerveja a camisetas, artigos de surf e skate. Damasio acredita que essa identificação seja justificada pela opção do público de procurar coisas novas que fujam do padrão que já está estabelecido. “A gente acaba se divulgando muito mais pelas ações, do que pelos discursos”, conta.
A Void hoje está muito ligada ao cenário cultural e à produção desses novos artistas. A maioria das coleções de roupa das lojas é feita por estilistas independentes, e o único ponto de distribuição acaba sendo as lojas da marca espalhadas pelo país.
Empresa de Porto Alegre repensa a alimentação do futuro com auxílio de fazendeiros urbanos
Por Rodrigo B. Westphalen

Os dados sobre pressão alta, diabetes e obesidade no Brasil são alarmantes. Devido a isso, Tobias Chanan decidiu agir para mudar o futuro da alimentação. Chanan é o empreendedor por trás da Urban Farmcy, empresa que atua no desenvolvimento de uma rede de consumo consciente e sustentável, da produção até o restaurante. O empresário levantou críticas ao atual modelo de alimentação, que apresenta uma ingestão de grandes quantidades de calorias vazias — ou seja, comida sem valor nutritivo.
Muito sal, açúcar e gordura geram um “blisspoint”, prazer no cérebro, e a busca por essa sensação leva ao vício na chamada “junk food”, explicou. “28 milhões de mortes no mundo inteiro podem ser associadas a má alimentação”, disse. Desde a produção agrícola, baseada na monocultura, passando pelo trabalho precário, chegando nos restaurantes Fast Food, Tobias argumenta que a solução deve vir, também, da oferta. Assim, a Urban Farmcy estruturou um restaurante que oferece receitas formuladas tendo em vista desde a origem dos ingredientes até a reciclagem de resíduos.
Tobias defendeu que a alimentação do futuro contará com fazendeiros urbanos, por questões de estrutura da sociedade. Para isso, a Urban Farmcy instala equipamentos verticais automatizadas para criação de “microgreens” pelos colaboradores. Microgreens são plantas de 7 a 14 dias após a germinação e estudos apontam que nesse estágio algumas plantas possuem de 4 a 40 vezes mais nutrientes e mais sabor que a versão adulta. Outra ação da Urban Farmcy é estabelecer metas de impacto anual. A partir dos objetivos, são registrados a quantidade de comida produzida, a quantidade de resíduo gerado e reciclado e a quantidade de colaboradores envolvidos. Para ajudar a desenvolver o conhecimento sobre o assunto, a empresa possui um braço educacional, além de pesquisadores buscando constante melhoria nos sistemas aplicados para a produção e conservação dos alimentos. Tobias contou que quer incentivar uma mudança de cultura dentro das empresas e com profissionais do meio. “Antes de ser um empresário da alimentação, se é um empreendedor da saúde”, disse.
O que gente vai comer e beber amanhã? O aplicativo que te dá essa resposta em 30 segundos
Por Guilherme Machado

“Eu sei o que você comeu no jantar passado” é uma frase para provocar, e lembra um clássico do terror “Eu sei o que vocês fizeram no verão passado” de Jim Gillespie. Foi esse o trocadilho que Diego Fabris escolheu para nomear sua palestra e apresentar o aplicativo de comida Share Eat, a rede social de gastronomia em que você encontra dicas personalizadas, com consultoria de quem entende do assunto, como uma curadoria.
Para quem não o conhece, Diego é publicitário e cofundador do Destemperados, uma multiplataforma de conteúdo gastronômico, mas saiu do projeto no ano passado. Agora com a Share Eat ele pretende alcançar ao menos 30 cidade brasileiras, além de outras no exterior até o final de 2019 .
Diego afirma: “O que a gente quer fazer é democratizar a curadoria”. Para isso, através do aplicativo eles buscam diminuir a oferta, assim, o cliente tem 10 vezes mais chance de comprar. Nessa nova era digital, temos pouco tempo, então: “Eu não quero ir no restaurante e ficar lendo (menu), eu quero comer”, conta o empreendedor.
Foi comendo pelas beiradas que o Delivery Much se tornou um dos serviços de entrega de comida mais utilizados por cidades do interior do Brasil
Por Guilherme Machado

