Especial

O presente e o futuro da comunicação e da tecnologia
“Palestrantes da FIC19 mostraram ao público como o meio digital trouxe novos formatos ao seu trabalho”
Pedro Hameister


Dando  sequência à cobertura do Portal Mescla no FIC 19 – Festival de Interatividade e Comunicação, publicamos hoje a segunda parte das palestras. O evento aconteceu nos dias 28 e 29 de outubro, na Unisinos POA, e trouxe 40 lideranças em tecnologia e interação a partir de seus cases profissionais e sob o tema “a nova ordem digital”. A primeira parte da cobertura está aqui. Abaixo, você confere novas possibilidades de enxergar “conteúdo e engajamento”, “experiência e consumo” e “tecnologia e convergência”, as trilhas do evento.  

Augusto Massena

A Dobra é uma empresa de Montenegro  comandada pelo Batman, um pequeno cão da raça pug adorado pelos clientes

Por Rodrigo B. Westphalen

Augusto Massena explicou a importância do impacto positivo para a Dobra | Foto: Rodrigo B. Westphalen

Augusto Massena, o Guto, contou a história e as motivações que levaram um projeto de faculdade a se tornar uma empresa de referência em atendimento e experiência, com grande impacto positivo. “Uma ideia simples acabou se tornando um projeto muito legal”, comemorou.

Idealizada em 2013 por ele, o irmão  Guilherme Massena (Gui) e o primo Eduardo Seelig (Dudu), a proposta da Dobra era de produzir carteiras de Tyvek, um material leve, porém muito resistente, visualmente parecido com papel. Mas, em 2016, após amadurecerem a proposta, os fundadores perceberam que a Dobra tinha um potencial muito maior do que a produção de carteiras. A empresa surgia com um propósito: “tornar o mundo um lugar mais aberto, irreverente e do bem”, e passaram a ver o produto apenas como uma ferramenta.

“Somos desde o início uma empresa de atendimento”, explicou Guto, sempre crítico das diversas barreiras que algumas empresas criam entre o consumidor e o suporte. Assim, a Dobra tem como estratégia criar uma experiência que surpreenda, passando pelas embalagens criativas que viram outros objetos úteis, até os cartões de visita que possuem sementes dentro e podem ser plantados na terra. “Pequenos detalhes causam grande impacto no cliente”, explicou. Um exemplo, é a dimensão que o Batman, o cão da raça pug, acabou tomando na empresa. O que poderia ser apenas uma história privada do carinho que os donos têm pelo pet, se transformou num ícone para os clientes. O Batman é a imagem que representa o atendente virtual no site da Dobra, e ainda teve espaço garantido na palestra do Guto.

O fundador contou que a Dobra também busca fazer a diferença a partir de ações e da cultura interna da empresa. A exemplo disso, a empresa não possui hierarquias na organização, todos os funcionários possuem salários iguais e não possuem horários rígidos. A arte gráfica dos produtos Dobra são colaborações de artistas independentes, que recebem parte do valor de venda dos produtos. Além disso, já foram realizadas ações com escola, projetos sociais e arrecadação de fundos para financiamentos coletivos. “Se falar de propósito parece clichê, é porque tem muita gente falando e pouca gente fazendo, não é o nosso caso”, conclui.

Bia Granja

A curadora de conteúdo explicou os passos necessários para empresas que desejam contatar influenciadores digitais para apresentarem seus trabalhos

Por Ângelo Gabriel

Bia Granja explica como as marcas devem buscar objetivos mensuráveis ao trabalharem com creators | Foto: Ângelo Gabriel

Co-fundadora e curadora da YouPIX, uma das maiores plataformas digitais de consultoria de creators do Brasil, Bia Granja apresentou para os participantes do FIC19 os 17 passos de uma metodologia desenvolvida pela sua equipe para planejamento estratégico e influência. Durante a apresentação, a plateia pode conhecer e entender as etapas necessárias para as marcas que desejam divulgar o seu trabalho e escolher influenciadores digitais.

A YouPIX, co-criada em 2006 por Bia, é uma consultoria que ajuda profissionais, marcas e criadores a planejar oportunidades de negócios e conseguirem engajamento e performance nas redes. Dessa maneira, a empresa realiza diversos eventos em todo o país, além de contribuir para a indústria dos creators, aproximando-os das grandes marcas. O termo creator tem sido adotado por Bia como um sinônimo de influenciador digital, já que, segundo ela, toda a influência necessita de um trabalho de produção de conteúdo prévio. 

