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]]>O Centro de Estudos para Desenvolvimento das Telecomunicações e do Acesso à Sociedade da Informação da América Latina (Certal) se juntou à Unisinos para promover um debate sobre como se dá a comunicação nos dias atuais.
O reitor da Unisinos, Sergio Mariucci, agradeceu a todos os presentes e destacou o papel da universidade para a educação básica e a educação superior, enfatizando que ela tem uma responsabilidade de formar cidadãos ao puxar para si a pesquisa e a crítica.
“O ensino e o conhecimento que a universidade gera prepara e habilita a pessoa para ocupar funções de responsabilidade que a sociedade precisa. Mas ela pergunta não apenas como fazer, mas porque fazemos isso e para que fazemos isso. A liberdade e a verdade, temas centrais do dia de hoje, atuam como realização do ser humano. A Unisinos preza por essa responsabilidade”, aponta Sergio.
Além de representantes da sociedade civil e dos poderes judiciários e executivos de Brasil, Uruguai e Argentina, também estiveram presentes os decanos e professores da Escola de Direito e da Indústria Criativa da Unisinos.

Os palestrantes Marcelo Rech, presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Caetano Cuervo Lo Pumo, chefe da Procuradoria Regional da República, e Marcelo Beckhausen, desembargador do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul, discutiram sobre a liberdade de imprensa como um direito da sociedade.
Para enriquecer o debate, Marcelo destacou o conceito de “desertos de notícia”, ou seja, locais do Brasil que possuem pouco espaço para a atividade jornalística, em que se vê a “morte” de jornais. O presidente da ANJ considera essa uma grande ameaça para o jornalismo profissional, e falou sobre as redes terem se tornado um campo de batalha que acaba dando espaço para o estímulo ao extremismo.
A decana da Escola da Indústria Criativa (EIC) da Unisinos, Laura Dalla Zen, mediou o painel sobre liberdade de expressão. A professora destacou que a temática da desinformação e da pós-verdade já está sendo muito debatida na Universidade e, inclusive, deverá orientar os trabalhos da academia em todas as dimensões pelos próximos anos. Por isso, para ela, é muito importante o evento ser sediado aqui, neste momento.
A mesa também foi composta por autoridades como o vice-prefeito de Porto Alegre, Ricardo Gomes, e o desembargador do TJ-RS, Jaime Weingartner. Assim como o advogado Gustavo Paim, todos comentaram sobre como as redes sociais acabam, de certa forma, ameaçando a democracia. Temas como os debatidos no evento são complexos e, justamente por isso, demandam um olhar transdisciplinar, segundo Laura. “São visões distintas de um mesmo problema. É isso o que faz a universidade ser universidade. Esse é o espaço para essas tensões.”

Entre as autoridades presentes na mesa de debate, o delegado de polícia do Departamento Estadual de Investigações criminais Luís Firmino explicou sobre a chamada ciberpirataria ou pirataria digital: “É a comercialização ou distribuição de conteúdos digitais que possuam direitos intelectuais, conhecidos como copyright”. Luís também mencionou a existência das boxs e IPTVs, aparelhos de transmissão clandestina de conteúdo de televisão paga e streamings.
Ele explicou que o uso dessas ferramentas é uma forma de pirataria, e contribui para a violação de direitos autorais, impactando não só as grandes empresas, mas também pequenos criadores e até mesmo as nossas vidas. Isso porque alguns sites com transmissão gratuita de pirataria coletam nossos dados, que podem ser utilizados para fraudes virtuais, por exemplo. “O brasileiro tem uma moralidade seletiva”, encerra o delegado.
O decano da Escola de Direito da Unisinos, Miguel Wedy, mediou a mesa e relatou, de forma entusiástica, que “a democracia cresce com a pesquisa, o debate e a troca de ideias que irão afetar o nosso futuro”. Segundo ele, “o evento foi fundamental para debater temas relevantes que exigem a participação de profissionais do Direito, das Comunicações, da Academia, de instituições públicas e privadas, pois só assim teremos avanços nessas matérias”.
