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Arquivos empreendedorismo - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/empreendedorismo/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Mon, 03 May 2021 21:14:53 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 Para Samuel McGinity, correr riscos é a melhor motivação https://mescla.cc/2021/05/03/para-samuel-mcginity-correr-riscos-e-a-melhor-motivacao/ https://mescla.cc/2021/05/03/para-samuel-mcginity-correr-riscos-e-a-melhor-motivacao/#respond Mon, 03 May 2021 17:06:21 +0000 http://mescla.cc/?p=14979 Quando não temos certeza sobre o futuro, pode parecer difícil pensar em empreender, ou até mesmo sair do país para explorar os quatro cantos do mundo. Mas a sessão Deu Certo traz um belo exemplo de que, sim, isso tudo é possível. Estamos falando de Samuel McGinity, egresso do curso de Publicidade e Propaganda da […]

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Quando não temos certeza sobre o futuro, pode parecer difícil pensar em empreender, ou até mesmo sair do país para explorar os quatro cantos do mundo. Mas a sessão Deu Certo traz um belo exemplo de que, sim, isso tudo é possível. Estamos falando de Samuel McGinity, egresso do curso de Publicidade e Propaganda da Unisinos. Formado em 2005, está desde 2015 em Paris. Ele é o criador da Illune, uma agência de comunicação localizada a apenas 8 quilômetros da icônica Torre Eiffel.


Às vésperas de comemorar o sexto ano morando na Cidade Luz, Samuel conversou com o Mescla por videochamada. Enquanto aqui, em terras gaudérias, a tarde estava quente, Samuel chegava em casa depois de mais um dia de trabalho na capital francesa. Além do atraso no metrô e a situação do comércio, que seguia fechado, a prosa se voltou para a aventura de empreender a partir do zero. E fora do Brasil. Confere aí na entrevista:



Mescla: Como a publicidade surgiu na tua vida?

Samuel: Eu caí de paraquedas no curso de PP. Quando ainda estava na escola, fazia freelas de criação gráfica, mas nem sabia que era comunicação. Fiz vestibular para Engenharia Elétrica e cheguei a cursar um semestre, mas todo mundo sempre dizia que eu tinha mais a ver com comunicação. Até que eu percebi que realmente não me encaixava na Engenharia. Era uma atividade totalmente fora do meu estilo. Decidi fazer vestibular de novo para entrar em Publicidade e Propaganda. Ali, eu finalmente me achei.


Mescla: Como foi o teu início de carreira, já que ela começou quando ainda estavas estudando?

Samuel: Logo no segundo semestre, comecei a trabalhar bastante com freelas. Eu conhecia um colega que tinha feito algumas atividades da faculdade comigo. Nós resolvemos trabalhar juntos e, disso, resultou nossa primeira agência, a Plus. No terceiro semestre, a gente já tinha clientes e tudo mais. Eram empresas que hoje estão no campus da Unisinos em São Leopoldo, vários clientes interessantes. Fomos crescendo, eu continuei estudando, tocando a agência, e ela passou de uma peça na minha casa para uma sala comercial no centro da cidade. Essa mudança ajudou a agência a crescer mais, ter funcionários, mas o meu sócio não tinha a mesma vibe que eu. Sou um cara que gosta de investir e arriscar, gosto de desafios. Minha vida não funciona se ela não for difícil. Então, resolvi comprar a parte dele e transferi para uma nova sócia, que era aluna de Relações Públicas. Começamos a criar planejamento para os trabalhos que a gente oferecia e, assim, a empresa deixou de ser um estúdio de criação para ser realmente uma agência. Logo que me formei, unimos a agência à DW, que era de um grande amigo também de São Leopoldo, e formamos a DW Plus. Nessa época, passamos a atender a West Coast, Cravo & Canela, Converse e várias empresas do mundo digital. A Plus absorveu a DW porque esse meu amigo tinha o projeto de deixar a agência comigo e partir para outros projetos. Mas chegou um momento, quando tudo estava estável, que eu comecei a procurar mais desafios. Ofereci um projeto onde eu também estaria inserido dentro da empresa do cliente para absorver e sentir o DNA da companhia. Começamos a criar projetos bem enraizados. A Device, que está localizada no Tecnosinos, foi um desses projetos, e o diretor tornou-se um grande amigo. Ele ficou tão contente com os resultados que me deu 1% da empresa. Então, eu cheguei nesse momento da minha vida, em que atingi o ponto alto da estabilidade.

Corres riscos e viver em busca de algo a mais é o que motiva Samuel a continuar crescendo (Foto: Reprodução)


Mescla: O que te fez deixar a estabilidade para trás?

Samuel: Recebi propostas para trabalhar em Nova Iorque e não aceitei porque achei que não era minha vibe. Eu também estava nesse mundo da comunicação no Rio Grande do Sul, sabendo que possivelmente tinha atingido o máximo possível sem um investidor. Eu estava tranquilo, precisava arranjar um problema na minha vida. Desde a faculdade, eu queria sair do país. Já tinha tudo organizado para ficar três anos em Londres e finalizar meus estudos lá, mas, como a empresa tinha muitos clientes, tive que abortar meu plano. Isso ficou na minha cabeça por anos e anos. Quando cheguei na estabilidade da minha vida profissional, quando todo mundo dizia que era hora de ter filhos, eu disse que era hora de ir embora.


Mescla: Como conseguiu realizar esse desejo?

Samuel: Eu sou de origem irlandesa, mas não tinha como conseguir visto para a Irlanda. Eu gostava muito da França. Então, pensei: por que não? Liguei para a embaixada francesa, em São Paulo, e pedi para falar com alguém de projetos. Bem na cara dura mesmo. Eu disse que tinha a ideia de fazer uma agência digital na França, porque sabia que o comércio nessa área lá não era tão evoluído. Disseram que sabiam quem podia ajudar e passaram o meu contato para uma pessoa. Já pensei que estavam me enrolando. No outro dia, meu telefone tocou e era o Gabriel, um francês que trabalhava na Agência Internacional de Investimento da França. Expliquei que tinha esse projeto, mas não tinha o investimento necessário. Mesmo assim, começamos a conversar. Fui para São Paulo, com meu computador e as minhas ideias ainda desorganizadas. O Gabriel me explicou então que a Agência não estava preocupada com quanto eu iria investir no país, mas sim com a qualificação que eu poderia levar. Redigi um projeto e enviei ao sistema francês de empreendedorismo. Ainda não tinha nome, não indicava quem seria a cabeça do projeto e nem informava qual seria o investimento. Só o conceito. A proposta ficou disponível nesse sistema. Ele é acessado por governos municipais que apresentam motivos para o projeto ir para as respectivas cidades. Meio que “a gente não vai dar dinheiro, mas vai ser mais fácil de se desenvolver em minha cidade por tais motivos”. Recebi três propostas: de Montpellier, Marselha e Paris. Disse ao Gabriel que iria para Montpellier, mas ele me convenceu de que o melhor seria Paris, por ter mais estrangeiros e eu não falar bem o idioma. Na verdade, eu não sabia nada de francês. Eu acabei conseguindo um visto de talento, que é muito difícil de obter, mas, depois de conquistado, é mais rápido e facilitaria a vida da minha esposa também. Assim, em maio de 2015, desembarquei aqui. Tinha dinheiro para cinco meses, um apartamento por dez dias, não sabia francês e não conhecia ninguém.


