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Arquivos reportagem - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/reportagem/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Mon, 10 Jul 2023 17:12:47 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.2 Edição especial do Enfoque acompanha abordagens do projeto Ação de Rua pelos bairros de Porto Alegre  https://mescla.cc/2023/07/07/enfoque-lanca-edicao-especial-com-a-disciplina-de-projeto-experimental-em-jornalismo/ https://mescla.cc/2023/07/07/enfoque-lanca-edicao-especial-com-a-disciplina-de-projeto-experimental-em-jornalismo/#respond Fri, 07 Jul 2023 14:29:32 +0000 http://mescla.cc/?p=18591 Alunos da disciplina de Projeto Experimental em Jornalismo foram a campo, neste primeiro semestre de 2023, para acompanhar os atendimentos realizados pelo projeto Ação de Rua, promovido pela Fundação Fé e Alegria, em bairros de Porto Alegre. O resultado foi a produção de uma edição especial do jornal Enfoque, já disponível na internet. A professora […]

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Alunos da disciplina de Projeto Experimental em Jornalismo foram a campo, neste primeiro semestre de 2023, para acompanhar os atendimentos realizados pelo projeto Ação de Rua, promovido pela Fundação Fé e Alegria, em bairros de Porto Alegre. O resultado foi a produção de uma edição especial do jornal Enfoque, já disponível na internet.


A professora Beatriz Sallet orientou as quatro equipes de estudantes, que se dividiram para cobrir o máximo possível da ação. “Trata-se de um trabalho muito sensível, no qual cada repórter e fotógrafo puderam trazer diferentes histórias”, conta Bea, como é conhecida pelos alunos.


A empatia e a solidariedade foram imediatas quando os estudantes conheceram pessoas que passam por dificuldades e que não foram amparadas de forma correta. A ideia do trabalho da Fé e Alegria é prevenir situações de risco pessoal e social decorrentes de diversos problemas, como a pobreza, falta de acesso aos serviços públicos e fragilização de vínculos afetivos e comunitários. “Acompanhando tudo isso, nota-se que há de ter cada vez mais políticas públicas avançadas nesse tema. O direito de viver com dignidade é essencial para a coletividade humana”, avalia a professora.


Antes da saída das abordagens, a psicóloga Michele Nunes explica como irá funcionar o trabalho deles durante a manhã
(Foto: Lucas Kominkievicz)


Assistentes sociais e educadores da Fé e Alegria saem as ruas e dialogam com as pessoas que estão morando na rua. Bruna Schlisting, que acompanhou um desses momentos, pode observar a Fundação levar cuidado e preocupação de integridade para essas pessoas. “De um lado, pudemos ver o quanto tem gente nessa situação vulnerável e que não está em nossas mãos resolver o problema. Porém, posso escrever sobre isso, trazendo a situação à tona e, quem sabe, fazer com que os leitores se sensibilizem para também ajudar”, salienta a aluna.


O Projeto Ação de Rua auxilia moradores sem-teto de Porto Alegre com documentos, roupas, alimentos e cobertores
(Foto: Bruna Schlisting)


“A parte positiva é que existem instituições que dão atenção da porta para fora, ou seja, a ajuda vem até eles, e não o contrário, dando um auxílio básico com um cobertor, cesta básica, documentos e orientações”, afirma Bruna.


Ela fez parte da equipe que atuou no Centro da capital, ao lado da também repórter Paola Torres e da Julia Azevedo, que ficou responsável pelas fotografias. “Por mais que soubéssemos como seria, ver realmente a maneira como as pessoas em situação de rua se viram para sobreviver é uma experiência que nos tira da nossa bolha”, reflete.


Abordagem começa com uma conversa inicial com os moradores de rua para saberem de suas principais necessidades
(Foto: Júlia Azevedo)


Bruna conta que elas foram levadas para conversar com pessoas com dependência química, e os relatos deles evidenciam muito a importância desses trabalhos da Fé e Alegria. Houve um momento em que Julia falou com um homem que mora há anos no mesmo lugar. Ele tem uma “estrutura” maior, com um colchão protegido por madeiras, algo parecido com uma barraca. Essa moradia precária acaba dificultado a possiblidade dele conseguir trabalho, pois, se ele se ausentar do local, outras pessoas podem passar ali e achar que utensílios e objetos não estão sendo usados, e ele perderia tudo o que tem.


Com a ajuda do projeto, o morador de rua conseguiu ter documentos de identidade, além de receber auxílios que tem direto. “Agora, ele espera conseguir alugar um lugar para morar e poder voltar a trabalhar como pintor. Passamos só algumas horas com eles, que fazem essas ações todos os dias, atendendo centenas de pessoas, e pudemos ver o impacto que esse serviço tem, fornecendo apoio, ajuda para eles receberem seus direitos e até outros itens, como cobertores, para ficarem mais confortáveis dentro do que têm”, comenta Bruna. 


A futura repórter pondera que existe certo preconceito por quem vê de longe o drama dos desassistidos, pois muita gente pensa que todos os moradores de rua são só dependentes químicos. Porém, existem outros fatores que levam as pessoas a perderem tudo, como a má situação financeira e problemas psiquiátricos, por exemplo.


Bruna notou que a maioria da população de rua é formada por homens, e as mulheres, muitas vezes, estão ali pra fugir dos maridos abusivos. “Um comunicador social que estava com a gente contou que existem relatos de que elas sofrem abusos na rua, vindo de todos os lados, então, às vezes, preferem voltar para casa e sofrer isso só do marido.”


Roupas, sacos e objetos ficam espalhados pelo pequeno espaço da moradia improvisada de um morador de rua
(Foto: Alessandra Araújo)


Para Julia, todo mundo merecia viver com dignidade, segurança e conforto, e é triste ver a quantidade de gente que não tem isso. Paola Torres falou que, para ela, foi uma experiência jornalística muito interessante, porque é preciso contar histórias muito duras, e acessar elas não são fáceis. “As pessoas que estão na rua sentem medo, além de nem sempre estarem sóbrias. Estivemos percorrendo o Centro de Porto Alegre e vimos ele de outra perspectiva, entrando em lugares que não teríamos visto no nosso dia a dia”, destacou.


Paola observa que foi tomado todo o cuidado em preservar a identidade das pessoas e a identificação dos lugares onde elas ficam, para evitar retaliações. “Por fim, foi uma experiência muito forte do ponto vista humano. Acho que é uma vivência que todo cidadão deveria ter: acompanhar e ouvir o que as pessoas em situação de rua vivem e passam. Fizemos um trabalho que uniu a informação, a construção de narrativa e a divulgação de um serviço da maior importância”, avalia.

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Edição 16 do jornal Lupa já está disponível   https://mescla.cc/2023/07/06/lupa-lanca-edicao-do-mes-de-julho/ https://mescla.cc/2023/07/06/lupa-lanca-edicao-do-mes-de-julho/#respond Thu, 06 Jul 2023 16:17:05 +0000 http://mescla.cc/?p=18544 Chegou mais uma edição do jornal Lupa, uma publicação impressa produzida por alunos das disciplinas de “Jornal e Notícia”, “Jornal e Reportagem” e “Jornalismo Opinativo”, todas situadas entre o 3º e o 5º semestres do curso de Jornalismo da Unisinos. E a 16ª edição chegou caprichada, com 20 páginas coloridas, estampadas em papel jornal, contendo […]

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Chegou mais uma edição do jornal Lupa, uma publicação impressa produzida por alunos das disciplinas de “Jornal e Notícia”, “Jornal e Reportagem” e “Jornalismo Opinativo”, todas situadas entre o 3º e o 5º semestres do curso de Jornalismo da Unisinos. E a 16ª edição chegou caprichada, com 20 páginas coloridas, estampadas em papel jornal, contendo 11 reportagens, além de notícias e textos opinativos.  


