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Arquivos comunicação digital - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/comunicacao-digital/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Thu, 11 Apr 2024 13:42:07 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 Fabrício Barili: programar para comunicar  https://mescla.cc/2024/04/11/fabricio-barili-programar-para-comunicar/ https://mescla.cc/2024/04/11/fabricio-barili-programar-para-comunicar/#respond Thu, 11 Apr 2024 13:42:05 +0000 https://mescla.cc/?p=19768 Desde criança, Fabrício Barili era apaixonado por informática. Antes de chegar à faculdade, já trabalhava como programador. Na Unisinos, cursou Ciência da Computação por um semestre e meio. Também passou por Análise e Desenvolvimento de Sistemas e até Administração. Foi quando sua irmã apresentou a ele o curso de Comunicação Digital. Na ComDig, Fabrício achou […]

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Desde criança, Fabrício Barili era apaixonado por informática. Antes de chegar à faculdade, já trabalhava como programador. Na Unisinos, cursou Ciência da Computação por um semestre e meio. Também passou por Análise e Desenvolvimento de Sistemas e até Administração. Foi quando sua irmã apresentou a ele o curso de Comunicação Digital. Na ComDig, Fabrício achou o encontro perfeito entre os seus gostos. “Eu não queria programar por programar, eu queria programar para comunicar”, revela. 

Como um bom “ComDiger”, o egresso gosta de explicar as áreas da comunicação que uma pessoa que se forma no curso pode atuar. “Vai de programador até editor de vídeo, mas sempre com um olhar voltado para a comunicação e o entendimento do usuário”, detalha Fabrício. Segundo ele, o profissional deve conseguir enxergar como as plataformas digitais atuam na sociedade, e como a sociedade atua nas plataformas. “Olhamos criticamente os movimentos que acontecem na comunicação por meios digitais”, pontua. 

Liberdade para criar  

Fabrício é um “ex-agexconiano”, como se costuma chamar quem já trabalhou na Agexcom da Unisinos. Ele conta que a Agex teve um papel fundamental na sua carreira, pois quando começou a estagiar, estava fora do mercado há um tempo. Fabrício lembra que a agência foi um local acolhedor, que lhe dava liberdade experimental para criar. “Foi o ambiente que me fez ter o tempo necessário para poder desenvolver atividades que me levaram além”, comenta. 

Fabrício (à esquerda), com o colega Robert, em sua passagem pela Agexcom, imitando repórteres esportivos em véspera de copa (Foto/Arquivo Pessoal) 

Explorar além das plataformas 

Atualmente, Fabrício enxerga o mercado de comunicação digital como abstrato, em que as pessoas são classificadas com códigos em função dos seus gostos, tornando mais fácil fazer anúncios, vídeos e postagens. “Ao mesmo tempo que fica mais democrático, a gente se torna mais refém dessas plataformas”, avalia. Para Fabrício, o desafio agora é subverter essa abstração e facilidade para explorar além do que as plataformas proporcionam.  

Dentro de sua área, Fabrício destaca profissionais que admira. Entre eles, estão Tim Berners-Lee, criador do protocolo http, e os primos Jaydson Gomes e Felipe Nascimento de Moura, criadores do BrazilJS, que defendem uma internet livre, em que todos possam ter acesso, uma ideia de comunicação sem fronteiras. Ele também cita o seu orientador de mestrado, Rafael Grohmann, e gosta de como o jornalista Guilherme Felitti, que produz o podcast Tecnocracia, aborda os novos assuntos tecnológicos.  

Pensando no usuário 

O primeiro passo de Fabrício depois da graduação foi começar o mestrado em Comunicação. Enquanto isso, ele já estava em atuação na empresa de tecnologia Pmweb, localizada perto da Unisinos de Porto Alegre. Começou no local como analista de campanhas digitais e se tornou coordenador ao longo dos 4 anos em que ele esteve por lá. Como profissional de ComDig e com as habilidades de programação que possuía, conseguia auxiliar outras equipes a montarem projetos e estratégias de marketing, além de aplicá-las. 

Fabrício lembra de uma situação que viveu, e como o “olhar crítico” pensando no usuário foi útil. Um dos clientes da Pmweb estava enfrentando problemas com pagamentos em seu aplicativo. Para avisar os usuários, eles estavam enviando notificações, que rapidamente sumiam e não ficavam salvas. A solução que Fabrício encontrou foi substituir a ferramenta pelo uso do SMS. Segundo ele, embora essa tecnologia seja um modo de comunicação digital mais antigo, nesse caso específico era o mais eficiente a ser feito. “O profissional de ComDig tem a habilidade de entender de todas as tecnologias, novas ou mais antigas”, complementou. 

Atualmente trabalhando na SAP, uma das líderes mundiais na criação de softwares de gestão de empresas, Fabrício é responsável pelo suporte de um produto de pagamento de comissões da empresa. Apesar de estar exercendo uma função diferente de sua empresa anterior, ele consegue atuar como comunicador digital dentro dessa nova empreitada. “A função permite o olhar a partir do ponto de vista do usuário e do ponto de vista da comunicação dentro da SAP, que é uma empresa muito tecnológica”, explica. 

Fabrício também possui publicações nacionais e internacionais na área da comunicação, sempre pautado pelos assuntos que viu no curso de Comunicação Digital, como também pelas pesquisas que fez em seu mestrado. 

Fabrício em um de seus estágios estudando inbound marketing (Foto/Arquivo Pessoal) 

Sonho de ser professor 

Assim como a tecnologia está em constante mudança, a comunicação digital também está. Porém, Fabrício não acredita que no futuro necessariamente teremos mais tecnologia. O grande desafio da área, na opinião do profissional, vai ser diferenciar o “orgânico” do “inorgânico”. “Irão existir coisas produzidas pelos humanos e coisas fabricadas a partir dessas primeiras coisas”, projeta. 

Apesar de ter passado pelas áreas do marketing e da programação, Fabrício compartilha um sonho que pretende realizar: trabalhar dentro da área acadêmica como professor. Para isso, ele planeja, dentro de 4 a 6 anos, concluir o doutorado, para, assim, ter espaço nas salas de aula de uma universidade. 

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Projeto quer compartilhar conhecimento sobre comunicação digital para a sociedade https://mescla.cc/2021/07/09/projeto-quer-compartilhar-conhecimento-sobre-comunicacao-digital-para-a-sociedade/ https://mescla.cc/2021/07/09/projeto-quer-compartilhar-conhecimento-sobre-comunicacao-digital-para-a-sociedade/#respond Fri, 09 Jul 2021 18:08:59 +0000 http://mescla.cc/?p=15261 Os alunos da disciplina de Tópicos Especiais de Mercado 2, do curso de Relações Públicas da Unisinos, criaram o Incentiva & Cria. O projeto tem como objetivo levar a pequenas empresas e microempreendedores ensinamentos sobre comunicação digital. O nome se origina, segundo a turma, no desejo de incentivar as pessoas a criarem esse tipo de […]

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Os alunos da disciplina de Tópicos Especiais de Mercado 2, do curso de Relações Públicas da Unisinos, criaram o Incentiva & Cria. O projeto tem como objetivo levar a pequenas empresas e microempreendedores ensinamentos sobre comunicação digital. O nome se origina, segundo a turma, no desejo de incentivar as pessoas a criarem esse tipo de trabalho. 


Segundo a professora da disciplina, Polianne Espindola, o Incentiva & Cria surgiu a partir de um desafio proposto por ela aos estudantes. “Passamos o primeiro mês de aula pensando em como poderíamos criar algo que devolvesse à sociedade o conhecimento conquistado no curso. A partir dessas discussões, percebemos como várias empresas precisam se atualizar no modo de utilizar as redes sociais”, explica Poli.


Para o aluno Guilherme Gomes, a necessidade trazida pela pandemia de se utilizar as redes sociais de uma maneira mais contundente ajudou na idealização do projeto. “Ele tem como objetivo ajudar as pessoas que talvez não tenham nenhum conhecimento sobre o assunto e também que já possui alguma familiaridade”, conta o universitário. 


O Incentiva & Cria já possui parceria com dois outros projetos da Unisinos: Tarin e Rede Solidária São Léo. Assim, os conhecimentos sobre comunicação digital são disponibilizados às pessoas assistidas nessas iniciativas. Poli revela que a meta é continuar com o Incentiva & Cria nas turmas de Tópicos Especiais de Mercado 2 dos próximos semestres. “Nosso objetivo é alcançar mais pessoas e evoluir o projeto para ser extensionista”. 
Para saber mais sobre o Incentiva & Cria, acesse o site ou o perfil no Instagram.

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A publicidade e o uso de dados https://mescla.cc/2021/03/23/a-publicidade-e-o-uso-de-dados/ https://mescla.cc/2021/03/23/a-publicidade-e-o-uso-de-dados/#respond Tue, 23 Mar 2021 16:34:19 +0000 http://mescla.cc/?p=14783 A publicidade evolui junto com os modos de consumo do público. Cada vez mais, nota-se a preocupação de marcas em destacar uma boa imagem. Aliado a isso, o uso de dados tem contribuído para que empresas alcancem horizontes mais amplos para o setor. É sobre isso – e também sobre os desafios de navegar no […]

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A publicidade evolui junto com os modos de consumo do público. Cada vez mais, nota-se a preocupação de marcas em destacar uma boa imagem. Aliado a isso, o uso de dados tem contribuído para que empresas alcancem horizontes mais amplos para o setor. É sobre isso – e também sobre os desafios de navegar no mercado de trabalho – que o Mescla conversou com o publicitário Mateus Gobbi, de 26 anos. Formado há três anos em Publicidade e Propaganda pela Unisinos, atualmente é analista de inovação na agência Paim Comunicação, de Porto Alegre. Além da Paim, Mateus já trabalhou na Prefeitura de Caxias do Sul e nas empresas Ezoom, Batuca e 8 Total Brand.

