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Arquivos moda - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/moda/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Thu, 15 Dec 2022 04:02:25 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 Entrenós e a felicidade de concluir ciclos https://mescla.cc/2022/12/14/entrenos-e-a-felicidade-de-concluir-ciclos/ https://mescla.cc/2022/12/14/entrenos-e-a-felicidade-de-concluir-ciclos/#respond Wed, 14 Dec 2022 19:03:21 +0000 http://mescla.cc/?p=17479 Depois de três anos sem ocorrer – quase a duração do curso de Bacharelado em Moda –, o Entrenós, mostra que é fruto do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), voltou. Desta vez, no Espaço Unisinos, juntamente com a Open Feira de Design. A reestreia ocorreu na tarde quente e ensolarada do último sábado, 10 […]

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Depois de três anos sem ocorrer – quase a duração do curso de Bacharelado em Moda –, o Entrenós, mostra que é fruto do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), voltou. Desta vez, no Espaço Unisinos, juntamente com a Open Feira de Design. A reestreia ocorreu na tarde quente e ensolarada do último sábado, 10 de dezembro. Foi também a finalização da graduação para oito alunas.  


O Entrenós celebra o trabalho desenvolvido pelos alunos no TCC 1 e 2, quando eles precisam criar e prototipar quatro modelos/“looks” a partir do tema desenvolvido no artigo científico. Por isso, as coleções se tornam, muitas vezes, performances artísticas, carregando ou não críticas ao sistema da moda ou reflexões sobre a sociedade, como ocorreu na edição de 2019/2 – e nesta também.


Foram oito trabalhos apresentados, com quatro looks cada, o que resultou em um desfile com 32 modelos, mais as oito alunas, caminhando na passarela criada junto à feira Open. 


A comemoração após o final do desfile teve patrocínio da marca Dado Bier (Foto: Paola De Bettio)



Uma trama de temáticas 

A estudante Kauane Carvalho, conhecida no curso como Kau, se inspirou nas relações entre moda e cinema através do olhar do diretor de cinema norte-americano Tom Ford. Ele trabalhou para a marca de luxo italiana Gucci e tem atuado como estilista, além de diretor, roteirista e produtor de cinema. A Kau se inspirou em dois filmes dele: “Direito de Amar” e “Animais Noturnos”.  


A estudante falou para o Mescla sobre sua criação enquanto finalizava os últimos acertos dos modelos: “É um trabalho de semiótica, em que estudei os signos pra fazer uma coleção inspirada nos dois filmes. Tem muito sobre cinema, audiovisual, o glamour do Tom Ford, o luxo. Esses são os signos que eu trouxe: luxo, nudez e corpo”.  





Thaís Ramos da Rosa fundamentou sua produção nas questões de sustentabilidade, consumo consciente e veganismo. “Para a questão do consumo consciente, eu fiz entrevistas com pessoas, com veganos, com quem tem a ver com a causa e, a partir disso, vieram vários insights, para tentar fazer algo mais inclusivo. Além do consumo consciente e do veganismo, tem a questão do upcycling, para abranger algo transversal”. Hoje, o veganismo pode ser entendido como um modo de vida.   






A Ana Paula fez um trabalho sobre a Rainha Vitória, da Inglaterra, que reinou por 64 anos, de 1837 até 1901. Dessa forma, a estudante trabalhou a influência da Rainha na moda e na sociedade do século XIX. Ana comentou sobre o surgimento da ideia: “Eu gosto muito de história, e nas férias, antes do meu TCC, eu li a biografia da Rainha, e me chamou bastante a atenção por ela ser uma soberana num período em que as mulheres não tinham muita voz e nem muitos direitos, e no que ela conseguiu fazer”. Assim, aspectos relevantes da vida da Rainha Vitória inspiraram os looks da futura profissional da moda. 




Além do trabalho da Kauane, da Thaís Rosa e da Ana Paula, desfilaram as criações de:  

Gabriela Rei Firmino – “Zuzu Angel como inspiração para uma coleção de moda sustentável”  




Rafaela Chaves da Silva – “Brasilidade moderna: o uso de valores modernistas, a consolidação e o fortalecimento de uma identidade nacional de moda”  



Thaís Eduarda Ferreira – “Moda e comunicação: o uso do conceito de lovemarks na criação de uma marca de moda humanizada”   

Valentina de Azevedo Slongo – “Moda e tecnologia: quais são as possibilidades para essa indústria diante do universo virtual?”   



Vitória Ritter Macedo – “O uso de jogos e moda digital como estratégia de comunicação com a Geração Z”    



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Entrenós está de volta na Unisinos https://mescla.cc/2022/12/07/entrenos-volta-a-acontecer-presencialmente-na-unisinos/ https://mescla.cc/2022/12/07/entrenos-volta-a-acontecer-presencialmente-na-unisinos/#respond Wed, 07 Dec 2022 19:55:36 +0000 http://mescla.cc/?p=17420 Depois de cinco semestres sem novas edições, a tradicional mostra de trabalhos dos alunos formandos do curso de Moda da Unisinos voltará a ser realizada. O Entrenós ocorrerá neste sábado (10), às 17h, em paralelo ao Encontro Open de Natal, da Open Feira de Design, que está retornando ao Espaço Unisinos, no campus Porto Alegre.   […]

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Depois de cinco semestres sem novas edições, a tradicional mostra de trabalhos dos alunos formandos do curso de Moda da Unisinos voltará a ser realizada. O Entrenós ocorrerá neste sábado (10), às 17h, em paralelo ao Encontro Open de Natal, da Open Feira de Design, que está retornando ao Espaço Unisinos, no campus Porto Alegre.  


O Entrenós é a mostra dos trabalhos finais dos estudantes de Moda que realizam as atividades acadêmicas Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) 1 e 2. Eles precisam prototipar quatro look’s de uma coleção completa criada para os seus artigos acadêmicos. Muitas vezes, essas coleções se tornam performances artísticas, como o que ocorreu na edição de 2019/2. É possível conferir detalhes do desfile clicando aqui e imagens clicando aqui


Desta vez, o Entrenós terá um formato diferente dos anteriores. Até 2019, ele ocorria na última quinta-feira de cada semestre, nas salas de aula localizadas no oitavo andar da Torre Educacional da Unisinos Porto Alegre. “A gente pensou em fazer algo novo, brindando o retorno com um evento um pouco mais leve”, explica Luciana Borges, que coordena o curso junto com Juliana Botholuzzi. Realizar a mostra em paralelo à Open Feira de Design permitirá, segundo as professoras, mais interação com o público, já que, até então, ele era formado majoritariamente por alunos do curso e seus familiares. Nesta edição, pessoas em geral vão poder prestigiar e acompanhar as coleções produzidas. 


