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Arquivos TEDx - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/tedx/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Fri, 15 Sep 2023 01:43:41 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.3 Quer entender mais sobre inteligências? O TEDxUnisinos 2023 foi sobre este tema para o palco https://mescla.cc/2023/09/14/quer-entender-mais-sobre-inteligencias-o-tedxunisinos-2023-foi-sobre-este-tema-para-o-palco/ https://mescla.cc/2023/09/14/quer-entender-mais-sobre-inteligencias-o-tedxunisinos-2023-foi-sobre-este-tema-para-o-palco/#respond Thu, 14 Sep 2023 20:09:48 +0000 https://mescla.cc/?p=19149 (*) Por Gabriele Rech, Luísa Bell e Nícolas Suppelsa O evento ocorreu no dia 25 de agosto, no Teatro Unisinos em Porto Alegre, e teve como uma das marcas, a representatividade. Rafael Mello (que dá vida à drag queen Sarah Vika), João Becker e Onilia Araújo foram os apresentadores desta edição. A maioria dos speakers […]

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(*) Por Gabriele Rech, Luísa Bell e Nícolas Suppelsa

O evento ocorreu no dia 25 de agosto, no Teatro Unisinos em Porto Alegre, e teve como uma das marcas, a representatividade. Rafael Mello (que dá vida à drag queen Sarah Vika), João Becker e Onilia Araújo foram os apresentadores desta edição. A maioria dos speakers eram empreendedores inovadores que superaram e continuam superando adversidades no dia a dia, sendo por questões econômicas ou de preconceito, por serem LGBTs, PCDs, não-brancos ou estarem envelhecendo, por exemplo.

Onilia, João e Rafael (Sarah Vika), da esquerda para a direita (Foto: Marcos Pereira Feijão)

Os speakers tinham 10 minutos para abordar o conceito de “Inteligência”, em suas mais diversas formas e variedades. O público conseguiu descobrir e ter contato com o próprio conceito de inteligência e como ele vai muito além do acúmulo de conhecimento sobre um determinado tema. Foi um evento que, apesar de longo (quase cinco horas) se tornou interessante, divertido e dinâmico, como já é tradição de todas as edições do TEDxUnisinos. Contou, inclusive, com uma atração cultural: o grupo de hip-hop Poetas Vivos. Foi um dos pontos altos da tarde, já que os integrantes trouxeram uma abordagem diferente da cultura periférica, através da declamação de poesias que se assemelharam a recitais, com interpretações potentes e cheias de vida.

MC DaNova, do Poetas Vivos, entregando tudo de si em sua apresentação solo (Foto: Marcos Pereira Feijão)

 Confira a seguir um resumo de tudo o que rolou! 


Rafael Martins  

“Professores são explicadores”. Que relação vocês querem ter com a tecnologia? 

Speaker responsável por iniciar o evento, é CEO e co-fundador da ‘Share’, plataforma de ensino que já formou mais de 25 mil alunos desde 2013. Rafael Martins também é colunista de inovação e tecnologia da Band RS e curador de eventos na área de comunicação. 

Rafael falou sobre como é a relação do ser humano com a inteligência artificial, como ela impacta nosso dia a dia (Foto: Marcos Pereira Feijão) 

O palestrante também trouxe ao palco do TEDxUnisinos a ideia de que como a tecnologia é capaz de nos ajudar a reviver memórias e aproximar as pessoas. Segundo ele, com a ajuda da tecnologia, seu pai conseguiu reviver a época em que ele e a esposa iam aos bailes. E a mãe, ter a possibilidade de ver e falar com a neta, mesmo distante, por conta da tecnologia do vídeo chamada. 


Danielle Cosme 

A historiadora trouxe, em sua fala, o papel do empreendedorismo como uma inteligência importante na construção da sociedade “Nós mulheres empreendedoras, assim como jornalistas e historiadores, somos curiosas, inquietas e queremos mudar o mundo”. Danielle é cofundadora da Ladies in Tech, instituto que tem como objetivo apoiar, fortalecer e fomentar o empreendedorismo feminino no cenário da tecnologia. 

“É no coletivo que a troca é real, que conseguimos crescer”, afirma Danielle (Foto: Marcos Pereira Feijão)

Ela afirma que no Brasil existem vários grupos que mostram esse potencial do coletivo e onde estão as mais de 30 mil mulheres empreendedoras do país. Ela cita alguns, como o grupo Mulheres do Brasil, presidido por Luiza Trajano, do Magazine Luiza e a Associação Empreendedoras Restinga, que tem Roberta Capitão como presidente e se situa na capital gaúcha. Baseado nisso, ela finaliza reafirmando que “o empreendedorismo no Brasil é feminino”. 


Cairê Moreira  

Cairê Moreira foi o terceiro speaker e já de início questionou “Como ser um profissional inovador e disruptivo?”. Cairê Moreira, publicitário, Under 30 2020 e consultor de design 3D. Ela integra o Grupo Lojas Renner e é consultor de inovação, ajudando a construir futuros na área de produto.

O speaker contou um pouco da sua história, de um adolescente que não gostava da escola para um jovem empreendedor. Ele conta que começou a investir em si mesmo ainda no ensino médio, onde se tornou DJ e começou a tocar em algumas matinês. Com o tempo foi se aperfeiçoando, descobriu os anúncios nas redes sociais para se promover online e passou a produzir suas próprias festas.

Cairê trouxe para o palco do TEDxUnisinos a necessidade de sempre inovar, fator que o fez chegar este momento da sua carreira (Foto: Marcos Pereira Feijão)

Mas o destaque veio ao entrar na faculdade, Cairê foi fazendo sua rede de contatos e conseguiu alguns clientes pequenos na área da moda. Seu principal objetivo na área era solucionar as dores dos clientes, com isso foi atrás de entender como as indústrias faziam seus processos de produção, e como as tecnologias que podiam ajudar disso.

Ao encerrar, Cairê comentou que muitos perguntam qual o superpoder dele para ser um profissional inovador e disruptivo. Ele responde que é o seu “espectro autista e déficit de atenção” que o fazem ser assim. Estes são os seus superpoderes. 


Patricia Parenza  

A quarta speaker do evento foi a jornalista e empreendedora no mundo da moda e do audiovisual, Patricia Parenza, que começou a sua fala abordando o tópico do etarismo. Ela trouxe números sobre a população acima dos 50 anos no Brasil e no mundo, segundo dados do IBGE e da ONU.   

Patricia também tocou no assunto de como ser velho ainda ser considerado um coisa ruim no Brasil, se referindo ao constrangimento de muitos em perguntar a idade de alguém. Ela também ressaltou como o etarismo é o único preconceito que todos nós vamos ter com nós mesmos no futuro.   

“Por que uma mulher de 50 anos não pode usar a roupa que quiser, dançar o que quiser?”, questiona a jornalista (Foto: Marcos Pereira Feijão) 

De acordo com a palestrante, a combinação entre machismo e etarismo é muito pior para uma mulher, “pois existe uma pressão social sobre nós” O Brasil, destacou, é o segundo país a fazer mais cirurgias plásticas no mundo, “A pressão que as mulheres começam a sentir a partir dos 40 anos é gigante. Dissociar a beleza da juventude é urgente e necessária”, enfatiza. “Mulher não tem prazo de validade” é isso que Patricia diz falar todos os dias para milhares de mulheres em seu Instagram – cujo seu lema é ‘envelhecer sem pirar’.

Para terminar de um jeito otimista, ela explicou sobre a teoria da “Curva da Felicidade” do professor David Blanchflower que realizou uma pesquisa em 135 países e chegou à seguinte conclusão: a felicidade é uma curva em formato de um U, pois na vida existem dois picos de felicidade. A primeira, disse ela, na infância quando somos otimistas por natureza, começando a descer na adolescência até os 40, quando estamos lidando com as nossas próprias frustrações e buscando nossos objetivos; e então, lá pelos 40 e poucos, voltamos a subir a curva novamente pois entendemos que a gente viveu mais tempo que do que tem de sobra, assim fazemos melhores escolhas e temos urgência em ser feliz.  

Dessa forma, Patricia encerrou com a seguinte frase: “Se a cada 21 segundos uma pessoa completa 50 anos no Brasil, é muito possível que daqui para frente nós vamos ter muito mais pessoas felizes”. 


Cláudio Oliveira  

Apresentado como publicitário de alma e visão empreendedora, trouxe a questão “como sua inteligência tem impactado o mundo”?

Ele cita um caminhão desenhado, nas férias da época escolar, onde “criou sua própria viagem”. E convidou o público a embarcar nesse caminhão e voltar a infância: “quando era criança, o que você queria ser quando crescer?”. Ele queria ser piloto de avião, saber quem desenhava as nuvens, jogador de futebol, ou artista de supermercado que escreve as placas dos preços dos produtos.

Ele conta que acabou virando publicitário, o que o ajudou a entender a sensibilidade do mundo. Por 15 anos trabalhou numa agência em São Paulo. Se dedicou incansavelmente à carreira, até que, quando sua filha nasceu, estava viajando. Aí entendeu a importância da presença na vida das pessoas que se ama.  

Inteligência tem a ver com isso também.  

Fundou uma agência chamada Ponto, focada em gerar impacto positivo nos negócios e na sociedade, a partir dos objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU.  

“É preciso olhar além do que a gente está vendo (com os olhos)” (Foto: Marcos Pereira Feijão) 

A agência lançou projetos como a Copa dos Refugiados, para gerar inclusão social, e que atravessou as fronteiras no nosso país e impactou milhares de refugiados. Também o programa “+ visão + educação”, inspirado em um menino reprovado 4 anos seguidos em uma série, sendo que os pais e professores não conseguiam perceber que o motivo era porque ele não enxergava 1 metro a sua frente. Esse último envolveu 10 mil crianças no estado e inspirou um estudo inédito sobre o impacto da visão na educação. Foi um grande exemplo de inteligência na área da comunicação. 


Christian Gonzatti  

LGBTfobia na escola, realidade de muitos jovens e adolescente, que causam 5x mais propensão de desenvolver problemas mentais. Este foi o assunto central da palestra de Christian Gonzatti, doutor em comunicação e egresso do curso de Publicidade e Propaganda da Unisinos. Além disso, ele é professor no Instituto Federal Sul-Rio-Grandense e criador do Diversidade Nerd, plataforma especializada em produzir conteúdo sobre questões de gênero, sexualidade e outras diversidades na cultura pop. 

Christian trouxe seu relato pessoal de uma infância e adolescência cercada por bullying e LGBTfobia, período em que ir para escola era um pesadelo e ele queria deixar de viver por causa disso. Valeu a mãe dizer que para ser alguém respeitado tem que estudar, e foi isto que ele fez.  

