Notice: Function _load_textdomain_just_in_time was called incorrectly. Translation loading for the wp-mailinglist domain was triggered too early. This is usually an indicator for some code in the plugin or theme running too early. Translations should be loaded at the init action or later. Please see Debugging in WordPress for more information. (This message was added in version 6.7.0.) in /home/agexcom/mescla.cc/wp-includes/functions.php on line 6170
Arquivos TEDxUnisinos - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/tedxunisinos/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Wed, 09 Nov 2022 18:32:29 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.4 TEDxUnisinos marca a volta da presencialidade do evento anual https://mescla.cc/2022/11/09/tedxunisinos-marca-a-volta-da-presencialidade-do-evento-anual/ https://mescla.cc/2022/11/09/tedxunisinos-marca-a-volta-da-presencialidade-do-evento-anual/#respond Wed, 09 Nov 2022 18:32:26 +0000 http://mescla.cc/?p=17152 *Por Laura Santiago, Gabriel Ferri, Marília Port e Paola De Bettio Com a apresentação de Onília Araújo, que é empreendedora social, contadora e ativista em diversidade sobre raça, gênero e LGBTQIA+ e Lui Nörnberg, que é professor universitário e psicólogo em formação, homem translatinoamericano, como se define, e Investigador da temática “Outras Docências e Outros […]

The post TEDxUnisinos marca a volta da presencialidade do evento anual appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
*Por Laura Santiago, Gabriel Ferri, Marília Port e Paola De Bettio

Com a apresentação de Onília Araújo, que é empreendedora social, contadora e ativista em diversidade sobre raça, gênero e LGBTQIA+ e Lui Nörnberg, que é professor universitário e psicólogo em formação, homem translatinoamericano, como se define, e Investigador da temática “Outras Docências e Outros Sujeitos”. O tradicional TEDxUnisinos retornou à modalidade presencial, o que inspirou o tema desta edição: “Recomeços”, já que estamos vivendo um “começar de novo”. Em razão da pandemia de Covid-19 as edições de 2020 e 2021 ocorreram em formato remoto.  


Ao todo, 13 speakers de diferentes áreas, como educação, especialistas nas temáticas ambientais e sociais, Indústria Criativa, entre outros, que envolveram o público com suas histórias pessoais que mudaram suas perspectivas sobre o mundo. A equipe do Mescla acompanhou essa rodada de palestras que ocorreu na última sexta-feira, 28, e te conta
um pouco mais sobre algumas das histórias que passaram pelo palco.    




Lui (a esquerda) e Onília (a direita) durante uma conversa entre convidados (Foto: Gabriel M. Ferri) 



Paulo Fochi  

O público do TEDxUnisinos já conhecia Paulo Fochi, mas como mestre de cerimônias do evento em outras edições. Nesta edição ele retorna ao palco como convidado para falar sobre a infância e educação. Paulo é pedagogo, doutor em Educação (USP), membro da Associação Criança (Braga, Portugal), pesquisador colaborador do Programa de Pós-Graduação em Educação, professor e coordenador do Curso de Especialização em Educação Infantil (Unisinos), além disso é também fundador e coordenador do Observatório da Cultura Infantil. 


Com a pergunta inicial “qual é a história do seu começo”, o professor da Unisinos resgata sua própria trajetória no caminho da educação, em especial a infantil, – para relembrar as singularidades das crianças nas quais os adultos muitas vezes ignoram ou menosprezam.  


Paulo ainda falou sobre o chamado “Direito à beleza”, sobretudo em instituições públicas. Isso porque toda e qualquer criança merece ter acesso a um espaço que a acolha, a escute e a compreenda e que ainda assim possa ser um ambiente colorido e agradável.


Seguindo para o encerramento o professor enfatiza que “as crianças concretizam essas constelações que dançam, cantam e fazem chover e temos um compromisso no mundo que vamos deixar para elas”, ou seja, as crianças carregam pureza e precisamos nos preocupar em entendê-las e fazer com que o mundo que as cercam seja um lugar acolhedor. 


Paulo foi o último speaker do primeiro bloco (Foto: Gabriel M. Ferri) 


Isaac Schrarstzhaupt 

Isaac é pesquisador, graduado em Processos Gerenciais, e, atualmente, trabalha de forma voluntária como analista de dados de saúde pública para a Rede Análise, uma rede nacional de pesquisadores em prol da informação. Durante o período mais difícil da pandemia de Covid-19, ele foi uma das vozes brasileiras que mais engajavam no Twitter no contexto da, segundo o estudo feito pelo IBPAD/Science Pulse. 


Isaac trouxe para o palco do TEDxUnisinos a necessidade da comunicação assertiva, em particular relacionada as pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA)- como é o seu caso. Diagnosticado já na fase adulta, o palestrante contou quais eram suas principais dificuldades o que faz diariamente para superá-las.   


O speaker fez uma analogia usando a tecnologia para explicar a mente humana. A chamada memória RAM, responsável pelo armazenamento de conteúdo, é finita. Ou seja, quando chega ao seu limite pode fazer com que o dispositivo fique mais lento e demore a responder, assim como ocorre com o cérebro humano. Isaac disse ainda que no seu caso, a comunicação e a interação social são algumas das coisas que podem esgotar essa “memória”. 


Mas então como lidar com essa dificuldade? O pesquisador percebeu que a partir das narrativas do storytelling com dados, ele conseguia traduzir aquilo que era fácil para ele, e difícil para os demais. Além disso, entendeu que algumas características e até exigências do mundo moderno, como análise de dados, gestão de riscos e planejamento “são habilidades desenvolvidas para compensar um mundo ao qual não nos encaixamos ‘naturalmente’”. 


Ao encerrar, Isaac lembrou que para melhorar nossa comunicação devemos começar ouvindo justamente aqueles que têm  dificuldade em se comunicar. 



Franciele Reche 

Fome. Sob essa realidade desumana, sobrevivem mais de 33 milhões de pessoas no Brasil hoje. Este foi o assunto central da palestra proferida por Franciele Reche, mestra em Indústria Criativa, especialista em Ensino e graduada em Gastronomia. Franciele também é ativista e membro do Fórum Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável do RS. 


Franciele trouxe dados que caracterizam o Brasil como o país da fome – apesar da imensa quantidade de alimento produzida no país. Em um panorama em que o alimento tão controversamente assume o protagonismo de uma história de desnutrição, ela entende que é urgente entender o caráter político da comida.


Nessa batalha, Franciele ajudou a construir cozinhas e hortas comunitárias em comunidades de inacreditável precariedade. “Não foi uma, nem duas, nem três mulheres com quem conversei que deixavam de comer para alimentar os filhos”, relembra. A ativista em sustentabilidade alimentar combate uma dor que ela própria não sente e nunca sentiu. Mesmo assim, essa luta se transformou em seu propósito de vida.  


A comida traz dignidade, como Franciele diz. É o básico, um direito fundamental, mas mais de 33 milhões de vozes invisibilizadas política e socialmente. Derrotar a insegurança alimentar é um projeto de vida, porque garante a existência a quem o mínimo é negado. Não dá para normalizar, ignorar, conformar. Afinal, “gente é pra brilhar, não pra morrer de fome”. 


Franciele durante sua fala sobre a fome e trabalhos comunitários. (Foto: Gabriel M. Ferri) 



Itanajara Almeida 

A empresária Itanajara Almeida deu início a sua fala através de um questionamento profundo sobre o que nós, o público, fazemos para oportunizar o acesso de mulheres negras ao mercado de trabalho.  


Itanajara é diretora da Odabá, Associação de Afroempreendedorismo, conselheira do Conselho de Participação e Desenvolvimento das Comunidades Negras do RS e coordenadora financeira do Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana


Tudo começou com o seu salão de beleza, especializado em cabelos crespos e cacheados, que há décadas é referência no RS. Com a baixa procura de clientes negras, ela percebeu a dificuldade de acesso ao mercado de trabalho enfrentada por essa parcela da sociedade, e passou a refletir sobre as possibilidades de intervir nessa realidade. 

Assim surgiu o Embelezamento Popular, um projeto voluntário e profissionalizante na área da estética. Com todos os obstáculos para a manutenção da rotina de uma ONG, a oportunidade de expor o trabalho na televisão pareceu ser a chance fundamental para arrecadar apoiadores.  


Itanajara oferece uma dura reflexão sobre a importância das grandes empresas apoiarem projetos desse tipo para oportunizar o acesso de mulheres negras ao mercado de trabalho. Foi uma fala pontente que provocou uma sensação de desconforto na platéia, ingrediente importante para manter o público atento e sensibilizado. 



Itanajara apresentando a iniciativa de Embelezamento Popular (Foto: Gabriel M. Ferri) 



Gisele Tertuliano  

Gisele foi a quarta “speaker” (palestrante) e já de início questionou: “Quem define o que é padrão?”. Gisele Tertuliano é enfermeira e Cientista Social, Doutora em Saúde Coletiva e professora na Unisinos. Ela integra o Grupo para a Promoção da Equidade de Cachoeirinha (RS) e é membro técnico do Grupo de Pesquisa de Interseccionalidades, Equidade e Saúde da Unisinos.  