A última mesa deu espaço para a visão da Indústria Criativa, representada pelas professoras Maria Clara Aquino e Taís Seibt. Maria Clara, uma das fundadoras do Instituto de Cultura Digital (ICD) da Unisinos, comentou sobre uma pesquisa desenvolvida por sua equipe em parceria com o DigiLabour. O trabalho revelou que o que parecia ser fruto de Inteligências Artificias (IA) nas plataformas, era, na verdade, feito por humanos. Trata-se de “plataformas parasitas” de fazendas de cliques que oferecem trabalhos através de micro tarefas, como se fossem “vagas de emprego”. Essas tarefas são curtir e engajar posts em troca de dinheiro – mas por um valor “miserável”: menos de 1 centavo por ação, segundo Maria Clara. A pesquisa virou matéria no Nexo Jornal, e você pode conferir com mais detalhes aqui.
Taís Seibt ressaltou a importância de a universidade receber debates como esse, e o quanto é significativo ser membra do ICD e discutir temas a partir do campo da Comunicação. “Muitas vezes, os legisladores e os julgadores pensam a regulação sem ter uma visão mais abrangente, a de que as plataformas não são neutras. Há uma questão de mercado e de poder que impacta o jornalismo e, consequentemente, a democracia. Precisamos falar muito mais do que somente sobre o conceito de desinformação em si, sobre o que é verdade ou não. Precisamos falar, sim, sobre toda a estrutura desse ecossistema informacional.”

Laura Dalla Zen contou com exclusividade ao Mescla que deve se desenrolar, em breve, uma parceria entre o Instituto de Cultura Digital e a Certal para fortalecer a intersecção de temas complexos como o da conferência.
Com uma gama de diversos pontos de vista, a conferência atingiu o objetivo de Pablo Scotellaro, presidente executivo da Certal, formado em Ciências da Comunicação pela Universidad de la República: o de gerar um diálogo com pessoas que têm a capacidade de transformar. “Foi uma tentativa de entender todos os fenômenos da telecomunicação, que é o fator mais integrador que existe. Queremos nos unir e aprender ainda mais com o Brasil”, encerra o uruguaio.
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“As premiações universitárias representam o reconhecimento da qualidade dos trabalhos produzidos em sala de aula. Elas não são o propósito destes trabalhos, mas ajudam a fazer a produção dos alunos circular para fora da comunidade universitária”, assinala a coordenadora do curso de Jornalismo de Porto Alegre, Débora Gadret. Para a professora, além de muitos cursos reconhecerem a participação em premiações como horas complementares (verifique a grade de horas do seu curso), elas contribuem para a construção do portfólio do aluno e o coloca em contato com profissionais da área.
Visão compartilhada pelo coordenador do curso de Design de Produto, André Canal Marques, que já havia promovido a discussão sobre a importância da participação dos estudantes em premiações durante a comemoração dos 10 anos do tecnólogo. “É uma forma de valorizar e incentivar os jovens a iniciar sua carreira, muitas vezes com uma premiação e reconhecimento do mercado”, acrescenta. Anaís Bertoni, coordenadora de Publicidade e Propaganda, complementa esse pensamento ao apontar que a participação de alunos da graduação em premiações possibilita que o mercado mapeie novos talentos.
“Ao reconhecer o trabalho desenvolvido pelo estudante, a premiação o motiva a sempre buscar o melhor resultado. Para as Instituições de ensino superior, os trabalhos de seus alunos inscritos em premiações podem identificar o resultado de práticas exitosas realizadas pelos professores em sala de aula, sendo motivo de orgulho de uma formação que intenta o reconhecimento profissional de alunos e egressos”, conclui Anaís.
Em 2020, o Mescla fez uma matéria sobre a presença de alunos e egressos do curso de Realização Audiovisual (CRAV) no 48º Festival de Cinema de Gramado. No texto foi apresentado o curta-metragem de animação ‘Sopa Noir’, uma comédia policial vegetal, onde o Detetive Berinjela investiga o assassinato de Chuchu. Naquela época, a seleção do filme para o evento foi descrita por Beatrice Petry Fontana, diretora e roteirista da obra, como o reconhecimento do esforço da equipe e a mostra de um bom encaminhamento profissional.
Na premiação daquela edição do Festival, que ocorreu na noite de 27 de agosto, a equipe recebeu a notícia que, dentre os curtas gaúchos selecionados, eles levaram “Melhor Direção de Arte”. “Foi incrível! Não era algo que eu e meus colegas estávamos esperando. Estávamos tão contentes com a participação do curta na mostra gaúcha que até esquecemos da possibilidade de ganhar algo, mas sem dúvida ficamos muito felizes”, relembra Alice Sperb, diretora de arte da produção ao lado de Thiago Dorsch.

