Por dentro

#comunicação #culturas #TEDx #TEDxUnisinos
11 coisas que a gente amou no TEDxUnisinos 2019
"O evento, que lotou o Teatro Unisinos, impactou os ouvintes, inclusive a redação do Mescla. Não conseguiu comparecer? A gente te conta algumas coisas que rolaram por lá"
Avatar photo


Por: Bruna Lago, Guilherme Machado, Lisandra Steffen e Josi Skieresinski


Agosto terminou top com o TEDxUnisinos 2019, que ocorreu na Unisinos Porto Alegre. O evento, que teve como tema as culturas, ocupou manhã e tarde, reuniu 17 speakers um deles, uma atração surpresa, que deixou todo mundo animado. Além das talks, que foram acompanhadas por uma plateia empolgada, teve também boa música, que “encheu de tons” o teatro. Nós, do Mescla, estávamos lá para cobrir, e o resultado pode ser conferido no Notícias Unisinos. 


Mas, para além da produção de informações, queremos dividir com vocês o que mais chamou a atenção destes repórteres que vos falam. Confere aí uma lista de 11 momentos que marcaram o nosso dia!


1. Um evento em Libras


A diversidade esteve presente durante todo o TEDxUnisinos 2019. Tivemos a Carol, uma speaker surda, que foi recebida pela plateia com aplausos em LIBRAS (a língua dos sinais). E quem precisou de intérprete fomos nós. Aliás, o evento contou com intérpretes de Libras, que arrasaram na tradução das músicas.

Reprodução: giphy

“Foi bem emocionante ver todos usando a língua de sinais para receber a speaker” – Lisandra Steffen 

“Muito lindo poder assistir a talk da Carolina, ainda mais com histórias clássicas sendo recontadas com personagens surdos” – Guilherme Machado

“Libras é uma das línguas oficiais do país e raramente vemos ela sendo usada em primeiro lugar. Está mais do que na hora de mudar isso” – Bruna Lago

“Perceber a falta de pessoas surdas no meu cotidiano foi o que mais me assustou. Pois, não tendo esse contato direto, muitas vezes esquecemos de olhar para necessidades diferentes das nossas e como isso é importante” – Josi Skieresinski


2. “Sou libriano com ascendente em indecisão”


Parece que a indecisão do Guilherme Junqueira começou quando ele não sabia se queria ser educador ou empreendedor. Resultado: virou os dois. Ele é CEO e fundador da Gama Academy, e a sua talk relacionava educação e evolução.

No GIF: “Eu sou uma libriana inocente, como ela” | Reprodução: giphy

“Me identifiquei com um speaker assim. Eu também coloco a culpa de todas as minhas escolhas fracassadas no meu ascendente em peixes” – Lisandra Steffen

“Não assisti essa talk kkkk” – Guilherme Machado

“Sou uma libriana muito bem representada, mas gostaria de dizer que isso aí é mentira. Quero dizer, talvez seja né…” – Bruna Lago

“O Guilherme pode até ser indeciso, mas ele foi muito persistente no que ele acreditava e levou isso adiante de uma maneira incrível” – Josi Skieresinski


3. A mãe LGBT+ que fez todo mundo chorar


Voluntária do grupo Mães Pela Diversidade, Renata dos Anjos poderia ter se voluntariado para nos dar um abraço depois da talk emocionante. Ela é mãe de uma menina LGBT+, e as suas experiências arrancaram lágrimas enquanto falava sobre como a sociedade não está preparada para acolher a diversidade.

P.S.: trazer lenços na próxima edição.

Reprodução: giphy

“Cada fala da Renata era como um soco no estômago. Foi difícil não se emocionar ou relembrar de algumas experiências pessoais” – Lisandra Steffen

“Chorei muito, não vou negar” – Guilherme Machado

“Quero deixar registrada que as minhas lágrimas foram por ter perdido essa talk.” – Bruna Lago

“Trazer essa fala para uma plateia tão diversa acho que foi o mais importante. Para que todos percebam a responsabilidade social que cada um tem na vida de pessoas LGBT+” – Josi Skieresinski


4. A talk da Onília Araújo começou com o pé esquerdo, mas terminou com aplausos e a emoção da plateia


Onília é mulher, negra e lésbica. A talk dela foi sobre privilégios e sobre o que fazer ao reconhecê-los. Falando nisso, os outros speakers tiveram um “privilégio” em relação à Onília: apresentaram suas talks apenas uma vez. O telão resolveu pifar bem na hora da Onília, e ela teve que repetir. Melhor pra gente, que, graças a uma falha técnica, pudemos escutá-la mais um pouco. Onília conseguiu deixar todos os ouvintes emocionados com as histórias que trouxe para o palco do Teatro Unisinos. Foi um privilégio.

