Notice: Function _load_textdomain_just_in_time was called incorrectly. Translation loading for the wp-mailinglist domain was triggered too early. This is usually an indicator for some code in the plugin or theme running too early. Translations should be loaded at the init action or later. Please see Debugging in WordPress for more information. (This message was added in version 6.7.0.) in /home/agexcom/mescla.cc/wp-includes/functions.php on line 6170
Arquivos Zero Hora - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/zero-hora/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Thu, 17 Oct 2019 19:20:52 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 Estudante da Unisinos é vencedor no Primeira Pauta 2019 https://mescla.cc/2019/10/17/estudante-da-unisinos-e-vencedor-no-primeira-pauta-2019/ https://mescla.cc/2019/10/17/estudante-da-unisinos-e-vencedor-no-primeira-pauta-2019/#respond Thu, 17 Oct 2019 19:20:50 +0000 http://mescla.cc/?p=11836 Os vencedores da edição deste ano do projeto Primeira Pauta, da Zero Hora, foram divulgados nesta terça-feira, dia 15, e a Unisinos está presente entre os ganhadores. O estudante de Jornalismo Henrique Tedesco Abrahão, do quarto semestre, foi um dos cinco selecionados para passar uma semana de imersão na redação integrada da GaúchaZH, com direito […]

The post Estudante da Unisinos é vencedor no Primeira Pauta 2019 appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
Os vencedores da edição deste ano do projeto Primeira Pauta, da Zero Hora, foram divulgados nesta terça-feira, dia 15, e a Unisinos está presente entre os ganhadores. O estudante de Jornalismo Henrique Tedesco Abrahão, do quarto semestre, foi um dos cinco selecionados para passar uma semana de imersão na redação integrada da GaúchaZH, com direito a atividades jornalísticas e bate-papo com profissionais da área.

Para a edição deste ano do concurso, os interessados em participar precisavam escrever sobre alguma peculiaridade da cidade onde moram (uma pessoa, um local, uma história etc) e também apresentar um podcast de até três minutos de duração. Foram selecionados 15 finalistas, que recebiam como segunda tarefa produzir um vídeo sobre o mesmo assunto.

Os cinco vencedores foram anunciados durante o Seminário Primeira Pauta, na sede do Grupo RBS, em Porto Alegre. Na ocasião, os 15 finalistas do concurso conversaram com repórteres, editores e gestores da GaúchaZH.

Para Edelberto Behs, que, ao lado de Micael Behs, coordena o curso de Jornalismo da Unisinos São Leopoldo, é uma grande alegria ver um de seus alunos obtendo essa conquista. “Isso é um incentivo também para que mais alunos comecem a participar dessas iniciativas. Para todo o nosso corpo docente, é uma satisfação ver isso acontecendo. É um indicativo de que estamos fazendo um bom trabalho”, afirma o professor.

O Portal Mescla conversou com Henrique para saber mais sobre sua participação no Primeira Pauta e suas expectativas para a semana em que atuará na redação da GaúchaZH. Confira a entrevista completa a seguir:

Mescla – Sobre o que você escreveu na sua inscrição?

Henrique – Eu moro em Osório há 2 anos. Decidi mostrar o município através da Lenda da Noiva da Lagoa dos Barros. A história é baseada em um caso real, em que a noiva, Maria Luiza, foi morta pelo noivo logo após uma discussão em decorrência de ciúmes. O corpo dela foi jogado na Lagoa dos Barros, que pode ser vista por quem vem para Osório via Freeway. Algum tempo depois da ocorrência, motoristas afirmaram ter visto a Maria Luiza vagando pela lagoa vestida de noiva. Alguns dizem até mesmo ter dado carona para ela. Para o texto, eu conversei com a historiadora Marina Raymundo. Ela escreveu o livro “Viajando pelo município de Osório”, e foi nele que tirei algumas informações para complementar o texto. Além disso, entrevistei Pedro Fagundes da Rosa. Foi a sogra do irmão do Pedro que encontrou o corpo da Maria Luiza. Ele é amigo do Roberto Kingeski, homem que trabalhava como motorista na época e afirmou ter visto a noiva na lagoa.

Mescla – Como foi a produção do podcast?