Mescla: Parece que foi um começo difícil…

Samuel: Continuei trabalhando para clientes do Brasil porque não tinha clientes aqui ainda. Qualquer evento de tecnologia eu estava lá. Voltei a ser uma “agência de axila”, que é quando tu colocas a pasta debaixo do braço, segura os cartõezinhos na mão e sai distribuindo. Fui conhecendo gente, fazendo contato, começou a aparecer um trabalho aqui, um logotipo lá, uma identidade visual de vez em quando. Conheci uma menina que achou muito legal meu trabalho. Ela pegou meu cartão. Quando eu não tinha muito trabalho, até cuidei do gato dela quando foi viajar. Ficamos amigos. Um dia, ela estava no Starbucks tomando café e ouviu um cara falando ao telefone. O desconhecido disse que tinha um projeto de calças, mas não achava ninguém decente para trabalhar a comunicação. Achava todos aventureiros. Ela me ligou e disse: Samuel, eu tenho um cliente para ti. Eu pensei: nossa, que bom! Mas ela me pediu para esperar. Se virou, cutucou o cara e disse que tinha um diretor de criação para ele. Marcamos um encontro presencial, e o resultado: trabalhamos juntos até hoje! Acabei de vir da empresa dele, aliás. Foi meu primeiro grande cliente. Mas hoje também trabalho para um centro náutico na Bretanha e um aplicativo de futebol. Disso, 99% é digital. Cada vez me reinventando mais. A cada dois anos, preciso me reinventar. Não ofereço nada que eu oferecia antes.




Mescla: Como estão as coisas em agora?

Samuel: Eu estou em um processo de naturalização, aguardando a resposta. Mas cumpri todos os passos, comecei do zero, não conhecia ninguém, meu francês é de bar, porque aprendi na rua e no sofrimento. Às vezes, eu paro e penso, e eu me surpreendo. Eu ainda estou aqui, totalmente adaptado à cultura. Não me vejo mais indo embora.


Mescla: A universidade ajudou você a se preparar para as dificuldades?

Samuel: Gosto de empreender com riscos. Toda vez que eu vou para o Brasil, que eu converso com turmas de faculdade, eu explico que a comunicação é uma área pouco valorizada, difícil de entrar, e o pessoal desiste fácil. E eu sou apaixonado pelo que eu faço. Por isso que eu gosto de passar minha experiência para os alunos, porque, pra mim, a Unisinos foi muito importante. A gente não tinha disciplina de empreendedorismo, mas eu tive um professor que era de mercado, e eu sempre ouvi muito ele.


Mescla: Já passou por momentos difíceis que achou que não fosse superar?

Samuel: Às vezes dá uma desmotivada, mas nunca ao ponto de querer baixar o braço, porque eu sou guerreiro. Perder um cliente, não conseguir resultado, acontece. Mas o que finalmente mudou é que, na comunicação, a gente se vê muito como artista. Áh, não tem como mensurar quanto atinge. Mas o nosso objetivo é vender, sempre foi e nunca vai deixar de ser. Hoje, eu trabalho muito com resultado. Se a gente faz uma campanha e a marca vende pouco, o culpado sou eu. Não é o cliente, porque a gente é obrigado a vender. Se a pessoa clicou e não comprou, a culpa é de quem? Temos número, sabemos onde as pessoas mais clicam no site, quantas indicaram amigos, quantas entraram no site mas não compraram, se rolaram até embaixo para saber se o produto é legal ou não. Hoje em dia, existem formas de ver isso e buscar resultados.


Mescla: Quais os planos para o futuro?

Samuel: Nunca planejei a longo prazo, no máximo um ano, porque a gente nunca sabe o que vai acontecer. Mas estou gostando do que eu estou fazendo, então, isso, pra mim, por enquanto, é bom. Não sei te dizer se daqui a três anos eu vou estar aqui, se eu vou ter ideia de fazer outra coisa em outro lugar. Enquanto estava desenvolvendo meu trabalho aqui, recebi uma proposta para dirigir uma equipe em Hong Kong e não topei.


Mescla: A pandemia foi um problema para a Illune?

Samuel: São duas faces do mesmo prisma. Para o mundo digital da França, foi excepcional, porque avançou muito o que as empresas tinham receio de fazer. Dei um passo à frente em algumas coisas. Quando vi que ia ficar ruim, apresentei um miniplano de emergência para cada um dos meus clientes. Isso criou uma raiz muito forte com eles. Tenho essa fama de ter uma ótima relação com os clientes, mas isso nos uniu ainda mais. O plano de emergência da Looking For Wild vendeu muito. A gente ainda está surfando na mesma onda do lockdown. Para a minha empresa, não foi bom, porque eu passei meses sem um novo projeto, mas a vantagem é que eu avancei em algumas propostas, porque quem pensava em e-commerce para 2022 acabou antecipando para 2020. Digamos que o faturamento foi ruim, mas o portfólio foi bom.


Mescla: Que conselho pode dar para os novos publicitários?

Samuel: A primeira coisa é que tu tens que acreditar no que quer fazer, e tem que fazer o que gosta. Não adianta ser concursado público se não gosta disso. E tem que gostar da comunicação, porque não é uma profissão de glamour. Tu vais apanhar muito. E se vai apanhar muito, tem que ser por algo que goste. Também é interessante se reinventar, se informar do que está rolando no mundo, isso te ajuda a antever certas coisas. Se conhece a forma política de pensar, a forma política que o país age, vai ter uma ideia da decisão que teu líder vai tomar. Pode até antever os passos e evitar problemas. Por isso, antes de ter um confinamento, eu já podia apresentar um plano de emergência para os meus clientes.

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Seguindo a diversão https://mescla.cc/2021/04/23/seguindo-a-diversao/ https://mescla.cc/2021/04/23/seguindo-a-diversao/#respond Fri, 23 Apr 2021 15:54:16 +0000 http://mescla.cc/?p=14899 Nem todo mundo começa a jornada acadêmica sabendo exatamente por onde quer seguir a carreira. Na segunda metade dos anos 1970, o jovem Igor Luchese achava que iria ser arquiteto. No terceiro ano do curso, teve uma intuição: se matriculou em Comunicação Social na Unisinos. Ele ainda não sabia, mas seu futuro estaria fortemente ligado […]

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Nem todo mundo começa a jornada acadêmica sabendo exatamente por onde quer seguir a carreira. Na segunda metade dos anos 1970, o jovem Igor Luchese achava que iria ser arquiteto. No terceiro ano do curso, teve uma intuição: se matriculou em Comunicação Social na Unisinos. Ele ainda não sabia, mas seu futuro estaria fortemente ligado à publicidade. Igor caiu em uma turma com alunos que já estavam no final do curso. Descobriu que naquela profissão sua criatividade poderia ir além do que esperava. “Eu tinha o estereótipo de um estudante de 1977: rabo de cavalo, barba comprida e uma bolsa jeans”, lembra.

As fotografias foram reunidas pelos estudantes em reencontro, anos mais tarde (Imagem: Reprodução)


Na primeira aula, aprendeu a tirar proveito de todas as ideias que estavam a seu alcance. Acostumado a manusear o papel fino próprio para desenho na confecção de plantas baixas nas aulas de Arquitetura, fez recortes até chegar ao formato de que precisava, e escreveu os textos à mão. Igor já tinha um personagem criado por ele que costumava desenhar. Aproveitou para inseri-lo no trabalho, fazendo comentários críticos. A montagem rendeu boas notas. Foi quando percebeu que gostava mesmo disso. 