Reprodução: giphy

“É importante reconhecer os privilégios de cada um e fazer algo interessante com eles” – Lisandra Steffen

“Precisamos pensar o que fazemos com nossos privilégios. Foi lindo ver a presença de negros tanto no palco quanto na plateia” – Guilherme Machado

“Falar sobre privilégios é falar sobre pôr a mão na consciência, e acho que a Onília fez toda a plateia pensar a respeito.” – Bruna Lago

“Fazer com que todos percebam seus privilégios, é quase como receber um tapa de realidade. E a Onília fez isso muito bem e ainda provou a força da mulher” – Josi Skieresinski


5. “Coitadinho é o caramba!”


Daniel Gonçalves emocionou os presentes ao falar do preconceito social em se relacionar com deficientes. “Com quantas pessoas com deficiência vocês já ficaram?”, questionou. Segundo estatísticas, 24% da população brasileira possui algum tipo deficiência, ou seja, alguém já deveria ter beijado ou dormido com ele. Daniel não gosta de ser vitimizado e deixou isso bem explícito quando um casal o chamou de “coitadinho”.

Reprodução: giphy

“É muito importante ver caras como o Daniel no palco do TEDxUnisinos. A sociedade precisa urgentemente parar de utilizar o discurso da superação para diminuir o trabalho e a dedicação das pessoas” – Lisandra Steffen

“A fala do Daniel foi um convite para refletir nossos próprios preconceitos” – Guilherme Machado

“O maior preconceito que a gente comete é reduzir a pessoa à sua deficiência. Ela é mais do que isso. E nós deveríamos ser mais do que nossos preconceitos também” – Bruna Lago

“Daniel me deixou muito reflexiva com as questões que ele trouxe. Acho que esse é o primeiro passo para mudarmos nossas ações” – Josi Skieresinski


6. “Eu ouvi, com esse coração que pulsa,
e pulsa, e pulsa: é importante estar nesse lugar”


“Onde vive a ancestralidade?”. A talk, que parecia poesia, foi um momento de reflexão sobre a filosofia e a espiritualidade de uma linha de pensamento que você provavelmente não conhecia: a de filósofos africanos. Katiúscia Ribeiro descobriu isso quando chegou em um ponto da graduação em que só pensava em duas coisas: abandonar o curso ou abandonar o curso. Ainda bem que ela não abandonou a filosofia e fez todos nós repensarmos as nossas origens.

Reprodução: giphy

“Não sou capaz de opinar” – Lisandra Steffen 

“Eu poderia ouvi-la por anos” – Guilherme Machado

“Foram 15 minutos de poesia. A espiritualidade dos questionamentos fizeram aquele auditório suspender a respiração” – Bruna Lago

“Só tenho uma coisa a dizer: a gente se perdeu muito no caminho até aqui. E não vai ser um GPS que vai nos ajudar a voltar” – Josi Skieresinski


7. “Este negro está autorizado a entrar aqui?”


Foi assim que Márcio Chagas começou a sua talk: impactante. Durante os 15 minutos de conversa, ele relatou os diversos casos de racismo que sofreu durante a carreira como árbitro de futebol. Disse que nem ele nem qualquer outro negro precisa pedir permissão para entrar em lugar algum. Os ouvintes do TEDxUnisinos aplaudiram, com muito entusiasmo, o hoje comentarista esportivo.

Reprodução: giphy

“Acho que talks como essa, que falam desse preconceito mascarado, são muito importantes para criar consciência nos presentes e mudar algumas atitudes tão naturalizadas” – Lisandra Steffen

“A fala do Márcio foi essencial. Em um país que vive a cultura do machismo, estupro e tantas outras, é indispensável falar de racismo” – Guilherme Machado

“Pedir permissão, ter medo de andar na rua, se sentir discriminado. São esses relatos que fazem a gente refletir sobre o que estamos fazendo para impedir o racismo” – Bruna Lago

“Inquietante, eu diria. Mas a questão é: qual a nossa responsabilidade em fazer com que esses preconceitos não se perpetuem?” – Josi Skieresinski


8. “Eu não sou mais um número, e não sou indígena. Eu sou Macuxi”


Nessa sessão de socos no estômago, tivemos Julie Dorrico, que falou de literatura indígena. Mais do que isso, ela desfez concepções equivocadas com um novo olhar para os povos originários do Brasil.