Henrique – Eu contei com a ajuda do professor Sérgio Endler, que me deu instruções de como poderia gravar o podcast no estúdio da Unisinos. Após pegar depoimento do Pedro Fagundes, gravar minhas falas para o podcast e escolher as trilhas, entreguei todo o material, incluindo o roteiro, para o Cláudio Cunha Santos, que trabalha com edição de áudio. Ele montou meu podcast da maneira como estava pensado.

Mescla – E o vídeo da segunda etapa, como ele foi feito?

Henrique – Eu entrei em contato novamente com o Pedro Fagundes, fui até sua residência e gravei o depoimento dele de novo. Ele se disponibilizou em me levar para o local onde a sogra do irmão dele morava. Assim, fui até a casa dela e gravei uma passagem. No último dia para postar o vídeo no YouTube, acordei de manhã para fazer as últimas passagens, mas nenhuma ficou boa. Então, gravei as passagens em outro ponto da cidade, que ficaram muito melhores.

Mescla – Foi grande a surpresa quando você passou para a segunda etapa e, depois, anunciado como um dos vencedores?

Henrique – Quando peguei a edição de final de semana da Zero Hero e vi meu nome na lista dos 15 finalistas, minhas palavras foram “Meu Deus, meu Deus, meu Deus!”. Fui direto contar para meu irmão e minha avó. No dia do Seminário Primeira Pauta, quando eles anunciaram os cinco vencedores, a revelação dos nomes foi por ordem alfabética. Eu fui o terceiro a ser chamado, e falei “Sou eu?”, quando, na verdade, eu era o único Henrique entre os finalistas.

Mescla – Quais são suas expectativas para essa semana de imersão que você vai ter na redação da GaúchaZH?

Henrique – São muito altas. Primeiro, porque pensar que eu terei essa oportunidade é algo que agradeço muito e me deixa mais confiante sobre o caminho que escolhi seguir. Segundo, porque a experiência na Zero Hora vale muito para adquirir conhecimento e saber a realidade do profissional na área. Desde que eu me mudei do Mato Grosso, há dois anos, eu vim com o objetivo de tentar me encontrar profissionalmente na área da comunicação. Ser um dos cinco escolhidos sem dúvida é mais um passo positivo nesse caminho que escolhi.

Mescla – Trabalhar na redação de um veículo jornalístico é algo que você almeja?

Henrique – Eu entrei no jornalismo pelo impresso. Agora, depois de dois anos, tendo experiência com rádio e tendo feito disciplina de TV, é seguro dizer que eu gosto dos três. Acho que nós vivemos em um momento em que o profissional deve ser multifacetado. Isso quer dizer que devemos estar abertos para as mais diferentes áreas do jornalismo. Por isso, posso dizer que sim, trabalhar em redação é algo que eu quero, assim como dentro de uma rádio, no estúdio de TV ou assessoria.

Mescla – Que conselho você daria para quem pretende se inscrever na edição do ano que vem do Primeira Pauta?

Henrique – Leia atentamente o regulamento e se informe sobre cada passo. Depois de ter entendido o conceito do concurso, escreva suas primeiras impressões e ideias. No lado das ideias, pense em quem poderia falar sobre o assunto e escreva o nome das possíveis fontes. Depois disso, organize seu calendário com suas obrigações para que você entregue tudo no prazo. Leia muito sobre o assunto para fazer perguntas consistentes aos entrevistados. Caso não saiba o que ler, pergunte para outras pessoas se eles sabem de alguém que poderia indicar um livro ou qualquer outro tipo de material de apoio.

Henrique Abrahão (à esquerda) ao lado dos outros quatro vencedores do Primeira Pauta 2019 | Crédito: divulgação

The post Estudante da Unisinos é vencedor no Primeira Pauta 2019 appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
https://mescla.cc/2019/10/17/estudante-da-unisinos-e-vencedor-no-primeira-pauta-2019/feed/ 0
O presente e o futuro da infografia https://mescla.cc/2019/09/09/o-presente-e-o-futuro-da-infografia/ https://mescla.cc/2019/09/09/o-presente-e-o-futuro-da-infografia/#respond Mon, 09 Sep 2019 21:05:47 +0000 http://mescla.cc/?p=11244 Elementos visuais sempre andaram lado a lado com o jornalismo. A ideia é tornar as informações mais atraentes ao público. Essa é uma das funções, por exemplo, da fotografia. Além de podermos visualizar os acontecimentos e, com isso, interpretá-los a partir de novos ângulos, a foto contribui também para que um jornal seja mais interessante […]

The post O presente e o futuro da infografia appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
Elementos visuais sempre andaram lado a lado com o jornalismo. A ideia é tornar as informações mais atraentes ao público. Essa é uma das funções, por exemplo, da fotografia. Além de podermos visualizar os acontecimentos e, com isso, interpretá-los a partir de novos ângulos, a foto contribui também para que um jornal seja mais interessante graficamente do que ele seria se tivesse as páginas cobertas somente com textos. Quem ultimamente tem dividido esse papel com a imagem é o infográfico, recurso cada vez mais utilizado em jornais impressos e na mídia online.

