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Buenos Aires é uma cidade repleta de história, cultura e oferece a oportunidade de mergulhar em um ambiente rico em conhecimento. A famosa Avenida 9 de Julio, uma das mais largas do mundo, é um ótimo ponto de partida. Caminhar por suas calçadas largas levará você ao Obelisco, monumento construído em comemoração ao quarto centenário da fundação da cidade, e ao Teatro Colón, um dos cinco melhores teatros do mundo.

A Casa Rosada, com sua fachada cor-de-rosa, visitantes podem aprender mais sobre a história e a cultura argentina. Infelizmente, o Museu da Casa Rosada, onde os turistas podem fazer passeios guiados para explorar os corredores e salas históricas do edifício, está temporariamente fechado. Mas ao redor, tem várias construções incríveis de se olhar e tirar fotos lindas.
Para uma imersão completa na cultura portenha, não deixe de explorar quatro encantadores bairros: Recoleta, Palermo, San Telmo e La Boca. Cada um oferece uma experiência única.
A Recoleta, é um dos bairros mais elegantes e requintados de B.A, também chamado de “Paris do Sul”. Aqui você vai encontrar um rico cenário cultural, representado pelo Museu Nacional de Bellas Artes (MNBA) e pelo Centro Cultural de Recoleta. O Museu Nacional de Bellas Artes (MNBA) é um dos principais museus de arte da América Latina, com uma extensa coleção que abrange desde obras de artistas argentinos do século XIX, como também de Picasso, Gauguin, Van Gogh, Renoir, Monet, Degas e Rodin.

E no coração da Recoleta, encontra-se o Centro Cultural que, por si só, já é um lugar que vale a pena conhecer e que oferece uma forte cultura de arte em movimento. Um espaço cultural multifuncional que oferece exposições, shows, performances teatrais e eventos artísticos ao longo do ano, como, por exemplo, festivais de Freestyle, competição de Street Dance, show de talentos e karaokê.

Palermo, com sua atmosfera moderna, é um ponto de encontro para artistas e designers, com uma infinidade de galerias de arte, lojas de design e espaços culturais. O bairro abriga espaços de arte contemporânea e exposições que apresentam o talento argentino e internacional. O bairro abriga também o Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (MALBA), com obras de grandes artistas latino-americanos, incluindo os brasileiros Di Cavalcanti, Portinari e Tarsila do Amaral.

Não deixe de explorar as lojas de design independentes de Palermo, onde se encontra roupas, acessórios e objetos únicos criados por designers locais. Se a vibe for de moda e estilo, o bairro também possui uma cena de moda vibrante, com butiques de marcas emergentes e conceituais.
San Telmo é conhecido por suas ruas históricas e casarões antigos que remontam aos primórdios de Buenos Aires, no século XVIII. A Plaza Dorrego é um ponto central em San Telmo, com sua feira de antiguidades aos domingos, que preserva a essência e a tradição da cidade, com sua atmosfera boêmia e histórica, oferece uma variedade de itens vintage, obras de arte, roupas e objetos peculiares para levar como lembrança da sua visita.

Não deixe de visitar o Museo de Arte Moderno (MAMBA), com obras de diversos artistas, que são substituídas com frequência, é excelente para quem quiser conhecer a arte argentina atual e do século XX.
O bairro de La Boca, definido por suas raízes imigrantes, ainda mantém seu passado vivo nas ruas coloridas e vibrantes. Lá é possível explorar o Caminito, com uma arquitetura colorida, cheio de arte de rua, cantores locais, apresentações de tango e lojas de artesanato.

O bairro respira a paixão e a intensidade do tango argentino. A atmosfera é única, e é comum encontrar artistas de rua dançando e tocando tango ao ar livre, enchendo as ruas com o ritmo contagiante. La Boca também é o lar do clube de futebol Boca Juniors, onde o estádio emblemático, La Bombonera, é uma visita obrigatória para os fãs de futebol.
Explorar a culinária local é uma parte essencial de qualquer viagem, e Buenos Aires não decepciona. Uma visita à cidade não é completa sem provar uma boa parrilla argentina. Seja em um renomado restaurante ou em um pequeno empreendimento gastronômico local, os cortes são suculentos e preparados ao seu gosto.
O Don Julio, eleito o melhor restaurante de carnes do mundo em 2023, não pode ficar de fora do seu roteiro. O título de melhor carne justifica a fila de espera de 2 horas, caso não tenhas reserva, mas pode ser feita antecipadamente pelo site. Mas se não conseguir, vá assim mesmo. Encare a longa fila de espera degustando algumas taças de espumante Chandon e mini empanadas deliciosas servidas pelo restaurante. Vale muito!

Mas se você estiver em busca de opções mais econômicas, a cidade também oferece as famosas “parrilla” de rua, onde dá para saborear um delicioso choripan, um pão com linguiça grelhada, muitas vezes acompanhada de chimichurri.
Além do churrasco, a cidade oferece uma grande influência culinária italiana, resultado da forte imigração italiana para o país. Pizzas deliciosas, massas frescas e molhos caseiros são encontrados em abundância nos restaurantes de Buenos Aires.
O Mercado de San Telmo também é parada gastronômica obrigatória, ideal para provar vários clássicos da culinária argentina em um só lugar. Parrillas, massas, choripans, mas o principal são as deliciosas empanadas, típicas de Buenos Aires, que são um dos pratos mais populares e emblemáticos, e realmente valem a fama que têm.

E para quem prefere as sobremesas? Ah, Buenos Aires também não decepciona, com seu doce de leite argentino e os famosos alfajores. As medialunas, uma espécie de croissant argentino, também são uma delícia e podem ser saboreadas em cafés e padarias espalhadas pela cidade.

