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Para Rodrigo, o design é um fator importante nas constantes mudanças da sociedade. “Em todas as conversas sobre nova economia e novos negócios, bem como transformação digital, deixo bem claro que o design é o agente propulsor dessa mudança”, disse o profissional, que é multipremiado. Rodrigo foi eleito, em 2020, Profissional do Ano Apdesign e Profissional de Design do Ano pelo Prêmio Bornancini de Design.
O encontro, que contou com a participação de aproximadamente 100 pessoas, teve muita troca de experiências entre os estudantes e o convidado. Para a coordenadora do curso de Design Maura Flores, as aulas inaugurais são importantes tanto para alunos que estão começando na graduação, quanto para os que já estão entrando no mercado de trabalho. “Procuramos trazer um tema contemporâneo para a nossa área a partir da vivência de algum profissional com participação e atuação no contexto do design”, explica a professora.

O evento teve como tema central a discussão sobre design e negócios na recente era digital. “Além de ouvirmos sobre design e negócios no contexto de uma sociedade que utiliza muitos meios digitais para interagir e se comunicar, ainda compreendemos mais sobre as relações que se estabelecem na nossa área”, contextualiza Maura.
Rodrigo Leme não poupou elogios à Aula Inaugural. “Adoro esses momentos de compartilhar conhecimento e perceber que o discurso que temos aqui no Grupo Criativo também está alinhado com a academia. É gratificante”, finaliza.
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Já comentamos sobre o aniversário da Beta Redação, que completa 5 anos este semestre. Mas vocês conhecem a história dela? Sabem como surgiu esse veículo multiplataforma? E como ele era feito antes da inauguração de sua sala?
A proposta de criar um veículo multiplataforma, onde os estudantes de Jornalismo teriam o protagonismo na apuração e produção das matérias, surgiu por volta de 2010, em um momento em que os professores estavam discutindo novas mudanças no currículo do curso. Nesse assunto, havia um consenso entre eles: o aprendizado dos alunos estava muito teórico e acadêmico. Era preciso dar a eles um ensino mais prático e voltado para o mercado. A pergunta era: como fazer isso?
Quem trouxe a solução foi a Thais Furtado, que, além ter larga experiência como professora de redação jornalística, também já acumulou as funções de coordenadora da Agexcom e gestora do curso de Jornalismo de Porto Alegre entre 2012 e 2017. Nesse meio tempo em que os professores estavam discutindo quais mudanças o currículo precisava, ela assistiu a um congresso na Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc). Lá, a professora Christa Berger, que na época integrava o Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM) da Unisinos, fez uma fala associando a faculdade de Jornalismo com o período de residência médica, onde os estudantes de Medicina colocam em prática toda a teoria que aprenderam ao longo do curso. Então, Thaís percebeu que era exatamente isso o que o curso de Jornalismo precisava: uma “residência jornalística”.
“Eu imaginei os alunos chegando no final do curso de Jornalismo passando por uma redação, onde haveria apenas prática jornalística. Além de ser uma boa experiência para os estudantes, os professores também poderiam se manter ativos no mercado, pois teriam que pensar como editores”, explica a professora, que agora é professora do curso de Jornalismo da Fabico, na UFRGS. “Claro, o curso já possuía disciplinas práticas, em que os alunos entregavam reportagens, mas não com o ritmo e a intensidade que se tem em uma redação. Além disso, os trabalhos práticos feitos nas outras disciplinas costumam ficar somente na sala de aula. São feitos pensando apenas no professor, não em um público”.
Então, Thaís se reuniu com os demais professores do Jornalismo e apresentou essa ideia. Com o passar do tempo, conforme novas reuniões para discutir o futuro do currículo do curso foram sendo feitas, a ideia foi sendo aprimorada. Foi definido que seria criado um site alimentado apenas com notícias feitas pelos alunos; que haveria cinco disciplinas para trabalhar nesse veículo, cada uma focada em uma editoria; que todas as disciplinas seriam do último semestre, e assim por diante. E foi definido o nome “Beta Redação” para passar a mensagem de que se trata de um produto em transformação, como se fosse uma versão beta de algum serviço para ser testada e, futuramente, aprimorada.

As primeiras atividades da Beta Redação ocorreram em 2012. O professor Edelberto Behs, que foi coordenador de Jornalismo de 2003 a 2019, lembra que houve bastante choque e insatisfação dos primeiros alunos a se depararem com a novidade. Inclusive, ele precisou ir em sala de aula algumas vezes para defender o veículo.
“Os alunos ficaram descontentes que as disciplinas da Beta Redação tomaram o lugar de cadeiras de rádio e telejornalismo, que era o interesse deles. Não compreenderam de imediato a proposta multiplataforma da Beta, em que eles poderiam trabalhar também com áudio e vídeo, não só com texto”, comenta Behs. “Também houve um grande susto com a carga de trabalho que eles teriam nela, além de reclamações sobre os computadores dos laboratórios que eles utilizavam na época, que consideravam lentos para a realização das atividades”.
Behs também relembra que as primeiras produções da Beta Redação foram muito similares ao que era feito e publicado na mídia como um todo, o que não era a proposta do veículo. Foi preciso explicar que a Beta Redação estava ali para incentivar a experimentação e a criatividade dos futuros jornalistas na apuração e produção de reportagens.
Quem coordenou a Beta Redação quando suas atividades tiveram início foi o professor Nikão Duarte. Ele comenta que o começo foi difícil, pois os alunos não gostaram do método apresentado para o desenvolvimento da prática, e a insatisfação migrou da sala de aula para as redes sociais dos alunos e do curso. Porém, ele admite que os estudantes não estavam totalmente errados e que houve equívocos na implementação da Beta Redação.
“No início, o funcionamento da Beta era diferente. Os alunos tinham que desenvolver uma matéria dentro da sala de aula, com os recursos que tínhamos, e dar seu jeito para entregá-la pronta até o fim do horário de aula. Hoje, o aluno entrega uma pauta, passa a semana produzindo a matéria e entrega pronta na aula seguinte. Aquilo foi um exagero que cometemos. Por mais brilhante e experiente que o aluno seja, ele ainda é um aprendiz”, admite o professor. “Estávamos cobrando dos alunos algo que eles não tinham condições de entregar. O primeiro semestre de Beta Redação foi muito rico em questão de inovação e novas experiências, mas também foi muito traumático tanto para os estudantes quanto para os professores. Todos ali eram inexperientes nesse quesito.”
Os problemas foram enfrentados com transparência. A partir dos comentários e sugestões tanto dos alunos quanto dos professores, melhorias foram surgindo, a prática foi sendo aprimorada e os trabalhos foram gratificando a todos. O ritmo de produção na Beta foi modulado, facilitando o trabalho dos estudantes. Profissionais de diversas áreas passaram a serem convidados para conversarem com os alunos. Temas como lazer, saúde, cidadania e entretenimento foram inseridos nas disciplinas.
Porém, havia uma questão a ser resolvida: a Beta Redação ainda não possuía um espaço próprio. Até então, as atividades eram feitas nos laboratórios de informática que os alunos tinham à disposição. Quem cuidou disso foi Edelberto Behs, que conversou com a Unidade de Graduação da Unisinos e, em São Leopoldo, conseguiu apoio para transformar aquele espaço, que até então era um laboratório de rádio, na sala que conhecemos hoje. Sua inauguração foi em 2014. Em Porto Alegre, a atividade ganhou um local próprio em 2017, com a inauguração do novo campus. A Beta, enfim, tinha sua própria redação!
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Os repórteres do Mescla estiveram presentes nos dois dias de evento e separaram mais alguns cases, que fecham este especial. Ficou interessado no assunto e não conseguiu ir no FIC? Confere as reportagens que preparamos: a primeira e a segunda podem ser encontradas aqui.
O impacto da era pós-digital na comunicação
Por Lisandra Steffen