Se a foto cria um registro ou oferece uma estética para a narrativa, o infográfico tem como uma das principais funções facilitar a compreensão de acontecimentos e de dados para o leitor, o que é útil se a matéria for cheia de números. Artigos acadêmicos apontam o infográfico como um recurso utilizado sobretudo quando somente o texto não é o bastante para explicar de forma clara o assunto abordado. E, assim como a foto, ele também pode ser usado para causar impacto visual e levar os leitores a se interessarem pelo conteúdo.

Embora a utilização de infográficos em matérias não seja algo novo, a crescente migração do jornalismo para o mundo online expandiu as possibilidades de se trabalhar com infografia. O principal exemplo disso é o gráfico interativo. Ao contrário do infográfico tradicional e estático, mais comum de ser encontrado no jornal impresso, o interativo permite que o usuário explore mais a fundo as informações e tenha um maior engajamento com elas.

Porém, o boom do infográfico interativo já passou. Pelo menos, essa é a visão de Rodolfo Almeida, jornalista que trabalhou por três anos como infografista do jornal Nexo.

“Isso se deve sobretudo ao menor tempo de engajamento do leitor com materiais jornalísticos, ao imediatismo das redes sociais e ao uso do celular como principal dispositivo de leitura, que, com frequência, exige a adoção de soluções de interatividade diferentes das do desktop”, explica Almeida. Ele afirma que essa visão é partilhada por diversos profissionais dessa área de atuação.

Parte de infográfico produzido por Rodolfo Almeida para o jornal Nexo. Confira o infográfico completo em https://www.nexojornal.com.br/grafico/2017/06/14/O-que-resta-da-mata-atl%C3%A2ntica-no-Brasil

Mesmo assim, Almeida afirma que a infografia no jornalismo online está longe de desaparecer, muito pelo contrário, ela tende a se tornar cada vez mais presente e explorada. Inclusive, ele defende que esse assunto precisa ser mais ensinado nas faculdades de jornalismo para que elas formem profissionais mais preparados para o mercado de trabalho atual. “Apenas pautar, apurar e escrever já não bastam como habilidades do jornalista. É necessário trazer conhecimentos de outras áreas e aliá-los à habilidade de reportagem para a produção de um novo jornalismo”, acredita.

Infografia também em vídeo

Além da interatividade, a internet permite um novo formato aos infográficos que não pode ser encontrado no impresso: o videográfico. A possibilidade de produzir um infográfico em formato audiovisual, com direito a narração e efeitos visuais, faz com que a compreensão da informação seja ainda mais simplificada e acessível para o público.

Naturalmente, um videográfico exige muito mais tempo e trabalho para ser produzido do que um infográfico. Para Jonatan Sarmento, formado em Comunicação Digital pela Unisinos e integrante da equipe de arte do jornal Zero Hora, de Porto Alegre, esse trabalho compensa quando há a necessidade de guiar a pessoa em uma história complexa. “Eu acho que o videográfico é mais fácil de ser consumido. O usuário dá play e assiste o que temos para contar. Alguns infográficos interativos demanda uma certa participação do usuário, já que eles navegam, clicam e exploram o conteúdo. Tudo depende do conteúdo”, explica Sarmento.

O videográfico também pode ser produzido a fim de oferecer uma outra alternativa de formato para compreender um assunto. Como exemplo disso, Sarmento produziu para o jornal Estadão, de São Paulo, o videográfico abaixo que fala sobre a reconstrução da Estação Antártica Comandante Ferraz, base brasileira no continente antártico, que foi destruída por um incêndio em fevereiro de 2012. Ele conta que esse material audiovisual, que levou cerca de dois meses para fazer, foi apenas para dar aos leitores uma outra forma de consumirem o assunto, uma vez que o jornal publicou sobre a estação também em formato impresso e online.

