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Arquivos veículo - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/veiculo/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Fri, 13 Nov 2020 02:49:55 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 A correria e o nervosismo das grandes coberturas https://mescla.cc/2020/11/11/a-correria-e-o-nervosismo-das-grandes-coberturas/ https://mescla.cc/2020/11/11/a-correria-e-o-nervosismo-das-grandes-coberturas/#respond Wed, 11 Nov 2020 20:47:19 +0000 http://mescla.cc/?p=14342 Nestes cinco anos de oferta continuada das atividades da Beta Redação, muitas coberturas fizeram história. Na matéria de hoje, mais uma da série que relembra o trabalho iniciado e desenvolvido por este laboratório de jornalismo. Vamos conhecer os bastidores de três coberturas que são referência para estudantes e professores.  Na casa de Carlos Araújo Em 2016, […]

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Nestes cinco anos de oferta continuada das atividades da Beta Redação, muitas coberturas fizeram história. Na matéria de hoje, mais uma da série que relembra o trabalho iniciado e desenvolvido por este laboratório de jornalismo. Vamos conhecer os bastidores de três coberturas que são referência para estudantes e professores. 

Na casa de Carlos Araújo

Em 2016, o Brasil passou por um acontecimento que ficaria marcado na sua história: o impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Veículos de imprensa do país inteiro acompanharam o andamento do processo, bem como as diversas manifestações tanto a favor dele quanto contra que aconteceram em todas as regiões. E é claro que com a Beta Redação não seria diferente.

Uma das repórteres que estava na Beta naquele período, na editoria de Política, foi Joyce Heurich, formada em 2016 e atualmente atuando como repórter freelancer. Ela comenta que foi uma feliz coincidência o processo de impeachment da Dilma ter acontecido justamente naquele período, em que ela estava cursando seu último semestre da faculdade e atuando como repórter de Política da Beta.

Foi um trabalho muito intenso não apenas para Joyce, mas também para a turma toda. Nesse período, Joyce participou da cobertura de diversas manifestações que aconteceram na Esquina Democrática, em Porto Alegre, e precisou constantemente pesquisar e se atualizar sobre o andamento do processo. Mas o que mais marcou Joyce nesse trabalho foi uma entrevista em vídeo que ela conseguiu para a Beta Redação com o ex-marido de Dilma, Carlos Araújo (que viria a falecer no ano seguinte).

“Eu e o Roberto Caloni, que foi minha dupla nessa entrevista, ficamos muito nervosos até fazer o primeiro contato com ele. Conseguimos o telefone do Carlos e ligamos para ele durante a aula, em um dos telefones da sala da Beta. Ele foi muito atencioso conosco e marcou um horário para nos receber na casa dele, em Porto Alegre, e conceder essa entrevista”, comenta Joyce.

A repórter diz que o principal motivo do nervosismo era porque eles acreditavam que muitos veículos de imprensa estavam entrando em contato com Carlos para conseguir uma entrevista naquele momento, e não esperavam que ele fosse aceitar gastar o tempo dele conversando com universitários. Porém, no dia da entrevista, quando Joyce e Roberto já estavam na casa dele, descobriram que o trunfo deles era justamente este.

“O Carlos nos contou que, de fato, estava sendo muito procurado por jornalistas. Porém, ele estava recusando algumas entrevistas e fez questão de aceitar a nossa justamente por sermos estudantes”, diz Joyce. “Alguns dos veículos que procuravam o Carlos tinham uma linha editorial que ele não concordava, mas em nós, que éramos a próxima geração de jornalistas, ele acreditava”.

Joyce também comenta que aquela entrevista do Carlos para a Beta Redação pode ter sido uma das últimas que ele concedeu na vida, visto que viria a falecer dali a pouco mais de um ano, em agosto de 2017, aos 79 anos. Nessa entrevista dele para a Beta já é possível ver que ele não estava bem de saúde, o que colaborou para a decisão de recusar outras entrevistas.

Enquanto Joyce produziu e conduziu a entrevista com Carlos Araújo, seu colega, Roberto Caloni, ficou com a captação de imagens e edição do vídeo da entrevista. Ele conta que estava com um pouco de receio, já que era a primeira vez que fazia uma filmagem de uma figura pública de relevância, mas a atenção dispensada por Carlos o deixou mais tranquilo. Estresse mesmo foi o pouco tempo que teve para finalizar.

“Precisávamos postar aquela entrevista o quanto antes, ou então perderíamos o gancho e a pauta esfriaria. E isso foi trabalhoso, pois era muito material para editar. A conversa com o Carlos foi longa, e filmamos tudo na íntegra. Tive dois ou três dias para editar tudo”, conta Caloni.