Qual o futuro da comunicação na era pós-digital? Essa foi a pergunta que a FIC19 tentou responder. Com um painel composto de profissionais de diversos sindicatos e associações, o debate focou, principalmente, no mercado publicitário. A Era Pós-Digital é a realidade na qual a tecnologia está presente em todos os aspectos da sociedade e os convidados debateram sobre isso com base nas experiências que tiveram ao longo dos anos.
Os convidados para fazer parte do painel foram: Fernando Silveira, presidente da Sinapro-RS; Liana Bazanela, presidente da Associação Riograndense de Propaganda e co-fundadora da Do it; Alexandre Skowronsky, Presidente da Associação Brasileira de Agências de Publicidade; e Moyses Costa, Presidente da ABRADI-RS.
Diversos tópicos surgiram durante a conversa, mas o principal foi a conexão e a interação entre conteúdo, propagandas e público. Para Liana, o público quer interagir com uma propaganda que não pareça uma propaganda de fato. A publicitária acredita que a publicidade deve ser feita de forma que não atrapalhe o consumidor. Logo, a pergunta a ser respondida, na opinião da profissional, é: “como entrar em um diálogo de forma natural e sem ditar regras?”. Os palestrantes concordaram que existe uma necessidade de evoluir as estratégias de marketing para além da simples aquisição de um produto. Não se pode esquecer que comunicação é emoção.
Mais uma vez a convergência de plataformas se fez presente. Segundo os palestrantes, é essencial lembrar, ao fazer uma campanha, o contexto e o momento em que os públicos estão inseridos, uma vez que estão todos no mundo digital. Mesmo assim, o online e o offline ainda andam juntos e a importância de uma marca é feita através da experiência do usuário.
Como analisar o perfil das novas gerações para entender o presente e o futuro do consumo
Por Bruna Lago

A fundadora da Tendere — Pesquisa de Tendências e Soluções em Negócios Criativos, Patrícia Sant’anna, trouxe para debate o impacto das gerações que já estão transformando a forma como nos relacionamos com as marcas e o mundo online. O mercado, diz ela, precisou acompanhar a exigência de experiências que a geração Z demanda, e agora, a geração Alpha (nascidos a partir de 2010). Para este último grupo, salvar o mundo é mais importante do que alcançar status social, então compreender este novo consumidor é tarefa tão sensível quanto lógica. O conflito de gerações pode ser ideológico, mas também é de como cada uma delas se relaciona com a tecnologia.
Patrícia Sant’anna lidera na Tendere o time de pesquisadores que trabalham na construção de soluções criativas e personalizadas. Um dos diferenciais da empresa é envolver a antropologia para compreender tendências de segmentação. Além da sua experiência como geradora de inovação para marcas como Itaú, Renner e Samsung, Patrícia é coordenadora na pós-graduação em Pesquisa de Tendências e Comportamento do Consumidor na Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo, onde também leciona.
“Atualmente temos cinco gerações ativas, e há conflitos. Isso é inevitável, mas também não é ruim. Só depende da maneira como você leva dentro do ambiente de trabalho. A Z é a geração que vai para a briga. Não é uma geração de consumo, eles consomem o mínimo e preferem gastar com experiência, buscam o custo benefício e formas de ajudar o mundo de alguma forma. E isso é mais forte ainda na Alpha. A Alpha é uma geração onde 67% das crianças quer descobrir uma maneira de salvar o mundo.”, explica Patrícia. Nativos da tecnologia e de olho no futuro do planeta, as crianças que hoje ensaiam sua participação no mercado e já exigem dele sensibilidade.
Não basta pensar no cliente de hoje, é preciso planejar quem mais pode vir a se tornar um. E o novo cliente deve se apropriar dos valores da marca
Por Bruna Lago

A inovação nem sempre vem de onde esperamos. Layout inclusivo, embalagem mais prática e interface interativa são exigências do mercado. O melhor produto também precisa gerar a melhor experiência de uso, e é pensando nesses elementos que negócios como Airbnb, empresa que só tem 11 anos no mercado, apostam hoje. Os valores emocionais conquistam tanto quanto um preço acessível.
Esse foi o destaque da fala da gerente de marca e design da Samsung, Renata Borges. Ela tem mais de vinte anos de experiência com criação e gerenciamento de experiência e informação do usuário, mesclando comunicação comercial, design de interface e sistemas interativos para produzir a melhor relação entre marca e consumidor.
“É preciso trabalhar com soluções de alto valor e baixo risco para chegar a um engajamento efetivo. O design hoje precisa pensar no futuro. O que as pessoas vão fazer com o meu produto amanhã? Porque o ideal é que elas queiram usar ele para sempre”, instiga Renata. Ainda usando o Airbnb como exemplo, ela lembra que a ideia da empresa surgiu a partir de uma troca de e-mails de conhecidos que gostariam de se hospedar por temporada em ambientes mais confortáveis do que hotéis. Desde então, a interface mudou, a maneira de se relacionar mudou, mas o propósito do serviço se manteve, como um valor intrínseco do negócio.
Em busca de uma nova Porto Alegre através de trabalhos voluntários e da fomentação da economia criativa
Por Pedro Hameister

Diversos integrantes do coletivo POA Inquieta estiveram presentes na FIC19 para mostrar que a diferença pode ser feita quando todos se unem com um objetivo em comum. Cada palestrante representava um projeto organizado no grupo. Porém, apesar de seus trabalhos serem diferentes uns dos outros, todos eles possuem um objetivo em comum: transformação.
POA Inquieta é formado por um coletivo de pessoas que acredita na produção de mudanças na capital através do incentivo à economia criativa. O grupo promove encontros para trocar ideias, realiza projetos, organiza eventos culturais e explora todas as possibilidades de trazer inquietação para a capital gaúcha. Todas as atividades são abertas ao público e organizadas voluntariamente.
O grupo atua nas mais variadas áreas, como educação, sustentabilidade, turismo, mobilidade, entre outros. Dentro de cada um desses segmentos, diversos projetos e iniciativas são criados para promover uma nova visão sobre Porto Alegre e trazer mudanças para a cidade. Sempre priorizando os espaços culturais da capital e tudo o que ela tem a oferecer para fomentar sua economia criativa. “A ideia é realmente atrair pessoas pela nossa variedade de projetos. Basta escolher aquele com que você mais se identifica e se juntar aos trabalhos”, explicou Márcia Martins, uma das representantes do POA Inquieta presentes no FIC19.
Projetos que trabalham com jovens em situação de vulnerabilidade, orientações pedagógicas para pais e crianças, inclusão e economia local foram trazidos para o festival. Apesar de o trabalho feito pelo coletivo ser apenas em Porto Alegre, nem todos na plateia moravam na capital gaúcha. Ao saberem que ao menos dois deles eram do Vale dos Sinos eles provocaram: “Vocês podem se juntar e criar o Novo Hamburgo Inquieta”. Fica a dica.
O crescimento do designer de experiência de usuário através de sua atuação no mercado
Por Pedro Hameister

O designer digital Thiago Esser trouxe para o FIC19, na track de Experiência e Consumo, a forma como se encontra atualmente o mercado de trabalho para designers de experiência de usuário no Brasil, e como ele ainda pode evoluir. Fornecer espaço para o profissional trabalhar e criar, e incentivá-lo a colocar mais ideias em prática, foram algumas sugestões que o palestrante apontou. “E se, além do espaço acadêmico, as empresas também fossem responsáveis pela formação dos profissionais?”, questionou Esser .
Esser é formado em Artes Visuais pela UFRGS e em Publicidade e Propaganda pela PUC-RS. Já trabalhou na área de design para o Grupo RBS, para a empresa de tecnologia de informação e serviços Intelly e para a plataforma uMov.me. Atualmente, é professor da Uniritter e organizador da UX Conference, fundada em 2015, que reúne profissionais de design de experiência de usuário para uma série de palestras e troca de informações.
O design de experiência de usuário, chamado também de UX Design, é um ramo da profissão que atua na relação do consumidor com o produto. O objetivo desse profissional é garantir que o cliente fique satisfeito em todas as etapas que há no consumo de um determinado serviço. Desde o preenchimento facilitado de um formulário, até na configuração simplificada de um produto e no recebimento dele em uma embalagem fácil de abrir.
Em sua palestra, Esser afirmou que o UX Design no Brasil ainda precisa amadurecer para se consolidar de vez. Um desafio, por exemplo, é trazer visibilidade para profissionais mulheres, visto que esse ramo é predominantemente masculino. “A diversidade no UX Design ainda está começando a surgir. Mesmo quando o trabalho é feito em cima de um produto destinado para mulheres, frequentemente a parte da experiência de usuário é realizada por homens”, afirmou o palestrante.
Para serem lembradas, as marcas precisam ter coragem
Por Rodrigo B. Westphalen