Ao longo dos meses de confinamento, em função da pandemia de Covid-19, como não houve aula presencial, os estudantes tiveram duas opções para fazer a finalização dos Trabalhos de Conclusão de Curso, conforme lembra Luciana: “Quem tivesse condições de fazer a prototipação em casa, poderia fazer por conta, mas também havia a possibilidade de criar um documentário explicando o processo criativo da coleção.


Neste sábado, esses documentários, que têm em torno de dez minutos de duração cada um, serão exibidos ao público. Para isso, o curso preparou um lounge no Espaço Unisinos, que contará com um tapete, um painel, um telão, puffs e uma plataforma Spinner 360o para os visitantes tirarem fotos.   




A feira 

A Open Design Independente  é um projeto que nasceu em 2015 pelas mãos de Camila Farina, hoje curadora do evento. Ela é pesquisadora e professora de cursos de Design. Na época, Camila decidiu criar uma rede que reunisse o melhor do design local e regional. A ideia surgiu das viagens de estudos com alunos a Buenos Aires, na Argentina, onde acontecem feiras na área “em cada esquina”, como elogia a fundadora da Open. O conceito “design independente” foi escolhido para destacar a questão da produção não industrial de peças nas áreas de moda, mobiliário, decoração, brinquedos e utilitários em geral. 


Dessa forma, a proposta da Open, além de inspirar designers e estimular pequenos empreendedores, é oferecer pontos de venda diferenciados, que expõem produtos desenvolvidos artesanalmente, exclusivos ou produzidos em baixíssima escala. Assim, uma ponte entre inovação, criatividade, pequenos empreendedores e consumo consciente é estabelecida com o público.   


Camila acredita que realizar o Entrenós junto com a Open Feira de Design é muito importante, pois é preciso estar sempre em conexão com os novos talentos. “A Unisinos nos proporciona muito esse encontro do design independente com a Academia e com um pensar sobre a área que vai para além da prática”, comenta a professora. Ela também disse que acha fantástica essa união, porque, dessa forma, é possível estabelecer uma conexão muito próxima do “fazer” da moda atual. “Isso surge de estudantes e pessoas que estão começando a sua jornada com um time que já está na ativa. É o encontro do ‘fazer de mais tempo’ com esse ‘refresh’”, analisa Camila.  


Essa edição tem nome: “Encontro de Natal da Open”. A feira, que tem entrada gratuita, ocorrerá neste sábado, das 11h às 19h, no Espaço Unisinos (Av. Nilo Peçanha, 1600, Porto Alegre). Além de reunir designers independentes que estarão expondo seus trabalhos, o evento também terá atividades de conteúdo e entretenimento, como a apresentação da banda IF (Instrumental Foundation), às 14h e às 18h, no encerramento do desfile. No repertório, rock, jazz, progressivo e “alguma brasilidade”. Um bar especial da Dado Bier, com chope e várias cervejas que integram o mix da marca, tem presença garantida.  


A Open também estimula ações sociais afetivas. No sábado, haverá o recebimento de brinquedos para crianças de zero a 16 anos. As doações serão destinadas à Pequena Casa da Criança. Lembrando que os brinquedos precisam estar em boas condições e embalados para presente. Eles vão compor a árvore de Natal que estará enfeitando a entrada do Espaço Unisinos. 


Quem desfila seus trabalhos  

Abaixo, a lista de alunas que desfilarão suas coleções e o respectivo título do TCC. Além de apresentar seus trabalhos, elas planejam uma ocupação performática.  


  • Gabriela Rei Firmino – Zuzu Angel como inspiração para uma coleção de moda sustentável  
  • Kauane Carvalho – As projeções de Tom Ford: notas sobre moda e cinema  
  • Rafaela Chaves da Silva – Brasilidade moderna: o uso de valores modernistas, a consolidação e o fortalecimento de uma identidade nacional de moda  
  • Thaís Eduarda Ferreira – Moda e comunicação: o uso do conceito de lovemarks na criação de uma marca de moda humanizada  
  • Thaís Ramos da Rosa – Veganismo e consumo consciente na moda: reflexões sobre a ascensão de novos padrões de consumo  
  • Valentina de Azevedo Slongo – Moda e tecnologia: quais são as possibilidades para essa indústria diante do universo virtual?  
  • Vitória Ritter Macedo– O uso de jogos e moda digital como estratégia de comunicação com a Geração Z   


Os formandos dos semestres anteriores Camila Dal-Ri Brugnera, Giovanna Eggers Renck, Iriane Maria Leite Collovini, Valentina da Silva Balbi e Vinícius Medeiros Borges também exibirão seus documentários.  



A foto no estúdio, com a modelo Alice, e a versão digital feita por Matheus Ferrão: uma pequena amostra do que a formanda Vitória Ritter apresentará no Entrenós  
(Imagens: Vitória Ritter e Matheus Ferrão) 



Um dos looks do trabalho de Kauane Carvalho, que trouxe o diretor de cinema Tom Ford para dentro do estudo da moda 
(Imagem: Kauane Carvalho) 


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“A democratização da moda é um caminho longo e difícil”, acredita Rener Oliveira https://mescla.cc/2022/04/05/o-jornalismo-de-moda-brasileiro-atual-praticamente-nao-existe-diz-renner-oliveira/ https://mescla.cc/2022/04/05/o-jornalismo-de-moda-brasileiro-atual-praticamente-nao-existe-diz-renner-oliveira/#respond Tue, 05 Apr 2022 18:41:34 +0000 http://mescla.cc/?p=16291 Por Laura Santiago (*)  Rener Oliveira, 25 anos, trabalha com comunicação desde 2013, e já atuou em áreas diversas, como assessoria de imprensa, social media, portais de moda e notícia, revistas, coluna social e audiovisual. Morador de Natal, no Rio Grande do Norte, atualmente ele é redator-chefe da Nordestesse, plataforma colaborativa que busca fomentar a […]

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Por Laura Santiago (*) 


Rener Oliveira, 25 anos, trabalha com comunicação desde 2013, e já atuou em áreas diversas, como assessoria de imprensa, social media, portais de moda e notícia, revistas, coluna social e audiovisual. Morador de Natal, no Rio Grande do Norte, atualmente ele é redator-chefe da Nordestesse, plataforma colaborativa que busca fomentar a Indústria Criativa no Nordeste, com foco em moda, design, artes visuais, gastronomia e hotelaria.  