Mas todo o trabalho compensou no final. Além de ambos acreditarem que foi uma ótima experiência, a entrevista teve uma repercussão bem significativa, com outros veículos passando ela adiante e uma boa visualização no vídeo logo depois de ele ter sido postado.

No trem com Ciro Gomes

Em 2017, a turma da editoria de Política da Beta Redação soube que Ciro Gomes, na época pré-candidato à presidência pelo PDT, estaria vindo ao Rio Grande do Sul e faria uma fala no Anfiteatro Padre Werner, na Unisinos de São Leopoldo. Então, obviamente, seria feita uma cobertura da ocasião para publicar no site.

Porém, já no próprio dia da vinda de Ciro à Unisinos, o professor Felipe Boff, que ministrava a disciplina de Política no campus Porto Alegre, soube que Ciro estava na capital gaúcha naquele momento e que ele iria para a Unisinos de trem (Trensurb). E Anderson Guerreiro, que cursava a cadeira, ficou encarregado de se certificar disso. Felizmente, ele possuía contatos do partido de Ciro, que confirmaram a presença do candidato em Porto Alegre e foram informando o estudante sobre o horário aproximado em que ele pegaria o trem para São Leopoldo.

Por volta das 17h, Guerreiro se deslocou para a Estação Mercado sem ter certeza se realmente encontraria Ciro Gomes por lá. Mas Ciro apareceu, e o repórter imediatamente passou pela catraca para acompanhar o pré-candidato o mais de perto possível. Juntos, eles entraram no trem para São Leopoldo.

“Eu fiquei o tempo todo com o celular em uma mão fazendo fotos dele, e na outra eu tinha um bloco onde fui anotando tudo o que pude observar. O que Ciro estava vestindo, o semblante dele, quem estava acompanhando ele… Exatamente o que deve ser feito quando o repórter vai para a rua”, explica.

Durante o trajeto de Ciro Gomes até São Leopoldo, Guerreiro não deixou nenhum detalhe passar | Foto: Anderson Guerreiro

Porém, ainda era preciso se aproximar do Ciro Gomes para conversar com ele, o que não parecia tarefa fácil pela quantidade de pessoas ao redor do pré-candidato. Por sorte, o então estudante encontrou outra pessoa do PDT que ele já conhecia e pediu ajuda para se aproximar de Ciro. Assim que o repórter conseguiu ficar frente a frente com personagem – no caso, o candidato – ele se apresentou e a conversa teve início.

“Eu dei sorte por não haver mais ninguém da imprensa ali, apenas eu. Conversamos de Porto Alegre até São Leopoldo, quando desembarcamos. E nos momentos em que ele parou de conversar comigo para dar atenção a outras pessoas ao redor, aproveitei para observar a forma como ele as tratava e incluí isso na matéria”, comenta Guerreiro. “Ciro já havia declarado na época que se candidataria à presidência em 2018, e ver como um candidato se porta diante do povo, que usa o transporte público todos os dias para ir e voltar do trabalho, é uma boa oportunidade para ver como ele realmente é”.

Quando Guerreiro chegou na Unisinos de São Leopoldo, ele encontrou o professor Boff e disse que iria fechar a matéria no dia seguinte para poder assistir à fala de Ciro no Anfiteatro Padre Werner. Porém, o professor não permitiu isso e disse que ele deveria entregar a matéria naquele mesmo dia. Então, Guerreiro sentou e escreveu a matéria sobre a viagem de Trensurb do Ciro Gomes de Porto Alegre até São Leopoldo.

A repercussão da matéria foi bem positiva. Além de ter sido compartilhada dentro e fora da Unisinos. Para Anderson, a experiência foi um aprendizado sobre a importância de o jornalista ter sua rede de contatos, pois ele não acredita que teria conseguido produzir essa matéria se não fosse pelo auxílio das pessoas do PDT que ele conhecia.

No carnaval de Porto Alegre

Mas não é apenas por meio de entrevistas com figuras políticas de projeção nacional que uma matéria da Beta Redação se destaca entre as outras. Como é o caso da turma da editoria de Cultura de 2019, que recebeu do professor Everton Cardoso a tarefa de cobrir o carnaval de Porto Alegre para uma série de matérias que seriam publicadas na Beta.

A egressa Stefany Rocha, que fez parte da cobertura, relembra com carinho da experiência. Na sexta-feira, 15 de março, que foi o primeiro dia dos desfiles de carnaval daquele ano, a turma se reuniu no campus São Leopoldo para, em seguida, pegar um ônibus até Porto Alegre. As tarefas estavam bem divididas, cada repórter estava encarregado de acompanhar uma das escolas de samba para depois escrever a respeito. E aqueles que não receberam uma escola para acompanhar deveriam auxiliar com a produção de fotos e de conteúdo para redes sociais.