Igor recorda de outro trabalho naquele semestre. Era uma crítica ao livro “O dia em que o povo ganhou”, de Joel Rufino dos Santos. O futuro publicitário faz a resenha em formato pocket (de bolso), utilizando, para isso, um bloco de anotações. “Parecia com aqueles bloquinhos do jogo do bicho”, explica, aos risos. “Para mim, o dia que o povo ganha é quando ganha no jogo do bicho.”

Alunos na fila do RU na Unisinos que parecem saído de um filme (Imagem: Reprodução)


Muitos talentos 


Igor começou a estudar na Unisinos quando o campus ainda era localizado no Centro de São Leopoldo. Para ele, lá, no local conhecido hoje como Antiga Sede, os cursos eram muito mais próximos e os debates aconteciam no pátio da universidade, que reunia estudantes de áreas variadas. Foi nessa época que o então estudante publicou um livro de poesias e fez da escrita outra forma de expressão.


Mudou-se para Caxias do Sul, onde, segundo diz, “encontrou um lugar para si”. Depois de peregrinar bastante, criou sua própria empresa de publicidade. Mas não somente isso. “Fiz um monte de coisas ao mesmo tempo, porque eu acho que trabalhar em escritório é muito enfadonho”, confessa. “Então, eu me divertia com outras atividades. A primeira foi quando um cliente comentou que não havia nenhuma rádio decente em Caxias. No caso, não havia quem tocasse jazz.”


Com o apoio desse cliente, Igor pegou seus discos de vinil e lançou um programa dedicado ao gênero musical nascido em Nova Orleães, nos Estados Unidos. Foram cinco anos no ar. Dali, foi chamado para escrever crônicas no jornal Pioneiro, de Bento Gonçalves. Desse material, surgiu o livro A importância das coisas (2008).

Além da publicidade, a escrita também se tornou uma carreira (Imagem: Reprodução)


Entre o fim do programa de rádio e a vida como cronista, o publicitário também deu aulas na Universidade de Caxias durante quatro anos. Mas como escrever era um amor muito maior, conta Igor, ele se aventurou como cronista culinário no Jornal de Caxias. Próximo da família Iotti, foi o irmão do famoso cartunista gaúcho quem pediu a Igor que preenchesse uma lacuna no jornal com um texto. E aquela crítica culinária, que era para ser apenas um favor, se tornou semanal.

Tudo por diversão


Uma crise financeira do jornal obrigou Igor a escrever para sites da cidade, até que ingressou no Pioneiro. No rádio, ainda tentou mais um programa, dessa vez de entrevistas, em que conversava com publicitários sobre a área técnica da profissão, trazendo detalhes que as pessoas não conheciam. “Foi bem divertido”, recorda. Depois, vieram mais dois livros: Desejos Urbanos (2010) e Paredes (2011).


Mas não foi só no rádio e no texto que Igor se aventurou. Dedicou-se, durante cinco anos, ao programa Cozinhando na TV, produto da emissora da Universidade de Caxias. “A cozinha ficava em um bloco de salas onde também ocorriam outras aulas. Eu deixava a porta bem aberta para o cheiro chegar até os alunos. Tem pessoas que ainda lembram disso, mesmo depois de tanto tempo”, comenta. A experiência rendeu um livro de receitas: Receitas fáceis e saborosas.


Sempre motivado pelo que despertava seu interesse, o comentário de um ex-professor fez o publicitário pensar em um novo projeto. “Ele tinha saudades da revista literária da faculdade, e eu disse que, então, iria editar um jornal literário”, conta Igor. “Chamei de jornal Lasanha, já que eu ainda estava no programa de TV, e aquela seria uma mistura de camadas de coisas boas. Fui atrás do pessoal que fez a antiga revista literária. Com as colaborações deles e de outras pessoas, conseguimos trabalhos que iam do Piauí ao interior de Não-Me-Toque. O jornal, que começou com contos e poesia, se abriu para artistas plásticos e fotógrafos”, comenta.

Primeiro exemplar do jornal Lasanha (2010), que reunia cronistas, poetas, artistas e fotógrafos (Imagem: Reprodução)


Inclusive, um dos cartoons produzidos pelo Iotti para o jornal Lasanha ganhou uma menção honrosa em um festival internacional de humor. Outro trabalho realizado pelo grupo foi uma grande exposição de fotos, que contou com mais ou menos dez colaboradores. Esse encontro aconteceu em 2012.


Olhar para o futuro


Durante todos esses acontecimentos, a BAG Propaganda estava em funcionamento. “A agência veio com o foco de não fazer bobagem, de fazer uma comunicação séria, bem pensada”, diz Igor, um dos três sócios-fundadores. “Isso nos cria alguns impasses, porque muitos publicitários gostam de ser alegóricos, como um circo. Não sei fazer circo. Estamos há 38 anos trabalhando seriamente.”


Nesse tempo todo, o publicitário aprendeu que planejamento serve para olhar na direção que se vai, mas não a longo prazo. “Se em seis meses nada mudou, então estou fazendo algo muito errado. As coisas mudam do dia para a noite, e não dá para ficar sempre preso em um planejamento”, avalia. Para Igor, o essencial é uma análise de mercado e trabalhar muito. Mesmo com a perda de alguns clientes durante a pandemia, ele se mantém otimista. “O jeito é olhar para o futuro e tentar superar as dificuldades, escutando tudo que possa colaborar com a nossa continuidade.”


Quer saber como foi o encontro dos formandos dos anos 80? Confere ai como foi um pouco desse momento, eternizado na produção da professora Luiza Carravetta:

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Um passo em direção ao empreendedorismo https://mescla.cc/2021/03/16/um-passo-em-direcao-ao-empreendedorismo/ https://mescla.cc/2021/03/16/um-passo-em-direcao-ao-empreendedorismo/#respond Tue, 16 Mar 2021 16:26:04 +0000 http://mescla.cc/?p=14751 O MesclaCast está no ar novamente e, desta vez, falou com Daniela Ruschel, CEO da NW Idiomas, empresa de Novo Hamburgo que surge com a premissa de ensinar pela experiência. Com 31 anos, a egressa de Letras já lecionou inglês na Informatize, na Wizard, na Instituição Evangélica de Novo Hamburgo e também já deu aulas […]

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O MesclaCast está no ar novamente e, desta vez, falou com Daniela Ruschel, CEO da NW Idiomas, empresa de Novo Hamburgo que surge com a premissa de ensinar pela experiência. Com 31 anos, a egressa de Letras já lecionou inglês na Informatize, na Wizard, na Instituição Evangélica de Novo Hamburgo e também já deu aulas particulares. Inclusive, foi esse primeiro passo no empreendedorismo que levou Daniela a investir na NW Idiomas.

A formatura foi um sonho e a confirmação da carreira (Foto: Arquivo Pessoal)


Para a empresária, o sonho de ter uma escola foi crescendo aos poucos, acompanhando a sua carreira, cheia de desafios e muito trabalho duro. Durante a pandemia, percebeu que era hora de encontrar novos horizontes. Hoje, na NW, ela conta com a ajuda da mãe, que atua nos bastidores e na organização financeira. Em entrevista ao Portal Mescla, ela revelou as dificuldades que enfrentou no período da universidade e como foi o trajeto até adquirir a confiança de que precisava. 

