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]]>A Unisinos desenvolve estudos e práticas em comunicação de diversas maneiras. Uma delas é pelo Instituto de Cultura Digital. O ICD é uma iniciativa de professores do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação (PPGCOM) da Universidade para promover a capacitação e o desenvolvimento de sujeitos, coletivos e organizações para os desafios da cultura digital.
O ICD nasceu, no ano passado, a partir da necessidade dos professores do PPGCOM em inovar nas práticas do programa frente a um cenário nacional de pesquisa em comunicação que, hoje, demanda trabalhos que consigam gerar impacto na sociedade ou que deixam esse impacto mais claro.
As especializações em Educação Midiática e Digital Trends, oferecidas neste semestre, são os primeiros produtos acadêmicos desenvolvidos pelo Instituto de Cultura Digital. Também está sendo realizado um trabalho de consultoria e desenvolvimento para a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, com a finalidade de reformular e revisitar questões de comunicação digital, como site e aplicativo.
Para o futuro, o Instituto planeja desenvolver outros produtos. “Temos a experiência de propor, por exemplo, o desenvolvimento de banco de imagens, insumos para políticas de governança digital, workshops, trabalhar com o desenvolvimento de monitoramento de redes, estratégias de combate à desinformação e relatório de tendências”, explica o professor da Escola da Indústria Criativa (EIC) Gustavo Fischer, um dos coordenadores do Instituto de Cultura Digital. “São todas questões que a gente pode articular e também, na medida do possível, envolver os alunos. Conforme esses trabalhos vão sendo encomendados, a gente vai ter um orçamento e a oportunidade para os nossos alunos poderem atuar conosco”, completa Fischer.

Além de Gustavo Fischer, atua na coordenação do ICD a professora da EIC Maria Clara Aquino. Na equipe, fazem parte também os professores da Comunicação Ronaldo Henn, Cybeli Moraes, Luciana Kraemer e Taís Seibt. Dentro da Unisinos, o Instituto tem parceria com os laboratórios Atomic Rocket e Agência Experimental de Comunicação (Agexcom), além da colaboração do professor João Bittencourt, do curso de Jogos Digitais. Fora da Universidade, o ICD possui parceria com o egresso do PPGCOM Christian Gonzatti, do Diversidade Nerd, e os professores Rafael Grohmann, da University of Toronto, e Adriana Amaral, da Universidade Paulista (Unip).
Os esforços para constituir o Instituto de Cultura Digital começaram no segundo semestre de 2021, através dos professores Gustavo Fischer e Sônia Montaño, pela linha do audiovisual; Ronaldo Henn e Maria Clara Aquino, pela linha do jornalismo; e Adriana Amaral e Rafael Grohmann, pela linha sociocultural. No início de 2022, foi apresentado o projeto à nova reitoria da Unisinos e ao decano da Escola da Indústria Criativa, Gustavo Borba.
“Buscamos outros caminhos que não sejam apenas a graduação e a pós-graduação, como também formas de fazer com que a Universidade se desenvolva e que seja sustentável. Vimos essa oportunidade, já que várias das nossas pesquisas tinham em comum essa dimensão de trabalhar com a cultura digital”, explica Fischer.
Para obter mais informações sobre os trabalhos e pesquisas realizados pelo Instituto de Cultura Digital, acesse o site. É possível entrar em contato com a coordenação através do Instagram: @institutodeculturadigital.
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Confira abaixo os principais destaques que selecionamos. Para conferir na íntegra o que rolou em cada dia, inserimos nos títulos das atividades o link que encaminha para o acesso a gravação, disponível em nosso canal no YouTube.
O primeiro convidado foi o Kim Trieweiler, publicitário, egresso da Unisinos, e que hoje atua na Aerolito, como Chefe de Pesquisa (Head of Research). Ele comentou que se reconhece mais como um pesquisador do que como publicitário. Um “pesquisador de futuros”. Ele é membro da WFSF (World Federation of Futures Studies).

“O letramento em futuros, que é a habilidade de conseguir imaginar futuros a partir de diferentes pressupostos, para diferentes fins, é fundamental na nossa vida cotidiana e na nossa vida profissional. E para fazer um mundo melhor.”
Na história da humanidade sempre existiram tentativas de prever o que vai acontecer no futuro. “Existe um fetiche pela previsibilidade. Mas a incerteza é uma característica intrínseca do futuro”. Assim, Kim explicou que a gente cria uma posição de “futureproof” (em tradução livre, à prova de futuro), ou seja, uma posição defensiva de futuro.

Lidar com o futuro no singular é pensar menos em previsão e mais sobre o controle. Precisamos de “letramento para futuros” (Futures Literacy), ou seja, compreender melhor um futuro imaginado, e ter mais consciência do que faremos. Dessa forma, introduzir o futuro no presente é ter uma noção maior do que queremos e podemos projetar agora – no presente- melhor. Dentro da habilidade de “letramento de futuros”, é possível mapear seis pressupostos antecipatórios (AA, em inglês, anticipatory assumption), que levam a gente a entender melhor como imaginar o futuro. São eles: previsão; destino; reforma criativa; autoaperfeiçoamento; pensamento estratégico e sabedoria-tão-ser. Basicamente, eles são a união de três coisas: tipos de sistemas, usos e métodos.
Trazendo isso para a comunicação, é a possibilidade de olhar para inovações de fora do mercado, mas com potencial de impactar diversos setores. O Kim criou uma metodologia chamada “Três ondas de impacto”, que ele desenvolveu dentro da Aerolito, para mapear, explorar e entender melhor os possíveis impactos das tecnologias, ciência e inovação em negócios em um determinado tema, setor ou até mesmo mercado. Dessa forma é possível ampliar o olhar sobre os futuros para além do provável.

Ainda na primeira noite também aconteceu o lançamento dos 50 anos da Comunicação da Unisinos. Que tal? Viu só como ele ficou lindo?

Além do lançamento da revista Josefa, que você pode conferir aqui , ocorreu a apresentação da Alteritat, uma iniciativa das egressas Francine Malessa e Mariana da Rosa. A conversa, além de tratar de dois focos importantes, a comunicação e diversidade, mostrou como é possível empreender com propósito.
A Alteritat é uma consultoria de diversidade, que disponibiliza o serviço para empresas e instituições de diversas naturezas e finalidades, além de agências de publicidade e comunicação, universidades, organizações não governamentais, pessoas físicas que possuem atuação pública e até para políticos.
“Já que nós somos problematizadoras, vamos fazer isso de uma forma que nos dê dinheiro”, brincou Mariana já no começo.