Gisele é também modelo fotográfica de campanhas comerciais. Alta, negra, de cabelos raspados, é de uma beleza que não passa despercebida. Durante a palestra, contou que cresceu adorando rádio, TV e revistas adolescentes, e que sonhava em ser capa de uma um dia, apesar de ter poucas referências de jovens negras nestes espaços. Até que foi com a mãe a uma escola de formação de modelos, “numa tarde de verão no centro de Porto Alegre”. Lá, ouviu que que “o seu biotipo não era o padrão”. Se decepcionou, mas a “alma de artista” não morreu ali, já que tocava piano e fazia apresentações com um grupo vocal.

Em 2014,ao ver  Lupita Nyong’o, que também tinha cabelos raspados, recebeu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, por “12 Anos de Escravidão”,  sua relação com o cabelo, e consequentemente, com a autoestima melhorou.


Além disso, ela que chegou vestida em uma espécie de kimono, feito pela marca de uniformes com estampas afros da Alyne Jobim, que estava na plateia, assistindo as falas da Itanajara, “speaker” anterior, e da Gisele emocionada. Aline contou que convidou Gisele pra ser modelo da sua marca e foi ali que descobriu que esse era o sonho da Gisele. “É toda uma vida em busca da autoaceitação, da busca pela identidade”, afirmou Gisele neste momento. 


“Aqui estamos, momento de incerteza, mas com uma certeza: sobrevivemos. Mudança abrupta na rotina e a certeza de que hábitos e atitudes precisam mudar”, assinalou. Em sua fala, ela contou que seguiu a vida através da escolha de cuidar: “Eu escolhi cuidar: cuidar dos outros e cuidar de tantas pessoas, e cuidar, também, para que essas pessoas cuidem de nós” e logo emendou “Cuidado é um exercício de responsabilidade, de ética, de amor, de compaixão e de amor-próprio”.  


Para concluir, lembrou que teve poucas alunas negras no ensino técnico e na graduação, e lembrou de uma em especial, a Tati, que veio do Haiti e sonhava em ser enfermeira. Para ela, essa é uma boa história de Recomeço. Dessa forma, ela encerrou com uma frase da filósofa negra e norte americana Angela Davis: “Quando uma mulher negra se movimenta, toda a sociedade se movimenta com ela”. 



 

Gisele e seu questionamento: “Quem define o que é padrão?” (Foto: Gabriel M. Ferri) 



Rafael Mello – Sarah Vika 

Rafael é publicitário com mais de uma década de experiência e realizou o TCC sobre a construção de uma persona drag. Ele foi o segundo “speaker”. Ao ser apresentado, os mestres de cerimônia disseram que  ele “alimenta sua criatividade” através da arte drag. A Sarah Vika é a sua personagem há cinco anos, e hoje é o principal ativo da sua carreira. 

Rafael chegou ao palco já com a pergunta: “Se você pudesse ser outra pessoa, quem você seria?”. Ele contou sobre como a escolha profissional somado ao fato de ter se descoberto  LGBTQIA+, o que fez a escolha profissional ser mais difícil, já que sentia poucas opções onde seria acolhido. “O Brasil é o país que mais mata LGBTQIA+, a gente tem muito medo de sofrer inúmeros tipos de violência, e dentro do ambiente acadêmico ou da carreira profissional, isso não é diferente, só vem mais velado”, afirmou. 


Como Rafael sempre foi muito comunicativo, o que, segundo contou, trouxe problemas na época da escola, ele sentiu que a área da Comunicação era um bom caminho. “Mas nessa trajetória de comunicador, enquanto publicitário, em alguns momentos eu sentia que eu não estava comunicando exatamente o que fazia sentido pra mim”, afirmou ao contar que muitas vezes trabalhou para campanhas que iam contra o que ele acreditava e o legado que ele queria deixar.  


“Peças lindas na rua? Bacana, mas isso de fato faz as pessoas refletirem sobre quem a gente é?”, questionou. Em 2012 ele conheceu a série RuPaul’s Drag Race, da Netflix, e para ele foi um recomeço e transformou a sua existência. Foi a série que fez ele se questionar o que ele seria se não fosse o Rafael. “Eu acho que daqui a pouco vocês vão descobrir”, brincou.  



Sarah Vika 

E eis que a última pessoa a subir no palco foi Sarah Vika. “Quando eu descobri que se eu pudesse ser outra pessoa eu seria uma drag queen, foi quando a minha vida recomeçou e finalmente entrei em contato com quem eu era e sou”, afirmou Rafael/ Sarah. A personagem tem 33,8 mil seguidores no Instagram, integra diversas campanhas publicitárias, além de ter participado do “Queen Stars” da HBO Max Brasil e do programa SuperBonita do GNT.  


“Drag queen nada mais é do que uma performance artística de gênero, onde indivíduos, sendo homossexuais ou não, resolvem performar por algumas horas a vivência do outro gênero, muitas vezes de forma exagerada, ou de forma artista ou questionadora”, explicou. Rafael/ Sarah também explicou a origem do termo “drag”. Ele contou que fez seu trabalho de conclusão de curso sobre a criação de uma persona drag. “Porque foi essa arte, com essa liberdade poética do ser drag, que fez eu me tornar quem eu sou hoje. E a liberdade poética do ser drag acontece a partir do momento que a gente monta essa caricatura, a gente cria essa imagem.”  


Dessa forma, é possível encantar os outros, segundo ele, e além disso, transformar de alguma forma, também. “Afinal de contas, quem eu queria ser? Era aquele menino que sempre era muito conversador nas aulas e que recebia bilhetes na agenda? Não, mas ele, com certeza, tinha muito a falar, e foi através dessa arte que ele descobriu que ele podia falar e ser ouvido.”  



Rafael no primeiro momento em que subiu ao palco e sua foto como Rafael e Sarah (Foto: Gabriel M. Ferri) 



Felipe Menezes 

Quais são suas melhores memórias do futuro? Foi assim que Felipe Menezes abriu a primeira palestra do TEDxUnisinos 2022. Felipe trouxe reflexões e pensamentos sobre os estudos dos futuros e como essa vontade de entender o que vem pela frente o motivou a mergulhar de cabeça no tema. 


Felipe em 28 de outubro de 2012, 10 anos atrás da data do TEDxUnisinos pasava por dificuldades na vida pessoal, em curto intervalo de tempo o pai faleceu, seu carro e celular foram assaltados e a esposa com complicações no parto do segundo filho, tudo isso perto de seu aniversário. No meio disso tudo, uma revista com a manchete A Fábrica do Futuro. “Eu devorei aquela matéria e fiquei encantado com a perspectiva que trazia sobre o futuro super tecnológico e a gente nem tinha certeza sobre isso, eu só sabia que precisava saber mais desse futuro que tá vindo”. 


Além de envolver-se com assuntos como a impressão 3D e a realidade virtual, Felipe descreve a tecnologia como apenas um meio para atingir o objetivo. Nos estudos dos futuros destaca o tema dos tempos pós normais, onde as regras antigas não valem mais, novas regras ainda não foram criadas e nada parece fazer sentido, trazendo essa reflexão para o tempo atual que vivemos. 


Trazendo o conceito de cones de futuros, um pensamento onde tudo pode acontecer, Felipe contextualiza que o futuro não existe, por isso há a pluralidade e a possibilidade de se pensar em mais de uma coisa ao mesmo tempo. A palestra finalizou com um convite à uma reflexão, onde nos imaginamos em 2052, 30 anos no futuro.  


O Mescla já abordou anteriormente o assunto de estudos dos futuros em entrevista com Kim Trieweiler, se quiser saber mais clique aqui. 



Felipe foi o primeiro convidado (Foto: Gabriel M. Ferri) 


João Becker 

Os desafios do recomeço, foi o que João Becker compartilhou com as pessoas presentes no TEDxUnisinos. João tinha 20 anos quando caiu de uma altura de 10 metros, resultando em uma fratura na 9ª vertebra torácica e rompimento completo da medula, além de seis costelas quebradas e o pulmão perfurado, foram 21 dias na UTI em 2018. 


Após o diagnóstico de que não voltaria a andar começaram os pensamentos sobre o desafio que seria a readaptação, tanto fisicamente quanto psicologicamente. “Eu me lembro que eu olhava para uma janela que tinha movimento da cidade e eu ficava refletindo, como é que vai ser a minha vida na cadeira de rodas? Será que eu vou conseguir fazer as coisas mais amei? Será que eu vou ter a autonomia que eu sempre prezei?” 


João conta que os primeiros desafios começaram depois da alta do hospital, a autonomia era limitada e era necessário a ajuda constante de alguém, uma perda na privacidade. Aos poucos João ia readquirindo a independência, através da reabilitação em um hospital especializado em São Paulo, o Lucy Montoro. Ao voltar à Porto Alegre ingressou na fisioterapia, e em alguns esportes. Pouco a pouco a autonomia ia retornando. 