Presente na trilha de Conteúdo e Engajamento, ela destacou a importância das marcas de estudar o público, o orçamento e as narrativas. As empresas também devem pensar nas mensagens que querem passar para o público, para que haja total compreensão do conteúdo. 

Ao longo da sua fala, Bia Granja deixou claro para as marcas definirem seus objetivos claramente. ˜Uma das coisas que eu vejo é que a estratégia de influência é totalmente desconectada da estratégia da marca˜. As empresas, muitas vezes, não alinham seus conteúdos e valores e valores com os conteúdos e valores dos influenciadores digitais. ˜Você não pode se associar com uma marca na qual você não compartilha suas visões de mundo˜, aconselhou.

Alê Garcia

Contar histórias que conectam

Por Lisandra Steffen

“Ter propósito engaja e isso tem poder” | Foto: Lisandra Steffen

Conexão com propósito. Esse foi o assunto que trouxe Alê Garcia para o FIC19, na track Conteúdo e Engajamento. Durante a conversa, ele apresentou a produção de conteúdo como um verdadeiro negócio, além de tentar encontrar significado no tema criado e fazê-lo relevante.

Alê é criador do podcast Negro da Semana, programa que, semanalmente, fala sobre diversas figuras negras que se fizeram e que são relevantes na história. O publicitário também é Diretor de Criação da Bistrô, agência de publicidade em Porto Alegre. Escritor, ele foi selecionado para o YouPix Creators Boost, programa que treina e acelera diversos criadores de conteúdos em diferentes plataformas.

“Você não pode ser aquilo que não pode ver, então, se não tem alguém contando histórias de pessoas negras de uma maneira adequada, os negros não vão se reconhecer de maneira adequada, não terão uma base inspiracional para poderem alçar o que quiserem alçar”, disse. Foi assim que Alê teve a ideia de criação do podcast, já que as histórias dessas pessoas precisam ser contadas com propriedade. O Negro da Semana, então, é uma forma de inspiração para outros. “A gente precisa ver aquilo que pode ser”, finaliza.

Para Alê, propósito é “o motivo de fazermos o que fazemos” e ter esse propósito em mente engaja o público. Achar um conteúdo que seja importante para determinado grupo social é a chave para fazer coisas relevantes e significativas para a sociedade, completa, ele.

Felipe Oliva

Apostar em influenciadores pode ser o que falta para a sua marca bombar

Por Josi Skieresinski

Felipe fala sobre as estratégias de marketing envolvendo influenciadores digitais | Foto: Josi Skieresinski

Felipe Oliva fez uma fala muito positiva em relação às novas estratégias de marketing e como os influenciadores digitais são importantíssimos nessa relação com o público e seguidores. Ele garante que o sucesso de uma boa campanha é a identificação do público com quem está anunciando. “As pessoas confiam em quem elas seguem. Escolher a cara certa para a campanha é fundamental”, complementa. 

Felipe Oliva é cofundador e diretor de estratégia da Squid, primeira plataforma de marketing de influência no Brasil, especializada em micro influenciadores. Ações com influenciadores servem para ajudar as marcas a humanizarem a comunicação. Formado em engenharia pela USP, Oliva é referência no marketing de influência, já palestrou em eventos como Social Media Week, Expo Marketing Digital e YouPix Con. Tem passagem por outras empresas de tecnologia e experiência no desenvolvimento de estratégias tanto para marketing on-line como offline.

Oliva argumenta que as estratégias devam ser reais, pois o público percebe quando a marca usa esse discurso só por marketing. Uma das sugestões dadas por ele neste sentido é a de levar representatividade para as campanhas, selecionando pessoas que o público irá se identificar de verdade. “Isso é muito importante, porque a gente percebe quando o influencer mostra alguma coisa que ele realmente usa e quando gosta daquele produto”, complementa.

Fred van Amstel

Um design para criar relações humanas e gerar um novo possível

Por Pedro Hameister

O trabalho de Fred van Amstel projeta um novo futuro através da criação de relações humanas | Foto: Pedro Hameister

O designer Fred van Amstel apresentou na track de Experiência e Consumo da FIC19 um outro formato de design, com objetivos diferentes daqueles que normalmente são associados à profissão. “O design prospectivo não busca dar formato para coisas materiais, mas sim para relações humanas. Relações capazes de durar anos e de trazerem verdadeiras transformações para a sociedade”, explica.