Esses assuntos e muitos outros você pode conferir no novo episódio do Mesclacast.

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A tecnologia e a comunicação https://mescla.cc/2021/03/09/a-tecnologia-e-a-comunicacao/ https://mescla.cc/2021/03/09/a-tecnologia-e-a-comunicacao/#respond Tue, 09 Mar 2021 16:59:02 +0000 http://mescla.cc/?p=14720 Marcelo Bock tinha 17 anos quando entrou no curso de Publicidade e Propaganda da Unisinos. Após finalizar um curso técnico em informática, quando ainda frequentava o terceiro ano do Ensino Médio, iniciou uma busca por cursos de graduação. “Eu gostava da parte da tecnologia, mas não para trabalhar no backend ou criando sistemas. Eu gostava […]

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Marcelo Bock tinha 17 anos quando entrou no curso de Publicidade e Propaganda da Unisinos. Após finalizar um curso técnico em informática, quando ainda frequentava o terceiro ano do Ensino Médio, iniciou uma busca por cursos de graduação. “Eu gostava da parte da tecnologia, mas não para trabalhar no backend ou criando sistemas. Eu gostava de usar a tecnologia como meio, e eu entendia que essa era uma questão do futuro”, conta. Assim, em 2005, começou a percorrer o caminho que o levaria ao diploma e ao título de publicitário. Nutrindo uma visão romântica da publicidade, Marcelo entrou no curso querendo ser redator. A primeira experiência de emprego foi como analista de infraestrutura na desenvolvedora de softwares de gestão Cigam, ainda no primeiro ano de faculdade. “Na minha formação, eu sempre tive vontade de unir tecnologia e comunicação”, explica. 


Hoje, aos 33 anos – e formado há oito –, Marcelo é um dos sócios da Trinto, uma empresa de consultoria especializada em tecnologia e transformação digital. Foi gerente de projetos por quatro anos e, depois disso, tornou-se sócio. Este é o seu nono ano no empreendimento. “A Trinto tem muitos valores que eu respeito. A gente traz bastante coisa na bagagem que passei a empregar na empresa”, comenta Marcelo.


“A publicidade abre mil portas, e eu testei várias”


Marcelo queria ser redator para TV e revistas, mas, ao longo dos anos que passou na faculdade, as coisas foram mudando. “Sempre senti que eu me esforçava bastante, mas não tinha um talento natural para aquilo. Então, a vontade de ser redator foi diminuindo, muito por causa da disciplina de Planejamento”, revela.  Marcelo gostou tanto que não faltou a nenhuma aula, mesmo elas ocorrendo nas noites de sextas-feiras. Foi a partir daí que ele entrou para a área de gestão, que é o que faz até hoje.


“O curso de Publicidade te dá muitas possibilidades, abre mil portas, e eu testei várias”, lembra. Marcelo fazia poucas cadeiras a cada semestre para, nas palavras dele, “sentir o curso”. Com isso, optou por não se formar rápido para conseguir fazer mais estágios e ter mais experiências antes da formatura. Ele vê isso como uma escolha positiva, uma vez que as parcerias que fez durante os oito anos de Unisinos seguem com ele até hoje. “O fato de eu ter levado o curso muito a sério fez com que facilitasse, depois, as relações que eu tive com os colegas da faculdade”, conta Marcelo.


Uma visão romântica da publicidade


A intenção do publicitário sempre foi, de alguma forma, unir a tecnologia e a comunicação. Marcelo se vê como um entusiasta dessas duas áreas, tendo o comprometimento, o respeito, a colaboração e a qualidade como base. “Apesar do Brasil ser um país de terceiro mundo, que tem pouco acesso à informação, é possível ver a evolução do digital, do e-commerce, da comunicação, e entender que a gente tá passando por uma transformação. É muito gratificante, para mim, fazer parte disso. Mas eu ainda tenho aquela visão mais romântica, de acreditar na democratização da compra online, do acesso ao digital, do acesso à internet. Acho que é bem importante, e o futuro do Brasil depende disso”, defende.


Foi com esse pensamento que Marcelo se tornou sócio da Trinto. Ele se juntou à empresa porque sentia que outras agências não atendiam as demandas necessárias. Começou atuando com intraempreendedorismo (mesmo, na época, não sabendo que existia um nome para isso). É uma forma de gestão que te leva a trabalhar como se aquele empreendimento fosse teu e o ajuda a crescer. Para o publicitário, empreender, hoje, é mais concorrido, mas, também, tem algumas vantagens. Segundo ele, é preciso se aproveitar do digital, já que, muitas vezes, o que tu precisas para começar é apenas um computador e os teus conhecimentos. “Empreender é ter uma boa ideia e se cercar de pessoas que, não necessariamente são de mercado, mas que tenham seus talentos e se complementem. É possível empreender e sair do zero, mesmo sem ter trabalhado em outros lugares, fazendo bons projetos”, explica Marcelo.


Para o futuro, o publicitário se vê na Trinto realizando os projetos da empresa. Mas revela que tem também vontade de dar aulas para a graduação para mostrar, como diz, o “outro lado dos cursos de comunicação”, trazendo os resultados do digital e explicando como as pessoas podem trabalhar nas diversas áreas do segmento. “Quero dividir um pouco do que eu vivenciei nesses anos todos, provocando meus futuros alunos a entender o que é possível fazer quando a gente junta a comunicação com o digital”, vislumbra.

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As múltiplas habilidades de uma jornalista https://mescla.cc/2020/11/03/as-multiplas-habilidades-de-uma-jornalista/ https://mescla.cc/2020/11/03/as-multiplas-habilidades-de-uma-jornalista/#respond Tue, 03 Nov 2020 16:42:44 +0000 http://mescla.cc/?p=14293 Ex-aluna de Jornalismo da Unisinos, Gabriela Boesel sempre achou que trabalharia em TV. Mudou de ideia após conhecer o jornalista Vieira da Cunha, seu antigo gestor e grande referência na profissão. “Foi um privilégio trabalhar com ele no Coletiva.net”, enaltece. Gabriela trabalhou ao lado de Vieira da Cunha por oito meses, quando o então empreendedor […]

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Ex-aluna de Jornalismo da Unisinos, Gabriela Boesel sempre achou que trabalharia em TV. Mudou de ideia após conhecer o jornalista Vieira da Cunha, seu antigo gestor e grande referência na profissão. “Foi um privilégio trabalhar com ele no Coletiva.net”, enaltece. Gabriela trabalhou ao lado de Vieira da Cunha por oito meses, quando o então empreendedor resolveu vender o portal para Márcia Christofoli, uma amiga em comum. A mesma amiga, aliás, que indicou Gabriela para trabalhar no Coletiva. Em 2016, Márcia e Gabriela tornam-se sócias. 


Gabriela conta que não nasceu para empreender. Por isso, no fim de 2018, optou por sair da sociedade, mas continuou trabalhando no Coletiva.net. Na metade de 2019, a jornalista deixou o cargo de editora e passou a atuar exclusivamente como repórter. De lá pra cá, cinco anos se passaram, e trabalhar no portal se tornou a maior experiência de trabalho da Gabriela.