“77% das marcas poderia desaparecer e ninguém se importaria”, afirmou a palestrante ao apresentar os dez passos para marcas corajosas. Entre as dicas e provocações sobre posicionamento de marca e publicidade, a falta de coragem das empresas e das agências de agirem com propósito foi um dos principais problemas destacados por Fedrizzi.
Luísa Fedrizzi é formada em Comunicação Social e atua como Head da Contagious no Brasil, fornecendo serviços de inteligência e consultoria para excelência criativa e estratégica junto a clientes como Nubank, Rede Globo, Coca-Cola, Google, Publicis e F/Nazca. O conselho para impactar as pessoas enquanto agência é ser “útil, relevante e divertido”, e não fazer marketing apenas para vender, “mas para servir às pessoas”, disse.
“A melhor propaganda nem sempre é propaganda”, provocou. Para ter resultados relevantes, é necessário gerar um impacto real na vida das pessoas, com ações que vão além da mídia. Luísa recomendou que as marcas se inspirem em cases de sucesso que transformaram clientes em fãs. Com a constante participação das pessoas nas redes produzindo conteúdo e compartilhando informações, a palestrante recomenda que as marcas devem “armar” a audiência, de forma com que os clientes tenham recursos para influenciar outras pessoas. Criar campanhas que engajem, não só comuniquem de forma unilateral com o público, disse.
Fedrizzi afirmou que as agências devem sempre lembrar de priorizar a experiência sobre a inovação. É o uso que a marca faz das novas tecnologias que a torna memorável. “A tecnologia tem que servir à criatividade, e não o contrário. Uma tecnologia nova não justifica uma ideia ruim”, alertou. Em busca de uma agilidade, ela convidou marcas a participarem do “clube dos 5%”, que possuem uma fração do orçamento exclusiva para experimentar e errar rápido (ou acertar, claro). Luísa concluiu em síntese: “sejam mais corajosos”.
De revista à loja, bar e espaço cultural
Por Josi Skieresinski

Void começou em Porto Alegre como uma revista impressa, há 15 anos, época em que o digital era novidade. E nasceu se posicionando de forma crítica à cultura vigente, se mantendo assim até hoje. A prioridade era temas tabus, assuntos que não eram tão abordados, mas comuns à sociedade. Um dos exemplos comentados por Pedro era contar histórias de pessoas que não se encaixavam em determinações de gênero. “A idéia era muito sobre protagonizar os “lokis” (pessoas alternativas), tudo que a gente faz é identificar essas pessoas e essas cenas culturais. Trazendo elementos inovadores, transgredindo de alguma forma, se aproximando deles, produzindo junto com eles, além de retratar essa galera”, comenta Pedro sobre o objetivo da revista.
Pedro Damasio foi sócio da Parafuso e da Lava, editor, repórter, fotógrafo e planejador criativo na Revista Void. Foi também redator na Paim, Competence e Global. Colaborador na Vista Skateboard Art, consultor criativo na Indiada e Yerbah Mate Decks. Participou de projetos de comunicação e produção de conteúdo para grandes marcas como a Converse, Melissa, Santander Cultural, entre outros. Atualmente é gestor de conteúdo e comunicação na Void, integrante do Nodal, produtor/curador do Mimpi Film Festival e faz parte da Lipstick Skateboards.
Hoje em dia, a revista fica em segundo plano e é custeada pelos outros projetos desenvolvidos que recebem o mesmo nome. A Void foi se transformando em um lifestyle (estilo de vida) e foi ganhando espaços físicos também pensando em seus leitores. Atualmente, esses espaços viram lojas de conveniências, mas não como as dos postos de gasolina, a ideia é ir além.
Algumas são lojas, bares, espaços culturais e o ponto de encontro da galera. Além de colocar à venda artigos de utilidade, esses locais vendem desde cerveja a camisetas, artigos de surf e skate. Damasio acredita que essa identificação seja justificada pela opção do público de procurar coisas novas que fujam do padrão que já está estabelecido. “A gente acaba se divulgando muito mais pelas ações, do que pelos discursos”, conta.
A Void hoje está muito ligada ao cenário cultural e à produção desses novos artistas. A maioria das coleções de roupa das lojas é feita por estilistas independentes, e o único ponto de distribuição acaba sendo as lojas da marca espalhadas pelo país.
Empresa de Porto Alegre repensa a alimentação do futuro com auxílio de fazendeiros urbanos
Por Rodrigo B. Westphalen

Os dados sobre pressão alta, diabetes e obesidade no Brasil são alarmantes. Devido a isso, Tobias Chanan decidiu agir para mudar o futuro da alimentação. Chanan é o empreendedor por trás da Urban Farmcy, empresa que atua no desenvolvimento de uma rede de consumo consciente e sustentável, da produção até o restaurante. O empresário levantou críticas ao atual modelo de alimentação, que apresenta uma ingestão de grandes quantidades de calorias vazias — ou seja, comida sem valor nutritivo.
Muito sal, açúcar e gordura geram um “blisspoint”, prazer no cérebro, e a busca por essa sensação leva ao vício na chamada “junk food”, explicou. “28 milhões de mortes no mundo inteiro podem ser associadas a má alimentação”, disse. Desde a produção agrícola, baseada na monocultura, passando pelo trabalho precário, chegando nos restaurantes Fast Food, Tobias argumenta que a solução deve vir, também, da oferta. Assim, a Urban Farmcy estruturou um restaurante que oferece receitas formuladas tendo em vista desde a origem dos ingredientes até a reciclagem de resíduos.
Tobias defendeu que a alimentação do futuro contará com fazendeiros urbanos, por questões de estrutura da sociedade. Para isso, a Urban Farmcy instala equipamentos verticais automatizadas para criação de “microgreens” pelos colaboradores. Microgreens são plantas de 7 a 14 dias após a germinação e estudos apontam que nesse estágio algumas plantas possuem de 4 a 40 vezes mais nutrientes e mais sabor que a versão adulta. Outra ação da Urban Farmcy é estabelecer metas de impacto anual. A partir dos objetivos, são registrados a quantidade de comida produzida, a quantidade de resíduo gerado e reciclado e a quantidade de colaboradores envolvidos. Para ajudar a desenvolver o conhecimento sobre o assunto, a empresa possui um braço educacional, além de pesquisadores buscando constante melhoria nos sistemas aplicados para a produção e conservação dos alimentos. Tobias contou que quer incentivar uma mudança de cultura dentro das empresas e com profissionais do meio. “Antes de ser um empresário da alimentação, se é um empreendedor da saúde”, disse.
O que gente vai comer e beber amanhã? O aplicativo que te dá essa resposta em 30 segundos
Por Guilherme Machado

“Eu sei o que você comeu no jantar passado” é uma frase para provocar, e lembra um clássico do terror “Eu sei o que vocês fizeram no verão passado” de Jim Gillespie. Foi esse o trocadilho que Diego Fabris escolheu para nomear sua palestra e apresentar o aplicativo de comida Share Eat, a rede social de gastronomia em que você encontra dicas personalizadas, com consultoria de quem entende do assunto, como uma curadoria.
Para quem não o conhece, Diego é publicitário e cofundador do Destemperados, uma multiplataforma de conteúdo gastronômico, mas saiu do projeto no ano passado. Agora com a Share Eat ele pretende alcançar ao menos 30 cidade brasileiras, além de outras no exterior até o final de 2019 .
Diego afirma: “O que a gente quer fazer é democratizar a curadoria”. Para isso, através do aplicativo eles buscam diminuir a oferta, assim, o cliente tem 10 vezes mais chance de comprar. Nessa nova era digital, temos pouco tempo, então: “Eu não quero ir no restaurante e ficar lendo (menu), eu quero comer”, conta o empreendedor.
Foi comendo pelas beiradas que o Delivery Much se tornou um dos serviços de entrega de comida mais utilizados por cidades do interior do Brasil
Por Guilherme Machado