Evolução das mídias no futebol 


O estudante Lorenzo Mascia fez a reportagem “Relações entre mídia e futebol nas diferentes gerações”, que trata sobre o avanço do consumo de futebol desde o rádio até a internet. Para contar essa história, o aluno buscou depoimentos de torcedores mais velhos a respeito de como é acompanhar o futebol hoje em dia, comparando com as formas que eram utilizadas antigamente. Descobriu que o sentimento de paixão permanece o mesmo: “Com a evolução das mídias sociais, pensei que a magia do futebol poderia estar ‘escondida’, mas vi que não, afinal, a emoção é única e só quem vive sabe explicar”, comenta.


A partir dessa evolução tecnológica na comunicação, atualmente é possível acompanhar o jogo quase que instantaneamente logo que algum lance acontece, com uma variedade de recursos, como vídeos ou imagens, que são publicados online.


Com o avanço da tecnologia, ficou mais fácil acompanhar os jogos dos times
(Foto: Divulgação)


Porém, Lorenzo identificou, em outra área, uma dificuldade: o receio de as pessoas frequentarem os estádios por conta da violência, que vem aumentando a cada ano. “Os torcedores de verdade, que só querem vibrar e passar o sentimento adiante, são prejudicados por quem só quer ir lá para estragar a festa”, desabafa o futuro jornalista.  


A conquista da capa  


A aluna Luísa Bell teve a honra de ter a sua matéria destacada na capa do Lupa. Ela fez uma reportagem sobre o evento Concertos Candlelight, que ocorre em diversos locais de Porto Alegre, como Farol Santander, Cais Embarcadero e Casa da OSPA.


Os shows e as performances são realizadas à luz de velas, independentemente do gênero musical, que vai do clássico ao jazz, passando pelos tributos ao pop e trilhas sonoras de filmes. Ela conta que queria executar uma pauta cultural que não estivesse tendo muita visibilidade na mídia. “A parte mais difícil foi conseguir o contato de alguém da produtora do Candlelight, mas, depois disso, tudo foi se desenrolando”, conta Luísa. A entrevista com Natália Corintho, representante da Fever, plataforma online que reúne eventos culturais ao vivo em todo o mundo, foi feita por e-mail. “Foi com ela que consegui permissão para fazer o material fotográfico antes e durante o show”.  


Luísa conta que gostou da cobertura mais do que imaginava. Ela até foi convidada para circular pelos bastidores do Teatro do Bourbon Country para tirar fotos e entrevistar Marina Lopes, uma das violonistas do quinteto “Monte Cristo Coral e Orquestra”. O grupo apresentou um tributo à banda britânica Coldplay. “No fim do concerto, tive que vencer a timidez para conseguir pegar o depoimento de algumas pessoas do público. Mas a parte mais desafiadora, sem dúvida, foi fazer as fotos e a edição delas posteriormente”, comenta.


Luísa esteve presente no evento, que conta com luz de velas iluminando músicos, que tocam diferentes gêneros musicais
(Foto: Luísa Bell)


Luísa confessa que queria muito fazer um material fotográfico autoral, e entende que fez o melhor que pode com sua própria câmera, sem poder usar o flash, para vencer a escuridão do local. No final, ela diz que tudo deu certo, pois conseguiu alcançar uma de suas metas, que era ganhar a capa de um jornal. “Fiquei muito feliz com isso e feliz que os professores gostaram do resultado”, diz.


Torcidas organizadas e o debate da violência no futebol 


O aluno Dominik Machado contribuiu com a reportagem sobre as torcidas organizadas, fazendo associação com a violência no futebol nos dias atuais. “A festa que as torcidas organizam pode ser maravilhosa, porém, no momento em que algumas pessoas deixam de ir aos jogos por medo das brigas, é sinal de que estamos falhando como sociedade”, comenta.


Ir a um jogo pode ser legal, mas, com a onda de violência, as pessoas tem evitado esses lugares
(Arquivo: Divulgação)


Além disso, Dominik notou que a maioria das torcidas organizadas não é movida apenas pela paixão e pelo amor aos clubes que torcem. Segundo suas pesquisas, a violência no futebol iniciou na Europa na década de 1980 e chegou ao Brasil nos anos 1990, permanecendo até hoje. Por causa dela, os times envolvidos são punidos com a perda do mando de campo nos estádios, e as torcidas organizadas que patrocinaram confusões são suspensas por períodos de tempo determinados pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).  


Inteligência Artificial


Petra Karenina abordou sobre a Inteligência Artificial (IA) a partir de softwares, como o ChatGPT e Midjourney: “É fundamental debater os desafios éticos e sociais associados à tecnologia, tais como o uso responsável da IA, a garantia da transparência dos algoritmos, a proteção de privacidade dos usuários e a mitigação do viés algoritmo”, defende a estudante.


Há termômetros de rua que já utilizam Inteligência Artificial para exibirem propagandas e informações de temperatura e horário
(Foto: Petra Karenina)


Porém, Petra acredita que muitas pessoas não estão cientes dessas aplicações e que elas já fazem parte do cotidiano. Por isso, ela trouxe, em seu texto, exemplos desenvolvidos e implementados pelo Estado. Aqui no Rio Grande do Sul, já existem pelo menos 28 parques tecnológicos. “Com incentivo público e fortalecimento das parcerias entre empresas, instituições de pesquisa, universidades e o contínuo desenvolvimento de soluções inovadoras, a IA tem o potencial de impulsionar a economia local, atrair investimentos e posicionar o Estado como referência nacional e internacional no campo da tecnologia”, explica a aluna.

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Histórias que nunca serão esquecidas https://mescla.cc/2020/11/30/historias-que-nunca-serao-esquecidas/ https://mescla.cc/2020/11/30/historias-que-nunca-serao-esquecidas/#respond Mon, 30 Nov 2020 18:15:33 +0000 http://mescla.cc/?p=14522 Cinco anos ininterruptos de oferta da Beta Redação – a publicação digtial dos laboratórios de jornalismo da Unisinos -, cinco editorias e um grande número de histórias nos mais diferentes formatos, áudio, vídeo, infográfico e muito texto. Algumas dessas matérias se tornam marcantes para quem as faz, e seguem sendo lembradas mesmo após os repórteres […]

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Cinco anos ininterruptos de oferta da Beta Redação – a publicação digtial dos laboratórios de jornalismo da Unisinos -, cinco editorias e um grande número de histórias nos mais diferentes formatos, áudio, vídeo, infográfico e muito texto.

Algumas dessas matérias se tornam marcantes para quem as faz, e seguem sendo lembradas mesmo após os repórteres terminarem a faculdade. Pensando nisso, nós, do Portal Mescla, entramos em contato com cinco jornalistas que se formaram em Jornalismo pela Unisinos (São Leopoldo e Porto Alegre) para nos contar um pouco sobre matérias produzidas na Beta que são fonte de orgulho.

Leonardo Vieceli, repórter na GaúchaZH

“Em 2015, o ex-deputado estadual e vocalista da banda Comunidade Nin-Jitsu, Diogo Paz Bier (mais conhecido como Mano Changes) assumiu a diretoria do Badesul, e concedeu uma entrevista para a Beta Redação sobre seu trabalho lá.

Essa entrevista que fiz, combina assuntos pelos quais tenho interesse (economia e política) com um dos gêneros mais bacanas do texto jornalístico, o perfil. Quando produzi a matéria, a intenção era mostrar como um personagem conhecido como músico e deputado enfrentava uma nova função: a de diretor de um banco público.”