Na “Nova Ordem Digital” tudo ficou mais rápido e prático, com inúmeras inovações como aplicativos de celular que otimizam o tempo das pessoas. Um exemplo é o Delivery Much, sistema marketplace de pedidos de refeições online. O app nasceu na cidade gaúcha de Santa Maria e bombou em outras partes do interior do Brasil, lugares onde iFood e o Uber Eats não chegam.
Uma das figuras por trás do projeto é o Vinícius Dambros, gerente de marketing da empresa. Vinícius fundou a Pandorga e o Hookit – negócios envolvendo moda e design – e se declara um empreendedor guiado por inovação. O designer acredita que a missão do Delivery Much é democratizar o delivery no interior do Brasil.
“A gente está modificando uma realidade de muitas cidades que não tem apps para pedir comida. Então, estamos levando a nova ordem digital para essas cidades pela primeira vez. Em outras cidades, o objetivo é ampliar, porque já existem aplicativos de comida”, conta o empresário.
O Delivery Much nasceu em 2011 e já alcançou a marca de 500 mil pedidos ao mês. São mais de 200 cidades contempladas com este serviço e a ideia é expandir o sistema de entregas para além da comida. Quando tudo começou, lá em Santa Maria, Vinícius pensou: “Se funciona aqui, de repente funciona em Santo Ângelo”, e aos poucos, comendo pelas beiradas, eles conquistaram um novo público de delivery.
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]]>A programação foi dividida em tracks (faixas), sendo elas “conteúdo e engajamento”, “experiência e consumo” e “tecnologia e convergência”. Para acompanhar o máximo de palestras possíveis, nossa equipe foi formada por seis repórteres, que suaram a camiseta nesta cobertura especial.
Para que essa experiência pudesse ser compartilhada rapidamente com você, caro leitor, apresentaremos, a seguir, a primeira parte deste material, em que falaremos de nove palestrantes. Em breve, o Mescla publicará as demais partes, com os relatos dos outros convidados.
Com o Projeto Humanos, o produtor de podcasts investe no formato de storytelling
Por Josi Skieresinski

Ivan Mizanzuk começou sua palestra enaltecendo um tradicional veículo de comunicação: “O rádio é o meio mais visual que existe”. O palestrante explicou melhor: é visual por permitir que as pessoas criem, em sua imaginação, imagens e cenários do jeito que acharem melhor, diferentemente do cinema e da televisão, que já entregam tudo pronto. Para Mizanzuk, o rádio tem a capacidade de se renovar. “E agora, digital, abre portas para outros formatos e programas, como os podcasts, que são consumidos pelas plataformas online”, avalia.
Mizanzuk é fundador, produtor e host do AntiCast, canal que reúne podcasts de temáticas variadas. Está por trás também do Projeto Humanos, podcast em formato de storytelling. É autor de Até o Fim da Queda (2014) e co-autor de Existe Design? (2013). Doutor em Tecnologia pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), é professor universitário nas disciplinas de história da arte e arquitetura, história do design, planejamento gráfico e metodologia de pesquisa.
“Podcast no Brasil sempre foi muito do tipo as pessoas reunidas em uma mesa, com amigos, conversando, gravando tudo e pronto. Uma hora, uma hora e meia de gravação, faz uma edição mais ou menos grosseira e era isso. Já lá fora, tinha o Serial e o This American Life, produzidos em formato de storytelling”, comenta Ivan. “Storytelling, basicamente, são filmes para se ouvir”, explica.
No Projeto Humanos, que relata histórias reais de pessoas reais, Ivan se inspirou justamente no This American Life, programa de Sarah Koenig, e no Serial, que conta casos criminais verdadeiros. Atualmente, o Projeto Humanos está na sua quarta temporada, e é o único no país nesse formato, intitulada “Caso Evandro”, que relembra um dos casos criminais mais chocantes da história do Estado do Paraná e do Brasil. Será a primeira temporada totalmente dedicada a um caso criminal brasileiro, sendo fruto de uma pesquisa de dois anos. Mizanzuk, encerra sua fala dizendo que espera que surjam outros projetos que usem e explorem o storytelling como formato para podcasts.
Na opinião do jornalista, uma empresa depender unicamente de anúncios é um capítulo que não existe mais
Por Bruna Lago