Elas explicaram que existe muita demanda para se falar sobre diversidade. As pessoas querem ouvir sobre, querem uma mediação no debate, porque não querem ser acusadas ou taxadas de serem preconceituosas. Ou seja, as pessoas sabem da relevância do tema.
Não! Inclusificar é um verbo criado pela professora e Diretora do Programa de Doutorado em Organização, Liderança e Análise da Informação da Universidade do Colorado, Stefane Johnson, (que, inclusive, produziu um livro sobre isso) que significa mais do que incluir ou “adicionar”. Inclusificar é “viver e liderar de um modo que reconheça e celebre perspectivas únicas e divergentes, criando um ambiente de colaboração e mente aberta ao qual todos sintam realmente pertencentes”, conforme as meninas da Alteritat colocaram no slide. Ou seja, é criar a sensação de pertencimento, entender que existe o diferente e compreender que esse sentimento exista, mas sem discriminação.
“Ah, mas eu trato uma pessoa negra como eu trato as outras pessoas”, mas dessa forma acabamos tratando como se fossemos todos brancos e pertencentes aos mesmos grupos sociais. Não é apenas contratar (incluir) pessoas e nada mudar dentro das empresas.
“A comunicação é a principal forma da gente se relacionar socialmente. A gente queria levar essa comunicação social falando sobre diversidade, porque a comunicação traz conteúdos simbólicos, a partir de visões de mundo, com subjetividades e valores sociais de diferentes lugares sociais.” – Francine Malessa

Conforme estudos compartilhados recentemente, equipes com mais diversidade tomam decisões mais precisas e também fazem investimentos melhores. Apostar em diversidade nos ambientes profissionais de trabalho, é apostar em inovação, porque traz novas perspectivas e prevê um lucro maior! Mas, por que as empresas e instituições ainda não estão tão abertas para a diversidade mesmo com os números comprovando?
As jornalistas afirmaram que existem obstáculos provados pelo medo de entender e tratar sobre. Isso torna o assunto um verdadeiro tabu, e quem tem medo muitas vezes cria fobia e preconceitos. No entanto, a melhor forma de acabar com isso são as consultorias de diversidade na área da comunicação, como a Alteritat!
Elas contaram que sempre buscam demonstrar isso no trabalho que realizam, existe ciência e estudo por trás de cada afirmação e estratégia. Por isso, é importante mostrar que há embasamento por trás de todo o debate sobre diversidade e comunicação.
Temas como sub-representação, linguagem e acessibilidade foram super bem explorados na apresentação. Elas trouxeram dados importantes, como, por exemplo, as pesquisas que mostram que cerca de 80% da população brasileira prefere marcas com posicionamento claro, seja sobre políticas, causas sociais ou cultura. Outro dado bem significativo é o de que cerca de 24% da população brasileira possui algum tipo de deficiência, sendo a visual a maior delas.

A quarta-feira teve a fotografia documental como tema, com o Leonardo Savaris sendo o palestrante. O evento marcou a volta de um evento presencial em São Leopoldo, no Labtics, mas com transmissão simultânea pelo canal no Youtube do Mescla! A coordenadora do curso de Fotografia, Marina Chiapinotto, e o coordenador de Jornalismo de São Leopoldo, Micael Behs, estiveram juntos.
O Leonardo é egresso do curso de Fotografia da Unisinos e já se tornou uma referência em fotografia documental depois de ser o único brasileiro vencedor no Concurso Sul-Americano de FotoMigração: a Migração com Outras Lentes, em 2021, promovido pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), entidade ligada à Organização das Nações Unidas (ONU). O prêmio veio pela série documental de dez fotos intitulada “Imigrantes Senegaleses”.
Savaris contou sobre a trajetória pessoal e como isso se relaciona com seus interesses com a fotografia. Ele conta que iniciou trabalhando “no chão de fábrica”, com metalurgia, e que pode se encontrar quando começou a cursar Jornalismo na Unisinos, já que na época ainda não existia a graduação em Fotografia na universidade.
Cheio de força e emoção, o fotógrafo contou que não tinha experiência alguma com a área, mas que sentia uma forte identificação com a atividade. O então professor Eduardo Veras (que hoje é professor do Instituto de Artes da UFRGS) encaminhou Leonardo para o recente curso de Fotografia, coordenado por Beatriz Sallet, que também marcou a formação dele.
“Quando eu entro aqui dentro, a Fotografia foi um chão para mim. Eu acho que isso reflete dentro da minha fotografia. Eu fui buscar minha vivência, minha essência, e estou ainda buscando, porque a gente não encontra tão fácil. Acho que dentro da fotografia eu busco um pouco de paz de espírito.”

“Dentro de uma universidade, acho que cada um tem que fazer seu papel como juventude, tem que ir pra cima, tem que lutar. Eu estava para fazer meu TCC, e eu não acho que seja um sindicalista, mas eu acho que temos que lutar pelos nossos direitos e pelo que a gente acredita. Nesse local das fotos, quando eu fui fazer meu TCC, isso era uma ocupação. A Ocupação Saraí. Dentro do cenário político da época, eu tinha o meu posicionamento, mas eu não entendia o mais amplo. Eu não entendia muita coisa, não entendia por que uma pessoa ocupava um prédio abandonado. A galera da ocupação lutava pelo direito de moradia. Eu queria entender. E eu fui, na cara e na coragem.”

Para o fotógrafo, o trabalho com imagem e histórias precisa entender sobre as questões que englobam o nosso dia a dia, no entanto, a forma como abordadá-las tem que ser tratada.
“Estamos falando de pessoas que lutam há 30 anos, por exemplo, como a gente vai retratar eles como coitados? Isso não cabe mais. Eles são muito fortes. Os retratados, quem eu abordei, em nenhum momento aparecem de cabeça baixa. Eles sempre olham para a câmera, direto para a câmera, com postura e força. E eu acho que é esse retrato que tem que ser feito.”

“Vocês têm que conhecer as pessoas, conhecer a luta das pessoas e tentar, de alguma forma, retratar a luta delas. Se a condição que elas estão é precária, certo, mas elas estão vivendo, tem sangue pulsando na veia de cada um.”

No chat, a professora Beatriz Sallet fez um comentário muito rico que pode sintetizar o trabalho do Leo: “Os retratos que o Léo fez na Ocupação Saraí devolveu cidadania e identidade a cada ser fotografado. Ele repetiu isso com os senegaleses.”
Leonardo sintetiza o trabalho dele de mais uma forma: “Toda fotografia é um ato político.”