Ao chegarem no local do evento, a turma se dirigiu ao espaço destinado para a imprensa. Embora eles não possuíssem uma área reservada junto com os outros veículos, conseguiram se ajustar e dar início aos trabalhos. Além de acompanharem os desfiles, também conheceram os bastidores e fizeram entrevistas. Stefany ressalta que isso serviu para dar uma visão totalmente diferente a respeito do carnaval, que não era algo que ela acompanhava.

“Pude perceber a importância dessa cultura para quem estava lá assistindo e desfilando, e isso me deu uma perspectiva diferente. Me fez ver como eu não reconhecia algo que sempre esteve muito próximo de mim”, comenta Stefany. “Era muito legal ver a empolgação de quem estava assistindo. Lembro de ter conversado com uma mulher que estava lá com a filha dela, que era uma criança pequena, mas já falava que sonhava em participar do desfile”.

A turma virou a madrugada trabalhando. Chegaram no evento na noite de sexta-feira e foram embora no sábado, quando estava amanhecendo. Stefany conta que estavam todos completamente exaustos, mas com uma exaustão boa, causada pelo sentimento de dever cumprido.

“Não foi um trabalho nada fácil, um desfile de carnaval é barulho e movimento sem pausa. Se deixássemos passar a oportunidade de tirar uma foto durante o desfile, não tinha volta. As entrevistas foram difíceis de fazer porque era um lugar escuro e bem barulhento”, relembra a egressa. “Era uma correria constante. Tínhamos que aproveitar ao máximo os intervalos para conversar com a plateia, sendo que nem todos queriam papo com a gente, e conferir o que estava acontecendo nos bastidores sem atrapalhar o pessoal que iria desfilar”.

Para completar, Stefany precisava também acompanhar uma escola que desfilaria no sábado. Porém, ela não tinha como se deslocar ao local naquele dia, então acompanhou ouvindo o rádio em casa. E, segundo ela, isso foi ainda mais desafiador. Ela já estava exausta de todo o trabalho da noite anterior e ainda sem o agito do local que te mantém acordado. Trabalhando de casa, ela pode experimentar a sensação de ter que cumprir uma tarefa mesmo estando muito cansada.

Stefany diz que a turma trabalhou com muita união durante a cobertura. Todos se ajudaram, o que foi muito bom por ser uma experiência inédita para a turma inteira. E todos ficaram muito contentes com o resultado final.

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Um veículo, muitas transformações https://mescla.cc/2020/10/28/um-veiculo-muitas-transformacoes/ https://mescla.cc/2020/10/28/um-veiculo-muitas-transformacoes/#respond Wed, 28 Oct 2020 20:16:03 +0000 http://mescla.cc/?p=14264 Faz cerca de 10 anos desde que a primeira ideia desse veículo surgiu entre os professores. De lá para cá, a Beta passou por inúmeras transformações e ajustes para se adaptar tanto ao processo de aprendizagem dos alunos quanto às mudanças no mercado de trabalho. Uma virada importante nesta trajetória foi a inauguração de sua […]

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Faz cerca de 10 anos desde que a primeira ideia desse veículo surgiu entre os professores. De lá para cá, a Beta passou por inúmeras transformações e ajustes para se adaptar tanto ao processo de aprendizagem dos alunos quanto às mudanças no mercado de trabalho. Uma virada importante nesta trajetória foi a inauguração de sua própria sala de redação, em 2014. Um ano depois, os alunos começavam a cursar as atividades da Beta, ofertadas oficialmente no currículo.

Anteriormente, contamos aos leitores do Mescla sobre o aniversário da Beta Redação , seu surgimento até a inauguração da sala de redação. Mas quais foram as maiores transformações que ela sofreu desde então? E como os alunos, pioneiros desta experiência, encararam esta novidade no curso, naquele momento? Vamos descobrir?

Cada editoria com seu funcionamento

A professora Cybeli Moraes,  que desde o surgimento da da Beta Redação tem sido responsável pela editoria de Geral, comenta que uma mudança ao longo deste período foi o fato das atividades terem mais autonomia de processo. No início, todas as editorias eram organizadas da mesma forma, até que os professores foram percebendo as especificidades de cada área.

“No começo, a Geral tinha o mesmo funcionamento da Economia, do Esporte, e das demais editorias. Tínhamos um processo compartilhado, feito do mesmo jeito. Com o passar do tempo, a gente viu que cada editoria tinha o seu próprio ritmo, suas próprias lógicas e práticas. Afinal, eram professores e alunos diferentes em cada uma das noites”, lembra a professora. “Então, fomos definindo critérios comuns de avaliação e de entrega para todas as atividades, que ao mesmo tempo pudessem ser flexíveis. Agora, cada professor tem liberdade de inserir sua lógica e trabalhar da sua maneira”.

