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Arquivos educação - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/educacao/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Wed, 08 Dec 2021 21:22:04 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.2 Desafio Nuvem de Educação Midiática https://mescla.cc/2021/12/08/desafio-nuvem-de-educacao-midiatica/ https://mescla.cc/2021/12/08/desafio-nuvem-de-educacao-midiatica/#respond Wed, 08 Dec 2021 21:22:02 +0000 http://mescla.cc/?p=15938 O Núcleo Universitário de Educação para as Mídias (Nuvem) da Unisinos é um coletivo multidisciplinar de professores da Unisinos formado de forma voluntária em 2018. O objetivo do grupo é construir espaços de reflexão sobre o contexto midiático contemporâneo e das políticas públicas de comunicação. Desde então, o grupo tem trabalhado na construção de propostas e ações de educação para as mídias, […]

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O Núcleo Universitário de Educação para as Mídias (Nuvem) da Unisinos é um coletivo multidisciplinar de professores da Unisinos formado de forma voluntária em 2018. O objetivo do grupo é construir espaços de reflexão sobre o contexto midiático contemporâneo e das políticas públicas de comunicação. Desde então, o grupo tem trabalhado na construção de propostas e ações de educação para as mídias, tais como debates, palestras, cursos de extensão e programas de formação, entre outras. 


Neste ano, o Nuvem recebeu apoio da Embaixada e Consulados dos EUA no Brasil para reconhecer ações de educação midiática nas escolas de educação básica do  RS. O projeto chamará “Desafio Nuvem” e vai funcionar assim: serão selecionados 10 projetos de educadores sobre alfabetização midiática e combate à desinformação junto a estudantes do ensino fundamental e médio para publicação de um e-book. Todos os candidatos (professores)  participarão de dois workshops de treinamento com especialistas do Brasil e dos Estados Unidos para qualificar  o combate à desinformação nas escolas.     


Material de divulgação do Desafio Nuvem (Imagem: Agexcom Unisinos)


De acordo com a coordenadora do projeto, a professora da Unisinos Taís Seibt, a  concepção do Desafio Nuvem está alinhada à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que passou a vigorar em 2020. A competência geral nº 5 das diretrizes versa sobre compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética para comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo na vida pessoal e coletiva. Complementarmente, a competência nº 7 destaca a importância de argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis para formular e defender pontos de vista que promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável.   


“Trabalhar essas competências em sala de aula exigirá novas habilidades dos professores, e o Desafio Nuvem pode ser um estímulo para isso, pois além de reconhecer experiências inspiradoras irá promover formações online e gratuitas com especialistas do Brasil e dos Estados Unidos”, comenta Taís, que também é uma das fundadoras da Afonte Jornalismo de Dados, iniciativa que já vem desenvolvendo projetos de educação midiática e combate à desinformação no Rio Grande do Sul desde 2019.  


Mais detalhes sobre a seleção dos trabalhos e a programação de palestras e cursos do Desafio Nuvem de Educação Midiática serão publicados em março de 2022, quando será lançado o edital para chamada de trabalhos. O projeto foi contemplado no edital anual da Seção Imprensa, Educação e Cultura do Consulado-Geral dos EUA em Porto Alegre. 

Educação Midiática no contexto da desinformação 


A coordenadora do curso de jornalismo, Débora Gadret, que também integra o coletivo Nuvem, comenta: “Acho que essa é a relevância em um contexto de desinformação, onde circulam muitos conteúdos que a gente, de imediato, às vezes não consegue avaliar por sua veracidade e pela sua credibilidade. Olhar para isso não só uma forma de dizer se aquilo é verídico ou não, se é uma informação que deve ser creditado ou não, mas também de uma forma de fazer uma análise crítica dessa informação. Então, o projeto vem no sentido de tentar dividir com a sociedade, com outros níveis de ensino, aquilo que a gente vem operando dentro da universidade como um conhecimento científico, um conhecimento técnico.”

Para o diretor da Unidade de Graduação e futuro reitor da Unisinos, Pe. Sérgio Eduardo Mariucci, a  transformação digital atua sobre a cultura como um propulsor de grandes mudanças e produz significativos impactos nos processos relacionados à educação.“Os grandes avanços da tecnologia podem colaborar para o fortalecimento dos processos de comunicação e o fortalecimento das instituições democráticas. As habilidades relacionadas à boa argumentação, raciocínio lógico, retórica, assim como a constituição de dados e fontes sólidas e confiáveis, bem como a identificação de discursos falaciosos e notícias falsas, são competências fundamentais a serem desenvolvidas nas escolas como forma de combate à desinformação e a expressões de um obscurantismo presente em alguns setores da sociedade, com grave risco para a civilização. Por isso, congratulo os responsáveis por esse projeto e tenho certeza de seu sucesso”,  diz Pe. Sérgio. 



Professora Taís Seibt, Pe. Sérgio Mariucci e a coordenadora Débora Gadret (Imagem: Reprodução/ Unisinos)


Sobre  o Nuvem


O coletivo Nuvem teve início em 2018, no contexto da desinformação,  quando se percebe a necessidade de uma alfabetização midiática para além do ambiente de Graduação. O professor de jornalismo e ex-coordenador do curso aposentado, Edelberto Behs, foi o primeiro coordenador do grupo, que envolve professores da área da Comunicação, Direito,  Letras e Pedagogia, que já trabalham com estratégias para se contrapor à disseminação de informações falsas. 


No curso de Letras, por exemplo, a questão da divulgação científica foi ressaltada, no Jornalismo, a professora Luciana Kraemer já trabalha com a produção de dados na atividade de Jornalismo Investigativo.  O novo currículo do Curso reforça esta importância, com destaque para a checagem de informação, área de expertise da  professora Taís Seibt. Os alunos de Pedagogia já realizam essa interlocução através dos estágios, e o curso de Direito oferece um olhar diferenciado sobre as liberdades de informação e expressão. 


Por ser uma iniciativa transdisciplinar, com interfaces importantes, adquire caráter de projeto especial e extensionista, afirma uma das coordenadoras do curso de Jornalismo. “Nós temos várias ideias para que isso se torne um “guarda-chuva” de projetos extensionistas, vários deles já existem na universidade.”


Essa será a primeira oportunidade de levar esses conhecimentos para fora da universidade através desse diálogo com os professores da educação básica,  o que propicia um ambiente de compartilhamento entre  professores de diferentes níveis e atuações.


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“Garçom, desce uma dose de ciência, por favor” https://mescla.cc/2020/09/08/garcom-desce-uma-dose-de-ciencia-por-favor/ https://mescla.cc/2020/09/08/garcom-desce-uma-dose-de-ciencia-por-favor/#respond Tue, 08 Sep 2020 20:55:00 +0000 http://mescla.cc/?p=13872 Basta um pouco de álcool no corpo para que muitos se transformem em filósofos, cientistas e conhecedores de tudo o que há de mais complexo nesse mundo. Mas já pensou em realmente aprender sobre teorias e pesquisas científicas em uma mesa de bar enquanto bebe com seus amigos? Essa foi a ideia que motivou a […]

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Basta um pouco de álcool no corpo para que muitos se transformem em filósofos, cientistas e conhecedores de tudo o que há de mais complexo nesse mundo. Mas já pensou em realmente aprender sobre teorias e pesquisas científicas em uma mesa de bar enquanto bebe com seus amigos? Essa foi a ideia que motivou a criação do Pint of Science, evento que leva especialistas de diferentes áreas a bares e locais públicos para conversar sobre seus estudos. Com início nesta terça-feira (8/9), o objetivo é tornar o acesso à ciência de ponta muito mais simples e democrático.

O próprio nome do evento já é um ensinamento. “Pint” nada mais é do que uma medida de aproximadamente 578 ml usada na venda de chopp e cerveja no Reino Unido, local de origem do evento, em 2014. Em uma tradução livre, seria algo como “Garçom, desce uma dose de ciência!”. 

Marcelo Bragatte é quem coordena o evento em Porto Alegre. Ele explica que a ideia era criar um momento de descontração, tendo a ciência como pauta, uma espécie de happy hour. O Pint of Science chegou ao Brasil em 2015, e na Capital gaúcha em 2017. Hoje, já são 73 cidades brasileiras divulgando ciência por meio do evento. No mundo, são 11 países. “Sempre tendo cientistas empolgados querendo compartilhar seu trabalho e mostrar como a ciência influencia em nosso dia a dia”, comenta Marcelo.