Neste dia, aconteceu um workshop com a pesquisadora mato-grossense Issaaf Karhawi. Ela está fazendo pós-doutorado no PPG de Comunicação na Unisinos, trabalhando no laboratório Cultpop. A tese de doutorado dela rendeu um livro, “De blogueira a influenciadora – Etapas de profissionalização da blogosfera de moda brasileira”, (inclusive, a capa foi produzida pela egressa de Moda da Unisinos e artista-designer, Marcela De Bettio).
O workshop trabalhou como os influenciadores digitais podem ser um objeto de pesquisa na graduação e demais etapas da vida acadêmica. Issaaf comenta, “Em 2013 eu escrevi um projeto de pesquisa para estudar blogueiras de moda. O que me incomodava naquele momento? Eu sou formada em Jornalismo e existia um embate entre jornalistas de moda e blogueiras. Uma rixa, um desacordo que me chamava atenção, porque aquela intriga sinalizava que tinha algo importante acontecendo.”

“Eu me deparei com a emergência de um novo perfil profissional no campo da comunicação. Um perfil profissional que era o de blogueira em 2013, mas em 2018, quando eu terminei, elas eram influenciadoras, ‘digital influencers’.”

A Issaaf mostrou o trabalho de conclusão em Jornalismo dela, produzido em 2010. Ela estudou a “saga Crepúsculo” em um trabalho intitulado “Entre vampiros, lobisomens e fãs – a saga Crepúsculo e a produção de sentidos no ciberespaço”. Na época ela era professora de inglês, e conta que ouvia dos colegas o conhecido discurso moralista de que os jovens não leem mais. “Eu chegava na sala e precisava esperar os alunos pararem de ler, fechar o livro para começar a aula. Como assim, a gente diz que o jovem não lê e de repente eles estão na sala de aula, de um curso de inglês, com esse livro na mão?”. A partir disso, ela foi estudar o que estava acontecendo, “Fui estudar Crepúsculo e fui me encontrando na pesquisa com as fanfics, as ficções escritas a partir de uma obra específica, nos ambientes digitais.”

“Quando eu digo que estudei blogueiras de moda na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), as pessoas me olham e perguntam ‘Como? Como as pessoas te olhavam’. É isso que eu queria provocar. Os nossos objetos de pesquisa, os temas que a gente escolhe, refletem muito nossos anseios. (..) Os meus indicavam questões que eram controversas. ‘Os jovens não leem’, vou mostrar que eles leem. ‘As blogueiras vão roubar o lugar de jornalista’, eu fui lá e mostrei que blogueira não é jornalista.”

Para a pesquisadora, o TCC é uma importante oportunidade para pensar em algo específico que estava guardado, mas tem vontade de falar, também é o momento de fazer um projeto experimental. Não pode ser visto apenas como uma formalidade. Issaaf pontuou que as perguntas podem surgir a partir da vivência diária, que pode ser tensionada e desenrolar um projeto de pesquisa que se aproxima do nosso campo. Os temas surgem de aspectos de uma área, mas também podem surgir de polêmicas, do senso-comum, de leituras, de conversações, etc.
“Quando a gente pensa em influenciadores, tem um aspecto importante: eles desorganizaram o ecossistema midiático.”
“A Cultura da Participação, que tem a ver com a Convergência de Mídias, com o Digital, com as Redes Sociais Digitais, abre esses polos e permite que cada um de nós produza algo e compartilhe nas redes. Isso gera uma desestrutura.”

A pesquisadora mostrou os principais aspectos a serem pensados na hora de pesquisar sobre influenciadores digitais e todo esse fenômeno digital, por exemplo, a autenticidade; o trabalho digital; os fluxos de comunicação; questões éticas. Esse último aspecto é o “grande burburinho”, segundo Issaaf, porque nesse ponto é que se tenciona o debate sobre influenciadores digitais. As questões éticas debatidas costumam circular em torno de publicidade velada (ou ilegal), responsabilidade e conteúdo e até desinformação e posicionamento e o “cancelamento”.

A última conversa da semana rolou com Victor Antunes, Paulo Barros, Gabriel Simeone e Edson de Sousa, que são integrantes do Núcleo de Tecnologia do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). O evento teve início com uma explicação sobre a atuação do MTST, que luta, dentro da lei fundiária, para que todos tenham direito a um teto. O Núcleo mostrou que o MTST defende a legalidade. Entre as leis, há uma que diz que as propriedades devem cumprir um dever social.
“Da mesma forma que se você tiver um carro, você não pode sair andando em cima da calçada, atropelando as pessoas e andar sem pagar o IPVA. Então, o MTST ocupa as terras que ‘andam na calçada’, ocupa as terras que ‘atropelam as pessoas’ e aquelas que não pagam tributo. Não ocupamos para tomar, mas como uma forma de denúncia, porque o poder público faz questão de não fazer valer a lei sobre essas terras.”

O Gabriel mostrou que o objetivo do Núcleo é organizar os trabalhadores da área de tecnologia em uma ponta e formar novos trabalhadores em outra. Para isso, é necessário desenvolver softwares e enxergar a tecnologia de acordo com a política do movimento.
Atualmente, há mais de 80 desenvolvedores colaborando com o Núcleo e cinco projetos sendo desenvolvidos. Eles detalharam a iniciativa “Contrate Quem Luta”, que é um projeto que oportuniza o contato de empregadores com profissionais para diversos serviços, através de uma plataforma de empregabilidade justa desenvolvida e organizada pelo próprio Núcleo de Tecnologia do MTST.

A ferramenta visa garantir o modelo de trabalho justo, horizontal e cooperativo. Estabelece uma relação direta, através de um robô, no qual você pede um serviço, via WhatsApp. A partir dali o “robô”, busca na base dados quem pode oferecer este serviço. A partir do momento em que a pessoa que busca o serviço e o prestador concordam com o trabalho, o número de telefone é trocado e as pessoas conversam diretamente, combinando horário, pagamento e prazo.

A plataforma foi desenvolvida e pensada em oposição ao modelo da uberização do trabalho. É uma plataforma justa de empregabilidade, que busca desenvolver profissionais, sem gerar algoritmos que possam prejudicar os trabalhadores.