Enfim, pena que passa tão rápido! Buenos Aires é um destino que expande horizontes e cria memórias duradouras! Espero que tenha curtido a viagem da viagem e que te inspire a fazer seu próprio vôo. Até o próximo destino!
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]]>Bem antes disso, o pequeno Andrei já dava sinais de possuir uma veia artística. “Eu acho que sempre tive essa inclinação. Dava para ver na minha cara que eu ia mexer com arte”, conta Andrei. “Nos meus pareceres do Jardim de Infância, os professores sempre comentavam que eu gostava de desenhar, inventar histórias e fazer teatrinhos. Eu me fantasiava e inventava uma personagem. Isso sempre foi uma parte muito forte da minha infância”, revela.

A primeira lembrança do contato com os palcos também foi na escola, onde todos os anos os alunos realizavam uma pequena produção de Natal. Andrei não participou da dança com os colegas porque foi convidado a atuar em uma esquete no intervalo entre as apresentações das turmas. Foi nesse momento, lembra Andrei, que sentiu a energia especial que sempre iria uni-lo ao teatro. “Eu estava no palco, atuando com um microfone, e eu tinha cinco anos. Havia muitas pessoas assistindo e isso me deixou realmente fascinado. Daí nunca mais parei. Todo mundo dizia que eu gostava de conversar, que não tinha vergonha, então foi natural que eu procurasse um grupo de teatro”, acredita o estudante.
Mas na cidade de Taquara, onde morava, não havia nenhum grupo teatral.
Em 2008, uma paulista chegou na cidade e decidiu criar seu próprio grupo de teatro, reunindo todos os jovens atores que antes não tinham apoio e suporte experiente para ensaiar. As aulas começaram na garagem dela, no mesmo ano, e foi lá que o Andrei encontrou sua “segunda família”: o Cheiro de Chuva. Já faz 12 anos que o grupo se apresenta em Taquara e na região.
“Acho que a parte mais impactante, a mais definitiva da minha vida como artista, foi ter entrado no Cheiro de Chuva”, diz o jovem ator. Esse impacto também trouxe experiências grandiosas e emocionantes para Andrei, como a percepção de que era realmente um artista. “A energia que eu sinto no palco é tão potente que eu não consigo pensar em mais nada, só no momento, só em estar ali, na conexão que tu faz com o público. Essa sensação impede de ficar pensando ‘olha só, eu sou um ator muito bom!’, porque tu está ali, aproveitando o momento”, brinca ele.
Mesmo assim, Andrei confessa que, às vezes, se sente orgulhoso de ser um artista. Como em 2016, quando o grupo montou a peça “O Renascer do Cangaço”, uma comédia que recebeu muito reconhecimento – tanto em prêmios como no amor emanado pelo público. “Muitas pessoas falaram que acharam a peça linda, que tinham sido tocados. Eu vi pessoas se emocionando, batendo palmas. Teve quem perguntou quando ela seria encenada de novo para poder rever!”, lembra.

O grupo se divide na produção de figurinos, nos gastos com materiais e nas noites de trabalho. Tudo por amor ao teatro, ressaltam os participantes. Apesar de, às vezes, conseguirem um espaço maior para ensaiar, é na garagem da diretora — a mesma que acreditou ser possível criar um grupo na cidade — que os atores se soltam e criam.
A experiência de unirem forças pelo Cheiro de Chuva traz momentos marcantes, como em 2012, quando foram convidados para um festival na cidade de Maximiliano de Almeida, distante cerca de cinco horas de Taquara, na divisa com o Estado de Santa Catarina. O grupo alugou uma van e foram se apresentar na pequena cidade, que não chega a ter cinco mil habitantes. Passaram a noite por lá, depois da apresentação. A sensação foi de estar em férias com a família. “Acho que os maiores pontos turísticos eram uma borracharia e um restaurante”, conta Andrei, se divertindo com a lembrança. “E foi muito legal, porque é uma cidade com um grande histórico de teatro. Muitos atores e peças passaram por lá. E é uma cidade minúscula!”, destaca Andrei. Para ele, esses momentos de descobertas são os mais importantes. “É porque acontecem com o pessoal do teatro. Não tinha tempo ruim: Vamos se apresentar em tal cidade? Vamos! Vamos se apresentar em um parque? Vamos! Tinha ocasiões que montávamos uma peça só para participar de um festival.”

Mesmo com o apoio da família, a carreira artística também enfrentou percalços. Apesar de terem conseguido formar um grupo teatral na cidade onde residem, Taquara não abre espaço suficiente para esse tipo de arte. Para Andrei, essas é uma de suas frustrações. Segundo ele, os moradores locais não são acostumados a consumir arte, mesmo em festivais e apresentações abertas. Os habitantes de Taquara não são o melhor público para o grupo.
“Tenho amigos em cidades pequenas, como Rolante, que fica aqui do lado, que são acostumadas a ter festivais de teatro. E as pessoas fazem filas, as apresentações lotam”, lamenta o estudante. “Meu grupo nunca focou em ganhar dinheiro com a arte. A gente faz por amor. E reconhecer o artista é o principal. Eu não lembro de quanto a gente já ganhou passando chapéu depois de uma apresentação, mas eu lembro muito bem das pessoas que vieram falar que estava muito legal. É isso que marca no final, a energia que o público te dá, o reconhecimento e o amor pela arte.”
Além do gosto pelo teatro, desde criança Andrei demonstrava interesse também em outra carreira. Sempre desenhando, criava gibis, pôsteres e o que seriam suas primeiras peças publicitárias. “Eu fiquei fascinado com a organização das informações e das imagens. Desenhava menus e brincava com a publicidade”, conta.
Hoje, no curso de Publicidade e Propaganda, sabe que a arte também tem um papel importante no seu próprio senso estético. Andrei observa que esse diferencial faz com que muitos dos seus colegas, inclusive, tenham uma passagem ou interesse especial pelo teatro. “Não é um consumo tão direto como é uma peça de teatro, mas a arte está ligada porque precisamos de senso estético, de uma razão, de um aprofundamento. E a faculdade nos ajuda a refinar isso”, explica o estudante. “Temos mais aulas para debater, conversar e entender como funciona a estética das coisas do que aulas de softwares, por exemplo. No curso, aprendemos a lidar com a estética, o design das coisas e como passar a mensagem, os símbolos, por meio da nossa criação.”