Antes da pandemia, o evento era realizado em vários bares das cidades participantes (Foto: Arquivo / Pint of Science)

O evento, que antes da pandemia acontecia em formato de mesa redonda ou bate-papo em diferentes bares de Porto Alegre, este ano será totalmente online. Marcelo, que também é pesquisador e membro coordenador da Rede de Análise COVID-19, lembra que, no formato original, as pessoas interagiam com os convidados, “desmistificando qualquer figura de cientista distante de nós”. Nesta edição, as mesas redondas serão via YouTube nos dias 8/9, 9/9 e 10/9, com interação por meio de chat

Trazendo a tona a necessidade de mais investimentos na ciência, o Pint of Science Brasil incluiu as comemorações à independência brasileira no slogan de 2020 “Investimento ou Morte”. E é em volta disso que circularão as conversas durantes os três dias. Para participar, não tem custo nenhum. Basta entrar no link correspondente e aprender muito. As palestras começam às 20h. 

Para dar início, o primeiro bate-papo da edição nacional do evento será “Investimento ou Morte!”, com Helena Nader, da Academia Brasileira de Ciências, e Filipe Figueiredo, do canal Nerdologia e do podcast Xadrez Verbal

Filipe explica que o bate-papo vai girar em torno da importância do investimento em pesquisa científica e educação. Ano passado, o historiador já havia participado da edição em Foz do Iguaçu e lamenta que, este ano, não possa haver a interação presencial. “O importante é trazer dados que geram debates essenciais”, salienta.

Ele comenta ainda que, apesar de necessária, divulgar a ciência nas mídias não é suficiente. “É preciso ter uma cultura de valorização da educação, da ciência e do conhecimento desde a primeira infância. O trabalho das pessoas que produzem conteúdo online é um ingrediente de uma receita muito mais ampla”, diz Filipe.

Na quarta-feira, 9/9, os convidados serão Ricardo Gazzinelli, da Sociedade Brasileira de Imunologia, e Iberê Thenório, do Manual do Mundo. O tema do debate será “Quem tem medo da vacina chinesa?”. E na quinta-feira, 10/10, Gustavo Goldman, da Sociedade Brasileira de Microbiologia, e Natália Pasternak, do Instituto Questão de Ciência, discutirão “Ciência verde e amarela”. 

Porto Alegre

O evento na Capital gaúcha começará às 19h e seguirá até o horário do Pint nacional. Hoje, 8/9, Jeferson Arenzo, professor do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), comandará o bate-papo “Zumbificação e desinformação”. “Hoje, existem dois vírus que circulam pelo mundo: um é o da Covid-19 e o outro o das fake news”, alfineta, comparando o fenômeno das notícias falsas a um apocalipse zombie. 

Jeferson acredita que uma das soluções para esse problema é a divulgação científica, criando senso crítico e ceticismo. “Divulgação científica é como saneamento básico, é fundamental atingir a todos. Uma iniciativa como o Pint Of Science ajuda a ampliar os nichos atingidos, mas é só um início. Precisamos de mais iniciativas assim, que alcancem um público maior e mais heterogêneo”, observa Jeferson, que já trabalhou, em anos anteriores, na organização do evento.

Jeferson é professor da UFRGS e um dos integrantes do podcast Fronteiras da Ciência (Foto: Arquivo Pessoal / Jeferson Arenzon)

Jeferson também é integrante do podcast Fronteiras da Ciência, junto com outros três professores da UFRGS, em que falam dos mais diversos assuntos. Dependendo da conversa, entrevistam convidados que conheçam o tema. “É isso que faz falta hoje na internet, que as pessoas aprendam a procurar as fontes da informação, a serem criticas, a fazer perguntas e tentar respondê-las antes de repassar a notícia no WhatsApp”, observa o professor.

Além dele, na quarta-feira (9/9), haverá um bate-papo com Mellanie Dutra, que coordena a Rede Análise COVID-19. A médica abordará o tema “Vacinas e o desafio do novo normal”. Fechando o evento em Porto Alegre na quinta-feira (10/9), “Parent in science” será discutido por Fernanda Staniscuaski, que tratará sobre a realidade da maternidade no universo científico.

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Brincar é coisa séria https://mescla.cc/2019/12/19/brincar-e-coisa-seria/ https://mescla.cc/2019/12/19/brincar-e-coisa-seria/#respond Thu, 19 Dec 2019 19:14:51 +0000 http://mescla.cc/?p=12769 Sentamos, Pedro e eu, em cadeiras de fórmica com menos de 50 cm de altura, e olhamos ao redor, tentando puxar da lembrança como interagir com os brinquedos. A maioria de nós vai parando de brincar na adolescência, quando ganhamos outros interesses, como sair com os amigos, praticar algum esporte ou um hobby – que […]

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Sentamos, Pedro e eu, em cadeiras de fórmica com menos de 50 cm de altura, e olhamos ao redor, tentando puxar da lembrança como interagir com os brinquedos. A maioria de nós vai parando de brincar na adolescência, quando ganhamos outros interesses, como sair com os amigos, praticar algum esporte ou um hobby – que geralmente nos encaminha para profissões que um dia gostaríamos de ter. Pensamos que essa retomada seria fácil, mas ficamos um bom tempo tentando recuperar o entusiasmo que surgiu quando nos foi sugerida esta matéria. Brincar, de repente, se tornou algo muito sério.


Um dos significados da palavra brincar é simular situações da vida real, representar personagens que enfrentam problemas no seu universo, e desenvolver soluções. E essa simulação é importante, tanto para os pequenos quanto para os adultos. 


A psicóloga organizacional Adriana Maria Scheneider trabalha no Programa Educação e Ação Social (Educas). Ela utiliza bastante a brincadeira como método de socialização e desenvolvimento de crianças e adolescentes. “Brincar é constitutivo no desenvolvimento saudável”, argumentou. “A partir do momento que a criança brinca, ela elabora conflitos internos. Se pensarmos em uma criança pequena que não tem a linguagem desenvolvida, ou sequer tem uma linguagem, ela vai se comunicando com o mundo e com os objetos durante as brincadeiras”, explica Adriana. 

Brinquedos convencionais ou de materiais da natureza, todas as formas de imaginar são possíveis (Foto: Pedro Hameister)


Segundo a psicóloga, é a partir desse desenvolvimento motor, cognitivo e emocional da brincadeira que as crianças começam a trabalhar medos e angústias. Os sentimentos humanos, que aparecem mesmo quando somos muito pequenos, precisam ser desenvolvidos e trabalhados com as brincadeiras.


“E, claro, conforme vamos crescendo, as brincadeiras vão mudando, vão ficando mais complexas, sempre pensando no desenvolvimento saudável”, acrescenta a psicóloga. No trabalho de Adriana, atendendo crianças, a brincadeira também é um instrumento de avaliação. “Buscamos investigar como elas brincam. Se brincam, como utilizam o brincar no dia a dia. Isso auxilia muito a pensar, porque, se uma criança não brinca, deve haver algo que faz com que ela não tenha estímulo e interesse. Já é um indicativo de que há questões de saúde, emocional ou cognitiva para trabalhar nela.”


Um lugar para brincar

Existe uma brinquedoteca dentro da Unisinos, em São Leopoldo, equipada com brinquedos e materiais disponíveis para os visitantes soltarem a imaginação. À cargo da professora Marita Redin, fica logo na entrada da universidade. Mesmo assim, muitos alunos não sabem do que se trata. 


No final da tarde, quando fomos conhecer o espaço, a monitora Gabriela Selau, estudante do 6º semestre de Pedagogia, estava repintando os móveis da cozinha de brinquedo. A brinquedoteca é dividida em pequenos espaços: a casinha, os materiais para criação de novos brinquedos e os de montar, os elementos da natureza e o fundo do mar. Cada espaço da sala é pensado para proporcionar uma nova experiência sensorial. Aos poucos, vamos comparando sensações e sentimentos de quando éramos crianças e o mundo parecia cheio de possibilidades.


“A nossa proposta aqui não é usar brinquedos prontos, mas priorizar as coisas que podem se transformar em brinquedos”, explicou Marita, especializada em Educação Pré-Escolar pela Universidade Federal de Sergipe. Na brinquedoteca, além dos brinquedos, os itens de uso criativo são chamados de “materiais não estruturados”. “São vários tipos de objetos, às vezes da natureza, ou que se usa em casa, com uma finalidade própria e definida, mas que a criança dá outro significado”, comentou a professora. 

A professora Marita cuida da brinquedoteca desde 2010 (Foto: Pedro Hameister)


Marita defende que, quanto mais abertos são esses objetos, mais possibilidade de invenção eles têm, e isso é altamente benéfico para as crianças. “Se pegar uma caixa de papelão, é um brinquedo fantástico. Mas se levar uma caixa para dentro da escola, os pais não vão entender. Eles querem um jogo didático, como se o jogo didático fosse ensinar a criança. Ele vai ensinar algumas coisas, algumas regras, claro, mas é isso só.”