Christian seguiu o conselho, começou a tirar as maiores notas e virou o maior nerd da escola, e o foco das piadas de mau gosto era esse. Ele então decidiu que “era melhor ser o nerd que todos queriam colar, do que o gay que eles queriam bater”, mas ele não acha que foi esta inteligência que o fez ser quem, e provoca. “Esse período de ensino básico não poderia ser usado para ensinar sobre diversidade e respeito?”.

Christian não teve medo de compartilhar seus sentimentos: “Na adolescência, eu queria deixar de existir. Hoje eu quero viver” (Foto: Marcos Pereira Feijão) 

Foi no ensino médio, enquanto se sentia ainda mais excluído pelo ambiente escolar, que ele descobriu a cultura pop na internet e se viu naqueles personagens, como por exemplo, a Hermione, de Harry Potter, Ariel, de A pequena sereia, e Kurt, de Glee. Com isso, ele identificou que pessoas LGBTs tem a ver um pouco com super-heróis, assim ele se tornou um pesquisador e professor sobre o assunto, e criou a página do Diversidade Nerd.  

Em 2023, esta temática voltou a ser revivida por ele, quando lançou sua 1° HQ, Boy Magya contra o monstro do armário, contada no Mescla. A história traz um super-herói brasileiro, pesquisador, gay afeminado, que não é malhado e usa aplicativos de relacionamento no dia a dia. Para Christian, a arte e a ficção são indissociáveis da natureza humana e graças a isso, hoje, ele não quer deixar de viver, mas sim viver, reviver e resistir. 


Jennifer Cereja  

Jennifer atua na psicologia clínica, é especializada em direitos humanos e saúde coletiva, e aborda uma perspectiva afro centrada junto aos pacientes da Clínica Aliá. Ela também integra o time do Saúde Preta, uma articulação regional direcionada para pessoas negras do campo da saúde, e além disso tudo é mãe.  

Apaixonada pelas emoções, ela abordou a inteligência emocional e começou a falar com um trecho do poema ‘Da calma e do Silêncio’ de Conceição Evaristo – “Quando eu morder a palavra, por favor não me apressem, quero mascar, rasgar entre os dentes, a pele, os ossos, o tutano do verbo. Para assim versejar o âmago das coisas” – que segundo ela passa a ideia de que a escrita deve ser calma e saboreada.  

“Para termos vínculos satisfatórios precisamos de tempo, que hoje em dia não temos. Mas antes disso, que caminhos estamos tomando, para onde estamos indo? Nós somos brutos ou estamos brutos?”, questionou a speaker (Foto: Marcos Pereira Feijão) 

Mas Jennifer também contou que nem sempre foi fácil para ela interpretar poemas e não entendia por que os poetas eram tão ovacionados, até que um dia questionou uma professora sobre, e ela lhe disse então a seguinte frase: “os poetas conseguem transpor sentimentos em palavras”.   

Desse dia em diante a speaker disse ter se apaixonado cada vez mais pela poesia e pelas emoções e ter notado um certo tipo de inteligência nos poetas, “Posso comparar a inteligência emocional, mas não sei se cabe. É uma inteligência que não se explica, que vem de dentro, visceral até.”    

Jennifer também falou sobre vivermos em um mundo em que se preza muito a individualidade, e que com isso afeta as nossas relações que estão se perdendo.  

A palestrante disse preferir acreditar na segunda opção pois quando pensa em um caminho a se seguir, ela traz o conceito de coletividade como uma inovação – “Comportamentos coletivos podem diminuir esse embrutecimento”. Durante o seu encerramento, ela se emocionou ao falar dos seus ancestrais e citar a cultura africana como exemplo de coletivismo: “A cultura africana tem a coletividade como centro da cultura. Estou aqui pra isso, pra divulgar as nossas façanhas, essas sim, que sirvam de modelo à toda terra!”.  


Luiz Sampaio  

“77% das mortes violentas intencionais foram de negros. 68% da massa carcerária no Brasil é composta de homens negros e negras. O que vocês sentem ao se repararem com esses dados?”. Assim iniciou a fala do speaker Luiz Sampaio, fundador do Griô Burger, primeira hamburgueria antirracista do Brasil, com arquitetura e cardápio que homenageiam grandes nomes da história da negritude, como Malcolm X.  

Ele define o local como espaço de luta – não apenas um comércio como qualquer outro, mas um ponto de cultura, congregação dos saberes ancestrais que apontam que a coletividade é mais interessante do que caminhar só. Lá, “a branquidade também é acolhida, mas o foco é que os negros se sintam seguros”. 

“A indiferença é o pior dos sentimentos que podemos ter” (Foto: Marcos Pereira Feijão) 

“Os fatos que apresentei são apenas dados estatísticos ou revelam coisas mais profundas sobre a nossa sociedade? Evidente que não estamos tratando apenas de estatísticas. Para mim, esses dados causam revolta e insatisfação. Não é possível que o Brasil continue repetindo a violência contra a população negra”.  

Ele pede que os brancos que estão assistindo a palestra que assumam a responsabilidade pelos dados que estão sendo tratados. “Todos temos uma parcela de culpa”.  

Afinal, segundo Luiz, quando entendemos que os problemas do país também são compromissos nossos, mudamos a nossa postura e paramos de ficar em uma situação de reclamação, indignação ou privilégios.  

“Me sinto uma pessoa mais feliz porque dentro da minha “pequena grandeza” contribuo para um cenário em que todos nós deveríamos estar”.  


Raquel Kubeo 

Brasil tem 1,7 milhões de pessoas indígenas, o que representava 0,83% da população total do país. Foi assim que Raquel Kubeo abriu sua palestra do TEDxUnisinos 2023. A professora, roteirista e diretora da APTC-RS, ainda completa que este número pode parecer pouco, mas se os colonizadores não tivessem vindo ao Brasil este número seria maior. 

“Na cidade, sigo motivada pela luta dos meus ancestrais, daqueles que vieram antes de mim”, reafirma Raquel (Foto: Marcos Pereira Feijão) 

Nascida em Manaus, ela dedica sua vida a honrar a terra de seus ancestrais, a cidade de São Gabriel da Cachoeira, também conhecida como “Cabeça do Cachorro”, por causa do desenho que conforma o mapa no extremo noroeste do Brasil. Ela reforça que sair do seu território não a faz deixar de ser indígena, não diminui a importância do seu povo. Para Raquel, os povos indígenas lutam contra a agropecuária, monoprodução e a mineração e mesmo não nascendo na aldeia, ela luta por eles. 

Como professora por formação, busca ensinar ao maior número de pessoas a importância do povo e da cultura indígenas. Para que assim as dezenas de povos indígenas aniquilados ou sem terra, nos anos 1980, não se repitam. 


Lisiane Motta  

Lisiane Motta é médica psiquiatra infantil, estudiosa sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e TDAH. Ao longo da sua trajetória profissional, já fez diversas participações em congressos e é terapeuta certificada no Modelo Denver de Intervenção Precoce pelo Mind Institute. A médica utiliza do seu perfil nas redes sociais para mostrar a realidade sobre ser mãe, em especial sobre a maternidade numa perspectiva neuro divergente, e desmistifica algumas ideias em relação a temática.   

A palestrante aproveitou o espaço do TEDxUnisinos para contar sobre os dois AVC’s que teve de enfrentar ano passado e como podemos superar as adversidades, fazendo com que a plateia refletisse sobre como lidam com os imprevistos e as surpresas da vida.   

“Chega um momento na vida em que não adianta ser inteligente, precisa mais do que isso” (Foto: Marcos Pereira Feijão) 

Como ela mesma se define, é uma daquelas pessoas que enxergam o copo meio cheio. Lisiane disse que em nenhum momento pensou que ia morrer, pois não ia fazer nenhum sentido, já que tudo aconteceu enquanto ela estava trabalhando no hospital.  

O único medo dela era de perder seus ‘pensos’ – pensamentos – já que seu trabalho depende disso. Já na segunda vez, relatou que teve algumas sequelas, e disse que para ela a única coisa que poderia ser pior que perder seus ‘pensos’, era a ideia de que os seus filhos pudessem perder a mãe, ou ela os perder.  

Dessa vez Lisiane conta que chegou a fazer testes neuropsicológicos, ou seja, um teste de QI. “Após fazer o teste, eu realmente descobri que não sou tão inteligente quanto minha mãe pensava, mas eu sou boa em compartilhar”.   

Outro tópico tratado por Lisiane durante a palestra foi sobre ter começado a estudar sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), por conta do seu filho mais novo que recebeu o diagnóstico de autismo. “Será que eles realmente são superinteligentes ou só não sabem compartilhar?”, questionou. 


Larissa Bianca Basei 

Trazendo ainda mais representatividade no time de speakers, Larissa Bianca Basei representou a comunidade surda, fazendo a apresentação inteira na língua brasileira de sinais, com tradução simultânea para o português. Ela é graduada em Letras-Libras pela UFSC e professora na ULBRA. Mas a fala foi sobre outro tipo de inteligência, que não a acadêmica.  

Além de professora, Larissa é mentora de meditação. Sua história com a prática começou cedo. Ela não nasceu surda, mas aos 8 meses de idade teve uma otite que ocasionou a condição. Em Rolante, sua cidade natal, não existiam opções de locais para estudo, então foi até Taquara, que possua uma sala especial de surdos. Apesar do espaço aparentemente adequado, sua professora queria que Larissa e seus colegas oralizassem, batendo nas suas mãos e bocas. Então, procurou outra escola, onde encontrou a professora Cláudia, uma pessoa “maravilhosa”. Ficou ali até a adolescência. 

Larissa aceitou participar do TEDxUnisinos para mostrar ao público que os surdos são capazes e podem ter essa troca entre o mundo ouvinte e o surdo. “Precisamos de vocês e vocês precisam da gente” (Foto: Marcos Pereira Feijão) 

Até que, na adolescência, fez um curso de artes em outra escola com uma professora que além das artes, ensinou a meditação para ela. Junto dessa professora, percebeu que as batidas graves de uma música vibravam a água em um copo. Com a concentração, se sentiu como um “balão” e se conseguiu focar seus pensamentos no “nada”. Essa foi a criação de um método que utiliza até hoje. 

Quando a própria decidiu iniciar a ministrar aulas para ajudar outros a se reconectarem com si próprios, apenas 3 pessoas se dispuseram a participar.  

Mas ela não desistiu por isso. “Nós aqui nesse teatro somos iguais, apenas com a diferença linguística. A comunidade surda quer ter acesso à informação, participar”. Um dos métodos que mais utiliza hoje em dia é o Ho’oponopono. “Através do Ho’oponopono, conseguimos nos conectar com a nossa espiritualidade. Espiritualidade não é uma religião, é focada no nosso ser, em autoconhecimento”.  


Mellanie Fontes-Dutra 

Faz sentido separar a razão e emoção? Com esta pergunta que Mellanie Fontes-Dutra abriu sua palestra, completando que tem coisas que são separáveis, mas que comportamentos complexos e traços comportamentais não residem apenas de um lado do nosso cérebro.  