Do Turismo à Comunicação


Assim que saiu do Ensino Médio, Gabriela começou a graduação em Turismo pela Feevale. Depois de meio curso, percebeu que não era aquilo que queria. “Não sabia para onde ir, mas não queria parar de estudar”, lembra. A partir daí, a futura estudante de Jornalismo começou a pensar em opções de graduação. História e Letras chamavam muita a atenção de Gabriela, que ainda não pensava em entrar para o Jornalismo.


A Comunicação Social tomou a dianteira porque, apesar de gostar das outras duas opções, Gabriela sabia que não queria ser professora. Foi assistindo, na TV, o humorístico CQC, mais especificamente o quadro “Proteste Já”, que o jornalismo se tornou uma possível futura profissão. Percebendo que realmente gostava muito da “telinha”, Gabriela procurou o então coordenador do curso de Jornalismo da Unisinos, Edelberto Behs, que fez apenas três perguntas: “Tu gostas de ler? De escrever? És curiosa?”. A resposta foi “sim” para todas as perguntas. Behs deu o veredito: “Então, tu estás no curso certo”. 


“Foi amor à primeira vista”, conta a jornalista, que gosta de lembrar de sua trajetória na Unisinos. Gabriela estagiou na TV Unisinos, local onde, além de ter aprendido muito, definiu o que ela gostaria de fazer na profissão. A jornalista ainda realizou um semestre do curso na Espanha, em uma “bolsa sanduíche”. Quando voltou, procurou outras experiências, entre elas, a Fish TV. Por um ano, Gabriela apresentou o Destinos, um programa sobre turismo. Foi trabalhando na emissora que a jornalista conheceu a Amazônia, o Pantanal, alguns locais da América Latina e, também, Jonas, seu marido hoje. 


Como a Fish TV ainda estava se consolidando no mercado, algumas coisas geravam ansiedade em Gabriela. “E as viagens cansam. Viajar trabalhando é diferente”, confessa. No segundo semestre de 2014, Gabriela se formou e, um tempo depois, saiu da emissora para trabalhar com jornalismo impresso em Bento Gonçalves. “Mas não era o meu foco. Eu fui sabendo que logo ia voltar”, revela. E voltou direto para o Coletiva.net.

Formada em 2014, Gabriela conta que estudar Jornalismo foi amor à primeira vista (Foto: arquivo pessoal)


Empreender no jornalismo


A jornalista explica que a maior dificuldade que enfrentou, enquanto era sócia do Coletiva.net, foi lidar com a parte comercial, uma vez que nunca soube vender. “Nenhuma empresa vive de amor. Não é só postar matéria todos os dias, tem que monetizar o empreendimento”, explica. Ao lembrar sua trajetória na Unisinos, a jornalista acredita que era moldada, ao longo da graduação, para trabalhar principalmente com impresso, rádio e TV. Não existia tanto uma conversa sobre empreendedorismo. “Os profissionais tinham que ir atrás disso por conta própria. Mas acredito que essa lacuna já esteja sendo preenchida no curso”, diz.


Além disso, segundo ela, o comercial acaba influenciando no editorial. O problema é que Gabriela não gosta de deixar de divulgar uma informação porque uma determinada empresa patrocina ou paga por algo na empresa jornalística. Inclusive, já escreveu matérias que desagradou algumas pessoas, e teve que lidar com a crítica. “A gente não faz jornalismo para fazer amigos. Fazemos para falar a verdade”, comenta. Segundo a jornalista, para empreender na comunicação, é preciso saber lidar com as críticas e, não menos importante, saber vender o produto. “Ter equilíbrio é primordial, além de saber o foco da empresa”, explica Gabriela.


Apesar do Coletiva.net ser um site independente, especializado em notícias sobre comunicação, os princípios do jornalismo seguem os mesmos como em qualquer outro veículo e em qualquer situação, sublinha Gabriela. “Cada vez mais precisamos reforçar a checagem dos fatos e falar com muitas fontes. Isso não mudou, se intensificou”, complementa.


A carreira como jornalista


A Gabriela estudante de Jornalismo achava que seria profissional de TV. As coisas não saíram exatamente como ela planejava, e a Gabriela de hoje, já jornalista, supriu a vontade de fazer telejornalismo por meio do Coletiva.net, onde teve a oportunidade de visitar e conhecer lugares e pessoas. Mas a paixão pela televisão continua. “Ainda quero trabalhar com vídeo de alguma forma. Tenho vontade de abrir o IGTV (aplicativo de vídeo do Instagram) e falar sobre minhas experiências”, revela.


Uma delas foi em 2019 com a cobertura da South by Southwest (SXSW), considerado um dos maiores festivais de cinema, música e tecnologia do mundo, realizado em Austin, no Texas, nos Estados Unidos. Para ela, foi a experiência mais engrandecedora que teve na comunicação. Baseado no que viveu e aprendeu no evento, a jornalista deixa uma reflexão àqueles que estão iniciando a carreira: “Existe um mundo muito maior lá fora”.

O SXSW proporcionou a Gabriela conhecer diversas empresas e profissionais (Imagem: arquivo pessoal)


Se a Gabriela de hoje pudesse conversar com aquela Gabriela estudante, que se apaixonou pelo jornalismo, a aconselharia a ter um pouco mais de paciência, já que, na época, a jovem, às vezes, não dava tempo para as coisas melhorarem e procurava logo novos ambientes. “Mas eu não mudaria nada em minha trajetória, porque cada coisa tem um motivo para acontecer”, avalia a Gabriela de 2020.

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“As grandes empresas devem ser responsabilizadas pelos impactos que elas geram” https://mescla.cc/2020/10/27/as-grandes-empresas-devem-ser-responsabilizadas-pelos-impactos-que-elas-geram/ https://mescla.cc/2020/10/27/as-grandes-empresas-devem-ser-responsabilizadas-pelos-impactos-que-elas-geram/#respond Tue, 27 Oct 2020 19:54:22 +0000 http://mescla.cc/?p=14256 Os resultados obtidos em ações de sustentabilidade podem demorar um pouco a aparecer, e podem ser subjetivos. É com essa constatação que Daiana Schwengber, uma das fundadoras da Apoena Socioambiental, abriu a programação do Inspira Bihat, na última sexta-feira, 23. Transmitida pelo canal do Portal Mescla no YouTube, a live teve mediação de Lea Kuhn, […]

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Os resultados obtidos em ações de sustentabilidade podem demorar um pouco a aparecer, e podem ser subjetivos. É com essa constatação que Daiana Schwengber, uma das fundadoras da Apoena Socioambiental, abriu a programação do Inspira Bihat, na última sexta-feira, 23. Transmitida pelo canal do Portal Mescla no YouTube, a live teve mediação de Lea Kuhn, estudante do Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades, Artes e Tecnologia (Bihat) da Unisinos.

Daiana é uma das embaixadoras da Semana Lixo Zero de São Leopoldo
(Foto: Reprodução Youtube)

“Aquele que enxerga longe”

Daiana, que também é uma das embaixadoras da Semana Lixo Zero de São Leopoldo, apresentou o Apoena. O coletivo teve início em 2015 e virou empresa somente em 2018. Com o intuito de ser uma ponte entre a teoria e à prática, a empresa não tem como objetivo principal a geração de lucro, mas sim o desenvolvimento de uma economia solidária. O nome Apoena vem da língua tupi-guarani e significa “aquele que enxerga longe”. Além da Daiana, são integrantes e também sócia-fundadoras Joice Pinho Maciel e Kellen Cristine Pasqualeto.