Cybeli comenta, por exemplo, que os professores tinham a incumbência de trazer profissionais das áreas das editorias para conversar com os alunos. Economistas conversavam com os estudantes da editoria de Economia, agentes políticos conversavam com os estudantes da editoria de Política, e assim por diante. Na editoria de Geral, localizar este profissional tão ligado a área era uma tarefa mais complexa. Assim, a discussão conceitual sobre a editoria, necessária para a formação dos alunos, foi repensada.

“Uma coisa que achamos interessante de fazer na Geral são as reportagens especiais, que são matérias extensas feitas em equipe no final do semestre. Também fazemos revisões de temas e assuntos importantes que estejam acontecendo e que podem ser abordados na editoria, a partir de manuais especializados em jornalismo humanizado, ou documentários relevantes para o contexto atual, por exemplo. Vimos que isso era bem mais proveitoso do que receber um convidado para falar sobre a editoria de Geral praticada em grandes veículos de imprensa”, diz Cybeli.

O professor Sérgio Endler, que está na editoria de Esporte desde o surgimento da Beta Redação, acrescenta que a cada semestre os professores buscam oferecer um conjunto de atividades que dialoguem com a realidade. Em sua disciplina, Endler destaca a Arena Beta e-Sports como uma das principais mudanças que vieram desde o surgimento do veículo.

“Tivemos essa ideia em 2018, quando nos demos conta da relevância que os games possuem hoje em dia no meio esportivo. A Arena Beta e-Sports é uma prática que envolve transmissão esportiva ao vivo, mesclando jornalismo de TV e de rádio. É uma outra forma de linguagem e de narrativa para os alunos experimentarem”, explica o professor. “Essa eterna adaptação com o mercado é uma das principais características da Beta Redação. Fica difícil comentar de forma linear tudo o que a Beta já teve de mudança ao longo de sua existência, já que a transformação sempre fez parte dela”.

O professor também destaca que, agora, a editoria de Esporte trabalha muito com pautas que não possuem visibilidade na grande mídia, como o futebol de cidades do interior. Para Endler, essa é uma das riquezas de o campus São Leopoldo receber estudantes de diversas cidades ao redor.

Após a inauguração de sua sala de redação, em 2014, a Beta Redação passou por incontáveis transformações

Alguns dos primeiros repórteres

Paloma Griesang, que se formou em Jornalismo na Unisinos em 2017/2, esteve entre as primeiras turmas que cursaram a Beta Redação após a inauguração da sala de redação. Ela lembra que não sabia muito bem o que esperar quando iniciou, nas editorias de Esporte e Economia em 2015, visto que o funcionamento do veículo ainda era uma novidade no curso.

“Cheguei na Beta esperando uma experiência nova e diferente das atividades práticas que a gente tinha até então. Porque as práticas até ali eram sempre muito focadas em algum tipo de meio e linguagem: focado no impresso, focado no rádio, na TV. E a Beta era meio que a mistura disso tudo, e de novas linguagem como o digital, site, mídias sociais”, comenta Paloma, que hoje é repórter e editora adjunta do jornal Folha Popular, do Grupo Popular de Comunicação em Teutônia, na região central do Rio Grande do Sul. “Tive bastante medo e receio. Eu já era repórter do jornal que trabalho hoje. Mas era uma experiência completamente diferente. Um nível de exigência bem grande dos professores. Tínhamos que entregar coisas de qualidade mesmo. Eu tive medo várias vezes de não conseguir entregar material de qualidade”.

Paloma comenta que ao escrever uma de suas primeiras matérias para a Beta, na editoria de Economia, estava com bastante receio por não ter entendimento no assunto. Mas, no fim, essa acabou se tornando uma das melhores matérias que ela fez na disciplina.

“A partir daí, eu sempre busquei trazer um olhar sobre a minha região nas minhas matérias. Afinal, eu era a única do Vale do Taquari, então buscava pautas por aqui, pois acabavam sendo diferenciadas”, relembra Paloma. “Embora eu também tenha feito matérias a nível estadual e até de fora do Estado, as principais sempre eram as mais regionalizadas. Até porque eu já tinha mais fontes daqui”.