Mallanie é biomédica, neurocientista, professora e embaixadora do Para Mulheres na Ciência, programa da L’Oréal Brasil, Academia Brasileira de Ciências e UNESCO. Além disso, usa suas redes sociais para falar sobre ciência e saúde pública. 

“Recordar como reagimos a algumas situações geram novos modos de analisar para as decisões futuras”, afirma Mellanie (Foto: Marcos Pereira Feijão) 

Segundo a neurocientista, a famosa intuição é o nosso cérebro reconhecendo padrões e nos dando dicas valiosas de como passar por determinadas situações.  

Mellanie explica que nosso sistema cerebral utiliza razão e emoções de forma integrada, por exemplo, o córtex pré-frontal, que está ligado a tomada de decisões e na moderação do comportamento social racional, é usado também em contato com as partes mais emocionais do cérebro. Resultando em um trabalho em equipe feito pelas regiões do cérebro, como uma orquestra.  


Joel Westheimer  

Convidado estrangeiro do TEDx Unisinos, o americano Joel Westheimer é professor e pesquisador da Universidade de Ottawa no Canadá, colunista de educação na “The Canadian Broadcasting Corporation” e um defensor da democracia. Durante seu TED, que foi apresentado em inglês (com tradução simultânea para o português através de um rádio), ele compartilhou ideias sobre: os processos de aprendizagem, os tipos de liderança, e as múltiplas perspectivas de análise e como isso fortalece o sistema democrático.   

Mas o seu tópico principal foi sobre o papel das escolas na formação do pensamento crítico dos alunos. Neste sentido, ele já chegou afirmando que todos nós, que vivemos em uma sociedade democrática, temos algo a dizer sobre como devemos viver. E assim, questionou a plateia. 

“O que escolas em uma sociedade democrática devem ensinar aos seus estudantes, para que eles tenham o conhecimento necessário, para que possam participar em decisões de como devemos viver?”.   

“Escolas devem saber e poder lidar com as paixões de seus professores, dos seus alunos, e a da sua comunidade”, salientou o professor (Foto: Marcos Pereira Feijão) 

Para Joel, o que as escolas não devem fazer é limitar o que um professor pode fazer em uma sala de aula, pois pelos últimos 25 anos, de acordo com relatórios escolares ao redor do mundo, estamos obcecados em repetir o mesmo comportamento, de dar testes padronizados focados em apenas duas áreas: matemática e literatura.  

Ele afirma não ter nenhum problema com padrões, mas sim com a palavra padronização, pois segundo ele “Escolas não são McDonald’s” – pois não produzem sujeitos “padrão”, como os hambúrgueres que são iguais em qualquer lugar.  

De acordo com o palestrante, se as escolas querem que seus alunos se engajem com a democracia e pensem democraticamente, é necessário fazer algumas coisas por eles. 

 “Primeiramente precisamos ensiná-los a fazer perguntas difíceis, a questionar o mundo a sua volta. Em segundo lugar, eles precisam saber lidar com diferentes realidades. E por último, precisamos resgatar o real significado do que é política”, ressalta.   

Para encerrar, Joel citou a frase da filósofa norte-americana Maxine Green: “O propósito da educação é enfrentar o problema, e assim problema será confortável”. 


Roberta Duarte 

“A Taylor Swift é uma estrela. Na verdade, todos nós somos estrelas”. Assim iniciou a fala de Roberta Duarte. A doutoranda em Astrofísica na USP trouxe questões filosóficas e existenciais num clima de empolgação e admiração de quem ama o que faz e estuda, que quase não combinava com a discussão de deixar o cérebro “derretido”. De fato, todos nós somos feitos substancialmente de poeira de estrela, como diz Carl Sagan, um dos cientistas preferidos da speaker. “Uma população 3 de estrelas deu início a tudo – exceto aos elementos hidrogênio e hélio, que são do comecinho, lá do Big Bang –, inclusive a primeira luz que o universo conheceu”. 

“Cada pedacinho de nós nasceu de uma estrela” (Foto: Marcos Pereira Feijão) 

Ela conta que, inclusive, uma das missões principais do famoso telescópio James era descobrir onde estavam as estrelas da população III (as primeiras estrelas formadas na galáxia), para descobrir mais sobre tudo o que conhecemos. Mas até hoje não se sabem muitas informações sobre isso. Para Roberta, todo esse universo e a filosofia por trás do assunto é visivelmente fascinante. Ela pesquisa aspectos de todo o universo, não apenas estrelas, como você pode ver aqui. 

De um jeito mais leve, a física afirmou que somos parte da história das estrelas, e não só isso, mas inclusive estamos na melhor época da história do universo, a da era das estrelas, onde podemos observar o céu estrelado, e precisamos aproveitar isso da melhor forma (apesar da poluição urbana). Ela finalizou citando a que é, na opinião dela, uma das melhores músicas da cantora Taylor Swift, Stralight. Isso porque há um trecho, logo no início da canção, que diz “And we were dancing, dancing like we’re made of starlight” ou “nós dançávamos como se fôssemos luz de estrelas”. Porque, de fato, somos estrelas, no sentido literal (formados por poeiras de estrelas) e figurado (porque somos importantes da nossa forma).  

Deives Picáz 

Deives Picáz é influenciador, palestrante, ativista e PCD. Usando suas redes sociais para falar sobre capacitismo e deficiência sem tabu, se tornou relevante e inovador na sua temática, recebendo o convite para ser conselheiro da ONU no Brasil. 

Com a pergunta “Com quantas pessoas PCDs você já estudou, trabalhou ou se relacionou no seu dia a dia?”, o influenciador traz a reflexão de como o capacitismo afeta a convivência social para as pessoas com deficiência. “Eu posso listar uma série de competências sobre mim, mas nada adianta se só veem minha deficiência física”, completa. 

“O capacitismo não é só um tema da minha rede social, é o confronto da minha vida”, provoca Deives (Foto: Marcos Pereira Feijão) 

Deives ainda falou sobre ser visto como uma pessoa que só serve para ser motivo de pena e das oportunidades, e que perde por culpa do capacitismo estrutural.  

“Em uma entrevista de emprego, só não ocupei a vaga não por falta de qualidade, mas sim por falta da minha mão.”  

Por fim, Deives contou sobre seu trabalho nas redes sociais “Falo de capacitismo porque é necessário, não porque gosto”. E deixa o questionamento “Quando vou poder deixar de falar da minha dor e falar sobre as coisas que gosto?”, finalizou. 


Paola Troian 

A última palestrante da edição foi a Paola Troian. Cineasta de formação, influencer digital e também chefe de cozinha, o seu Ted talk foi sobre sustentabilidade, e fez um alerta sobre a fome e o desperdício de alimentos.  

Paola conta que foi durante uma aula na faculdade de gastronomia que um rombo se abriu, após ouvir de uma professora a informação de que “mais de um terço de todo alimento que é produzido no mundo vai para o lixo”. Ela disse ter se sentido naquele momento como se estivesse na Matrix escolhendo a pílula vermelha.   

Desconforto, curiosidade e aprendizado, foi o que moveu Paola a querer a entender os processos sistêmicos que fazem parte desse problema. A palestrante apontou que segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), mais da metade dos alimentos se perdem, já no primeiro processo: que é a colheita e a armazenagem; já outra parte se perde no processamento dos alimentos, na parte de transporte, e por fim, nas nossas casas – na forma como consumimos eles.  

Paola questiona: “E se a nossa curiosidade fosse a chave mestra para que possamos reprogramar o mundo que a gente vive?” (Foto: Marcos Pereira Feijão) 

De acordo com a Paola, ver o sistema como ele é nos assusta e nos deixa desconfortável. Por isso ela começou a estudar sobre a questão da alimentação buscando entender por que o processo de alimentação monocultural do nosso país carrega tanto no uso de agrotóxicos, se sabemos que eles fazem mal.  

“O uso de agrotóxicos acaba com os nossos recursos hídricos, mata biomas. O sistema monocultural do Brasil devasta e mata a população originaria.”   

Outro ponto trazido pela palestrante foi a questão do sistema de consumo em que vivemos, “Por que nós produzimos tanto plástico? E por que nós fazemos a escolha desse produto tão descartável, que a gente sabe que demora milhares de anos para se decompor?”.    

Por fim, Paola falou sobre apaziguar a culpa que estava sentido após ‘tomar a pílula vermelha’. “Eu entendi que tá tudo bem não entender tudo de uma vez só, e que é necessário começar pelas pequenas coisas […] Olhar para as nossas projeções sociais e ambientais depende só da gente, e tá tudo bem dar um passinho de formiguinha de cada vez. A gente não precisa ir muito longe muito rápido, a gente precisa ir muito longe no tempo certo, todos juntos, de maneira responsável.” 

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TEDxUnisinos marca a volta da presencialidade do evento anual https://mescla.cc/2022/11/09/tedxunisinos-marca-a-volta-da-presencialidade-do-evento-anual/ https://mescla.cc/2022/11/09/tedxunisinos-marca-a-volta-da-presencialidade-do-evento-anual/#respond Wed, 09 Nov 2022 18:32:26 +0000 http://mescla.cc/?p=17152 *Por Laura Santiago, Gabriel Ferri, Marília Port e Paola De Bettio Com a apresentação de Onília Araújo, que é empreendedora social, contadora e ativista em diversidade sobre raça, gênero e LGBTQIA+ e Lui Nörnberg, que é professor universitário e psicólogo em formação, homem translatinoamericano, como se define, e Investigador da temática “Outras Docências e Outros […]

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*Por Laura Santiago, Gabriel Ferri, Marília Port e Paola De Bettio

Com a apresentação de Onília Araújo, que é empreendedora social, contadora e ativista em diversidade sobre raça, gênero e LGBTQIA+ e Lui Nörnberg, que é professor universitário e psicólogo em formação, homem translatinoamericano, como se define, e Investigador da temática “Outras Docências e Outros Sujeitos”. O tradicional TEDxUnisinos retornou à modalidade presencial, o que inspirou o tema desta edição: “Recomeços”, já que estamos vivendo um “começar de novo”. Em razão da pandemia de Covid-19 as edições de 2020 e 2021 ocorreram em formato remoto.  


Ao todo, 13 speakers de diferentes áreas, como educação, especialistas nas temáticas ambientais e sociais, Indústria Criativa, entre outros, que envolveram o público com suas histórias pessoais que mudaram suas perspectivas sobre o mundo. A equipe do Mescla acompanhou essa rodada de palestras que ocorreu na última sexta-feira, 28, e te conta
um pouco mais sobre algumas das histórias que passaram pelo palco.    




Lui (a esquerda) e Onília (a direita) durante uma conversa entre convidados (Foto: Gabriel M. Ferri) 



Paulo Fochi  

O público do TEDxUnisinos já conhecia Paulo Fochi, mas como mestre de cerimônias do evento em outras edições. Nesta edição ele retorna ao palco como convidado para falar sobre a infância e educação. Paulo é pedagogo, doutor em Educação (USP), membro da Associação Criança (Braga, Portugal), pesquisador colaborador do Programa de Pós-Graduação em Educação, professor e coordenador do Curso de Especialização em Educação Infantil (Unisinos), além disso é também fundador e coordenador do Observatório da Cultura Infantil. 