Leonardo Vieceli se orgulha da entrevista que fez com Diogo Paz Bier por misturar economia e política, dois assuntos de que ele gosta | Foto: Gustavo Roth, Fundação Piratini

Jean Peixoto, repórter no Jornal VS

“Entre todas as experiências maravilhosas que tive ao longo da graduação em Jornalismo, como os jornais Babélia e o Enfoque Vicentina, por exemplo, a Beta Redação foi, sem sombra de dúvidas, o melhor laboratório para a minha preparação como jornalista. Ali, tive a oportunidade de entrevistar o governador do Estado, de aprimorar meus conhecimentos sobre edição de vídeo e contar muitas histórias.

No entanto, penso que o grande mérito da Beta é a possibilidade de fazer jornalismo em grupo, simulando uma redação, de fato. Editar o trabalho do outro é uma responsabilidade imensa, assim como ter o seu trabalho editado por outra pessoa também é um exercício de aceitação, aprendizado e de construção coletiva, que vem me acompanhando em todas as minhas experiências profissionais e de vida desde lá. Por esta razão, escolhi a entrevista que fiz com o então governador do RS, José Ivo Sartori, que foi um trabalho coletivo. Trabalhamos com texto e vídeo para propor uma cobertura multiplataforma. Aprendi muito fazendo essa entrevista e me orgulho do resultado dela, especialmente, porque foi feita com colegas queridos que também são excelentes profissionais.”

Jean Peixoto entende que foi uma bela oportunidade poder entrevistar o então governador José Ivo Sartori | Foto: Arquivo pessoal

Victória Lima, social media na Usina de Notícias

“De todas as matérias que fiz para a Beta Redação, essa foi a que mais me proporcionou a sensação de estar inserida em uma redação jornalística. A decisão do STF (de acabar com a prisão após condenação em segunda instância) saiu justamente naquela noite em que eu estava em aula na Beta Política, era por volta das 21h. Assim que eu soube da decisão, comecei a apurar as informações e contei com a ajuda da minha editora Caroline Tidra para levantar as fontes. Foi uma adrenalina, e em 1h30min a matéria estava no ar. 

Diferente de outras reportagens que realizei na Beta, essa me proporcionou uma conexão maior com o fato, com a notícia em si, do que com a estética do texto final. Não que o jornalista não deva se preocupar com sua escrita, mas até ali eu não havia experimentado esse outro lado do jornalismo.”

Victória Lima lembra com carinho da ocasião em que precisou escrever uma matéria na correria durante o horário de aula | Foto: Arquivo pessoal

Paulo Egídio, repórter de política na GaúchaZH

Essa reportagem expôs uma proposta legislativa que estava tramitando na Câmara de Porto Alegre, cujo teor ainda não havia sido noticiado por veículos de imprensa e cujo tema provocou um debate sobre a possibilidade ou não de os vereadores terem mais controle sobre o orçamento da cidade.

Foi importante para minha formação produzir esse conteúdo porque, durante a realização, pude entender melhor como funciona a articulação de bastidor no poder Legislativo. Essa compreensão contribui muito para minha atividade profissional, que é o jornalismo político. Além disso, pude jogar luz sobre um tema que é de interesse público, conceito que considero um norteador da nossa profissão.”

Paulo Egídio recuperou a matéria que noticiou uma proposta legislativa da Câmara de Porto Alegre que ainda não havia sido falada na imprensa | Foto: Arquivo pessoal

Tainá Rios, redatora na agência de conteúdo Doxxa

“Eu tenho dois grandes momentos de matérias que fiz na Beta. O primeiro que gosto muito de lembrar é a “#OcupaTudoJulinho”, que fiz com meu colega Vinicius Ferrari para a editoria de Geral. As escolas estaduais estavam em greve e fazendo ocupações, e a gente conseguiu entrar no colégio Júlio de Castilhos porque éramos uma mídia independente e universitária. Eles deixaram a gente entrar e passar uma tarde lá dentro com eles. Os alunos e professores foram muito receptivos com a gente, assim que entramos eles nos mostraram a escola e como estava funcionando a ocupação. Na matéria tem um mini documentário com filmagens lá de dentro, e a gente colocou os alunos como protagonistas para explicarem como estavam se organizando naquele momento.

Outro momento muito especial foi na editoria de Cultura, onde participei da cobertura do “Cássia Eller – O Musical”. Eu sou muito fã da Cássia Eller e estava esperando ansiosamente por esse musical. Já assisti ele três vezes, e a primeira vez foi como repórter de Cultura da Beta. Conversamos com uma das atrizes principais, com o produtor e roteirista da peça, acompanhamos o musical e fizemos uma crítica. Foi muito legal porque conseguimos colocar vários formatos de linguagem do jornalismo cultural.”

Enquanto repórter na Beta, Tainá Rios conseguiu prestigiar o musical da Cássia Eller, de quem ela é muito fã | Foto: Arquivo pessoal

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Telejornalismo em Tempos de Coronavírus https://mescla.cc/2020/06/16/telejornalismo-em-tempos-de-coronavirus/ https://mescla.cc/2020/06/16/telejornalismo-em-tempos-de-coronavirus/#respond Tue, 16 Jun 2020 19:47:29 +0000 http://mescla.cc/?p=13304 “O que importa é a mensagem que a gente quer passar”, disse Cristine Gallisa em videochamada com estudantes da atividade de Jornalismo Audiovisual e Reportagem, da Unisinos. A repórter se referia à transformação dos padrões estéticos exigidos para das reportagens por parte dos editores de telejornais. Com 27 anos de profissão, a jornalista contou histórias […]

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“O que importa é a mensagem que a gente quer passar”, disse Cristine Gallisa em videochamada com estudantes da atividade de Jornalismo Audiovisual e Reportagem, da Unisinos. A repórter se referia à transformação dos padrões estéticos exigidos para das reportagens por parte dos editores de telejornais.

Com 27 anos de profissão, a jornalista contou histórias da carreira, falou sobre a importância da apuração no telejornalismo – especialmente para as grandes reportagens – e compartilhou as dificuldades enfrentadas por ela e por colegas nesse novo contexto.

Repórteres mascarados são o novo “normal” (Foto: Reprodução/Globoplay)

Gallisa diz que um aspecto positivo para o aprendizado neste período, são as sensações de incerteza frente ao que já achava estar dominado: “de repente eu ia fazer ao vivo no RBS Notícias com frio na barriga”. Ela entende que todos estão precisando agir  juntos sobre o problema, pois há  muita informação imprecisa circulando. Entre os temas que são discutidos no meio telejornalístico, a “infodemia” é uma preocupação comum. Junto com a epidemia viral, houve um processo semelhante, uma epidemia de informações falsas. Ela compara a situação à uma guerrilha, onde “a gente [jornalistas] está nesse front”.

Cristine Gallisa é formada pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), com pós-graduação em Comunicação e Política. Começou a carreira como repórter na editoria de Geral e Política do Jornal do Povo de Cachoeira do Sul. Trabalhou por sete anos na redação da Gazeta do Sul, de Santa Cruz do Sul, e então passou a trabalhar para a emissora RBS TV em 2003. Em 2007, mudou-se para trabalhar em Porto Alegre, onde está até hoje. Participou de coberturas especiais, como eleições e o julgamento do ex-presidente Lula na Lava-Jato, e acompanhou por três meses as investigações sobre o incêndio da Boate Kiss em Santa Maria. Desde 2017 procura focar o trabalho como repórter na área de educação pública.