Estamos acostumados a pagar por entretenimento, por serviços, por conhecimento e por muitas outras coisas. Mas e quanto à informação? Com a cultura da televisão aberta e a venda avulsa de jornais, pagar por uma assinatura de algo que fica disponível na internet não é atrativo para a maioria dos brasileiros. Esse território, que parece livre, disponibiliza conteúdo de qualidade, dentro e fora do país, mas a sociedade não quer pagar por isso. Então, como as empresas podem produzir receita no mundo online?
Rafael Sbarai foi editor de mídia social e interatividade da revista Veja, além de editor e repórter da editoria de esportes do portal iG, atuando sempre em jornalismo online, modelos de novas mídias, tecnologia e negócios. Hoje, é supervisor executivo de produtos do site Globo Esporte e professor de Jornalismo Digital, Jornalismo de Dados e Gestão de Negócio Digital dos programas de graduação e pós-graduação da Fundação Armando Álvares Penteado, em São Paulo. Com um currículo voltado ao mundo digital, Sbarai trouxe para a discussão como sobreviver além dos anúncios.
“A grande lição que o digital traz para nós, produtores de conteúdo e empresas de mídia, é não depender de publicidade para sobreviver. Uma empresa depender unicamente de anúncios é um capítulo que não existe mais”, define Sbarai. Para gerar receita e conseguir atenção do consumidor em um mar de informação, as empresas precisam investir em várias frentes simultâneas. Sbarai trouxe o exemplo do jornal norte-americano The New York Times, que arrecada atualmente uma soma considerável pela assinatura de palavras cruzadas e receitas de culinária.
O jornalista quer transformar a vida das pessoas por meio de conteúdo inspirador, desde que não precise usar terno e gravata
Por Guilherme Machado

Gustavo Guertler conta que o que nos define são nossas paixões, e a melhor paixão é aquela que paga nossos boletos. Felizmente, ele conseguiu esse feito. O CEO da editora Belas Letras, vencedora do Prêmio Nacional de Inovação Sebrae/CNI2019 na categoria Marketing, contou sobre sua trajetória de uma forma diferente: mostrou um cocozinho representando a si mesmo.
Gustavo é jornalista, trabalhou em redações e se sentia bom naquilo que fazia até o dia em que foi demitido. Então, tudo mudou. Conseguiu um trabalho em uma livraria e, assim, começou sua história com a Belas Letras. Sua primeira missão na editora foi produzir livros infantis para convencer as crianças a torcer para determinado time. Quem contava essa história? Figuras populares como Gabriel, o Pensador. E o nome dos livros? “Meu pequeno colorado”, “Meu pequeno gremista”, “Meu pequeno flamenguista”.
O palestrante explica que gosta de transformar a vida das pessoas por meio de conteúdo inspirador. “Desde que eu não precise usar terno e gravata”, salienta Gustavo. Ele abdicou dos trajes sociais até mesmo quando subiu ao palco para receber o Prêmio Nacional de Inovação do Sebrae. Ao lado dos colegas, investiu em inovações na área de marketing. “Primeiro, ouvir as pessoas. Segundo, tratar os clientes como pessoas. Terceiro, servir ao invés de vender”, destaca.
Juntos, também investiram em parcerias com outras marcas, como a Imaginarium, Dentro da História, Dobra e Méliuz. Criaram, ainda, a campanha “Compre 1, doe 1”. Quem doava não eram eles, mas o próprio cliente (pessoa), que era instigado a levar o livro extra a uma criança em uma escola, hospital, orfanato. Gustavo concluiu que: “A vida é uma merda, sim. Mas, com os livros, se torna uma merda mais interessante”.
O efeito das redes sociais nas discussões políticas
Por Lisandra Steffen