Com a pergunta inicial “qual é a história do seu começo”, o professor da Unisinos resgata sua própria trajetória no caminho da educação, em especial a infantil, – para relembrar as singularidades das crianças nas quais os adultos muitas vezes ignoram ou menosprezam.  


Paulo ainda falou sobre o chamado “Direito à beleza”, sobretudo em instituições públicas. Isso porque toda e qualquer criança merece ter acesso a um espaço que a acolha, a escute e a compreenda e que ainda assim possa ser um ambiente colorido e agradável.


Seguindo para o encerramento o professor enfatiza que “as crianças concretizam essas constelações que dançam, cantam e fazem chover e temos um compromisso no mundo que vamos deixar para elas”, ou seja, as crianças carregam pureza e precisamos nos preocupar em entendê-las e fazer com que o mundo que as cercam seja um lugar acolhedor. 


Paulo foi o último speaker do primeiro bloco (Foto: Gabriel M. Ferri) 


Isaac Schrarstzhaupt 

Isaac é pesquisador, graduado em Processos Gerenciais, e, atualmente, trabalha de forma voluntária como analista de dados de saúde pública para a Rede Análise, uma rede nacional de pesquisadores em prol da informação. Durante o período mais difícil da pandemia de Covid-19, ele foi uma das vozes brasileiras que mais engajavam no Twitter no contexto da, segundo o estudo feito pelo IBPAD/Science Pulse. 


Isaac trouxe para o palco do TEDxUnisinos a necessidade da comunicação assertiva, em particular relacionada as pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA)- como é o seu caso. Diagnosticado já na fase adulta, o palestrante contou quais eram suas principais dificuldades o que faz diariamente para superá-las.   


O speaker fez uma analogia usando a tecnologia para explicar a mente humana. A chamada memória RAM, responsável pelo armazenamento de conteúdo, é finita. Ou seja, quando chega ao seu limite pode fazer com que o dispositivo fique mais lento e demore a responder, assim como ocorre com o cérebro humano. Isaac disse ainda que no seu caso, a comunicação e a interação social são algumas das coisas que podem esgotar essa “memória”. 


Mas então como lidar com essa dificuldade? O pesquisador percebeu que a partir das narrativas do storytelling com dados, ele conseguia traduzir aquilo que era fácil para ele, e difícil para os demais. Além disso, entendeu que algumas características e até exigências do mundo moderno, como análise de dados, gestão de riscos e planejamento “são habilidades desenvolvidas para compensar um mundo ao qual não nos encaixamos ‘naturalmente’”. 


Ao encerrar, Isaac lembrou que para melhorar nossa comunicação devemos começar ouvindo justamente aqueles que têm  dificuldade em se comunicar. 



Franciele Reche 

Fome. Sob essa realidade desumana, sobrevivem mais de 33 milhões de pessoas no Brasil hoje. Este foi o assunto central da palestra proferida por Franciele Reche, mestra em Indústria Criativa, especialista em Ensino e graduada em Gastronomia. Franciele também é ativista e membro do Fórum Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável do RS. 


Franciele trouxe dados que caracterizam o Brasil como o país da fome – apesar da imensa quantidade de alimento produzida no país. Em um panorama em que o alimento tão controversamente assume o protagonismo de uma história de desnutrição, ela entende que é urgente entender o caráter político da comida.


Nessa batalha, Franciele ajudou a construir cozinhas e hortas comunitárias em comunidades de inacreditável precariedade. “Não foi uma, nem duas, nem três mulheres com quem conversei que deixavam de comer para alimentar os filhos”, relembra. A ativista em sustentabilidade alimentar combate uma dor que ela própria não sente e nunca sentiu. Mesmo assim, essa luta se transformou em seu propósito de vida.  


A comida traz dignidade, como Franciele diz. É o básico, um direito fundamental, mas mais de 33 milhões de vozes invisibilizadas política e socialmente. Derrotar a insegurança alimentar é um projeto de vida, porque garante a existência a quem o mínimo é negado. Não dá para normalizar, ignorar, conformar. Afinal, “gente é pra brilhar, não pra morrer de fome”. 


Franciele durante sua fala sobre a fome e trabalhos comunitários. (Foto: Gabriel M. Ferri) 



Itanajara Almeida 

A empresária Itanajara Almeida deu início a sua fala através de um questionamento profundo sobre o que nós, o público, fazemos para oportunizar o acesso de mulheres negras ao mercado de trabalho.  


Itanajara é diretora da Odabá, Associação de Afroempreendedorismo, conselheira do Conselho de Participação e Desenvolvimento das Comunidades Negras do RS e coordenadora financeira do Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana. 


Tudo começou com o seu salão de beleza, especializado em cabelos crespos e cacheados, que há décadas é referência no RS. Com a baixa procura de clientes negras, ela percebeu a dificuldade de acesso ao mercado de trabalho enfrentada por essa parcela da sociedade, e passou a refletir sobre as possibilidades de intervir nessa realidade. 

Assim surgiu o Embelezamento Popular, um projeto voluntário e profissionalizante na área da estética. Com todos os obstáculos para a manutenção da rotina de uma ONG, a oportunidade de expor o trabalho na televisão pareceu ser a chance fundamental para arrecadar apoiadores.  


Itanajara oferece uma dura reflexão sobre a importância das grandes empresas apoiarem projetos desse tipo para oportunizar o acesso de mulheres negras ao mercado de trabalho. Foi uma fala pontente que provocou uma sensação de desconforto na platéia, ingrediente importante para manter o público atento e sensibilizado. 



Itanajara apresentando a iniciativa de Embelezamento Popular (Foto: Gabriel M. Ferri) 



Gisele Tertuliano  

Gisele foi a quarta “speaker” (palestrante) e já de início questionou: “Quem define o que é padrão?”. Gisele Tertuliano é enfermeira e Cientista Social, Doutora em Saúde Coletiva e professora na Unisinos. Ela integra o Grupo para a Promoção da Equidade de Cachoeirinha (RS) e é membro técnico do Grupo de Pesquisa de Interseccionalidades, Equidade e Saúde da Unisinos.  


Gisele é também modelo fotográfica de campanhas comerciais. Alta, negra, de cabelos raspados, é de uma beleza que não passa despercebida. Durante a palestra, contou que cresceu adorando rádio, TV e revistas adolescentes, e que sonhava em ser capa de uma um dia, apesar de ter poucas referências de jovens negras nestes espaços. Até que foi com a mãe a uma escola de formação de modelos, “numa tarde de verão no centro de Porto Alegre”. Lá, ouviu que que “o seu biotipo não era o padrão”. Se decepcionou, mas a “alma de artista” não morreu ali, já que tocava piano e fazia apresentações com um grupo vocal.

Em 2014,ao ver  Lupita Nyong’o, que também tinha cabelos raspados, recebeu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, por “12 Anos de Escravidão”,  sua relação com o cabelo, e consequentemente, com a autoestima melhorou.


Além disso, ela que chegou vestida em uma espécie de kimono, feito pela marca de uniformes com estampas afros da Alyne Jobim, que estava na plateia, assistindo as falas da Itanajara, “speaker” anterior, e da Gisele emocionada. Aline contou que convidou Gisele pra ser modelo da sua marca e foi ali que descobriu que esse era o sonho da Gisele. “É toda uma vida em busca da autoaceitação, da busca pela identidade”, afirmou Gisele neste momento. 


“Aqui estamos, momento de incerteza, mas com uma certeza: sobrevivemos. Mudança abrupta na rotina e a certeza de que hábitos e atitudes precisam mudar”, assinalou. Em sua fala, ela contou que seguiu a vida através da escolha de cuidar: “Eu escolhi cuidar: cuidar dos outros e cuidar de tantas pessoas, e cuidar, também, para que essas pessoas cuidem de nós” e logo emendou “Cuidado é um exercício de responsabilidade, de ética, de amor, de compaixão e de amor-próprio”.  


Para concluir, lembrou que teve poucas alunas negras no ensino técnico e na graduação, e lembrou de uma em especial, a Tati, que veio do Haiti e sonhava em ser enfermeira. Para ela, essa é uma boa história de Recomeço. Dessa forma, ela encerrou com uma frase da filósofa negra e norte americana Angela Davis: “Quando uma mulher negra se movimenta, toda a sociedade se movimenta com ela”. 



 

Gisele e seu questionamento: “Quem define o que é padrão?” (Foto: Gabriel M. Ferri) 



Rafael Mello – Sarah Vika 

Rafael é publicitário com mais de uma década de experiência e realizou o TCC sobre a construção de uma persona drag. Ele foi o segundo “speaker”. Ao ser apresentado, os mestres de cerimônia disseram que  ele “alimenta sua criatividade” através da arte drag. A Sarah Vika é a sua personagem há cinco anos, e hoje é o principal ativo da sua carreira. 

Rafael chegou ao palco já com a pergunta: “Se você pudesse ser outra pessoa, quem você seria?”. Ele contou sobre como a escolha profissional somado ao fato de ter se descoberto  LGBTQIA+, o que fez a escolha profissional ser mais difícil, já que sentia poucas opções onde seria acolhido. “O Brasil é o país que mais mata LGBTQIA+, a gente tem muito medo de sofrer inúmeros tipos de violência, e dentro do ambiente acadêmico ou da carreira profissional, isso não é diferente, só vem mais velado”, afirmou. 


Como Rafael sempre foi muito comunicativo, o que, segundo contou, trouxe problemas na época da escola, ele sentiu que a área da Comunicação era um bom caminho. “Mas nessa trajetória de comunicador, enquanto publicitário, em alguns momentos eu sentia que eu não estava comunicando exatamente o que fazia sentido pra mim”, afirmou ao contar que muitas vezes trabalhou para campanhas que iam contra o que ele acreditava e o legado que ele queria deixar.  


“Peças lindas na rua? Bacana, mas isso de fato faz as pessoas refletirem sobre quem a gente é?”, questionou. Em 2012 ele conheceu a série RuPaul’s Drag Race, da Netflix, e para ele foi um recomeço e transformou a sua existência. Foi a série que fez ele se questionar o que ele seria se não fosse o Rafael. “Eu acho que daqui a pouco vocês vão descobrir”, brincou.  



Sarah Vika 

E eis que a última pessoa a subir no palco foi Sarah Vika. “Quando eu descobri que se eu pudesse ser outra pessoa eu seria uma drag queen, foi quando a minha vida recomeçou e finalmente entrei em contato com quem eu era e sou”, afirmou Rafael/ Sarah. A personagem tem 33,8 mil seguidores no Instagram, integra diversas campanhas publicitárias, além de ter participado do “Queen Stars” da HBO Max Brasil e do programa SuperBonita do GNT.  