Amstel é professor de Design de Experiências na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e pesquisador no Programa de pós-graduação em Informática da PUC-PR. Já prestou consultoria para empresas como Electrolux, InfoGlobo e Duty Free Dufry, bem como para órgãos públicos. Ele também escreve sobre sua atuação como designer no blog Usabilidoido, considerado uma referência na área há mais de 15 anos.

Como exemplo das transformações causadas pelo design prospectivo, Amstel apresentou na palestra um projeto desenvolvido por uma de suas alunas na UTFPR que tem como foco as mulheres produtoras de café da região norte do Paraná. O objetivo é fazer com que os consumidores de café reconheçam que o produto vem do trabalho delas, e não de homens. Para isso, a estudante criou, junto com as produtoras, campanhas em cafeterias de Curitiba para que os clientes saibam que o café que eles bebem foi produzido por essas mulheres, que elas existem e que o trabalho delas merece ser valorizado.

Em sua palestra, o professor afirmou que o design prospectivo visa trabalhar com um novo possível através de relações que podem acontecer, mas que ainda não foram prospectadas. “Novas relações de qualquer tipo, não só visuais, mas de sociedade, de humano com natureza, de cidadão com Estado, de empresa com mercado, da economia com desigualdade social, corpo com mente, entre outros. Com essas novas relações, podemos quebrar a barreira que nos leva a considerar algo impossível e criar novas perspectivas para o futuro”, conta Amstel.

Ken Fujioka

Soluções práticas devidamente testadas para resolver problemas empresariais

Por Rodrigo B. Westphalen e Pedro Hameister

Ken Fujioka propõe uma nova metodologia para buscar soluções de problemas | Foto: Rodrigo B. Westphalen

O publicitário Ken Fujioka é um crítico do modelo de agência de publicidade como conhecemos hoje, especialmente dos processos envolvidos. “Brainstormings são, na esmagadora maioria das vezes, muito improdutivos. Eles inibem subordinados, não ajudam os introvertidos, tendem ao mediano, ao medíocre. Então, preferimos outras ferramentas e dinâmicas”, afirma. Estas outras ferramentas estão sendo implementadas na ADA Strategy, a agência que criou em agosto de 2018 e que promete solucionar problemas complexos de negócios em quatro semanas. A metodologia implementada na ADA e outros questionamentos, formaram a base da palestra de Fujioka no FIC19.

Ken Fujioka integrou a track Conteúdo e Engajamento, mas na verdade, ele poderia estar em qualquer trilha, dada a abrangência do seu currículo. Ele é também mentor para startups pela Endeavor Brasil. Estrategista com mais de 25 anos de experiência em marketing e comunicação, foi sócio da agência Loducca e vice-presidente de planejamento e estratégia digital da J. Walter Thompson. Além disso, também é apresentador do podcast Naruhodo, que traz curiosidades científicas sobre os mais diversos assuntos.

Fujioka não acredita em encontrar soluções para problemas teoricamente, sem testar formas práticas. Ele conta que a ADA Strategy também coloca seus sócios para trabalharem na resolução de problemas de negócios e que frequentemente traz participantes externos que tenham habilidades específicas para o serviço, ou que já tenham enfrentado empecilhos semelhantes.

Nas duas primeiras semanas de trabalho, acontece o que a agência apelida de Decode, quando há uma imersão no problema e o desenvolvimento de hipóteses, o que muitas vezes inclui pesquisas-relâmpago. Na terceira semana, ocorre o que os próprios fundadores chamam de “coração” do projeto: a Sprint, que é a fase de ideação, prototipagem de soluções e testes com usuários. Por fim, na quarta e última semana acontece o Disclose, uma apresentação para todo o time do cliente.

Fujioka enfatiza que a ADA Strategy não só prototipa soluções, mas também as testará ao final do processo. “A gente não gera relatórios, mas sim protótipos, soluções concretas, coisas que possam ser submetidas a pessoas ‘de verdade’. Afinal, o ponto de vista dos usuários é essencial”, diz o palestrante.