A ideia de que toda brincadeira precisa ensinar alguma coisa é errônea, disse Marita, e muitos de nós podem compreender isso bem se lembrarmos de algumas brincadeiras sem sentido, possivelmente, mas que fizeram parte da nossa infância de forma significativa.


“Tem um autor que diz que, quando a criança brinca, ela aprende a brincar. E é uma coisa difícil! A gente pensa que é fácil, mas não é. Uma vez, uma mãe disse que levava as crianças no teatro, no cinema, no parque, mas não conseguia ficar uma hora brincando”, contou Marita. Quando crescemos, perdemos parte da facilidade de brincar, como eu e o Pedro comprovamos na prática ao observar aqueles blocos de madeira e bonecas simpáticas. O adulto busca outras formas de escape para as necessidades de organização mental.


“O ser humano tem essa capacidade lúdica, vai procurando outras formas de brincar. Tanto que, quando tu escolhe uma profissão que gosta, é uma profissão na qual essa criança interior ainda está viva, porque mantém as ideias da infância como a possibilidade de criação do novo. As brincadeiras ajudam a significar a vida”, comentou a professora. “Eu acho que a vida devia ser assim. Não é que vamos brincar no trabalho. O brincar é tão intenso, muito importante para a criança. Tem uma dimensão tão autêntica que, se o adulto fosse fazer a fundo alguma coisa que satisfizesse as necessidades vitais, estaria sempre de bem com a vida.”


Porém, existem adultos que não conseguem trabalhar com algo que gostam muito, e isso também não é necessariamente errado. Como a professora explicou, nesses casos, costumamos achar outras formas de nos divertir e expressar nossas ideias infantis sobre a vida. Porque brincar também é criar, é do âmbito da criação. Como as crianças não brincam do mesmo jeito, apesar de serem contextos parecidos, os adultos também reinventam as mesmas atividades. Em um mundo perfeito, nosso trabalho viria a ser uma extensão das nossa brincadeiras. 


Brincando de novo


Com a supervisão de Marita, igual a quando éramos pequenos, ganhamos uma caixa de areia colorida e a missão de criar alguma coisa disso. Foi infinitamente mais difícil do que pensamos, porque a primeira ideia sempre é criar algo prático, artístico ou tão genial que seja impossível mensurar. Mas crianças não se preocupam com isso, elas apenas brincam. Surgiu na areia um parque, um córrego e alguns peixes desproporcionalmente grandes. Valeria uma estrelinha na pré-escola. 

Habilidades manuais e diversão (Foto: Pedro Hameister)


Depois disso, um desafio maior: argila. Eu, que me lembrava de boas habilidades manuais com massinha de modelar, fiquei frustrada ao perceber que talvez não fosse tão boa assim. Perguntei para Marita sobre as crianças de hoje e a relação com o mundo virtual. Acostumada à adaptação delas, a professora não é tão pessimista como a maioria de nós seria.


“Elas pararam de brincar com aquelas coisas que a gente enxerga como brincadeira, mas foram substituindo. Não brincam mais de jogar bola na rua, mas vão brincar de videogame dentro de casa, por causa do perigo”, explicou, com sensibilidade. Como as primeiras gerações que já nasceram imersas na tecnologia estão apenas despontando, uma análise de todos os efeitos só poderá ser feito mais tarde. 


“Porque a tela de um tablet, de uma tv, ou um jogo não é um material verdadeiro para a criança. Ele é um mediador entre o mundo real e um outro mundo, de fantasia”, disse Marita. “O excesso de contato com isso vai interferir, claro, no desenvolvimento dessa criança, mas como vai interferir, ainda não temos como comprovar.”


Presente em um grupo de conversas lúdicas sobre assuntos educacionais, a professora comentou que, entre psicólogos, psicanalistas e pediatras, a relação das crianças é frequentemente discutida. Casos como obesidade, sedentarismo, desconexão com o mundo real são alguns dos efeitos já observados que podem ser ligados ao excesso de uso virtual. A psicóloga Adriana relembra que existem estudos que recomendam um limite de tempo estipulado para cada fase da infância. Crianças com menos de dois anos sequer deveriam mexer em um eletrônico.


“A criança se coloca passiva diante de um universo cheio de estímulos, e isso não é saudável. O brincar envolve essa condição ativa de pegar, manipular, jogar, derrubar, quebrar e mexer”, explicou ela. Isso remete aos brinquedos de montar e construir que existem aos montes na brinquedoteca. Na primeira infância, é crucial que os pequenos possam manipular e encaixar, desenvolvendo suas habilidades. 


“O brincar e o brinquedo são sempre importantes, mas também é importante que os pais brinquem com os filhos nesse processo”, lembrou Adriana. Mesmo que seja difícil para os adultos aprender novamente como soltar a imaginação, essa participação dos pais auxilia na aprendizagem das crianças. Afinal, se no presente o importante é brincar, no futuro, o que ficam são as boas lembranças. 


Fico feliz que as minhas sejam boas e suficientes, porque percebi que talvez leve um tempo para conseguir montar alguma coisa com argila de novo. O Pedro foi melhor do que eu nisso, mas me considerei ganhadora na brincadeira com areia. E é disso que a brincadeira trata, no fim, saber perder, ganhar e estar pronto para a próxima rodada.


A brinquedoteca fica aberta todas as tardes, a partir das 17h, para as crianças da Escola Infantil Canguru brincarem. Se você, caro leitor, passar por lá, terá a chance de conhecer o espaço e ver as crianças brincando. Escolas e grupos de até 20 alunos podem marcar uma visita. Além disso, o espaço é usado para aulas com alunos de Pedagogia e especialização em Educação Infantil. 


Assista o vídeo abaixo para ver como foi a tentativa de dois repórteres tentando brincar (sem muito sucesso).

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As contribuições de Nelson Traquina para o Jornalismo https://mescla.cc/2019/10/04/as-contribuicoes-de-nelson-traquina-para-o-jornalismo/ https://mescla.cc/2019/10/04/as-contribuicoes-de-nelson-traquina-para-o-jornalismo/#respond Fri, 04 Oct 2019 20:16:22 +0000 http://mescla.cc/?p=11669 Se você é estudante de Jornalismo já deve ter ouvido falar de Nelson Traquina. O pesquisador é um dos teóricos mais referenciados nos estudos de Jornalismo no Brasil e em Portugal. O que pouca gente sabe é que ele nasceu nos Estados Unidos, filho de imigrantes açorianos.  Traquina deixou um legado para muitos pesquisadores, professores […]

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Se você é estudante de Jornalismo já deve ter ouvido falar de Nelson Traquina. O pesquisador é um dos teóricos mais referenciados nos estudos de Jornalismo no Brasil e em Portugal. O que pouca gente sabe é que ele nasceu nos Estados Unidos, filho de imigrantes açorianos. 

Traquina deixou um legado para muitos pesquisadores, professores e jovens jornalistas, fruto de uma trajetória profissional de mais de 40 anos. Em 1974, mudou-se para Portugal e começou a trabalhar a serviço de uma agência norte-americana de notícias, a UPI (United Press International). 

Depois, foi professor na Universidade Nova de Lisboa, integrante do Departamento de Ciências da Comunicação (DCC) e fundador do Centro de Investigação Media e Jornalismo. Em 2012, durante um congresso de história do jornalismo na cidade de Lisboa, o jornalista e professor da Unisinos Everton Cardoso teve a oportunidade de conhecer e entrevistar Traquina. Everton estava lá para apresentar sua dissertação, na qual estudou a noção de cultura no Caderno de Sábado, suplemento cultural do Correio do Povo entre 1967 e 1981. 

A ocasião era especial: a última conferência de Nelson Traquina antes de se aposentar e voltar a morar nos Estados Unidos, com a família. O professor de jornalismo da Unisinos conta que foi Traquina quem traduziu para nossa língua textos de referência dos estudos de jornalismo. Jornalismo: Questões, Teorias e “Estórias” é um livro que reúne esses textos. Esgotado na edição portuguesa, foi recentemente editado pela editora Insular. 

O livro Pesquisa em Media e Jornalismo – Homenagem a Nelson Traquina –  organizado por Isabel Ferin Cunha, Ana Cabrera e Jorge Pedro Sousa – apresenta 12 artigos que refletem o legado e influência do teórico. “Ele foi responsável pela principal cronologia das teorias do jornalismo, que busca aglutinar e organizar o conhecimento sobre a área. Isso sem falar na compilação dos valores-notícia que ele nos ofereceu”, destaca Everton.

O encontro de Everton com Nelson Traquina foi rápido: “Numa brecha durante a programação do congresso, em uma sala da universidade. Foi algo do tipo protocolar acadêmico. Inclusive, tivemos que interromper a entrevista porque ele tinha outros compromissos no congresso”, conta o jornalista tentando lembrar de um fato que ocorreu há sete anos. Mesmo em um tempo distante, Everton não esquece: “Era sem dúvida a pessoa mais requisitada do evento”, conta.