Na “Nova Ordem Digital” tudo ficou mais rápido e prático, com inúmeras inovações como aplicativos de celular que otimizam o tempo das pessoas. Um exemplo é o Delivery Much, sistema marketplace de pedidos de refeições online. O app nasceu na cidade gaúcha de Santa Maria e bombou em outras partes do interior do Brasil, lugares onde iFood e o Uber Eats não chegam.
Uma das figuras por trás do projeto é o Vinícius Dambros, gerente de marketing da empresa. Vinícius fundou a Pandorga e o Hookit – negócios envolvendo moda e design – e se declara um empreendedor guiado por inovação. O designer acredita que a missão do Delivery Much é democratizar o delivery no interior do Brasil.
“A gente está modificando uma realidade de muitas cidades que não tem apps para pedir comida. Então, estamos levando a nova ordem digital para essas cidades pela primeira vez. Em outras cidades, o objetivo é ampliar, porque já existem aplicativos de comida”, conta o empresário.
O Delivery Much nasceu em 2011 e já alcançou a marca de 500 mil pedidos ao mês. São mais de 200 cidades contempladas com este serviço e a ideia é expandir o sistema de entregas para além da comida. Quando tudo começou, lá em Santa Maria, Vinícius pensou: “Se funciona aqui, de repente funciona em Santo Ângelo”, e aos poucos, comendo pelas beiradas, eles conquistaram um novo público de delivery.
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]]>A programação foi dividida em tracks (faixas), sendo elas “conteúdo e engajamento”, “experiência e consumo” e “tecnologia e convergência”. Para acompanhar o máximo de palestras possíveis, nossa equipe foi formada por seis repórteres, que suaram a camiseta nesta cobertura especial.
Para que essa experiência pudesse ser compartilhada rapidamente com você, caro leitor, apresentaremos, a seguir, a primeira parte deste material, em que falaremos de nove palestrantes. Em breve, o Mescla publicará as demais partes, com os relatos dos outros convidados.
Com o Projeto Humanos, o produtor de podcasts investe no formato de storytelling
Por Josi Skieresinski

Ivan Mizanzuk começou sua palestra enaltecendo um tradicional veículo de comunicação: “O rádio é o meio mais visual que existe”. O palestrante explicou melhor: é visual por permitir que as pessoas criem, em sua imaginação, imagens e cenários do jeito que acharem melhor, diferentemente do cinema e da televisão, que já entregam tudo pronto. Para Mizanzuk, o rádio tem a capacidade de se renovar. “E agora, digital, abre portas para outros formatos e programas, como os podcasts, que são consumidos pelas plataformas online”, avalia.
Mizanzuk é fundador, produtor e host do AntiCast, canal que reúne podcasts de temáticas variadas. Está por trás também do Projeto Humanos, podcast em formato de storytelling. É autor de Até o Fim da Queda (2014) e co-autor de Existe Design? (2013). Doutor em Tecnologia pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), é professor universitário nas disciplinas de história da arte e arquitetura, história do design, planejamento gráfico e metodologia de pesquisa.
“Podcast no Brasil sempre foi muito do tipo as pessoas reunidas em uma mesa, com amigos, conversando, gravando tudo e pronto. Uma hora, uma hora e meia de gravação, faz uma edição mais ou menos grosseira e era isso. Já lá fora, tinha o Serial e o This American Life, produzidos em formato de storytelling”, comenta Ivan. “Storytelling, basicamente, são filmes para se ouvir”, explica.
No Projeto Humanos, que relata histórias reais de pessoas reais, Ivan se inspirou justamente no This American Life, programa de Sarah Koenig, e no Serial, que conta casos criminais verdadeiros. Atualmente, o Projeto Humanos está na sua quarta temporada, e é o único no país nesse formato, intitulada “Caso Evandro”, que relembra um dos casos criminais mais chocantes da história do Estado do Paraná e do Brasil. Será a primeira temporada totalmente dedicada a um caso criminal brasileiro, sendo fruto de uma pesquisa de dois anos. Mizanzuk, encerra sua fala dizendo que espera que surjam outros projetos que usem e explorem o storytelling como formato para podcasts.
Na opinião do jornalista, uma empresa depender unicamente de anúncios é um capítulo que não existe mais
Por Bruna Lago

Estamos acostumados a pagar por entretenimento, por serviços, por conhecimento e por muitas outras coisas. Mas e quanto à informação? Com a cultura da televisão aberta e a venda avulsa de jornais, pagar por uma assinatura de algo que fica disponível na internet não é atrativo para a maioria dos brasileiros. Esse território, que parece livre, disponibiliza conteúdo de qualidade, dentro e fora do país, mas a sociedade não quer pagar por isso. Então, como as empresas podem produzir receita no mundo online?
Rafael Sbarai foi editor de mídia social e interatividade da revista Veja, além de editor e repórter da editoria de esportes do portal iG, atuando sempre em jornalismo online, modelos de novas mídias, tecnologia e negócios. Hoje, é supervisor executivo de produtos do site Globo Esporte e professor de Jornalismo Digital, Jornalismo de Dados e Gestão de Negócio Digital dos programas de graduação e pós-graduação da Fundação Armando Álvares Penteado, em São Paulo. Com um currículo voltado ao mundo digital, Sbarai trouxe para a discussão como sobreviver além dos anúncios.
“A grande lição que o digital traz para nós, produtores de conteúdo e empresas de mídia, é não depender de publicidade para sobreviver. Uma empresa depender unicamente de anúncios é um capítulo que não existe mais”, define Sbarai. Para gerar receita e conseguir atenção do consumidor em um mar de informação, as empresas precisam investir em várias frentes simultâneas. Sbarai trouxe o exemplo do jornal norte-americano The New York Times, que arrecada atualmente uma soma considerável pela assinatura de palavras cruzadas e receitas de culinária.
O jornalista quer transformar a vida das pessoas por meio de conteúdo inspirador, desde que não precise usar terno e gravata
Por Guilherme Machado

Gustavo Guertler conta que o que nos define são nossas paixões, e a melhor paixão é aquela que paga nossos boletos. Felizmente, ele conseguiu esse feito. O CEO da editora Belas Letras, vencedora do Prêmio Nacional de Inovação Sebrae/CNI2019 na categoria Marketing, contou sobre sua trajetória de uma forma diferente: mostrou um cocozinho representando a si mesmo.
Gustavo é jornalista, trabalhou em redações e se sentia bom naquilo que fazia até o dia em que foi demitido. Então, tudo mudou. Conseguiu um trabalho em uma livraria e, assim, começou sua história com a Belas Letras. Sua primeira missão na editora foi produzir livros infantis para convencer as crianças a torcer para determinado time. Quem contava essa história? Figuras populares como Gabriel, o Pensador. E o nome dos livros? “Meu pequeno colorado”, “Meu pequeno gremista”, “Meu pequeno flamenguista”.
O palestrante explica que gosta de transformar a vida das pessoas por meio de conteúdo inspirador. “Desde que eu não precise usar terno e gravata”, salienta Gustavo. Ele abdicou dos trajes sociais até mesmo quando subiu ao palco para receber o Prêmio Nacional de Inovação do Sebrae. Ao lado dos colegas, investiu em inovações na área de marketing. “Primeiro, ouvir as pessoas. Segundo, tratar os clientes como pessoas. Terceiro, servir ao invés de vender”, destaca.
Juntos, também investiram em parcerias com outras marcas, como a Imaginarium, Dentro da História, Dobra e Méliuz. Criaram, ainda, a campanha “Compre 1, doe 1”. Quem doava não eram eles, mas o próprio cliente (pessoa), que era instigado a levar o livro extra a uma criança em uma escola, hospital, orfanato. Gustavo concluiu que: “A vida é uma merda, sim. Mas, com os livros, se torna uma merda mais interessante”.
O efeito das redes sociais nas discussões políticas
Por Lisandra Steffen