Ao ser uma das primeiras alunas a trabalharem na sala de redação da Beta, Paloma sentiu muita insegurança

Apesar de todo o medo e receio de enfrentar a Beta Redação pela primeira vez, a repórter diz que ela acabou sendo uma experiência bastante positiva, mesmo tendo se estressado em diversos momentos. “Apesar de eu já atuar na área e ter certa experiência de redação, a da Beta era algo diferente. Eu trabalhava com jornal digital, rádio e site. Na Beta pude experimentar outros formatos. Também conheci muita gente diferente, que eu não teria a oportunidade de conhecer no veículo que eu trabalhava”, afirma.

Já Dijair Brilhantes, formado em 2017/1 e, hoje, assessor de comunicação da Associação dos Transportadores de Passageiros de Porto Alegre (ATP/TRI), diz que não sentiu medo quando encarou a Beta Redação pela primeira vez, em 2015, pela editoria Geral. Assim como Paloma, ele também esteve entre as primeiras turmas a trabalharem na sala de redação da Beta. “Como eu já estava encaminhando para o fim do curso, as disciplinas já não me assustavam mais, digamos assim. O receio era com os prazos, e como eu estava terminando meu TCC, que era minha prioridade, acabou sendo um entrave, mas no final deu tudo certo”, lembra.

Brilhantes fez uma das primeiras matérias da editoria Geral após inaugurar a sala da Beta, e optou por uma pauta de cunho social

Na produção de uma de suas primeiras matérias para a Beta, Brilhantes optou por um assunto que tivesse um teor mais social, o que ele considera uma das principais funções do jornalismo. “Escrevi sobre uma campanha contra a violência as mulheres. Eram mensagens soltas ditas por mulheres agredidas que ganharam as redes através de famosos. As frases ocuparam as redes e “viralizou” na época por despertar a curiosidade dos internautas”, conta.

Para Brilhantes, toda e qualquer experiência acadêmica ou profissional acaba sendo positiva, mesmo que durante o período da prática ela não te mostre isso. “Se o acadêmico ou profissional souber avaliar o que foi bom e usar os exemplos ruins para que isso não aconteça, já é muito positivo. Foi isso que eu fiz. Eu lembro que tive dificuldades com uma assessoria de uma prefeitura na época, e não conduzi tão bem o assunto, o que me gerou um problema. Tirei isso como experiência”, defende.

A mudança de site

Dentre tantas transformações e adaptações, possivelmente uma das maiores que aconteceram na Beta Redação foi a troca de site. A primeira versão do site da Beta era hospedada na plataforma WordPress, mas isso mudou no segundo semestre de 2017, quando ela migrou para o Medium, onde se encontra até hoje.

O professor Sílvio Alves, um dos principais responsáveis por essa troca de plataforma, diz que essa mudança aconteceu por conta de uma necessidade de modernizar a plataforma, visto que o WordPress estava deixando a desejar para as necessidades da Beta, enquanto o Medium já era abraçado por diversas publicações profissionais.

“No entorno do Medium, não existe o enorme mercado de plugins e opções de temas customizados, mas isso – de alguma forma – a deixa mais segura de erros e incompatibilidades entre temas, plugins, navegadores, sistemas operacionais, etc. Era uma interface de publicação simples e que se designava como um lugar melhor para ler e escrever coisas que importam”, explica Alves.

O professor diz que o feedback para essa mudança de site foi bastante positivo tanto pelos alunos quanto pelos professores e leitores. Além disso, ele também acredita que houve uma enorme melhora no conteúdo da Beta depois que essa troca de plataforma foi feita.

O estudante Khael dos Santos, que está cursando o último semestre de Jornalismo, esteve entre as primeiras turmas da Beta Redação a trabalharem com a nova plataforma, por meio da editoria de Cultura. Embora ele não tenha produzido para o site antigo da Beta, entende que houve melhoria na troca de plataforma, incluindo a estética da apresentação  do veículo. Ao publicar uma de suas primeiras matérias, ele decidiu aproveitar os recursos multimídia para anexar um áudio de sua entrevistada.

“A leitura contínua pode ser cansativa. E é interessante utilizar outros recursos dentro da plataforma quando ela te dá essa possibilidade. Então, quis aproveitar os áudios que eu tinha para dar uma quebrada na leitura e fornecer uma alternativa mais leve de transmitir as informações”, explica. “Eu via naquela época que os alunos eram muito focados em trabalhar apenas com texto. Ter esses formatos diferentes é muito bom para fugir um pouco disso.”