Confira a entrevista completa, publicada originalmente no Jornal da Universidade (UFRGS): 

“Jornalistas devem lutar pela liberdade sempre”

Professor e pesquisador revisa sua trajetória e avalia o atual panorama do ensino e da prática do jornalismo

Se houvesse um levantamento para saber qual é o autor mais referenciado nos estudos em jornalismo no Brasil, o nome do português Nelson Traquina certamente estaria em uma das primeiras posições. Isso se deve ao fato de ter produzido diversas obras que apresentam discussões teóricas acerca da profissão que escolheu, mas que abandonou por achar demasiado superficial. No ímpeto de refletir sobre essa prática e de contribuir para melhorá-la é que foi pioneiro tanto nas investigações quanto no ensino do ofício em Portugal. Desde o final de 2011, depois de três décadas de atuação, Traquina está aposentado e vive nos Estados Unidos, seu país natal, para estar próximo de sua família. Em entrevista exclusiva ao JU, o pesquisador fez um balanço de sua carreira e de seu legado, avalia o jornalismo e a formação de futuros profissionais, e aponta o principal papel social da instituição dedicada à difusão de notícias e informação: a defesa da liberdade e democracia. 

Como teve início sua trajetória como pesquisador em jornalismo?  

Nasci nos Estados Unidos, mas tive a felicidade de estar em Portugal em 1974, época da Revolução de Abril. Tinha chegado ao país em janeiro daquele ano. Portugal, nesse período, vivia sob a ditadura, e esse acontecimento foi uma surpresa para mim. Não sabia por que havia acontecido aquele golpe de Estado; mais tarde, enfim, me inteirei de que era a favor da liberdade e da democracia. Eu sempre quis ser jornalista e, portanto, fui à agência de notícias United Press International e ofereci os meus serviços. Trabalhei com isso durante cerca de três anos, mas depois fiquei insatisfeito com o trabalho jornalístico, achei que era muito superficial. Fui, então, à França, para fazer o doutorado, onde permaneci por três anos. Depois de seis anos sem ir aos Estado Unidos, acabei voltando para lá afim de ficar perto de meus pais. Estava difícil arrumar emprego no ensino naquele país, por conta disso decidi aceitar um convite para voltar a Portugal. Eu já recusara dois e achei que a oportunidade não surgiria mais uma vez. Isso foi em 1982, e nos 30 anos seguintes, dediquei-me integralmente a ser professor. Sempre digo aos meus alunos que o jornalismo é a segunda melhor profissão do mundo, porque a primeira é ser professor. 

Que sentimento há depois desse percurso?    

Estou evidentemente muito satisfeito com minha profissão. Tive alunos maravilhosos! Contribuí para a formação de uma nova geração de jornalistas e também de pessoas que mais tarde se tornaram professores de jornalismo feito eu. Isso é importante porque o futuro dessa prática profissional está na mão de pessoas graduadas e, em particular, daquelas formadas em ciência da comunicação e  nas técnicas do jornalismo. Mas o ensino não deve ser voltado somente para estas, aliás, essa parte só deve corresponder a 25% do total! Muitas vezes os estudantes têm uma visão equivocada do jornalismo, só querem a prática. 

Qual é a sua posição em relação à exigência de formação universitária para o exercício do jornalismo?   

Sou crítico da posição do sindicato dos jornalistas de Portugal: foram reacionários e retrógrados nos anos 1980 e até hoje nunca disseram de uma forma clara que a melhor formação para um jornalista é a graduação em ciências da comunicação e jornalismo. Há dados empíricos que provam que as pessoas com formação universitária em jornalismo e em comunicação defendem mais a liberdade! Mesmo que vivamos em democracias, jornalistas devem lutar pela liberdade sempre!

O jornalismo tem de ouvir o público por meio de sondagens e perceber o que preocupa as pessoas  

O ideal, então, é possuir um diploma para ser jornalista?

Não sou a favor da obrigatoriedade da graduação em Jornalismo ou nas Ciências da Comunicação, ainda que seja necessário que todos os profissionais da área tenham uma formação sólida nas Ciências da Comunicação e no Jornalismo. O ideal, porém, é que os egressos da universidade sejam a grande maioria. É um processo irreversível e que está acontecendo em todo o mundo. Ninguém vai parar a história!

Qual é a postura ideal do profissional jornalista? 

Primeiro, deve perceber que não sabe tudo. Deve ter humildade com qualquer pessoa, mesmo com aqueles que não são ‘senhor fulano’, ‘doutor fulano’. Também precisa estar disposto a aprender um pouco de tudo, pois nunca se sabe quando algo pode nos ser útil. 

Em termos de linguagem, o que devem aprender os estudantes de jornalismo?  

Eles precisam conhecer o poder das palavras, pois ela têm muito significado. A utilização de um vocábulo em vez de outro, por exemplo, muitas vezes não é por acaso, mas é preciso ter conhecimento para poder fazer isso. Também é necessário ter conhecimento histórico. O resto dependerá muito da área em que o profissional irá trabalhar. Outra tendência é que vai haver mais especialização ainda devido à evolução tecnológica; cada vez mais os jornalistas precisam ser multimídia. É por isso que na faculdade de jornalismo devemos ter uma disciplina obrigatória para aprender a aperfeiçoar a utilização de diversas técnicas a fim de construir a notícia segundo esse modelo. 

Qual é o futuro do jornalismo? Há risco de ele extinguir-se como profissão? 

Não há meios de o jornalismo deixar de existir. As pessoas são tão ocupadas que não têm tempo para se dedicar à informação. Eventualmente, sim, as pessoas poderão ajudar, filmar, fotografar, mandar notícias, mas esse trabalho sempre vai ser suplementar. Os profissionais de jornalismo é que vão ser os agentes principais, porém não exclusivos! Já acreditaram ser os únicos donos da notícia, mas isso deixou de existir. Esses profissionais têm de acompanhar essas tendências, contudo o futuro do jornalismo está nas mãos das pessoas graduadas. Em Portugal, a ‘tarimba’, ou seja, a experiência pura era muito forte num tempo recente. Em 1980, era talvez dominante. Nesse aspecto os brasileiros estão à frente dos portugueses; introduziram o ensino superior antes de nós. Isso, com certeza, se deve a influência estadunidense.

Em que momento começa o ensino superior em jornalismo em Portugal? 

Desde de 1980 havia um curso de jornalismo na Universidade Técnica; no fim daquela década, havia em diversas universidades, como a Universidade da Beira Interior e a Universidade do Minho. Em 1989, também na Universidade Nova de Lisboa, onde atuei. Depois, em 1990, se disseminou, pois as universidades se deram conta de que era uma boa maneira de se fazer dinheiro. 

Qual é a realidade do ensino universitário em Portugal na atualidade?

Com a Declaração de Bolonha, firmada entre países europeus em 1999, reduziu-se o ensino superior de quatro para três anos. Sou contra! Não há qualquer justificativa científica para tal alteração, só uma razão econômica, que era gastar menos. 

É preciso conhecer o poder das palavras, pois elas têm muito significado

Como se deu o início das pesquisas acadêmico-científicas no campo do jornalismo em Portugal? 

A existência de mestrados e doutorados estimulou a pesquisa no país, pois era preciso produzir teses e dissertações. Quando iniciei na investigação, se ignorava a história da imprensa em Portugal, havia um livro só sobre o tema! Além disso, a literatura sobre o jornalismo em português era inexistente. Era preciso comprar livros no Brasil, que já tinha desenvolvido alguma coisa nessa área. Ainda assim, a maioria eram livros estrangeiros. Foi por essa razão que, em 1993, publiquei a antologia intitulada Jornalismo: questões, teorias e ‘estórias’. Para ela, escolhi com esforço 20 artigos que representam as melhores coisas que li sobre jornalismo e que propunham diversas teorias sobre a área. O livro traz, por exemplo, o artigo dos  acadêmicos estadunidenses Harvey Molotoch e Marilyn Lester em que eles discutem que grande parte dos acontecimentos é criada para o consumo dos jornalistas, para virarem notícia. 

Essa visão algo ingênuo do jornalismo como um espelho da realidade têm-se modificado? 

Sim. Têm surgido iniciativas importantes, como o que eu chamo de ‘ jornalismo cívico’, ou seja, não se pode seguir os políticos, apoiar tudo o que fazem. O jornalismo precisa ouvir o público por meio de sondagens, perceber o que as pessoas querem e o que as preocupa. Dessa forma, é possível moldar a sua estratégia e a cobertura em função das preocupações reais das pessoas. Isso, evidentemente, não quer dizer que não devamos ouvir os profissionais da política, mas é importante também ouvir o público. Há ainda questões importantes sobre quem são as fontes da informação. Por isso que é fundamental ler as notícias com um olhar crítico. 