Conforme Daiana, o coletivo trabalha com duas premissas: “lixo zero” e “ciência com afeto”. Enquanto uma proposta é focada nos processos e metodologias sustentáveis, a outra tem como foco a popularização da ciência, visando qualificar as informações emitidas por meio de construções científicas. O ambiente acadêmico tem influência direta nesta segunda premissa: “A experiência de aprendizagem na universidade não deveria ser algo doloroso, pois é um momento em que a gente deveria colocar toda a nossa capacidade”, defendeu a convidada.

O coletivo Apoena, que teve início em 2015, virou empresa em 2018
(Foto: Reprodução Facebook)


A ideia do projeto é unir a experiência acadêmica, adquirida pelas sócia-fundadoras e com trabalhos técnicos já realizados, com o propósito de criar e aplicar metodologias ativas, sustentáveis e responsáveis nas empresas. Daiana explicou, também, que a Apoena tem um compromisso com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), ação que tem o objetivo de gerar impactos positivos em seus serviços.


Assim como o Bihat, a Apoena tem a interdisciplinaridade como característica determinante. “Quando conseguimos nos conhecer, conhecer várias áreas, isso nos torna profissionais mais completos”, comentou Daiana. Além dos trabalhos e consultorias realizadas para empresas e cooperativas, o coletivo oferece capacitações, oficinas e cursos voltados para a educação ambiental. 

Daiana comenta que a popularização da ciência é uma das pautas da Apoena
(Foto: Reprodução Facebook)

Responsabilidade compartilhada

A convidada foi firme ao afirmar que todos deveriam seguir a linha de pensamento da Apoena, e cobrou das grandes empresas: “Elas devem ser responsabilizadas pelos impactos que geram”, reforçou. Daiana salientou as dificuldades que o projeto enfrenta: “A empresa funciona normalmente, mesmo sem reduzir nenhum impacto. Por isso, a nossa maior dificuldade é encontrar pessoas e empresas que queiram fazer.”


Porém, segundo Daiana, essa responsabilidade sustentável precisa ser compartilhada. A falha no sistema, de um modo geral, é de todo mundo. “Por isso, precisamos descobrir quais são as nossas motivações e propósitos, a fim de manter uma qualidade de vida sustentável”, afirmou.

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Evento discute pensamento ecossistêmico, sustentabilidade e empreendedorismo https://mescla.cc/2020/10/23/evento-discute-pensamento-ecossistemico-sustentabilidade-e-empreendedorismo/ https://mescla.cc/2020/10/23/evento-discute-pensamento-ecossistemico-sustentabilidade-e-empreendedorismo/#respond Fri, 23 Oct 2020 20:16:03 +0000 http://mescla.cc/?p=14227 Começa hoje, dia 23, e segue até o dia 20 de novembro, o Inspira Bihat, uma série de cinco lives para discutir temas do pensamento ecossistêmico, da sustentabilidade e do empreendedorismo. As transmissões podem ser acompanhadas por toda a comunidade universitária e interessados no assunto pelo canal no YouTube do Portal Mescla, sempre às sextas-feiras, […]

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Começa hoje, dia 23, e segue até o dia 20 de novembro, o Inspira Bihat, uma série de cinco lives para discutir temas do pensamento ecossistêmico, da sustentabilidade e do empreendedorismo. As transmissões podem ser acompanhadas por toda a comunidade universitária e interessados no assunto pelo canal no YouTube do Portal Mescla, sempre às sextas-feiras, das 18h às 19h.


Os encontros terão a participação de personalidades e profissionais ligados a projetos inspiradores de forte impacto coletivo, como Apoena Socioambiental Ecovila Bambu, Fundação Ayni, Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal e Ponto Inovação Social. 


As duas primeiras lives (de hoje e do dia 30 de outubro) também fazem parte da Semana Lixo Zero de São Leopoldo, uma ação nacional que desde 2013 mobiliza diversas cidades pelo País em prol do compartilhamento de boas práticas, como redução e gestão de resíduos. 


A professora Cybeli Moraes, responsável pela disciplina de Pensamento Ecossistêmico e Sustentabilidade, do Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades, Artes e Tecnologia (Bihat), que promove as lives, explica que a proposta da atividade é proporcionar aos alunos que o conhecimento não seja apenas teórico. “Essa cadeira tem por vocação a preocupação com a sustentabilidade e com o pensamento ecológico”, explica. “E quando eu digo ecologia não é apenas o meio ambiente, mas todas as atividades e o impacto do ser humano dentro do planeta, dentro de um sistema. Por isso, ecossistêmico.”


Na conversa de hoje, a convidada é Daiana Schwengber, gestora em sustentabilidade. Daiana é formada em Psicopedagogia Clínica e Institucional, é mestre em Saúde e Desenvolvimento Humano e doutora em Memórias e Bens Culturais. Além disso, é sócia-fundadora da Apoena Socioambiental, coletivo de São Leopoldo formado por quatro técnicas que trabalham com assessoria, projetos e eventos socioambientais. Por ser multidisciplinar, o coletivo busca soluções com comunicação social, gestão ambiental, empoderamento femino e ações com grupos em situação de vulnerabilidade social.


“A ideia das lives é incentivar as pessoas a discutirem mais os temas propostos, que são assuntos que os alunos mais gostaram de discutir em sala de aula. Por isso, os convidados são profissionais ligados a projetos que os estudantes entendem como inspiradores”, conta Cybeli.  “Não queremos somente fazer uma live para discutir o que é sustentabilidade, mas sim mostrar projetos que estejam engajados e desenvolvendo ações sustentáveis, para que a gente consiga um diálogo maior com a comunidade.”


Pensamento Bihat


Cybeli explica que o Bihat é um curso transdisciplinar. “Os alunos, por exemplo, compartilham disciplinas de toda a Escola da Indústria Criativa (EIC), com atividades acadêmicas nas áreas de humanidades, artes e tecnologias”, elucida a professora. “O caráter transdisciplinar quer dizer que são pensados conteúdos transversais, dentro dessas atividades e dentro da própria matriz do curso.”


Os diversos pontos de encontro entre os pensamentos, teorias e atividades vão misturando os conhecimentos, o que possibilita que o aluno encontre sua própria área de interesse. “No Bihat, o aluno não entra visando uma profissão, mas descobre uma área e um projeto autoral que pode tentar desenvolver na vida profissional”, comenta Cybeli, que também é coordenadora da Agência Experimental de Comunicação da Unisinos (Agexcom).