Mateus, de branco, com a equipe da Paim Comunicação (Foto: Arquivo Pessoal)


“A Unisinos teve um papel bem relevante na minha história profissional, e ela influenciou também na minha mudança para Porto Alegre, algo que eu sempre quis fazer”, conta o publicitário, natural de Caxias do Sul. Trabalhando em agências de comunicação desde 2015, Mateus teve a oportunidade de experimentar diferentes áreas da profissão, do atendimento ao planejamento. Foi nessa caminhada que descobriu o universo dos dados para a comunicação. 


Quando mudou-se para a Capital gaúcha, colocou em prática o “confronto de âmagos” que ele acredita ser crucial. Para Mateus, uma cidade cosmopolita como Porto Alegre poderia lhe oferecer essa chance.  


Ouça a instigante conversa – e muito mais – no novo episódio do MesclaCast.

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Microssérie explora o território nas atividades comunicacionais https://mescla.cc/2020/10/22/microsserie-explora-o-territorio-nas-atividades-comunicacionais/ https://mescla.cc/2020/10/22/microsserie-explora-o-territorio-nas-atividades-comunicacionais/#respond Thu, 22 Oct 2020 18:20:53 +0000 http://mescla.cc/?p=14201 Você tem curiosidade em estudar como os territórios impactam nas diversas atividades comunicacionais? Uma boa oportunidade de se inteirar e aprofundar mais sobre o assunto é assistir a microssérie “Territórios Afetivos da Imagem e do Som”, disponível no canal do projeto no YouTube. Nos três episódios, que possuem duração aproximada de 15 minutos cada, 12 […]

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Você tem curiosidade em estudar como os territórios impactam nas diversas atividades comunicacionais? Uma boa oportunidade de se inteirar e aprofundar mais sobre o assunto é assistir a microssérie “Territórios Afetivos da Imagem e do Som”, disponível no canal do projeto no YouTube.


Nos três episódios, que possuem duração aproximada de 15 minutos cada, 12 pesquisadores ligados ao projeto refletem sobre as próprias pesquisas, lembram suas trajetórias acadêmicas e vislumbram o futuro da área em meio aos processos turbulentos dos dias atuais.


Os vídeos são resultado do projeto de pesquisa “Cartografias do Urbano na Cultura Musical e Audiovisual: Som, Imagem, Lugares e Territorialidades em Perspectiva Comparada”, criado em 2013 a partir de edital do Programa Nacional de Cooperação Acadêmica (CAPES/PROCAD). Por trás do estudo estão pesquisadores de três universidades brasileiras. O grupo de professores formou, assim, uma rede brasileira de estudos sobre o universo midiático que circula pelas ambiências digitais.


Território


A microssérie faz um esforço para explicar como a pesquisa teórica na área pode beneficiar o dia a dia de estudantes e pessoas pouco familiarizadas com a temática. Adriana Amaral, professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM) da Unisinos, foi uma das coordenadoras do projeto. Ela cita a pandemia como um dos exemplos mais fáceis para visualizar a proposta do estudo. “Agora, com o isolamento social, temos um problema que tem a ver com o nosso território. Ficamos restritos a um espaço físico menor para nos movermos. Ao mesmo tempo, aumentou o acesso às plataformas de streaming.” 


Pode-se dizer que é um projeto que estuda as práticas comunicacionais tanto nas redes quanto nas ruas. “Tem impacto direto em como a sociedade lida com a cultura, com fenômenos de produção cultural, por meio de videoclipes, de mobilizações nesses territórios. E até como lida com o barulho do vizinho”, exemplifica Adriana.

Primeiro episódio: a importância de se entender a comunicação como um lugar de produção de sentidos, portanto, de invenções (Imagem: reprodução do YouTube)


A pesquisa se divide em vários focos, entre música e som, tudo reunido sob a noção de que o território modifica os significados. Os pesquisadores se aprofundaram no cinema nacional contemporâneo, no cinema internacional, nas paisagens ou na música da periferia. Esse é o debate principal do primeiro vídeo da microssérie, que destaca também a importância de se entender a comunicação como um lugar de produção de sentidos, portanto, de invenções. 


Para Adriana, é primordial que a comunicação consiga enxergar as imagens e os sons, a música, o cinema e até mesmo a arte como parte parte do território. “Esse é um debate sobre a sociedade e o espaço de todos as pessoas, já que, ocasionalmente, acompanhamos processos de ataque à gêneros musicais populares, como o funk”, explica. No primeiro episódio, os pesquisadores reforçam a chamada de atenção para a quantidade de informação que é debatida, reforçada pela própria música popular brasileira. 

Segundo episódio: o debate acompanha a performance das pessoas nas redes sociais, com enfoque nos indivíduos pesquisados  (Imagem: reprodução do YouTube)

No segundo episódio, o debate gira em torno dos comportamentos urbanos e como eles se relacionam com a cultura digital, em que as redes digitais possibilitam o crescimento de comunidades. Nesse ponto, ainda que altamente teórico, o debate acompanha a performance das pessoas nas redes, com enfoque nos indivíduos pesquisados pelos envolvidos no projeto, e as imagens que se tornam virais, com um significado criado pela própria imagem. Além disso, os pesquisadores também trabalham com ativismos de fãs, imagem e sexualidade, e vários elementos que se relacionam com imagens vistas todos os dias pela sociedade.


Questões como cancelamento, retratação pública, readaptação de performance e cyberbullying são alguns dos desdobramentos que implicam interesse para fora da academia. “Os memes, as imagens virais, o ressignificado de imagens por fãs ou internautas são assuntos que acabam se relacionando com a pesquisa, e é essa troca que os pesquisadores comentam no segundo curta”, detalha a professora Adriana.

Terceiro episódio: globalização e desigualdade com o avanço do cenário musical nas redes  (Imagem: reprodução do YouTube)


No episódio 3, a cultura pop assume a frente da discussão, já que, apesar da premissa de ser global, sofre marcação do território onde é produzida ou consumida. “Um exemplo são os videoclipes de funk que conquistaram o mundo a partir de cantoras nacionais, como Anitta e Ludmilla, que são rotulados como periféricos, mas saem desse território”, sublinha Adriana. Nessa discussão, os pesquisadores misturam globalização e desigualdade com o avanço do cenário musical nas redes.


O projeto


A pesquisa, que chegou ao fim em 2020, analisa o cenário político e cultural que mudou radicalmente nos sete anos de duração do projeto, e trespassa as informações do contexto com o conhecimento produzido pelos 12 pesquisadores associados. Além da Unisinos, participam a Universidade Federal Fluminense (UFF), com a coordenação de Simone Pereira de Sá, e a Universidade Federal de Pernambuco (UFP), com coordenação de Jeder Janotti Junior


Além da microssérie, as trocas de conhecimento e os cursos promovidos pelo grupo de pesquisa ganharam os espaços acadêmicos por meio de outros materiais. “Produzimos várias publicações, capítulos de livros, e agora vão sair dois e-books pela editora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que não participou da pesquisa, mas veio ajudar na questão dos livros”, conta Adriana. Será lançado até o final do ano um documentário em versão extendida, além de um episódio no podcast Diva Pop. O projeto promoveu ainda um seminário, cujas mesas estão todas disponíveis no Facebook


Segundo Adriana, houve o cuidado da produção ir além da entrega acadêmica tradicional, que são os capítulos dos livros e artigos. “A gente queria ter um pé muito forte nessa questão dos produtos midiáticos, na popularização da ciência. Fazer circular esses materiais”, enfatiza a pesquisadora.

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As duas metades da uva https://mescla.cc/2020/09/14/as-duas-metades-da-uva/ https://mescla.cc/2020/09/14/as-duas-metades-da-uva/#respond Mon, 14 Sep 2020 17:28:18 +0000 http://mescla.cc/?p=13912 “Nós somos a Uva Light.” É assim, como se estivessem iniciando um show, que Henrique Martiny e Jonas Lazaretti se apresentam. Apesar da dupla de músicos de Gramado, na Serra gaúcha, ter começado sua trajetória artística cedo, elas só se cruzaram há pouco tempo.  Henrique é estudante de Comunicação Digital na Unisinos e vem de […]

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“Nós somos a Uva Light.” É assim, como se estivessem iniciando um show, que Henrique Martiny e Jonas Lazaretti se apresentam. Apesar da dupla de músicos de Gramado, na Serra gaúcha, ter começado sua trajetória artística cedo, elas só se cruzaram há pouco tempo. 


Henrique é estudante de Comunicação Digital na Unisinos e vem de uma família musical. Aos 12 anos, começou a frequentar aulas de música. Passou por algumas bandas, entre elas, a Urso Polar, de estilo autoral indie. Acabou saindo da banda pela vontade que tinha de fazer músicas em português. “Isso começou a se encaminhar no momento que eu encontrei o Jonas. A gente consegue executar esse desejo de fazer um som que inclua as nossas referências, que inclua rock, psicodelia e todas as coisas que a gente gosta, mas com uma abordagem mais brasileira”, explica.