Leandro Demori

Um dos jornalistas mais importantes da cena independente, Demori respondeu perguntas sobre a relação com fontes, ameaças recebidas e estratégias de divulgação do The Intercept

Por Rodrigo B. Westphalen

Leandro Demori respondeu perguntas sobre as estratégias da #VazaJato | Foto: Rodrigo B. Westphalen

“Estamos lidando com as pessoas mais poderosas do Brasil. São mafiosos, milicianos e assassinos”, escancarou Leandro Demori, ao explicar as razões pelas quais o The Intercept Brasil (TIB) decidiu manter o anonimato das fontes no caso conhecido como #VazaJato. Entrevistado por três jornalistas convidadas, Paula Coutinho, do Jornal do Comércio, Samatha Klein, da Rádio Guaíba, e Maria Clara Aquino Bittencourt, pesquisadora da Unisinos, Demori contou as estratégias escolhidas para quebrar as críticas.

Leandro Demori é jornalista, formado pela PUC-RS, especializado em jornalismo investigativo com ênfase em máfia pela Associação de Jornalismo Investigativo do Lazio (Roma, Itália), atua como editor-chefe no TIB, responsável pelos vazamentos de conversas envolvendo Sérgio Moro e Deltan Dallagnol. Atualmente, a #VazaJato conta com mais de 70 matérias publicadas, em parceria com diversos outros jornais e portais de notícia. A escolha de realizar apuração em parceria com outros veículos foi por duas razões principais:  blindar o conteúdo contra críticas sobre a veracidade, e aumentar a capacidade de pesquisar nos gigantescos arquivos de conversa, contou.

As fontes são fundamentais para o trabalho do TIB. Demori criticou colegas de profissão que insistiram em desmoralizar as matérias com base no anonimato dos informantes e na construção da hipótese de compra dos dados. “Não fazemos acordos”, disse, e explicou que o TIB recebe o material na íntegra e então decidem o que, como, e quando vão publicar. O jornalista lembra que estes questionamentos não foram feitos aos jornalistas que estavam cobrindo a Operação Lava-Jato e conseguiram as informações vazadas. “Por que não fazem essas perguntas para as outras mídias?” questionou.

Diversas ameaças foram feitas contra os jornalistas do TIB, disse. “O objetivo dessas ameaças são para inibir as fontes”, ou seja, coagir os denunciantes ao silêncio, seja por medo da morte ou de perder o emprego, por exemplo. Demori diz ter ciência sobre o perigo que corre ao expor os segredos do poder. Apesar disso, o jornalista afirmou que o trabalho realizado pelo TIB causará mudanças profundas no sistema político brasileiro. “Acho que tem consequências de longo prazo”, disse.

Melissa Garate

O engajamento do público através da cooperação de plataformas

Por Lisandra Steffen

Convergência de plataformas é o futuro da publicidade | Foto: Lisandra Steffen

Melissa Garate esteve presente no FIC19, na track Conteúdo e Engajamento, falando sobre como as marcas usam a cultura da convergência para se conectar com os públicos. Melissa contextualizou a internet e os demais meios de comunicação ao longo dos anos, além de trazer números sobre os usuários. A publicitária falou da complementaridade, atitude que está cada vez mais presente nas agências e meios de comunicação, e contou mais sobre o storytelling, que na avaliação dela, deve ser criado para conseguir o engajamento do público. Segundo Melissa, esta é uma forma de materializar a publicidade, trazendo o interesse do público.

Melissa é pós-graduada em Marketing pela ESPM, e tem experiência em gerenciamento de marcas e contas, e de estratégia digital. Ela é sócia-fundadora da Nomad, focada em marketing estratégico e, atualmente, está no Grupo RBS como gerente do HUB comercial digital. Na área de Comunicação desde 1997, ela traz uma visão mais dinâmica e inovadora para atender as necessidades dos clientes.

“É preciso entender a necessidade de cada mídia. Não tem certo nem errado na integração dos meios, isso está relacionado com a jornada do consumidor”, defende a publicitária. Para ela, é preciso entender que o usuário não está atrelado somente a um tipo de mídia e que o público checa diversas fontes para saber sobre o mesmo conteúdo.

Ela mostrou, para os presentes, diversos cases nos quais a experiência do usuário foi o foco principal. “Até as empresas nativas digitais usam plataformas offlines para complementar a online”, disse. A dica da Melissa é sempre misturar e relacionar os meios por onde o produto irá passar, fazendo as mensagens conversarem.