O site da Beta mudou de plataforma para ficar mais moderna e facilitar o uso de recursos multimídia

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As origens da Beta Redação https://mescla.cc/2020/10/16/as-origens-da-beta-redacao/ https://mescla.cc/2020/10/16/as-origens-da-beta-redacao/#respond Fri, 16 Oct 2020 20:59:46 +0000 http://mescla.cc/?p=14139 Quem estuda Jornalismo na Unisinos com certeza conhece a Beta Redação. Mesmo que ainda não tenham cursado nenhuma de suas disciplinas, certamente já ouviu os outros alunos falando sobre ela, sobre como são feitos os trabalhos por lá, ou já passou em frente às salas da Beta, seja no quarto andar do prédio D04 do […]

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Quem estuda Jornalismo na Unisinos com certeza conhece a Beta Redação. Mesmo que ainda não tenham cursado nenhuma de suas disciplinas, certamente já ouviu os outros alunos falando sobre ela, sobre como são feitos os trabalhos por lá, ou já passou em frente às salas da Beta, seja no quarto andar do prédio D04 do campus São Leopoldo ou no segundo andar da Torre Educacional do campus Porto Alegre.


Já comentamos sobre o aniversário da Beta Redação, que completa 5 anos este semestre. Mas vocês conhecem a história dela? Sabem como surgiu esse veículo multiplataforma? E como ele era feito antes da inauguração de sua sala?

Uma residência jornalística

A proposta de criar um veículo multiplataforma, onde os estudantes de Jornalismo teriam o protagonismo na apuração e produção das matérias, surgiu por volta de 2010, em um momento em que os professores estavam discutindo novas mudanças no currículo do curso. Nesse assunto, havia um consenso entre eles: o aprendizado dos alunos estava muito teórico e acadêmico. Era preciso dar a eles um ensino mais prático e voltado para o mercado. A pergunta era: como fazer isso?


Quem trouxe a solução foi a Thais Furtado, que, além ter larga experiência como professora de redação jornalística, também já acumulou as funções de coordenadora da Agexcom e gestora do curso de Jornalismo de Porto Alegre entre 2012 e 2017. Nesse meio tempo em que os professores estavam discutindo quais mudanças o currículo precisava, ela assistiu a um congresso na Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc). Lá, a professora Christa Berger, que na época integrava o Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM) da Unisinos, fez uma fala associando a faculdade de Jornalismo com o período de residência médica, onde os estudantes de Medicina colocam em prática toda a teoria que aprenderam ao longo do curso. Então, Thaís percebeu que era exatamente isso o que o curso de Jornalismo precisava: uma “residência jornalística”.


“Eu imaginei os alunos chegando no final do curso de Jornalismo passando por uma redação, onde haveria apenas prática jornalística. Além de ser uma boa experiência para os estudantes, os professores também poderiam se manter ativos no mercado, pois teriam que pensar como editores”, explica a professora, que agora é professora do curso de Jornalismo da Fabico, na UFRGS. “Claro, o curso já possuía disciplinas práticas, em que os alunos entregavam reportagens, mas não com o ritmo e a intensidade que se tem em uma redação. Além disso, os trabalhos práticos feitos nas outras disciplinas costumam ficar somente na sala de aula. São feitos pensando apenas no professor, não em um público”.


Então, Thaís se reuniu com os demais professores do Jornalismo e apresentou essa ideia. Com o passar do tempo, conforme novas reuniões para discutir o futuro do currículo do curso foram sendo feitas, a ideia foi sendo aprimorada. Foi definido que seria criado um site alimentado apenas com notícias feitas pelos alunos; que haveria cinco disciplinas para trabalhar nesse veículo, cada uma focada em uma editoria; que todas as disciplinas seriam do último semestre, e assim por diante. E foi definido o nome “Beta Redação” para passar a mensagem de que se trata de um produto em transformação, como se fosse uma versão beta de algum serviço para ser testada e, futuramente, aprimorada.

A Beta Redação foi ao ar em 2012 com a proposta de ser uma “residência jornalística” para os alunos

Um choque para os alunos

As primeiras atividades da Beta Redação ocorreram em 2012. O professor Edelberto Behs, que foi coordenador de Jornalismo de 2003 a 2019, lembra que houve bastante choque e insatisfação dos primeiros alunos a se depararem com a novidade. Inclusive, ele precisou ir em sala de aula algumas vezes para defender o veículo.


“Os alunos ficaram descontentes que as disciplinas da Beta Redação tomaram o lugar de cadeiras de rádio e telejornalismo, que era o interesse deles. Não compreenderam de imediato a proposta multiplataforma da Beta, em que eles poderiam trabalhar também com áudio e vídeo, não só com texto”, comenta Behs. “Também houve um grande susto com a carga de trabalho que eles teriam nela, além de reclamações sobre os computadores dos laboratórios que eles utilizavam na época, que consideravam lentos para a realização das atividades”.