Jonas não queria fazer música, confessa, mas a mãe insistiu para que ele fizesse algo que desse frutos no futuro. Ele, então, aprendeu a tocar um pouco de tudo. “Na primeira banda, eu, particularmente, não gostava do som, mas gostava de tocar”, brinca. Jonas passou por várias bandas, algumas, inclusive, tocavam na TV. “Eu achei que era um objetivo a ser alcançado, até eu perceber que não estava satisfeito”, lembra. A partir daí, a procura passou a ser por uma banda autoral, cuja música ele gostasse de fazer. 


As duas metades da uva, como gostam de brincar, se encontraram no processo de produção musical realizado por Jonas. Henrique o ajudava nas tarefas. Em uma jam session – quando os artistas tocam no improviso, sem ensaio -, uma música agradou os dois. Depois, durante um café, em uma pausa nas gravações, eles tiveram a ideia de nome para uma banda. “A gente não sabia que tipo banda seria a Uva Light, aí pensamos: ‘vamos ser a Uva Light’”, conta Henrique. 


Na banda, a dupla é responsável por toda a parte de criação e produção. São eles que gravam as baterias, os baixos, os vocais e os teclados. “O nosso desafio sempre foi chegar em um produto final. Por isso, a gente decidiu que, para chegar no som que a gente queria, tínhamos que manter essa formação”, explica Henrique.


O processo de se tornar artista foi dividido em três momentos, segundo Henrique: “No primeiro, a gente executava coisas que já foram feitas, aprendíamos a tocar guitarra como os guitarristas que a gente gosta, treinávamos as músicas para fazer show com banda cover. Depois, teve o momento de criar, tendo esse papel ativo. E, por fim, o momento de agora, de lançar, de colocar paras pessoas, não só pra gente”. Jonas completa o amigo ao comentar sobre o processo de aceitação: “Não vai soar como o Fulano porque tu não é o Fulano”, brinca.


O reconhecimento como artista vem como resultado de todo esse caminho. “É no momento que a gente sobe no palco para fazer um show que não tem nenhum cover, que é tudo nosso, que a gente tá colocando a nossa cara para as pessoas”, conta Jonas. “Tem momentos que tu te percebes, mas não assume. Artista é uma palavra forte, é complicado dizer ‘eu sou artista’, porque envolve muita coisa. A gente se percebeu antes, mas tem aquela sensação de fazer algo que respeita artisticamente. Foi nesse momento”, completa Henrique. O sentimento de ser artista está presente na dupla e foi tema da primeira música lançada pela banda, “Serração”.


A quarentena trouxe pontos positivos para a Uva Light. Um deles foi a mudança de moradia de Henrique, que voltou para Gramado no início do isolamento social. A aproximação geográfica da dupla auxiliou no desenvolvimento do álbum “Serasse”, que tem lançamento programado para o dia 24 de setembro. Muitos desafios foram enfrentados nessa empreitada. Entre eles, as gravações, realizadas no quarto de um deles, já que não podiam ir ao estúdio devido à pandemia. “Acho que toda a dificuldade que um artista tem acaba se tornando um motivo, se tornando parte da obra dele”, avalia Henrique.


Uma das inspirações da Uva Light é a Serra gaúcha. “Acho que isso reflete em todo tipo de artista, o meio que tu tá vivendo, o que acontece ao teu redor. A gente joga toda a vivência dentro do liquidificador, tenta tirar um suco daquilo e, no final, vira arte”, explica Jonas. “Serasse” acabou se tornando um trabalho experimental para Jonas e Henrique. Eles se desafiavam e tentavam ver como a banda soaria em diferentes ritmos e situações.


Henrique escolheu estudar Comunicação Digital para encontrar soluções para o mercado cultural. “Eu estudo para isso. Não é que eu faço música e minha carreira é a comunicação digital. Essas coisas estão totalmente ligadas”, avalia o estudante, que cursa atualmente o quarto semestre. A arte é tão presente na vida da dupla que eles não conseguem pensar em nada que não esteja, de alguma forma, envolvido com a música. Da Uva Light às composições solo, até à produção de eventos. Tudo acaba nisso.


As músicas da Uva Light estão disponíveis em todas as plataformas de streaming, e os meninos também as disponibilizam por WhatsApp. “A gente abre qualquer parte das tracks e manda, porque, para nós, isso é muito legal, de como as pessoas se apropriam do que a gente fez”, conta Henrique. As divulgações do álbum também vão ocorrer pelo Apoia.se – plataforma de financiamento coletivo. A produção de vídeos irá para o canal no YouTube da banda. 


Com o álbum quase lançado, a dupla começa a receber alguns retornos, e isso motiva eles. “Quem ouvir o ‘Serasse’ vai ter uma gama de músicas, e acho que o que mais retorna para gente é isso, que as pessoas não esperavam que a gente fizesse aquele som”, revela Jonas. “A gente também quer desafiar nossos ouvintes, porque são nove músicas e cada uma delas em diferentes cores, digamos assim”, completa Henrique. Mesmo sendo uma banda recente, a Uva Light já tem diversos planos para o futuro. Um EP está programado para sair um tempo depois do lançamento do “Serasse”, e eles já estão começando o processo para o segundo álbum – além de terem algumas composições para um terceiro. “A gente tem várias ideias, e uma coisa que a gente aprendeu na Uva é que a gente pega elas na unha, a gente não perde as ideias”, comenta Henrique. 


Mas as duas metades da uva fazem um único pedido aos interessados pelo álbum: escutar, pela primeira vez, do início ao fim. “Ele foi pensado com muito carinho para ser uma sequência de músicas, e foram dois anos trabalhando para fazer ele”, diz Henrique.

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A era pós-digital e o que se espera de seus profissionais https://mescla.cc/2019/11/08/a-era-pos-digital-e-o-que-se-espera-de-seus-profissionais/ https://mescla.cc/2019/11/08/a-era-pos-digital-e-o-que-se-espera-de-seus-profissionais/#respond Fri, 08 Nov 2019 20:31:21 +0000 http://mescla.cc/?p=12101 Chega ao fim nossa cobertura do FIC19 – Festival de Interatividade e Comunicação -, evento que ocorreu no fim do mês de outubro. As palestras foram divididas em três tracks, sendo elas: conteúdo e engajamento; experiência e consumo; tecnologia e convergência. O festival reuniu diversos profissionais em torno de um tema central: a “Nova Ordem […]

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Chega ao fim nossa cobertura do FIC19 – Festival de Interatividade e Comunicação -, evento que ocorreu no fim do mês de outubro. As palestras foram divididas em três tracks, sendo elas: conteúdo e engajamento; experiência e consumo; tecnologia e convergência. O festival reuniu diversos profissionais em torno de um tema central: a “Nova Ordem Digital”.


Os repórteres do Mescla estiveram presentes nos dois dias de evento e separaram mais alguns cases, que fecham este especial. Ficou interessado no assunto e não conseguiu ir no FIC? Confere as reportagens que preparamos: a primeira e a segunda podem ser encontradas aqui.

Painel: Para onde vai a comunicação no mundo pós-digital?

O impacto da era pós-digital na comunicação

Por Lisandra Steffen

O novo jeito de fazer publicidade foi tema de painel da FIC19. (Foto: Lisandra Steffen)


Qual o futuro da comunicação na era pós-digital? Essa foi a pergunta que a FIC19 tentou responder. Com um painel composto de profissionais de diversos sindicatos e associações, o debate focou, principalmente, no mercado publicitário. A Era Pós-Digital é a realidade na qual a tecnologia está presente em todos os aspectos da sociedade e os convidados debateram sobre isso com base nas experiências que tiveram ao longo dos anos.


Os convidados para fazer parte do painel foram: Fernando Silveira, presidente da Sinapro-RS; Liana Bazanela, presidente da Associação Riograndense de Propaganda e co-fundadora da Do it; Alexandre Skowronsky, Presidente da Associação Brasileira de Agências de Publicidade; e Moyses Costa, Presidente da ABRADI-RS.


Diversos tópicos surgiram durante a conversa, mas o principal foi a conexão e a interação entre conteúdo, propagandas e público. Para Liana, o público quer interagir com uma propaganda que não pareça uma propaganda de fato. A publicitária acredita que a publicidade deve ser feita de forma que não atrapalhe o consumidor. Logo, a pergunta a ser respondida, na opinião da profissional, é: “como entrar em um diálogo de forma natural e sem ditar regras?”. Os palestrantes concordaram que existe uma necessidade de evoluir as estratégias de marketing para além da simples aquisição de um produto. Não se pode esquecer que comunicação é emoção.


Mais uma vez a convergência de plataformas se fez presente. Segundo os palestrantes, é essencial lembrar, ao fazer uma campanha, o contexto e o momento em que os públicos estão inseridos, uma vez que estão todos no mundo digital. Mesmo assim, o online e o offline ainda andam juntos e a importância de uma marca é feita através da experiência do usuário.

Patrícia Sant’anna

Como analisar o perfil das novas gerações para entender o presente e o futuro do consumo

Por Bruna Lago

O desaceleramento da economia e uma disputa de gerações foi o tema discutido por Patrícia Sant’anna (Foto: Bruna Lago)


A fundadora da Tendere — Pesquisa de Tendências e Soluções em Negócios Criativos, Patrícia Sant’anna, trouxe para debate o impacto das gerações que já estão transformando a forma como nos relacionamos com as marcas e o mundo online. O mercado, diz ela, precisou acompanhar a exigência de experiências que a geração Z demanda, e agora,  a geração Alpha (nascidos a partir de 2010). Para este último grupo, salvar o mundo é mais importante do que alcançar status social, então compreender este novo consumidor é tarefa tão sensível quanto lógica. O conflito de gerações pode ser ideológico, mas também é de como cada uma delas se relaciona com a tecnologia. 