Apesar dos avanços na fisioterapia, o objetivo era voltar a andar, o que estava longe. Após estudos e contato com médicos descobriu um novo tratamento chamado estimulação neural, que consiste na implantação de 15 eletrodos diretamente na coluna e a aplicação de pequenas descargas elétricas para realizar um mapeamento das ligações presentes. Com ajuda de amigos conseguiu o apoio financeiro para ir ao México e fazer a cirurgia, “já na primeira semana eu conseguia mexer as pernas de maneira voluntária, a primeiras vezes três anos. Era inacreditável porque me disseram que era impossível. Eu tava provando para muita gente que nada é impossível.” 


João termina a sua trazendo a informação que, segundo o IBGE, no Brasil cerca de 45 milhões de pessoas têm alguma deficiência, quase 20% da população. “tem todo um processo físico para se adaptar pro mundo e é muito difícil. Precisar se adaptar para chegar lá e quando tu chega, é um problema, porque a gente tem muitas barreiras. Tem a barreira física que é a falta de visibilidade e as barreiras invisíveis que é o preconceito, o capacitismo e a falta de empatia.” No final, joão convida o mundo a se adaptar as pessoas com deficiência, assim tornando o mundo um pouco mais acessível. 



João fez uma retrospectiva da sua vida desde o acidente (Foto: Gabriel M. Ferri) 



Ficou curioso de como foi todo o evento? Clica neste link e aproveite para conferir na íntegra. 



The post TEDxUnisinos marca a volta da presencialidade do evento anual appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
https://mescla.cc/2022/11/09/tedxunisinos-marca-a-volta-da-presencialidade-do-evento-anual/feed/ 0
Tempo de discutir “o tempo” https://mescla.cc/2020/08/12/tempo-de-discutir-o-tempo/ https://mescla.cc/2020/08/12/tempo-de-discutir-o-tempo/#respond Wed, 12 Aug 2020 19:32:09 +0000 http://mescla.cc/?p=13665 Na tarde do dia 6 de agosto, os professores da Unisinos Gabriela Gonçalves e Paulo Fochi abriram as apresentações do TEDxUnisinos anunciando o tema do evento deste ano: “um novo tempo”. A equipe de organização já havia definido em 2019 que os speakers (palestrantes) abordariam em suas talks (falas) a temática. Mas nem de longe […]

The post Tempo de discutir “o tempo” appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>

Na tarde do dia 6 de agosto, os professores da Unisinos Gabriela Gonçalves e Paulo Fochi abriram as apresentações do TEDxUnisinos anunciando o tema do evento deste ano: “um novo tempo”. A equipe de organização já havia definido em 2019 que os speakers (palestrantes) abordariam em suas talks (falas) a temática. Mas nem de longe poderiam prever que estaríamos realmente vivendo “um novo tempo”. 

Distante fisicamente da plateia – mas igualmente inquietante –, a 10ª edição do TEDxUnisinos, dividida em dois dias, foi pensada para não abandonar o palco, elemento tradicionalmente presente nas talks. Era dele, do palco do Teatro Unisinos Porto Alegre, que Gabriela e Paulo chamavam os speakers, que surgiam em uma imensa tela, via Zoom, e mobilizavam o público, que acompanhava tudo igualmente via aplicativo. Logo no início, a plateia virtual foi convidada a imergir em pensamentos e questionamentos: “quem era você em 2019?”, “quanto tempo você tinha?”, “quanto tempo você tem agora?”

Teatro Unisinos sem plateia física: o TEDxUnisinos foi apresentado pelos professores Gabriela Gonçalves e Paulo Fochi (Foto: Felipe Nogs/TEDxUnisinos)

“Você tem medo porque me conhece,
ou me conhece porque tem medo?”


-Valéria Barcellos

Os ventos que sopram a favor da diversidade promoveram as apresentações dos convidados, realizadas no formato de audiodescrição. “Dulce Ribeiro, mulher cis, branca, de 66 anos”, anunciou a locução, dando início às talks. Professora, mestra em Antropologia das Organizações e estudiosa do desenvolvimento humano, ela falou da impaciência com o tempo das coisas, da intolerância sobre o próprio tempo e o tempo das outras pessoas. “Tudo acontece no tempo que deve acontecer e não no tempo em que desejamos que aconteça”, disse Dulce.

Ricardo Yudi atentou a todos para diferenciar a fome da vontade de comer. Yudi, que é professor do curso de Gastronomia da UFCSPA e sócio do Justo, localizado em Porto Alegre, defendeu que o consumo dos alimentos devem ser realizados de acordo com as fases de colheita. E alerta que estamos colocando os desejos acima das necessidades. “Precisamos tornar a alimentação justa e acessível, para que as inclusões não sejam finitas”, ressaltou. Yudi também é mestre em Design Estratégico e doutorando em Design, ambos pela Unisinos.

Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em Minas Gerais, Ailton Krenak é ativista do movimento socioambiental de defesa dos direitos indígenas e autor dos livros “Ideias para adiar o fim do mundo” e “O amanhã não está à venda”. Ele foi o convidado surpresa da tarde. Diretamente do Vale do Rio Doce, no Estado mineiro, o líder indígena disse que as pessoas falam do tempo sem valorizá-lo. “Dizemos ‘até amanhã’ com a certeza de que ele irá existir. No entanto, não temos como saber com exatidão”, refletiu. Ele encerrou sua participação com um pedido: “Vivam a experiência de cada dia como se fosse um presente”. 

Valéria Barcellos é cantora, atriz, DJ e escritora. Ela começou sua talk lembrando situações de transfobia e medo pelas quais já passou. Mas logo fez um alerta: “Você pode entender o que é, mas nunca vai saber como é”. E seguiu provocando: “quantas pessoas trans você conhece? Quantas vocês já convidaram para um aniversário, para jantar na sua casa?”. Valéria colocou a plateia virtual a pensar: “Você tem medo porque me conhece, ou me conhece porque tem medo?”

Doutora em Informática na Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pesquisadora no Programa de Pós-Graduação de Linguística Aplicada da Unisinos, Eliane Schlemmer falou sobre as maneiras de aprendizagem, como a híbrida, e destacou que a pandemia de Covid-19 evidenciou a forte desigualdade de acesso e a falta de cultura digital nas escolas. “É uma crise generalizada na aprendizagem. Devemos repensar e questionar a maneira como tudo isso vem sendo feito”, ponderou. 

Professora em programas de desenvolvimento e liderança, cofundadora da Ponte – hub de diversidade e inclusão – e do cursinho pré-Enem Morro do Papagaio, em Minas Gerais, Grazi Mendes apontou, em sua fala, números da exclusão: apenas 4% dos executivos brasileiros são pessoas negras, e, desse grupo, apenas 0,4% são mulheres. Grazi disse que se incomoda quando é apontada como exemplo de mérito, quando, na verdade, “é exceção da exceção”. Ela faz parte da primeira geração de mulheres negras que quebrou o ciclo de trabalho doméstico no Brasil, “uma espécie de função hereditária”. “Como aumentar a porcentagem de executivos negros se a cada 23 minutos um jovem preto é assassinado neste país? E a cada quatro minutos uma mulher é agredida? Nosso normal é violento, injusto, desumano e desigual. E ele não vai desaparecer só porque fingimos que não vemos”, afirmou Grazi. Para ela, não precisamos de um novo normal, mas de lideranças mais corajosas para mudar o hoje. 

Walter Kohan é professor titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e cientista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). Walter direcionou sua fala para a educação. Ele questionou a função da escola hoje, comparando-a com a da época em que foi criada, ainda pelos gregos. “A escola se tornou uma instituição moderna, disciplinadora e produtora de sujeitos próprios do sistema capitalista que vivemos hoje”, avaliou. Walter lamentou que a etimologia da palavra grega scholé (tempo livre, tempo próprio para aprender o que se quer) é  bem diferente do sentido produtivista, de tarefa ou imposição, que desinteressa a tantos.

Geólogo, mestre e doutor pela UFRGS, Rualdo Menegat desenvolveu seu estudo com base nos mistérios da civilização Inca, que ergueu a cidade de Machu Picchu, no Peru. Com base em seus conhecimentos, Rualdo explicou como aquele povo se desenvolveu em princípios sustentáveis. “Com eles, podemos aprender como é possível construir respeitando a natureza e as vidas humanas. Entender a diversidade das culturas sul-americanas é fundamental para todos que aqui vivem”.

Para finalizar a tarde de apresentações, a atração cultural foi o compositor e poeta Duda Fortuna. Produtor cultural, Duda apresenta e produz o Sarau Livre

“A vida não é quantitativa, é qualitativa”

-Marília Veríssimo Veronese

No segundo dia de talks, Ana Cláudia Tonelli, médica no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, professora do curso de Medicina da Unisinos e doutora em Cardiologia e Ciências Cardiovasculares pela UFRGS, falou sobre o cuidado e seus contextos no tempo. Ana compartilhou duas histórias vividas por ela em seu trabalho. Em cada uma delas, havia um paciente em estado grave que iam contra as expectativas. “Ele, o paciente, foi quem cuidou dos médicos, seja mantendo a cabeça erguida ao receber más notícias ou contando uma piada que fazia todos rirem, com gosto”, lembrou.