Para depois da pandemia, Andrei brinca que o importante é estar vivo. E depois? “Eu não consigo imaginar nada, o que é legal, porque posso deixar o destino me surpreender. Mas minha meta é me mudar para uma cidade maior, como São Leopoldo ou Porto Alegre”, revela. Com isso, surge a dúvida de que se poderá ou não continuar no grupo. Andrei também quer poder se concentrar na carreira de publicitário. “Quero seguir com o teatro, nem que seja frequentando apresentações. Não quero me distanciar tanto, não quero me desprender.”
Seja como for, é o nosso desejo – o meu especialmente – de que Andrei ainda conquiste muitos espaços, dentro e fora dos palcos da vida.
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]]>The post Festival Espacial da Querência Internética trará diversidade musical appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>O festival é uma realização dos alunos do curso de Produção Fonográfica e está indo para sua quinta edição. Ele é resultado da cadeira de Projeto IV – Festival, onde os estudantes aprendem, na prática, como organizar um festival de música. O professor responsável pela disciplina, Frank Jorge, que também coordena o curso de Produção Fonográfica, diz que a ideia do evento é apresentar bandas e músicos emergindo de todas as regiões do Rio Grande do Sul e garantir uma boa variedade musical.
“Tanto para os alunos organizadores quanto para o público, é importante trazer um festival que dialogue com diversos estilos musicais e respeite todos igualmente. É um evento de caráter amplo e libertário, não segregacionista”, explica o coordenador.
O professor conta também que o festival será composto por uma série de vídeos dos artistas convidados tocando suas músicas, que serão postados no Instagram do curso por meio do IGTV. A produção do material também ficou por conta dos estudantes. E o encarregado por fazer a apresentação do evento é o professor Porã, que entende a necessidade do formato digital como uma oportunidade que vai abrir portas para novos trabalhos da Produção Fonográfica.
“Manter a essência do festival em uma nova plataforma é um caminho para que a gente possa explorar mais esse formato em outras atividades do curso, possíveis outros festivais e iniciativas do curso que vão surgir. Conseguir manter o festival nesse ano tão complicado que estamos vivendo é o mais legal nisso tudo. As bandas e os alunos se empenharam ao máximo. Tenho certeza que o que temos aqui é uma perspectiva bastante inovadora”, diz o professor.

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]]>The post Primeira memória do MAC-RS appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>O evento, na tarde de sábado, reuniu membros da Associação Amigos do Museu de Arte Contemporânea (AAMAC), o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul (CAU/RS), a secretária de Cultura do estado, alunos e professores das universidades envolvidas. Da Unisinos foram 20 trabalhos selecionados das turmas de São Leopoldo e Porto Alegre. Como explicou a professora Karen Haas, mestre em Planejamento Urbano, os estudantes escolhidos fizeram uma prancha síntese, que é uma apresentação resumida da ideia com plantas baixas da estrutura, o entorno do ambiente e perspectivas.

Conforme o arquiteto Márcio Carvalho, presidente da AAMAC, o próximo passo é aproveitar essa rede e ir atrás da consolidação do projeto de captação de verbas junto ao Governo Federal . “Uma vez feito isso, o MAC passa a ter uma vida de exposições e um relacionamento com a comunidade. Isso é um prelúdio do concurso público de arquitetura para a ocupação em potencial do uso efetivo do terreno”, explicou Márcio. Os projetos dos alunos serão, no futuro, a base do edital para esse concurso público.
Segundo o diretor do MAC, André Venzon, a ideia da AAMAC e da Secretaria de Cultura é transformar a mostra dos projetos em uma exposição itinerante, “Da parte da universidade estamos abertos a continuar esses estudos”, concorda a professora Karen. “É uma decisão ainda a ser tomada em relação ao semestre, já que nossos trabalhos vão estar sendo vistos por mais pessoas, multiplicando esse olhar sobre um projeto que é tão importante.”
Um dos trabalhos selecionados foi o do estudante Israel Borges, que também esteve presente para acompanhar o evento. “A gente chegou aqui no começo do semestre e viu um desafio muito grande. Não saía da minha cabeça: como vamos solucionar isso? Ainda mais que estamos no início do curso, em comparação com as outras universidades que participaram. Ver que alcançamos nosso objetivo da mesma forma que eles é bastante gratificante”, conta o aluno. Segundo Israel, as turmas da Unisinos tiveram o cuidado de trabalhar com o terreno já disponível, sem depender de futuras negociações com os terrenos vizinhos.