Reportagens Home Office

Com 80% da redação trabalhando em casa, o jornalismo precisou se adaptar, diz ela. Muitos tiveram dificuldades para aceitar que tudo precisa ser feito pelo computador, e a televisão, que sempre foi complexa, precisou ser simplificada.

Nem mesmo âncoras, como Elói Zorzetto, estão livres do Home Office (Foto: Reprodução/Globoplay)

Um exemplo desta mudança está na busca de cases, estratégia bastante usada no telejornalismo para contar histórias de pessoas para exemplificar problemas e dados. A necessidade incluiu novas formas de coletar as imagens e vídeos para a reportagem. Pessoas convalescentes, contaminadas pelo coronavírus, passaram a registrar sozinhas seus depoimentos e enviar os vídeos para jornalistas que compunham reportagens, explica Gallisa.

Até então, a prática de entrevistar pela internet era evitada: “não era uma coisa que colocaríamos em primeira mão, nunca”, explicou a jornalista. Por outro lado, agora o fazem sem nenhum problema. Além da qualidade da mensagem, o importante é que os jornalistas não tenham a saúde prejudicada: “não podemos adoecer”, enfatizou.

Exemplo de entrevista pelo celular em reportagem do RBS Notícias (Foto: Reprodução/Globoplay)

Novas técnicas e estéticas provocadas pela pandemia

Para entrevistas à distância, a câmera passou a captar o repórter segurando o celular, onde é possível ver a chamada em vídeo com a fonte. O microfone passa a apontar para o alto-falante do aparelho, ao invés de para uma pessoa. E a reportagem fica pronta e é entregue como for possível. “É o que a casa permite nesse momento”, brincou.

Aos poucos, os repórteres voltam para as ruas. Como medida de segurança, por exemplo, o uso da máscara acontece mesmo na gravação das passagens. Para conversar com fontes de forma presencial, ou se usam prolongadores, ou se fornece um microfone exclusivo para o entrevistado. Não é incomum que repórteres façam todas ou quase todas as funções da reportagem.

Microfones são aproximados da fonte pelo uso de prolongadores (Foto: Reprodução/Globoplay)

Gallisa relembra que anos atrás havia os chamados “abelhinhas”, repórteres que faziam às vezes de câmera. Depois de um tempo desaparecidos, voltam agora como vídeo repórteres, operando tripé, celular, microfone e fazendo o que for necessário para concluir a matéria. Apesar de ser uma tendência, ela alerta sobre as perdas inerentes a este processo, pois acredita que a qualidade do telejornalismo está principalmente no trabalho coletivo, que envolve muito o talento dos repórteres cinematográficos.

Cristine ainda falou sobre seu processo de produção, para os estudantes. O principal papel do repórter é fazer todas as perguntas, “levar conteúdo para dentro da redação”, disse. A jornalista contou que sempre teve dificuldade de se adaptar às regras rígidas de tempo impostas para as matérias, e que sempre “estoura”. “É melhor ter material demais do que de menos”. Apesar de sempre buscar mais tempo e mais espaço para as reportagens, ela admite que matérias de quatro minutos são “um latifúndio” na televisão. Com a experiência, se aprende que “nem toda matéria merece três minutos”.

Uma dica da repórter para os futuros jornalistas é que deixem algumas coisas para incrementar a mesmo assunto no dia seguinte. A repórter se refere ao fato das matérias precisarem ganhar novas novas versões em diferentes telejornais, uma prática mais comum hoje.

Crítica aos padrões preestabelecidos

Cristine aproveitou para lembrar sobre os padrões que volta e meia assolam o telejornalismo. Havia uma época, disse ela, em que não se gravavam passagens, a não ser em casos especiais. Depois, a passagem se tornou obrigatória e era necessário ainda que repórteres a fizessem caminhando, ainda que nada fosse mostrado por esse movimento. Por um tempo houve a obrigação de que as sonoras tivessem até 15 segundos, tornando mais difícil a contextualização dos temas. “A gente não pode ser refém da regra”, expressou.

Gallisa em videochamada com alunos da Unisinos registrada pela professora Luciana Kraemer

Perguntada pelos estudantes sobre como faz para construir suas matérias, a repórter compartilhou perguntas que os ajudem a decidir sobre o que incluir ou excluir da reportagem: “De tudo que eu tenho, o que é essencial para o telespectador? O que o cidadão precisa saber para que ele entenda que não pode se expor lá fora? Será que a pessoa vai entender o que eu estou falando?”. Com atenção a esses pontos se torna mais fácil saber se está no caminho certo.

Gallisa enfatizou que o repórter precisa ir na causa do problema, e não se contentar apenas em explorar os sintomas. Foi a partir de uma investigação mais profunda sobre as origens da criminalidade que surgiu uma série de reportagens chamada “Educar Para Mudar”, feita em 2017, sobre a educação pública no RS.

Série de reportagens para o RBS Notícias (Foto: Reprodução/Globoplay)

A repórter se deparou com dados que apontaram a baixíssima escolaridade da maioria dos presos. A partir disso, encontrou informações de que a educação também estava diretamente relacionada com a melhoria econômica do país e com a ascensão social. Temas como estes não costumam estar presentes em notícias sobre criminalidade. “Esse é o desafio hoje, sair da cacofonia de ver as mesmas matérias em todas as plataformas”, disse.

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Fabiana Moraes https://mescla.cc/2019/12/02/fabiana-moraes/ https://mescla.cc/2019/12/02/fabiana-moraes/#respond Mon, 02 Dec 2019 20:09:03 +0000 http://mescla.cc/?p=12480 A pernambucana Fabiana Moraes, é atualmente repórter especial do Jornal do Commercio e professora do Núcleo de Design e Comunicação, Centro Acadêmico do Agreste, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE/CAA). Mesma universidade que a graduou em Comunicação Social e a tornou mestre em Comunicação e doutora em Sociologia.   Fabiana também é autora de diversos livros reportagens, que lhe renderam prêmios. Entre […]

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A pernambucana Fabiana Moraes, é atualmente repórter especial do Jornal do Commercio e professora do Núcleo de Design e Comunicação, Centro Acadêmico do Agreste, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE/CAA). Mesma universidade que a graduou em Comunicação Social e a tornou mestre em Comunicação e doutora em Sociologia.  

Fabiana também é autora de diversos livros reportagens, que lhe renderam prêmios. Entre os principais estão O Nascimento de Joicy – Transexualidade, jornalismo e os limites entre repórter e personagem; e Os Sertões. Nessa edição do Referências, Fabiana conta um pouco sobre a produção de seus trabalhos, os desafios do jornalista na atualidade e a relação com a fonte.  

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Jornalista, já pensou em falar mais sobre educação? https://mescla.cc/2019/08/08/jornalista-ja-pensou-em-mais-sobre-educacao/ https://mescla.cc/2019/08/08/jornalista-ja-pensou-em-mais-sobre-educacao/#respond Thu, 08 Aug 2019 17:31:13 +0000 http://mescla.cc/?p=10831 Ao pensarmos em exemplos de editorias de jornal, normalmente nos vêm à mente temas como política, esporte, economia e cultura. Provavelmente isso se deve ao fato de que esses tendem a ser justamente os assuntos de maior interesse dos leitores e da população em geral. Isso leva muitas pessoas a esquecerem da existência de outras […]

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Ao pensarmos em exemplos de editorias de jornal, normalmente nos vêm à mente temas como política, esporte, economia e cultura. Provavelmente isso se deve ao fato de que esses tendem a ser justamente os assuntos de maior interesse dos leitores e da população em geral. Isso leva muitas pessoas a esquecerem da existência de outras editorias e assuntos que podem ser encontrados nos jornais. Um deles é a educação.