“Drag queen nada mais é do que uma performance artística de gênero, onde indivíduos, sendo homossexuais ou não, resolvem performar por algumas horas a vivência do outro gênero, muitas vezes de forma exagerada, ou de forma artista ou questionadora”, explicou. Rafael/ Sarah também explicou a origem do termo “drag”. Ele contou que fez seu trabalho de conclusão de curso sobre a criação de uma persona drag. “Porque foi essa arte, com essa liberdade poética do ser drag, que fez eu me tornar quem eu sou hoje. E a liberdade poética do ser drag acontece a partir do momento que a gente monta essa caricatura, a gente cria essa imagem.”  


Dessa forma, é possível encantar os outros, segundo ele, e além disso, transformar de alguma forma, também. “Afinal de contas, quem eu queria ser? Era aquele menino que sempre era muito conversador nas aulas e que recebia bilhetes na agenda? Não, mas ele, com certeza, tinha muito a falar, e foi através dessa arte que ele descobriu que ele podia falar e ser ouvido.”  



Rafael no primeiro momento em que subiu ao palco e sua foto como Rafael e Sarah (Foto: Gabriel M. Ferri) 



Felipe Menezes 

Quais são suas melhores memórias do futuro? Foi assim que Felipe Menezes abriu a primeira palestra do TEDxUnisinos 2022. Felipe trouxe reflexões e pensamentos sobre os estudos dos futuros e como essa vontade de entender o que vem pela frente o motivou a mergulhar de cabeça no tema. 


Felipe em 28 de outubro de 2012, 10 anos atrás da data do TEDxUnisinos pasava por dificuldades na vida pessoal, em curto intervalo de tempo o pai faleceu, seu carro e celular foram assaltados e a esposa com complicações no parto do segundo filho, tudo isso perto de seu aniversário. No meio disso tudo, uma revista com a manchete A Fábrica do Futuro. “Eu devorei aquela matéria e fiquei encantado com a perspectiva que trazia sobre o futuro super tecnológico e a gente nem tinha certeza sobre isso, eu só sabia que precisava saber mais desse futuro que tá vindo”. 


Além de envolver-se com assuntos como a impressão 3D e a realidade virtual, Felipe descreve a tecnologia como apenas um meio para atingir o objetivo. Nos estudos dos futuros destaca o tema dos tempos pós normais, onde as regras antigas não valem mais, novas regras ainda não foram criadas e nada parece fazer sentido, trazendo essa reflexão para o tempo atual que vivemos. 


Trazendo o conceito de cones de futuros, um pensamento onde tudo pode acontecer, Felipe contextualiza que o futuro não existe, por isso há a pluralidade e a possibilidade de se pensar em mais de uma coisa ao mesmo tempo. A palestra finalizou com um convite à uma reflexão, onde nos imaginamos em 2052, 30 anos no futuro.  


O Mescla já abordou anteriormente o assunto de estudos dos futuros em entrevista com Kim Trieweiler, se quiser saber mais clique aqui. 



Felipe foi o primeiro convidado (Foto: Gabriel M. Ferri) 


João Becker 

Os desafios do recomeço, foi o que João Becker compartilhou com as pessoas presentes no TEDxUnisinos. João tinha 20 anos quando caiu de uma altura de 10 metros, resultando em uma fratura na 9ª vertebra torácica e rompimento completo da medula, além de seis costelas quebradas e o pulmão perfurado, foram 21 dias na UTI em 2018. 


Após o diagnóstico de que não voltaria a andar começaram os pensamentos sobre o desafio que seria a readaptação, tanto fisicamente quanto psicologicamente. “Eu me lembro que eu olhava para uma janela que tinha movimento da cidade e eu ficava refletindo, como é que vai ser a minha vida na cadeira de rodas? Será que eu vou conseguir fazer as coisas mais amei? Será que eu vou ter a autonomia que eu sempre prezei?” 


João conta que os primeiros desafios começaram depois da alta do hospital, a autonomia era limitada e era necessário a ajuda constante de alguém, uma perda na privacidade. Aos poucos João ia readquirindo a independência, através da reabilitação em um hospital especializado em São Paulo, o Lucy Montoro. Ao voltar à Porto Alegre ingressou na fisioterapia, e em alguns esportes. Pouco a pouco a autonomia ia retornando. 


Apesar dos avanços na fisioterapia, o objetivo era voltar a andar, o que estava longe. Após estudos e contato com médicos descobriu um novo tratamento chamado estimulação neural, que consiste na implantação de 15 eletrodos diretamente na coluna e a aplicação de pequenas descargas elétricas para realizar um mapeamento das ligações presentes. Com ajuda de amigos conseguiu o apoio financeiro para ir ao México e fazer a cirurgia, “já na primeira semana eu conseguia mexer as pernas de maneira voluntária, a primeiras vezes três anos. Era inacreditável porque me disseram que era impossível. Eu tava provando para muita gente que nada é impossível.” 


João termina a sua trazendo a informação que, segundo o IBGE, no Brasil cerca de 45 milhões de pessoas têm alguma deficiência, quase 20% da população. “tem todo um processo físico para se adaptar pro mundo e é muito difícil. Precisar se adaptar para chegar lá e quando tu chega, é um problema, porque a gente tem muitas barreiras. Tem a barreira física que é a falta de visibilidade e as barreiras invisíveis que é o preconceito, o capacitismo e a falta de empatia.” No final, joão convida o mundo a se adaptar as pessoas com deficiência, assim tornando o mundo um pouco mais acessível. 



João fez uma retrospectiva da sua vida desde o acidente (Foto: Gabriel M. Ferri) 



Ficou curioso de como foi todo o evento? Clica neste link e aproveite para conferir na íntegra. 



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11 coisas que a gente amou no TEDxUnisinos 2019 https://mescla.cc/2019/09/03/11-coisas-que-a-gente-amou-no-tedxunisinos-2019/ https://mescla.cc/2019/09/03/11-coisas-que-a-gente-amou-no-tedxunisinos-2019/#respond Tue, 03 Sep 2019 21:16:53 +0000 http://mescla.cc/?p=11206 Por: Bruna Lago, Guilherme Machado, Lisandra Steffen e Josi Skieresinski Agosto terminou top com o TEDxUnisinos 2019, que ocorreu na Unisinos Porto Alegre. O evento, que teve como tema as culturas, ocupou manhã e tarde, reuniu 17 speakers — um deles, uma atração surpresa, que deixou todo mundo animado. Além das talks, que foram acompanhadas […]

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Por: Bruna Lago, Guilherme Machado, Lisandra Steffen e Josi Skieresinski


Agosto terminou top com o TEDxUnisinos 2019, que ocorreu na Unisinos Porto Alegre. O evento, que teve como tema as culturas, ocupou manhã e tarde, reuniu 17 speakers — um deles, uma atração surpresa, que deixou todo mundo animado. Além das talks, que foram acompanhadas por uma plateia empolgada, teve também boa música, que “encheu de tons” o teatro. Nós, do Mescla, estávamos lá para cobrir, e o resultado pode ser conferido no Notícias Unisinos. 


Mas, para além da produção de informações, queremos dividir com vocês o que mais chamou a atenção destes repórteres que vos falam. Confere aí uma lista de 11 momentos que marcaram o nosso dia!


1. Um evento em Libras


A diversidade esteve presente durante todo o TEDxUnisinos 2019. Tivemos a Carol, uma speaker surda, que foi recebida pela plateia com aplausos em LIBRAS (a língua dos sinais). E quem precisou de intérprete fomos nós. Aliás, o evento contou com intérpretes de Libras, que arrasaram na tradução das músicas.

Reprodução: giphy

“Foi bem emocionante ver todos usando a língua de sinais para receber a speaker” – Lisandra Steffen 

“Muito lindo poder assistir a talk da Carolina, ainda mais com histórias clássicas sendo recontadas com personagens surdos” – Guilherme Machado

“Libras é uma das línguas oficiais do país e raramente vemos ela sendo usada em primeiro lugar. Está mais do que na hora de mudar isso” – Bruna Lago

“Perceber a falta de pessoas surdas no meu cotidiano foi o que mais me assustou. Pois, não tendo esse contato direto, muitas vezes esquecemos de olhar para necessidades diferentes das nossas e como isso é importante” – Josi Skieresinski


2. “Sou libriano com ascendente em indecisão”


Parece que a indecisão do Guilherme Junqueira começou quando ele não sabia se queria ser educador ou empreendedor. Resultado: virou os dois. Ele é CEO e fundador da Gama Academy, e a sua talk relacionava educação e evolução.

No GIF: “Eu sou uma libriana inocente, como ela” | Reprodução: giphy

“Me identifiquei com um speaker assim. Eu também coloco a culpa de todas as minhas escolhas fracassadas no meu ascendente em peixes” – Lisandra Steffen

“Não assisti essa talk kkkk” – Guilherme Machado

“Sou uma libriana muito bem representada, mas gostaria de dizer que isso aí é mentira. Quero dizer, talvez seja né…” – Bruna Lago

“O Guilherme pode até ser indeciso, mas ele foi muito persistente no que ele acreditava e levou isso adiante de uma maneira incrível” – Josi Skieresinski


3. A mãe LGBT+ que fez todo mundo chorar


Voluntária do grupo Mães Pela Diversidade, Renata dos Anjos poderia ter se voluntariado para nos dar um abraço depois da talk emocionante. Ela é mãe de uma menina LGBT+, e as suas experiências arrancaram lágrimas enquanto falava sobre como a sociedade não está preparada para acolher a diversidade.

P.S.: trazer lenços na próxima edição.

Reprodução: giphy

“Cada fala da Renata era como um soco no estômago. Foi difícil não se emocionar ou relembrar de algumas experiências pessoais” – Lisandra Steffen

“Chorei muito, não vou negar” – Guilherme Machado

“Quero deixar registrada que as minhas lágrimas foram por ter perdido essa talk.” – Bruna Lago

“Trazer essa fala para uma plateia tão diversa acho que foi o mais importante. Para que todos percebam a responsabilidade social que cada um tem na vida de pessoas LGBT+” – Josi Skieresinski


4. A talk da Onília Araújo começou com o pé esquerdo, mas terminou com aplausos e a emoção da plateia


Onília é mulher, negra e lésbica. A talk dela foi sobre privilégios e sobre o que fazer ao reconhecê-los. Falando nisso, os outros speakers tiveram um “privilégio” em relação à Onília: apresentaram suas talks apenas uma vez. O telão resolveu pifar bem na hora da Onília, e ela teve que repetir. Melhor pra gente, que, graças a uma falha técnica, pudemos escutá-la mais um pouco. Onília conseguiu deixar todos os ouvintes emocionados com as histórias que trouxe para o palco do Teatro Unisinos. Foi um privilégio.