Dirceu Corrêa Júnior apresentou a talk “Economia dos dados e a renda tecnológica compensatória”. Com longa experiência profissional em análise comportamental de consumo, foi o palestrante do segundo dia do TEDxUnisinos que abordou o tema da tecnologia. Dirceu focou mais especificamente no avanço dela com o passar do tempo. “Hoje, temos um uso cada vez maior de dados produzidos pelas pessoas, marcas e empresas”, constatou.

Marília Veríssimo Veronese é doutora em Psicologia Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e pós-doutora em Sociologia no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, em Portugal. Em sua talk, falou da forma como o tempo é medido pelas pessoas. Citando filósofos alemães e músicos brasileiros, Marília questionou o uso da duração de vida de uma pessoa como “régua” para o seu tempo no mundo. “A vida não é quantitativa, é qualitativa”, acredita.

Jornalista formada pela Unisinos, Lelei Teixeira trabalhou em diversos veículos de imprensa e, atualmente, assina o blog “Isso não é comum”, do portal Sul21. Nascida com nanismo, ressaltou a importância de discutir o preconceito com pessoas nascidas com o transtorno, sobretudo em novos tempos. “As pessoas colocam o nanismo como uma questão de superação. Mas o que temos para superar?”, indagou.

Edu O. é professor da Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia (UFBa). Ele questionou sobre a definição estabelecida pela sociedade sobre o que é e não é “normal”, enfatizando a baixa representatividade de pessoas com deficiência física em espaços como o teatro e a dança. Edu, que possui deficiência física, contou que nunca se identificou com os olhares de tristeza que recebia dos “bípedes”, termo utilizado por ele para se referir a pessoas sem deficiências físicas. “Não existe forma de pensar no futuro da humanidade sem incluir as pessoas com deficiências”, afirmou.

Nascido e criado no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, Raull Santiago é ativista e fundador dos coletivos Papo Reto, Movimentos e Perifa Connection, além de fazer parte da Anistia Internacional Brasil. Em sua talk, exaltou o poder da transformação social, enfatizando vivências que ele teve na comunidade da qual se orgulha de ter crescido – e de onde não pretende ir embora. “O que você tem feito para mudar a sociedade e criar um novo tempo?”, provocou.

A última palestrante desta edição do TEDxUnisinos foi Luiza Serpa, publicitária com uma longa trajetória nas áreas de comunicação interna e marketing. Ela é também co-fundadora do Instituto Phi, responsável por apoiar causas sociais. Luiza também falou sobre transformação social e a criação de um novo amanhã, enfatizando a importância das doações para pessoas necessitadas. “Como seria maravilhoso para todos se a generosidade falasse mais alto nos corações das pessoas”, observou.

A atração cultural foi a cantora Rê Adegas, que possui longa trajetória na música. Indicada três vezes ao Prêmio Açorianos de Música, participou do The Voice Brasil, da Rede Globo, em 2018. Adegas, que atualmente mora em Lisboa, trouxe sua bela voz para encerrar o TEDxUnisinos, espalhando energia boa a todos os que estavam conectados no evento.

Desafios

Para Gabriela Gonçalves, organizadora do TEDxUnisinos, foi uma rica experiência preparar esse evento no formato totalmente online, apesar dos muitos desafios. “Recebemos muitas manifestações de carinho e de agradecimento pelo formato acessível e pelo tema escolhido. Já estamos nos preparando para a próxima edição, que ainda não sabemos se seguirá nesse formato ou se, quem sabe, fazê-lo presencialmente”, vislumbra.

Gabriela e Paulo interagem com a plateia virtual (Foto: Felipe Nogs/TEDxUnisinos)

Semana que vem, o TEDxUnisinos iniciará a divulgação dos vídeos gravados de suas talks, que ficarão disponíveis ao longo dos próximos dois meses. Os interessados em acompanhar o lançamento das gravações e demais informações sobre o TEDxUnisinos podem acompanhar as redes sociais do evento no Facebook, Instagram e Twitter.

The post Tempo de discutir “o tempo” appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
https://mescla.cc/2020/08/12/tempo-de-discutir-o-tempo/feed/ 0
11 coisas que a gente amou no TEDxUnisinos 2019 https://mescla.cc/2019/09/03/11-coisas-que-a-gente-amou-no-tedxunisinos-2019/ https://mescla.cc/2019/09/03/11-coisas-que-a-gente-amou-no-tedxunisinos-2019/#respond Tue, 03 Sep 2019 21:16:53 +0000 http://mescla.cc/?p=11206 Por: Bruna Lago, Guilherme Machado, Lisandra Steffen e Josi Skieresinski Agosto terminou top com o TEDxUnisinos 2019, que ocorreu na Unisinos Porto Alegre. O evento, que teve como tema as culturas, ocupou manhã e tarde, reuniu 17 speakers — um deles, uma atração surpresa, que deixou todo mundo animado. Além das talks, que foram acompanhadas […]

The post 11 coisas que a gente amou no TEDxUnisinos 2019 appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
Por: Bruna Lago, Guilherme Machado, Lisandra Steffen e Josi Skieresinski


Agosto terminou top com o TEDxUnisinos 2019, que ocorreu na Unisinos Porto Alegre. O evento, que teve como tema as culturas, ocupou manhã e tarde, reuniu 17 speakers um deles, uma atração surpresa, que deixou todo mundo animado. Além das talks, que foram acompanhadas por uma plateia empolgada, teve também boa música, que “encheu de tons” o teatro. Nós, do Mescla, estávamos lá para cobrir, e o resultado pode ser conferido no Notícias Unisinos. 


Mas, para além da produção de informações, queremos dividir com vocês o que mais chamou a atenção destes repórteres que vos falam. Confere aí uma lista de 11 momentos que marcaram o nosso dia!


1. Um evento em Libras


A diversidade esteve presente durante todo o TEDxUnisinos 2019. Tivemos a Carol, uma speaker surda, que foi recebida pela plateia com aplausos em LIBRAS (a língua dos sinais). E quem precisou de intérprete fomos nós. Aliás, o evento contou com intérpretes de Libras, que arrasaram na tradução das músicas.

Reprodução: giphy

“Foi bem emocionante ver todos usando a língua de sinais para receber a speaker” – Lisandra Steffen 

“Muito lindo poder assistir a talk da Carolina, ainda mais com histórias clássicas sendo recontadas com personagens surdos” – Guilherme Machado

“Libras é uma das línguas oficiais do país e raramente vemos ela sendo usada em primeiro lugar. Está mais do que na hora de mudar isso” – Bruna Lago

“Perceber a falta de pessoas surdas no meu cotidiano foi o que mais me assustou. Pois, não tendo esse contato direto, muitas vezes esquecemos de olhar para necessidades diferentes das nossas e como isso é importante” – Josi Skieresinski


2. “Sou libriano com ascendente em indecisão”


Parece que a indecisão do Guilherme Junqueira começou quando ele não sabia se queria ser educador ou empreendedor. Resultado: virou os dois. Ele é CEO e fundador da Gama Academy, e a sua talk relacionava educação e evolução.

No GIF: “Eu sou uma libriana inocente, como ela” | Reprodução: giphy

“Me identifiquei com um speaker assim. Eu também coloco a culpa de todas as minhas escolhas fracassadas no meu ascendente em peixes” – Lisandra Steffen

“Não assisti essa talk kkkk” – Guilherme Machado

“Sou uma libriana muito bem representada, mas gostaria de dizer que isso aí é mentira. Quero dizer, talvez seja né…” – Bruna Lago

“O Guilherme pode até ser indeciso, mas ele foi muito persistente no que ele acreditava e levou isso adiante de uma maneira incrível” – Josi Skieresinski


3. A mãe LGBT+ que fez todo mundo chorar


Voluntária do grupo Mães Pela Diversidade, Renata dos Anjos poderia ter se voluntariado para nos dar um abraço depois da talk emocionante. Ela é mãe de uma menina LGBT+, e as suas experiências arrancaram lágrimas enquanto falava sobre como a sociedade não está preparada para acolher a diversidade.

P.S.: trazer lenços na próxima edição.

Reprodução: giphy

“Cada fala da Renata era como um soco no estômago. Foi difícil não se emocionar ou relembrar de algumas experiências pessoais” – Lisandra Steffen

“Chorei muito, não vou negar” – Guilherme Machado

“Quero deixar registrada que as minhas lágrimas foram por ter perdido essa talk.” – Bruna Lago

“Trazer essa fala para uma plateia tão diversa acho que foi o mais importante. Para que todos percebam a responsabilidade social que cada um tem na vida de pessoas LGBT+” – Josi Skieresinski


4. A talk da Onília Araújo começou com o pé esquerdo, mas terminou com aplausos e a emoção da plateia


Onília é mulher, negra e lésbica. A talk dela foi sobre privilégios e sobre o que fazer ao reconhecê-los. Falando nisso, os outros speakers tiveram um “privilégio” em relação à Onília: apresentaram suas talks apenas uma vez. O telão resolveu pifar bem na hora da Onília, e ela teve que repetir. Melhor pra gente, que, graças a uma falha técnica, pudemos escutá-la mais um pouco. Onília conseguiu deixar todos os ouvintes emocionados com as histórias que trouxe para o palco do Teatro Unisinos. Foi um privilégio.