Talvez, ao se deparar com jornalismo de educação, você imagine que ele se resume a matérias como o resultado do ENEM, o tema da redação do vestibular de alguma universidade federal, uma nova publicação do Ministério da Educação, entre outros assuntos nessa linha. De fato, a editoria de educação é responsável por falar sobre esses assuntos, mas há muito mais área de atuação dentro dela.

O jornalista que trabalha com educação também tem a possibilidade de fazer reportagens sobre assuntos como a precariedade de determinadas escolas, o desempenho dos alunos, o índice de evasão escolar, o investimento em educação que é feito no Brasil em relação a outros países, entre outros temas. Dependendo do assunto da reportagem que estiver sendo produzida, o setorista de educação precisa ter entendimento sobre estatística, análise de dados, gestão financeira e até sobre como conseguir entrevistar crianças.

Para saber mais sobre essa editoria e a atuação do comunicador dentro dela, o Mescla conversou com dois especialistas. Antônio Gois é colunista de educação do jornal O Globo. Já recebeu vários prêmios por suas reportagens sobre educação, e é presidente da Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca), entidade que busca criar uma rede de contato entre comunicadores que trabalham com essa editoria para prestar qualquer auxílio necessário. Angela Chagas é diretora da Jeduca e doutoranda em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Foi comentarista de educação da Rádio Gaúcha e editora digital da GaúchaZH. Cobre o tema desde 2010, quando começou no portal Terra. Foi vencedora dos prêmios Estácio e TCE-RS de Jornalismo por reportagens sobre educação.

Recentemente, os dois jornalistas estiveram na Escola Superior de Advocacia da OAB/RS, em Porto Alegre, para ministrar a oficina “Financiamento: os desafios do fim do FUNDEB”, que integrou o II Simpósio Nacional de Educação. Assim que a oficina foi encerrada, fizemos uma entrevista com eles para aprendermos mais sobre a editoria de educação no jornalismo.

Confira a conversa com os jornalistas.

O jornalismo de educação não parece possuir tanta visibilidade quanto outras editorias. Vocês concordam com essa percepção?

Angela: No geral, eu acho que a gente precisa, sim, de mais espaço para reportagens de educação. A gente ainda tem uma cobertura jornalística muito focada nas pautas de política, economia e a área de segurança pública, mas eu acho que o jornalismo de educação tem conquistado espaço, principalmente nos últimos anos, com maior interesse dos próprios jornalistas pela cobertura da área. Eu acredito também que um pouco do destaque que a área vem assumindo está nas políticas públicas. O governo federal, principalmente, pauta bastante a questão da educação com programas e políticas. Agora, inclusive, no governo Bolsonaro, a gente tem falado muito de educação. Inclusive quando a gente aborda os cortes de recursos para o ensino superior, a gente está falando de educação. E os jornalistas têm feito um trabalho de propor um debate mais aprofundado sobre o tema, por exemplo, o porquê desses cortes e quais os reflexos dele. O jornalismo de educação precisa de mais espaço, mas acho que a gente já avançou bastante.

Antônio: Eu concordo com a Angela. Ao meu ver, poderia ser feita uma pesquisa que olhasse nos arquivos históricos dos jornais para ver que tipo de espaço era dado para a educação e que tipo de abordagem já foi realizada. Quando eu converso com jornalistas mais experientes, que cobriram educação, às vezes eles falam com um saudosismo “ah, porque na minha época o jornal falava mais de educação”, mas quando pergunto sobre que tipo de educação se falava, eles respondem que faziam cobertura de universidades, de vestibular. Isso me faz desconfiar que um jornalismo com essa ênfase em educação que temos hoje não existia. O jornalismo tem um papel não só de estar à frente da sociedade, mas também de ser um reflexo dela. Então, como a Angela disse, a sociedade passou a valorizar mais a educação. Não como a gente gostaria ainda, mas vemos mais gente falando de educação. Empresários passaram a ser atores neste cenário, o que não eram há 20 anos. Você não tinha fundações vinculadas a empresas, a grandes conglomerados, com pautas educacionais. Você tinha projetos aqui e ali. O papel do jornalista, primeiramente, é se qualificar para cobrir melhor esse cenário, com essa nova lente. Não é só olhar. A gente sempre fez muita matéria de acesso, como falta de creche, fila de pais não querendo matricular os filhos numa escola, entre outros assuntos. Mas, quando você vai olhar para a aprendizagem, aí é muito mais complexo. Exige de nós, jornalistas, outras ferramentas que acho que a gente não tem. E é por isso que criamos uma associação de jornalistas de educação. Para entender esse ambiente do aprendizado, é necessário ter um conhecimento mais sofisticado do que um conhecimento para saber, por exemplo, quantas crianças estão fora de creche. E as crianças que estão na escola, elas estão aprendendo? Como a gente vai medir essa aprendizagem? Como melhorá-la? Então, isso é um pulo que eu acho que a gente ainda precisa dar. Mas fica quase que um pedido, que vocês estudem a cobertura da educação nos jornais de antigamente e as principais transformações na editoria. Eu vi alguns estudos acadêmicos sobre isso, mas acho que a gente ainda fala muito na base do “achismo”. Até fui entrevistado para um desses estudos, mas quando vi era uma tese baseada muito na opinião das pessoas. Eu queria que alguém fosse atrás dos arquivos históricos para checar se havia mais cobertura de educação no passado, e que cobertura era essa. Minha hipótese é que não tinha, e que a cobertura era muito focada no acesso, não se falava tanto no aprendizado.

Quais conhecimentos específicos um jornalista focado em educação precisa ter, que o diferencie dos profissionais que trabalham com as outras editorias?

Angela: Vou falar um pouquinho da minha experiência. Eu fiz jornalismo para ser jornalista de política, aí a oportunidade que surgiu pra mim foi para trabalhar como repórter de educação. E eu tive um susto inicial, porque eu não fiz a faculdade pensando em trabalhar com o jornalismo de educação. Então eu fiquei muito assustada quando eu comecei porque eu tinha que cobrir desde a educação infantil, o acesso à creche, até pautas sobre universidades. E tem uma diferença muito grande entre as políticas de creche até o ensino superior, é uma diversidade enorme. Ao meu ver, a gente trabalha muito em cima dos indicadores de qualidade e resultados das avaliações em larga escala, como o ENEM. Precisamos também ter um conhecimento sobre os fatores que influenciam as avaliações das escolas. Por exemplo: a nota do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de uma escola municipal de Porto Alegre, que fica lá na Vila Cruzeiro, foi bem baixa. É porque os professores daquela escola são ruins? Não é bem isso, há vários outros fatores que envolvem esse fato. Então, eu acredito que a gente tem que ter uma visão ampla de conseguir tratar de assuntos que são específicos, desde a educação infantil, até o ensino superior, e também conseguir compreender questões que vão além da educação dentro da sala de aula. Questões sociais e econômicas que interferem na educação.