Joel Pinheiro subiu ao palco do Teatro Unisinos com uma provocação: “Discutindo política no ‘amor’ das redes sociais”. O tema da sua palestra foi o debate político no Brasil marcado por um ambiente repleto de brigas e ódio. Para ele, o grande desafio hoje é construir possibilidades de intervenção que não se restrinjam a fazer valer a própria opinião, produzindo situações negativas para a sociedade.
Joel é economista pelo Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), filósofo e mestre em filosofia pela USP, além de ser “aspirante” – como se denomina – a youtuber. Ele é colunista na Folha de S.Paulo e no aplicativo Exame Hoje. Também comanda o Sem Treta, ao lado de Leonardo Sakamoto, no canal digital MyNews. O programa traz discussões entre a esquerda e a direita (lado em que ele se diz estar) com divergências reais, tratando de assuntos polêmicos.
“As redes sociais, definitivamente, acabaram com o poder que a mídia tradicional e outras instituições tinham na hora de controlar a informação e a opinião que chega até nós”, disse Joel, ao enumerar uma série de fatos sem filtros jornalísticos que a população têm acesso diariamente.
O palestrante alertou ainda que as discussões nas redes sociais não são modeladas para mudar a opinião do outro, ou para aprofundar debates. Elas servem mais para impor crenças e valores ou, até mesmo, para humilhar quem pensa diferente. Quando perguntado sobre o que aprendeu com a última campanha eleitoral, ele respondeu que “não adianta dar murros em ponta de faca, e que os rótulos colocados nas pessoas não mudam a maneira como elas se comportam”. Como um bom filósofo, finalizou a apresentação com um pensamento: “As coisas são muito mais do que o que elas aparentam ser”.
“A gente não pensou em fazer um evento da periferia para a periferia, muito pelo contrário. Nossa ideia era fazer pontes”
Por Josi Skieresinski

Andreza contou a experiência que teve em criar uma Comic Con no subúrbio de São Paulo, ou seja, um evento nerd, com forte presença geek, games e cultura pop. O PerifaCon foi fomentado por financiamento coletivo. “A gente chamou as pessoas para sonhar esse sonho junto com a gente”, lembra Andreza. Assim, conseguiram arrecadar R$ 8 mil para a realização da feira. Logo na primeira edição, foram quatro mil participantes e mais de 40 artistas expondo seus trabalhos, tudo de forma gratuita. “A ideia da gente foi e é incentivar esses artistas da periferia e também levar para a periferia esse universo, quebrando barreiras culturais e provendo acesso a essas pessoas”, contou a realizadora do evento.
Andreza é baiana, mas mora em São Paulo. Ela tem 24 anos, é feminista, nerd, escreve para a revista Capitolina, tem dois livros publicados pelo selo jovem da companhia da Letras. Ela usa suas redes sociais para produzir conteúdo sobre o olhar da mulher negra de periferia. Como se fosse pouco, ainda arranja tempo para tocar um projeto que leva gibitecas para presídios e espaços da periferia de São Paulo. “Não tínhamos ideia dessa potência. Até hoje eu fico impactada pelo que foi o PerifaCon, de ver aquelas crianças felizes e de levar representatividade”, comentou. A fala da Andreza foi política em vários aspectos, chamando a atenção para a falta de acesso e de políticas públicas envolvendo as áreas de baixa renda no Brasil.
Andreza avisou aos interessados que o PerifaCon 2020 já tem data: será no dia 12 de abril, na zona leste de São Paulo. E garante: todas as edições serão gratuitas para participantes e artistas expositores, e sempre será realizado em alguma periferia. “Se um dia eu falar que tem que pagar para entrar no PerifaCon, perdeu a essência, sabe? Não tem mais porque existir”, concluiu.
Sistema desenvolvido pelo empresário permite calcular o alcance de um anunciante por meio do monitoramento de celulares
Por Pedro Hameister

Em sua palestra no FIC19, na track “conteúdo e engajamento”, Ricardo Piccoli defendeu que a tecnologia nos abre novas portas, mas também faz com que percamos cada vez mais a nossa privacidade. Conforme o empresário, os celulares, que se tornaram indispensáveis em nossas vidas, nos conectam com o mundo ao mesmo tempo em que registram cada um de nossos passos para grandes corporações, e não temos como evitar isso.
“Está nos termos de condições de uso dos celulares. Ou permitimos que eles nos monitorem em tudo o que fazemos, ou não vamos poder usá-los. E esse monitoramento é muito massivo”, disse Ricardo. Segundo ele, estima-se que há mais de 228 milhões de celulares só no Brasil – ou seja, mais aparelhos do que brasileiros. “A pergunta é: o que fazer com tantos dados?”, questiona.
O palestrante apresentou uma ferramenta criada pela agência de publicidade Sinergy Novas Mídias, da qual ele é COO, que pode se tornar o futuro das métricas de anúncios: o MediaEYE. Através de dispositivos posicionados pela cidade, o sistema monitora em tempo real quantos consumidores transitam por um local onde tenha um anúncio de determinada marca, detectando-os através dos celulares. Com isso, a agência pode saber o número total de impressões que uma propaganda teve, quantas pessoas a avistaram, qual a média por dia ou por hora de visualizações, entre outras informações. A marca que for cliente da agência pode acessar o portal do MediaEYE para consultar as informações obtidas pela ferramenta.
Atualmente, o MediaEYE atua em Porto Alegre, Gramado e Florianópolis. Na palestra, Ricardo mostrou o funcionamento da ferramenta, que também calcula qual o período do dia em que há mais impressões de um anúncio, o tempo médio que ele é avistado e até a quantidade de consumidores que se dirigem em seguida para um estabelecimento da marca anunciante. Para tranquilizar quem estava assistindo a palestra, o empresário deixou claro: as informações pessoais dos usuários detectados pelo MediaEYE permanecem em anonimato.
O jornalista falou sobre como é produzir um programa que mostra
temas e locais controversos ao redor do mundo
Por Ângelo Gabriel