“O que me orgulha muito é ver o movimento que a gente conseguiu criar ao longo desses seis meses em torno da ocupação do museu”, comemora o presidente da AAMAC. “Não só uma ocupação física, como a gente vê hoje, mas uma ocupação emocional, uma ocupação afetiva. Muitos alunos que participaram desse exercício sequer conheciam o MAC, e hoje têm afeto, têm carinho e estão orgulhosos disso.”
Essa ligação é um passo importante na criação do museu. “Não é só um espaço físico, mas um espaço afetivo, cultural. E para ser bom para todos, deve ser construído por todos e ocupado por todos”, completou Márcio. “Mais adiante teremos o concurso, outros projetos participando, mas esse momento já é a primeira memória do novo MAC.”
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]]>The post Inspiração, Gelatina e outras histórias appeared first on Portal da Indústria Criativa.
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Quando sento em frente ao Espaço Hora do Conto, passo a conversar com Cleia Haubert, atriz e idealizadora da Cia do Riso, que dá vida à Gelatina. Artista inquieta, Cleia fez teatro durante a adolescência e, quando adulta, foi projetista da loja de móveis que manteve por muitos anos. Há 18, no entanto, paralelamente, nascia a Cia do Riso, quando ao fazer uma substituição em um evento infantil como mestre de cerimônias, em um parque de Xangri-Lá, Cleia caiu nas graças de Caburé, um milionário excêntrico da cidade. A partir daí a produtora de teatro da atriz ganhou vida e hoje a Cia do Riso tem várias frentes de trabalho: produz e organiza eventos e espetáculos com exclusividade, anuais ou regulares. “É muito amplo o trabalho da Cia, mas acaba centralizando no projeto que tenho de vida, porque eu faço parte da direção, do figurino, da maquiagem, da criação de texto, etc.”, contou a atriz.
A Gelatina foi a personagem que agradou Caburé, sendo a responsável pelo pontapé inicial da Cia do Riso. Toda a vez que perguntava sobre a boneca, Cleia sorria. O orgulho que sente da personagem é refletido nos olhos da artista. “Ela é o meu exagero, traz referências das minhas ideias de quando eu era criança, do meu imaginário”, explicou. Na infância, Cleia achava que era Emília, do Sítio do Picapau Amarelo, e assim surgiu a construção da personagem. Durante sete anos, Cleia e Gelatina trabalharam com crianças no parque de Caburé, mas a personagem não é querida só pelo público infantil. Ela faz apresentações para desde o ensinos fundamental, passando pelo médio e chegando até os adultos.
Depois de tanta experiência, Gelatina resolveu virar escritora (com a ajuda da Cleia, é claro!), e a primeira edição, realizada em parceria com a Livraria Kadernu’s, contou com mil livros que esgotaram já em outubro deste ano. Cleia resolveu fazer o livro com Carlos Hollmann, proprietário da Kadernu’s, já que ambos têm uma visão parecida sobre o conceito de Feiras de Livros.
É assim que A Terra do Lelé conta a história da criação de Gelatina, que surge do imaginário de Lelé, uma criança que quer ser rei do planeta dele. Juntas, Gelatina e Cleia, tratam de temas importantes e que já devem ser abordados com os pequenos. “Na terra do Lelé, todo mundo é colorido, então as pessoas podem ser da cor que quiserem, logo, elas podem ser do jeito que quiserem”, explicou. A artista, que se define muito como mãe – das filhas e também de todas as pessoas que interagiram com ela através do teatro -, vê o livro também como um filho. Talvez, por ter projetado móveis por tanto tempo, os objetos da vida de Cleia acabam criando vida também. “O livro é um ponto de partida para mim, para que eu possa trabalhar todos esses assuntos que acho pertinentes. Então, eu tenho que começar a carregar esse filho para os lugares para onde vou”, comentou. A história contada por Gelatina tem ilustrações desenhadas por Cleia, que traz a identidade da personagem para as páginas.
Neste momento de minha conversa com Cleia, o público que está no Espaço Hora do Conto começa a demonstrar que parece ser bem exigente. Sentados nos tapetes de EVA, as crianças da Escola Municipal de Ensino Infantil Zozina Soares de Oliveira esperam ansiosas pelo início da apresentação. Cleia se despede de mim e dá lugar, totalmente, a Gelatina. Tagarela e risonha, a boneca agrada o público nos primeiros minutos. O calor não parece atrapalhar tanto as crianças, que ficam atentas a cada movimento da personagem. “Todo mundo tem uma história para contar, mas, agora, eu vou contar a minha história”. Interagindo com o público do início ao fim, nenhuma contação de histórias de Gelatina é igual, já que ela trabalha com o improviso. Metade do espetáculo é o que a platéia oferece e a outra metade é o que já foi idealizado antes.
Depois da primeira apresentação do dia, sigo com Gelatina para o camarim. Ela tem mais três apresentações e precisa se preparar para a próxima. Cleia explica que Gelatina é sempre a mesma, mas a linguagem muda de um público para o outro. A boneca é tão bem recebida por onde passa que é difícil tirar o figurino e voltar a ser a Cleia. “Esse mundo lúdico afasta a gente da realidade e é maravilhoso”, explicou.
A dupla já passou por diversas experiências juntas e elas me contaram algumas. Momentos sempre significativos para as duas são os trabalhos com alunos de inclusão. Cleia conta que na primeira vez que fez uma apresentação na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), uma pessoa com problema de visão na platéia dava muitas gargalhadas durante o espetáculo, apenas com a percepção auditiva. Além disso, as apresentações em hospitais também marcam a vida das duas. “Isso desconstrói as coisas que a gente pensa”, finalizou.