Behs também relembra que as primeiras produções da Beta Redação foram muito similares ao que era feito e publicado na mídia como um todo, o que não era a proposta do veículo. Foi preciso explicar que a Beta Redação estava ali para incentivar a experimentação e a criatividade dos futuros jornalistas na apuração e produção de reportagens.


Quem coordenou a Beta Redação quando suas atividades tiveram início foi o professor Nikão Duarte. Ele comenta que o começo foi difícil, pois os alunos não gostaram do método apresentado para o desenvolvimento da prática, e a insatisfação migrou da sala de aula para as redes sociais dos alunos e do curso. Porém, ele admite que os estudantes não estavam totalmente errados e que houve equívocos na implementação da Beta Redação. 


“No início, o funcionamento da Beta era diferente. Os alunos tinham que desenvolver uma matéria dentro da sala de aula, com os recursos que tínhamos, e dar seu jeito para entregá-la pronta até o fim do horário de aula. Hoje, o aluno entrega uma pauta, passa a semana produzindo a matéria e entrega pronta na aula seguinte. Aquilo foi um exagero que cometemos. Por mais brilhante e experiente que o aluno seja, ele ainda é um aprendiz”, admite o professor. “Estávamos cobrando dos alunos algo que eles não tinham condições de entregar. O primeiro semestre de Beta Redação foi muito rico em questão de inovação e novas experiências, mas também foi muito traumático tanto para os estudantes quanto para os professores. Todos ali eram inexperientes nesse quesito.”


Os problemas foram enfrentados com transparência. A partir dos comentários e sugestões tanto dos alunos quanto dos professores, melhorias foram surgindo, a prática foi sendo aprimorada e os trabalhos foram gratificando a todos. O ritmo de produção na Beta foi modulado, facilitando o trabalho dos estudantes. Profissionais de diversas áreas passaram a serem convidados para conversarem com os alunos. Temas como lazer, saúde, cidadania e entretenimento foram inseridos nas disciplinas.


Porém, havia uma questão a ser resolvida: a Beta Redação ainda não possuía um espaço próprio. Até então, as atividades eram feitas nos laboratórios de informática que os alunos tinham à disposição. Quem cuidou disso foi Edelberto Behs, que conversou com a Unidade de Graduação da Unisinos e, em São Leopoldo, conseguiu apoio para transformar aquele espaço, que até então era um laboratório de rádio, na sala que conhecemos hoje. Sua inauguração foi em 2014. Em Porto Alegre, a atividade ganhou um local próprio em 2017, com a inauguração do novo campus. A Beta, enfim, tinha sua própria redação!

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A experiência de um veículo de notícia como atividade acadêmica https://mescla.cc/2020/09/29/a-experiencia-de-um-veiculo-de-noticia-como-atividade-academica/ https://mescla.cc/2020/09/29/a-experiencia-de-um-veiculo-de-noticia-como-atividade-academica/#respond Tue, 29 Sep 2020 20:25:23 +0000 http://mescla.cc/?p=14036 Os cursos de Jornalismo da Unisinos, em Porto Alegre e São Leopoldo, estão em festa nesse semestre. Uma de suas principais atividades acadêmicas está completando, agora em setembro, 5 anos de existência. E aqueles que, em algum momento, já passaram pelo quarto andar do prédio D04 sabem do que se trata. Basta reparar em uma […]

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Os cursos de Jornalismo da Unisinos, em Porto Alegre e São Leopoldo, estão em festa nesse semestre. Uma de suas principais atividades acadêmicas está completando, agora em setembro, 5 anos de existência. E aqueles que, em algum momento, já passaram pelo quarto andar do prédio D04 sabem do que se trata. Basta reparar em uma enorme sala, com uma televisão e computadores e telefones organizados em ilhas de trabalho. Sim, é ela, a Beta Redação.

Muito conhecida (e, às vezes, temida) pelos estudantes de Jornalismo, o Laboratório de Jornalismo, ou a Beta Redação, é um projeto nascido em 2015 com a proposta de dar aos futuros jornalistas a experiência de imersão própria de um veículo de imprensa. No caso, um jornal multiplataforma alimentado pelos alunos, com propostas de pautas trazidas e elaboradas por eles próprios e sob orientação dos professores. No currículo do curso, há cinco Laboratórios de Jornalismo (Beta Redação), divididos em cinco editorias jornalísticas: Esporte, Geral, Economia, Política e Cultura.

Depois de 5 anos, a Beta já passou por inúmeras transformações, sempre na perspectiva de aprimorar o ensino e a experiência prática de aprendizagem. Quem estiver cursando a Beta Redação pode exercer a função de repórter, editor, editor das mídias sociais e, ainda, a de ombudsman da publicação. Todo trabalho realizado dentro da Beta é supervisionado pelos professores alocado nas editorias, mas a produção fica toda nas mãos dos estudantes.