Formado em Jornalismo pela Universidade Potiguar (UnP) e pós-graduando em Comunicação, Marcas e Consumo, Oliveira relembra o começo da trajetória profissional e fala sobre os principais desafios do jornalismo de moda atual, desde apropriação cultural até as relações do jornalismo com a publicidade. A entrevista foi realizada de forma remota. Confira: 


Laura – Qual a sua primeira memória com o jornalismo de moda? 

Rener – A memória mais antiga vem da infância. Na loja da minha tia, que revendia peças da Colcci, a gente recebia muitas revistas institucionais. Na época, a Gisele [Bündchen] era garota-propaganda da marca, e uma das capas me marcou. Guardo ela até hoje. O contato com os textos das revistas despertava em mim esse interesse por jornalismo, mesmo que eu ainda não soubesse disso, de maneira indireta. Minha paixão sempre foi moda, e quando vim morar em Natal, a faculdade de Moda já não existia mais. Uma das recordações mais importantes e significativas é de quando compareci a um evento no Teatro Riachuelo, em 2013. Através de um amigo que trabalhava lá, fiquei sabendo que estava acontecendo o movimento HotSpot, uma incubadora de novos talentos que existia dentro da SPFW [São Paulo Fashion Week]. Era uma feira itinerante que rodava algumas capitais do Brasil. Então, com 16 anos, coloquei em uma pastinha meus desenhos de moda e fui. Lá, conheci nomes importantes, em especial o Paulo Borges, idealizador do SPFW. Foi graças ao evento HotSpot também que tive a minha primeira oportunidade de escrever sobre moda através de uma indicação. Então, passei a me interessar e me encontrar cada vez mais no jornalismo. 


Laura – Durante o período de formação, você já sabia em que área do jornalismo queria atuar? 

Rener – Dentro da faculdade, eu fazia de tudo para falar sobre moda, mesmo que, às vezes, eu fosse quase “obrigado” a variar o assunto. Embora nunca tenha existido pretensão alguma de atuar em qualquer outra área dentro da comunicação, me permiti tentar [outras], mas percebi que aquilo não era o que eu queria por não me identificar. 


Laura – A moda brasileira se concentra no Sudeste, em São Paulo, mais especificamente. Como é para você acompanhar a ascensão do Nordeste como um polo promissor no Brasil? 

Rener – Tem sido um momento de redescoberta para mim também, pois eu estaria mentindo se dissesse que sabia de tudo que existe no Nordeste depois que comecei a trabalhar para a Nordestesse. Acho que vivemos tanto a nossa própria rotina que, muitas vezes, não dá tempo de você explorar. Nesse momento, a Nordestesse tem sido um grande marco para mim, pois estou descobrindo e aprofundando um conhecimento que até então era muito superficial. Hoje, vejo essa ascensão da moda “made in Nordeste” já nascendo grande, com potencial. Entendo que a Nordestesse vai ser uma das grandes responsáveis por redescobrir a região, porque toda essa influência que a Daniela Falcão [idealizadora da plataforma digital] tem devido, principalmente, à sua trajetória, impulsiona esse movimento. O eixo Rio-São Paulo ainda é muito forte, mas já é, sim, possível perceber a inserção do Nordeste na Fashion Week, por exemplo. Marcas nordestinas, designers pretos estão ganhando espaço. Apesar de ser apenas um começo, ele já é muito bacana. E não se limita ao Brasil, pois a moda nordestina já marcou presença na semana de moda de Milão [Itália]. Outra preocupação é que as marcas do Nordeste não reconhecem seu próprio valor, dessa forma acabam desvalorizando seu trabalho. Estamos em um momento de efervescência, para que esses impactos sejam gerados de uma maneira confortável para toda a cadeia de produção, não só para quem vende, mas para quem faz também. 


Laura – Qual o limite da apreciação e da apropriação cultural? 

Rener – É um assunto muito delicado, pois existe uma linha tênue. Vemos essa cultura de perfis de denúncia, como o Diet Prada, que acabam promovendo um certo linchamento virtual do qual eu não concordo. Meu questionamento é muito sobre a valorização dos símbolos. Muitos dizem que não foi o Nordeste que inventou a xilogravura, ou até mesmo a bolsa de crochê, ou a sandália de couro, mas são símbolos que estão totalmente ligados à nossa cultura. Inspiração existe, não tem como negar, pois, na moda, praticamente tudo já foi criado. Então, creio que o limite entre apreciação e apropriação seja justamente a dosagem, é você saber “beber” daquela fonte, mas sem fazer igual. 


Laura – A moda, tanto no Brasil como no resto do mundo, sempre foi elitista e excludente. Com o “boom” das redes sociais, em especial o TikTok e o Instagram, o debate sobre moda alcançou um público muito maior e variado, mas ainda assim é nítida a falta de uma democratização. O que falta para isso acontecer e qual o papel do jornalismo nessa busca? 

Rener – Acredito que essa democratização não vai acontecer tão rapidamente como imaginamos. É um caminho longo e difícil. Antes de chegar às pessoas, existe uma cadeia de processos enorme, existem fatores financeiros altíssimos. Como fazer uma calça que seja democrática em seu acesso, mas que também seja confortável para cadeia produtora? Assim como Ronaldo Fraga já citou há alguns anos, não tem como você comprar um tênis ou uma calça por 30 reais sem ter sangue nela. Por isso, acredito que a democratização acontece quando as marcas entendem seu papel na pirâmide. A democratização vai muito mais para o lado social, para o lado do acesso à informação. O papel do jornalista nessa busca percorre um caminho muito perigoso e solitário. Se esse profissional tem coragem para levantar essas questões, ele vai viver sempre naquela linha. O jornalismo de moda brasileiro atual praticamente não existe. Não existe crítica de moda, a um desfile, a um estilista, isso não existe mais! Durante meu período no ClubHouse junto de personalidades da moda nacional, vários jornalistas apareceram e tenderam para um lado muito mais publicitário, em virtude do dinheiro. A moda é uma bolha, e as conversas rolam lá dentro! Existe essa carência do que o jornalismo já foi antes das influenciadoras: crítico e que ditava tendências.