A Semana da Comunicação é sempre esperada porque traz pautas relevantes para pensarmos a área. Nesta edição, pautas sociais e de impacto marcaram a programação, rendendo muitas ideias e dando o que falar. Mas, esse resumo é um convite para aguçar a curiosidade de quem não pode conferir os bate-papos ou então uma forma de lembrar o que aconteceu e refletir para novos debates. Já estamos ansiosos para a próxima edição!
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]]>Apesar de facilitar a vida do consumidor, as implicações para o mercado e para os próprios trabalhadores são preocupantes. Baixos salários, condições precárias de trabalho e a falta de legislações são alguns dos problemas enfretados por essa parcela da população. Este é o tema do projeto da Fairwork Foundation, dirigido por Mark Graham. O professor de Geografia da Internet no Oxford Internet Institute visitou o campus São Leopoldo da Unisinos no dia 10 de janeiro para falar sobre o futuro da pesquisa no Brasil.
Em seu site, o Fairwork se define como “uma forma de imaginar uma economia de plataforma diferente e mais justa do que a que temos hoje”.
O Fairwork tem por objetivo evidenciar as melhores e piores práticas na economia de plataformas em países de todo o mundo. Além disso, pensa em princípios globais para um trabalho mais justo na economia de plataforma. A iniciativa está presente em 26 países e é realizada por 22 pessoas, incluindo trabalhadores, sindicatos, plataformas e formuladores de políticas públicas. Em seu site, o Fairwork se define como “uma forma de imaginar uma economia de plataforma diferente e mais justa do que a que temos hoje”.
O objetivo da visita à Unisinos é estreitar relações com a universidade de Oxford e falar sobre a possibilidade de financiamentos no Brasil. As próximas etapas do projeto envolvem o lançamento de relatório em março, as possibilidades de impactos em políticas públicas e a possível organização do simpósio mundial do projeto na Unisinos. Para Rafael Grohmann, professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Comunicação (PPGCom) da Unisinos e coordenador do Fairwork no Brasil, a visita de Mark significa a possibilidade de incluir os princípios do projeto em políticas públicas. “Isso significa uma articulação entre o global e o local, em uma perspectiva de internacionalização de um projeto que tem impacto na nossa realidade local, na nossa comunidade”, explica.
Saiba mais sobre o projeto Fairwork
No Brasil, o projeto Fairwork é executado a partir de um acordo de cooperação firmado com a Unisinos e desenvolvido pelo DigiLabour. As condições de trabalho por plataforma no país são analisadas a partir dos princípios firmados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). São analisados contratos, remunerações, condições de trabalho, gestão e representação da classe.
A parceria entre Oxford e Unisinos representa o avanço da perspectiva interdisciplinar da produção de conhecimento na área, segundo Rafael. “Sinaliza a possibilidade de um intercâmbio mais forte para outros países, pois estamos na Ásia, na África, na América Latina, na Europa. Oxford também tem a intenção de que nós organizemos aqui no Brasil, no fim do ano, um evento presencial com todos os 26 países – seria um oportunidade única para realmente conversarmos”, conta.
Em seu site, o DigiLabour afirma que a partir dos parâmetros Fairwork objetiva-se “construir mecanismos de pressão junto às empresas de plataformas, no sentido de construir outros cenários possíveis para o trabalho em plataformas no país”. O Fairwork Brasil conta também com a parceria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade de São Paulo (USP).
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Sabendo da importância desta figura, principalmente para a Comunicação e a Escola da Indústria Criativa, nós, do Mescla, resolvemos falar com um dos professores que integram a Graduação e o Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Unisinos, atuando assim, do “primeiro ao último degrau” na formação acadêmica de comunicadores. Alberto Efendy Maldonado Gómez de la Torre, conhecido pelos alunos como Efendy, que há 30 anos trocou o Equador pelo Brasil, teve contato com Martín-Barbero ao longo de suas pesquisas de doutorado na Universidade de São Paulo (USP). Efendy conversou com a gente por vídeo-chamada no último dia 18, e enfatizou que Martín-Barbero nos mostrou também a necessidade de problematizar o mundo que vivemos e o impacto positivo de se manter irreverente. Efendy explica que Barbero se consolida como um dos maiores filósofos modernos, e apesar de ter transitado em diversas áreas, como a Semiótica, os Estudos Culturais Britânicos, ele foi o desbravador dos estudos das Mediações, no qual deixa uma grande marca. Trazemos aqui um resumo desta conversa.

“Martín-Babero condensa nele aquilo que conhecemos, e o que a Unisinos, por exemplo, coloca como eixo central nos seus afazeres acadêmicos e científicos, que é a transdisciplinaridade. Ele foi, e continua sendo, na sua obra, um pensador transdisciplinar. Um pensador que vai viver do mais avançado comportamento crítico do pensamento europeu, e que vai ter uma experiência de vida muito rica nessas confrontações”, explica Efendy, já mostrando que o trabalho de Barbero se torna referência inclusive para produzir novas formas de aprender.
O professor também comenta sobre o choque entre a cultura europeia fervilhante dos anos 1960, com toda irreverência e o “caráter subversivo” dos jovens que queriam um novo mundo, até a chegada de Barbero à Colômbia, onde ele percebe uma cultura popular em constante florescimento, que mostram a riqueza que o filósofo traz consigo, justificando a importância da transdisciplinaridade no pensar.

Barbero teve uma formação rigorosa em Filosofia, através daquilo que se conhece como “Semiologias Estruturalistas” europeias, passando pelo Existencialismo, pela Fenomenologia, pelo Pensamento Crítico de Frankfurt e dos britânicos. A ditadura franquista não permitia um livre pensar, e a vida das universidades estava abalada, por isso, Barbero parte para estudar na França. Apesar de ter contato com Espanha, França, Bélgica, Alemanha e Reino Unido, é ao chegar ao nosso continente que ele leva um choque existencial. “Primeiro na Colômbia, e depois em outros lugares, ele via que as culturas populares floresciam, e ele sentia que na Europa isso estava em uma posição de diminuição, de enfraquecimento e marginalização pela força do capital, pela força sistêmica, pela barbárie das guerras”, explica Efendy, que completa, “ele fica atravessado por todos esses conjuntos de culturas, com suas formas de vida, suas cosmovisões, suas propostas. Ele vai repensar completamente aquela formação europeia, aquela formação que chegava como o conhecimento “mais avançado” da humanidade.”
O professor conta ainda que Barbero esteve aqui no Brasil por um tempo antes de concluir o doutorado em Lovaina, na Bélgica, local onde acontece um de seus primeiros desafios acadêmicos, que foi convencer os “eruditos filósofos ”, professores da instituição, que aceitassem o pensamento de Paulo Freire como um pensamento filosófico, além de não aceitar que a tese fosse defendida em francês ou inglês, e sim, em espanhol. Ele conseguiu, também, mediante uma luta política, que era um posicionamento, fazer com que o espanhol fosse visto como uma língua que merece ser reconhecida na produção de conhecimento.
“Ele era irreverente, era travesso, era indisciplinado, tinha toda essa força, que vinha da sua família anarquista, no seu comportamento. Ele questionava, problematizava, lia diferentes vertentes e era muito corajoso, muito forte, apesar de ser de estatura física pequena”, conclui.