Patrícia Sant’anna lidera na Tendere o time de pesquisadores que trabalham na construção de soluções criativas e personalizadas. Um dos diferenciais da empresa é envolver a antropologia para compreender tendências de segmentação. Além da sua experiência como geradora de inovação para marcas como Itaú, Renner e Samsung, Patrícia é coordenadora na pós-graduação em Pesquisa de Tendências e Comportamento do Consumidor na Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo, onde também leciona. 


“Atualmente temos cinco gerações ativas, e há conflitos. Isso é inevitável, mas também não é ruim. Só depende da maneira como você leva dentro do ambiente de trabalho. A Z é a geração que vai para a briga. Não é uma geração de consumo, eles consomem o mínimo e preferem gastar com experiência, buscam o custo benefício e formas de ajudar o mundo de alguma forma. E isso é mais forte ainda na Alpha. A Alpha é uma geração onde 67% das crianças quer descobrir uma maneira de salvar o mundo.”, explica Patrícia. Nativos da tecnologia e de olho no futuro do planeta, as crianças que hoje ensaiam sua participação no mercado e já exigem dele sensibilidade.

Renata Borges

Não basta pensar no cliente de hoje, é preciso planejar quem mais pode vir a se tornar um. E o novo cliente deve se apropriar dos valores da marca

Por Bruna Lago

A experiência de uso novamente em foco. Para Renata Borges, o valor de uso é a aposta da década (Foto: Bruna Lago)


A inovação nem sempre vem de onde esperamos. Layout inclusivo, embalagem mais prática e interface interativa são exigências do mercado. O melhor produto também precisa gerar a melhor experiência de uso, e é pensando nesses elementos que negócios como Airbnb, empresa que só tem 11 anos no mercado, apostam hoje.  Os valores emocionais conquistam tanto quanto um preço acessível. 


Esse foi o destaque da fala da gerente de marca e design da Samsung, Renata Borges. Ela tem mais de vinte anos de experiência com criação e gerenciamento de experiência e informação do usuário, mesclando comunicação comercial, design de interface e sistemas interativos para produzir a melhor relação entre marca e consumidor. 


“É preciso trabalhar com soluções de alto valor e baixo risco para chegar a um engajamento efetivo. O design hoje precisa pensar no futuro. O que as pessoas vão fazer com o meu produto amanhã? Porque o ideal é que elas queiram usar ele para sempre”, instiga Renata. Ainda usando o Airbnb como exemplo, ela lembra que a ideia da empresa  surgiu a partir de uma troca de e-mails de conhecidos que gostariam de se hospedar por temporada em ambientes mais confortáveis do que hotéis. Desde então, a interface mudou, a maneira de se relacionar mudou, mas o propósito do serviço se manteve, como um valor intrínseco do negócio.

POA Inquieta

Em busca de uma nova Porto Alegre através de trabalhos voluntários e da fomentação da economia criativa

Por Pedro Hameister

O coletivo POA Inquieta trabalha voluntariamente para mudar a cidade através da economia criativa (Foto: Pedro Hameister)


Diversos integrantes do coletivo POA Inquieta estiveram presentes na FIC19 para mostrar que a diferença pode ser feita quando todos se unem com um objetivo em comum. Cada palestrante representava um projeto organizado no grupo. Porém, apesar de seus trabalhos serem diferentes uns dos outros, todos eles possuem um objetivo em comum: transformação.


POA Inquieta é formado por um coletivo de pessoas que acredita na produção de mudanças na capital através do incentivo à economia criativa. O grupo promove encontros para trocar ideias, realiza projetos, organiza eventos culturais e explora todas as possibilidades de trazer inquietação para a capital gaúcha. Todas as atividades são abertas ao público e organizadas voluntariamente.


O grupo atua nas mais variadas áreas, como educação, sustentabilidade, turismo, mobilidade, entre outros. Dentro de cada um desses segmentos, diversos projetos e iniciativas são criados para promover uma nova visão sobre Porto Alegre e trazer mudanças para a cidade. Sempre priorizando os espaços culturais da capital e tudo o que ela tem a oferecer para fomentar sua economia criativa. “A ideia é realmente atrair pessoas pela nossa variedade de projetos. Basta escolher aquele com que você mais se identifica e se juntar aos trabalhos”, explicou Márcia Martins, uma das representantes do POA Inquieta presentes no FIC19.


Projetos que trabalham com jovens em situação de vulnerabilidade, orientações pedagógicas para pais e crianças, inclusão e economia local foram trazidos para o festival. Apesar de o trabalho feito pelo coletivo ser apenas em Porto Alegre, nem todos na plateia moravam na capital gaúcha. Ao saberem que ao menos dois deles eram do Vale dos Sinos eles provocaram: “Vocês podem se juntar e criar o Novo Hamburgo Inquieta”. Fica a dica.

Thiago Esser

O crescimento do designer de experiência de usuário através de sua atuação no mercado

Por Pedro Hameister

Thiago Esser acredita que o incentivo do próprio local de trabalho é necessário para o crescimento dos profissionais de UX Design (Foto: Pedro Hameister)


O designer digital Thiago Esser trouxe para o FIC19, na track de Experiência e Consumo, a forma como se encontra atualmente o mercado de trabalho para designers de experiência de usuário no Brasil, e como ele ainda pode evoluir. Fornecer espaço para o profissional trabalhar e criar, e incentivá-lo a colocar mais ideias em prática, foram algumas sugestões que o palestrante apontou. “E se, além do espaço acadêmico, as empresas também fossem responsáveis pela formação dos profissionais?”, questionou Esser .


Esser é formado em Artes Visuais pela UFRGS e em Publicidade e Propaganda pela PUC-RS. Já trabalhou na área de design para o Grupo RBS, para a empresa de tecnologia de informação e serviços Intelly e para a plataforma uMov.me. Atualmente, é professor da Uniritter e organizador da UX Conference, fundada em 2015, que reúne profissionais de design de experiência de usuário para uma série de palestras e troca de informações.


O design de experiência de usuário, chamado também de UX Design, é um ramo da profissão que atua na relação do consumidor com o produto. O objetivo desse profissional é garantir que o cliente fique satisfeito em todas as etapas que há no consumo de um determinado serviço. Desde o preenchimento facilitado de um formulário, até na configuração simplificada de um produto e no recebimento dele em uma embalagem fácil de abrir.


Em sua palestra, Esser afirmou que o UX Design no Brasil ainda precisa amadurecer para se consolidar de vez. Um desafio, por exemplo, é trazer visibilidade para profissionais mulheres, visto que esse ramo é predominantemente masculino. “A diversidade no UX Design ainda está começando a surgir. Mesmo quando o trabalho é feito em cima de um produto destinado para mulheres, frequentemente a parte da experiência de usuário é realizada por homens”, afirmou o palestrante.

Luísa Fedrizzi

Para serem lembradas, as marcas precisam ter coragem

Por Rodrigo B. Westphalen

Luíza Fedrizzi apresentou os dez passos para marcas corajosas (Foto: Rodrigo B. Westphalen)


“77% das marcas poderia desaparecer e ninguém se importaria”, afirmou a palestrante ao apresentar os dez passos para marcas corajosas. Entre as dicas e provocações sobre posicionamento de marca e publicidade, a falta de coragem das empresas e das agências de agirem com propósito foi um dos principais problemas destacados por Fedrizzi.


Luísa Fedrizzi é formada em Comunicação Social e atua como Head da Contagious no Brasil, fornecendo serviços de inteligência e consultoria para excelência criativa e estratégica junto a clientes como Nubank, Rede Globo, Coca-Cola, Google, Publicis e F/Nazca. O conselho para impactar as pessoas enquanto agência é ser “útil, relevante e divertido”, e não fazer marketing apenas para vender, “mas para servir às pessoas”, disse.


“A melhor propaganda nem sempre é propaganda”, provocou. Para ter resultados relevantes, é necessário gerar um impacto real na vida das pessoas, com ações que vão além da mídia. Luísa recomendou que as marcas se inspirem em cases de sucesso que transformaram clientes em fãs. Com a constante participação das pessoas nas redes produzindo conteúdo e compartilhando informações, a palestrante recomenda que as marcas devem “armar” a audiência, de forma com que os clientes tenham recursos para influenciar outras pessoas. Criar campanhas que engajem, não só comuniquem de forma unilateral com o público, disse.


Fedrizzi afirmou que as agências devem sempre lembrar de priorizar a experiência sobre a inovação. É o uso que a marca faz das novas tecnologias que a torna memorável. “A tecnologia tem que servir à criatividade, e não o contrário. Uma tecnologia nova não justifica uma ideia ruim”, alertou. Em busca de uma agilidade, ela convidou marcas a participarem do “clube dos 5%”, que possuem uma fração do orçamento exclusiva para experimentar e errar rápido (ou acertar, claro). Luísa concluiu em síntese: “sejam mais corajosos”.

Pedro Damasio

De revista à loja, bar e espaço cultural

Por Josi Skieresinski

Pedro fala da importância de abrir novos espaços, saindo do tradicional e inovando e descobrindo novos públicos e nichos de atuação (Foto: Josi Skieresinski)


Void começou em Porto Alegre como uma revista impressa, há 15 anos, época em que o digital era novidade. E nasceu se posicionando de forma crítica à cultura vigente, se mantendo assim até hoje. A prioridade era temas tabus, assuntos que não eram tão abordados, mas comuns à sociedade. Um dos exemplos comentados por Pedro era contar histórias de pessoas que não se encaixavam em determinações de gênero.  “A idéia era muito sobre protagonizar os “lokis” (pessoas alternativas), tudo que a gente faz é identificar essas pessoas e essas cenas culturais. Trazendo elementos inovadores, transgredindo de alguma forma, se aproximando deles, produzindo junto com eles, além de retratar essa galera”, comenta Pedro sobre o objetivo da revista. 