Laura – Você acredita que existe ainda espaço para esse jornalismo crítico voltar

Rener – É o que eu vivo. Trago meus pensamentos para as minhas publicações de uma maneira que eu vejo o mundo, e acredito que poderia ser uma maneira melhor de trabalhar. O jornalismo independente traz críticas, mas esse espaço em portais e veículos tradicionais não vai mais dar lugar a esse tipo de conteúdo, mantendo essa superficialidade.

 


Laura – Como funciona a rotina do jornalista independente? 

Rener – Eu não tenho rotina, na verdade. Minhas publicações fluem muito. Existem dias em que eu não consigo achar uma pauta. Não é algo pragmático. Acredito que o principal desafio do jornalismo digital esteja relacionado ao fator financeiro. O meu caso se difere, pois não vivo exclusivamente do meu Instagram. Tenho outro trabalho para além da moda. Sou gerente de marketing digital em uma rede de supermercados e, pontualmente, atuo como assessor de imprensa e social media. A rotina conta muito com o apoio de quem lê e consome o seu conteúdo.


Laura – As revistas ainda exercem influência no público? 

Rener – Elas estão passando por um momento de ressignificação, no sentido de ninguém mais acreditar naquela modelo belíssima na capa, mas nas páginas internas, o conteúdo ser pura publicidade. Eu acho que existe, sim, essa relevância, até por essa questão dos títulos. Quem é que não quer trabalhar em uma Vogue, Elle ou Harper’s Bazaar? Existe essa autoridade. No entanto, acho que as revistas devem se adequar a essa nova realidade, e atender a necessidade de um conteúdo significante. Quando houver o discernimento entre o que é apenas publicidade e o que são pautas com um significado real, essa relevância para o seu público com certeza será retomada. Claro que a publicidade é necessária, tudo é muito caro, mas existe uma equipe para atender, deslocamentos, a produção em si, enfim, por isso também busco entender esses dois lados. Ainda assim, precisamos cobrar um direcionamento mais urgente para essas publicações.  


Laura – As poucas referências que temos sobre jornalismo de moda são produções de cinema super glamourizadas, como, por exemplo, o filme “O diabo veste Prada”. Quais os principais diferenças dessas romantizações com a realidade? 

Rener – Na verdade, não é tanta romantização. O “Diabo veste Prada” existe de várias maneiras. Para mim, isso é muito tranquilo, no sentido de saber o que eu quero, o que eu suporto e o que eu não aceito. Já trabalhei com uma personificação da Miranda Presley – protagonista do filme –, mas não me atingia, porque não levava isso para casa. A romantização da moda existe, e podemos ver isso em “Cruella”, “A baronesa”, e na própria Miranda, que, quando analisamos por outro lado, enxergamos uma pessoa totalmente fragilizada. Existem coisas inaceitáveis, mas ou você se blinda dessas situações e foca no progresso ou não consegue seguir em área alguma. Nossa geração está passando por uma fragilidade muito grande, na qual as pessoas não aceitam críticas. Nenhum trabalho é perfeito. Cabe à pessoa discernir uma situação ruim antes de julgar o próximo como um indivíduo tóxico. Temos que começar a ser mais realistas e não pensar em utopias dentro da moda e na comunicação. 


Laura – Olhando para o começo da sua trajetória profissional, lá em 2013, no Movimento HotSpot, se você pudesse alterar algo, faria alguma coisa diferente? 

Rener – Me dedicaria mais em algumas circunstâncias nas quais não me dediquei. Mas, como um todo, não faria nada diferente. Cheguei até aqui graças à soma de tudo que passei. Meus dramas, as pessoas que me passaram a perna, as que não foram legais, enfim, tudo isso me fortaleceu. O meu “eu do passado” está muito feliz com o do presente, porque tudo é uma construção, um aprendizado. Questões pessoais, como a separação dos meus pais, depressão da minha mãe, mudança de colégio, a faculdade que ingressei através de programas públicos, todas essas realidades que eu vivi me fizeram ser quem eu sou hoje. 


Laura – Você daria um conselho para quem está começando a trajetória no jornalismo? 

Rener – Se especialize! A concorrência existe e, para você se destacar, não precisa estar necessariamente em uma revista. Pautei minha carreira na garra, através da minha voz. Não é do dia para noite. Tenha material, tenha um portfólio, isso vai gerar oportunidades! Ou você está preparado e agarra essa oportunidade ou alguém vai fazer. A comunicação é uma área incrível, trabalhamos com a emoção, com pessoas! 


Laura – Gostaria de indicar um livro ou filme sobre o tema? 

Rener – Acredito que ainda tenha na Netflix o documentário sobre Franca Sozanni, editora da Vogue Itália entre 1988 e 2016, “Franca: caos e criação”. Ela trabalhava moda criticamente em um lado sentimental. É muito mais do que apenas moda, é sobre informar e informar de uma maneira não óbvia, passar uma mensagem poderosa e excluir esse estigma da moda como futilidade. E indicação para livro seriam as obras de André Carvalhal, ele é incrível! 


(*) Aluna de Jornalismo. A matéria foi produzida originalmente no segundo semestre de 2021 para a disciplina de Profissão Jornalista. Todas as informações foram atualizadas recentemente por Laura. 

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As roupas digitais talvez sejam o que há de mais inovador no campo da moda e se apresenta como aposta de negócio lucrativo nesse setor. Para termos uma ideia de como esse movimento está crescendo, famosas e renomadas empresas já apresentaram coleções que só existem e são comercializadas virtualmente. Isso mesmo! Quem comprar não poderá usá-las para sair na rua ou para se proteger do frio. Esse tipo de vestimenta só é uma experiência possível na internet. A grife italiana Gucci, por exemplo, criou alguns projetos com esse conceito. Em 2021, ela lançou um tênis que só pode ser usado nas redes sociais como um filtro. Além disso, a Gucci também colocou à venda exclusivamente na plataforma de games Roblox uma bolsa com valores entre 1.578 e 4.115 dólares.

Tênis The Gucci Virtual 25 é vendido pelo app como filtro para foto por 12 dólares (Instagram/Wanna Kicks)

Bolsa Dionysus à venda em plataforma de jogos online (Roblox/Divulgação)


O conceito de roupas virtuais fez com que novas empresas especializadas no tema fossem fundadas nos três últimos anos. É o caso da marca holandesa The Fabricant e da ucraniana Dress X. Em seus sites, os dois empreendimentos entendem roupas digitais como uma nova forma de se expressar através da moda, preocupada com sustentabilidade e com maior potencial criativo. 

