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Trabalho digital em debate
“A "uberização" dos negócios é tema de mostra de filmes promovida pelo Instituto Humanitas Unisinos. Serão exibidos os documentários "GIG – A Uberização do Trabalho" e "The Cleaners"”
Lisandra Steffen


O Instituto Humanitas Unisinos (IHU) promove nesta terça-feira (8/10), no campus Porto Alegre, a segunda exibição da Mostra de Filmes sobre Trabalho Digital. Com parceria do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Unisinos (PPGCom), o objetivo do evento é debater o mundo do trabalho dentro do cenário de plataformização dos negócios — também chamado de “uberização”.

Dois filmes fora escolhidos para a mostra. Um deles é “GIG – A Uberização do Trabalho”, dirigido por Carlos Juliano Barros, documentário brasileiro vencedor do prêmio de melhor filme pelo público na Mostra Ecofalante de Cinema 2019. A obra trata sobre a prática do trabalho autônomo e suas precariedades. O segundo filme é o documentário alemão “The Cleaners”, que mostra um olhar crítico sobre a indústria virtual responsável por fazer limpezas digitais, apagando e controlando os conteúdos que ficam visíveis online.

Os documentários serão debatidos por Rafael Grohmann, professor do PPGCom da Unisinos. Doutor e mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP), é também editor da revista E-Compós e integrante do Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho da Escola de Comunicação e Artes da USP.

Gig economy

A “uberização” do trabalho, ou gig economy, vem crescendo na sociedade. Esse termo se refere ao trabalho temporário e sem vínculo empregatício. Atualmente, o fenômeno é muito inflado pelos trabalhos digitais, aqueles baseados em aplicativos de celular e plataformas na internet, como Uber e Airbnb. Essa é a área de estudo de Rafael. O professor, que ingressou há pouco tempo no PPGCom da Unisinos, define o trabalho digital de duas formas: uma mais ampla, pois, atualmente, não existe atividade que não envolva o trabalho digital, mesmo que indiretamente; e outra mais restrita, como os trabalhos mediados por plataformas. “Eu gosto dessas duas dimensões, porque a mais ampla entende o trabalho digital como o que a gente faz gratuitamente pelas plataformas”, explica.


Rafael teve a ideia de pesquisar o trabalho digital após a realização do mestrado, quando sentiu a necessidade de pensar em alternativas para o cenário. “Senti falta da comunicação estar presente no debate sobre a questão das plataformas de maneira geral, não só no que se chama área da comunicação, já que toda atividade de trabalho requer um processo comunicacional”, avalia o professor.

Rafael comandará o debate sobre a “uberização” do mercado de trabalho
Foto: Lisandra Steffen


A primeira exibição dos filmes ocorreu no dia 25 de setembro, na Unisinos São Leopoldo. Na oportunidade, Rafael abriu o debate explicando que não se pode comparar criticamente a expressão gig economy com o famoso “bico”, já que, no Brasil, o bico sempre foi a norma, e não a exceção. “Você encara o bico como um emprego, e as taxas altíssimas de desemprego registradas oficialmente começam a ser mascaradas com essa plataformização”, comenta o professor.

Se você se interessou pelo assunto, as inscrições para participar da Mostra de Filmes sobre Trabalho Digital podem ser feitas neste link.

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