Joel Pinheiro subiu ao palco do Teatro Unisinos com uma provocação: “Discutindo política no ‘amor’ das redes sociais”. O tema da sua palestra foi o debate político no Brasil marcado por um ambiente repleto de brigas e ódio. Para ele, o grande desafio hoje é construir possibilidades de intervenção que não se restrinjam a fazer valer a própria opinião, produzindo situações negativas para a sociedade.
Joel é economista pelo Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), filósofo e mestre em filosofia pela USP, além de ser “aspirante” – como se denomina – a youtuber. Ele é colunista na Folha de S.Paulo e no aplicativo Exame Hoje. Também comanda o Sem Treta, ao lado de Leonardo Sakamoto, no canal digital MyNews. O programa traz discussões entre a esquerda e a direita (lado em que ele se diz estar) com divergências reais, tratando de assuntos polêmicos.
“As redes sociais, definitivamente, acabaram com o poder que a mídia tradicional e outras instituições tinham na hora de controlar a informação e a opinião que chega até nós”, disse Joel, ao enumerar uma série de fatos sem filtros jornalísticos que a população têm acesso diariamente.
O palestrante alertou ainda que as discussões nas redes sociais não são modeladas para mudar a opinião do outro, ou para aprofundar debates. Elas servem mais para impor crenças e valores ou, até mesmo, para humilhar quem pensa diferente. Quando perguntado sobre o que aprendeu com a última campanha eleitoral, ele respondeu que “não adianta dar murros em ponta de faca, e que os rótulos colocados nas pessoas não mudam a maneira como elas se comportam”. Como um bom filósofo, finalizou a apresentação com um pensamento: “As coisas são muito mais do que o que elas aparentam ser”.
“A gente não pensou em fazer um evento da periferia para a periferia, muito pelo contrário. Nossa ideia era fazer pontes”
Por Josi Skieresinski

Andreza contou a experiência que teve em criar uma Comic Con no subúrbio de São Paulo, ou seja, um evento nerd, com forte presença geek, games e cultura pop. O PerifaCon foi fomentado por financiamento coletivo. “A gente chamou as pessoas para sonhar esse sonho junto com a gente”, lembra Andreza. Assim, conseguiram arrecadar R$ 8 mil para a realização da feira. Logo na primeira edição, foram quatro mil participantes e mais de 40 artistas expondo seus trabalhos, tudo de forma gratuita. “A ideia da gente foi e é incentivar esses artistas da periferia e também levar para a periferia esse universo, quebrando barreiras culturais e provendo acesso a essas pessoas”, contou a realizadora do evento.
Andreza é baiana, mas mora em São Paulo. Ela tem 24 anos, é feminista, nerd, escreve para a revista Capitolina, tem dois livros publicados pelo selo jovem da companhia da Letras. Ela usa suas redes sociais para produzir conteúdo sobre o olhar da mulher negra de periferia. Como se fosse pouco, ainda arranja tempo para tocar um projeto que leva gibitecas para presídios e espaços da periferia de São Paulo. “Não tínhamos ideia dessa potência. Até hoje eu fico impactada pelo que foi o PerifaCon, de ver aquelas crianças felizes e de levar representatividade”, comentou. A fala da Andreza foi política em vários aspectos, chamando a atenção para a falta de acesso e de políticas públicas envolvendo as áreas de baixa renda no Brasil.
Andreza avisou aos interessados que o PerifaCon 2020 já tem data: será no dia 12 de abril, na zona leste de São Paulo. E garante: todas as edições serão gratuitas para participantes e artistas expositores, e sempre será realizado em alguma periferia. “Se um dia eu falar que tem que pagar para entrar no PerifaCon, perdeu a essência, sabe? Não tem mais porque existir”, concluiu.
Sistema desenvolvido pelo empresário permite calcular o alcance de um anunciante por meio do monitoramento de celulares
Por Pedro Hameister

Em sua palestra no FIC19, na track “conteúdo e engajamento”, Ricardo Piccoli defendeu que a tecnologia nos abre novas portas, mas também faz com que percamos cada vez mais a nossa privacidade. Conforme o empresário, os celulares, que se tornaram indispensáveis em nossas vidas, nos conectam com o mundo ao mesmo tempo em que registram cada um de nossos passos para grandes corporações, e não temos como evitar isso.
“Está nos termos de condições de uso dos celulares. Ou permitimos que eles nos monitorem em tudo o que fazemos, ou não vamos poder usá-los. E esse monitoramento é muito massivo”, disse Ricardo. Segundo ele, estima-se que há mais de 228 milhões de celulares só no Brasil – ou seja, mais aparelhos do que brasileiros. “A pergunta é: o que fazer com tantos dados?”, questiona.
O palestrante apresentou uma ferramenta criada pela agência de publicidade Sinergy Novas Mídias, da qual ele é COO, que pode se tornar o futuro das métricas de anúncios: o MediaEYE. Através de dispositivos posicionados pela cidade, o sistema monitora em tempo real quantos consumidores transitam por um local onde tenha um anúncio de determinada marca, detectando-os através dos celulares. Com isso, a agência pode saber o número total de impressões que uma propaganda teve, quantas pessoas a avistaram, qual a média por dia ou por hora de visualizações, entre outras informações. A marca que for cliente da agência pode acessar o portal do MediaEYE para consultar as informações obtidas pela ferramenta.
Atualmente, o MediaEYE atua em Porto Alegre, Gramado e Florianópolis. Na palestra, Ricardo mostrou o funcionamento da ferramenta, que também calcula qual o período do dia em que há mais impressões de um anúncio, o tempo médio que ele é avistado e até a quantidade de consumidores que se dirigem em seguida para um estabelecimento da marca anunciante. Para tranquilizar quem estava assistindo a palestra, o empresário deixou claro: as informações pessoais dos usuários detectados pelo MediaEYE permanecem em anonimato.
O jornalista falou sobre como é produzir um programa que mostra
temas e locais controversos ao redor do mundo
Por Ângelo Gabriel

Originalidade. É com esta palavra que André Fran, apresentador do programa “Que Mundo é Esse?”, do canal por assinatura Globo News, resolve escolher os destinos de viagem pouco buscados por quem quer sossego. Visitando países como Síria, Iraque e Arábia Saudita, ele contou histórias de vítimas de guerras, refugiados em busca de uma vida digna e de pessoas que produzem e disseminam notícias falsas.
Co-fundador da empresa BASE#1 Filmes, André também é diretor, roteirista e escritor. Primeiro palestrante da trilha “conteúdo e engajamento” do FIC19, o apresentador mostrou ao público como é produzir um programa que mistura jornalismo com reality show e que se aprofunda em temas polêmicos.
Sempre decidindo expor os problemas dos países, André diz que “existem
maneiras de criticar mostrando a realidade”. Segundo ele, os produtores do programa possuem duas regras de ouro. A primeira é: “Não peça permissão, peça desculpas”. A segunda é: “Nunca colocar em risco ou expor o oprimido, sempre o opressor”. Por isso, escolhe histórias de pessoas que sofrem com as leis e regras dos territórios, como, por exemplo, de uma mulher lésbica que mora na Rússia e se encontra secretamente com outras mulheres, visto que no país é proibido fazer propaganda homossexual, e o simples ato de andar de mãos dadas já soa como propaganda.
André acredita que todos podem contribuir para fazer do mundo um lugar melhor. Segundo ele, “a nova ordem digital permite que as pessoas contribuam para a melhoria das situações de diferentes maneiras, seja através de podcasts, postando nas redes sociais ou até mesmo atuando localmente nas comunidades”. Ele encerrou a palestra motivando os participantes a cultivarem esse pensamento de bondade. “Tente fazer a diferença, o mundo precisa muito”, destacou.
Por quê estamos sem tempo?
Por Guilherme Machado