Ricardo Shuree

Você parou para pensar em quanto suas informações pessoais estão expostas na rede? Uma palestra sobre defesa e segurança de dados

Por Guilherme Machado

Afinal, o que o futuro nos reserva em relação a tecnologia? Foi esta pergunta a pergunta que Ricardo Shuree buscou responder em sua palestra | Foto: Guilherme Machado

“Você quer se defender de um robô? Seja mais humano”, esta é uma das frases que marcou a palestra de Ricardo Shuree, gerente de inovação digital na empresa Stefanini Brasil. A provocação teve o sentido de alertar para o fato de se estar delegando muitas ações para a tecnologia, e que esta dependência abre mais caminhos  para a violação da nossa privacidade a todo o momento. Afinal, a cada passagem de cartão de crédito numa máquina, vai uma gama enorme de informações para o mercado: como consumimos, onde, quando, em momento do dia…É tanta tecnologia, que ficou fácil clonar um cartão de crédito.

O trabalho dele é encontrar soluções ideais para os desafios comerciais de outras empresas e garantir que estas prosperem na era digital. Ricardo tem  expertise em TI para Serviços Financeiros e de Telecomunicações, mas também entende de Arquitetura empresarial, gerenciamento complexo de projetos, negócios bancários, seguros, gerenciamento de riscos. 

“Nós estamos em uma situação em que somos totalmente digitais, nosso dinheiro não é mais físico. A moeda e o papel são meros fantoches. O crédito não só como cartão, mas como transferência é digital, tudo é informação, tudo é dado”, conta Ricardo Shure. Vivemos a base de transações e todo mundo (empresas) está atrás das nossas transações. 

“O risco é você passar custódia de quem você é para outra pessoa”, é preciso ter um olhar mais atento para isso, principalmente, em um futuro próximo. De qualquer maneira, Ricardo acredita que a mesma inovação que possibilita o compartilhamento de dados, também viabiliza a criação de ferramentas para defesa de nossas informações, no presente ou no futuro próximo.

Pedro Damasio

De revista à loja, bar e espaço cultural

Por Josi Skieresinski

Pedro fala da importância de abrir novos espaços, saindo do tradicional e inovando e descobrindo novos públicos e nichos de atuação | Foto: Josi Skieresinski

Void começou em Porto Alegre como uma revista impressa, há 15 anos, época em que o digital era novidade. E nasceu se posicionando de forma crítica à cultura vigente, se mantendo assim até hoje. A prioridade era temas tabus, assuntos que não eram tão abordados, mas comuns à sociedade. Um dos exemplos comentados por Pedro era contar histórias de pessoas que não se encaixavam em determinações de gênero.  “A idéia era muito sobre protagonizar os “lokis” (pessoas alternativas), tudo que a gente faz é identificar essas pessoas e essas cenas culturais. Trazendo elementos inovadores, transgredindo de alguma forma, se aproximando deles, produzindo junto com eles, além de retratar essa galera”, comenta Pedro sobre o objetivo da revista.

Pedro Damasio foi sócio da Parafuso e da Lava, editor, repórter, fotógrafo e planejador criativo na Revista Void. Foi também redator na Paim, Competence e Global. Colaborador na Vista Skateboard Art, consultor criativo na Indiada e Yerbah Mate Decks. Participou de projetos de comunicação e produção de conteúdo para grandes marcas como a Converse, Melissa, Santander Cultural, entre outros. Atualmente é gestor de conteúdo e comunicação na Void, integrante do Nodal, produtor/curador do Mimpi Film Festival e faz parte da Lipstick Skateboards

Hoje em dia, a revista fica em segundo plano e é custeada pelos outros projetos desenvolvidos que recebem o mesmo nome. A Void foi se transformando em um lifestyle (estilo de vida) e foi ganhando espaços físicos também pensando em seus leitores. Atualmente, esses espaços viram lojas de conveniências, mas não como as dos postos de gasolina, a ideia é ir além.

Algumas são lojas, bares, espaços culturais e o ponto de encontro da galera. Além de colocar à venda artigos de utilidade, esses locais  vendem desde cerveja a camisetas, artigos de surf e skate. Damasio acredita que essa identificação seja justificada pela opção do público de procurar coisas novas que fujam do padrão que já está estabelecido. “A gente acaba se divulgando muito mais pelas ações, do que pelos discursos”, conta.

A Void hoje está muito ligada ao cenário cultural e à produção desses novos artistas. A maioria das coleções de roupa das lojas é feita por estilistas independentes, e o único ponto de distribuição acaba sendo as lojas da marca espalhadas pelo país.

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