Originalidade. É com esta palavra que André Fran, apresentador do programa “Que Mundo é Esse?”, do canal por assinatura Globo News, resolve escolher os destinos de viagem pouco buscados por quem quer sossego. Visitando países como Síria, Iraque e Arábia Saudita, ele contou histórias de vítimas de guerras, refugiados em busca de uma vida digna e de pessoas que produzem e disseminam notícias falsas.
Co-fundador da empresa BASE#1 Filmes, André também é diretor, roteirista e escritor. Primeiro palestrante da trilha “conteúdo e engajamento” do FIC19, o apresentador mostrou ao público como é produzir um programa que mistura jornalismo com reality show e que se aprofunda em temas polêmicos.
Sempre decidindo expor os problemas dos países, André diz que “existem
maneiras de criticar mostrando a realidade”. Segundo ele, os produtores do programa possuem duas regras de ouro. A primeira é: “Não peça permissão, peça desculpas”. A segunda é: “Nunca colocar em risco ou expor o oprimido, sempre o opressor”. Por isso, escolhe histórias de pessoas que sofrem com as leis e regras dos territórios, como, por exemplo, de uma mulher lésbica que mora na Rússia e se encontra secretamente com outras mulheres, visto que no país é proibido fazer propaganda homossexual, e o simples ato de andar de mãos dadas já soa como propaganda.
André acredita que todos podem contribuir para fazer do mundo um lugar melhor. Segundo ele, “a nova ordem digital permite que as pessoas contribuam para a melhoria das situações de diferentes maneiras, seja através de podcasts, postando nas redes sociais ou até mesmo atuando localmente nas comunidades”. Ele encerrou a palestra motivando os participantes a cultivarem esse pensamento de bondade. “Tente fazer a diferença, o mundo precisa muito”, destacou.
Por quê estamos sem tempo?
Por Guilherme Machado

“A vida de todo mundo tá difícil na percepção de tempo”. Assim, Michel Alcoforado deu início a uma fala cheia de humor fazendo o público se sentir em um stand up comedy. O palestrante falou de tecnologia, tempo, saúde mental e sobre nós, jovens millenials (a geração da internet). Afinal, nossos pais não entendem porque mudamos de ideia tão rápido, queremos ser tudo ao mesmo tempo e estamos “sem tempo, irmão”.
Michel Alcoforado é doutor em antropologia do consumo, tendo se especializado na University of British Columbia, no Canadá. Em 2012, fundou a Consumoteca, que reúne empresas de pesquisa, análise e tendências com atuação no Brasil e na América Latina. A ideia é transformar a maneira como as marcas lidam com mudanças sociais do ponto de vista da antropologia. Também é palestrante, especialista em planejamento estratégico de comunicação, articulista do site UOL e comentarista da rádio CBN.
Para Michel, o tempo deixou de ser repetitivo e se tornou cumulativo. Menos do que um jogo de palavras, a diferença é que, se antes a regra era fazer uma coisa de cada vez (estudar, casar, ter filhos, envelhecer e morrer), “tudo isso com algumas dívidas a serem pagas”, como destacou o palestrante, com a revolução digital, o tempo passou ser entendido como aberto a muitas possibilidades (só que não). Por causa dessa ideia real, mas difícil de ser executada, de estarmos em vários lugares, somos dependentes da tecnologia, perdemos ao menos cinco horas no celular, e nossa liberdade é constantemente vigiada e controlada.
O mundo está um caos, diz ele, e falou mais: tudo é metrificado, pois precisamos de audiência nas nossas redes sociais. Criamos diferentes personas em cada uma delas e estamos muito preocupados com a grama do vizinho. O jovem tem medo de esperar e falhar. Nem todo conteúdo vale o nosso tempo. Qual a consequência? Nos tornamos a geração do Rivotril, que está sempre cansada e ansiosa. Michel nos convidou a pensar em como a nova ordem digital afeta nossas vidas.
O futuro bate à porta e cobra automação. Novos empregos surgem todos os dias e outros precisam se adaptar. Mas, a grosso modo, as empresas não estão preparadas para as mudanças
Por Bruna Lago