Desde o começo de minha interação com Cleia e Gelatina, combinamos uma brincadeira: que a artista deixaria a personagem entrar em cena para responder minhas perguntas. Peço, então, para a boneca me contar o que aprendeu com a Cleia. “Além de fazer graça e trazer informação de acordo com as coisas que vão se transformando no mundo, ela ensinou a me adaptar a tudo que vemos de novo”, explicou. Nesse momento, Cleia volta para dar a sua resposta: “eu não preciso envelhecer nunca, posso estar sempre viva com essa criança que está dentro de mim”.
Finalizando nossa entrevista, pergunto se há algo que uma gostaria de dizer para a outra. Gelatina levanta, serve um copo de água e fala, com sua voz característica, meio enrolada e infantil, “ai, mas que pergunta difícil”! Com o silêncio que se instaura, é quase possível ouvir as duas pensando juntas. Depois de uma risadinha, Gelatina resolve começar, “não envelhece, porque eu preciso de ti”.
Cleia explica que o mais interessante de seu trabalho são as lembranças que vai acrescentando na sua trajetória. “É meio melancólico, mas acho que é o que tem de mais legal na vida, tu fazer coisas enquanto tens vitalidade, e depois poder envelhecer e visitar essas memórias. Então, obrigada por isso, Gelatina”, confidenciou com emoção.
A obra A Terra do Lelé, de Cleia Haubert, pode ser encontrada na Livraria Kadernu’s, com a escritora (pelo e-mail: ciadorisonh@gmail.com) e, em breve, estará disponível para vendas online. Confira o trabalho da artista na página do Facebook da Cia do Riso.
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]]>The post A forte expansão coreana appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>O k-pop, como é chamada a música pop sul-coreana, se configura como um dos estilos musicais mais populares do momento. Com suas coreografias elaboradas, batidas cadenciadas e conceito estético bem trabalhado, grupos como BTS, Blackpink, 2NE1, Girls’ Generation, entre tantos outros, estão nas playlists de boa parte dos jovens. O professor Álvaro Augusto Leme, que também é um dos coordenadores do curso de Relações Internacionais da Unisinos, explica essa enorme expansão da cultura sul-coreana pelo mundo como o resultado de um planejamento bem rigoroso de crescimento econômico elaborado pelo seu governo.
“Todo o povo asiático, no geral, possui uma determinação muito forte para cumprir suas metas, é praticamente algo cultural para eles. E o governo da Coreia do Sul estabeleceu como meta crescer economicamente e disseminar suas tradições pelo resto do mundo. Por isso, investiram não só na sua indústria tecnológica, que também é muito conhecida por nós, principalmente por marcas como a Samsung e a Hyundai, mas também na sua música”, explica o professor.
Para compreender mais essa expansão da cultura sul-coreana, como ela ocorreu e em que ela acarreta para o país, confira abaixo o documentário feito pelas estudantes Ana Laura Erhart, Camila Gonçalves Haupenthal, Eduarda Pizzatto e Laura Lemos Moraes em uma das atividades do curso de Relações Internacionais:
Não conseguir compreender as letras das músicas não é algo que impede os fãs de k-pop de ouvi-las. Mas há quem prefira beber na própria fonte. Muitas vezes o amor pelos grupos coreanos é forte o suficiente para despertar o interesse em aprender o idioma e se aprofundar ainda mais na cultura. E isso já é possível em muitos locais do mundo, inclusive na Unisinos.
Ainda com o objetivo de disseminar sua cultura, o governo da Coreia do Sul fundou o Instituto King Sejong em 2007 e o espalhou pelo mundo inteiro. Atualmente, ele possui 180 sedes em 60 países, e todas recebem professores vindos diretamente da Coreia do Sul para darem aulas tanto do idioma quanto da cultura coreana. No Brasil, o Instituto King Sejong está presente em Brasília, Campinas, São Paulo – onde há duas sedes – e aqui, no Campus de São Leopoldo.
O representante administrativo do Instituto King Sejong da Unisinos, Max Fritsch, diz que são muitos os jovens que se interessam em aprender coreano. O desafio é seguir até o fim. “O curso possui oito semestres, e os iniciais sempre estão com as turmas lotadas. Quando abrem as matrículas, todas as vagas são preenchidas em poucos dias. Mas os alunos muitas vezes não vão muito adiante. Até hoje, apenas dois estudantes concluíram o curso aqui”, conta Fritsch.
Ele ainda afirma que, de fato, o k-pop é o principal motivo para os jovens procurarem o Instituto e terem interesse em aprender coreano. Porém, eles também recebem jovens com expectativa de fazer intercâmbio para a Coreia do Sul e interessados em trabalhar em alguma empresa coreana.
A professora Sujin Kim, que chegou há três anos para dar aula de coreano no Instituto, confirma que não é um curso simples e a taxa de reprovação nos semestres iniciais é considerável. “O português tem base no latim, assim como o inglês, espanhol, italiano e outros idiomas que vocês estão mais acostumados. O coreano tem base no chinês, então ele é muito diferente para vocês, o que faz ser uma língua complicada. Cerca de 70% dos estudantes são aprovados por semestre, enquanto 30% são reprovados”, conta a professora.