Reprodução: giphy

“É importante reconhecer os privilégios de cada um e fazer algo interessante com eles” – Lisandra Steffen

“Precisamos pensar o que fazemos com nossos privilégios. Foi lindo ver a presença de negros tanto no palco quanto na plateia” – Guilherme Machado

“Falar sobre privilégios é falar sobre pôr a mão na consciência, e acho que a Onília fez toda a plateia pensar a respeito.” – Bruna Lago

“Fazer com que todos percebam seus privilégios, é quase como receber um tapa de realidade. E a Onília fez isso muito bem e ainda provou a força da mulher” – Josi Skieresinski


5. “Coitadinho é o caramba!”


Daniel Gonçalves emocionou os presentes ao falar do preconceito social em se relacionar com deficientes. “Com quantas pessoas com deficiência vocês já ficaram?”, questionou. Segundo estatísticas, 24% da população brasileira possui algum tipo deficiência, ou seja, alguém já deveria ter beijado ou dormido com ele. Daniel não gosta de ser vitimizado e deixou isso bem explícito quando um casal o chamou de “coitadinho”.

Reprodução: giphy

“É muito importante ver caras como o Daniel no palco do TEDxUnisinos. A sociedade precisa urgentemente parar de utilizar o discurso da superação para diminuir o trabalho e a dedicação das pessoas” – Lisandra Steffen

“A fala do Daniel foi um convite para refletir nossos próprios preconceitos” – Guilherme Machado

“O maior preconceito que a gente comete é reduzir a pessoa à sua deficiência. Ela é mais do que isso. E nós deveríamos ser mais do que nossos preconceitos também” – Bruna Lago

“Daniel me deixou muito reflexiva com as questões que ele trouxe. Acho que esse é o primeiro passo para mudarmos nossas ações” – Josi Skieresinski


6. “Eu ouvi, com esse coração que pulsa,
e pulsa, e pulsa: é importante estar nesse lugar”


“Onde vive a ancestralidade?”. A talk, que parecia poesia, foi um momento de reflexão sobre a filosofia e a espiritualidade de uma linha de pensamento que você provavelmente não conhecia: a de filósofos africanos. Katiúscia Ribeiro descobriu isso quando chegou em um ponto da graduação em que só pensava em duas coisas: abandonar o curso ou abandonar o curso. Ainda bem que ela não abandonou a filosofia e fez todos nós repensarmos as nossas origens.

Reprodução: giphy

“Não sou capaz de opinar” – Lisandra Steffen 

“Eu poderia ouvi-la por anos” – Guilherme Machado

“Foram 15 minutos de poesia. A espiritualidade dos questionamentos fizeram aquele auditório suspender a respiração” – Bruna Lago

“Só tenho uma coisa a dizer: a gente se perdeu muito no caminho até aqui. E não vai ser um GPS que vai nos ajudar a voltar” – Josi Skieresinski


7. “Este negro está autorizado a entrar aqui?”


Foi assim que Márcio Chagas começou a sua talk: impactante. Durante os 15 minutos de conversa, ele relatou os diversos casos de racismo que sofreu durante a carreira como árbitro de futebol. Disse que nem ele nem qualquer outro negro precisa pedir permissão para entrar em lugar algum. Os ouvintes do TEDxUnisinos aplaudiram, com muito entusiasmo, o hoje comentarista esportivo.

Reprodução: giphy

“Acho que talks como essa, que falam desse preconceito mascarado, são muito importantes para criar consciência nos presentes e mudar algumas atitudes tão naturalizadas” – Lisandra Steffen

“A fala do Márcio foi essencial. Em um país que vive a cultura do machismo, estupro e tantas outras, é indispensável falar de racismo” – Guilherme Machado

“Pedir permissão, ter medo de andar na rua, se sentir discriminado. São esses relatos que fazem a gente refletir sobre o que estamos fazendo para impedir o racismo” – Bruna Lago

“Inquietante, eu diria. Mas a questão é: qual a nossa responsabilidade em fazer com que esses preconceitos não se perpetuem?” – Josi Skieresinski


8. “Eu não sou mais um número, e não sou indígena. Eu sou Macuxi”


Nessa sessão de socos no estômago, tivemos Julie Dorrico, que falou de literatura indígena. Mais do que isso, ela desfez concepções equivocadas com um novo olhar para os povos originários do Brasil.

Reprodução: giphy

“É essencial sabermos (e sermos sempre lembrados) das origens do nosso país” – Lisandra Steffen

“Julie lembrou que todos viemos de um povo e todos os povos são responsáveis por este país” – Guilherme Machado

“É indígena, não índio. São vários povos, várias etnias, línguas e culturas. E foi um momento lindo” – Bruna Lago

“Precisamos ouvir e dar voz a essas pessoas, que têm tanto para nos ensinar” – Josi Skieresinski 


9. Sem restrição de idade, teve talk para todas as gerações


Acho que todo mundo sempre pensa nas talks como lugares cheios de acadêmicos ou pessoas mais velhas, então uma das surpresas boas do TEDxUnisinos foi a presença de adolescentes, jovens, adultos, idosos. Teve estudante, estagiário, professor e até a galera que aproveitou o dia livre para ir. Todas as talks tiveram plateia cheia e interação, e isso quer dizer bastante sobre o evento.

Reprodução: giphy

“Pensem na quantidade de possíveis crushes que estavam nesse evento” – Lisandra Steffen

“Gostaria de ter encontrado o meu. Quem sabe em 2020” – Guilherme Machado

“Só queria saber a idade da senhora que estava com uma blusa prata de lantejoulas. Devíamos ser amigas.” – Bruna Lago

“Perdi de chamar minha avó, ela ia amar” – Josi Skieresinski


10. “Daqui a 30 anos, vamos olhar os veículos que estamos consumindo e perceber que são os veículos que estamos fazendo agora”


Ninguém estava esperando por isso (talvez torcendo rsrs), mas, no final do evento, Leandro Demori, editor do The Intercept Brasil, apareceu como um speaker surpresa. A fama realmente o antecede, porque o auditório todo ficou empolgado quando ele surgiu, mesmo que nem toda a plateia fosse ligada ao jornalismo. Diante dos olhares atentos, falou sobre o papel dos veículos de notícias e as mudanças que fazem a liberdade da internet correr riscos. Valorizar a transparência e o jornalismo para todos os públicos é a bandeira que ele defende. Ficamos empolgados? Bastante!

Reprodução: giphy

“Vocês ouviram alguém tietando o Demori da plateia? Foi eu! Só espero que vazem logo essa talk” – Lisandra Steffen

“Acho que todo mundo esqueceu do trabalho para ficar tirando foto e tietando o Demori” – Guilherme Machado

“Levei uns cinco minutos para começar a fazer anotações, porque estava tentando tirar uma foto boa dele. Felizmente, jornalismo é suporte e trabalho em equipe”  – Bruna Lago

“Achei marmelada o evento terminar com um jornalista, rsrsrs. Mas, importantíssimo a fala do Leandro (sim, íntimos depois da foto) – Josi Skieresinski


11. Tem Enzo e Valentina na Austrália


A Letícia Chamale trouxe uma talk linda sobre aproveitar a família e viver o presente, mas o que deixou a gente chocado foi o fato dos amiguinhos dos filhos dela, lá do outro lado do mundo, serem… Enzo e Valentina! Será que no futuro todos serão Enzo’s e Valentina’s? Estamos diante de uma nova ordem mundial? Enza e Valentino são variantes aceitáveis? Acho que esse é um ótimo tópico para o TEDxUnisinos 2020.