Egressa do CRAV desde 2020, Alice, conta que enquanto o curta ainda estava sendo realizado sua inscrição em premiações já era uma possibilidade considerada, afinal, o curso de Realização Audiovisual da Unisinos já tem a tradição de incentivar que os curtas dos alunos participem de festivais. Para a ex-craviana apenas ter sido selecionada já havia sido uma ótima oportunidade para mostrar o trabalho da equipe, principalmente se tratando do início de muitas trajetórias na área.
Alice já havia participado de outras premiações, inclusive ainda no 48º Festival de Cinema de Gramado com o filme Rufus (2020), do qual foi coprodutora, ela enxerga essas participações como a abertura de um leque de oportunidades, profissionais, acadêmicas e pessoais “É algo que ajuda como uma validação pessoal, um incentivo de que se está trilhando o caminho certo”, totaliza.
A seguir você pode acessar uma pequena curadoria de outras produções do Portal Mescla nos últimos anos que narram a presença de alunos da Escola da Indústria Criativa em premiações da área. Confira:
Um filme que trabalha a comunicação entre gerações e um terror alegórico sobre uma entidade que ninguém mais vê. Essas foram as produções realizadas por alunos da Unisinos que concorreram no Festival de Cinema de Gramado de 2019. ‘É assim que você parece‘ (2018) e ‘Who’s that man inside my house‘ (Quem é esse homem dentro da minha casa) (2019), respectivamente, estavam entre os 20 curtas-metragens gaúchos selecionados para aquela edição do Festival.
As produções contam enredos com temáticas distintas e refletem a vontade de seus idealizadores de contarem uma história. “É muito legal ver curtas universitários competindo com cineastas experientes dentro dessa mostra”, comentou Daniela Mazzilli, coordenadora de conteúdo do 47º Festival de Cinema de Gramado. Veja no Mescla o “Por Trás das Câmeras” das produções e conheça seus realizadores.
“80% dos crimes virtuais investigados no RS estão ligados à pedofilia“. Tire um momento para assimilar essa informação.
[pausa para respiração]
Esse é o título da matéria produzida por Caroline Tentardini e Luana Rosales, da turma de Jornalismo Investigativo de 2019/1. A reportagem foi premiada na categoria Reportagem Universitária do Prêmio Jornalismo Ministério Público do Rio Grande do Sul. A produção trouxe para o público uma abordagem que, como contou Caroline, nenhum outro meio de comunicação havia realizado, inclusive sendo republicada em outros sites.
“É um sentimento muito bom de reconhecimento do nosso trabalho, de saber que estamos fazendo algo de qualidade e relevante. Ter esse aval de pessoas que entendem de jornalismo e desse tema jurídico representa um reconhecimento sincero de que a matéria está bacana”, revelou Luana. Veja no Mescla mais detalhes sobre a matéria das estudantes e como se deu seu processo de produção.
Em 2020, 4 projetos do curso de Design da Unisinos foram reconhecidos pelo Prêmio Bornancini de Design. Trabalhando com diferentes ideias que iam do uso do design na construção de novas concepções de ambientes em hospitais e na Agência Sicredi Unisinos de São Leopoldo, até a conscientização sobre doações de órgãos e confecção de uma embalagem de brinquedo mais integrada na brincadeira, as propostas entregaram um conceito de design consciente e sustentável, onde algo muito além do físico é pensado.
Os trabalhos concorreram em diferentes categorias do Prêmio e refletiram os ideais de seus realizadores durante a produção. Julia Accorsi, cujo TCC “Redução do medo da morte através do design: um estudo para o bem-estar de acompanhantes de pacientes terminais” ganhou primeiro lugar na categoria Design Estratégico (estudante) contou: “Tive muita sensibilidade e dedicação neste trabalho e o prêmio foi meio que um bônus”. Veja no Mescla a história por trás desse e dos outros projetos concorrentes.
A experiência de participar de uma premiação vai além de ter trabalhos reconhecidos, é também vivenciar a estrutura e a dinâmica planejada para um evento único – perdão pelo trocadilho. Em 30 de outubro de 2018 aconteceu o último (até então) Prêmio Unicos Unisinos, com mais de 300 estudantes presentes. Uma noite marcada por performances talentosas e o reforço à diversidade.