Apesar de não ser um curso fácil, o Instituto King Sejong da Unisinos é considerado uma referência. Em agosto deste ano, ele recebeu o prêmio de Melhor Instituto King Sejong das Américas no American Workshop for King Sejong Institute Directors and Operating Staff 2019. A premiação aconteceu no Centro Cultural Coreano em Los Angeles, na Califórnia.
Quem se interessa em aprender o idioma coreano, mas não gosta de k-pop possui outra alternativa para se acostumar com a pronúncia. São os dramas televisivos coreanos, apelidados de k-dramas. Geralmente eles são transmitidos em forma de minissérie, com uma média de 12 a 24 episódios, e são bastante populares no mundo inteiro, podendo ser encontrados até em serviços de streaming, como a Netflix.
Confira abaixo um pouco do drama coreano “My First First Love”:
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A atividade integrava o evento Diálogos Internacionais, promovido pelo Programa de Pós-graduação em Linguística Aplicada (PPGLA). O tema desta edição foi “Contatos entre línguas e culturas no Sul do Brasil” A ideia era aproximar esses trabalhos e metodologias, além de discutir contatos linguísticos, documentações e estudos dos dialetos alemães falados no Brasil. O grupo, liderado pelo Diretor de Línguas Românicas da Universidade de Kiel, professor Elmar Eggert, está no Brasil para uma viagem de estudos.
E se você acha que a língua foi um problema, está enganado. Todas as apresentações foram na língua de Camões, já que os estudantes e professores da universidade aprendem o português durante a trajetória acadêmica. Por isso, português e alemão estiveram nas principais discussões da manhã. “As pessoas não falam uma língua por decreto, elas tem que querer”, explica o professor Eggert. Linguística, História, Sociologia e até Física foram as áreas tratadas pelos participantes, que apresentaram uma breve explicação das pesquisas que desenvolvem em nível de mestrado e doutorado dos dois países. Conversando com o Mescla, Marko disse ainda que um desafio do debate foi apresentar o trabalho em uma outra língua, que não a materna, e na frente de pessoas desconhecidas e de culturas diferentes. Já a brasileira Sabrina Bastos, doutoranda em Linguística Aplicada na Unisinos, contou sobre como o evento agregou na sua formação. “Tem uma raiz social, porque o pessoal da Alemanha se ocupa de problemas de linguagem no uso e das línguas de contato, isso ajuda na formação enquanto doutorando”, explica a estudante. Para ela, a fala da professora Fernanda Von Mühlen foi o ponto alto da manhã. Fernanda completou o mestrado em Linguística Aplicada pela Unisinos e conversou sobre as políticas linguísticas relacionadas ao hunsriqueano, dialeto alemão falado no sul do estado. “É um trabalho muito bonito, porque ela faz um levantamento da percepção dos falantes, além de analisar o passado e o futuro da língua”, contou Sabrina. Ainda para a doutoranda, e também para grande parte dos participantes, eventos como esse são importantes, já que trazem para o público os bastidores da pesquisa. Como resumiu o estudante alemão de Sociologia, Leo Voigt, em bom português, “muito bom”.
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]]>The post O dia em que as criações da Laiza foram parar na Vogue Itália appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>“A ideia era que estudantes de moda do mundo inteiro enviassem fotos com looks criados pela gente e a história desses looks”, conta Laiza. No caso da estudante gaúcha, a história falava sobre matas e a importância da preservação da natureza: “Diante do contexto em que a gente está vivendo de um desmatamento muito forte, por mais que existam ONG’s como Greenpeace e Avasc que se mobilizam para proteger áreas verdes, ainda não existe um apoio governamental forte. A ideia do tema veio por conta da caipora ser a protetora das matas”, falou Laiza.
Segundo ela, a Casa de Criadores é o primeiro passo para a São Paulo Fashion Week, um dos maiores eventos de moda do Brasil. Mas no meio dessa loucura houve uma reviravolta: uma das fotos com a coleção da estudante que foram produzidas em um antiquário pelo olhar da fotógrafa Manuela Armborst, foi postada no site da revista Vogue Itália, uma das maiores publicações de moda do mundo.
“Eu e minha amiga fizemos a direção de arte das fotos e combinamos de enviar o material para algumas revistas que pudessem publicar […] quando minha amiga mandou o link da postagem eu disse que não acreditava que ela tinha feito uma montagem”. Ela conta que ficou dois dias rindo sozinha. “A gente nunca tem uma noção do quanto o nosso trabalho é bom, até ver que uma das maiores revistas de moda divulgou o teu trabalho”.
Nas fotos é a própria Laiza quem aparece vestindo os looks, a modelo acabou não comparecendo no dia das fotos e Laiza teve que assumir este papel.
Atualmente, Laiza não possui uma marca, mas está em uma fase projetual realizando trabalhos de modelagem específicos que estão servindo para testar seu grau de dificuldade, avaliar o valor a ser cobrado pelas peças, além de questöes de estamparia manual. A aluna pretende unir moda e arte como se suas peças fossem telas em branco, para futuramente inserir uma marca no mercado.
Laiza tem 27 anos, chegou na Unisinos este ano, transferida de outra faculdade e está curtindo muito “Tem sido bem legal, tanto os professores quanto os alunos são muito receptivos e com uma preocupação em me integrar na universidade, apesar de eu estar mais avançada no curso. A estrutura da faculdade e o apoio que eles me deram para entrar no concurso foram muito bons”.
Infelizmente, Laiza não ficou entre os finalistas do concurso, ainda assim, se sente realizada com a experiência: “Só de ter tido a oportunidade de sair no site da Vogue que é uma das maiores referências pra quem tá começando a estudar moda e, principalmente, por ser a Vogue Itália que é o berço da revista, foi mais legal do que ter o prêmio” conta.
Em compensação, a estudante de moda conquistou uma vaga no escritório da Renner, no setor de produto. “Tô amando muito toda a dinâmica e visão de negócio! Tirando isso, tenho me dedicado a projetos paralelos para enriquecer portfólio e me lapidar e isso é fruto do concurso que me fez ver o quanto eu consigo extrair de mim mesma quando me desafio a tentar coisas novas, e cada vez mais complexas” finaliza.