Reprodução: giphy

“Foi um grande choque ouvir isso e já estou aguardando uma nova revolução. Hoje mesmo tô indo no cartório mudar meu nome” – Lisandra Valentina Steffen

“Vamos mudar o padrão. Meu filho vai se chamar João e minha filha vai ser Maria” – Guilherme Enzo Machado

“Fico pensando se na Austrália eles também fazem meme com Enzo e Valentina, ou não pode zoar isso quando for visitar o país” – Bruna Valentina Lago

“Acho que, no futuro, os únicos problemas serão os sotaques, pois na escrita ninguém vai errar” – Josi Valenzo Skieresinski


O TEDxUnisinos 2019 foi um evento que agradou todos os públicos e já deixou saudades. Agora, só nos resta aguardar a edição do ano que vem e esperar que as vagas não esgotem tão rápido quanto esse ano. A redação do Mescla durante a semana pós-TED é só essa:

Reprodução: UOL

The post 11 coisas que a gente amou no TEDxUnisinos 2019 appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
https://mescla.cc/2019/09/03/11-coisas-que-a-gente-amou-no-tedxunisinos-2019/feed/ 0
#TEDxUnisinos: Rodrigo Lopes https://mescla.cc/2018/08/01/tedxunisinos-rodrigo-lopes/ https://mescla.cc/2018/08/01/tedxunisinos-rodrigo-lopes/#respond Wed, 01 Aug 2018 20:55:49 +0000 http://mescla.cc/?p=7111 Uma história permeada por zonas de guerra e de catástrofe, assim se pode explicar boa parte da vida jornalística de Rodrigo Lopes. Repórter especial da Zero Hora e com mais de 20 anos dedicados ao jornalismo, ele encontrou na cobertura internacional “uma maneira de contribuir com a sociedade e ajudar a mudar o mundo”, ambos motivos que […]

The post #TEDxUnisinos: Rodrigo Lopes appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
Uma história permeada por zonas de guerra e de catástrofe, assim se pode explicar boa parte da vida jornalística de Rodrigo Lopes. Repórter especial da Zero Hora e com mais de 20 anos dedicados ao jornalismo, ele encontrou na cobertura internacional “uma maneira de contribuir com a sociedade e ajudar a mudar o mundo”, ambos motivos que o fizeram escolher pelo curso quando jovem. 

Na infância, Lopes colecionava as revistas Superinteressante e National Geographic e as camisetas com a palavra “imprensa” presenteadas pela prima jornalista Simone Lopes. O mundo fascinava Rodrigo, e o bairro Bom Fim, onde nasceu e foi criado, logo se tornou pequeno. Os sonhos profissionais, entretanto, passavam longe do jornalismo. Ele queria ser bioquímico, publicitário ou comissário de bordo. Ele brinca que, tirando a parte da química, deu quase tudo certo. “Eu acho que a infância e a adolescência da gente acabam moldando o ser humano que tu és, os interesses que tu tens. Essa curiosidade pelo mundo e pelas diferentes culturas te determinam. Não necessariamente um jornalista, mas um cidadão multicultural”, explica.

Foto: Arquivo pessoal

No primeiro semestre da faculdade foi contratado como auxiliar de redação da Zero Hora e o contato mais próximo com o mundo jornalístico mostrou que ele havia escolhido o caminho certo. Formado em 2001 pela UFRGS, Lopes embarcava em 2003 para a primeira cobertura internacional, na eleição da Argentina. O final da crise política e da era Menem deram a Rodrigo a chance de se desenvolver como profissional multimídia. Ele começou a passar boletins por rádio e texto. Mais tarde, o vídeo e a TV também se tornariam constantes na vida dele. A série de reportagens “Uma nova chance para a Argentina” rendeu o prêmio Rei da Espanha de Jornalismo. 

Após isso, as páginas do jornal começaram a se encher das visões e coberturas de grandes acontecimentos vistos por Rodrigo. “Eu vi que a minha área mesmo era internacional, é o que eu gosto de fazer. Gosto dessa coisa de testemunhar a história acontecendo na tua frente”, explica. E os acontecimentos históricos em que Rodrigo esteve presente foram muitos nos anos seguintes. Morte do Papa João Paulo II, furacão Katrina nos EUA, Guerra entre Israel e o Grupo Libanês Hezbollah (2006), Primavera Árabe, terremoto do Haiti (2010), resgate dos mineiros do Chile, eleições de Obama e Trump e a guerra no Iraque foram alguns dos momentos que o jornalista presenciou. 

Foto: Arquivo pessoal

Sobre os momentos dramáticos vividos em guerra, Rodrigo reforça o papel do repórter (DE) estar no centro dos acontecimentos e como nunca estamos preparados para as situações extremas. “Quando o editor me diz “Rodrigo, vamos para o Líbano”, eu não titubeio, é sonho de uma vida inteira cobrir uma guerra. Embora seja algo dramático, triste e ruim, o ser humano sempre esteve em guerra, então, de um ponto de vista antropológico, é um fenômeno muito interessante. É o auge da carreira de um repórter porque ela te coloca à prova todos os teus saberes e capacidades”, conta. 

A emoção também é tema que pauta a escrita de Rodrigo. Para ele, é impossível deixar de lado algo tão importante e impactante vivido durante a cobertura. “Eu não acredito em jornalismo frio, afastado das coisas humanas. Busco dar nome e sobrenome para o que muitas vezes vira números em relatórios frios da diplomacia”, enfatiza.  

Foi pensando em compartilhar as experiencias vividas nas coberturas internacionais que em 2012 lançou o livro Guerras e Tormentas: Diário de um correspondente internacional. Unindo 14 coberturas, o livro ficou entre os finalistas do prêmio Jabuti na categoria Reportagem. Foi com o lançamento da obra que Rodrigo recebeu convites para ser professor de Jornalismo. “Gosto muito de compartilhar experiências e com os alunos é uma troca constante. Já não me imagino mais só como repórter, ou só como professor, eu gosto dessa coisa de unir os dois”, resume. 

As fronteiras, tema do TEDxUnisinos deste ano, estão presentes em toda a cobertura de Rodrigo. Religiosas, étnicas e territoriais, elas permeiam a vida do correspondente internacional e representam uma mudança para Rodrigo. “Depois que eu volto de uma cobertura, sempre considero que volto melhor, se não for como profissional, ao menos como ser humano”, finaliza.

The post #TEDxUnisinos: Rodrigo Lopes appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
https://mescla.cc/2018/08/01/tedxunisinos-rodrigo-lopes/feed/ 0
#TEDxUnisinos: Bia Kern https://mescla.cc/2018/08/01/tedxunisinos-bia-kern/ https://mescla.cc/2018/08/01/tedxunisinos-bia-kern/#respond Wed, 01 Aug 2018 18:34:32 +0000 http://mescla.cc/?p=7108 ( Texto de Thamyres Thomazini ) Bia Kern será uma das speakers do TEDxUnisinos, que ocorre no dia 17 de agosto no Teatro Unisinos. Ela trará como tema o empreendedorismo social e o empoderamento feminino. Fundadora e presidente da ONG Mulher em Construção, a gaúcha de 59 anos sempre teve vocação para ajudar o próximo […]

The post #TEDxUnisinos: Bia Kern appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
( Texto de Thamyres Thomazini )

Bia Kern será uma das speakers do TEDxUnisinos, que ocorre no dia 17 de agosto no Teatro Unisinos. Ela trará como tema o empreendedorismo social e o empoderamento feminino. Fundadora e presidente da ONG Mulher em Construção, a gaúcha de 59 anos sempre teve vocação para ajudar o próximo e fazer a diferença. Moradora de Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, desde dos 13 anos já buscava ensinar as disciplinas que dominava a meninas de comunidades carentes. O maior exemplo de mulher forte e guerreira é a mãe. “Como chefe de família, minha mãe, hoje com 93 anos, lutou bravamente pelos filhos, sempre preocupada em nos dar uma condição de vida melhor. Ela nos ensinou a buscar a independência econômica e não depender de ninguém. Hoje, continua sendo um exemplo de fibra e perseverança para toda a família e os que estão em seu entorno”.  

 Inconformada com a desigualdade social e motivada a tornar as mulheres mais independentes, Bia tem uma trajetória de vida que a levou por diferentes caminhos. Aos 15 anos foi convidada por um tio a morar no Rio de Janeiro, e não pensou duas vezes em aceitar. Na época, deixar o Rio Grande do Sul, um estado conservador, foi uma forma de se libertar. Anos depois, se mudou para Recife para trabalhar como modelo. Alta, magra e com traços europeus, chamou atenção de empresas e agências. Atuou também na organização de eventos, recepção, tradutora de alemão e até relações públicas.  

 Formada em Gestão Pública pela Ulbra, ela tem no currículo grandes feitos. Em 2014 foi convidada pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, a fazer parte da Clinton Global Initiative e, no mesmo ano, se tornou bolsista da Organização WomenChangeMakers. Também foi diretora executiva da Fundação da Mulher Gaúcha durante sete anos. “Foi com muita emoção e gratidão que recebi a notícia que tinha me tornado fellow do programa WomenChangeMakers, da Womanity Foundation. “Tínhamos conquistado nosso primeiro apoio internacional e dali surgiram grandes parceiros para a execução de novos projetos para tornar a ONG mais sustentável, como o apoio da BrazilFoundation. O convite para participar do Clinton Global Initiative veio como forma de honrar as questões de gênero contra a violência das mulheres na América Latina”, comenta Bia.  