“O mercado não consegue adotar a tecnologia na mesma velocidade que os indivíduos”. Esse é o centro da discussão levantada pela consultora estratégica Roberta Yoshida. CEO de Capital Humano da Deloitte Brasil, possui mais de 20 anos de experiência em RH. As novas configurações do mundo do trabalho formaram a tônica de sua fala. Questões como a ética, tempo médio necessário para a reinvenção dos profissionais e habilidades mais desejadas pelo mercado deram o tom da palestra. “O futuro vai ser melhor do que o presente, mas estamos vivendo uma fase de transição. E essa transição tem consequências imediatas e a longo prazo”, comenta Roberta.
Durante dez anos, a executiva liderou as iniciativas de transformação de RH na América Latina e tem também vasta experiência como líder em projetos relacionados a mudanças estratégicas organizacionais. Na palestra, Roberta trouxe dados alarmantes tanto em relação ao desempenho das empresas quanto à tecnologia. Pesquisas mostram que quatro de cada dez empresas acreditam que os grandes impactos da automação estão próximos, mas apenas 16% do total admite possuir treinamento para enfrentar a nova realidade.
Com a perspectiva de trabalhar lado a lado com tecnologia artificial, 70% das empresas apostam na necessidade de um mix de talentos para encarar esse modelo de mercado. Nesse sentido, Roberta alerta que, dentre as competências desejadas hoje, estão a de comunicação, a de análise de dados e a de gestão. Por fim, destacou o tempo médio necessário para um profissional se reinventar: “Já foi 30 anos. Em 2014, era de cinco. Agora, já está em dois anos e meio”.
Como as políticas públicas ligadas à Educação Superior vão lidar com isso é um dos questionamentos que a CEO deixa para o público. “A maioria de nós já entendeu que sem aprender não evoluímos e não conseguimos nos manter atualizados.” Ou seja, a educação se tornou um valor permanente.
A mente por trás do projeto que começou como uma forma de divulgar o próprio serviço de faxineira e acabou abrindo inúmeras outras portas
Por Pedro Hameister

No FIC19, a paulista Verônica Oliveira contou como as redes sociais mudaram drasticamente a sua vida sem que ela esperasse por isso. “Minha mãe sempre me disse que a internet é um lugar mal. Não é. São as pessoas que a usam que, às vezes, são mal intencionadas. A internet pode ser usada para fazer o bem”, contou a faxineira – ela prefere ser chamada assim – em sua palestra.
Após ter perdido o emprego, em 2016, Verônica entrou no ramo da limpeza e começou a compartilhar seu trabalho no Facebook para conseguir mais clientes. A forma criativa e bem humorada como ela se divulgava – criando cards que faziam referências a filmes e séries de sucesso – fez com que o trabalho fosse ganhando cada vez mais alcance. Hoje, sua página faxina boa tem mais de 80 mil seguidores.
Além de faxineira, Verônica também atua como ativista e utiliza suas redes sociais para falar sobre a realidade de quem possui empregos pouco valorizados pela sociedade, sobretudo os relacionados à limpeza na casa dos outros. Ela passou a escrever sobre situações de preconceito que enfrentou mesmo após o sucesso do Faxina Boa, e também sobre a forma equivocada com que as faxineiras são retratadas em anúncios e comerciais televisivos. As postagens dela recebem muitos comentários de pessoas que se identificam com os relatos de Verônica.
O sucesso de seu trabalho também fez com que Verônica integrasse a programação do FIC19 na track “tecnologia e convergência”. Ela também é chamada para fazer palestras em todo o Brasil, participa de campanhas e é convidada para encontros de influenciadores digitais. Porém, não abre mão de seguir trabalhando no ramo que a lançou. “Me perguntam com frequência se ainda estou fazendo faxina. Estou sim! Porque eu amo o que faço”, conta Verônica, com um sorriso no rosto.
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