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]]>A cultura DJ surgiu antes da música eletrônica, e Sonia Abreu foi a primeira brasileira a se consolidar no ramo, nos anos 60. Ela tocava em boates underground do centro de São Paulo, mas também em festas high society da cidade. Foi uma revolucionária da música, crescendo na esteira dos movimentos da Jovem Guarda, Tropicália, Rock, entre outros.
Nos Estados Unidos, a cultura DJ se consolidou nos anos 70, em Nova York, com Francis Grasso, o americano que inventou a técnica do beatmatching, a base da técnica do DJ moderno. David Mancuso fundou o The Loft, uma casa de festa em que só se entrava com convite. Ao som disco, essas festas reuniam gays, héteros, brancos, latinos, negros e judeus, que juntos disseminavam os ideais de fraternidade, igualdade e amor.
Ouça o som da Carola

Carolina Alcântara (Carola), 22 anos, é DJ e produtora musical desde 2012, quando tinha apenas 14 anos. Naquele ano, ela ficou em segundo lugar no concurso que elegeu o DJ Revelação do Rio Grande do Sul. Em 2015, tocou para 15 mil pessoas no estádio Maracanã, no Rio de Janeiro, e lançou o seu projeto pessoal: CAROLA. A evolução foi constante. Em 2017, sua primeira música original chegou à plataforma de música digital Spotify, obtendo 500.000 mil reproduções. Recentemente, foi eleita a Melhor DJ do Rio Grande do Sul pelo DJS Awards RS 2019.
Carola conta que o início foi duro. Ela não tinha grana para pagar um curso de DJ, então, baixou o programa Virtual DJ (sim, esse mesmo!) e estudou os princípios básicos de música e mixagem. Em um primeiro momento, ela não recebeu o apoio da família e dos amigos. Outro desafio foi enfrentar alguns preconceitos. “Sou uma mina que estuda pra caramba, e eu faço isso para suprir o que os produtores procuram em DJs mulheres, que é um certo padrão de beleza”, diz Carola, que nunca se considerou o estereótipo da “mina gostosa” que chama a atenção de muitos produtores.
“Eu sempre pensei que quem produz evento tem que me contratar por eu ser boa, e não por eu ser bonita. Eu estudo produção musical a semana inteira, oito horas por dia, e nos fins de semana eu me divido entre os shows. Eu tento mesclar muita coisa que eu curto. Toco bastante hip hop nos meus sets. Geralmente, o break, a parte mais calma da música, é de algum artista que eu gosto ou me identifico. E o drop é a parte mais bombada para a galera dançar. Tenho músicas originais que eu fiz em conjunto com cantores. Algumas foram lançadas e outras ainda vão ser. Nos próximos meses, vou lançar dois remixes oficiais do Francisco El Hombre. Hoje, posso dizer que eu conquistei o meu espaço e o reconhecimento das pessoas” – Carolina Alcântara
Ouça o som da Fernanda
Carola não é a única que busca evolução e visibilidade com seu trabalho. Fernanda Rizzo, 22 anos, cresceu em Canela, na Serra Gaúcha. Iniciou sua carreira como DJ aos 18 anos, quando se mudou para Porto Alegre. Seus pais sempre foram amantes de referências artísticas dos anos 80, como ABBA, Bee Gees, Cher, Tina Turner, Madonna e Barry White.
“Minha relação com a música começou na infância. Pratiquei capoeira por 11 anos, e isso me fez ter uma relação muito forte de ritmo, dança e liberdade de expressão. Quando cheguei em Porto Alegre, comecei a frequentar mais festas e me descobrir ainda mais como pessoa e artista. Eu era amiga de produtores, e tive a oportunidade de fazer um set em um DJ Contest (competição) no club Tabu. Foi um sucesso! Desde então, não parei mais. Toquei por dois anos no estilo open format (sem um estilo musical específico) em diversos clubes da cidade. Mas foi quando eu caí numa festa de música eletrônica, época de Vorlat na rua, que me apaixonei, e vi que ali era meu lugar. Comecei a frequentar e pesquisar música eletrônica até o momento em que eu queria estar tocando. Mas onde eu tocava não tinha espaço para desenvolver esse trabalho. Então, me uni a outros amigos que tinham os mesmos anseios que os meus e fomos para a rua. O coletivo Plano surgiu assim, um movimento criado em 2017 por jovens artistas de Porto Alegre, cujo objetivo é questionar a utilização e preservação do espaço público, bem como sua segurança” – Fernanda Rizzo
Em 2018, Fernanda criou o coletivo GRETA ao lado das artistas Paula Vargas e Mare Viscaino. “Surgiu como uma necessidade gritante na nossa cena, que é composta majoritariamente por homens brancos, cis, héteros”, afirma. A primeira edição da festa ocorreu em 25 de maio de 2018 e trouxe as artistas Clara Moretzsohn a Kika Lopes. Para Fernanda, existem corpos diversos na sociedade, mas espera-se que a mulher seja feminina e siga uma série de regras.
É uma luta! Pensando além do mercado artístico, toda mulher num cargo que é majoritariamente composto por homens brancos e cis precisa lutar muito mais para ter seu espaço. Produtores, DJs e até mesmo o público sempre duvidam da nossa capacidade. Nos tratam com desrespeito, muitas vezes são abusivos, não nos dão espaço para mostrar nosso trabalho” – Fernanda Rizzo
Conheça Nina Sodré
Nina Figueira Sodré, 32 anos, sabe como é conviver com pessoas que desvalorizam seu trabalho pelo gênero. Formada em Design de Moda pela Uniritter, atualmente cursa Psicologia. Produzia festas de hip hop, uma cultura que sempre esteve presente em sua vida. Foi com esse ritmo que Nina conseguiu o primeiro convite para tocar em uma festa.