A última apresentação do evento foi feita pela Drag Queen Biscuit. “Acho que o poder da arte, tanto drag quanto de outra forma, é muito forte e capaz de mudar o mundo aos poucos. Eu agradeço ao Prêmio Unicos por permitir que eu levasse a minha arte para as pessoas e poder sentir a animação do público vibrando junto comigo”, contou a artista ao Portal. Veja no Mescla mais detalhes sobre as apresentações do evento – enquanto esperamos poder viver isso novamente em breve.
A seguir você pode conferir uma lista com algumas premiações que podem interessar aos estudantes da Escola da Indústria Criativa. Nem todas tiveram seu calendário para o ano de 2022 divulgado, mas podem ser um bom ponto de partida para conhecer novas oportunidades.
Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo (OAB/RS)
Prêmio Jornalismo Ministério Público do Rio Grande do Sul
Prêmio Themis de Jornalismo (Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul)
Prêmio de Jornalismo Ambiental (SEMA/FEPAM)
Prêmio Adelmo Genro Filho de Pesquisa em Jornalismo (SBPJor)
Prêmio Bornancini
Prêmio Salão Design
Prêmio Design Museu da Casa Brasileira
Design for a Better World do Centro Brasil Design
Taiwan International Student Design Competition
Prêmio Brasil Sul de Moda Inclusiva
* Caso você conheça alguma premiação e acha que ela deveria ser incluída nessa lista, por favor, nos mande um email ou direct no instagram (@portalmescla) com a #premiaçõesEIC. Queremos que essa lista se torne cada vez maior e que os trabalhos que produzimos ganhem cada vez mais visibilidade!
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Não é a primeira vez que a disciplina realiza um trabalho em conjunto com a instituição. No segundo semestre de 2019, estudantes criaram a campanha #tánamão, que salientava a importância da higienização das mãos no controle de infecções. Desta vez, a parceria surgiu a partir de duas demandas: o aniversário de 77 anos do hospital e as dificuldades advindas da pandemia de Covid-19. Com a chegada do coronavírus, o HPS teve que abrir leitos para atender os pacientes infectados. Até então, o atendimento se concentrava em urgências, emergências e traumas.
Com os setores de UTI e Enfermaria precisando receber também os pacientes de Covid-19, o trabalho, que já era intenso, ficou mais difícil. Com o êxito do #tánamão, a enfermeira chefe de Controle de Infecção Hospitalar, Marcelle Schettert, entrou em contato novamente com o professor Guilherme Caon. “Ela queria fazer algo para o aniversário do hospital. E queriam, ainda, valorizar a dedicação dos profissionais. A Marcelle contou que a moral deles estava lá embaixo”, explica Caon.
O professor lembra que a turma pensou em mostrar a importância do que é feito pelos profissionais do HPS, que permitia a continuidade de muitas vidas. A partir desse conceito, os alunos começaram a procurar formas com que os funcionários do HPS pudessem enxergar o resultado do trabalho realizado. “Uma vida que continuou, uma história. Por exemplo, o cantor Nei Lisboa recém tinha sido atendido lá. Ele fez um depoimento para a gente”, destaca Caon. Assim surgiu a campanha “127 mil vidas, 127 mil histórias”, em alusão ao número de pacientes que passaram pelas mãos dos profissionais de saúde da instituição no último ano.
Essa ideia não foi a primeira proposta, no entanto. Segundo Marcelle, inicialmente, a ideia era fazer uma nova campanha de higienização de mãos, mas, em função dos prazos, não foi possível. “Então, pensamos em um projeto maior, que seria para o ano todo, para o aniversário do hospital. O professor fez a proposta para a turma, e aí veio aquela chuva de ideias”, conta a enfermeira chefe. “A proposta que escolhemos era falar do número de vidas que o hospital salva durante o ano todo. Estamos comemorando 77 anos do HPS, e também comemorando 127 mil vidas salvas. Trouxemos mensagens de pessoas que passaram pelo hospital, depoimentos, tudo isso para os funcionários terem conhecimento da grandiosidade do trabalho deles”, observa Marcelle.

Para ela, o resultado da parceria com a Unisinos é importante para ambos os lados. “Sempre é muito bom, ainda mais com um curso que não é ligado diretamente à área da saúde. Foi bem produtivo, tanto para nós, que temos materiais e propostas, quanto para os alunos, que trabalham com um cliente ‘real”.
A campanha conta com materiais impressos, espalhados pelo HPS, e online, publicados pelas redes das equipes e de pacientes. Entre as peças, banners, publicações institucionais e posts com depoimentos dos pacientes.

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