Antônio: Eu concordo. Acho que o que diferencia um jornalista de educação de um outro jornalista, que eventualmente pode até fazer matéria de educação, é isso o que a Angela falou: é a aprendizagem. Um bom jornalista investigativo de política pode fazer uma baita matéria relevante sobre municípios ou Estados que não estão cumprindo a legislação com relação à aplicação de recursos na educação. Não precisa ser repórter de educação para fazer essa matéria. Você não precisa ser repórter de educação para fazer uma matéria sobre fraude em merenda. Basta conhecer um pouco a legislação educacional, pouco mesmo, e você consegue fazer uma matéria sobre quantas crianças estão fora da escola. Agora, quando você entra na discussão do motivo pelo qual essas crianças estão fora da escola, por que os jovens evadem do Ensino Médio, por que a escola não está fazendo sentido pra eles, aí você entra na questão da aprendizagem, e para isso você precisa ter um conhecimento sobre o que impacta na aprendizagem. A avaliação educacional mostra muito claramente que o nível socioeconômico das famílias é o fator de maior relevância na aprendizagem. Ou seja, você não pode comparar uma escola privada de elite em Porto Alegre com uma escola que fica numa favela na periferia. São perfis diferentes de alunos, que interferem no aprendizado. Então, um mesmo repórter que fizer uma matéria brilhante sobre o gasto que não está sendo feito conforme a lei, pode fazer uma matéria trágica do ponto de vista do impacto para a sociedade. Ele não pode pegar um dado do ENEM e comparar uma escola muito rica com outra muito pobre e falar “olha, essa escola aqui é uma porcaria porque ela tem resultado ruim no ENEM”, pois precisa saber que há outros fatores que interferem no aprendizado. Eu acho que é essa a principal distinção de um jornalista mais qualificado para falar de educação: é a questão de aprendizagem.

Antônio Gois é um jornalista premiado e presidente da Jeduca. Escreve colunas sobre educação para o jornal O Globo | Foto: Adriana Silveira

Geralmente, quais são as principais dificuldades que um jornalista pode encontrar ao falar sobre educação?

Antônio: Eu acho que tem dificuldades comuns a todos jornalistas setoristas. Tem a dificuldade de espaço das editorias, como a gente já falou, e de tempo para você viabilizar as matérias. Se essa entrevista fosse com repórteres de saúde, eles estariam também reclamando da falta de tempo que eles têm. A falta de tempo limita o acesso à escola, mas nem todas têm uma política receptiva com o jornalista. Às vezes a gente vai como jornalista numa escola apenas para pegar uma frase que nos interessa, porque a gente precisa daquela imagem para ilustrar nossa matéria. Eu acho que uma das coisas que sinto falta é conviver com os atores da escola. Até para entender melhor dos indicadores macro, você precisa ter sensibilidade para olhar como são os micro. Olhar a árvore não é olhar a floresta. Então acho que você precisa ter esses dois olhares para fazer uma boa reportagem. Indicadores como o Ideb, que é uma média de um monte de dados, são relevantes, mas não são suficientes para você entender fenômenos mais complexos que acontecem na sala de aula.

Angela: Eu acho que às vezes a gente acaba sendo bastante pautado pelas políticas, principais do governo federal, e para o jornalista compreender e apresentar uma reportagem com todos os elementos e formar sua opinião a respeito daquele assunto é bem difícil. Claro, isso envolve a questão do tempo, e também de ver o quanto isso reflete na escola. Por exemplo, tem uma política do governo federal que é a implementação do ensino médio de tempo integral, que as redes já estão fazendo aqui no Rio Grande do Sul, desde o ano passado. E eu já participei de reportagens falando dessa política, tem vários especialistas que apontam a importância da ampliação da carga horária das escolas. Mas, quando a gente consegue ir nas escolas para ver como essa política está funcionando na prática, alguns problemas já começam a surgir. Por exemplo, aqui no Rio Grande do Sul, essas escolas de tempo integral no ensino médio estão com uma alta evasão. Então, quando a gente faz um jornalismo só focado na proposta federal e sem ouvir os atores das escolas, a gente acaba não pegando alguns elementos que são importantes também. O motivo pelo qual uma proposta que permite aos alunos ficarem o dia inteiro nas escolas, terem refeições, terem atividades diversas, ainda os faz abandonar este espaço. Então, o jornalista vai na escola e percebe que esses estudantes do ensino médio precisam trabalhar, precisam fazer um estágio, precisam ajudar como fonte de renda para a família. A gente acaba muitas vezes não conseguindo chegar até a escola e não abordando outros elementos que são importantes ressaltar quando a política está lá na ponta. Isso também é decorrente da gente ficar muitas vezes fazendo reportagem por telefone, ou mais recentemente, por WhatsApp, e não estar vendo a política como ela está acontecendo.

Vamos falar agora sobre a Jeduca. De que forma ela pode auxiliar quem tiver interesse no jornalismo de educação ou fazendo sua primeira reportagem para essa editoria?

Antônio: A Jeduca pode ajudar de diversas maneiras. Em primeiro lugar, eu convido todos, jornalistas ou estudantes de jornalismo que se interessem por educação, que entrem no nosso site (www.jeduca.org.br) e se associem. Ao se associar, gratuitamente, você vai fazer parte de uma lista de e-mails com jornalistas profissionais, assessores de imprensa e pessoas debatendo temas da educação. No nosso site a gente disponibiliza guias. Por exemplo, vamos lançar agora um guia de financiamento da educação. Você quer fazer uma matéria sobre quanto gasta a União na educação. Então, vai estar lá um guia sobre isso. Temos um guia sobre como entrevistar crianças, algo bem específico da técnica jornalística. Esse é um guia que fala tanto da técnica quanto da ética ao se entrevistar uma criança. E a gente tem um serviço da editora pública, que é gerenciada pela Marta Avancini. A Marta é uma profissional com experiência em educação, paga pela associação para fazer um serviço gratuito para qualquer jornalista. Não precisa se associar, qualquer jornalista ou estudante de jornalismo que esteja fazendo um trabalho sobre educação pode acessar. No nosso site tem o celular dela, que é acessível para todos. Pode ligar, mandar mensagem no WhatsApp ou e-mail. Considerando que muitas vezes o jornalista de educação provavelmente não vai ter um editor experiente que conheça a educação ou um colega para conversar sobre o assunto, a Marta, através da editora pública, preenche essa lacuna.

Angela: E a associação também faz alguns eventos, alguns webnários sobre temas que estão na pauta de educação, que podem ser acompanhados de qualquer lugar do Brasil. Por exemplo, falamos neles sobre financiamento ou sobre avaliação. A associação sempre faz alguns eventos com discussões e com dicas para os jornalistas sobre cobertura de eventos. E agora tem o 3º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação dias 19 e 20 de agosto, as inscrições estão abertas ainda. O congresso vai ser em São Paulo. A gente vai reunir jornalistas experientes, pesquisadores, educadores, professores de escolas e estudantes para também debater as políticas de educação. Para estudantes de jornalismo, a inscrição custa R$ 20,00.

Quais são as principais ferramentas online que um jornalista de educação pode utilizar para fazer suas matérias?

Angela: Tem algumas ferramentas que são relacionadas ao financiamento da educação, na qual o jornalista pode consultar informações sobre o investimento dos municípios, do Estado e da União. Uma das ferramentas, o SIOPE, está dentro do site do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), que é vinculado ao Ministério da Educação. Ali há informações bem detalhadas que os municípios e os Estados repassam sobre seus investimentos em educação. Tem também o Portal da Transparência, onde há informações sobre os gastos em educação. Aqui no Rio Grande do Sul tem o site do Tribunal de Contas do Estado, com bastante informação sobre os investimentos municipais. Além das fontes oficiais, tem o site Qedu, que é interessante para os jornalistas fazerem buscas de uma forma mais simples sobre o resultado do Ideb de um município, por exemplo. Tem os dados do censo escolar sobre as estruturas das escolas. Dá para pesquisar ali por nome da escola daqui do Rio Grande do Sul, por exemplo. E é feito a partir de dados oficiais. O próprio Tribunal de Contas criou uma ferramenta que é o TC Educa, outro site que tem dados de monitoramento das metas do plano nacional de educação. São todas ferramentas que podem ajudar o jornalista no seu trabalho no dia a dia. À primeira vista podem parecer informações mais complicadas, mas estão ali disponíveis.