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Jornalista, já pensou em falar mais sobre educação? https://mescla.cc/2019/08/08/jornalista-ja-pensou-em-mais-sobre-educacao/ https://mescla.cc/2019/08/08/jornalista-ja-pensou-em-mais-sobre-educacao/#respond Thu, 08 Aug 2019 17:31:13 +0000 http://mescla.cc/?p=10831 Ao pensarmos em exemplos de editorias de jornal, normalmente nos vêm à mente temas como política, esporte, economia e cultura. Provavelmente isso se deve ao fato de que esses tendem a ser justamente os assuntos de maior interesse dos leitores e da população em geral. Isso leva muitas pessoas a esquecerem da existência de outras […]

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Ao pensarmos em exemplos de editorias de jornal, normalmente nos vêm à mente temas como política, esporte, economia e cultura. Provavelmente isso se deve ao fato de que esses tendem a ser justamente os assuntos de maior interesse dos leitores e da população em geral. Isso leva muitas pessoas a esquecerem da existência de outras editorias e assuntos que podem ser encontrados nos jornais. Um deles é a educação.

Talvez, ao se deparar com jornalismo de educação, você imagine que ele se resume a matérias como o resultado do ENEM, o tema da redação do vestibular de alguma universidade federal, uma nova publicação do Ministério da Educação, entre outros assuntos nessa linha. De fato, a editoria de educação é responsável por falar sobre esses assuntos, mas há muito mais área de atuação dentro dela.

O jornalista que trabalha com educação também tem a possibilidade de fazer reportagens sobre assuntos como a precariedade de determinadas escolas, o desempenho dos alunos, o índice de evasão escolar, o investimento em educação que é feito no Brasil em relação a outros países, entre outros temas. Dependendo do assunto da reportagem que estiver sendo produzida, o setorista de educação precisa ter entendimento sobre estatística, análise de dados, gestão financeira e até sobre como conseguir entrevistar crianças.

Para saber mais sobre essa editoria e a atuação do comunicador dentro dela, o Mescla conversou com dois especialistas. Antônio Gois é colunista de educação do jornal O Globo. Já recebeu vários prêmios por suas reportagens sobre educação, e é presidente da Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca), entidade que busca criar uma rede de contato entre comunicadores que trabalham com essa editoria para prestar qualquer auxílio necessário. Angela Chagas é diretora da Jeduca e doutoranda em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Foi comentarista de educação da Rádio Gaúcha e editora digital da GaúchaZH. Cobre o tema desde 2010, quando começou no portal Terra. Foi vencedora dos prêmios Estácio e TCE-RS de Jornalismo por reportagens sobre educação.

Recentemente, os dois jornalistas estiveram na Escola Superior de Advocacia da OAB/RS, em Porto Alegre, para ministrar a oficina “Financiamento: os desafios do fim do FUNDEB”, que integrou o II Simpósio Nacional de Educação. Assim que a oficina foi encerrada, fizemos uma entrevista com eles para aprendermos mais sobre a editoria de educação no jornalismo.

Confira a conversa com os jornalistas.

O jornalismo de educação não parece possuir tanta visibilidade quanto outras editorias. Vocês concordam com essa percepção?

Angela: No geral, eu acho que a gente precisa, sim, de mais espaço para reportagens de educação. A gente ainda tem uma cobertura jornalística muito focada nas pautas de política, economia e a área de segurança pública, mas eu acho que o jornalismo de educação tem conquistado espaço, principalmente nos últimos anos, com maior interesse dos próprios jornalistas pela cobertura da área. Eu acredito também que um pouco do destaque que a área vem assumindo está nas políticas públicas. O governo federal, principalmente, pauta bastante a questão da educação com programas e políticas. Agora, inclusive, no governo Bolsonaro, a gente tem falado muito de educação. Inclusive quando a gente aborda os cortes de recursos para o ensino superior, a gente está falando de educação. E os jornalistas têm feito um trabalho de propor um debate mais aprofundado sobre o tema, por exemplo, o porquê desses cortes e quais os reflexos dele. O jornalismo de educação precisa de mais espaço, mas acho que a gente já avançou bastante.

Antônio: Eu concordo com a Angela. Ao meu ver, poderia ser feita uma pesquisa que olhasse nos arquivos históricos dos jornais para ver que tipo de espaço era dado para a educação e que tipo de abordagem já foi realizada. Quando eu converso com jornalistas mais experientes, que cobriram educação, às vezes eles falam com um saudosismo “ah, porque na minha época o jornal falava mais de educação”, mas quando pergunto sobre que tipo de educação se falava, eles respondem que faziam cobertura de universidades, de vestibular. Isso me faz desconfiar que um jornalismo com essa ênfase em educação que temos hoje não existia. O jornalismo tem um papel não só de estar à frente da sociedade, mas também de ser um reflexo dela. Então, como a Angela disse, a sociedade passou a valorizar mais a educação. Não como a gente gostaria ainda, mas vemos mais gente falando de educação. Empresários passaram a ser atores neste cenário, o que não eram há 20 anos. Você não tinha fundações vinculadas a empresas, a grandes conglomerados, com pautas educacionais. Você tinha projetos aqui e ali. O papel do jornalista, primeiramente, é se qualificar para cobrir melhor esse cenário, com essa nova lente. Não é só olhar. A gente sempre fez muita matéria de acesso, como falta de creche, fila de pais não querendo matricular os filhos numa escola, entre outros assuntos. Mas, quando você vai olhar para a aprendizagem, aí é muito mais complexo. Exige de nós, jornalistas, outras ferramentas que acho que a gente não tem. E é por isso que criamos uma associação de jornalistas de educação. Para entender esse ambiente do aprendizado, é necessário ter um conhecimento mais sofisticado do que um conhecimento para saber, por exemplo, quantas crianças estão fora de creche. E as crianças que estão na escola, elas estão aprendendo? Como a gente vai medir essa aprendizagem? Como melhorá-la? Então, isso é um pulo que eu acho que a gente ainda precisa dar. Mas fica quase que um pedido, que vocês estudem a cobertura da educação nos jornais de antigamente e as principais transformações na editoria. Eu vi alguns estudos acadêmicos sobre isso, mas acho que a gente ainda fala muito na base do “achismo”. Até fui entrevistado para um desses estudos, mas quando vi era uma tese baseada muito na opinião das pessoas. Eu queria que alguém fosse atrás dos arquivos históricos para checar se havia mais cobertura de educação no passado, e que cobertura era essa. Minha hipótese é que não tinha, e que a cobertura era muito focada no acesso, não se falava tanto no aprendizado.

Quais conhecimentos específicos um jornalista focado em educação precisa ter, que o diferencie dos profissionais que trabalham com as outras editorias?

Angela: Vou falar um pouquinho da minha experiência. Eu fiz jornalismo para ser jornalista de política, aí a oportunidade que surgiu pra mim foi para trabalhar como repórter de educação. E eu tive um susto inicial, porque eu não fiz a faculdade pensando em trabalhar com o jornalismo de educação. Então eu fiquei muito assustada quando eu comecei porque eu tinha que cobrir desde a educação infantil, o acesso à creche, até pautas sobre universidades. E tem uma diferença muito grande entre as políticas de creche até o ensino superior, é uma diversidade enorme. Ao meu ver, a gente trabalha muito em cima dos indicadores de qualidade e resultados das avaliações em larga escala, como o ENEM. Precisamos também ter um conhecimento sobre os fatores que influenciam as avaliações das escolas. Por exemplo: a nota do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de uma escola municipal de Porto Alegre, que fica lá na Vila Cruzeiro, foi bem baixa. É porque os professores daquela escola são ruins? Não é bem isso, há vários outros fatores que envolvem esse fato. Então, eu acredito que a gente tem que ter uma visão ampla de conseguir tratar de assuntos que são específicos, desde a educação infantil, até o ensino superior, e também conseguir compreender questões que vão além da educação dentro da sala de aula. Questões sociais e econômicas que interferem na educação.