O vestido vendido pela The Fabricant por 9.500 dólares também é usado como filtro para fotos (The Fabricant/Divulgação)


O preço das roupas da Dress X vão de 20 a 200 dólares (Dress X/Divulgação)

Mas é importante ressaltar que esse movimento, apesar de estar experimentando o seu auge durante a pandemia, surgiu a partir do começo do século 21, principalmente com a popularização do game Second Life, por volta de 2006, como conta o especialista em desenvolvimento de jogos Vinícius Cassol. “O jogo tem a proposta de ser uma simulação de sociedade, na qual você cria um avatar (personagem) do jeito que desejar e sociabiliza com outras pessoas através dele. Então, o jogador fica livre para personalizar seu personagem, seja na parte física ou na escolha das roupas”, explica Cassol, que é consultor de TI e criatividade e já coordenou o curso de Jogos Digitais da Unisinos. “Entendo que a criação do avatar seja uma forma de expor a personalidade da pessoa que está jogando. Por esse motivo, o uso das roupas pelos avatares se tornou tão importante”, reflete. A coordenadora do curso de Jogos Digitais do Senac-SP, Beatriz Blanco, entende que as roupas virtuais ganharam mais prestígio nos últimos dez anos também com games, principalmente com League of Legends e Fortnite. “Nesse tipo de jogo, é possível personalizar seu avatar através das skins, que é basicamente o que veste cada personagem, as suas roupas”, descreve Beatriz. 

Quando estava no auge, Second Life tinha mais de 600 mil jogadores simultâneos logados em todo o mundo. Hoje em dia, a média é de 60 mil (Second Life/Divulgação)


A professora explica que esse formato de jogo é, geralmente, adquirido de graça. Porém, as roupas dos personagens (as skins) não. Elas são chamadas de “itens cosméticos”. São acessórios que não são obrigatórios para jogar determinado game. As primeiras skins eram pensadas por temas. Eram roupas que homenageavam bandas, animes e filmes famosos. “O preço médio de cada skin, hoje em dia, varia entre 30 e 50 reais. É um mercado de diferenciação e experiência que gera muita arrecadação para os desenvolvedores”, observa Beatriz.  


A professora conta que, pela popularização e monetização gerada com o mercado de roupas para personagens de jogos online, nos últimos anos, grandes marcas especializadas em moda passaram a enxergar os games e o mundo geek com outros olhos. “A moda está começando a entender isso como uma oportunidade de mercado. As famosas grifes estão entrando nesse segmento muito porque videogames e geeks passaram a fazer parte do mainstream”, avalia Beatriz. Um exemplo é a produção e idealização de skins para o jogo League of Legends feito pela empresa francesa de moda Louis Vuitton.

Parceria entre Louis Vuitton e League of Legends existe desde 2018 (Divulgação/Louis Vuitton)


“No mundo virtual, não existe limitação. As pessoas não se deram conta desse potencial”


Para a professora do curso de Moda da Unisinos Paula Visoná, o movimento de roupas virtuais é irreversível. “Elas vieram para ficar. Não é algo passageiro, pois não está ligado ao produto, mas ao comportamento da sociedade”, acredita. Paula entende que a pandemia ajudou a acelerar esse processo de evolução. “Já que a circulação de pessoas nas ruas diminuiu e elas começaram a, cada vez mais, ‘viver’ no mundo online, dos jogos e das redes sociais, as marcas precisavam manter o contato com seus clientes. Isso explica o crescimento exponencial das roupas exclusivas para games ou como filtros para fotos no Instagram”, destaca. 


No entanto, mesmo entendendo que as roupas virtuais são o futuro da moda, Paula ainda vê um movimento de criação feito de forma muito conservadora por parte das grandes empresas. “Creio que o que está sendo levado para o virtual ainda é muito parecido com o que vemos no cotidiano com as roupas físicas reais. Ainda estou achando bem careta. No mundo virtual, não existe limitação de cor ou material. As pessoas não se deram conta desse potencial”, diz a professora, que projeta a mudança vindo dos consumidores, e não das marcas. 


Adriana Amaral, também professora do curso de Moda da Unisinos, vê as roupas virtuais como uma oportunidade de avanço na moda e na sociedade. “O movimento ajuda a mostrar que a moda é mais do que somente peças de roupas. É estilo de vida. Além disso, as roupas digitalizadas contribuem para uma mudança nas representações dos corpos na moda. Pode ser uma oportunidade para desconstruir padrões de beleza impostos”, afirma. 


A comunidade acadêmica e o olhar para novos movimentos na moda


Paula leciona disciplinas que abordam as novas tendências e afirma que a academia deve discutir o mais rápido possível temas sobre tecnologia na moda. “Teremos que incluir, por exemplo, aulas e disciplinas que falem de animação e uso de tecnologias de forma criativa na moda”, sugere a professora. 


Beatriz já percebe esse avanço na discussão ocorrendo entre os alunos. “Já participei de algumas bancas no curso de Moda como professora convidada para trabalhos sobre estilistas e figurinistas digitais para jogos. Mais uma tendência e nova profissão no mercado”, conta ela, que é também doutoranda em Comunicação na Unisinos. 


A tecnologia na moda também é assunto das produções de pesquisa na Unisinos. Bárbara Linhares, estudante de Publicidade e Propaganda, produziu seu TCC sobre tecnologias emergentes na moda. “Pesquisei bastante sobre iniciativas na moda que usam novas tecnologias. Percebi que as marcas estão começando a entender que devem ir além de apenas vender peças de roupas, devem estar sempre inovando seu conteúdo”, reflete a aluna. “A transformação digital está aí. Não tem para onde correr. Pra mim, ela vai democratizar a criação de tendências e, cada vez mais, as roupas serão projetadas para terem funcionalidades tecnológicas, além de apenas focarem no estilo”, acredita Bárbara.

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“Se a pessoa paga, ela tem o direito de usar uma estampa bonita” https://mescla.cc/2021/03/19/se-a-pessoa-paga-ela-tem-o-direito-de-usar-uma-estampa-bonita/ https://mescla.cc/2021/03/19/se-a-pessoa-paga-ela-tem-o-direito-de-usar-uma-estampa-bonita/#respond Fri, 19 Mar 2021 17:17:20 +0000 http://mescla.cc/?p=14777 “Não sou somente um ‘colono’ que decidiu tentar a vida na cidade grande”, sugere, aos risos, Jorge Luckemeyer. Natural de Santo Ângelo, no Noroeste gaúcho, o egresso da Unisinos trilhou seu caminho profissional no mundo da moda, que o levou até o outro lado do planeta, mais precisamente na China, a cerca de 18 mil […]

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“Não sou somente um ‘colono’ que decidiu tentar a vida na cidade grande”, sugere, aos risos, Jorge Luckemeyer. Natural de Santo Ângelo, no Noroeste gaúcho, o egresso da Unisinos trilhou seu caminho profissional no mundo da moda, que o levou até o outro lado do planeta, mais precisamente na China, a cerca de 18 mil quilômetros de distância da cidade natal.