Antônio: Um dos projetos da Jeduca, que talvez saia ano que vem, é a criação de um portal no nosso site que mapeie todos os portais de dados de educação. A gente quer criar uma ferramenta que facilite o conhecimento desses portais que a Angela citou e de muitos outros para que a pessoa possa fazer uma busca e ser direcionada. Dependendo da informação, tem sites que vão te dar uma maior ou menor precisão. Então, é uma das coisas que a gente está querendo fazer na Jeduca.

Para finalizar, gostaria que vocês contassem como foi que vocês acabaram entrando no jornalismo de educação e como foram as primeiras experiências de vocês.

Angela: Eu comecei como jornalista de educação no portal Terra em 2010. Eu fiz a faculdade de jornalismo pensando em ser repórter de política, que é uma área que eu me interessava bastante, e a oportunidade que tinha no portal Terra era como repórter de educação. Eu fui e acabei me envolvendo muito, acabei gostando muito da área. Depois eu saí do Terra e fui para o Grupo RBS, para a Rádio Gaúcha, onde segui trabalhando com educação. Fui conquistando alguns espaços, fazendo comentários na rádio sobre educação, e depois eu fui trabalhar também, além da Rádio Gaúcha, no jornal Zero Hora, fazendo reportagens também sobre educação. Foi meio sem querer, mas eu acabei gostando da área, e também fui procurar aprender mais porque me assustava um pouco ter que falar de coisas tão específicas. Eu fiz mestrado em Educação na UFRGS, na Faculdade de Educação, e agora estou começando o doutorado em Educação. E é bem apaixonante trabalhar com isso.

Antônio: Eu costumo contar uma história dizendo que sou filho de jornalista e de professor, e que por isso me interessei sobre o jornalismo de educação. Mas eu vou contar o segredo pra vocês: é mentira. A verdade é igualzinha à história da Angela. Eu sempre gostei de economia e de política, e na faculdade eu ficava dividido entre trabalhar com essas editorias. Mas o primeiro emprego que me oferecem foi em educação, e eu fiquei apaixonado pelo tema. Eu tive a oportunidade na minha carreira de trabalhar com economia e política, mas as minhas pautas na economia eram voltadas à educação, e na política sempre que eu podia voltar para educação, eu voltava. Nas redações também isso é muito comum, como você não tem tantas posições para quem trabalha com jornalismo de educação, você vai subindo na carreira. E geralmente a posição de chefia não fica cuidando só de uma área. E quando eu fui subeditor de política de O Globo, eu não cuidava só de educação. E eu hoje acho também que mesmo quem não é jornalista de setores de educação precisa entender dessa área. Acredito que um bom jornalista de política – ainda mais agora, no cenário do governo Bolsonaro, em que a educação virou um tópico de tanto conflito – precisa entender o mínimo de educação. Um jornalista de economia então, nem se fala. Se ele quer fazer uma matéria sobre produtividade, sobre porque o Rio Grande do Sul não cresce como gostaria de crescer, ele vai ter que entender de educação, vai ter que conhecer um pouco dos indicadores da relação entre a educação e a produtividade. Se ele for um jornalista de saúde, ele vai ter que saber que a educação é uma variável importantíssima que impacta em vários indicadores de saúde. E aqui uma notícia exclusiva para vocês: a gente vai lançar no nosso Congresso uma pesquisa do perfil do jornalista de educação. Quem são esses jornalistas, qual o perfil desse profissional, que tipo de fonte ele procura. E a gente acredita que isso possa ser um bom insumo para pesquisas acadêmicas sobre o jornalismo de educação.

Angela Chagas é diretora da Jeduca e doutoranda em Educação pela UFRGS. Foi comentarista de educação da Rádio Gaúcha e editora digital da GaúchaZH | Foto: Adriana Silveira

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Sete dicas da equipe do Profissão Repórter para novos jornalistas https://mescla.cc/2018/03/14/sete-dicas-da-equipe-do-profissao-reporter-para-novos-jornalistas/ https://mescla.cc/2018/03/14/sete-dicas-da-equipe-do-profissao-reporter-para-novos-jornalistas/#respond Wed, 14 Mar 2018 20:37:49 +0000 http://mescla.cc/?p=4879 Os jornalistas Caio Cavechini e Eliane Scardovelli, em uma parceria com o Globo Lab, trouxeram muita informação sobre reportagem. De conceitos básicos a estratégias do próprio programa, ambos relataram experiências profissionais, pessoais e demonstraram que os velhos hábitos da televisão não são a única forma de fazer jornalismo. Abaixo seguem as dicas dos profissionais: 1) Improviso “É a situação que determina para onde a matéria vai”, aconselhou Caio Cavechinni no início da apresentação. As ações individuais que ocorrem dentro da reportagem são mais importantes do que a fala do repórter. “Muitas vezes, saímos para a rua com uma ideia na cabeça […]

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Os jornalistas Caio Cavechini e Eliane Scardovelli, em uma parceria com o Globo Lab, trouxeram muita informação sobre reportagem. De conceitos básicos a estratégias do próprio programa, ambos relataram experiências profissionais, pessoais e demonstraram que os velhos hábitos da televisão não são a única forma de fazer jornalismo. Abaixo seguem as dicas dos profissionais:

1) Improviso

“É a situação que determina para onde a matéria vai”, aconselhou Caio Cavechinni no início da apresentação. As ações individuais que ocorrem dentro da reportagem são mais importantes do que a fala do repórter. “Muitas vezes, saímos para a rua com uma ideia na cabeça e, ao chegar lá, a situação é outra”, exemplifica ele.

2Intervenção

“Quando é a hora do repórter entrar em cena?”, questionou Eliane Scardovelli. Compreender a hora de intervir, colocar-se na matéria, é um dos principais pontos para que a reportagem tenha um bom ritmo. O jornalista atento também percebe o momento de se ausentar do texto e da cena. Permitir que a fonte diga o que ela sente e investir na fala humana, pessoal, são boas ideias para ilustrar a reportagem.

3Mostrar é melhor que contar

“Evite ao máximo entrevistas. Não significa que não pode fazer entrevista, mas o objetivo da equipe do Profissão Repórter é que as pessoas lhes contem menos e lhes mostrem mais”, enfatizou Caio. Estamos falando sobre audiovisual. A ação sempre será melhor que a descrição da mesma.

4Ansiedade

Tanto o repórter quanto a fonte podem se intimidar durante uma entrevista. Às vezes, a ansiedade faz com que o jornalista perca detalhes visuais que poderiam contribuir para as gravações. Do mesmo modo, deixar a personagem mais à vontade em seu ambiente pode gerar ótimas imagens e falas.

5) Observação

Imagens simbólicas podem enriquecer as reportagens. O recorte escolhido pelo repórter e o jeito de mostrar a informação auxiliam na história e no seu entendimento, por isso é preciso estar atento ao ambiente, não só ao enquadramento da câmera.

6Personagem

“As pessoas estão acima do tema”, relatou Eliane. A personagem de uma reportagem tem (ou deveria ter) mais relevância do que o próprio tema. Sua função não é apenas humanizar. Ela é a própria história e o tema se personifica na rotina dela. Sempre respeitar a fonte, nunca colocá-la em uma situação acusatória ou de vexame. Saber ouvir o que ela tem a falar.

7) Expectativa

Reportagens surgem de pautas variadas. É dever do repórter estar preparado para todas as possibilidades. As expectativas de conseguir concluir o trabalho nem sempre são realistas. Saber lidar com a perda da pauta é uma eventualidade.