Antônio: Eu concordo. Acho que o que diferencia um jornalista de educação de um outro jornalista, que eventualmente pode até fazer matéria de educação, é isso o que a Angela falou: é a aprendizagem. Um bom jornalista investigativo de política pode fazer uma baita matéria relevante sobre municípios ou Estados que não estão cumprindo a legislação com relação à aplicação de recursos na educação. Não precisa ser repórter de educação para fazer essa matéria. Você não precisa ser repórter de educação para fazer uma matéria sobre fraude em merenda. Basta conhecer um pouco a legislação educacional, pouco mesmo, e você consegue fazer uma matéria sobre quantas crianças estão fora da escola. Agora, quando você entra na discussão do motivo pelo qual essas crianças estão fora da escola, por que os jovens evadem do Ensino Médio, por que a escola não está fazendo sentido pra eles, aí você entra na questão da aprendizagem, e para isso você precisa ter um conhecimento sobre o que impacta na aprendizagem. A avaliação educacional mostra muito claramente que o nível socioeconômico das famílias é o fator de maior relevância na aprendizagem. Ou seja, você não pode comparar uma escola privada de elite em Porto Alegre com uma escola que fica numa favela na periferia. São perfis diferentes de alunos, que interferem no aprendizado. Então, um mesmo repórter que fizer uma matéria brilhante sobre o gasto que não está sendo feito conforme a lei, pode fazer uma matéria trágica do ponto de vista do impacto para a sociedade. Ele não pode pegar um dado do ENEM e comparar uma escola muito rica com outra muito pobre e falar “olha, essa escola aqui é uma porcaria porque ela tem resultado ruim no ENEM”, pois precisa saber que há outros fatores que interferem no aprendizado. Eu acho que é essa a principal distinção de um jornalista mais qualificado para falar de educação: é a questão de aprendizagem.

Antônio Gois é um jornalista premiado e presidente da Jeduca. Escreve colunas sobre educação para o jornal O Globo | Foto: Adriana Silveira

Geralmente, quais são as principais dificuldades que um jornalista pode encontrar ao falar sobre educação?

Antônio: Eu acho que tem dificuldades comuns a todos jornalistas setoristas. Tem a dificuldade de espaço das editorias, como a gente já falou, e de tempo para você viabilizar as matérias. Se essa entrevista fosse com repórteres de saúde, eles estariam também reclamando da falta de tempo que eles têm. A falta de tempo limita o acesso à escola, mas nem todas têm uma política receptiva com o jornalista. Às vezes a gente vai como jornalista numa escola apenas para pegar uma frase que nos interessa, porque a gente precisa daquela imagem para ilustrar nossa matéria. Eu acho que uma das coisas que sinto falta é conviver com os atores da escola. Até para entender melhor dos indicadores macro, você precisa ter sensibilidade para olhar como são os micro. Olhar a árvore não é olhar a floresta. Então acho que você precisa ter esses dois olhares para fazer uma boa reportagem. Indicadores como o Ideb, que é uma média de um monte de dados, são relevantes, mas não são suficientes para você entender fenômenos mais complexos que acontecem na sala de aula.

Angela: Eu acho que às vezes a gente acaba sendo bastante pautado pelas políticas, principais do governo federal, e para o jornalista compreender e apresentar uma reportagem com todos os elementos e formar sua opinião a respeito daquele assunto é bem difícil. Claro, isso envolve a questão do tempo, e também de ver o quanto isso reflete na escola. Por exemplo, tem uma política do governo federal que é a implementação do ensino médio de tempo integral, que as redes já estão fazendo aqui no Rio Grande do Sul, desde o ano passado. E eu já participei de reportagens falando dessa política, tem vários especialistas que apontam a importância da ampliação da carga horária das escolas. Mas, quando a gente consegue ir nas escolas para ver como essa política está funcionando na prática, alguns problemas já começam a surgir. Por exemplo, aqui no Rio Grande do Sul, essas escolas de tempo integral no ensino médio estão com uma alta evasão. Então, quando a gente faz um jornalismo só focado na proposta federal e sem ouvir os atores das escolas, a gente acaba não pegando alguns elementos que são importantes também. O motivo pelo qual uma proposta que permite aos alunos ficarem o dia inteiro nas escolas, terem refeições, terem atividades diversas, ainda os faz abandonar este espaço. Então, o jornalista vai na escola e percebe que esses estudantes do ensino médio precisam trabalhar, precisam fazer um estágio, precisam ajudar como fonte de renda para a família. A gente acaba muitas vezes não conseguindo chegar até a escola e não abordando outros elementos que são importantes ressaltar quando a política está lá na ponta. Isso também é decorrente da gente ficar muitas vezes fazendo reportagem por telefone, ou mais recentemente, por WhatsApp, e não estar vendo a política como ela está acontecendo.

Vamos falar agora sobre a Jeduca. De que forma ela pode auxiliar quem tiver interesse no jornalismo de educação ou fazendo sua primeira reportagem para essa editoria?

Antônio: A Jeduca pode ajudar de diversas maneiras. Em primeiro lugar, eu convido todos, jornalistas ou estudantes de jornalismo que se interessem por educação, que entrem no nosso site (www.jeduca.org.br) e se associem. Ao se associar, gratuitamente, você vai fazer parte de uma lista de e-mails com jornalistas profissionais, assessores de imprensa e pessoas debatendo temas da educação. No nosso site a gente disponibiliza guias. Por exemplo, vamos lançar agora um guia de financiamento da educação. Você quer fazer uma matéria sobre quanto gasta a União na educação. Então, vai estar lá um guia sobre isso. Temos um guia sobre como entrevistar crianças, algo bem específico da técnica jornalística. Esse é um guia que fala tanto da técnica quanto da ética ao se entrevistar uma criança. E a gente tem um serviço da editora pública, que é gerenciada pela Marta Avancini. A Marta é uma profissional com experiência em educação, paga pela associação para fazer um serviço gratuito para qualquer jornalista. Não precisa se associar, qualquer jornalista ou estudante de jornalismo que esteja fazendo um trabalho sobre educação pode acessar. No nosso site tem o celular dela, que é acessível para todos. Pode ligar, mandar mensagem no WhatsApp ou e-mail. Considerando que muitas vezes o jornalista de educação provavelmente não vai ter um editor experiente que conheça a educação ou um colega para conversar sobre o assunto, a Marta, através da editora pública, preenche essa lacuna.

Angela: E a associação também faz alguns eventos, alguns webnários sobre temas que estão na pauta de educação, que podem ser acompanhados de qualquer lugar do Brasil. Por exemplo, falamos neles sobre financiamento ou sobre avaliação. A associação sempre faz alguns eventos com discussões e com dicas para os jornalistas sobre cobertura de eventos. E agora tem o 3º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação dias 19 e 20 de agosto, as inscrições estão abertas ainda. O congresso vai ser em São Paulo. A gente vai reunir jornalistas experientes, pesquisadores, educadores, professores de escolas e estudantes para também debater as políticas de educação. Para estudantes de jornalismo, a inscrição custa R$ 20,00.

Quais são as principais ferramentas online que um jornalista de educação pode utilizar para fazer suas matérias?

Angela: Tem algumas ferramentas que são relacionadas ao financiamento da educação, na qual o jornalista pode consultar informações sobre o investimento dos municípios, do Estado e da União. Uma das ferramentas, o SIOPE, está dentro do site do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), que é vinculado ao Ministério da Educação. Ali há informações bem detalhadas que os municípios e os Estados repassam sobre seus investimentos em educação. Tem também o Portal da Transparência, onde há informações sobre os gastos em educação. Aqui no Rio Grande do Sul tem o site do Tribunal de Contas do Estado, com bastante informação sobre os investimentos municipais. Além das fontes oficiais, tem o site Qedu, que é interessante para os jornalistas fazerem buscas de uma forma mais simples sobre o resultado do Ideb de um município, por exemplo. Tem os dados do censo escolar sobre as estruturas das escolas. Dá para pesquisar ali por nome da escola daqui do Rio Grande do Sul, por exemplo. E é feito a partir de dados oficiais. O próprio Tribunal de Contas criou uma ferramenta que é o TC Educa, outro site que tem dados de monitoramento das metas do plano nacional de educação. São todas ferramentas que podem ajudar o jornalista no seu trabalho no dia a dia. À primeira vista podem parecer informações mais complicadas, mas estão ali disponíveis.

Antônio: Um dos projetos da Jeduca, que talvez saia ano que vem, é a criação de um portal no nosso site que mapeie todos os portais de dados de educação. A gente quer criar uma ferramenta que facilite o conhecimento desses portais que a Angela citou e de muitos outros para que a pessoa possa fazer uma busca e ser direcionada. Dependendo da informação, tem sites que vão te dar uma maior ou menor precisão. Então, é uma das coisas que a gente está querendo fazer na Jeduca.

Para finalizar, gostaria que vocês contassem como foi que vocês acabaram entrando no jornalismo de educação e como foram as primeiras experiências de vocês.

Angela: Eu comecei como jornalista de educação no portal Terra em 2010. Eu fiz a faculdade de jornalismo pensando em ser repórter de política, que é uma área que eu me interessava bastante, e a oportunidade que tinha no portal Terra era como repórter de educação. Eu fui e acabei me envolvendo muito, acabei gostando muito da área. Depois eu saí do Terra e fui para o Grupo RBS, para a Rádio Gaúcha, onde segui trabalhando com educação. Fui conquistando alguns espaços, fazendo comentários na rádio sobre educação, e depois eu fui trabalhar também, além da Rádio Gaúcha, no jornal Zero Hora, fazendo reportagens também sobre educação. Foi meio sem querer, mas eu acabei gostando da área, e também fui procurar aprender mais porque me assustava um pouco ter que falar de coisas tão específicas. Eu fiz mestrado em Educação na UFRGS, na Faculdade de Educação, e agora estou começando o doutorado em Educação. E é bem apaixonante trabalhar com isso.