Pedro Damasio foi sócio da Parafuso e da Lava, editor, repórter, fotógrafo e planejador criativo na Revista Void. Foi também redator na Paim, Competence e Global. Colaborador na Vista Skateboard Art, consultor criativo na Indiada e Yerbah Mate Decks. Participou de projetos de comunicação e produção de conteúdo para grandes marcas como a Converse, Melissa, Santander Cultural, entre outros. Atualmente é gestor de conteúdo e comunicação na Void, integrante do Nodal, produtor/curador do Mimpi Film Festival e faz parte da Lipstick Skateboards


Hoje em dia, a revista fica em segundo plano e é custeada pelos outros projetos desenvolvidos que recebem o mesmo nome. A Void foi se transformando em um lifestyle (estilo de vida) e foi ganhando espaços físicos também pensando em seus leitores. Atualmente, esses espaços viram lojas de conveniências, mas não como as dos postos de gasolina, a ideia é ir além. 


Algumas são lojas, bares, espaços culturais e o ponto de encontro da galera. Além de colocar à venda artigos de utilidade, esses locais  vendem desde cerveja a camisetas, artigos de surf e skate. Damasio acredita que essa identificação seja justificada pela opção do público de procurar coisas novas que fujam do padrão que já está estabelecido. “A gente acaba se divulgando muito mais pelas ações, do que pelos discursos”, conta. 


A Void hoje está muito ligada ao cenário cultural e à produção desses novos artistas. A maioria das coleções de roupa das lojas é feita por estilistas independentes, e o único ponto de distribuição acaba sendo as lojas da marca espalhadas pelo país. 

Tobias Chanan

Empresa de Porto Alegre repensa a alimentação do futuro com auxílio de fazendeiros urbanos

Por Rodrigo B. Westphalen

Tobias Chanan apresentou um novo futuro para a alimentação (Foto: Rodrigo B. Westphalen)


Os dados sobre pressão alta, diabetes e obesidade no Brasil são alarmantes. Devido a isso, Tobias Chanan decidiu agir para mudar o futuro da alimentação. Chanan é o empreendedor por trás da Urban Farmcy, empresa que atua no desenvolvimento de uma rede de consumo consciente e sustentável, da produção até o restaurante. O empresário levantou críticas ao atual modelo de alimentação, que apresenta uma ingestão de grandes quantidades de calorias vazias — ou seja, comida sem valor nutritivo.


Muito sal, açúcar e gordura geram um “blisspoint”, prazer no cérebro, e a busca por essa sensação leva ao vício na chamada junk food, explicou. “28 milhões de mortes no mundo inteiro podem ser associadas a má alimentação”, disse. Desde a produção agrícola, baseada na monocultura, passando pelo trabalho precário, chegando nos restaurantes Fast Food, Tobias argumenta que a solução deve vir, também, da oferta. Assim, a Urban Farmcy estruturou um restaurante que oferece receitas formuladas tendo em vista desde a origem dos ingredientes até a reciclagem de resíduos.


Tobias defendeu que a alimentação do futuro contará com fazendeiros urbanos, por questões de estrutura da sociedade. Para isso, a Urban Farmcy instala equipamentos verticais automatizadas para criação de microgreens pelos colaboradores. Microgreens são plantas de 7 a 14 dias após a germinação e estudos apontam que nesse estágio algumas plantas possuem de 4 a 40 vezes mais nutrientes e mais sabor que a versão adulta. Outra ação da Urban Farmcy é estabelecer metas de impacto anual. A partir dos objetivos, são registrados a quantidade de comida produzida, a quantidade de resíduo gerado e reciclado e a quantidade de colaboradores envolvidos. Para ajudar a desenvolver o conhecimento sobre o assunto, a empresa possui um braço educacional, além de pesquisadores buscando constante melhoria nos sistemas aplicados para a produção e conservação dos alimentos. Tobias contou que quer incentivar uma mudança de cultura dentro das empresas e com profissionais do meio. “Antes de ser um empresário da alimentação, se é um empreendedor da saúde”, disse.

Diego Fabris

O que gente vai comer e beber amanhã? O aplicativo que te dá essa resposta em 30 segundos

Por Guilherme Machado

Diego Fabris é idealizador do aplicativo Share Eat que te ajuda a decidir o que comer em 30 segundos (Foto: Guilherme Machado)


“Eu sei o que você comeu no jantar passado” é uma frase para provocar, e lembra um clássico do terror “Eu sei o que vocês fizeram no verão passado” de Jim Gillespie. Foi esse o trocadilho que Diego Fabris escolheu para nomear sua palestra e apresentar  o aplicativo de comida Share Eat, a rede social de gastronomia em que você encontra dicas personalizadas, com consultoria de quem entende do assunto, como uma curadoria. 


Para quem não o conhece, Diego é publicitário e cofundador do Destemperados, uma multiplataforma de conteúdo gastronômico, mas saiu do projeto no ano passado. Agora com a Share Eat ele pretende alcançar ao menos 30 cidade brasileiras, além de outras no exterior até o final de 2019 .


Diego afirma: “O que a gente quer fazer é democratizar a curadoria”. Para isso, através do aplicativo eles buscam diminuir a oferta, assim, o cliente tem 10 vezes  mais chance de comprar. Nessa nova era digital, temos pouco tempo, então: “Eu não quero ir no restaurante e ficar lendo (menu), eu quero comer”, conta o empreendedor.

Vinícius Dambros

Foi comendo pelas beiradas que o Delivery Much se tornou um dos serviços de entrega de comida mais utilizados por cidades do interior do Brasil

Por Guilherme Machado

Vinícius Dambros é um dos responsáveis pelo Delivery Much, aplicativo de comida que quer democratizar o serviço de entregas (Foto: Guilherme Machado)


Na “Nova Ordem Digital” tudo ficou mais rápido e prático, com inúmeras inovações como aplicativos de celular que otimizam o tempo das pessoas. Um exemplo é o  Delivery Much, sistema marketplace de pedidos de refeições online. O app nasceu na cidade gaúcha de Santa Maria e bombou em outras partes do interior do Brasil, lugares onde iFood e o Uber Eats não chegam. 


Uma das figuras por trás do projeto é o Vinícius Dambros, gerente de marketing da empresa. Vinícius fundou a Pandorga e o Hookit – negócios envolvendo moda e design – e se declara um empreendedor guiado por inovação. O designer acredita que a missão do Delivery Much é democratizar o delivery no interior do Brasil. 


“A gente está modificando uma realidade de muitas cidades que não tem apps para pedir comida. Então, estamos levando a nova ordem digital para essas cidades pela primeira vez. Em outras cidades, o objetivo é ampliar, porque já existem aplicativos de comida”, conta o empresário. 


O Delivery Much nasceu em 2011 e já alcançou a marca de 500 mil pedidos ao mês. São mais de 200 cidades contempladas com este serviço e a ideia é expandir o sistema de entregas para além da comida. Quando tudo começou, lá em Santa Maria, Vinícius pensou: “Se funciona aqui, de repente funciona em Santo Ângelo”, e aos poucos, comendo pelas beiradas, eles conquistaram um novo público de delivery. 

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Nos dias 28 e 29 de outubro, ocorreu o FIC19 – Festival de Interatividade e Comunicação -, na Unisinos Porto Alegre. Participaram mais de 1700 pessoas, que conferiram 40 palestras apresentadas em três espaços. Comunicação e tecnologia estiveram no centro do debate e nos fizeram refletir (repórteres do Mescla) sobre esse mundo moderno, digitalizado e cada vez mais otimizado. O evento também foi um convite a pensar o nosso papel nessas transformações, afinal, por trás de tanta tecnologia, existem pessoas com histórias para contar. 

A programação foi dividida em tracks (faixas), sendo elas “conteúdo e engajamento”, “experiência e consumo” e “tecnologia e convergência”. Para acompanhar o máximo de palestras possíveis, nossa equipe foi formada por seis repórteres, que suaram a camiseta nesta cobertura especial.

Para que essa experiência pudesse ser compartilhada rapidamente com você, caro leitor, apresentaremos, a seguir, a primeira parte deste material, em que falaremos de nove palestrantes. Em breve, o Mescla publicará as demais partes, com os relatos dos outros convidados.  

Ivan Mizanzuk

Com o Projeto Humanos, o produtor de podcasts investe no formato de storytelling

Por Josi Skieresinski

Apaixonado por rádio, Mizanzuk produz podcasts usando as técnicas de storytelling.
(Foto: Josi Skieresinski)

Ivan Mizanzuk começou sua palestra enaltecendo um tradicional veículo de comunicação: “O rádio é o meio mais visual que existe”. O palestrante explicou melhor: é visual por permitir que as pessoas criem, em sua imaginação, imagens e cenários do jeito que acharem melhor, diferentemente do cinema e da televisão, que já entregam tudo pronto. Para Mizanzuk, o rádio tem a capacidade de se renovar. “E agora, digital, abre portas para outros formatos e programas, como os podcasts, que são consumidos pelas plataformas online”, avalia. 