 A ONG Mulher em Construção nasceu em 2006, com o sonho de Bia em capacitar mulheres na construção civil. Na primeira turma, cerca de 300 mulheres se inscreveram, mas apenas 25 vagas estavam disponíveis. Com o avanço do projeto e o número de pessoas interessadas, a falta de dinheiro tornou-se um problema. Para não deixar o sonho ter um fim, a palestrante resolveu vender a casa em Gravataí para investir nos cursos e voltou a morar em Canoas com a mãe. Mulheres dos mais diferentes perfis procuram o projeto e, segundo Bia, a maioria já sofreu algum tipo de agressão dos parceiros. “Inicialmente esperava que houvesse mais apoio das empresas e que o projeto poderia se tornar sustentável, apesar da forte discriminação no setor. Mas, após promessas de diversos setores e segmentos da sociedade, conseguia apenas apoio para projetos pontuais. Neste momento era seguir ou largar, aí eu preferi seguir. A real vitória está em ver a mulher sem recursos e sem estudo ter uma garantia de trabalho e de dignidade para si e sua família”.  

The post #TEDxUnisinos: Bia Kern appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
https://mescla.cc/2018/08/01/tedxunisinos-bia-kern/feed/ 0
#TEDxUnisinos: Maria Inês https://mescla.cc/2018/08/01/tedxunisinos-maria-ines/ https://mescla.cc/2018/08/01/tedxunisinos-maria-ines/#respond Wed, 01 Aug 2018 18:21:49 +0000 http://mescla.cc/?p=7101 Em 2015, o Brasil conheceu uma pequena parte da história de Maria Inês Secco. Protagonista de uma campanha publicitária da Johnson & Johnson, a técnica de enfermagem ficou famosa por ser “A mãe de 1000 filhos”. Hoje, em 2018, Inês não sabe qual o número exato de crianças que passaram por seus cuidados, porém tem convicção ao afirmar que esse número já foi […]

The post #TEDxUnisinos: Maria Inês appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
Em 2015, o Brasil conheceu uma pequena parte da história de Maria Inês Secco. Protagonista de uma campanha publicitária da Johnson & Johnson, a técnica de enfermagem ficou famosa por ser “A mãe de 1000 filhos”. Hoje, em 2018, Inês não sabe qual o número exato de crianças que passaram por seus cuidados, porém tem convicção ao afirmar que esse número já foi superado. 

Inês está prestes a completar 28 anos em UTI Neonatal. Na neonatologia, ramo da pediatria que trabalha com recém-nascidos até o 28º dia de vida, ela ajuda a cuidar de casos que apresentam complicações, como bebês prematuros e pré-termo.  

Tratar sobre as experiências de um profissional nessa área é o objetivo de Inês, que é uma das palestrantes convidadas para o TEDxUnisinos, no dia 17 de agosto, no Teatro da Unisinos, em Porto Alegre. A enfermeira contará a história de dois bebês. Um menino que teve hipertensão pulmonar, e uma menina, gêmea, que nasceu com complicações cardíacas severas. Ambos passam bem. 

Inês quer falar sobre a rotina e importância da UTI Neonatal. Segundo ela, as famílias de recém-nascidos têm muitas preocupações e é trabalho da equipe hospitalar sanar todas as dúvidas e garantir a melhora do bebê. Cuidar, zelar e dar conforto ao recém-nascido, e uma assistência adequada para os pais são as funções que o trabalho exercido pela enfermagem exige.    

Maria Inês trabalha no hospital Mãe de Deus há 25 anos. Começou em 18 de janeiro de 1993, mas a carreira na UTI Neo teve início no hospital da PUCRS, o São Lucas, em 17 de dezembro de 1990. Inês nunca trabalhou em outra área dentro dos hospitais pelos quais passou. Desde o primeiro dia, entrou na vaga disponível em UTI Neonatal. Acabou se afeiçoando a área e nunca mais saiu.  

A técnica de enfermagem lembra do primeiro paciente cuidado por ela. O menino vindo de Gravataí nasceu prematuro. Inês o conheceu já num estágio de recuperação e crescimento avançado.  “Eu lembro que quando eu ia dar a mamadeira, ele bebia 27ml”, conta. Mesmo vivendo cercada por recém-nascidos, Inês não teve filhos. “Eu nunca quis ter filhos. Até digo que não sinto a falta deles (no passado), mas hoje eu já pensaria diferente”, revela. 

Maria Inês é natural de Flores da Cunha, município com 29 mil habitantes e distante 150km de Porto Alegre. Teve uma infância interiorana, trabalhando com agricultura. É a mais velha dos três filhos. Nas palavras dela, “somos uma família muito humilde. Nós tivemos um pai e uma mãe maravilhosos que nos criaram com muita dignidade, respeitando sempre o nosso próximo”, conta.  

Com 22 anos, mudou-se para a Capital para ajudar uma das tias, Olga, no tratamento de radioterapia. A causa foi um câncer de mama. No período em que auxiliava a irmã do pai, ouvia que “Maria era muito cuidadosa, tinha jeito para trabalhar como enfermeira”. Assim surgiu a ideia de fazer o curso para auxiliar de enfermagem. Foi o primeiro passo para a carreira em UTI Neonatal, os 28 anos de experiência e o número infinito de filhos. 

The post #TEDxUnisinos: Maria Inês appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
https://mescla.cc/2018/08/01/tedxunisinos-maria-ines/feed/ 0
#TEDxUnisinos: Lau Patrón https://mescla.cc/2018/08/01/tedxunisinos-lau-patron/ https://mescla.cc/2018/08/01/tedxunisinos-lau-patron/#respond Wed, 01 Aug 2018 18:11:04 +0000 http://mescla.cc/?p=7088 “Avante, Leãozinho” é o nome de uma página do Facebook com 19.370 curtidas. A página conta a história do menino João Vicente Patrón Santoro, de seis anos, diagnosticado com uma síndrome rara, genética e autoimune, a SHUa. A síndrome também provocou em João um AVC isquêmico que deixou sequelas motoras.   Adversidades à parte, o Leãozinho sobreviveu e hoje, quatro anos após o ocorrido, apresenta melhoras constantes e chances […]

The post #TEDxUnisinos: Lau Patrón appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
“Avante, Leãozinho” é o nome de uma página do Facebook com 19.370 curtidas. A página conta a história do menino João Vicente Patrón Santoro, de seis anos, diagnosticado com uma síndrome rara, genética e autoimune, a SHUa. A síndrome também provocou em João um AVC isquêmico que deixou sequelas motoras.  

Adversidades à parte, o Leãozinho sobreviveu e hoje, quatro anos após o ocorrido, apresenta melhoras constantes e chances reais de recuperação. Durante toda a trajetória de luta diária, há a presença constante e indispensável da mãe, Laura Costa Patrón. Aos 29 anos, a publicitária de formação é uma das convidadas a palestrar no TEDxUnisinos, que ocorre dia 17 de agosto no Teatro Unisinos, em Porto Alegre. 

O tema da fala tem tudo a ver com diversidade e inclusão, assuntos pertinentes na trajetória de mãe e filho. A página “Avante, Leãozinho”, criada por ela, além de ser um canal que mostra as conquistas diárias do filho, também traz visibilidade para problemas recorrentes tanto na vida de João como na de Lau. 

Gaúcha de Porto Alegre, Laura prefere ser chamada de Lau, é amante da leitura, da dança e da natureza. Se autodenomina uma “escritora por necessidade”.  

Laura Costa Patrón / Foto: Reprodução

“Somos bem solares lá em casa, do dia, do bom humor matinal, da bagunça em família, do café da manhã afetivo”. Contudo, é fora de casa que as adversidades se fazem presentes e a batalha por melhorias começa, explica. 

Lau, na verdade, não gosta da palavra inclusão, pois o termo carrega consigo a existência da exclusão, um lembrete de que vivemos em uma sociedade preconceituosa. A escritora prefere falar em “diversidade e na potência e riqueza de assumirmos que somos todos diferentes, ainda que todos iguais”. 

Para mãe e filho, o dia a dia é complicado. As calçadas, por exemplo, são um problema seríssimo. João está aprendendo a andar de cadeira de rodas sozinho, mas é impossibilitado de treinar na rua, pois corre o risco de cair em buracos. “Poucas rampas de acesso são aceitáveis, o transporte público, quando é inclusivo, o mecanismo não funciona, os motoristas de aplicativo cancelam corridas. Parece que a sociedade está sempre dizendo ‘não queremos vocês aqui, voltem para e reclusão nas próprias casas’. Mas nós não vamos voltar”. 

 

Lau também não gosta da palavra problema quando usada para definir alguém. Ela acredita tratar-se de uma fuga, preguiça de se envolver e de aprender. A publicitária relembra que crianças com algum tipo de necessidade especial já foram descritas como problema, doente, retardado.  

“São palavras muito significativas que desumanizam aquele ser. Acho que hoje não tem desculpa para tanta ignorância. As necessidades especiais são apenas uma parte do que aquela pessoa é. Meu filho tem paralisia cerebral, ele não é a paralisia cerebral”, justifica.  

Na visão da escritora, para solucionar essas complicações, ser ético já basta. Lau também vê a necessidade de educar os pais antes de ensinar os filhos. “A minha resposta é dirigida para os adultos. Chega de silêncios, chega de pegar a saída mais próxima e repetir mais uma vez: ‘ele tem problema’. O papo de ‘ninguém ensinou a nossa geração a lidar com isso’ é verdadeiro, mas não serve de desculpa. ‘Isso’ é uma pessoa”, desabafa. 