Antônio: Eu costumo contar uma história dizendo que sou filho de jornalista e de professor, e que por isso me interessei sobre o jornalismo de educação. Mas eu vou contar o segredo pra vocês: é mentira. A verdade é igualzinha à história da Angela. Eu sempre gostei de economia e de política, e na faculdade eu ficava dividido entre trabalhar com essas editorias. Mas o primeiro emprego que me oferecem foi em educação, e eu fiquei apaixonado pelo tema. Eu tive a oportunidade na minha carreira de trabalhar com economia e política, mas as minhas pautas na economia eram voltadas à educação, e na política sempre que eu podia voltar para educação, eu voltava. Nas redações também isso é muito comum, como você não tem tantas posições para quem trabalha com jornalismo de educação, você vai subindo na carreira. E geralmente a posição de chefia não fica cuidando só de uma área. E quando eu fui subeditor de política de O Globo, eu não cuidava só de educação. E eu hoje acho também que mesmo quem não é jornalista de setores de educação precisa entender dessa área. Acredito que um bom jornalista de política – ainda mais agora, no cenário do governo Bolsonaro, em que a educação virou um tópico de tanto conflito – precisa entender o mínimo de educação. Um jornalista de economia então, nem se fala. Se ele quer fazer uma matéria sobre produtividade, sobre porque o Rio Grande do Sul não cresce como gostaria de crescer, ele vai ter que entender de educação, vai ter que conhecer um pouco dos indicadores da relação entre a educação e a produtividade. Se ele for um jornalista de saúde, ele vai ter que saber que a educação é uma variável importantíssima que impacta em vários indicadores de saúde. E aqui uma notícia exclusiva para vocês: a gente vai lançar no nosso Congresso uma pesquisa do perfil do jornalista de educação. Quem são esses jornalistas, qual o perfil desse profissional, que tipo de fonte ele procura. E a gente acredita que isso possa ser um bom insumo para pesquisas acadêmicas sobre o jornalismo de educação.

Angela Chagas é diretora da Jeduca e doutoranda em Educação pela UFRGS. Foi comentarista de educação da Rádio Gaúcha e editora digital da GaúchaZH | Foto: Adriana Silveira

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Unisinos Desafia promove o protagonismo dos jovens na mudança social https://mescla.cc/2019/08/06/unisinos-desafia-promove-o-protagonismo-dos-jovens-na-mudanca-social/ https://mescla.cc/2019/08/06/unisinos-desafia-promove-o-protagonismo-dos-jovens-na-mudanca-social/#respond Tue, 06 Aug 2019 20:07:58 +0000 http://mescla.cc/?p=10819 O que é a Unisinos Desafia e como ela funciona?  A Unisinos Desafia é um projeto da UAGRAD (Unidade Acadêmica de Graduação da Unisinos) que está na segunda edição. A primeira ocorreu em novembro do ano passado. Ele funciona como um workshop de curta duração em que a partir de problemáticas sugeridas aos alunos eles […]

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O que é a Unisinos Desafia e como ela funciona? 

A Unisinos Desafia é um projeto da UAGRAD (Unidade Acadêmica de Graduação da Unisinos) que está na segunda edição. A primeira ocorreu em novembro do ano passado. Ele funciona como um workshop de curta duração em que a partir de problemáticas sugeridas aos alunos eles podem pensar em soluções de impacto social. A dinâmica do projeto se baseia em certas áreas do design, na parte de ideação e prototipação de ideias dos alunos, utilizando ferramentas como o canvas. O próprio evento ocorre na forma de design sprint. A segunda edição terá um período de duração de quatro horas, em horário de aula, no dia 12 de agosto. 

Qual será o desafio deste ano? 

O desafio deste ano, especificamente, eu não posso dizer, porque a gente repassa essa informação na hora para os alunos. O que eu posso dizer é que como estamos com uma parceria com o Dia Internacional da Juventude, cujo tema será “transformando a educação”. Então, o desafio que vamos lançar terá alguma relação com este tema. Acaba sendo uma premissa nossa dentro do Unisinos Desafia, até para gerar um maior engajamento para os alunos e evitar que eles venham com ideias de fora ou algo pronto. 

Na edição anterior foram divididos grupos para trabalhar em temas específicos. Como será esse ano? 

O Unisinos Desafia sempre acaba se baseando nos objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU. Então, a gente sempre tem uma visão relacionada a isso e a problemáticas que tenham uma relação de impacto. Na primeira edição nós tivemos uma parceria com o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) em que uma das meninas vinculada a esse programa participou da primeira edição. A gente acabou trabalhando, por uma demanda da própria Unidade de Graduação, a abordar estes 17 objetivos sustentáveis que nós dividimos em cinco grandes problemáticas como gênero, imigração e ambiental. 

Neste ano a Unisinos será a única instituição gaúcha a participar? 

Não, dentro deste projeto que é o Dia Internacional da Juventude no Rio Grande do Sul a gente tem quatro atividades. Em São Leopoldo, a Unisinos é a única e em Porto Alegre tem uma menina que fará uma ação na escola dela, além de outras ações com duas instituições, mas nenhuma de ensino, a Unisinos é a única no Rio Grande do Sul. No Brasil, a gente já tem mais de 62 organizações dentre instituições de ensino, escolas e empresas e também tem um rapaz do norte que vai fazer um bate papo com outras cinco pessoas sobre transformação pela educação. Porque a grande essência desse movimento é fazer com que os jovens realmente participem, tenham voz e façam algo diante de um movimento mundial. 

Qual a importância do Dia Internacional da Juventude? 

O Dia Internacional da Juventude tem uma chancela da ONU Brasil, mas é um movimento de jovens. É importante pois coloca a Unisinos em um mapa nacional e mundial de ações que dão voz e espaço para os jovens. Além disso, é uma atividade multidisciplinar que pode desenvolver as práticas que os alunos exercitam em sala de aula como a multisciplinariedade e o networking. Também vem do entendimento da Unisinos de que é importante abordar projetos de impacto social e dar voz para os alunos resolverem problemas e pensarem utilizando momentos para networking, com questões práticas aplicadas a casos reais. 

Quem trabalha no projeto e o que os motiva? 

São quatro pessoas, eu, o Gabriel Tassinari, a Paula Campagnolo e o Tiago Lopes. O Tiago e a Paula como gerentes, tanto do campus Porto Alegre como de São Leopoldo, e eu e o Gabriel como articuladores do projeto. O Unisinos Desafia surgiu como um convite da Unidade Acadêmica de Graduação, a partir de um outro projeto que nós (Eduardo e Gabriel) fazíamos que era o L.I.C. Ele tinha um formato parecido com o Unisinos Desafia, então, nos convidaram para dar continuidade a este tema da juventude. Na primeira edição nós tivemos diversas parcerias com empresas e prefeituras, o que movimenta muita gente. O que nos motiva é fazer essa entrega: ao mesmo tempo em que eu me coloco como aluno, gostaria que acontecessem mais destes movimentos dentro da universidade. Incentivar o aluno a pensar fora da caixa e junto com outras pessoas, criar alternativas para uma problemática no bairro dele, na cidade, ou no país, traz resultados que podem ser desenvolvidos a curto, médio ou longo prazo. Essa é a grande importância.

Gostou? Então, confira esta outra matéria e entenda mais sobre o evento.

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Vanessa Furtado https://mescla.cc/2018/10/03/vanessa-furtado/ https://mescla.cc/2018/10/03/vanessa-furtado/#respond Wed, 03 Oct 2018 20:52:20 +0000 http://mescla.cc/?p=8014 Uma carreira que mistura audiovisual e educação, sempre com a leveza que só uma jornalista de 24 anos poderia proporcionar. Vanessa Furtado é mestra em Ciências da Comunicação pela Unisinos e atua como Designer Instrucional no Grupo A, em Porto Alegre. A empresa trabalha auxiliando as instituições de educação a modernizarem as metodologias e encontrarem novas soluções. O Grupo A faz a criação de livros, revistas, plataformas […]

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Uma carreira que mistura audiovisual e educação, sempre com a leveza que só uma jornalista de 24 anos poderia proporcionar. Vanessa Furtado é mestra em Ciências da Comunicação pela Unisinos e atua como Designer Instrucional no Grupo A, em Porto Alegre. A empresa trabalha auxiliando as instituições de educação a modernizarem as metodologias e encontrarem novas soluções. O Grupo A faz a criação de livros, revistas, plataformas e até aplicativos para o ensino. 