Reprodução: giphy

“É essencial sabermos (e sermos sempre lembrados) das origens do nosso país” – Lisandra Steffen

“Julie lembrou que todos viemos de um povo e todos os povos são responsáveis por este país” – Guilherme Machado

“É indígena, não índio. São vários povos, várias etnias, línguas e culturas. E foi um momento lindo” – Bruna Lago

“Precisamos ouvir e dar voz a essas pessoas, que têm tanto para nos ensinar” – Josi Skieresinski 


9. Sem restrição de idade, teve talk para todas as gerações


Acho que todo mundo sempre pensa nas talks como lugares cheios de acadêmicos ou pessoas mais velhas, então uma das surpresas boas do TEDxUnisinos foi a presença de adolescentes, jovens, adultos, idosos. Teve estudante, estagiário, professor e até a galera que aproveitou o dia livre para ir. Todas as talks tiveram plateia cheia e interação, e isso quer dizer bastante sobre o evento.

Reprodução: giphy

“Pensem na quantidade de possíveis crushes que estavam nesse evento” – Lisandra Steffen

“Gostaria de ter encontrado o meu. Quem sabe em 2020” – Guilherme Machado

“Só queria saber a idade da senhora que estava com uma blusa prata de lantejoulas. Devíamos ser amigas.” – Bruna Lago

“Perdi de chamar minha avó, ela ia amar” – Josi Skieresinski


10. “Daqui a 30 anos, vamos olhar os veículos que estamos consumindo e perceber que são os veículos que estamos fazendo agora”


Ninguém estava esperando por isso (talvez torcendo rsrs), mas, no final do evento, Leandro Demori, editor do The Intercept Brasil, apareceu como um speaker surpresa. A fama realmente o antecede, porque o auditório todo ficou empolgado quando ele surgiu, mesmo que nem toda a plateia fosse ligada ao jornalismo. Diante dos olhares atentos, falou sobre o papel dos veículos de notícias e as mudanças que fazem a liberdade da internet correr riscos. Valorizar a transparência e o jornalismo para todos os públicos é a bandeira que ele defende. Ficamos empolgados? Bastante!

Reprodução: giphy

“Vocês ouviram alguém tietando o Demori da plateia? Foi eu! Só espero que vazem logo essa talk” – Lisandra Steffen

“Acho que todo mundo esqueceu do trabalho para ficar tirando foto e tietando o Demori” – Guilherme Machado

“Levei uns cinco minutos para começar a fazer anotações, porque estava tentando tirar uma foto boa dele. Felizmente, jornalismo é suporte e trabalho em equipe”  – Bruna Lago

“Achei marmelada o evento terminar com um jornalista, rsrsrs. Mas, importantíssimo a fala do Leandro (sim, íntimos depois da foto) – Josi Skieresinski


11. Tem Enzo e Valentina na Austrália


A Letícia Chamale trouxe uma talk linda sobre aproveitar a família e viver o presente, mas o que deixou a gente chocado foi o fato dos amiguinhos dos filhos dela, lá do outro lado do mundo, serem… Enzo e Valentina! Será que no futuro todos serão Enzo’s e Valentina’s? Estamos diante de uma nova ordem mundial? Enza e Valentino são variantes aceitáveis? Acho que esse é um ótimo tópico para o TEDxUnisinos 2020.

Reprodução: giphy

“Foi um grande choque ouvir isso e já estou aguardando uma nova revolução. Hoje mesmo tô indo no cartório mudar meu nome” – Lisandra Valentina Steffen

“Vamos mudar o padrão. Meu filho vai se chamar João e minha filha vai ser Maria” – Guilherme Enzo Machado

“Fico pensando se na Austrália eles também fazem meme com Enzo e Valentina, ou não pode zoar isso quando for visitar o país” – Bruna Valentina Lago

“Acho que, no futuro, os únicos problemas serão os sotaques, pois na escrita ninguém vai errar” – Josi Valenzo Skieresinski


O TEDxUnisinos 2019 foi um evento que agradou todos os públicos e já deixou saudades. Agora, só nos resta aguardar a edição do ano que vem e esperar que as vagas não esgotem tão rápido quanto esse ano. A redação do Mescla durante a semana pós-TED é só essa:

Reprodução: UOL
Mais recentes