Reprodução: giphy

“É importante reconhecer os privilégios de cada um e fazer algo interessante com eles” – Lisandra Steffen

“Precisamos pensar o que fazemos com nossos privilégios. Foi lindo ver a presença de negros tanto no palco quanto na plateia” – Guilherme Machado

“Falar sobre privilégios é falar sobre pôr a mão na consciência, e acho que a Onília fez toda a plateia pensar a respeito.” – Bruna Lago

“Fazer com que todos percebam seus privilégios, é quase como receber um tapa de realidade. E a Onília fez isso muito bem e ainda provou a força da mulher” – Josi Skieresinski


5. “Coitadinho é o caramba!”


Daniel Gonçalves emocionou os presentes ao falar do preconceito social em se relacionar com deficientes. “Com quantas pessoas com deficiência vocês já ficaram?”, questionou. Segundo estatísticas, 24% da população brasileira possui algum tipo deficiência, ou seja, alguém já deveria ter beijado ou dormido com ele. Daniel não gosta de ser vitimizado e deixou isso bem explícito quando um casal o chamou de “coitadinho”.

Reprodução: giphy

“É muito importante ver caras como o Daniel no palco do TEDxUnisinos. A sociedade precisa urgentemente parar de utilizar o discurso da superação para diminuir o trabalho e a dedicação das pessoas” – Lisandra Steffen

“A fala do Daniel foi um convite para refletir nossos próprios preconceitos” – Guilherme Machado

“O maior preconceito que a gente comete é reduzir a pessoa à sua deficiência. Ela é mais do que isso. E nós deveríamos ser mais do que nossos preconceitos também” – Bruna Lago

“Daniel me deixou muito reflexiva com as questões que ele trouxe. Acho que esse é o primeiro passo para mudarmos nossas ações” – Josi Skieresinski


6. “Eu ouvi, com esse coração que pulsa,
e pulsa, e pulsa: é importante estar nesse lugar”


“Onde vive a ancestralidade?”. A talk, que parecia poesia, foi um momento de reflexão sobre a filosofia e a espiritualidade de uma linha de pensamento que você provavelmente não conhecia: a de filósofos africanos. Katiúscia Ribeiro descobriu isso quando chegou em um ponto da graduação em que só pensava em duas coisas: abandonar o curso ou abandonar o curso. Ainda bem que ela não abandonou a filosofia e fez todos nós repensarmos as nossas origens.

Reprodução: giphy

“Não sou capaz de opinar” – Lisandra Steffen 

“Eu poderia ouvi-la por anos” – Guilherme Machado

“Foram 15 minutos de poesia. A espiritualidade dos questionamentos fizeram aquele auditório suspender a respiração” – Bruna Lago

“Só tenho uma coisa a dizer: a gente se perdeu muito no caminho até aqui. E não vai ser um GPS que vai nos ajudar a voltar” – Josi Skieresinski


7. “Este negro está autorizado a entrar aqui?”


Foi assim que Márcio Chagas começou a sua talk: impactante. Durante os 15 minutos de conversa, ele relatou os diversos casos de racismo que sofreu durante a carreira como árbitro de futebol. Disse que nem ele nem qualquer outro negro precisa pedir permissão para entrar em lugar algum. Os ouvintes do TEDxUnisinos aplaudiram, com muito entusiasmo, o hoje comentarista esportivo.

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“Acho que talks como essa, que falam desse preconceito mascarado, são muito importantes para criar consciência nos presentes e mudar algumas atitudes tão naturalizadas” – Lisandra Steffen

“A fala do Márcio foi essencial. Em um país que vive a cultura do machismo, estupro e tantas outras, é indispensável falar de racismo” – Guilherme Machado

“Pedir permissão, ter medo de andar na rua, se sentir discriminado. São esses relatos que fazem a gente refletir sobre o que estamos fazendo para impedir o racismo” – Bruna Lago

“Inquietante, eu diria. Mas a questão é: qual a nossa responsabilidade em fazer com que esses preconceitos não se perpetuem?” – Josi Skieresinski


8. “Eu não sou mais um número, e não sou indígena. Eu sou Macuxi”


Nessa sessão de socos no estômago, tivemos Julie Dorrico, que falou de literatura indígena. Mais do que isso, ela desfez concepções equivocadas com um novo olhar para os povos originários do Brasil.

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“É essencial sabermos (e sermos sempre lembrados) das origens do nosso país” – Lisandra Steffen

“Julie lembrou que todos viemos de um povo e todos os povos são responsáveis por este país” – Guilherme Machado

“É indígena, não índio. São vários povos, várias etnias, línguas e culturas. E foi um momento lindo” – Bruna Lago

“Precisamos ouvir e dar voz a essas pessoas, que têm tanto para nos ensinar” – Josi Skieresinski 


9. Sem restrição de idade, teve talk para todas as gerações


Acho que todo mundo sempre pensa nas talks como lugares cheios de acadêmicos ou pessoas mais velhas, então uma das surpresas boas do TEDxUnisinos foi a presença de adolescentes, jovens, adultos, idosos. Teve estudante, estagiário, professor e até a galera que aproveitou o dia livre para ir. Todas as talks tiveram plateia cheia e interação, e isso quer dizer bastante sobre o evento.

Reprodução: giphy

“Pensem na quantidade de possíveis crushes que estavam nesse evento” – Lisandra Steffen

“Gostaria de ter encontrado o meu. Quem sabe em 2020” – Guilherme Machado

“Só queria saber a idade da senhora que estava com uma blusa prata de lantejoulas. Devíamos ser amigas.” – Bruna Lago

“Perdi de chamar minha avó, ela ia amar” – Josi Skieresinski


10. “Daqui a 30 anos, vamos olhar os veículos que estamos consumindo e perceber que são os veículos que estamos fazendo agora”


Ninguém estava esperando por isso (talvez torcendo rsrs), mas, no final do evento, Leandro Demori, editor do The Intercept Brasil, apareceu como um speaker surpresa. A fama realmente o antecede, porque o auditório todo ficou empolgado quando ele surgiu, mesmo que nem toda a plateia fosse ligada ao jornalismo. Diante dos olhares atentos, falou sobre o papel dos veículos de notícias e as mudanças que fazem a liberdade da internet correr riscos. Valorizar a transparência e o jornalismo para todos os públicos é a bandeira que ele defende. Ficamos empolgados? Bastante!

Reprodução: giphy

“Vocês ouviram alguém tietando o Demori da plateia? Foi eu! Só espero que vazem logo essa talk” – Lisandra Steffen

“Acho que todo mundo esqueceu do trabalho para ficar tirando foto e tietando o Demori” – Guilherme Machado

“Levei uns cinco minutos para começar a fazer anotações, porque estava tentando tirar uma foto boa dele. Felizmente, jornalismo é suporte e trabalho em equipe”  – Bruna Lago

“Achei marmelada o evento terminar com um jornalista, rsrsrs. Mas, importantíssimo a fala do Leandro (sim, íntimos depois da foto) – Josi Skieresinski


11. Tem Enzo e Valentina na Austrália


A Letícia Chamale trouxe uma talk linda sobre aproveitar a família e viver o presente, mas o que deixou a gente chocado foi o fato dos amiguinhos dos filhos dela, lá do outro lado do mundo, serem… Enzo e Valentina! Será que no futuro todos serão Enzo’s e Valentina’s? Estamos diante de uma nova ordem mundial? Enza e Valentino são variantes aceitáveis? Acho que esse é um ótimo tópico para o TEDxUnisinos 2020.

Reprodução: giphy

“Foi um grande choque ouvir isso e já estou aguardando uma nova revolução. Hoje mesmo tô indo no cartório mudar meu nome” – Lisandra Valentina Steffen

“Vamos mudar o padrão. Meu filho vai se chamar João e minha filha vai ser Maria” – Guilherme Enzo Machado

“Fico pensando se na Austrália eles também fazem meme com Enzo e Valentina, ou não pode zoar isso quando for visitar o país” – Bruna Valentina Lago

“Acho que, no futuro, os únicos problemas serão os sotaques, pois na escrita ninguém vai errar” – Josi Valenzo Skieresinski


O TEDxUnisinos 2019 foi um evento que agradou todos os públicos e já deixou saudades. Agora, só nos resta aguardar a edição do ano que vem e esperar que as vagas não esgotem tão rápido quanto esse ano. A redação do Mescla durante a semana pós-TED é só essa:

Reprodução: UOL

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#TEDxUnisinos: Ana Cristina Ostermann https://mescla.cc/2018/08/01/tedxunisinos-ana-cristina-ostermann/ https://mescla.cc/2018/08/01/tedxunisinos-ana-cristina-ostermann/#respond Wed, 01 Aug 2018 18:03:36 +0000 http://mescla.cc/?p=7073 A professora no Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada da Unisinos Ana Cristina Ostermann considera o seu mais ambicioso sonho oferecer, por meio de análises exaustivas das interações sociais, práticas de conversa que auxiliem a fazer fluir a comunicação humana com menos atrito, melhores experiências para as pessoas, e por que não, para a humanização das relações. Seu foco é trabalhar […]

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A professora no Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada da Unisinos Ana Cristina Ostermann considera o seu mais ambicioso sonho oferecer, por meio de análises exaustivas das interações sociais, práticas de conversa que auxiliem a fazer fluir a comunicação humana com menos atrito, melhores experiências para as pessoas, e por que não, para a humanização das relações. Seu foco é trabalhar com profissionais de diversas áreas. “Análise da Conversa” é o tema de seu estudo e o início de sua paixão pela interação humana começou no doutorado.   

Para a tese, ela analisou o primeiro contato de mulheres vítimas de violência doméstica de gênero com a Delegacia da Mulher e o Centro Feminista de Intervenção na Violência Contra a Mulher. “Enquanto eu estava presente e gravando essas interações, eu ouvi histórias de vida inimagináveis. Nem as mais complexas e melhor elaboradas obras de literatura descreveriam os detalhes de abuso que ouvi essas mulheres relatarem”, conta a professora. Ainda completa: “mais do que histórias, essas eram as ‘rotinas’ de abuso dessas mulheres. Delas e de seus filhos ou filhas, porque uma mulher abusada não é vítima sozinha, é uma família toda esfacelada”, explica.   

Durante o estudo, a pesquisadora se deparou com a falta de acolhimento por parte das profissionais que atuam nessa área. Associou isso a dois motivos. Primeiro: o despreparo. Não lhes era oferecido qualquer tipo de formação sobre como acolher por meio da própria fala. Segundo: várias eram alocadas para trabalhar na Delegacia da Mulher apenas por serem mulheres, tomando-se como pressuposto que acolhimento é um atributo natural do sexo feminino. Com os resultados da pesquisa, Ana Ostermann teve a oportunidade de realizar oficinas práticas de interação para essas profissionais.    

Com o seu grupo de pesquisa, ela também estudou a interação entre médicos e familiares que passam por situações de gravidez de risco. “Falar sobre malformações fetais, sobre a previsão de morte imediata pós nascimento, sobre morte intra-uterina demanda competências interacionais bastante especiais, quase sobre-humanas, comenta a doutora.   