Formado em Moda em 2013, Jorge atualmente está de volta a Porto Alegre, onde presta consultoria para diversos projetos, como coleções de estampas, e desenvolve estratégias para marcas. Além disso, também participa como palestrante em eventos de inovação.


A escolha pela moda


Aos 21 anos, Jorge se mudou para a Capital gaúcha. Antes de descobrir sua afinidade com a moda, tentou cursar Design em algumas instituições da Capital, mas não se identificou. “Não sentia uma proximidade com os professores, nem com o curso”, explica.


Apesar das incertezas sobre o que estudar, desde cedo Jorge começou a estagiar em grandes agências de publicidade, como Escala, DCS, Paim e Gad. Atuou em campanhas para pessoas famosas, como Gisele Bündchen, Alessandra Ambrósio e até mesmo para o ator Paul Walker, que morreu em 2013. Para fugir da rotina de trabalho, decidiu fazer algo que não fosse do seu dia a dia. Pensou até mesmo em cursar Biologia ou Física. Mas, para não perder definitivamente o contato com o mundo em que estava, escolheu Moda.

Além de designer e consultor, Jorge também é palestrante
(Foto: Marco Ferreira)


Uma experiência do outro lado do mundo


Em certo momento, Jorge passou a não se sentir mais motivado na publicidade: “Eu trabalhava com verbas milionárias, fazia catálogos, outdoors, trabalhava com Gisele Bündchen, porém não entendia a serventia do meu trabalho, sabe. Me sentia inútil”, revela. Decidiu, então, se aventurar na indústria. Foi quando surgiu uma oportunidade nas Lojas Renner.


Lá, o designer entrou com a mentalidade de democratizar a moda, principalmente relacionada às estamparias: “Eu penso que se a pessoa paga, ela tem o direito de usar uma estampa bonita”, acredita. Jorge foi um dos cinco primeiros designers gráficos da empresa. Quatro anos depois, percebeu que tinha chegado em seu limite de crescimento. Por isso, resolveu sair.


Após um período repensando a sua carreira, Jorge recebeu um convite para trabalhar na Adidas. Detalhe: na China. Como representante do Brasil, sua missão no país mais populoso do mundo era liderar a estrutura criativa de estampas da marca. Além de viver em um local com uma cultura totalmente diferente, o trabalho para a marca internacional serviu para que Jorge confirmasse algumas crenças que já o acompanhavam aqui no Brasil. “Na Renner, eu me questionava se alguns processos de trabalho estavam certos ou errados. Às vezes, eu ficava meio desacreditado. Porém, quando eu cheguei na Adidas, tudo o que eu pensava e acreditava fazia sentido. Foi muito importante para minha confiança”, explica.

Como representante brasileiro da Adidas, Jorge liderou
a estrutura criativa de estampas da marca na China
(Foto: Arquivo Pessoal)


Na China, Jorge teve que lidar com uma cultura ímpar. “O mais impactante foi perceber como são diferentes as percepções culturais sobre algo”, comenta. Ele cita como exemplo sua primeira reunião com o RH da Adidas. No meio da conversa, a funcionária da empresa arrotou e, após isso, seguiu a reunião com normalidade. “No início, eu estranhei muito. Mas depois de conversar com algumas pessoas que já moravam lá há algum tempo, entendi que, para os chineses, o corpo precisa ser livre de privações e restrições.”


No país milenar, Jorge presenciou, também, momentos desagradáveis, como o caso de homofobia em que foi vítima. Ao sugerir que ele mesmo retomasse um projeto sobre gênero fluido, que estava parado, pois poderia ter mais facilidade, já que era homosexual, se deparou com a surpresa de três funcionárias asiáticas. “Elas falaram abertamente que não estavam confortáveis com aquilo, por eu ter falado, claramente, que era gay”, revela.


De volta ao pampa


Após a experiência vivida no outro lado do mapa, Jorge retornou a Porto Alegre. Não tinha, segundo ele, muita ideia do que faria a partir de então. “Eu só queria deixar as coisas acontecerem, sem pressão. Por isso, decidi trabalhar sob demanda”, conta. Foi então que resolveu investir em uma carreira autônoma, realizando trabalhos como freelancer para clientes próprios. “A experiência na China me ajudou a ter a confiança para tomar essa decisão”, esclarece Jorge.


Dos diferentes projetos futuros que o designer tem em mente, um está ligado diretamente com o local onde nasceu. Após iniciar um processo de desconstrução, com o objetivo de entender melhor qual era sua raíz e sua cultura, Jorge quer devolver à região missioneira tudo que aprendeu. “Vejo que o povo indígena está perdendo suas raízes em comparação a outras culturas contemporâneas. Entendo que ele podia ser mais valorizado e celebrado”, avalia.


Por isso, Jorge idealiza desenvolver produtos a partir da tradição indígena. “A ideia é vender e reverter os valores para que eles possam produzir suas próprias criações. Quero usar dos meus privilégios para retribuir.”

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Workshop de Moda desafia alunos a criar lingerie https://mescla.cc/2020/09/15/workshop-de-moda-desafia-alunos-a-criar-lingerie/ https://mescla.cc/2020/09/15/workshop-de-moda-desafia-alunos-a-criar-lingerie/#respond Tue, 15 Sep 2020 17:57:49 +0000 http://mescla.cc/?p=13924 Teve início nesta segunda-feira (14/9) o Workshop de Moda, evento promovido pelo curso de Moda da Unisinos. Até o dia 18/9, os alunos estarão completamente concentrados na atividade. Nesta edição, estudantes serão divididos em oito equipes concorrentes para o desenvolvimento de uma coleção.  As peças serão criadas para uma empresa real, cuja identidade só foi […]

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Teve início nesta segunda-feira (14/9) o Workshop de Moda, evento promovido pelo curso de Moda da Unisinos. Até o dia 18/9, os alunos estarão completamente concentrados na atividade. Nesta edição, estudantes serão divididos em oito equipes concorrentes para o desenvolvimento de uma coleção. 