“A vida de todo mundo tá difícil na percepção de tempo”. Assim, Michel Alcoforado deu início a uma fala cheia de humor fazendo o público se sentir em um stand up comedy. O palestrante falou de tecnologia, tempo, saúde mental e sobre nós, jovens millenials (a geração da internet). Afinal, nossos pais não entendem porque mudamos de ideia tão rápido, queremos ser tudo ao mesmo tempo e estamos “sem tempo, irmão”.
Michel Alcoforado é doutor em antropologia do consumo, tendo se especializado na University of British Columbia, no Canadá. Em 2012, fundou a Consumoteca, que reúne empresas de pesquisa, análise e tendências com atuação no Brasil e na América Latina. A ideia é transformar a maneira como as marcas lidam com mudanças sociais do ponto de vista da antropologia. Também é palestrante, especialista em planejamento estratégico de comunicação, articulista do site UOL e comentarista da rádio CBN.
Para Michel, o tempo deixou de ser repetitivo e se tornou cumulativo. Menos do que um jogo de palavras, a diferença é que, se antes a regra era fazer uma coisa de cada vez (estudar, casar, ter filhos, envelhecer e morrer), “tudo isso com algumas dívidas a serem pagas”, como destacou o palestrante, com a revolução digital, o tempo passou ser entendido como aberto a muitas possibilidades (só que não). Por causa dessa ideia real, mas difícil de ser executada, de estarmos em vários lugares, somos dependentes da tecnologia, perdemos ao menos cinco horas no celular, e nossa liberdade é constantemente vigiada e controlada.
O mundo está um caos, diz ele, e falou mais: tudo é metrificado, pois precisamos de audiência nas nossas redes sociais. Criamos diferentes personas em cada uma delas e estamos muito preocupados com a grama do vizinho. O jovem tem medo de esperar e falhar. Nem todo conteúdo vale o nosso tempo. Qual a consequência? Nos tornamos a geração do Rivotril, que está sempre cansada e ansiosa. Michel nos convidou a pensar em como a nova ordem digital afeta nossas vidas.
O futuro bate à porta e cobra automação. Novos empregos surgem todos os dias e outros precisam se adaptar. Mas, a grosso modo, as empresas não estão preparadas para as mudanças
Por Bruna Lago

“O mercado não consegue adotar a tecnologia na mesma velocidade que os indivíduos”. Esse é o centro da discussão levantada pela consultora estratégica Roberta Yoshida. CEO de Capital Humano da Deloitte Brasil, possui mais de 20 anos de experiência em RH. As novas configurações do mundo do trabalho formaram a tônica de sua fala. Questões como a ética, tempo médio necessário para a reinvenção dos profissionais e habilidades mais desejadas pelo mercado deram o tom da palestra. “O futuro vai ser melhor do que o presente, mas estamos vivendo uma fase de transição. E essa transição tem consequências imediatas e a longo prazo”, comenta Roberta.
Durante dez anos, a executiva liderou as iniciativas de transformação de RH na América Latina e tem também vasta experiência como líder em projetos relacionados a mudanças estratégicas organizacionais. Na palestra, Roberta trouxe dados alarmantes tanto em relação ao desempenho das empresas quanto à tecnologia. Pesquisas mostram que quatro de cada dez empresas acreditam que os grandes impactos da automação estão próximos, mas apenas 16% do total admite possuir treinamento para enfrentar a nova realidade.
Com a perspectiva de trabalhar lado a lado com tecnologia artificial, 70% das empresas apostam na necessidade de um mix de talentos para encarar esse modelo de mercado. Nesse sentido, Roberta alerta que, dentre as competências desejadas hoje, estão a de comunicação, a de análise de dados e a de gestão. Por fim, destacou o tempo médio necessário para um profissional se reinventar: “Já foi 30 anos. Em 2014, era de cinco. Agora, já está em dois anos e meio”.
Como as políticas públicas ligadas à Educação Superior vão lidar com isso é um dos questionamentos que a CEO deixa para o público. “A maioria de nós já entendeu que sem aprender não evoluímos e não conseguimos nos manter atualizados.” Ou seja, a educação se tornou um valor permanente.
A mente por trás do projeto que começou como uma forma de divulgar o próprio serviço de faxineira e acabou abrindo inúmeras outras portas
Por Pedro Hameister

No FIC19, a paulista Verônica Oliveira contou como as redes sociais mudaram drasticamente a sua vida sem que ela esperasse por isso. “Minha mãe sempre me disse que a internet é um lugar mal. Não é. São as pessoas que a usam que, às vezes, são mal intencionadas. A internet pode ser usada para fazer o bem”, contou a faxineira – ela prefere ser chamada assim – em sua palestra.
Após ter perdido o emprego, em 2016, Verônica entrou no ramo da limpeza e começou a compartilhar seu trabalho no Facebook para conseguir mais clientes. A forma criativa e bem humorada como ela se divulgava – criando cards que faziam referências a filmes e séries de sucesso – fez com que o trabalho fosse ganhando cada vez mais alcance. Hoje, sua página faxina boa tem mais de 80 mil seguidores.
Além de faxineira, Verônica também atua como ativista e utiliza suas redes sociais para falar sobre a realidade de quem possui empregos pouco valorizados pela sociedade, sobretudo os relacionados à limpeza na casa dos outros. Ela passou a escrever sobre situações de preconceito que enfrentou mesmo após o sucesso do Faxina Boa, e também sobre a forma equivocada com que as faxineiras são retratadas em anúncios e comerciais televisivos. As postagens dela recebem muitos comentários de pessoas que se identificam com os relatos de Verônica.
O sucesso de seu trabalho também fez com que Verônica integrasse a programação do FIC19 na track “tecnologia e convergência”. Ela também é chamada para fazer palestras em todo o Brasil, participa de campanhas e é convidada para encontros de influenciadores digitais. Porém, não abre mão de seguir trabalhando no ramo que a lançou. “Me perguntam com frequência se ainda estou fazendo faxina. Estou sim! Porque eu amo o que faço”, conta Verônica, com um sorriso no rosto.
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]]>Neste ano, a programação será dividida em tracks, ou trilhas: conteúdo e engajamento; experiência e consumo; e por fim, tecnologia e convergência.
Fundador do Anticast (2011) e do Projeto Humanos (2015), Ivan Mizanzuk é uma das figuras centrais do panorama de creators para podcasts. Dentro de conteúdo e engajamento o jornalista vai falar sobre suas experiências e insights na criação de dois dos podcasts mais relevantes do Brasil.
André Fran é jornalista, diretor e apresentador do programa “Que mundo é esse?” exibido pela GloboNews, onde também atua como comentarista de política internacional. André vai contar como é produzir séries de TV de alguns dos lugares mais complexos do mundo.
Nerd, feminista e produtora cultural de festas LGBT; esta é Andreza Delgado, uma das idealizadoras da Perifacon, a primeira comic con da favela. Ela vai contar sua trajetória como feminista, baiana e nerd e mostrar que a cultura nerd também é consumida e criada na quebrada: com quadrinhos, cosplay, games e audiovisual.
Uma referência na propaganda brasileira Ken Fujioka é sócio-fundador da ADA Strategy e também fundador e host do podcast de divulgação científica Naruhodo. Fujioka é conhecido tanto pelos prêmios e relevância de sua carreira na publicidade, quanto pela atuação a favor da diversidade e ética no meio publicitário.
Curadora do Creator Academy na Campus Party, maior evento tecnológico do mundo Bia Granja é considerada a principal especialista em práticas comportamentais do Reino Unido. Sendo uma das fundadoras do YOUPIX, que visa acelerar o setor do conteúdo digital e é referência. Ela vai mostrar como planejar estratégias envolvendo influenciadores.
Se liga, alunos da Unisinos tem um super desconto. Até sexta-feira, 25, o ingresso para o evento custa R$ 65,00.
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A ideia de um negócio disruptivo, ligado à tecnologia, chegou ao país há quase dez anos e faz muito empreendedor sonhar. De acordo com a Associação Brasileira de Startups (Abstartups), hoje existem quase 13 mil empresas ativas nesse novo modelo. Startups podem ser definidas como empresas que estão no início de suas atividades e buscam explorar atividades inovadoras, novos tipos de serviços e soluções. Startups podem estar em todas as áreas, seja suprindo necessidades ou apresentando um novo jeito de ver o que já existe.
Para avaliar as novas ideias dos participantes da semifinal da Amcham Arena, foram convidados dez grandes empresários do Rio Grande do Sul. Eles também tinham a missão de problematizar e votar na proposta que teria mais chance de vencer o concurso. Entre eles, estavam presentes o vice-presidente do Conselho de Administração da Gerdau, André Johannpeter, o superintendente executivo da Unimed Porto Alegre, Glauco Chagas, e o CEO da aceleradora de startups Grow+, Paulo Beck.
A startup vencedora da semifinal foi Elysios Agricultura Inteligente. Ela será a representante gaúcha na final, em São Paulo. A empresa oferece soluções de inteligência agrícola para controle, sensoriamento e automação de cultivos, com o objetivo de aumentar a produtividade com menos insumos.