“Buscamos na vida cotidiana, na vida como ela é, o nosso objeto de estudo”, reflete sobre a pesquisa. “Contudo, nas pesquisas em Análise da Conversa, e, portanto, nas pesquisas que desenvolvo, não somos nós, pesquisadoras, que sugerimos quais seriam essas competências”, fala. Por meio da análise minuciosa dessas interações, gravadas e transcritas, conseguimos identificar quais são as práticas já existentes (naquele mesmo contexto investigado) que se mostram como bem-sucedidas. Ou seja, as sugestões que as pesquisas da Análise da Conversa trazem para as instituições sobre melhores práticas interacionais são as que normalmente já estão sendo usadas (ainda que nem sempre) nessas instituições. O trabalho da/o Analista da Conversa é o de descobrir quais são as práticas que se mostram como ‘dando certo.’  “Se o problema está na interação, então é na própria interação que está a solução”, fala a pesquisadora.  

No TEDxUnisinos, Ana falará sobre o que é a Análise da Conversa e como esse tipo de pesquisa nos auxilia a desvendar a interação humana, descobrindo o que somos, ou do que nos fazemos parecer ser, como conseguimos convencer alguém de algo, como conseguimos driblar a resistência de alguém em nos contar algo ou como fazemos para resistir (às vezes de formas extremamente sutis) dar determinada informação que alguém busca, de como abordamos assuntos delicados como uma notícia de morte e, acima de tudo, nas palavras de Ana Ostermann, mostrar “como esse mergulho profundo a detalhes tão ‘micro’ das interações humanas é capaz de revelar o mundo ‘macro’ da vida social, inequalidade, violência, poder, mas também humanização, cuidado e valorização do outro”. 

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#TEDxUnisinos: Guilherme Massena https://mescla.cc/2018/08/01/tedxunisinos-guilherme-massena/ https://mescla.cc/2018/08/01/tedxunisinos-guilherme-massena/#respond Wed, 01 Aug 2018 17:41:58 +0000 http://mescla.cc/?p=7062 Uma ideia sustentável e inovadora foi o que Guilherme Massena, junto de seu irmão Augusto Massena e do primo Eduardo Hommerding, colocaram em prática. Para um trabalho de faculdade, em 2013, foi criado o primeiro protótipo de carteira ecológica feita de um material semelhante ao papel. Mais tarde, em 2016, Guilherme e o grupo fundaram a empresa Dobra, que fabrica carteiras de […]

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Uma ideia sustentável e inovadora foi o que Guilherme Massena, junto de seu irmão Augusto Massena e do primo Eduardo Hommerding, colocaram em prática. Para um trabalho de faculdade, em 2013, foi criado o primeiro protótipo de carteira ecológica feita de um material semelhante ao papel. Mais tarde, em 2016, Guilherme e o grupo fundaram a empresa Dobra, que fabrica carteiras de diversos tamanhos e, atualmente, porta-passaporte, camisetas e tênis. O empreendedor é um dos palestrantes do TEDxUnisinos, que ocorre no dia 17 de agosto no Teatro Unisinos, em Porto Alegre.  

Na época, o propósito do trabalho de aula dos então estudantes de Administração era elaborar um produto inovador. Inspirados em peças feitas de Tyvek, material parecido com papel, resistente a rasgos e água, surgiu o primeiro protótipo da carteira. Foram três anos de estudo para aperfeiçoar a produção, até que, em 2016, a Dobra se tornou realidade. 

“Existem várias barreiras porque o nosso país ainda é muito atrasado em relação ao mundo, principalmente em relação aos negócios”, enfatiza Guilherme. O jovem conta que é preciso amar o negócio e estar disposto a trazer mudanças para a sociedade. “Quando falo em barreiras, falo nas que atrasam as leis e dificultam o crescimento das empresas”, explica. Outra dificuldade encontrada é o transporte do produto. “O frete é um problema, tanto pelo preço quanto pelo prazo.”  

A forma de gestão é completamente diferente das empresas tradicionais e pode causar estranheza num primeiro momento. “A gente faz de um jeito diferente na Dobra, uma política de salários bem polêmica”, fala. O modelo é horizontal e consiste em igualdade salarial para todos os membros, desde os fundadores até quem entrou há pouco tempo na equipe. Nas decisões, o voto de todos tem o mesmo peso. Dessa forma, Guilherme acredita que seja colocada em prática a ideia de todos serem donos e responsáveis pelo sucesso do negócio. “Essas hierarquias, além de nos incomodar, causam uma baita demora na informação, porque vira um telefone sem fio, uma burocracia que só prejudica o bom e rápido andamento do trabalho”, salienta.   

A visão sustentável da Dobra veio da constatação de um colapso mundial. Segundo Guilherme, o que existe é um mercado doente visando apenas o lucro, com o capitalismo desenfreado e pessoas egoístas. “Uma empresa precisa ter esse pensamento macro de sustentabilidade. Se não nascer com esse viés, está fadada a morrer. Logo, uma organização que investe em todos, pensando no bem real dos funcionários e dos clientes, tem mais chance de perdurar e sobreviver para continuar fazendo o bem”, finaliza. “Acho importante esse foco em impacto positivo, pois representa mudança de mundo egocêntrico pra um mais “ecocêntrico”.  

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Leituras que revolucionam https://mescla.cc/2018/06/22/leituras-que-revolucionam/ https://mescla.cc/2018/06/22/leituras-que-revolucionam/#respond Fri, 22 Jun 2018 20:59:08 +0000 http://mescla.cc/?p=6665 No dicionário, feminismo é definido como uma “doutrina que preconiza o aprimoramento e a ampliação do papel e dos direitos das mulheres na sociedade”. Na prática, a palavra vai além, trazendo significados e representações, que podem diferenciar-se de uma pessoa a outra. Muitas escritoras, militantes e pesquisadoras dedicaram a vida a estudos sobre o feminismo, e algumas reflexões transformaram-se em obras aclamadas da literatura. Para compreender o movimento, separamos uma lista de sete livros questionadores, […]

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No dicionário, feminismo é definido como uma “doutrina que preconiza o aprimoramento e a ampliação do papel e dos direitos das mulheres na sociedade”. Na prática, a palavra vai além, trazendo significados e representações, que podem diferenciar-se de uma pessoa a outra. Muitas escritoras, militantes e pesquisadoras dedicaram a vida a estudos sobre o feminismo, e algumas reflexões transformaram-se em obras aclamadas da literatura. Para compreender o movimento, separamos uma lista de sete livros questionadores, escritos por mulheres que mudaram ou influenciaram os pensamentos feministas. 

Mulheres, raça e classe (Angela Davis)

Fotos: Reprodução

Para iniciar a lista, um clássico da literatura feminista. A autora Angela Davis é uma mulher negra, nascida na década de 40, no estado norte-americano do Alabama. Ela foi integrante do Partido Comunista Americano, militante feminista e perseguida política, chegando a ser presa duas vezes. Toda essa carga empírica fez dela uma das autoras mais lembradas quando o assunto é feminismo, e, principalmente, do viés negro.  

O livro foi lançado nos Estados Unidos em 1981, mas somente em 2016 foi traduzido e publicado no Brasil. “Mulheres, raça e classe” é uma obra reveladora, que desmistifica, ao longo dos 13 artigos que o compõe, diversos conceitos e práticas da época. Traz, logo no início, o legado deixado pela escravatura a comunidade negra nos Estados Unidos e passa por questões como o sistema carcerário e a regulamentação do trabalho das empregadas domésticas.  

Angela foi uma das pioneiras das discussões de gênero dentro do movimento negro e conseguiu aliar academia e militância de um modo a criar uma obra universal, de fácil leitura e entendimento.

Quem tem medo do feminismo negro? (Djamila Ribeiro)

Recém-saído do forno, o livro reúne um ensaio autobiográfico e uma seleção de artigos publicados da pesquisadora e filósofa Djamila Ribeiro, na revista Carta Capital, entre 2014 e 2017. A autora vem se firmando como um dos grandes nomes do feminismo negro no Brasil.  Djamila  também é autora da obra “O que é lugar de fala?”, outra excelente dica de leitura.  

“Quem tem medo do feminismo negro?” inicia com uma introdução pessoal da autora, que recupera suas memórias de infância para discutir aquilo que chama de “silenciamento” de sua cultura. Djamila conta como se descobriu negra e feminista.  Ao longo da leitura, os artigos tratam de questões de intolerância a religiões africanas, comoções nas redes sociais e casos racistas com figuras públicas.  

Sejamos todos feministas (Chimamanda Ngozi Adichie)

Chimamanda Nozi Adichie é um nome de peso quando o assunto é autoras de livros feministas. “Sejamos todos feministas” é a adaptação de um discurso feito pela autora no TEDxEuston, em 2012. Em 64 páginas, Chimamanda evoca suas memórias para falar sobre os estigmas de ser uma mulher feminista, desconstruindo diversos conceitos deturpados do movimento.  

A autora nigeriana fala sobre a primeira vez que teve contato com a palavra feminista e o quanto as pessoas a tentaram convencer de que feministas eram infelizes, não combinavam com a cultura africana, não gostavam de homens e nem de maquiagem. Chimamanda decide então denominar-se como uma feminista feliz, africana, que não odeia homens e que usa maquiagem por si mesma e não para os homens.

Para educar crianças feministas (Chimamanda Ngozi Adichie)

Mais uma obra fundamental de Chimamanda Nozi Adichie, o livro é, basicamente, uma carta que responde à pergunta feita por uma amiga sobre como criar uma criança feminista. A autora traz diversas situações que presenciou ou que lhe foram relatadas e discorre sobre a forma como os pais devem agir na formação de suas crianças. Um ponto importante da obra é que a autora discorre sobre a ideia de educar meninos e meninas de forma diferente e acaba quebrando diversos mitos.

Extraordinárias: mulheres que revolucionaram o Brasil (Duda Porto de Souza e Aryane Cararo)

Pelas mãos das autoras Duda Porto de Souza e Aryane Cararo, a obra compila a história de 44 mulheres inspiradoras, que fizeram a diferença em suas áreas no Brasil. Além dos relatos, a publicação reúne nove ilustradoras que criam, para cada personagem, um desenho próprio. “Extraordinárias: mulheres que revolucionaram o Brasil” é, além de tudo, uma aula de história e cultura brasileira.  

A história da primeira mulher a ser alfabetizada, a primeira maestra, a primeira romancista do Brasil, mulheres que foram para a guerra, algumas literalmente. O livro pode ser deixado na cabeceira, para ler uma mulher por dia e inspirar-se sempre.

O mito da beleza (Naomi Wolf)

Para quem busca compreender o movimento feminista, deixar esta obra na estante não é uma opção. “O mito da beleza” foi publicado em 1991 nos Estados Unidos, e um ano depois no Brasil. A autora Naomi Wolf, um nome de peso nas obras feministas, e por vezes polêmica, ostenta uma coleção de livros publicados, abordando o movimento.  