Na época, o “midiacentrismo”, ou a “mass communication research”, foi o primeiro referente que conseguiu certa “legitimidade” no contexto acadêmico internacional, no qual Barbero começa a trabalhar e vai conseguir uma desconstrução desses modelos de pensamento, de pesquisa, de trabalho e de profissionalização. Além da Filosofia e da Comunicação, o pesquisador mudou e impactou a área da Educação, tendo, já nos anos 1960, conhecido o pensamento de Paulo Freire e batido o pé para afirmar a importância de autonomia e pensamento crítico no processo educacional. Então, ele questiona os afazeres de ensino e pesquisa nas universidades.
Ele traz para o campo da comunicação toda a riquíssima experiência da pesquisa crítica e questionadora, que ao mesmo tempo precisa ser “heurística, hermenêutica”, e seja profundamente vinculada à vida das sociedades e das pessoas. Dessa forma, ele foi convidado para comandar uma transformação no curso de comunicação da Universidad del Valle, em Cali, na Colômbia. Proposta esta que influenciou a mudança em outros lugares da América Latina.
“Jesús Martín consegue trabalhar no campo acadêmico de um modo renovador, de um modo atualizador. É um crítico central contra o instrumentalismo, o utilitarismo e o funcionalismo presente na nossa área. E ele vai promover tudo aquilo que uma formação artística e uma formação teórica forte tem.”
É no campo das teorias que Jesús Martín-Barbero vai abrir uma nova vertente, que são as Mediações Socioculturais. Esta vertente se tornou muito importante para outros estudos da área, como por exemplo, o estudo de recepção.
Ele vai inserir nas problemáticas da comunicação as matrizes culturais, que são estruturas, formações, modelos culturais, presentes de longa data e também contemporâneos. O professor Efendy explica que nós temos matrizes culturais como o patriarcalismo, o racismo, quem têm séculos de história, e matrizes culturais contemporâneas, como tudo aquilo que é na nossa América. A luta contra o imperialismo, por exemplo, é uma matriz cultural muito presente nas juventudes. Além da luta indígena, pelo reconhecimento de sua participação relevante nas sociedades e das matrizes culturais, como matrizes populares, de vida comunitária e existência comunitária.
Esse é um aspecto da “microssociologia”, vinda através do sociólogo alemão Georg Simmel. Essas “matrizes” explicam como funcionam algumas mediações. Além das mediações culturais e sociais, temos mediações familiares, religiosas, regionais, étnicas e tecnológicas. Ainda assim, existem “frações” dentro destas mediações.
“Se nós pensarmos atualmente as mensagens de ódio, as mensagens de destruição, as mensagens racistas, misóginas, elas são produzidas numa mesma estrutura discursiva, por figuras centrais, que são construídas como referentes políticos simbólicos. Só que essa mesma mensagem, se tu está numa comunidade pentecostal conservadora, gera determinados sentidos. Então, existe uma mediação religiosa muito forte”, exemplifica o professor Efendy.
“Isso não significa que em uma família todos vão pensar do mesmo jeito, significa que essa mediação está atravessando. Por exemplo, para uma jovem que tem um pensamento mais livre, ter uma família conservadora gera uma mediação forte de choque, de contraste, de desestabilização, às vezes até de angustia.”, conclui.
As mediações são “lugares simbólicos”, ou seja, configuram uma estrutura semiótica, no qual as pessoas se sentem pertencentes. São esses signos estudados, que formam mediações, que explicam a razão de Martín-Barbero se aproximar da comunicação, ou seja, pela formação filosófica em Semiótica.