As peças serão criadas para uma empresa real, cuja identidade só foi revelada ontem, durante o primeiro dia do workshop. A cliente e parceira é a Oh Studio, marca de lingeries assinada pela gaúcha Cibeli Silva. A designer dedica sua grife à criação de sutiãs, calcinhas, bodies e outras peças inspirados em épocas passadas.

Cada grupo de estudantes será desafiado a criar cinco peças que conversem com o conceito da marca, estilo das peças e cores, sendo três delas obrigatoriamente peças íntimas. Neste ano, os alunos não poderão se reunir presencialmente para debater ideias e montar o projeto. Toda a dinâmica será feita via Teams, software de videoconferência, incluindo a apresentação, explicação da marca e briefing preparados pela Cibeli. 

O grupo vencedor será conhecido em 18/9, o último dia do evento. Como prêmio, a Oh Studio produzirá para venda uma das peças do projeto escolhido. Além disso, será inserida uma TAG em cada peça com os nomes dos alunos do grupo vencedor, identificado como collab OHSTUDIO + Moda Unisinos. Sem contar que cada integrante, do grupo escolhido, ganhará uma peça da coleção. 

A criação de lingeries não é explorada durante a graduação. Por isso, a escolha por desafiar os alunos na moda íntima é um diferencial da edição deste ano do Workshop. “É um momento muito bacana, em que os alunos têm a experiência de troca com uma marca do mercado”, diz uma das coordenadoras do curso, Juliana Bortholuzzi.

A Oh Studio aposta em lingeries com inspiração retrô.
Ao centro, a designer Cibeli Silva

(Foto: Reprodução / Instagram)

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Por que perguntar se você pode acompanhar? https://mescla.cc/2020/08/06/por-que-perguntar-se-voce-pode-acompanhar/ https://mescla.cc/2020/08/06/por-que-perguntar-se-voce-pode-acompanhar/#respond Thu, 06 Aug 2020 19:48:06 +0000 http://mescla.cc/?p=13644 “Acredito que o projeto surgiu em um momento perfeito. Não era comum pensarmos na trajetória das nossas aquisições, mas isso vem mudando com o tempo”. A opinião é da estudante de Publicidade e Propaganda da Unisinos Estela Freitas. Ela se refere ao app “Quem Faz?”, criado pelas amigas e colegas de faculdade Juliana Martellet e […]

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“Acredito que o projeto surgiu em um momento perfeito. Não era comum pensarmos na trajetória das nossas aquisições, mas isso vem mudando com o tempo”. A opinião é da estudante de Publicidade e Propaganda da Unisinos Estela Freitas. Ela se refere ao app “Quem Faz?”, criado pelas amigas e colegas de faculdade Juliana Martellet e Rafaela Tabasnik, alunas do curso de Comunicação Digital (ComDig).

“Está mais do que na hora de nos conscientizarmos sobre o processo indefensável de produção em massa de lojas de departamentos, e está mais do que na hora de mudarmos os nossos hábitos de consumo, apoiando a produção local e o slow fashion”, defende Estela, que se tornou adepta e consumidora do projeto.

A ideia, que nasceu em 2018 na disciplina de Produto Colaborativo, comandada, na época, pelos professores Daniel Bittencourt e César Paz, foi trazida para 2020 após Rafaela e Juliana perceberem a importância e o impacto dos negócios locais, principalmente durante a pandemia de Covid-19. Contando com a ajuda do egresso Gabriel Foppa, também da ComDig, as estudantes desenvolveram o “Quem Faz?”,  destinado às pessoas que participam da cadeia produtiva da moda, seja para a marca, divulgando o seu trabalho focado na jornada de produção, ou para o consumidor final, avaliando todo o processo.

O método utilizado é o storytelling, como explica Juliana: “A ideia é que o ambiente digital seja colaborativo e que os usuários possam avaliar as empresas e recomendá-las de acordo com a sua preferência, compartilhando as suas histórias, ou seja, o feedback que completa toda a jornada”, complementa. Hoje, o Quem Faz? conta com páginas no Instagram e no Behance. Para o futuro, o projeto pretende se tornar um aplicativo para smartphone.

https://www.instagram.com/tv/CAaRxu0jmvh/

Um movimento que inspira

O dia 23 de abril de 2013 mudou a indústria da moda em todo o mundo e, indiretamente, a vida de Juliana e Rafaela. O desabamento do prédio Rana Plaza, localizado em Dakha, capital de Bangladesh, que acomodava confecções de roupas e produzia para marcas conhecidas em diversos países, resultou em mais de 1 mil mortes e impulsionou diversos movimentos ao redor do planeta. Um deles foi o Fashion Revolution.

O Quem Faz?, inspirado no Fashion Revolution, tem o objetivo de criar uma consciência em cima do tema “moda sustentável”. E isso é muito importante, na opinião de Estela, amiga das fundadoras. “O projeto, que junta quem faz com quem quer saber como é feito, facilita a trajetória do consumidor e dá mais visibilidade para os empreendimentos.”

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Uma noite de provocações e reflexões https://mescla.cc/2020/01/03/uma-noite-de-provocacoes-e-reflexoes/ https://mescla.cc/2020/01/03/uma-noite-de-provocacoes-e-reflexoes/#respond Fri, 03 Jan 2020 20:29:48 +0000 http://mescla.cc/?p=12800 Na última quinta-feira (12), os alunos do curso de Moda Unisinos POA apresentaram suas coleções desenvolvidos ao longo do semestre para a pesquisa de TCC. O desfile reuniu 15 trabalhos, além de uma coleção idealizada pelos alunos do projeto Tarin. O evento intitulado ENTRENÓS é uma tradição na graduação em moda da Unisinos que também […]

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Na última quinta-feira (12), os alunos do curso de Moda Unisinos POA apresentaram suas coleções desenvolvidos ao longo do semestre para a pesquisa de TCC. O desfile reuniu 15 trabalhos, além de uma coleção idealizada pelos alunos do projeto Tarin. O evento intitulado ENTRENÓS é uma tradição na graduação em moda da Unisinos que também conta com a parceria dos cursos de Produção Fonográfica e Gastronomia, responsáveis pela trilha sonora e coquetel do evento. 

Uma noite cheia de brilho e de reflexões sobre representatividade, como a coleção de moda fitness para mulheres gordas desenvolvida pela estudante Priscila Müller. “Além de falar de moda, eu também abordei muito os padrões de beleza. Então, me encontrei bastante nesse trabalho, porque fala de assuntos que mexem bastante comigo. Não é porque uma pessoa é gorda que ela não é saudável”, contou Priscila. 