Sobre as expectativas com o TEDxUnisinos, Lau espera “impactar pelo coração”. Quer que os espectadores reflitam e percebam que mudanças singelas podem afetar de forma direta a vida de alguém que, como o João, delas necessita. Lau espera falar sobre inclusão de uma forma descomplicada, empática e interessante. “Na minha vida pessoal, espero que seja o começo de uma caminhada falando de inclusão. E de amor, sempre de amor.” 

The post #TEDxUnisinos: Lau Patrón appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
https://mescla.cc/2018/08/01/tedxunisinos-lau-patron/feed/ 0
#TEDxUnisinos: Ana Cristina Ostermann https://mescla.cc/2018/08/01/tedxunisinos-ana-cristina-ostermann/ https://mescla.cc/2018/08/01/tedxunisinos-ana-cristina-ostermann/#respond Wed, 01 Aug 2018 18:03:36 +0000 http://mescla.cc/?p=7073 A professora no Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada da Unisinos Ana Cristina Ostermann considera o seu mais ambicioso sonho oferecer, por meio de análises exaustivas das interações sociais, práticas de conversa que auxiliem a fazer fluir a comunicação humana com menos atrito, melhores experiências para as pessoas, e por que não, para a humanização das relações. Seu foco é trabalhar […]

The post #TEDxUnisinos: Ana Cristina Ostermann appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
A professora no Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada da Unisinos Ana Cristina Ostermann considera o seu mais ambicioso sonho oferecer, por meio de análises exaustivas das interações sociais, práticas de conversa que auxiliem a fazer fluir a comunicação humana com menos atrito, melhores experiências para as pessoas, e por que não, para a humanização das relações. Seu foco é trabalhar com profissionais de diversas áreas. “Análise da Conversa” é o tema de seu estudo e o início de sua paixão pela interação humana começou no doutorado.   

Para a tese, ela analisou o primeiro contato de mulheres vítimas de violência doméstica de gênero com a Delegacia da Mulher e o Centro Feminista de Intervenção na Violência Contra a Mulher. “Enquanto eu estava presente e gravando essas interações, eu ouvi histórias de vida inimagináveis. Nem as mais complexas e melhor elaboradas obras de literatura descreveriam os detalhes de abuso que ouvi essas mulheres relatarem”, conta a professora. Ainda completa: “mais do que histórias, essas eram as ‘rotinas’ de abuso dessas mulheres. Delas e de seus filhos ou filhas, porque uma mulher abusada não é vítima sozinha, é uma família toda esfacelada”, explica.   

Durante o estudo, a pesquisadora se deparou com a falta de acolhimento por parte das profissionais que atuam nessa área. Associou isso a dois motivos. Primeiro: o despreparo. Não lhes era oferecido qualquer tipo de formação sobre como acolher por meio da própria fala. Segundo: várias eram alocadas para trabalhar na Delegacia da Mulher apenas por serem mulheres, tomando-se como pressuposto que acolhimento é um atributo natural do sexo feminino. Com os resultados da pesquisa, Ana Ostermann teve a oportunidade de realizar oficinas práticas de interação para essas profissionais.    

Com o seu grupo de pesquisa, ela também estudou a interação entre médicos e familiares que passam por situações de gravidez de risco. “Falar sobre malformações fetais, sobre a previsão de morte imediata pós nascimento, sobre morte intra-uterina demanda competências interacionais bastante especiais, quase sobre-humanas, comenta a doutora.   

“Buscamos na vida cotidiana, na vida como ela é, o nosso objeto de estudo”, reflete sobre a pesquisa. “Contudo, nas pesquisas em Análise da Conversa, e, portanto, nas pesquisas que desenvolvo, não somos nós, pesquisadoras, que sugerimos quais seriam essas competências”, fala. Por meio da análise minuciosa dessas interações, gravadas e transcritas, conseguimos identificar quais são as práticas já existentes (naquele mesmo contexto investigado) que se mostram como bem-sucedidas. Ou seja, as sugestões que as pesquisas da Análise da Conversa trazem para as instituições sobre melhores práticas interacionais são as que normalmente já estão sendo usadas (ainda que nem sempre) nessas instituições. O trabalho da/o Analista da Conversa é o de descobrir quais são as práticas que se mostram como ‘dando certo.’  “Se o problema está na interação, então é na própria interação que está a solução”, fala a pesquisadora.  

No TEDxUnisinos, Ana falará sobre o que é a Análise da Conversa e como esse tipo de pesquisa nos auxilia a desvendar a interação humana, descobrindo o que somos, ou do que nos fazemos parecer ser, como conseguimos convencer alguém de algo, como conseguimos driblar a resistência de alguém em nos contar algo ou como fazemos para resistir (às vezes de formas extremamente sutis) dar determinada informação que alguém busca, de como abordamos assuntos delicados como uma notícia de morte e, acima de tudo, nas palavras de Ana Ostermann, mostrar “como esse mergulho profundo a detalhes tão ‘micro’ das interações humanas é capaz de revelar o mundo ‘macro’ da vida social, inequalidade, violência, poder, mas também humanização, cuidado e valorização do outro”. 

The post #TEDxUnisinos: Ana Cristina Ostermann appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
https://mescla.cc/2018/08/01/tedxunisinos-ana-cristina-ostermann/feed/ 0
#TEDxUnisinos: Liliana Sánchez https://mescla.cc/2018/08/01/tedxunisinos-liliana-sanchez/ https://mescla.cc/2018/08/01/tedxunisinos-liliana-sanchez/#respond Wed, 01 Aug 2018 17:57:41 +0000 http://mescla.cc/?p=7084 Aos 32 anos, Guadalupe Liliana Sánchez Linares coleciona histórias nas comunidades rurais e marginalizadas do México, seu país. Logo após a graduação, em Sociologia pela Faculdade de Ciências Políticas e Sociais da Universidade Nacional Autónoma do México (UNAM), viu no programa de alfabetização da universidade a oportunidade de realizar o desejo de atuar junto a […]

The post #TEDxUnisinos: Liliana Sánchez appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
Aos 32 anos, Guadalupe Liliana Sánchez Linares coleciona histórias nas comunidades rurais e marginalizadas do México, seu país. Logo após a graduação, em Sociologia pela Faculdade de Ciências Políticas e Sociais da Universidade Nacional Autónoma do México (UNAM), viu no programa de alfabetização da universidade a oportunidade de realizar o desejo de atuar junto a comunidades menos favorecidas. Passou seis meses residindo nas Montanhas de Guerrero, região mais pobre de um dos estados mais violentos do país, onde trabalhou com a alfabetização de idosos.  

Ainda em Guerreiro, conheceu Mariana, uma das fundadoras da Iluméxico, empresa que leva energia elétrica através de sistemas solares para comunidades rurais do México. Em 2011, Liliana recebeu um convite para trabalhar na companhia e, encantada com a Iluméxico, aceitou. Atualmente, ela ocupa o cargo de gerente regional, sendo responsável pelas tarefas de acompanhar a logística de cada área, fornecer ferramentas e implementar estratégias de intervenção nas comunidades da região norte do país.  

“Um projeto como o Iluméxico me deu a oportunidade de continuar conhecendo a realidade de tantos povos que vivem nas montanhas, principalmente comunidades indígenas, que são iluminadas com diesel, velas, ocotes (lenha) e lâmpadas. Muitos anos se passaram e continua a ser a minha principal motivação trazer luz a essas comunidades”, conta.  

Além de levar energia solar para comunidades marginalizadas e rurais do México, Liliana conta que a empresa atua com esquemas de intervenção social e oportuniza aos colaboradores grandes experiências de vida.  

“A Iluméxico também deu oportunidades de trabalho para a população local, que nunca imaginou ter um emprego formal e dentro de suas regiões. Hoje sou uma pessoa mais sensível, porque tive a oportunidade de conhecer muitas histórias de vida, pessoas com muitos conhecimentos, vi um país que poucos conhecem”, conta. 

Liliana sobe ao palco do TEDxUnisinos no dia 17 de agosto, no Teatro da Unisinos, para trazer um pouco de sua vivência na Iluméxico e falar sobre os aprendizados adquiridos em anos de trabalho nas comunidades vulneráveis de seu país.  “Eu amo o que fazemos no Iluméxico. Espero poder transmitir a essência do que é Iluméxico, como o nosso trabalho impactou as comunidades, trazendo dados concretos, e histórias sobre as mulheres que beneficiamos”.  

“Eu amo meu trabalho, ele nunca para de me mover, quando uma família tem luz pela primeira vez, eles sempre desenham um sorriso e as crianças sempre procuram um livro, um caderno, um brinquedo qualquer objeto, para poder usar a luz”, conta Liliana. Descer a América e apresentar seu trabalho em uma conferência como o TEDx será mais uma fronteira que a profissional e a Iluméxico romperão. 

The post #TEDxUnisinos: Liliana Sánchez appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
https://mescla.cc/2018/08/01/tedxunisinos-liliana-sanchez/feed/ 0