Confira a programação completa das lives:

23/10 – Apoena – Daiana Schwengber 

Link para assistir ao vivo: https://www.youtube.com/watch?v=xr1w92T8hSU


30/10 – Ecovila Bambu – Luis Pereira  

Link para assistir ao vivo: https://www.youtube.com/watch?v=Txzdl28SQHo


06/11 – Escola Ayni – Thiago Berto  

Link para assistir ao vivo: https://www.youtube.com/watch?v=7ya8B8cd3jk


13/11 – Fórum Animal – À confirmar

Link para assistir ao vivo: https://www.youtube.com/watch?v=jTa-LhwsWnA


20/11 – Ponto Inovação Social – Cláudio Oliveira  

Link para assistir ao vivo: https://www.youtube.com/watch?v=THwd4WKCxsE

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Vestir para empoderar https://mescla.cc/2019/12/05/vestir-para-empoderar/ https://mescla.cc/2019/12/05/vestir-para-empoderar/#respond Thu, 05 Dec 2019 20:07:02 +0000 http://mescla.cc/?p=12582 Usar uma peça de roupa vai muito além de apenas vesti-la. Há quem diga que ela pode despertar, provocar, representar quem somos. Mas não são todas as pessoas que conseguem montar um look sem grandes complicações.Problemas como tamanho inadequado e modelo que não fecha com o corpo são comuns. Mas tem quem enfrente situação pior: […]

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Usar uma peça de roupa vai muito além de apenas vesti-la. Há quem diga que ela pode despertar, provocar, representar quem somos. Mas não são todas as pessoas que conseguem montar um look sem grandes complicações.Problemas como tamanho inadequado e modelo que não fecha com o corpo são comuns. Mas tem quem enfrente situação pior: não consegue achar roupas que lhe sirvam de jeito algum. Esse é o caso de muitas pessoas gordas.

Há ainda outros detalhes que as impedem de terem uma boa experiência na hora de adquirir uma roupa: os espaços físicos das lojas. Muitas delas não têm provadores adequados ou espaço entre os expositores, prejudicando aqueles clientes “fora do padrão”. Para a empreendedora Viviane Lemos, 39 anos, proprietária do Bazar Plus Size, em Porto Alegre, o mercado da moda e de serviços ainda não está preparado para atender esse público. 

“Tem muita possibilidade para atender o público gordo com excelência, e as pessoas querem consumir. Elas só não consomem porque não têm esses serviços. Os empresários estão deixando de ganhar dinheiro. E quando tu falas isso para eles, é só a partir daí que tu vais conseguir mudar a vida das pessoas gordas, porque é o dinheiro que manda”

Viviane Lemos

Oportunidade, criatividade e persistência 

A lacuna foi vista como oportunidade por Viviane há três anos. Naquele momento, ela trabalhava como secretária jurídica, mas a renda não era suficiente para pagar uma escola particular para o seu filho. Então, passou a revender lingeries, e foi aí que teve uma surpresa: o público mais interessado era justamente formado por mulheres gordas. “Eu entendi que era nesse segmento que eu tinha que investir”, lembra. Animada com a ideia, passou a organizar bazares. Para isso, chamou pessoas conhecidas que vendiam outros tipos de roupas e artigos, como bijuteria, artesanato, além de lanches. A partir daí, outros empreendedores começaram a se interessar e quiseram fazer parte do bazar. 

A primeira edição do Bazar Plus Size de Porto Alegre ocorreu em 3 de dezembro de 2016, há exatos três anos. Nele, Viviane reuniu mais de 100 pessoas interessadas em consumir moda plus size em Porto Alegre. Dois anos depois, ela já contava com uma sócia, a Gizela Fonseca, de 38 anos.

Vivi e Giza, organizadoras da feira
(Foto: Josi Skieresinski)

O evento já está na 16ª edição, e o último ocorreu no início de dezembro. A feira reuniu mais de 30 expositores, com marcas que vêm de todo o país. A entrada é solidária: doação de um alimento não perecível. 

A empresária conta que as mulheres saem da feira realizadas. “Poder escolher é uma experiência que as pessoas não vivem até virem aqui. As mulheres se transformam”, comenta, orgulhosa. Para que a experiência das clientes seja satisfatória, os expositores devem cumprir quatro pré-requisitos: vender roupas do tamanho 46 ao 56, toda produção deve ser brasileira, não pode haver competição de marca e também não pode misturar tipos de produtos. 

Durante o bazar, há também, em sua programação, painéis e workshops. Nesta edição, estavam presentes: Natália Godoi, que falou sobre “as previsões para 2020 segundo os astros”; a personal stylist Lisy Reis, que trouxe “as tendências na moda para o próximo ano”; e a miss plus size e maquiadora Bianca Moreira, que ofereceu um workshop de automaquiagem. Teve ainda um bate-papo sobre “empreendedorismo feminino, desafios e projeções” com Roberta Capitão, idealizadora do Movimento Empreendedoras da Restinga, e Camila Oliveira, proprietária da marca Rainha Nagô, de São Paulo.

Lisy Reis falou sobre as tendências da moda para 2020
(Foto: Josi Skieresinski)

E os homens plus size? Como a moda pode transformá-los? Moda é coisa de homem, sim 

Outra temática que envolve o mundo plus size e não é muito falada é a moda masculina. No Bazar Plus Size, os homens também se sentem representados. Exemplo disso é a marca de camisetas Coisa de Urso, que retrata representatividade, orgulho e empoderamento. Uma mescla que envolve moda plus size e a temática LGBTQI+. 

Na cultura LGBTQI+, existe a tribo dos Ursos ou Bears, que são os homens cisgêneros, gays, que são caracterizados por serem grandes, peludos, barbudos e, às vezes, gordos. Passando uma imagem masculinizada e robusta, contrapondo o estereótipo do gay padrão, magro, depilado, de academia e que, às vezes, performa uma feminilidade. Foi então que Dérick Ramon, de 28 anos, e Luiz Ferreira, de 39 anos, tiveram uma ideia.

Namorados há cinco meses e sócios há dois, ambos queriam começar uma etapa nova em suas vidas e uniram suas expertises. Designer gráfico, Dérick produz os conceitos, as artes e as estampas da Coisa de Urso. Luiz, graduado em Logística Internacional, administra o negócio. Eles, então, aproveitaram o atual momento de vida, da aceitação e empoderamento do corpo, com algo que pudesse ser rentável e ainda ajudar outras pessoas. “Muita gente tem medo de usar a palavra ‘gordo’, mas a gente é gordo. E essa palavra não pode ser vista como ofensa ou como uma coisa pejorativa”, avalia Luiz sobre a ideia inicial da marca.

Luiz e Dérick são os criadores da Coisa de Urso
(Foto: Josi Skieresinski)

Juntos, Luiz e Dérick perceberam que o mercado só oferecia roupas masculinas maiores, que eram muito sérias, e não diziam muita coisa sobre eles. A Coisa de Urso faz justamente o contrário: pensa e elabora seus produtos a partir de conceitos, refletindo essas ideias em cada mensagem, ousando nas estampas de suas camisetas.

Ideias que vão além 

Desde o logotipo, que foi inspirado na primeira foto do casal, a Coisa de Urso respira conceito. Ela oferece diversas linhas de camisetas, cada uma pensada para determinada ocasião. Há a “party”, para arrasar nas festas, a “pride beard”, que fala do orgulho da barba – essa é a única linha da marca que existe para todos os tamanhos; o restante é direcionado ao público gordo, e a “bear power”, que passa a mensagem de empoderamento LGBTQI+ e do corpo gordo. Destaque também para as linhas casuais, básicas, a “bear bits”, com a temática de jogos, e a “bear beach”, que são regatas.

Todo esse conceito passa pela aceitação, pelo empoderamento do corpo masculino. Luiz vê como uma resposta a tudo que ele já enfrentou: “É a nossa forma de empoderar o corpo masculino, porque não se fala sobre isso. E tem muito homem gordo que sofre bullying”.

Os guris correram muito nestes últimos dois meses para deixar a empresa alinhada e pronta para o mercado. Mas eles não querem parar por aí. Já estão pensando na linha de empoderamento feminino. “A linha ‘girl power’ também vem para mostrar que o corpo grande e gordo é tão bonito quanto qualquer outro”, planeja Luiz. 