Martín-Barbero se consagra e se “espalha” por diversos lugares. Com as suas propostas educativas, ele vai se tornar um contribuidor do que Mário Kaplún desenvolve como “Educomunicação”. Ele é um dos organizadores da Associação Latino-americana de Investigadores de Comunicação (ALAIC), além da Federação Latino-Americana das Faculdades de Comunicação (FACS). No âmbito das publicações científicas, ele vai contribuir para a revista “Signo e Pensamento” e “Diálogos da Comunicação”, além de colaborar para a revista “Chasqui”. É através da participação no Centro Internacional de Estudos Superiores de Comunicação para América Latina (CIESPAL), que ele vai publicar seu primeiro livro, “Comunicação Massiva – Discurso e Poder”.
“Ele é, portanto, um crítico semiológico, um crítico da produção de sentido, da produção de símbolos das nossas sociedades. Ele simultaneamente vai valorizar, por exemplo, as produções das grandes mídias, como a própria telenovela. Ele pesquisou a telenovela, (e pesquisamos, no contexto latino- americano, nós temos grupos articulados de investigação sobre telenovela) porque uma compreensão muito interessante vai conceber que esses gêneros populares nas mídias, como gêneros que são heterogêneos, nos permitem a entrada de discursos que disputam a hegemonia. Então, ele, em termos políticos, vai seguir a linha do Antônio Gramsci, da problemática da hegemonia. Ele vai propor que essa hegemonia pode ser disputada, pode ser trabalhada no combate simbólico, e que por exemplo, podemos ter grandes referentes, como Dias Gomes, aqui Brasil, um dos maiores teledramaturgos do mundo, que colocaram narrativas, enredos e estratégias de comunicação muito interessantes, problematizadoras, aproximadoras da realidade, e enfraquecedoras do poder autoritário.”
Efendy concluiu a conversa com um convite, a todos, demonstrando grande afeto a Martín-Barbero.
“Leiam Martín-Barbero. Peguem aí na internet, também. Vão ter materiais. Ele é um companheiro legal para nosso trabalho profissional, para nós comunicadoras e comunicadores. Apreciem a história, porque o Martín-Barbero nos trouxe algo que alguns autores relevantes da nossa América insistem, que é uma epistemologia histórica, ou seja, se queremos compreender os problemas e os sentido da vida, como está colocando esta conjuntura catastrófica, precisamos de um olhar histórico, precisamos de interpretações históricas. Então, o Jesús Martín nos permite uma viagem histórica qualificada. Para aprender sobre nosso campo, sobre nossa realidade, sobre os sentidos da vida, sobre os sentidos de nosso trabalho. É interessante ter carinho e dedicação para dialogar com ele.”
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Tássia decidiu cursar jornalismo logo após finalizar o ensino médio. “Fui aprovada na UFSM e de fato me encontrei. Gostei muito do curso”, revela a doutora, que hoje não se enxerga fazendo outra coisa, que não esteja ligada à área da comunicação e do jornalismo.
Após trabalhar durante um período em um jornal e também com assessoria de imprensa, ela foi percebendo que este caminho fugia um pouco do que tinha idealizado ainda jovem. Foi aí, então, que uma amiga, que na época estava fazendo mestrado em jornalismo, começou a incentivar Tássia a seguir o mesmo caminho.
Decidida a entrar na área da pesquisa, em 2012, Tássia idealizou um projeto para ingressar na Unisinos, porém não foi aprovada. Como ainda estava cercada por muitas incertezas, decidiu pesquisar e conhecer mais sobre os PPGs. Após ouvir alguns ‘não’ e justificativas, como, por exemplo, a de que ela era muito nova para realizar um mestrado, foi aprovada na UFSC, em 2014.
Após o período de mestrado em Santa Catarina, Tássia voltou para Porto Alegre. Motivada a seguir carreira na área da pesquisa, ela se inscreveu e foi aprovada na seleção para doutorado na Unisinos, em 2016. No início, a ideia da pesquisadora era falar sobre a produção de conteúdos de telejornais em smartphones e tablets. Porém, com o passar do tempo, ela percebeu que o audiovisual poderia ser apenas uma parte de um projeto maior. “Vi que poderia focar a pesquisa no jornalismo móvel, de uma maneira geral. Por isso, minha proposta foi pensar nesta linguagem e em como estabelecer parâmetros que pudessem ajudar tanto profissionais, quanto estudantes”, explica Tássia, que defendeu com sucesso, no dia 26 de março, sua tese intitulada Linguagem jornalística autóctone para dispositivos móveis.
Com a perspectiva de realizar uma pesquisa aplicada, a agora doutora elaborou os parâmetros necessários para realizar uma etapa experimental e usou como base os conteúdos produzidos na Beta Redação, Laboratório de Jornalismo com diferentes editorias, disciplinas finais do curso de Jornalismo na Unisinos: “Fiz como se fosse um site e aplicativo móvel pensado para a Beta Redação, adaptando esses materiais. Isso me ajudou a acelerar o projeto de pesquisa, tanto na parte de interface, como de identidade”, completa.
A ideia de pesquisar conteúdos jornalísticos voltados para dispositivos móveis começou no mestrado. Na época, Tássia estudava sobre o telejornalismo e, aos poucos, foi migrando para a segunda tela, que é quando usamos os smartphones como televisão, com o ganho da interação. “Comecei a me questionar em como podíamos produzir jornalismo para dispositivos móveis. Com isso em mente, fui avançando e pesquisando mais”, esclarece.
No final da tese, Tássia observa alguns apontamentos sobre as especificidades dos smartphones e tablets, em relação até mesmo a outros meios de publicação. Além da elaboração de um guia, como ela mesmo define, a pesquisadora traz alguns hábitos de consumo de estudantes de graduação e pós graduação. “Vejo que é um consumo sob demanda, de acordo com as preferências, também focando muito na objetividade e na agilidade. Eles (os estudantes) querem consumir conteúdos rápidos e que sejam acessíveis de forma gratuita”, conclui.

Parte da tese de doutorado de Tássia foi realizada na Universidade de Múrcia, localizada na Espanha, após participar de uma seleção para um Doutorado Sanduíche. Durante seis meses, a pesquisadora acompanhou as aulas e se envolveu em atividades ligadas ao Mestrado de Comunicação Móvel da universidade. Além disso, Tássia desenvolveu parte da pesquisa lá, através da realização de uma pesquisa de campo com oito estudantes, sobre o uso de smartphones e o acesso às notícias. No fim, todo o material acabou entrando para o projeto.

Mesmo após passar pela banca avaliadora e até mesmo já entregar a versão final da tese, tudo ainda parece muito recente para Tássia. “Acho que ainda estou nesse processo de entender tudo. Mas, estou muito feliz também porque a banca foi um momento muito interessante de troca de ideias. Achei muito bacana. Mesmo assim, ainda demora um pouco até realmente cair a ficha…para dizer, tipo, ‘ah, agora eu sou doutora’”, brinca a mais nova doutora em comunicação, que foi orientada pela professora do PPGCom e da Indústria Criativa da Unisinos, Maria Clara Aquino Bittencourt.
Apesar da situação política e econômica não ser muito favorável para a pesquisa, como a própria pesquisadora lembra, Tássia pretende seguir carreira na área. “Se eu tiver a oportunidade, quero seguir na área da docência e da pesquisa. Vou me dedicar para concursos, para ser professor substituto ou até mesmo em seleções para professores, de um modo geral. Ou, se não, tentarei um pós-doutorado na área, algo que me permita continuar aprendendo e continuar pesquisando mais sobre o tema”, finaliza.
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Por ser remoto, a participação no Congresso ficou mais barata e, portanto, mais facilitada. Afinal, ninguém teve que reservar estadia ou ainda gastar com alimentação. E foi assim que esta repórter e seu colega de Iniciação Científica, Rodrigo Brum, tiveram a experiência de participar do Intercom pela primeira vez. A convite do professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação (PPGCOM) Gustavo Fischer, “passeamos” pelas salas e auditórios tentando absorver conhecimentos sobre as pesquisas que estão sendo realizadas na área da comunicação.
O que chama a atenção dos congressistas de primeira viagem é o tamanho do evento. Foram dez dias de atividades divididas em reuniões com Grupos de Pesquisa (GPs), palestras em auditórios virtuais, oficinas e minicursos (sem contar os livros que recebemos, “mimos” virtuais do Intercom). Para Rodrigo, estudante do quarto semestre de Jornalismo, a experiência foi significativa para entender um pouco mais o que é o “ecossistema da pesquisa”. “É importante ter uma perspectiva, tanto do que se intersecciona daquilo que se vê na Iniciação Científica, nas linhas de pesquisa do PPGCOM, o que funciona com grupos de pesquisa e pesquisadores de outros estados, quanto o que se diferencia”, conta.
Assisti as apresentações realizadas nos GPs que mais me interessei. Mesmo online, não é uma boa ideia participar dos encontros de pijama, já que era preciso ligar a câmera para entrar nas salas. No primeiro dia, percebi que o brasileiro gosta tanto de novela que leva isso até para o campo acadêmico. Vinícius Afonso de Barros Araújo, da Universidade Anhembi Morumbi (UAM), conversou sobre o reboot de novelas e como as narrativas monomídias (assistir apenas na televisão aberta, por exemplo) se transformam em transmídia. Já Dowglas Franco Mota, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), estuda vinhetas e como as aberturas de remakes trazem a sensação de nostalgia para os espectadores.