Priscila pretende continuar investindo em sua marca na área plus size. | Foto: Josi Skieresinski 

Marcela de Bettio Torres, também formanda do curso de Moda, criou uma coleção a partir da matéria prima vegetal que apresenta uma relação entre a arte e o design. “Eu trago algumas alternativas para se trabalhar o tingimento e a estamparia causando um menor impacto ambiental”, afirma a estudante. Para ela, trabalhar com matéria prima vegetal é lidar com imprevistos, como o fato de alguns tecidos não aceitarem tingimentos, ou eles simplesmente não saírem como o esperado.  Neste sentido, Marcela diz que seus conhecimentos em Design Estratégico acabaram sendo importantes para contornar estas situações 

Marcela foi responsável pela identidade visual da edição deste ano e já trabalhou em outras edições. | Foto: Josi Skieresinski 

Já Angelix de Oliveira, buscou retratar o corpo LGBTQ+ que simplesmente por existir, causa revoluções nas pessoas e nas culturas. “Eu criei uma coleção que fala sobre revolucionários, sobre revolta, que fala do corpo em estado de revolução. Então, eu trago coisas da transpiração, do sexo enquanto objeto de revolução”, explica Angelix. Com tecidos pesados, justos, que deixam os corpos dos modelos à mostra, o trabalho do aluno não foi apenas sobre moda, mas também sobre sociedade. 

Angelix foi apresentador do 15 Colóquio de Moda, no qual idealizou e costurou os próprios looks. | Foto: Josi Skieresinski

Além do trabalho dos alunos o desfile também contou com a produção dos integrantes do projeto TARIN – Programa de Educação e Atenção Humanitária a Migrantes e Refugiados. Amadou Fall, 37 anos, é senegalês e junto de outros três colegas desenvolveu uma coleção inspirada em tecidos e estampas africanas. “A gente aprendeu muita coisa nesse projeto e na Unisinos, tipo o desenvolvimento de coleções, molde, marketing”, conta. Trabalhar com moda sempre foi um sonho para Amadou e o projeto o ajudou a dar mais um passo nessa trajetória. 

A parceria do Curso de Moda com o Tarin foi uma forma dos alunos da unisinos e os senegaleses compartilharem suas culturas. (Foto: Josi Skieresinski)
Foto de Amadou Fall que ajudou a desenvolver a coleção COUMPA, apresentada no ENTRENÓS. (Foto: Josi Skieresinski)

Confira a cobertura do evento

Mostra ENTRENÓS (Vídeo: Josi Skieresinski)

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ENTRENÓS exibe produções dos alunos de Moda https://mescla.cc/2019/12/11/entrenos-exibe-producoes-dos-alunos-de-moda/ https://mescla.cc/2019/12/11/entrenos-exibe-producoes-dos-alunos-de-moda/#respond Wed, 11 Dec 2019 19:29:35 +0000 http://mescla.cc/?p=12693 Uma das melhores partes do curso de Moda da Unisinos é ver o aprendizado em sala de aula se tornando realidade. A cada fim de semestre, ocorre a mostra ENTRENÓS, que reúne as produções desenvolvidas pelos alunos durante a disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso II. O evento será realizado nesta quinta-feira (12), às […]

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Uma das melhores partes do curso de Moda da Unisinos é ver o aprendizado em sala de aula se tornando realidade. A cada fim de semestre, ocorre a mostra ENTRENÓS, que reúne as produções desenvolvidas pelos alunos durante a disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso II. O evento será realizado nesta quinta-feira (12), às 19h30min, no oitavo andar do prédio TEDU da Unisinos Porto Alegre.

A noite também vai contar com os trabalhos produzidos em parceria com os integrantes do Projeto Tarin nas disciplinas de Ateliê de Projeto V e Desenvolvimento de Coleção.

Confira alguns dos trabalhos da mostra ENTRENÓS: 

Transtorno – Angelix Borsa

Coquetel molotv têxtil para Trans-Humanos ciberrevolucionários. (Foto: Divulgação)

Nosso Infinito – Marcela de Bettio

Transitante entre céu e terra, essa coleção simboliza um novo começo. um respiro, um afago. Da simplicidade fez-se arte e do imperfeito, poesia. (Foto e texto: Divulgação)

Iridescência – Larissa Santos

Criando uma marca de moda para o futuro, onde sugerimos novos processos de criação e comunicação para uma coleção de moda conceitual. (Foto e texto: Divulgaçã)

SHADES – Nicolas Machado

O conceito através das sombras. (Foto e texto: Divulgação)

Amor Imperfeito – Marieli Stürmer

A coleção que mostra a beleza na imperfeição sob o olhar wabi-sabi. (Foto e texto: Divulgação)

E Deus Criou a Mulher – Fernanda Scott

A coleção inspirada na atmosfera da obra de Roger Vadim, no saudosismo e nostalgia da Retrotopia: o feminino como afirmação da força e presença da mulher Hipermoderna. (Foto e texto: Divulgação)

Reativo – Keila Ferreira

Esta coleção buscará reações de outros homens e da sociedade de forma positiva, procurando provocar um despertar, que os homens podem ser mais coloridos, estilosos, sem afetar sua masculinidade. (Foto e texto: Divulgação)

Fauna e Flora Brasileira – Samanta Goldim

Desenvolvimento de uma coleção de chapéus para eventos e ocasiões especiais, tendo como inspiração a fauna e flora brasileira, para trazer uma brasilidade à um produto pouco utilizado no Brasil. (Foto e texto: Divulgação)

Moda Fitness Para Mulheres Plus Size – Priscilla Müller

Coleção de moda fitness desenvolvida para mulheres com sobrepeso, buscando espaço para a diversidade de tamanhos dentro do ramo fitness. (Foto e texto: Divulgação)

Libertad – Mariele Pertile

A coleção Libertad busca transmitir o empoderamento feminino a partir da relação da artista Frida Kahlo e do movimento feminista. (Foto e texto: Divulgação)

Be Real – Rúbia Witeck

Ser real. Estar no tempo presente. Pertencer-se. Diversificar-se. Ser si própria. Por amor. A si. (Foto e texto: Divulgação)

RAGNAR – Maira Araújo

A coleção Ragnar é inspirada no personagem Thor, da marca cosplay HEM’S, incentiva a liberdade de sonhar e viver momentos deste mundo lúdico, onde você pode ser o que quiser. (Foto e texto: Divulgação)

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