Mizanzuk é fundador, produtor e host do AntiCast, canal que reúne podcasts de temáticas variadas. Está por trás também do Projeto Humanos, podcast em formato de storytelling. É autor de Até o Fim da Queda (2014) e co-autor de Existe Design? (2013). Doutor em Tecnologia pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), é professor universitário nas disciplinas de história da arte e arquitetura, história do design, planejamento gráfico e metodologia de pesquisa.

“Podcast no Brasil sempre foi muito do tipo as pessoas reunidas em uma mesa, com amigos, conversando, gravando tudo e pronto. Uma hora, uma hora e meia de gravação, faz uma edição mais ou menos grosseira e era isso. Já lá fora, tinha o Serial e o This American Life, produzidos em formato de storytelling”, comenta Ivan. “Storytelling, basicamente, são filmes para se ouvir”, explica.

No Projeto Humanos, que relata histórias reais de pessoas reais, Ivan se inspirou justamente no This American Life, programa de Sarah Koenig, e no Serial, que conta  casos criminais verdadeiros. Atualmente, o Projeto Humanos está na sua quarta temporada, e é o único no país nesse formato, intitulada “Caso Evandro”, que relembra um dos casos criminais mais chocantes da história do Estado do Paraná e do Brasil. Será a primeira temporada totalmente dedicada a um caso criminal brasileiro, sendo fruto de uma pesquisa de dois anos. Mizanzuk, encerra sua fala dizendo que espera que surjam outros projetos que usem e explorem o storytelling como formato para podcasts. 

Rafael Sbarai

Na opinião do jornalista, uma empresa depender unicamente de anúncios é um capítulo que não existe mais

Por Bruna Lago

Sbarai discutiu a diversificação da receita das mídias como
alternativa à dependência de anúncios
(Foto: Bruna Lago)

Estamos acostumados a pagar por entretenimento, por serviços, por conhecimento e por muitas outras coisas. Mas e quanto à informação? Com a cultura da televisão aberta e a venda avulsa de jornais, pagar por uma assinatura de algo que fica disponível na internet não é atrativo para a maioria dos brasileiros. Esse território, que parece livre, disponibiliza conteúdo de qualidade, dentro e fora do país, mas a sociedade não quer pagar por isso. Então, como as empresas podem produzir receita no mundo online?

Rafael Sbarai foi editor de mídia social e interatividade da revista Veja, além de editor e repórter da editoria de esportes do portal iG, atuando sempre em jornalismo online, modelos de novas mídias, tecnologia e negócios. Hoje, é supervisor executivo de produtos do site Globo Esporte e professor de Jornalismo Digital, Jornalismo de Dados e Gestão de Negócio Digital dos programas de graduação e pós-graduação da Fundação Armando Álvares Penteado, em São Paulo. Com um currículo voltado ao mundo digital, Sbarai trouxe para a discussão como sobreviver além dos anúncios.

“A grande lição que o digital traz para nós, produtores de conteúdo e empresas de mídia, é não depender de publicidade para sobreviver. Uma empresa depender unicamente de anúncios é um capítulo que não existe mais”, define Sbarai. Para gerar receita e conseguir atenção do consumidor em um mar de informação, as empresas precisam investir em várias frentes simultâneas. Sbarai trouxe o exemplo do jornal norte-americano The New York Times, que arrecada atualmente uma soma considerável pela assinatura de palavras cruzadas e receitas de culinária.

Gustavo Guertler

O jornalista quer transformar a vida das pessoas por meio de conteúdo inspirador, desde que não precise usar terno e gravata

Por Guilherme Machado

Gustavo contou como usou a criatividade para transformar livros
em ferramentas de mudança na vida das pessoas
(Foto: Guilherme Machado)


Gustavo Guertler conta que o que nos define são nossas paixões, e a melhor paixão é aquela que paga nossos boletos. Felizmente, ele conseguiu esse feito. O CEO da editora Belas Letras, vencedora do Prêmio Nacional de Inovação Sebrae/CNI2019 na categoria Marketing, contou sobre sua trajetória de uma forma diferente: mostrou um cocozinho representando a si mesmo. 

Gustavo é jornalista, trabalhou em redações e se sentia bom naquilo que fazia até o dia em que foi demitido. Então, tudo mudou. Conseguiu um trabalho em uma livraria e, assim, começou sua história com a Belas Letras. Sua primeira missão na editora foi produzir livros infantis para convencer as crianças a torcer para determinado time. Quem contava essa história? Figuras populares como Gabriel, o Pensador. E o nome dos livros? “Meu pequeno colorado”, “Meu pequeno gremista”, “Meu pequeno flamenguista”.

O palestrante explica que gosta de transformar a vida das pessoas por meio de conteúdo inspirador. “Desde que eu não precise usar terno e gravata”, salienta Gustavo. Ele abdicou dos trajes sociais até mesmo quando subiu ao palco para receber o Prêmio Nacional de Inovação do Sebrae. Ao lado dos colegas, investiu em inovações na área de marketing. “Primeiro, ouvir as pessoas. Segundo, tratar os clientes como pessoas. Terceiro, servir ao invés de vender”, destaca.

Juntos, também investiram em parcerias com outras marcas, como a Imaginarium, Dentro da História, Dobra e Méliuz. Criaram, ainda, a campanha “Compre 1, doe 1”. Quem doava não eram eles, mas o próprio cliente (pessoa), que era instigado a levar o livro extra a uma criança em uma escola, hospital, orfanato. Gustavo concluiu que: “A vida é uma merda, sim. Mas, com os livros, se torna uma merda mais interessante”. 

Joel Pinheiro 

O efeito das redes sociais nas discussões políticas

Por Lisandra Steffen

“Lacrar nas redes sociais é mais importante que dialogar”
(Foto: Lisandra Steffen)

Joel Pinheiro subiu ao palco do Teatro Unisinos com uma provocação: “Discutindo política no ‘amor’ das redes sociais”. O tema da sua palestra foi o debate político no Brasil marcado por um ambiente repleto de brigas e ódio. Para ele, o grande desafio hoje é construir possibilidades de intervenção que não se restrinjam a fazer valer a própria opinião, produzindo situações negativas para a sociedade.

Joel é economista pelo Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), filósofo e mestre em filosofia pela USP, além de ser “aspirante” – como se denomina – a youtuber. Ele é colunista na Folha de S.Paulo e no aplicativo Exame Hoje. Também comanda o Sem Treta, ao lado de Leonardo Sakamoto, no canal digital MyNews. O programa traz discussões entre a esquerda e a direita (lado em que ele se diz estar) com divergências reais, tratando de assuntos polêmicos.

“As redes sociais, definitivamente, acabaram com o poder que a mídia tradicional e outras instituições tinham na hora de controlar a informação e a opinião que chega até nós”, disse Joel, ao enumerar uma série de fatos sem filtros jornalísticos que a população têm acesso diariamente.

O palestrante alertou ainda que as discussões nas redes sociais não são modeladas para mudar a opinião do outro, ou para aprofundar debates. Elas servem mais para impor crenças e valores ou, até mesmo, para humilhar quem pensa diferente. Quando perguntado sobre o que aprendeu com a última campanha eleitoral, ele respondeu que “não adianta dar murros em ponta de faca, e que os rótulos colocados nas pessoas não mudam a maneira como elas se comportam”. Como um bom filósofo, finalizou a apresentação com um pensamento: “As coisas são muito mais do que o que elas aparentam ser”.

Andreza Delgado

“A gente não pensou em fazer um evento da periferia para a periferia, muito pelo contrário. Nossa ideia era fazer pontes”

Por Josi Skieresinski

Andreza falou sobre a importância de levar novos olhares
e culturas para dentro da periferia

(Foto: Josi Skieresinski)

Andreza contou a experiência que teve em criar uma Comic Con no subúrbio de São Paulo, ou seja, um evento nerd, com forte presença geek, games e cultura pop. O PerifaCon foi fomentado por financiamento coletivo. “A gente chamou as pessoas para sonhar esse sonho junto com a gente”, lembra Andreza. Assim, conseguiram arrecadar R$ 8 mil para a realização da feira. Logo na primeira edição, foram quatro mil participantes e mais de 40 artistas expondo seus trabalhos, tudo de forma gratuita. “A ideia da gente foi e é incentivar esses artistas da periferia e também levar para a periferia esse universo, quebrando barreiras culturais e provendo acesso a essas pessoas”, contou a realizadora do evento. 

Andreza é baiana, mas mora em São Paulo. Ela tem 24 anos, é feminista, nerd, escreve para a revista Capitolina, tem dois livros publicados pelo selo jovem da companhia da Letras. Ela usa suas redes sociais para produzir conteúdo sobre o olhar da mulher negra de periferia. Como se fosse pouco, ainda arranja tempo para tocar um projeto que leva gibitecas para presídios e espaços da periferia de São Paulo. “Não tínhamos ideia dessa potência. Até hoje eu fico impactada pelo que foi o PerifaCon, de ver aquelas crianças felizes e de levar representatividade”, comentou. A fala da Andreza foi política em vários aspectos, chamando a atenção para a falta de acesso e de políticas públicas envolvendo as áreas de baixa renda no Brasil. 

Andreza avisou aos interessados que o PerifaCon 2020 já tem data: será no dia 12 de abril, na zona leste de São Paulo. E garante: todas as edições serão gratuitas para participantes e artistas expositores, e sempre será realizado em alguma periferia. “Se um dia eu falar que tem que pagar para entrar no PerifaCon, perdeu a essência, sabe? Não tem mais porque existir”, concluiu.