“Pedi ajuda de um amigo meu. Eu toquei, mas fomos vaiados, porque era uma festa gay e colocar hip hop fugia da temática. Assim, me dei conta de que não existia nenhum lugar em Porto Alegre que tocasse hip hop. Então, eu e meu amigo começamos a fazer nossa própria festa, no Beco. A gente achava que não teria chance, mas deu muito certo. Agora, trabalho apenas como DJ. Eu não tive estômago para produzir mais festas. É um desgaste! Ter que conviver com eles (produtores)! Eu não queria conviver mais com aquelas pessoas. Eu não concordava com a maior parte das coisas que eles faziam” – Nina Figueira Sodré
Nina conta que uma das dificuldade está no fato das festas serem organizadas por homens. “Eu sei que, quando eu fecho um valor, eles choram um monte, e eu sei que eles tão pagando mais para um outro amigo meu que toca exatamente o mesmo tempo”, comenta. A DJ revela que desenvolveu uma personalidade forte trabalhando na noite, mas isso não a exime de mágoas. “Nunca me atraso, tive outras propostas melhores em lugares melhores, mas cumpri o prometido. Você fica a noite acordada e não descansa”, diz.
Ouça o som da Manu
Manuela Solheid, 28 anos, começou a discotecar há seis. Aprendeu com seu ex-namorado, que lhe ensinou o básico e a fez pegar gosto pelo trabalho. Em 2014, tocou no LAB (Sinners), em Porto Alegre, e desde então conquistou outros espaços da Capital, como Beco, Anexo B e Margot. Manu toca o que precisar, mas se sente mais confortável com a música pop. Assim como muitas outras DJs, ela já enfrentou muita coisa.
“Já teve casos de caras que invadiram a cabine pra arrancar os cabos, ou querendo me ensinar como discotecar. Já sofri assédio de técnico de som também. E até nas próprias baladas gay, que são mais meu nicho, rola muito preconceito”, afirma Manuela. Para ela, o mais importante para o DJ é ter a sensibilidade de entender o que o público precisa ouvir e aplicar na música, com uma boa transição.
Manu é publicitária e o trabalho como DJ é uma paixão. Se inspira em artistas como Nervo, Black Madonna, TokiMonsta, Alison Wonderland, além da gaúcha Fran Souza, com quem já teve a oportunidade de tocar. Para ela, a noite é um ambiente que tem seu lado tóxico, e é preciso saber navegar sem se machucar.
“Existe preconceito com mulher tocando, pelo menos vivi isso. Já ouvi várias vezes: “Ah, porque ela namora um produtor de festa ela acha que é DJ” ou “com quem será que ela transa pra tocar na festa” – Manuela Solheid
Uma visita à teoria de gênero…
Márcia Veiga, doutora em Comunicação e Informação e pesquisadora da área de gênero, diz que o espaço público sempre foi visto como um lugar dos homens, enquanto o privado (casa) era direcionado às mulheres. “Algumas profissões acabaram sendo dominadas pelos homens. Na noite, quem é que vai tocar? Por mais que haja mulheres, talvez elas não possam ocupar um espaço de prestígio”, diz a professora.
Para Fernanda, é fazer curadoria musical, leitura de pista e conduzir momentos. Cada estilo musical é diferente e exige uma técnica apropriada, mas esse estudo é totalmente pessoal. Cada um cria a sua identidade como DJ. “Para ser bom nisso, você precisa, antes de tudo, ter personalidade e originalidade. A técnica, o estudo e o conhecimento agregam quando você se dedica a qualquer trabalho com paixão”, comenta a artista e produtora.
Manu comenta que a técnica básica do DJ é o beatmatching (aquela do Francis Grasso), que consiste em colocar as batidas em sync (sincronização) para que a transição entre as músicas seja o mais suave possível. “Eu procuro sempre conhecer o que tem de novidade musical, principalmente música pop, que é mais meu nicho”, diz ela.
Para Carola, o trabalho vai além de mixar as músicas durante a festa. “Eu lidava com praticamente todas as áreas que envolviam o resultado final da minha carreira. Desde o planejamento estratégico do projeto, o booking, as artes de lançamento das músicas, artes de tour dates“, diz a DJ. Além disso, ela também é quem redige os contratos, lida com contratantes, cuida das redes sociais e distribui suas músicas para plataformas de streaming. Carola tem buscado alternativas para descentralizar esse trabalho, como as agências, mas não pretende perder sua autonomia.
Nina investiu em um curso de DJ focado em música eletrônica, por não ser seu estilo musical original. Tudo o que Nina aprendeu foi na vivência, mas tem uma coisa que ela considera essencial para um DJ. “Ser boa é fazer uma boa leitura de pista. Por isso, eu me especializei em abertura de pista, porque ninguém está bêbado e você não pode queimar um hit. É você ter a sensibilidade de olhar para o outro e oferecer uma experiência única”, explica.

GLOSSÁRIO
Beatmactihng: técnica de mixar duas músicas no momento certo e no mesmo tempo.
Booking: venda das datas do artista.
Break: pausa.
Disco: gênero musical que se popularizou década de 1970. Teve suas raízes nos clubes de dança voltados para negros, latino-americanos, gays e apreciadores de música psicodélica.
Drop: virada.Hip Hop: gênero musical, com uma subcultura própria, iniciado durante a década de 1970.
Sets: de set-list, é a lista de músicas que o artista planeja tocar na noite.
Tour Dates: datas de turnê.
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