Saindo das novelas, mas sem mudar de canal (broadcasting), Wagner Machado da Silva, doutorando da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), conversou sobre a representatividade negra no jornalismo e tentou responder a pergunta “por que demorou décadas para ter uma âncora negra no RBS Notícias?”. Talvez por eu ser também bolsista de Iniciação Científica do PPGCOM, foi ainda mais interessante ouvir sobre diferentes temas de pesquisas e metodologias. Seja sobre novelas, telejornalismo ou TVs universitárias, as discussões dentro dos GPs foram importantes para os apresentadores e, também, para os ouvintes.
Outra experiência interessante foi o minicurso “Lives na cobertura jornalística: contexto, boas práticas, pesquisa e horizontes”, ministrada pelo pesquisador Alexandro Mota da Silva, da UFBA. Durante a pandemia, as lives se popularizaram e, pensando nisso, Alexandro, que pesquisa o tema desde 2016, resolveu falar sobre esse fenômeno no jornalismo, trazendo casos ilustrativos e o que os profissionais podem fazer. Alexandro comentou, durante o curso, que as redes sociais podem tirar o jornalista da zona de conforto, mesmo sendo algo utilizado todos os dias fora do ambiente profissional. É interessante visualizar o quanto coisas naturais do nosso dia a dia, como novelas ou redes sociais, podem se tornar fontes de conhecimento e pesquisa.
Coordenador do GP Televisão e Televisualidades e integrante da linha de pesquisa Mídias e Processos Audiovisuais, do PPGCOM da Unisinos, Gustavo Fischer acredita que o Intercom deve ser de conhecimento obrigatório para todo aluno de graduação, uma vez que, durante o evento, é possível entrar em contato com diversas pesquisas – iniciantes ou não – e, quem sabe, encontrar pessoas com interesses similares. “O mercado de comunicação deseja cada vez mais profissionais com uma atitude investigativa e, para isso, conhecer mais sobre metodologias e teorias do campo da comunicação é essencial”, explica.
Além de ser uma oportunidade para alunos da graduação, a forma remota desse ano auxiliou, inclusive, na apresentação de trabalhos. No GP Televisão e Televisualidades, por exemplo, todos os autores aprovados compareceram. O aumento no número de participantes pode até trazer um desgaste de tempo usando a tela, mas acaba se tornando uma experiência positiva em relação às trocas e debates proporcionados. “Esse movimento entre impactar a sociedade e produzir pesquisa é cada vez mais forte no campo da comunicação”, sublinha o professor.
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O primeiro passo foi fazer um levantamento exploratório, buscando pesquisas já realizadas sobre o tema. Após isso, foi desenvolvida uma abordagem quantitativa por meio de um questionário, que foi divulgado em parceria com a Associação Riograndense de Propaganda (ARP). Por fim, foi feita a etapa qualitativa, em que foi possível aprofundar temas como saúde mental e hábitos de consumo durante a pandemia causada pelo novo coronavírus.
Foram entrevistados, na etapa quantitativa, 214 profissionais, dos quais 205 vivenciam ou já passaram pelo home office. A abordagem contou com diversas questões a respeito dos processos que envolvem o home office, como a adaptação, o auxílio oferecido pelas empresas, os comportamentos de consumo e até o impacto na saúde mental dos profissionais.
Os resultados trouxeram um interessante panorama sobre a adaptação dos profissionais a este novo contexto, como conta a professora responsável pela disciplina e também coordenadora do curso de Relações Públicas da Unisinos, Taís Flores da Motta: “Podemos ver que esses profissionais conseguem manter uma boa entrega e relação com os cliente, porém são afetados pelas questões emocionais, principalmente, por causa da pandemia”, explica.
Para os estudantes da disciplina, além do aprendizado, a pesquisa trouxe alguns desafios: “Apesar de toda a dificuldade por causa da pandemia, para contatar as pessoas e tudo o mais, achei todo o processo bem produtivo…acho que a pesquisa ficou bem boa”, comenta a aluna do 3º semestre de Relações Públicas, Laura Justo.
Confira abaixo os resultados do estudo:
Mais de 90% notaram mudanças em relação ao seu padrão de consumo.

Em relação aos aspectos da comunicação entre os profissionais, a pesquisa constatou que não houveram grandes mudanças, tanto em relação aos feedbacks, quanto em relação aos vínculos comunicacionais.

A maioria dos entrevistados relataram baixa em relação à produtividade (41,5%), porém, um número significativo afirma ter tido um aumento (36,6%).

65% dos entrevistados relatam que houve um aumento em sua carga horária de trabalho, sendo que 60% também afirmam não ter recebido nenhuma ajuda em relação à estrutura necessária para realizar o trabalho de casa.

Porém, mesmo com essas informações, 59% dos entrevistados afirmam que não buscam nenhum tipo de ajuda para lidar com esses sentimentos e estas situações neste período tão adverso.

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Para a professora do curso de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Unisinos e de vários cursos da Indústria Criativa, Maria Clara Aquino Bittencourt, o evento uniu diversas atividades para destacar a pesquisa realizada na universidade: “Superou as expectativas, permitindo aos novos e futuros pesquisadores mostrarem do que são capazes”, ressalta a professora, que também integrou o grupo de avaliadores das bancas. Já os futuros pesquisadores tiveram um duplo desafio neste ano. Além de apresentar suas pesquisas aos avaliadores, eles tiveram que fazer isso a distância.
A estudante do 5° semestre de Jornalismo, Marília Melo Port, apresentou sua pesquisa “Midiatização do Coronavírus: Circulação de sentidos na mídia impressa gaúcha”. A proposta da pesquisa é investigar a cobertura jornalística no RS durante os seis primeiros meses da pandemia, com o objetivo de mapear os ângulos, abordagens e estratégias desenvolvidas nos textos.
Marília conta que foi sua primeira vez como pesquisadora em frente a uma banca: “Fiquei inicialmente nervosa, mas é maravilhoso dedicar meses para algo que acredita e ter a oportunidade de apresentar o teu trabalho. Estava um pouco tensa, mas fui muito bem guiada pelo meu orientador”, revela.