Ricardo Piccoli

Sistema desenvolvido pelo empresário permite calcular o alcance de um anunciante por meio do monitoramento de celulares 

Por Pedro Hameister

Piccoli explicou que o MediaEYE monitora em tempo real quantos consumidores transitam por um local onde tenha um anúncio de determinada marca
(Foto: Pedro Hameister)

Em sua palestra no FIC19, na track “conteúdo e engajamento”, Ricardo Piccoli defendeu que a tecnologia nos abre novas portas, mas também faz com que percamos cada vez mais a nossa privacidade. Conforme o empresário, os celulares, que se tornaram indispensáveis em nossas vidas, nos conectam com o mundo ao mesmo tempo em que registram cada um de nossos passos para grandes corporações, e não temos como evitar isso.

“Está nos termos de condições de uso dos celulares. Ou permitimos que eles nos monitorem em tudo o que fazemos, ou não vamos poder usá-los. E esse monitoramento é muito massivo”, disse Ricardo. Segundo ele, estima-se que há mais de 228 milhões de celulares só no Brasil – ou seja, mais aparelhos do que brasileiros. “A pergunta é: o que fazer com tantos dados?”, questiona.

O palestrante apresentou uma ferramenta criada pela agência de publicidade Sinergy Novas Mídias, da qual ele é COO, que pode se tornar o futuro das métricas de anúncios: o MediaEYE. Através de dispositivos posicionados pela cidade, o sistema monitora em tempo real quantos consumidores transitam por um local onde tenha um anúncio de determinada marca, detectando-os através dos celulares. Com isso, a agência pode saber o número total de impressões que uma propaganda teve, quantas pessoas a avistaram, qual a média por dia ou por hora de visualizações, entre outras informações. A marca que for cliente da agência pode acessar o portal do MediaEYE para consultar as informações obtidas pela ferramenta.

Atualmente, o MediaEYE atua em Porto Alegre, Gramado e Florianópolis. Na palestra, Ricardo mostrou o funcionamento da ferramenta, que também calcula qual o período do dia em que há mais impressões de um anúncio, o tempo médio que ele é avistado e até a quantidade de consumidores que se dirigem em seguida para um estabelecimento da marca anunciante. Para tranquilizar quem estava assistindo a palestra, o empresário deixou claro: as informações pessoais dos usuários detectados pelo MediaEYE permanecem em anonimato.

André Fran

O jornalista falou sobre como é produzir um programa que mostra
temas e locais controversos ao redor do mundo

Por Ângelo Gabriel

André Fran conta como foi criticado ao ajudar refugiados
em situações de risco durante as gravações de “Que Mundo é Esse?”

(Foto: Ângelo Gabriel)

Originalidade. É com esta palavra que André Fran, apresentador do programa “Que Mundo é Esse?”, do canal por assinatura Globo News, resolve escolher os destinos de viagem pouco buscados por quem quer sossego. Visitando países como Síria, Iraque e Arábia Saudita, ele contou histórias de vítimas de guerras, refugiados em busca de uma vida digna e de pessoas que produzem e disseminam notícias falsas.

Co-fundador da empresa BASE#1 Filmes, André também é diretor, roteirista e escritor. Primeiro palestrante da trilha “conteúdo e engajamento” do FIC19, o apresentador mostrou ao público como é produzir um programa que mistura jornalismo com reality show e que se aprofunda em temas polêmicos.

Sempre decidindo expor os problemas dos países, André diz que “existem
maneiras de criticar mostrando a realidade”. Segundo ele, os produtores do programa possuem duas regras de ouro. A primeira é: “Não peça permissão, peça desculpas”. A segunda é: “Nunca colocar em risco ou expor o oprimido, sempre o opressor”. Por isso, escolhe histórias de pessoas que sofrem com as leis e regras dos territórios, como, por exemplo, de uma mulher lésbica que mora na Rússia e se encontra secretamente com outras mulheres, visto que no país é proibido fazer propaganda homossexual, e o simples ato de andar de mãos dadas já soa como propaganda.

André acredita que todos podem contribuir para fazer do mundo um lugar melhor. Segundo ele, “a nova ordem digital permite que as pessoas contribuam para a melhoria das situações de diferentes maneiras, seja através de podcasts, postando nas redes sociais ou até mesmo atuando localmente nas comunidades”. Ele encerrou a palestra motivando os participantes a cultivarem esse pensamento de bondade. “Tente fazer a diferença, o mundo precisa muito”, destacou.


Michel Alcoforado

Por quê estamos sem tempo? 

Por Guilherme Machado

Michel falou sobre o tempo e a geração millennial
(Foto: Guilherme Machado)

“A vida de todo mundo tá difícil na percepção de tempo”. Assim, Michel Alcoforado deu início a uma fala cheia de humor fazendo o público se sentir em um stand up comedy. O palestrante falou de tecnologia, tempo, saúde mental e sobre nós, jovens millenials (a geração da internet). Afinal, nossos pais não entendem porque mudamos de ideia tão rápido, queremos ser tudo ao mesmo tempo e estamos “sem tempo, irmão”. 

Michel Alcoforado é doutor em antropologia do consumo, tendo se especializado na University of British Columbia, no Canadá. Em 2012, fundou a Consumoteca, que reúne empresas de pesquisa, análise e tendências com atuação no Brasil e na América Latina. A ideia é transformar a maneira como as marcas lidam com mudanças sociais do ponto de vista da antropologia. Também é palestrante, especialista em planejamento estratégico de comunicação, articulista do site UOL e comentarista da rádio CBN. 

Para Michel, o tempo deixou de ser repetitivo e se tornou cumulativo. Menos do que um jogo de palavras, a diferença é que, se antes a regra era fazer uma coisa de cada vez (estudar, casar, ter filhos, envelhecer e morrer), “tudo isso com algumas dívidas a serem pagas”, como destacou o palestrante, com a revolução digital, o tempo passou ser entendido como aberto a muitas possibilidades (só que não). Por causa dessa ideia real, mas difícil de ser executada, de estarmos em vários lugares, somos dependentes da tecnologia, perdemos ao menos cinco horas no celular, e nossa liberdade é constantemente vigiada e controlada. 

O mundo está um caos, diz ele, e falou mais: tudo é metrificado, pois precisamos de audiência nas nossas redes sociais. Criamos diferentes personas em cada uma delas e estamos muito preocupados com a grama do vizinho. O jovem tem medo de esperar e falhar. Nem todo conteúdo vale o nosso tempo. Qual a consequência? Nos tornamos a geração do Rivotril, que está sempre cansada e ansiosa. Michel nos convidou a pensar em como a nova ordem digital afeta nossas vidas. 

Roberta Yoshida

O futuro bate à porta e cobra automação. Novos empregos surgem todos os dias e outros precisam se adaptar. Mas, a grosso modo, as empresas não estão preparadas para as mudanças 

Por Bruna Lago

A dificuldade das empresas de acompanhar a tecnologia é um dos fatores que influenciam mercados, segundo Roberta Yoshida. (Foto: Bruna Lago)

“O mercado não consegue adotar a tecnologia na mesma velocidade que os indivíduos”. Esse é o centro da discussão levantada pela consultora estratégica Roberta Yoshida. CEO de Capital Humano da Deloitte Brasil, possui mais de 20 anos de experiência em RH. As novas configurações do mundo do trabalho formaram a tônica de sua fala. Questões como a ética, tempo médio necessário para a reinvenção dos profissionais e habilidades mais desejadas pelo mercado deram o tom da palestra. “O futuro vai ser melhor do que o presente, mas estamos vivendo uma fase de transição. E essa transição tem consequências imediatas e a longo prazo”, comenta Roberta.

Durante dez anos, a executiva liderou as iniciativas de transformação de RH na América Latina e tem também vasta experiência como líder em projetos relacionados a mudanças estratégicas organizacionais. Na palestra, Roberta trouxe dados alarmantes tanto em relação ao desempenho das empresas quanto à tecnologia. Pesquisas mostram que quatro de cada dez empresas acreditam que os grandes impactos da automação estão próximos, mas apenas 16% do total admite possuir treinamento para enfrentar a nova realidade. 

Com a perspectiva de trabalhar lado a lado com tecnologia artificial, 70% das empresas apostam na necessidade de um mix de talentos para encarar esse modelo de mercado. Nesse sentido, Roberta alerta que, dentre as competências desejadas hoje, estão a de comunicação, a de análise de dados e a de gestão.  Por fim, destacou o tempo médio necessário para um profissional se reinventar: “Já foi 30 anos. Em 2014, era de cinco. Agora, já está em dois anos e meio”.

Como as políticas públicas ligadas à Educação Superior vão lidar com isso é um dos questionamentos que a CEO deixa para o público. “A maioria de nós já entendeu que sem aprender não evoluímos e não conseguimos nos manter atualizados.” Ou seja, a educação se tornou um valor permanente.

Verônica Oliveira

A mente por trás do projeto que começou como uma forma de divulgar o próprio serviço de faxineira e acabou abrindo inúmeras outras portas 

Por Pedro Hameister

 Verônica Oliveira trouxe muito bom humor para sua palestra e impressionou
a todos com sua história de superação graças às redes sociais
(Foto: Pedro Hameister)

No FIC19, a paulista Verônica Oliveira contou como as redes sociais mudaram drasticamente a sua vida sem que ela esperasse por isso. “Minha mãe sempre me disse que a internet é um lugar mal. Não é. São as pessoas que a usam que, às vezes, são mal intencionadas. A internet pode ser usada para fazer o bem”, contou a faxineira – ela prefere ser chamada assim – em sua palestra.