Em seu dia a dia de trabalho, Vanessa recebe os materiais didáticos dessas instituições e tem a missão de dar um olhar mais leve, tornando o entendimento mais fácil e o conteúdo mais atrativo para os alunos. Ela conta que esse processo é feito “visando sempre o melhor aprendizado, trazendo modernidade e tirando o engessamento”. 

Anteriormente, Vanessa atuou na criação de vídeos para o ensino a distância na Ulbra, em Canoas (RS), onde se graduou em Jornalismo em 2015. Na universidade, trabalhava junto com a mãe, Claudiane Furtado, que é especialista em psicopedagogia. “Minha mãe sempre me incentivou a entender todos os lados da história e ter a mente aberta”, conta Vanessa. Essa experiência de criar bons conteúdos e tornar o conhecimento atrativo é o que a levou ao cargo de Designer Instrucional do Grupo A. 

Pesquisa sobre serial killers na ficção

A jornalista, durante sua trajetória de graduação e mestrado, também participou de diversos eventos acadêmicos. O foco da pesquisa da jornalista são os serial killers da ficção. Em 2015, Vanessa apresentou na Intercom o seu TCC, “A construção do personagem na narrativa seriada televisiva contemporânea: um olhar à série Dexter”. Em 2017, como estudante de mestrado, apresentou o trabalho “A estetização do horror na série Hannibal” na Intercom e no SOCINE (evento da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual). 

A jornalista já apresentou seus trabalhos em diversos eventos. Foto: Reprodução

A ideia de Vanessa é entrar no doutorado e futuramente dar aulas na Comunicação. Experiência acadêmica ela tem de sobra: antes de atuar no EAD da Ulbra, trabalhou como bolsista de iniciação científica. Para o doutorado, a jornalista quer seguir o mesmo princípio de sua linha de pesquisa a abordar a série Mindhunterum drama policial. “Sempre tive curiosidade de entender como os serial killers são retratados na ficção”, conta. 

O interesse surgiu em 2011, quando Vanessa fez um curso de roteiro e construção de personagens. A jornalista recebeu críticas pela escolha do tema para uma pesquisa, pois algumas pessoas opinaram que as séries não deveriam ser analisadas no curso, apenas os programas noticiosos. Porém, ela acredita que faz parte da missão do profissional de Jornalismo estudar qualquer produto comunicacional. 

Sempre ver os dois lados da história

Sobre a relação da análise da ficção com a área jornalística, ela destaca o viés de aproximação: “toda vez que a gente conta uma história tem que ter vários pontos de vista”. Segundo ela, isso é o que acontece nas séries que retratam serial killers, sempre abordando todos os lados e mostrando o lado humano das personagens. A narrativa de crimes e suas consequências na sociedade também é algo em comum entre o jornalismo e as histórias fictícias estudadas por Vanessa. 

Para quem deseja seguir na área de educação dentro do Jornalismo, a profissional aconselha “procurar novidades e eventos nas áreas de tecnologia, informação e comunicação”. Vanessa também recomenda acompanhar as tendências dessas áreas no exterior. Com a educação, segundo ela, o jornalista pode atuar “na formação de indivíduos, muito mais do que a formação de opiniões”. 

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20º Prêmio Jornalismo Ministério Público do RS https://mescla.cc/2018/09/19/20o-premio-jornalismo-ministerio-publico-do-rs/ https://mescla.cc/2018/09/19/20o-premio-jornalismo-ministerio-publico-do-rs/#respond Wed, 19 Sep 2018 20:22:33 +0000 http://mescla.cc/?p=7740 O Prêmio Jornalismo Ministério Público do RS está comemorando, em 2018, sua 20ª edição. Neste ano, a competição passou por mudanças e traz muitas novidades nas categorias e formas de apresentação. As categorias, que eram divididas em mídias (impresso, rádio, web e tv), agora passam a ser temáticas, organizadas em áreas definidas como prioritárias pelo Ministério Público,são elas: Segurança Pública; Sustentabilidade; Proteção Social; Combate à Corrupção; […]

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O Prêmio Jornalismo Ministério Público do RS está comemorando, em 2018, sua 20ª edição. Neste ano, a competição passou por mudanças e traz muitas novidades nas categorias e formas de apresentação. As categorias, que eram divididas em mídias (impresso, rádio, web e tv), agora passam a ser temáticas, organizadas em áreas definidas como prioritárias pelo Ministério Público,são elas: Segurança Pública; Sustentabilidade; Proteção Social; Combate à Corrupção; Saúde e Educação. 

A premiação manteve a categoria Reportagem Universitária, em que podem participar estudantes de Jornalismo que tiveram reportagens publicadas nas mídias da faculdade em que estão matriculados. As matérias que podem participar devem ter sido veiculadas em qualquer mídia entre os dias 15 de novembro de 2017 e 10 de outubro de 2018. As inscrições podem ser feitas por este link até o dia 11 de outubro. 

O evento é uma parceria entre a Procuradoria Geral de Justiça do Rio Grande do Sul, a Associação do Ministério Público e a Fundação Escola Superior do Ministério Público. Também são apoiadores o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul e a Associação Riograndense de Imprensa – ARI.

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Para repensar a Educação https://mescla.cc/2018/04/11/para-repensar-educacao/ https://mescla.cc/2018/04/11/para-repensar-educacao/#respond Wed, 11 Apr 2018 17:37:59 +0000 http://mescla.cc/?p=5327 Texto: Eduarda Bitencourt e Giulia Godoy Movidos por uma insatisfação com as práticas de educação tradicionais, Camila Alexandrini, Mariana Aydos e Tiago Martins de Morais se uniram para criar o Fora da Asa. Definidos como professores, inquietos e insatisfeitos, o trio viveu “uma crise compartilhada” sobre a educação. “A gente quer dar uma contribuição para essa insatisfação que move os professores e todos os envolvidos na escola. Esse movimento se coloca tanto […]

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Texto: Eduarda Bitencourt e Giulia Godoy
Movidos por uma insatisfação com as práticas de educação tradicionais, Camila Alexandrini, Mariana Aydos e Tiago Martins de Morais se uniram para criar o Fora da Asa. Definidos como professores, inquietos e insatisfeitos, o trio viveu “uma crise compartilhada” sobre a educação. “A gente quer dar uma contribuição para essa insatisfação que move os professores e todos os envolvidos na escola. Esse movimento se coloca tanto numa prática reflexiva quanto numa prática operacional”, explica Camila.  

A contribuição pode ser vista no último sábado (7/4) durante a Virada Sustentável, que ocorreu na Casa de Cultura Mário Quintana. Transformando o auditório Luís Cosme em uma grande sala de aula onde todos contribuíam igualmente, o Fora da Asa propôs repensar a forma de trabalhar com a educação.  Pedindo que se pensasse sobre a relação entre escola e as palavras “disciplina, controle, corpo, conteúdo, emoção e vida”, o debate se iniciou. 

Foto: Natan Cauduro

Professores dos mais variados níveis de escolaridade apresentaram vivências de sala de aula. A questão do controle e do corpo foram destaque na conversa. Diversos relatos apresentaram que muitas vezes não se percebe que o corpo está interligado com todo o processo de aprendizagem. Criando uma educação mais humana e mais contato com o ambiente, os educandos serão mais intuitivos e entenderão melhor a sua presença no espaço educacional. “Estamos aqui, no momento presente, e ao se colocar nesse espaço, a gente pode experimentar esse espaço de maneiras diferentes e se relacionar com ele de maneiras diferentes”, ressalta Camila.  

Como enfrentar os problemas? 

Durante a segunda palestra realizada pelo grupo Fora da Asa na Virada Sustentável, os espectadores puderam participar de uma dinâmica um pouco diferente para debater design thinking para uma educação saudável. Logo nos primeiros minutos, foi proposto que eles resolvessem um problema. Os palestrantes Tiago Martins de Morais e Camila Alexandrini estavam deitados no chão do auditório, e o público tinha que encontrar uma solução. 

Uma das principais propostas do debate foi a maneira como lidamos com situações problemáticas, erros e falhas, e como é necessário perceber o real sentido dela. De acordo com mais uma das idealizadoras do projeto e mediadora do debate, professora Mariana Aydos, resolver o problema é a parte mais fácil. “A gente é treinado para buscar soluções, a gente cria soluções, mas qual é a real questão?” 

Para entender como encontrar o real sentido do problema, é necessário entender a metodologia do design thinking. “Quando se recebe uma informação, é necessário primeiro divergir o pensamento sobre ela. Antes de chegar em uma questão e resolver ela, a gente tem que abrir a nossa cabeça para mais possibilidades” conclui a professora Mariana.  

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