Confira a entrevista exclusiva dos jornalistas para o Mescla:

 

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Revista faz releitura de sete pecados https://mescla.cc/2017/12/05/revista-faz-releitura-de-sete-pecados/ https://mescla.cc/2017/12/05/revista-faz-releitura-de-sete-pecados/#respond Tue, 05 Dec 2017 20:20:21 +0000 http://mescla.cc/?p=4478 Foi lançada ontem à noite a 48ª edição da Revista Primeira Impressão, uma produção experimental das disciplinas de Narrativas Jornalísticas e Planejamento Editorial e Projeto Experimental em Fotografia do curso de Jornalismo da Unisinos. O evento ocorreu na  Cafeteria Letras e Sabores, localizada no saguão do prédio da Biblioteca, na Unisinos São Leopoldo, e contou […]

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Foi lançada ontem à noite a 48ª edição da Revista Primeira Impressão, uma produção experimental das disciplinas de Narrativas Jornalísticas e Planejamento Editorial e Projeto Experimental em Fotografia do curso de Jornalismo da Unisinos. O evento ocorreu na  Cafeteria Letras e Sabores, localizada no saguão do prédio da Biblioteca, na Unisinos São Leopoldo, e contou com cerca de 40 pessoas, entre estudantes, professores e algumas fontes das reportagens.

Fotos: Kellen Dalbosco

A revista leva um questionamento na capa: “Qual é o seu pecado?” e traz nas páginas histórias que levam os leitores a refletir sobre o tema. “Atualmente, pecado é não estar conectado, é viver com a violência, é não cuidar do próprio corpo e não ser aceito pela sociedade. Dentro do nosso devaneio, descobrimos que pecamos muito e vivemos cercados de pecados – e nem todos podem ser considerados ruins!” antecede o editorial da revista.

Entre os personagens das reportagens presentes no evento estava Patrícia Pedroso, a protagonista de “O ser mulher que incomoda” e a figura que estampou a capa desta edição. Vestida de Drag Queen, foi aplaudida pelos presentes. Ontem, ela representava mais do que a foto da edição, mas as dezenas de pessoas que toparam abrir suas vidas para que os repórteres entrassem e mostrassem uma realidade por vezes escondida.

“Eu fiquei chocada com o convite. Quando a Dyessica (repórter) me falou, eu fiquei muito feliz. Mas eu nunca pensei que seria a capa. Eu amei” exclamou Patty, como gosta de ser chamada. Contar a sua história também foi algo inimaginável para ela, que disse estar ansiosa para enviar a revista a suas amigas Drag Queens de todo o Brasil.

O coordenador do curso de Jornalismo de São Leopoldo, Edelberto Behs, discursou para os presentes. Com orgulho da nova edição da PI, disse que a informação, presente em reportagens que tratam de temas polêmicos, como violência obstétrica e nudez, são uma arma de combate, e que isso a PI “faz muito bem”.

Para os estudantes, foram grandes as dificuldades enfrentadas durante a produção das reportagens. Para Verônica Torres Luize, encontrar uma fonte disposta a conversar sobre o assunto foi um grande desafio. “Era preciso explicar sobre o que se tratava para então poderem se abrir”, contou. “A melhor parte da PI é isso, ela torna o teu trabalho palpável. Você consegue pegar, sentir e mostrar para as pessoas”, contou.

A estudante Eduarda Moraes falou sobre um assunto um tanto polêmico, a nudez feminina. Ela afirma ter enfrentado dificuldades para encontrar fontes dispostas a contar sua história. Um problema diferente encontrou a sua dupla de reportagem. A estudante Maria Carolina de Melo, que atuou como fotógrafa, conta que entrar na intimidade da personagem para fotografar, foi o desafio O resultado final foi positivo, o que explicou a presença da fonte, Emily Schwan, orgulhosa, no lançamento da revista.

Os professores Anelise Zanoni e Flávio Dutra, editores de texto e fotografia respectivamente, mostraram-se orgulhosos do trabalho dos alunos, que teve início em agosto e arrastou-se ao longo do semestre.

Flávio desafiou com a maior preocupação dos fotógrafos. “Como usar uma imagem na capa, por exemplo, sem designar que aquilo é pecado, que é ruim?”. Na capa, por exemplo, a solução foi encontrada com maestria. “Se fez uma pergunta na capa e na foto, o olhar esta inquiridor. O olhar combina com a pergunta. Uma solução editorial para um problema difícil”,  finalizou.

“O trabalho foi feito e a tarefa cumprida. Hoje é um dia de comemoração”, celebrou a professora Anelise. Ela contou que o processo mais difícil e, ao mesmo tempo, mais gratificante é a etapa de diagramação e edição da revista, já que exige um trabalho intenso de revisão e montagem da agenda de diagramação com os estudantes, que participam do projeto. Mas ver a revista tomando forma é a visualização do trabalho feito.

Encontrar um tema editorial e trabalhar com eles, foi o primeiro desafio encontrado pelos professores. Para os estudantes, não bastava debater e aceitar o tema sugerido, mas buscar fontes e informações para as reportagens, que em diversos casos, se mostraram delicadas e de difícil abordagem. A releitura dos sete pecados originais foi abordada nas 22 reportagens da revista. Agora o que fica aos leitores, é a provocação da capa: “Qual é o seu pecado?”

Confira a edição online aqui.

 

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Cobertura política é tema de oficina da revista Piauí na Unisinos https://mescla.cc/2017/06/06/cobertura-politica-e-tema-de-oficina-da-revista-piaui-na-unisinos/ https://mescla.cc/2017/06/06/cobertura-politica-e-tema-de-oficina-da-revista-piaui-na-unisinos/#respond Tue, 06 Jun 2017 17:33:32 +0000 http://mescla.cc/?p=1596 Na última sexta-feira (2), Malu Gaspar, repórter da Revista Piauí, conversou com os alunos e egressos de Jornalismo, na Unisinos Porto Alegre, sobre suas experiências ao fazer cobertura política. “Eu já tinha uma relação com o Delcídio e sua esposa quando fui escrever a matéria sobre eles. Então, eles tinham a concepção de que eu […]

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Na última sexta-feira (2), Malu Gaspar, repórter da Revista Piauí, conversou com os alunos e egressos de Jornalismo, na Unisinos Porto Alegre, sobre suas experiências ao fazer cobertura política.

“Eu já tinha uma relação com o Delcídio e sua esposa quando fui escrever a matéria sobre eles. Então, eles tinham a concepção de que eu iria ‘vingá-los’ com a reportagem, e a matéria acabou indo por um outro caminho”, declarou. Segundo a jornalista, é muito importante ter sempre em foco o resultado final ao prosseguir o caminho da matéria.

Outra dica que Malu deixou para os estudantes é que é sempre importante recolher no caminho a maior quantidade de informação que puder sobre o entrevistado, pois os detalhes fazem toda a diferença na hora de redigir o texto.

De acordo com Malu, é essencial, na hora de escrever o texto, que o jornalista dê um tempo para “decantar”.  “Tome um café, tire um tempo para descansar a cabeça. Releia. Os erros do texto vão aparecer mais claramente”, explicou.

Segundo a repórter, para fazer um texto, é importante organizá-lo com altos e baixos. “O autor tem que estar preocupado com a história que irá contar. Mostrar coisas interessantes, ‘fortes’, para fazer com que o leitor siga lendo a reportagem”, contou.

Para os futuros profissionais da área, Malu deixou dica de leitura. “O livro ‘Follow the Story: How to Write Successful Nonfiction’, de James Stewart, conta como escrever uma narrativa de não ficção, vale muito a pena ler”, declarou.

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