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“Estamos arranhando a superfície das transformações que ainda estão por vir”
"É o que garante Kim Trieweiler, da Aerolito. O publicitário, convidado de segunda-feira (25) da Semana de Comunicação, ministrará aos alunos a palestra “Futuro: modos de fazer” "
Gabriel Ferri


Na próxima segunda-feira (25), inicia um dos mais tradicionais eventos da Escola da Indústria Criativa da Unisinos: a Semana da Comunicação 2022. No primeiro dia, o profissional convidado para conversar com os alunos é o publicitário Kim Trieweiler, que vai ministrar a palestra “Futuro: modos de fazer”. 

Egresso do curso de Publicidade e Propaganda, Kim é Head of Hesearch na Aerolito, que reúne um conjunto de iniciativas que ajudam empresas e sociedade a usarem os futuros. Ele é responsável pelo Futures Studio, um dos braços da Aerolito dedicado a projetos corporativos, como o desenvolvimento de metodologias autorais de pesquisa e inovação. 

A participação de Kim será transmitida pelo canal do Mescla no YouTube e os interessados podem fazer a inscrição na plataforma eventos Unisinos. A palestra terá início às 20h. Mas, se você é ansioso como a gente, já poderá ter um gostinho antecipado do que o publicitário abordará em sua apresentação. Confira, a seguir, uma rápida conversa que o Mescla fez, via e-mail, com Kim Trieweiler:
 

Mescla – Quais são os principais tópicos que serão abordados por você na palestra que abrirá a Semanada da Comunicação? 
 

Kim Trieweiler – A espinha dorsal será o tema “Futuros”, no plural. Costumamos achar que o futuro é um só e, por isso, precisa ser previsto para nos adaptarmos e reagirmos a ele. Mas não é verdade. Pelo menos, não é a única verdade. Durante a conversa, quero abordar temas como “futures literacy”, ou “alfabetização para futuros”, como uma habilidade fundamental para que as pessoas sejam capazes de imaginar futuros a partir de diferentes pressupostos e para diferentes fins. Quero compartilhar um pouco a metodologia de pesquisa de futuros da Aerolito, a “3 Ondas de Impacto”. Com ela, conseguimos entender melhor os objetos do amanhã que nos cercam e o que eles testemunham sobre futuros para nós e, talvez, nos letrarmos um pouco mais neles. 

 
Mescla – De estudante de Publicidade e Propaganda na Unisinos até se tornar Head of Research na Aerolito, o que você pode destacar na sua carreira que hoje fez a diferença? 
 

Kim Trieweiler – É difícil fazer esse exercício de olhar no retrovisor e destacar algo que acho que fez a diferença. Acredito que seja mais a soma de fatores do que qualquer outra coisa. Dito isso, talvez algo que me ajudou foi sempre enxergar o que eu estava fazendo no momento como infraestrutura para algo que eu queria no futuro. A gente faz isso muito com curso e educação: escolhe ele querendo alguma coisa, mas faz isso pouco pensando a nossa carreira de forma mais ampla. Tudo sempre era uma oportunidade para outra coisa. Pode parecer meio utilitarista, mas não acho que era. Eu sempre tive algum desejo de algo futuro que me movia, me fazia traçar planos do que eu precisava para estar lá e o resto ia acontecendo naturalmente. Durante a minha vida profissional, me apaixonei por pesquisa e, dentro da pesquisa, por processos metodológicos de pesquisa. Fui plugando pontos e hoje, na Aerolito, desenvolvo, junto com a minha equipe, metodologias autorais de estudos de futuros. A Unisinos foi fundamental nessa jornada, com professores e colegas inspiradores que me faziam querer fazer e entregar sempre mais. 
 
Mescla – Poderia nos explicar um pouco como funciona a Aerolito? 
 

Kim Trieweiler – A Aerolito é um ecossistema de letramento de futuros. Funcionamos a partir de iniciativas que, através de diferentes meios, ajudam as empresas e a sociedade como um todo a usarem os futuros. Temos uma unidade de cursos para o público final. Talvez algumas pessoas conheçam a Aerolito pelo curso Friends of Tomorrow, que foi responsável por trazer muitos conceitos de futurismo para o Brasil. Outro braço é um laboratório de experimentação tecnológica. Nos próximos meses, inclusive, iremos lançar uma loja de consumo consciente que servirá como um meio para que consumidores reflitam no ato da compra, enquanto utilizam ela. Apesar de atuar transversalmente em todos esses projetos, em maior ou menor grau, sou um dos responsáveis pela unidade chamada Futures Studio, um estúdio de projetos corporativos onde atuamos com metodologias autorais de pesquisa e inovação, além de projetos de educação corporativa, em que atendemos empresas como Ambev, 99, Boticário, São Martinho, Vibra, MRV e muitas outras, de diferentes mercados. 

 
Mescla – A comunicação é uma área que se modificou muito com o avanço da tecnologia nas últimas décadas. Você acha que ainda há espaço para mudanças nessa área? 
 

Kim Trieweiler – Definitivamente. Estamos arranhando a superfície das transformações que ainda estão por vir, muitas delas vinculadas às novas tecnologias que estão sendo desenvolvidas por empresas e por laboratórios em universidades ao redor do mundo. Para dar um exemplo e deixar essa resposta mais tangível, posso citar a Synthesia, uma empresa que aplica a inteligência artificial para editar vídeos, e até gerar vídeos e áudios em tempo real a partir de inputs de texto. Algumas pessoas podem chamar isso de deep fake, uma denominação que pode levar a gente a pensar em aplicações mais danosas da tecnologia. Mas podemos imaginar, por exemplo, gravar um telejornal que se assemelha ao transmitido ao vivo, mas com avatares no lugar de apresentadores e apresentadoras. Podemos considerar um futuro em que a edição de vídeo poderá ser usada para que alguém fale algo diferente do que foi dito originalmente, como o exemplo de uma ação da marca Lays, que usou essa tecnologia com o jogador de futebol Messi. E poderíamos ir muito mais longe para pensar isso, como a edição de filmes em tempo real nas plataformas de streaming. Costumo falar que a tecnologia é uma habilitadora de futuros. Ela nos possibilita explorarmos um campo de possibilidades novo, que, sem ela, não existia. Isso tudo sem falar de novos meios de comunicação. Marshall McLuhan afirma que “o ‘meio’ é a ‘mensagem’. Temos muitas mudanças para acompanharmos ainda. 

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