Frederico Apolo Brito, CEO da Elysios, acredita que o essencial é trabalhar bastante, pois não é um ramo fácil. Para ele, o diferencial para as startups é ter a inovação como cultura, principalmente focar nos problemas dos clientes, e não no produto em si. “Inúmeras startups surgiram na crise, com os problemas da crise, então é um modelo de negócio muito interessante, que visa uma melhoria exponencial”, disse.

Quíper Fresh também foi uma das startups selecionadas para o pitch da semifinal. A empresa criou uma solução que prolonga a vida de frutas, verduras e legumes, com o objetivo de reduzir o desperdício. Fernanda Knebel, fundadora da startup, conta que o diferencial para dar certo são as ações, ir além do mundo das ideias, fazer acontecer e arriscar. Um dos papéis fundamentais nesse caminho, para Knebel, é a comunicação. “A gente precisa comunicar o produto para as pessoas, para elas saberem que ele existe e também para utilizar corretamente quando ele chegar na tua casa”, observa.

Para o Superintendente Regional da Amcham, Marcelo Rodrigues, é supernecessário construir um futuro cada vez mais empreendedor. O evento, segundo ele, é uma oportunidade muito importante tanto para as startups quanto para as grandes empresas de se conectarem. E dá a dica: “Se conectem com as pessoas. A execução vale muito mais que as ideias. Fazer as perguntas certas e entender os problemas reais são fundamentais para criar as melhores soluções”, comenta.

O executivo Paulo Beck concorda com Marcelo e destaca a importância de eventos como a Amcham Arena. “O Rio Grande do Sul carece dessas oportunidades, principalmente para os jovens. Dar a eles uma terceira via para que não precisem bater na porta de grandes instituições é fundamental, e também para que eles pensem fora da caixa”, ressalta Beck, que foi um dos jurados do evento.
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]]>Os números dão ideia do tamanho do evento: 1200 pessoas circulando, 518 trabalhos inscritos e uma feira que reuniu mais de 40 expositores. Tudo em apenas quatro dias. O Colóquio de Moda é um dos encontros mais importante do país no setor, e este ano, para sorte dos estudantes gaúchos, especialmente dos cursos de Moda, Design, Publicidade, Administração e Jornalismo da Unisinos, ocorreu no Campus de Porto Alegre.
“O objetivo do Colóquio é acadêmico. Congregar pessoas preocupadas com a pesquisa, com a formação, com o trabalho são pontos importantes para a consolidação de um campo científico da moda”, explicou João Dalla Rosa Júnior, professor do Senai CETIQT (Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil) no Rio de Janeiro.
A diversidade foi um dos aspectos que mais chamaram atenção durante o evento. Dentre os participantes, gente de todo o país: Bahia, São Paulo, Paraíba, dentre outras cidades brasileiras. Mas também teve gente de outros países, como a escritora Joanne Entwistle, que falou sobre o Instagram e a cultura de moda logo no primeiro dia do evento e o oficineiro italiano Enrico Cietta, que falou de moda, criatividade e indústria ao lado da brasileira Larissa Mussi.
Os integrantes se reuniam em Grupos de Trabalho (GT), um incentivo à iniciação científica na área. Os melhores trabalhos receberam o Prêmio Gilda de Mello e Souza que deve publicá-los na Revista Dobras em formato impresso e digital. Também teve o Prêmio IC em Design e Moda cujos ganhadores terão os pôsteres apresentados na Revista Dobrinhas. Os melhores colocados de ambas as premiações receberam coleções de livros publicados pelas principais editoras da área e um certificado de premiação.
Além das apresentações dos trabalhos, outra modalidade, foram os minicursos e as oficinas práticas. Neles, era possível aprender sobre geração de valor para produtos de moda, styling para fotografia de moda, ilustração para estamparia e muito mais. O Colóquio também foi palco para o lançamento de livros relacionados ao tema. Foram 12, dentre eles, De Gorda a Pluz-Size: A moda do tamanho grande; Indústria Têxtil e a Moda Brasileira nos anos de 1960; e O Belo Contemporâneo: corpo, moda e arte.
Juliana Bortholuzzi, uma das coordenadoras do curso de Moda da Unisinos Porto Alegre, entende que a moda é interdisciplinar por natureza e que são nesses momentos que a área se torna ainda mais rica, permitindo abordar diversos vieses.
O evento também é um belo exercício para o trabalho em equipe. Professores e estudantes se uniram para que tudo desse certo.
A reportagem do Mescla, acompanhou o 15º Colóquio da Moda e encontrou algumas pessoas que podem dar uma ideia do interesse e perfil dos participantes. Uma de nossas personagens é a egressa de Moda da Unisinos, Ana Carolina Betiati, designer, que voltou à Universidade onde se formou como uma das oficineiras do Colóquio.
Ana Carolina Betiati, aprendeu a desenhar e a fazer estampas compartilhando e trocando muita idéia, segunda ela, não tem forma melhor de aprender do que trazer o material para sala e fazer bagunça. A ex-estudante da Unisinos é, atualmente, designer de estamparia da marca YouCom, e dá aulas no curso de extensão de Processos Criativos para Estampas na Unisinos.
Convidada por uma das coordenadoras do curso de Moda, durante um café, Ana conta que sempre vem ao campus conversar com os alunos da graduação sobre a sua experiência. Em um desses encontros, surgiu a ideia de também ministrar workshops. “A proposta é a galera pensar em ilustração para estamparia. Trouxe alguns exercícios iniciais com mistura de técnicas para sair da zona de conforto”, conta um pouco sobre a oficina.
Seu próximo objetivo é voltar para a academia e fazer mestrado, pois desde a formatura está muito voltada ao mercado. O Colóquio proporcionou que ela mostrasse seu trabalho, e ainda reencontra-se os antigos mestres, como sua professora de desenho. No reencontro, foi tratada como colega“Acho que ela não tem nem noção do impacto que ela tem (para mim), ela foi minha professora de desenho, fiquei muito nervosa quando ela entrou na sala”, finaliza encantada pela receptividade da professora.
Pensador e pesquisador contemporâneo, João Dalla Rosa é designer, formado na UFRGS. Trocou a Orla do Guaíba pelas praias cariocas há 10 anos. Transita pelas diversas faces da indústria criativa, desde o design, a comunicação e a moda. Aliás, este foi tema de sua apresentação no GT sobre Moda e Mídia: “O que uma vitrine nos provoca a dizer sobre a relação entre moda e mídia?”, em que aborda reflexão sobre as imagens.
“É nossa responsabilidade pensar o papel da comunicação na moda. Além de ser um fator decisivo, a gente diz que não existe de fato a moda sem esse campo. Para que a gente não fique só contemplando áreas específicas ou valorizando determinadas abordagens, a comunicação tem um papel muito grande e é um campo que se dedica aos estudos da moda já há um tempo”, argumenta o pesquisador.
João também ficou encantado com o evento ser em Porto Alegre, já que participa do encontro desde 2010: “eu não poderia perder essa edição na cidade”, diz. Destacou também o acolhimento e a organização do evento. “Vou voltar levando diversas ideias pro Senai, de estrutura, gostei muito”, finaliza o professor.
Dentre tantas figuras singulares do Colóquio, conhecemos Aline Buffon Basso, aluna do primeiro semestre Recém chegada ao curso de Moda da Unisinos, se viu encantada com a receptividade dos professores e colegas. Cursou o ensino médio integrado ao de Técnico em Eletrônica e foi o suficiente para perceber que cálculos não eram a sua área. Cogitou alguns cursos como Designde Interiores antes de entrar na faculdade, mas não teve jeito, decidiu fazer Moda.
Aline trabalhou como voluntária no Colóquio, cuidou de exposições, atendeu professores e recepcionou o público ao lado dos colegas. Encontramos a jovem na Exposição de Moda da Unisinos, onde ocorria a exibição de alguns trabalhos das disciplinas de Ateliê de Projeto e Modelagem. Para ela, o Colóquio de Moda foi uma oportunidade para “abrir a mente”. Eu estou absorvendo muitas coisas que eu não fazia ideia”, conta a jovem com entusiasmo.
Aprendeu muito, inclusive, sobre a própria universidade, pois Aline não conhecia totalmente a torre educacional, como é chamado o prédio da Unisinos da Avenida Nilo Peçanha. “Desde pequena eu costuro com minha mãe e desenho com meu pai”, ou seja, um amor que já vem sendo construído há alguns anos e foi impulsionado pelo evento.
Em paralelo ao 15º Colóquio de Moda também rolou o Encontra Moda, feira que reuniu marcas autorais gaúchas e nacionais, em um grande encontro para integrar, celebrar e dar visibilidade à produção local. Maria Josilene Bernardo de Souto, conhecida por “Jô do Osso”, veio da Paraíba para mostrar seu trabalho. “Esse é o meu 10º (Colóquio), todos os anos eu venho. É maravilhoso, porque aqui não é só vender, é você divulgar, trocar contatos e arrumar parceiros”, conta.
Jô do Osso desenvolve um trabalho artesanal com ossos de boi que transforma em colares, anéis, brincos e acessórios. Tudo começou em um período difícil de sua vida, grávida e desempregada, ela buscou emprego em um restaurante turístico: “Eles serviam cozidos e jogavam os ossos fora. Os cachorros rasgavam e deixavam os ossos pelo salão. Foi então que decidi juntar e tacar fogo”, brincou a artesã.
O que sobrou dos ossos queimados, Jô transformou em um crucifixo. Quando uma freira se ofereceu para comprar a peça, ela quase não acreditou. Hoje, seu crucifixo está na Itália. Aos poucos, a artesã desenvolveu outras técnicas, como tingimento natural dos ossos. Ao final, nos contou sua fórmula para trabalhar com artesanato: “Para você fazer artesanato tem que ter três habilidades: cabeça, mão e coração”, finaliza.



