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Nova editoria discute comunicação e criatividade no mundo dos negócios https://mescla.cc/2019/12/03/nova-editoria-discute-comunicacao-e-criatividade-no-mundo-dos-negocios/ https://mescla.cc/2019/12/03/nova-editoria-discute-comunicacao-e-criatividade-no-mundo-dos-negocios/#respond Tue, 03 Dec 2019 17:30:55 +0000 http://mescla.cc/?p=12497 A inovação depende da criatividade, e empreendimentos inovadores precisam ser comunicados. Pensando nisso, o portal Mescla.cc lança a editoria Acelera, voltada para a divulgação e discussão das relações entre empreendedorismo, tecnologia e Indústria Criativa. Esta conexão será apresentada a partir histórias, cases, projetos e processos, contados por pessoas que vivenciam essas experiências. O Mescla ouviu […]

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A inovação depende da criatividade, e empreendimentos inovadores precisam ser comunicados. Pensando nisso, o portal Mescla.cc lança a editoria Acelera, voltada para a divulgação e discussão das relações entre empreendedorismo, tecnologia e Indústria Criativa. Esta conexão será apresentada a partir histórias, cases, projetos e processos, contados por pessoas que vivenciam essas experiências. O Mescla ouviu professores e profissionais sobre a importância dessa iniciativa e sobre o link existente entre as áreas de comunicação, linguagem e design com o mundo dos negócios e da inovação.

Clique aqui para conhecer as publicações da editoria Acelera


“Na Indústria Criativa, nós temos uma série de competências interdisciplinares que atravessam diversas vertentes da criatividade e podem ser líderes na elaboração de novos negócios”, afirma o decano da Escola de Indústria Criativa da Unisinos, Carlo Franzato. O professor e pesquisador conta que os gestores já se deram conta disso, e muitos buscam colaborações. “No mundo dos negócios que inova, avança e se transforma, que vive um desenvolvimento sistêmico, orientado também à sociedade e à preservação do ambiente, se necessita necessariamente de competências criativas”, destaca.


A criatividade e a colaboração são competências que estão sendo desenvolvidas em todos os cursos da Unisinos. “Nossas áreas são especialmente importantes na elaboração de processos e da concepção de novas ideias de negócios”, conta Franzato. Para ele, o que é central nessa relação é a criatividade, “não só as competências projetuais, mas as competências criativas, de forma um pouco mais abrangente”, explica. Nessa entrevista para o Referências, o decano amplia o entendimento sobre a Indústria Criativa e quais as potencialidades da área.

Susana Kakuta fala em evento de startups no Tecnosinos (Foto: Rodrigo B. Westphalen)

Indústria Criativa, Inovação e Tecnologia


A CEO do parque tecnológico Tecnosinos, Susana Kakuta, destaca que o empreendedorismo é uma das principais formas de gerar PIB novo para o Rio Grande do Sul. Ela considera a editoria relevante para os empreendimentos e afirma que “quanto mais se conhece, se estuda e se traz à tona bons cases de empreendedorismo, mais se exerce uma influência positiva na formação de novos negócios”. Segundo ela, é necessário uma conexão entre as áreas de conhecimento para que a inovação possa acontecer. As startups da Tecnosinos, por exemplo, utilizam diversos métodos para solução de problemas, onde muitos são da Indústria Criativa. “Essas ferramentas de inovação, como design thinking, sprint, canvas, são extremamente importantes para a transformação, seleção, ou concepção de uma ideia e para ir da ideia a um modelo de negócio. Nós utilizamos essas ferramentas, inclusive, como forma de fazer uma avaliação continuada para nossas startups”, explica.


Kakuta afirma que não tem como fazer inovação sem usar ferramentas que possam “diminuir incertezas e, por outro lado, aumentar risco de sucesso”. A participação da Indústria Criativa, porém, não é limitada a isso, e as interseções são muitas. A CEO comenta que o dispositivo de interação por voz da Amazon, Alexa, por exemplo, é uma forma inovadora de relacionamento com o cliente e que, apesar de ser um instrumento de comunicação, possui tecnologias, como a inteligência artificial, que vem de outras áreas do conhecimento.


“Os processos do passado não tem mais espaço. O ponto é: como que as organizações podem se desafiar a buscar essas soluções criativas”, apontou a decana da Escola de Gestão e Negócios da Unisinos, Cláudia Bittencourt. Os problemas dos negócios atuais são muito mais complexos do que eram antes, e, por isso, a solução precisa ser criativa.


Os processos da Indústria Criativa são cada vez mais utilizados nas estratégias e na gestão de empresas, assim como no desenvolvimento de tecnologias, mas ainda há pouca integração entre as áreas na universidade. A decana entende que é interessante quebrar as fronteiras para que seja possível encontrar soluções diferentes – soluções que não são vistas sem essa integração. A divulgação e discussão sobre essas relações, como a que propõe a editoria Acelera do Portal Mescla, é “fundamental”, segundo ela.


Empreendedorismo nas Mídias


Outra motivação para a criação da editoria vem da lacuna existente sobre publicações que tratam de empreendedorismo no RS. O caderno GeraçãoE, do Jornal do Comércio, por exemplo, é uma das referências para o trabalho de divulgação de empreendimentos gaúchos. Esse ano, a publicação ganhou o prêmio Top de Marketing ADVB e foi reconhecida pela Câmara de Vereadores de Porto Alegre como incentivadora do desenvolvimento econômico e social da cidade, pelo trabalho que realizaram.


Mauro Belo Schneider, jornalista e editor do caderno, conta do impacto que as publicações têm: “Nós mudamos a vida daquele negócio a partir do momento em que ele aparece no jornal”. Para que o empreendimento seja divulgado, o critério de seleção é a mensagem, o propósito e a relevância da proposta. “A gente acaba desenvolvendo muito a economia local, justamente por despertar o interesse das pessoas. Elas começam a consumir mais daqueles negócios que aparecem no GeraçãoE e, então, se desenvolve toda a cadeia ao redor da região”, explica.


O jornalista entende que existe um papel muito importante a ser desempenhado pelas mídias no desenvolvimento do próprio empreendedorismo. “A demanda está muito grande, por causa do desemprego, por causa desse novos formatos de trabalho, então, quanto mais informações tiver e mais popular for ficando o tema, melhor”, enfatiza. O curso de Jornalismo da Unisinos tem sido parceiro do GeraçãoE. Há três anos que a atividade de BetaEconomia produz um caderno especial para o GeraçãoE por semestre,   com histórias empreendedoras da região. 


“A divulgação é crescente, mas tem bastante a melhorar”, afirma o professor e coordenador do pós-MBA em Gestão da Inovação, Sandro Cortezia, também fundador e diretor executivo da aceleradora de startups Ventiur, que atua no Tecnosinos. Para o pesquisador, há um aumento gradual no interesse por parte da imprensa nos polos tecnológicos, mas ainda é insuficiente. A iniciativa do portal Mescla em lançar uma editoria sobre empreendedorismo, tecnologia e Indústria Criativa é considerada “louvável” pelo coordenador. Sandro comenta que as startups estão entendendo a importância dos profissionais da Indústria Criativa e que eles já utilizam as lógicas e processos da área, de forma quase natural, sem saber a origem, muitas vezes.

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