Após ter perdido o emprego, em 2016, Verônica entrou no ramo da limpeza e começou a compartilhar seu trabalho no Facebook para conseguir mais clientes. A forma criativa e bem humorada como ela se divulgava – criando cards que faziam referências a filmes e séries de sucesso – fez com que o trabalho fosse ganhando cada vez mais alcance. Hoje, sua página faxina boa tem mais de 80 mil seguidores.

Além de faxineira, Verônica também atua como ativista e utiliza suas redes sociais para falar sobre a realidade de quem possui empregos pouco valorizados pela sociedade, sobretudo os relacionados à limpeza na casa dos outros. Ela passou a escrever sobre situações de preconceito que enfrentou mesmo após o sucesso do Faxina Boa, e também sobre a forma equivocada com que as faxineiras são retratadas em anúncios e comerciais televisivos. As postagens dela recebem muitos comentários de pessoas que se identificam com os relatos de Verônica.

O sucesso de seu trabalho também fez com que Verônica integrasse a programação do FIC19 na track “tecnologia e convergência”. Ela também é chamada para fazer palestras em todo o Brasil, participa de campanhas e é convidada para encontros de influenciadores digitais. Porém, não abre mão de seguir trabalhando no ramo que a lançou. “Me perguntam com frequência se ainda estou fazendo faxina. Estou sim! Porque eu amo o que faço”, conta Verônica, com um sorriso no rosto.

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Estamos próximos de mais uma edição do FIC – o Festival de Interatividade e Comunicação que completa seus 15 anos nesta edição. Promovido pela ABRADI-RS, e correalizado pelo Grupo Austral, o evento traz o  tema “Nova Ordem Digital” e conta com profissionais e pensadores dispostos a refletir as mudanças na comunicação, política, tecnologia, cultura de uma forma multidisciplinar. A ideia do tema surgiu da necessidade de unir conteúdos já abordados e fazer do evento mais interdisciplinar e transversal. 

Neste ano, a programação será dividida em tracks, ou trilhas: conteúdo e engajamento; experiência e consumo; e por fim, tecnologia e convergência. 

Confira alguns dos nomes que estarão no evento: 

Desde 2011, Ivan Mizanzuk produz o AntiCast, um podcast focado em história, política e artes. Hoje, o AntiCast é uma rede de podcasts, da qual o Projeto Humanos faz parte (Foto: Divulgação).

Fundador do Anticast (2011) e do Projeto Humanos (2015), Ivan Mizanzuk é uma das figuras centrais do panorama de creators para podcasts. Dentro de conteúdo e engajamento o jornalista vai falar sobre suas experiências e insights na criação de dois dos podcasts mais relevantes do Brasil. 

André Fran é um dos criadores da série ‘Não Conta lá em Casa’, que viaja pelos destinos mais polêmicos do mundo e recebeu prêmios de Melhor Programa de Viagem- NET (Foto: Divulgação).

André Fran é jornalista, diretor e apresentador do programa “Que mundo é esse?” exibido pela GloboNews, onde também atua como comentarista de política internacional. André vai contar como é produzir séries de TV de alguns dos lugares mais complexos do mundo.  

A primeira edição do Perifacon ocorreu neste ano, com uma equipe toda periférica e de maioria negra (Foto: Divulgação).

Nerd, feminista e produtora cultural de festas LGBT; esta é Andreza Delgado, uma das idealizadoras da Perifacon, a primeira comic con da favela. Ela vai contar sua trajetória como feminista, baiana e nerd e mostrar que a cultura nerd também é consumida e criada na quebrada: com quadrinhos, cosplay, games e audiovisual. 

Ken possui mais de 20 anos como executivo e C-level em agências nacionais e multinacionais, incluindo sociedade na Loducca (Foto: Divulgação).

Uma referência na propaganda brasileira Ken Fujioka é sócio-fundador da ADA Strategy e também fundador e host do podcast de divulgação científica Naruhodo. Fujioka é conhecido tanto pelos prêmios e relevância de sua carreira na publicidade, quanto pela atuação a favor da diversidade e ética no meio publicitário.

Bia é uma das criadoras da marca Youpix que começou como uma revista gratuita sobre internet, a Pìx (Foto: Divulgação).

Curadora do Creator Academy na Campus Party, maior evento tecnológico do mundo Bia Granja é considerada a principal especialista em práticas comportamentais do Reino Unido. Sendo uma das fundadoras do YOUPIX, que visa acelerar o setor do conteúdo digital e é referência. Ela vai mostrar como planejar estratégias envolvendo influenciadores.

Se liga, alunos da Unisinos tem um super desconto. Até sexta-feira, 25, o ingresso para o evento custa R$ 65,00.  

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O presente e o futuro da infografia https://mescla.cc/2019/09/09/o-presente-e-o-futuro-da-infografia/ https://mescla.cc/2019/09/09/o-presente-e-o-futuro-da-infografia/#respond Mon, 09 Sep 2019 21:05:47 +0000 http://mescla.cc/?p=11244 Elementos visuais sempre andaram lado a lado com o jornalismo. A ideia é tornar as informações mais atraentes ao público. Essa é uma das funções, por exemplo, da fotografia. Além de podermos visualizar os acontecimentos e, com isso, interpretá-los a partir de novos ângulos, a foto contribui também para que um jornal seja mais interessante […]

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Elementos visuais sempre andaram lado a lado com o jornalismo. A ideia é tornar as informações mais atraentes ao público. Essa é uma das funções, por exemplo, da fotografia. Além de podermos visualizar os acontecimentos e, com isso, interpretá-los a partir de novos ângulos, a foto contribui também para que um jornal seja mais interessante graficamente do que ele seria se tivesse as páginas cobertas somente com textos. Quem ultimamente tem dividido esse papel com a imagem é o infográfico, recurso cada vez mais utilizado em jornais impressos e na mídia online.

Se a foto cria um registro ou oferece uma estética para a narrativa, o infográfico tem como uma das principais funções facilitar a compreensão de acontecimentos e de dados para o leitor, o que é útil se a matéria for cheia de números. Artigos acadêmicos apontam o infográfico como um recurso utilizado sobretudo quando somente o texto não é o bastante para explicar de forma clara o assunto abordado. E, assim como a foto, ele também pode ser usado para causar impacto visual e levar os leitores a se interessarem pelo conteúdo.

Embora a utilização de infográficos em matérias não seja algo novo, a crescente migração do jornalismo para o mundo online expandiu as possibilidades de se trabalhar com infografia. O principal exemplo disso é o gráfico interativo. Ao contrário do infográfico tradicional e estático, mais comum de ser encontrado no jornal impresso, o interativo permite que o usuário explore mais a fundo as informações e tenha um maior engajamento com elas.

Porém, o boom do infográfico interativo já passou. Pelo menos, essa é a visão de Rodolfo Almeida, jornalista que trabalhou por três anos como infografista do jornal Nexo.

“Isso se deve sobretudo ao menor tempo de engajamento do leitor com materiais jornalísticos, ao imediatismo das redes sociais e ao uso do celular como principal dispositivo de leitura, que, com frequência, exige a adoção de soluções de interatividade diferentes das do desktop”, explica Almeida. Ele afirma que essa visão é partilhada por diversos profissionais dessa área de atuação.

Parte de infográfico produzido por Rodolfo Almeida para o jornal Nexo. Confira o infográfico completo em https://www.nexojornal.com.br/grafico/2017/06/14/O-que-resta-da-mata-atl%C3%A2ntica-no-Brasil

Mesmo assim, Almeida afirma que a infografia no jornalismo online está longe de desaparecer, muito pelo contrário, ela tende a se tornar cada vez mais presente e explorada. Inclusive, ele defende que esse assunto precisa ser mais ensinado nas faculdades de jornalismo para que elas formem profissionais mais preparados para o mercado de trabalho atual. “Apenas pautar, apurar e escrever já não bastam como habilidades do jornalista. É necessário trazer conhecimentos de outras áreas e aliá-los à habilidade de reportagem para a produção de um novo jornalismo”, acredita.

Infografia também em vídeo

Além da interatividade, a internet permite um novo formato aos infográficos que não pode ser encontrado no impresso: o videográfico. A possibilidade de produzir um infográfico em formato audiovisual, com direito a narração e efeitos visuais, faz com que a compreensão da informação seja ainda mais simplificada e acessível para o público.

Naturalmente, um videográfico exige muito mais tempo e trabalho para ser produzido do que um infográfico. Para Jonatan Sarmento, formado em Comunicação Digital pela Unisinos e integrante da equipe de arte do jornal Zero Hora, de Porto Alegre, esse trabalho compensa quando há a necessidade de guiar a pessoa em uma história complexa. “Eu acho que o videográfico é mais fácil de ser consumido. O usuário dá play e assiste o que temos para contar. Alguns infográficos interativos demanda uma certa participação do usuário, já que eles navegam, clicam e exploram o conteúdo. Tudo depende do conteúdo”, explica Sarmento.

O videográfico também pode ser produzido a fim de oferecer uma outra alternativa de formato para compreender um assunto. Como exemplo disso, Sarmento produziu para o jornal Estadão, de São Paulo, o videográfico abaixo que fala sobre a reconstrução da Estação Antártica Comandante Ferraz, base brasileira no continente antártico, que foi destruída por um incêndio em fevereiro de 2012. Ele conta que esse material audiovisual, que levou cerca de dois meses para fazer, foi apenas para dar aos leitores uma outra forma de consumirem o assunto, uma vez que o jornal publicou sobre a estação também em formato impresso e online.

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