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]]>Mais de 100 palestras ocorreram simultaneamente em diversos pontos do bairro. Dessa forma, ninguém se deu ao luxo de ficar parado. As ruas ofereceram atrações para quem transitava de um ponto a outro da região, com direito a música ao vivo, brechós e food trucks. Definitivamente, um evento para todos os gostos.
Quem chegava no Festival para retirar credencial de imprensa era recebido com uma sacola cheia de lembranças, incluindo lápis, caneta, caderninho, pacotes de bolachas integrais, pó de café instantâneo, entre outros itens. As primeiras palestras do dia incluíam assuntos como realidade estendida, elaboração de roteiro para conteúdo audiovisual a partir de sonhos, o futuro da aprendizagem e a relação entre pessoas e marcas. Com tanto conteúdo para iniciar o festival, era difícil decidir por onde começar.
Porém, havia uma palestra em específico que boa parte do público do festival não tinha dúvidas de que iria assistir, mesmo com tantas outras acontecendo no mesmo horário. Às 10h30, no primeiro piso do Nau Live Spaces, subiu no palco um homem não muito alto, que falava inglês com bastante sotaque e vestia uma camisa branca, calça preta e sapatos sociais muito bem lustrados. Era Orkut Büyükkökten, mais conhecido como a mente por trás da saudosa rede social Orkut. A presença dele na Capital já tinha sido notada alguns dias antes, quando aterrissou em solo gaúcho. Orkut se tornou um assunto muito comentado na internet por ter sido bloqueado no Tinder e reclamado disso no Twitter.
Orkut fez uma palestra muito bem humorada sobre redes sociais e o impacto que elas têm em nossas vidas hoje em dia. Ele também apresentou seu atual projeto, a plataforma hello, que busca incentivar seus usuários a se conectarem não apenas no mundo virtual, mas também na vida real. E, obviamente, não deixou de fora a história sobre o bloqueio que sofreu no Tinder. Encerrada a palestra, Orkut se dispôs a tirar foto com todos que quisessem, sempre com um sorriso no rosto e distribuindo abraços.
E assim seguiu a programação do BS Festival até o final do dia, com atrações de todos os tipos, ideias originais e diversidade. Foi um sábado de muita movimentação, aprendizado e inovação, com espaço para todos que procuram se aprofundar na economia criativa. Agora, só nos resta imaginar que surpresas o festival trará ano que vem.

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]]>The post Novos desafios para Eduardo Brandelli no Google appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>Eduardo sempre buscou se capacitar profissionalmente, contudo, esta oportunidade terá um desafio a mais. Além da mudança para São Paulo, durante o período, a vaga é destinada para a área de suporte, no setor de Marketing do Google, voltado para o setor de Tecnologia da Informação (T.I.).
Brandelli se inscreveu para a vaga no Google, no programa de estagiários 2019, que abriu entre setembro e outubro de 2018. Ele não tinha grandes pretensões de ser selecionado, já que não era na sua área de formação. “Pensei comigo, é quase impossível eu conseguir, vou tentar nesta área mesmo. Eu achei que não ia passar nem da triagem de currículos”, comenta. Entretanto, em março deste ano ele recebeu um e-mail com o retorno positivo. Eduardo conta que todo o processo de seleção foi à distância. “Passei por um questionário online, teste de inglês por telefone, duas entrevistas com os gestores da área via Hangouts”, e completa. “Para minha surpresa fui um dos 22 candidatos selecionado para o programa de estágio”.
Estudantes de diversos cursos e de diferentes locais do país participaram. As únicas exigências para se inscrever no processo seletivo de estágio no Google era estar no último semestre da graduação, durante o segundo semestre de 2019, e conhecimentos básicos em língua inglesa. Será fornecido pela empresa ajuda de custos para quem tiver que se mudar para São Paulo.

O jovem destaca que sempre buscou trabalhar em diversos locais e ter experiências diferentes na área da comunicação. “Ao invés de fazer um estágio longo eu fiz diversos estágios curtos, a maioria durou menos de um ano”, comenta. Eduardo já trabalhou na assessoria do Clube Esportivo, na rádio Viva 1070, do grupo RSCOM, no Jornal Gazeta, todos de Bento Gonçalves. Na assessoria de imprensa da reitoria da IFRS, repórter audiovisual da Agexcom, no Instituto Humanitas Unisinos, na produção da rádio Grenal e na comunicação da SAP.
Eduardo comenta que em todas as entrevistas anteriores sempre percebeu um padrão nas perguntas. Contudo, nos processo seletivos da SAP – empresa de software – e do Google notou que as empresas estavam em busca de pessoas que tinham facilidade em se adaptar. “Notei que as empresas davam muito mais importância para um perfil profissional que se adequasse às políticas e à cultura empresarial do que ao conhecimento técnico”, ressalta.
Por isso, o jovem deixa uma dica para quem busca estagiar em multinacionais. “Nos próprios sites das empresas é possível buscar a visão, a missão e os princípios delas, assim pode-se ter uma ideia de que tipo de pessoa eles buscam”, indica. Além disso, é importante analisar se a vaga pretendida é compatível com o seu perfil.
Não é fácil descrever o que é o Google, pelo tamanho que a empresa adquiriu, mas vale lembrar que em 1997, Larry Page e Sergey Brin, então colegas de faculdade criaram um mecanismo de pesquisa que buscava links pela World Wide Web – conhecida como “WWW”. Esse buscador foi denominado BackRub. No ano seguinte, passou a se chamar Google, que vinha de uma brincadeira matemática. Em 4 de setembro de 1998, o Google foi fundado oficialmente. Hoje, a sua sede fica em Mountain View, no estado da Califórnia, nos Estados Unidos.
Nesses 22 anos, ocorreram algumas mudanças e o Google aumentou o seu leque de produtos. Hoje, além dos buscadores, há também, sistema operacional para Android, sistema de armazenamento em nuvem, aplicativos e plataforma de vídeos, o YouTube.
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