Nesta obra, ela analisa a exigência sofrida pelas mulheres para se adequarem a um padrão de beleza. Naomi traz dados e estatísticas, que, apesar de serem datados no ano da publicação da obra, são assustadoramente atuais. Desde a dificuldade para as mulheres encontrarem uma roupa adequada para o trabalho até os estigmas encontrados na hora do sexo. “O mito da beleza” afirma que o padrão imposto é a uma das últimas barreiras a ser derrubada pelas mulheres. 

O segundo sexo (Simone de Beauvoir)

O clássico dos clássicos da literatura feminista não poderia ficar fora de uma lista sobre o assunto. Publicado em 1949, o livro foi considerado revolucionário para a época e integrou a lista de obras proibidas pela Igreja Católica e pela União Soviética. Sua autora, a filósofa francesa Simone de Beauvoir, foi reconhecida como uma das maiores pensadoras do feminismo contemporâneo. 

“O segundo sexo” conta com dois volumes. No primeiro dele, a autora explora fatos e mitos sobre o sexo feminino sob perspectivas históricas, literárias, filosóficas, biológicas, entre outras, afirmando que nenhuma delas é suficiente para definir o que é se mulher. A famosa afirmação “não se nasce mulher, torna-se mulher” é fruto das reflexões do livro e é amplamente discutida no segundo volume da obra.   

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Rodrigo Duarte aborda indústria cultural na atualidade https://mescla.cc/2018/03/26/rodrigo-duarte-aborda-industria-cultural-na-atualidade/ https://mescla.cc/2018/03/26/rodrigo-duarte-aborda-industria-cultural-na-atualidade/#respond Mon, 26 Mar 2018 18:40:52 +0000 http://mescla.cc/?p=5065 A penúltima palestra do TEDxPortoAlegre, que ocorreu na manhã de quinta-feira (22), na Fundação Iberê Camargo, foi do filósofo e professor Rodrigo Duarte, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O speaker tem um currículo extenso, e entre suas experiências estão três estágios de pós-doutoramento em Berkeley, na University of California, na Universität Bauhaus de […]

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A penúltima palestra do TEDxPortoAlegre, que ocorreu na manhã de quinta-feira (22), na Fundação Iberê Camargo, foi do filósofo e professor Rodrigo Duarte, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O speaker tem um currículo extenso, e entre suas experiências estão três estágios de pós-doutoramento em Berkeley, na University of California, na Universität Bauhaus de Weimar e na Hochschule Mannheim.  

O tema escolhido para a palestra foi indústria cultural clássica, estudada pelos autores Theodor Adorno e Max Horkheimer e a Indústria Cultural 2.0, que, segundo Duarte, não teria morrido, mas se transformado. O começo do movimento teria ocorrido em meados do século XIX, em países como França e Grã-Bretanha, a partir de  invenções como gramofone, cinema e rádio. Ganhou força com a migração da indústria para os Estados Unidos, mais especificamente em Hollywood, por volta de 1915.

Foto: Rodrigo W. Blum

Ressaltando as manobras desenvolvidas pelo mercado cultural de massa, o palestrante foi direto. “A indústria cultural é muito poderosa no sentido do seu público achar que está escolhendo, quando, no mínimo, está sendo induzido. Isso é manipulação”. Para Duarte, os materiais oferecidos por esta indústria, como as produções audiovisuais, já são feitas com uma interpretação própria, sem espaço para o público questionar.

Abordando questões sobre estética e estilo, o pesquisador explica que este movimento da indústria estabelece a rigidez de alguns padrões e, através deles, vende não apenas produtos, mas também status. “Faz parte do status que a indústria cultural 2.0 vende, a questão dos seus produtos parecerem sem finalidade, quando a verdade é que estão totalmente voltados para os ditames do mercado”, diz Duarte.

Foto: Rodrigo W. Blum

Denominada também como indústria global, a Indústria Cultural 2.0 tem  algumas de suas ações submetidas a matrizes tecnológicas, antes nem sonhadas. Marcada pela troca e transmissão de mensagens audiovisuais, possui um sistema muito mais flexível e realista. No estudo de mercado essas ferramentas são essenciais para compreender a necessidade e a vontade das demandas. “A flexibilidade dos meios digitais de hoje possibilita uma sofisticação melhor e maior da pesquisa das demandas latentes”, completa o palestrante.

A evolução dos meios digitais trouxe um universo enorme de potencialidades. Ao contrário da indústria cultural clássica, que dependia da produção em escala, como na fabricação de discos, por exemplo, atualmente há uma liberdade maior e grandes recursos. “A indústria cultural que tanja o fetichismo surge com uma segmentação muito maior dos meios e valorização dos produtos”, enfatizou. Finalizando sua participação, Rodrigo Duarte deixou a plateia com uma pergunta: “Qual seria o próximo desenvolvimento da indústria cultural? “.

 

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Estrangeiros de si mesmo https://mescla.cc/2018/03/26/estrangeiros-de-si-mesmo/ https://mescla.cc/2018/03/26/estrangeiros-de-si-mesmo/#respond Mon, 26 Mar 2018 18:16:04 +0000 http://mescla.cc/?p=5052 Verônica Stigger pode ser definida como escritora, professora, jornalista, crítica de arte ou como uma pluralidade de ações, funções, ideias e questionamentos. E foi por meio desses questionamentos que ela conduziu a sua fala no TEDxPortoAlegre, na última quinta-feira, dia 22. A primeira palestra da manhã tinha como objetivo deixar o público inquieto ao perguntar […]

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Verônica Stigger pode ser definida como escritora, professora, jornalista, crítica de arte ou como uma pluralidade de ações, funções, ideias e questionamentos. E foi por meio desses questionamentos que ela conduziu a sua fala no TEDxPortoAlegre, na última quinta-feira, dia 22. A primeira palestra da manhã tinha como objetivo deixar o público inquieto ao perguntar “O que é – ou quem é – esse que chamamos de estrangeiro?”

Definido como adjetivo substantivo masculino nos dicionários, ser “estrangeiro” é, na verdade, muito mais que isso. Não apenas um modo usado para explicar as manias, trejeitos ou diferenças de uma pessoa, mas, sim, “uma condição variável” que depende do local e do tipo de pergunta que nos propomos. De uma forma simplificada e teórica, ser estrangeiro é explicado por uma situação de “estamos fora da nossa nação, ou fora de nosso lugar de origem”, dizia Verônica.

Foto: Rodrigo W. Blum

Como uma turma de aula atenta, a plateia embarcava nos questionamentos que davam ritmo ao talk da professora. “Qual é o nosso lugar de origem? Brasil? O que é isso que chamamos de Brasil? Existe apenas um Brasil?”, ela indagava. E através da dúvida se descobria uma infinidade de Brasis dentro de um só local. Diferentes climas, culturas, línguas, sotaques, condições sociais escancaravam que, de uma forma ou de outra, um país nunca é uma unanimidade.

“O que existe é uma imagem de Brasil”, definiu Verônica. Para explicar essa imagem, a escritora citou o professor e doutor Homi Bhabha. “A questão da identificação nunca é a afirmação de uma identidade pré-dada, pré-definida, […] é sempre uma produção de imagem […] e a transformação do seu sujeito ao assumir essa imagem”.

Foto: Rodrigo W. Blum

Expressando que cada estrangeiro leva em si suas marcas, mas todos tem em comum a impossibilidade de voltar para o mesmo local do qual saíram, Verônica nos mostra que podemos ser estrangeiros em nosso próprio país, cidade ou bairro. “Depois de deslocados, todos somos em parte estrangeiros, pois não conseguimos voltar para a cidade em que deixamos. Como não fiquei aqui, não pude acompanhar as mudanças. Logo, a cidade que deixei já não existe mais”, sintetizou ela.

“Estar em trânsito, estar em deslocamento é a condição definidora do homem moderno”, explicou Verônica. A conclusão desse cenário é que, assim como a arte “não nos definimos pelo pertencimento, mas sim pelo estranhamento”, finalizou.

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TEDxPortoAlegre encerra inscrições https://mescla.cc/2018/03/02/tedxportoalegre-encerra-inscricoes/ https://mescla.cc/2018/03/02/tedxportoalegre-encerra-inscricoes/#respond Fri, 02 Mar 2018 18:57:25 +0000 http://mescla.cc/?p=4729 No dia 22 de março a Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, recebe o TEDxPortoAlegre, que abordará o tema “Plasticidade Destrutiva: perspectivas sobre realidades em colapso”. O evento ocorre das 9h às 13h e está com as inscrições encerradas. O trabalho da filósofa francesa Catherine Malabu foi a principal influência para a escolha do tema […]

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No dia 22 de março a Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, recebe o TEDxPortoAlegre, que abordará o tema “Plasticidade Destrutiva: perspectivas sobre realidades em colapso”. O evento ocorre das 9h às 13h e está com as inscrições encerradas.

O trabalho da filósofa francesa Catherine Malabu foi a principal influência para a escolha do tema desta edição do TEDxPortoAlegre. O conceito de plasticidade estudado por ela  fala sobre o trabalho do tempo através do sistema e a maneira pela qual um sistema pode se transformar de dentro sem se dissolver. Esta “transformabilidade imanente de uma totalidade fechada”, como Catherine explica, é o que norteará a fala dos palestrantes no dia 22.

Nesta edição, entre os nomes que subirão ao palco do TEDxPortoAlegre estão a jornalista gaúcha Eliane Brum, o filósofo Rodrigo Duarte, o músico e escritor Castello Branco, a escritora Veronica Stigger, o professor Rodrigo Nunes, o também jornalista Leo Felipe e o filósofo, escritor e blogueiro Moyses Pinto Neto.

O que é o TED

Dedicado a espalhar ideias que merecem ser compartilhadas, o TED é uma organização não lucrativa criada em 1984. Com formato que permite palestras curtas, mas poderosas, o TED circula o mundo disseminando iniciativas inspiradoras.

O TEDx, onde x = evento TED organizado de forma independente, é um programa de eventos locais auto organizados. Geralmente nos eventos TEDx, os vídeos do TEDTalks e os speakers (palestrantes) usam o palco para compartilhar histórias.  O TED tem um canal no Youtube com quase 10 milhões de inscritos, onde são disponibilizadas as palestras dos eventos.  

 Serviço:

Evento: TEDxPortoAlegre – “Plasticidade Destrutiva: perspectivas sobre realidades em colapso”.

Palestrantes: Eliane Brum, Rodrigo Duarte, Castello Branco, Veronica Stigger, Rodrigo Nunes, Leo Felipe e Moysés Pinto Neto.

Data: 22 de março.

Horário: das 9h às 13h.

Local: Átrio da Fundação Iberê Camargo – Avenida Padre Cacique, 2000

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