Para marcar esse aniversário, nós, do Portal Mescla, preparamos uma série de matérias sobre a Beta Redação, nas próximas semanas. As reportagens mostrarão seu surgimento, suas parcerias e suas principais produções.

Com matérias elaboradas e produzidas pelos alunos, a Beta Redação dá uma imersão em uma redação de jornal

Um motivo de orgulho e gratificação

Os coordenadores do curso de Jornalismo da Unisinos, Micael Behs e Débora Gadret, contam do orgulho que sentem ao ver o que a Beta Redação se tornou após estes 5 anos.  Behs afirma que a atividade da Beta é um diferencial da Unisinos em relação a outros cursos de Jornalismo e que os professores seguem fazendo reuniões regulares para aperfeiçoar esse projeto e para torná-lo sempre atualizado em relação às tendências e perspectivas da área.

“Mas talvez o mais significativo de tudo é perceber a Beta Redação como uma fonte de informação confiável para a comunidade acadêmica da Unisinos, para os próprios estudantes e para tantos leitores que tiveram um primeiro contato com o projeto e seguem acompanhando o nosso fluxo de publicações diárias”, diz o coordenador.

Débora acrescenta que, como a Beta é um laboratório experimental, ela está sempre se transformando a partir de experiências passadas, e hoje ela é o resultado de um trabalho tanto dos professores quanto dos alunos, que trazem novas ideias e perspectivas para o veículo. Ela cita como exemplo disso a pandemia do novo coronavírus que estamos enfrentando.

“Semestre passado, quando a pandemia iniciou e tivemos que migrar as aulas da Beta para o regime remoto, foi bastante difícil a adaptação do modelo de funcionamento das atividades inicialmente. Mas por meio de tentativas e de troca de ideia com os alunos, conseguimos experiência para melhorar o ensino para esse semestre”, comenta Débora.

Já o professor Felipe Boff, que dá aula em quatro, das cinco atividades da Beta Redação, diz que se sente muito gratificado ao ver o que esse veículo representa hoje em dia. Tendo uma longa trajetória trabalhando em redação de jornal, ele considera que segue no mesmo ramo ao coordenar os alunos da Beta.

“O que é feito na Beta é, de fato, jornalismo. Claro, é um pouco diferente de uma redação do mercado de trabalho pois é uma sala de aula e meu primeiro compromisso lá é pedagógico, mas é um espaço comprometido com o jornalismo”, defende o professor.

Para registrar toda essa trajetória da Beta, o curso de Jornalismo da Unisinos está produzindo um e-book, ainda sem data prevista de lançamento, que trará a história de como essa publicação surgiu e se aprimorou com o passar do tempo. Além disso, também foi elaborado um relato de experiência explicando detalhadamente o funcionamento da Beta. Esse relato será apresentado no 19º Encontro Nacional de Professores de Jornalismo (ENPJ), nos dias 25, 26 e 27 de novembro, para que outras universidades conheçam e se inspirem com a  iniciativa da Unisinos.

Foram 5 anos de transformações e aprimoramento até a Beta Redação se tornar o que ela é hoje

Primeiro contato com a Beta

Ângelo Gabriel da Silva Santos, estudante do sexto semestre de Jornalismo, está conhecendo agora a Beta Redação, como repórter na editoria de Esporte. Ele conta que já tinha ouvido vários comentários sobre o fato das cadeiras na Beta serem muito trabalhosas e cansativas. Isso fez com que ele ficasse bastante nervoso.

Porém, agora que está cursando a Beta, ele diz que esse veículo é uma experiência prática muito boa para os alunos. O estudante ressalta que os professores, além de darem aos alunos todo o auxílio necessário, também dão liberdade e os incentivam a explorar novas ideias e formatos para suas matérias.

“É importante termos um trabalho como o da Beta Redação no nosso curso para que a gente possa experimentar o jeito que a gente escreve, as matérias que produzimos e toda essa parte prática do jornalismo”, comenta.

Emerson dos Santos, do oitavo semestre, entrou para a Beta Redação pela primeira vez indo direto para três editorias: Geral, Economia e Política. Ele conta que os colegas até o chamaram de louco por causa disso, alegando que ele não daria conta por ser muita produção sem pausa. Mas não tem sido esse o caso.

“Eu entrei na Beta esperando justamente o que ela é: produção e atividade prática. Eu não tenho experiência profissional no jornalismo, nunca trabalhei na área, apenas estudei. E a Beta vem sendo muito boa pra mim nesse quesito. O impacto dela na minha vida e na minha formação está sendo bem positivo”, diz o estudante.

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