“Educação popular e educomunicação – Reflexão sobre teorias latino-americanas” foi a pesquisa apresentada pelo Wallyson Moreira, do 8° semestre de Publicidade e Propaganda. Segundo Wallyson, a ideia da pesquisa é investigar e compreender os usos e apropriações das mídias digitais nos processos educomunicativos por sujeitos de cursos pré-vestibular populares e analisar sua relação com a constituição de cidadania comunicativa.
Esta já é a terceira apresentação do estudante na mostra. “Apesar de haver banca e você ser avaliado, estamos em um espaço que é próprio para o desenvolvimento e compartilhamento. Vejo que é um local muito importante de socialização do conhecimento e de ‘feedbacks’ e questionamentos riquíssimos dos professores”, corrobora Wallyson.

“Foi estranho, mas no bom sentido. Uma coisa totalmente nova” revela Mariana Necchi, do 6° semestre de Jornalismo, sobre a experiência de apresentar, pela primeira vez, sua pesquisa. A estudante comenta que, na sua visão, fazer iniciação científica é enriquecedor para a formação acadêmica.
Intitulada “Processos comunicacionais alternativos na América Latina”, a pesquisa de Mariana é multidisciplinar e procura abordar, de forma teórica-metodológica e bibliográfica, com base em artigos e pesquisas de referência, alguns conceitos comunicacionais na América Latina. Dentre estes, estão os de sujeitos comunicantes, processo de receptividade comunicativa e educomunicação.

Já Bruna Bach, do 6° semestre de Publicidade e Propaganda, teve como tema de pesquisa “Empatia em tempos de crise: análise da atuação publicitária de bancos e instituições financeiras durante o período de isolamento social no Brasil”. O projeto consiste na análise de campanhas publicitárias dos bancos e fintechs mais ativos comunicativamente no cenário brasileiro. A ideia de Bruna partiu após algumas observações de que esses processos haviam mudado, devido a pandemia e ao isolamento social.
A estudante revela que ficou muito nervosa em sua apresentação: “Parecia mesmo que eu estava apresentando um TCC.” O Conexão Pesquisa foi a primeira experiência de Bruna em mostras científicas.

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Desde a análise de movimentos políticos nas redes sociais, passando por um projeto que populariza termos e teorias do cotidiano digital, a segunda edição do Prêmio Únicos de Pesquisa instigou a pluralidade do conhecimento.
Os trabalhos vencedores das quatro categorias mostram bem isso. Para conhecê-los um pouco melhor, o Portal Mescla conversou com os respectivos autores. Confira a seguir:
O trabalho vencedor na categoria “Monografia de Curso de Graduação” foi o de Martina Belotto Michaelsen. Intitulado “A construção de sentidos a partir da circulação do movimento Ele Não”, o material procura entender de que maneira os atores sociais e o jornalismo construíram sentidos sobre o movimento #EleNão, criado, inicialmente, pelo grupo Mulheres Unidas contra Bolsonaro, durante as eleições de 2018. Martina revela que, além da pesquisa, o contato direto com as idealizadoras do movimento foi essencial: “Fiz uma entrevista com a criadora do #EleNão. Foi bem importante para a pesquisa”, explica. Martina está transformando sua pesquisa em um artigo e já está participando de congressos.
Como vencedora, ela ganhou o direito de cursar uma atividade acadêmica no mestrado de um dos três Programas de Pós-Graduação da Escola da Indústria Criativa. Martina, que irá se formar em Jornalismo neste ano, ainda não sabe direito qual irá fazer. “De qualquer forma, pretendo fazer um mestrado no ano que vem”, vislumbra.

O projeto “Introspecção temporal pelas janelas: fotografia e melancolia”, de Karen dos Santos Blumberg Telles, foi o grande vencedor na categoria “Artigo de Conclusão de Curso de Graduação”. Karen explica que a ideia do projeto consistia em uma busca por um tempo diferente e de incertezas, principalmente no início da pandemia, por meio da fotografia.
As imagens foram capturadas pela janela de sua casa. Karen revela as motivações por trás da escolha do nome do projeto: “Escolhi a palavra ‘introspecção’ pelo fato de não ser só uma observação do tempo, mas das mudanças de uma pandemia em nós mesmos, em que a fotografia, tempo e melancolia estão ligados aos nossos sentimentos.”
Karen, que aguarda somente a formatura em Fotografia – ela já passou pela banca no primeiro semestre de 2020 –, ainda não sabe qual atividade irá cursar no mestrado.

“Desde o começo do projeto, eu sabia que iria fazer algo relacionado ao design gráfico e estamparia”, diz a vencedora da categoria “Trabalho de Conclusão em Curso de Especialização”, Patrícia Francine Birk. Com o projeto “Proposta de cocriação de estampas aplicada à marca Squame”, Patrícia fez uma análise da marca por meio de estudos teóricos sobre todo o processo. Chegou à conclusão que os clientes precisam estar mais próximos da marca, o que ela propôs por meio da estamparia. “Com essa ideia em mente, foi desenvolvida uma plataforma em que os clientes poderiam criar sua próprias estampas, em um processo de cocriação”, explica. No final, a ideia foi muito bem aceita pela Squame.
Patrícia é formada em Artes Visuais pela Universidade de Caxias do Sul (UCS) e tem especialização em Design Estratégico pela Unisinos. Ao saber que seu trabalho havia sido o vencedor da categoria, ela ficou muito feliz: “Nem foi tanto pela possibilidade de cursar uma disciplina do mestrado, mas sim pelo fato de que todo o esforço que tive com o TCC foi reconhecido”, destaca.

O Balbúrdia Organizada, projeto criado em 2020 por alunos do curso de Comunicação Digital (ComDig) da Unisinos, foi o vencedor da categoria “Trabalho de Popularização de Ciência e Tecnologia (C&T)”. Como explica um dos idealizadores, Samuel Gomes, o projeto tem entre os seus intuitos criar conteúdos focados em educação digital e divulgação de pesquisas científicas no meio da comunicação: “Um dos pontos fortes em tudo que envolve o Balbúrdia Organizada é que os debates possuem base científica. Então, procuramos sempre que possível conversar com pesquisadores antes de expor as ideias”, complementa.
Além do Samuel Gomes, fazem parte do projeto Anna Letícia de Cesero, Cicero Maciel, Cléo da Rosa, Clederson Bonatto, Gustavo Rossatto, Ígor Fortes, Juliana Martellet e Rafaela Tabasnik.

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