The post O presente e o futuro da infografia appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
https://mescla.cc/2019/09/09/o-presente-e-o-futuro-da-infografia/feed/ 0
Os bastidores da reportagem de dados https://mescla.cc/2019/08/28/as-experiencias-de-um-jovem-jornalista-investigativo/ https://mescla.cc/2019/08/28/as-experiencias-de-um-jovem-jornalista-investigativo/#respond Wed, 28 Aug 2019 21:05:50 +0000 http://mescla.cc/?p=11166 Estudantes do curso de Jornalismo da Unisinos receberam uma visita especial na última sexta-feira, dia 23. O repórter multimídia da Zero Hora e GaúchaZH Marcel Hartmann visitou a turma da disciplina de Jornalismo Investigativo para contar aos alunos um pouco de sua trajetória. Ele também explicou como foram feitas algumas de suas reportagens e fez […]

The post Os bastidores da reportagem de dados appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
Estudantes do curso de Jornalismo da Unisinos receberam uma visita especial na última sexta-feira, dia 23. O repórter multimídia da Zero Hora e GaúchaZH Marcel Hartmann visitou a turma da disciplina de Jornalismo Investigativo para contar aos alunos um pouco de sua trajetória. Ele também explicou como foram feitas algumas de suas reportagens e fez apontamentos sobre o presente e o futuro da profissão.

Assim que passou pela porta, Marcel surpreendeu os estudantes por sua juventude. Com apenas 26 anos, o repórter já carrega um currículo bastante extenso, que inclui grandes veículos de imprensa, como Portal Terra, TVE e Estadão. Na Zero Hora e GaúchaZH, ele cobre áreas como educação, saúde e meio ambiente, muitas vezes produzindo grandes reportagens.

Marcel também já conquistou espaços internacionais. Na faculdade, ele fez um intercâmbio de um ano na França, onde estudou Comunicação e Letras. Ele também passou 40 dias no The Dallas Morning News, jornal sediado no Texas, Estados Unidos, para estudar o caminho de uma reportagem de dados em uma redação norte-americana.

O objetivo de Marcel na Unisinos era contar um pouco sobre os bastidores de uma grande reportagem, principalmente daquelas que se baseiam em dados numéricos para aprofundar um fato ou informação – conhecidas também como “reportagens de dados”. Marcel não só possui bastante experiência em produzir matérias desse tipo, como também já recebeu prêmios por alguns de seus trabalhos.

Ao pegar de exemplo a reportagem “Não é só mérito”, de autoria dele, publicada na Zero Hora no dia 27 de julho, Marcel trouxe uma perspectiva inédita aos alunos: a de que, mais do que nunca, é necessário para um bom jornalista ter entendimento de programação. Para essa matéria, o repórter, juntamente com uma equipe de programadores, elaborou uma inteligência artificial para analisar o desempenho das quase 4 milhões de pessoas que realizaram a prova do Enem de 2018. “Utilizamos o recurso porque é humanamente impossível analisar um número tão grande de notas”, explicou Marcel.

Um dos pontos essenciais da reportagem de dados, segundo Marcel, é a necessidade de humanizar as informações numéricas trazidas no texto para que ela não fique com cara de um relatório. Para essa matéria, que mostra a relação entre as notas obtidas pelos alunos no Enem 2018 com questões como sexo, etnia e renda familiar dos candidatos, Marcel se encontrou com alguns estudantes que prestaram a prova. A ideia era conhecer como eram suas vidas e rotinas de estudo. “Foi muito trabalhoso encontrar esses candidatos. Meus editores sugeriram que eu realizasse as entrevistas por telefone, mas preferi fazer pessoalmente”, disse.

Além de programação, Marcel ressaltou aos alunos que a leitura é uma peça fundamental na formação de um jornalista. Não apenas de livros, mas também de jornais e revistas. “A leitura deixa a gente mais apto para fazer nosso trabalho e também ajuda a encontrar novas possibilidades de pautas para reportagens”, ensina o repórter.

Como exemplo disso, Marcel citou uma reportagem dele que fala sobre Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), um medicamento que reduz em mais de 90% o risco de se contrair o HIV, vírus causador da Aids. A ideia para escrever essa matéria veio após o jornalista ter lido uma outra reportagem sobre esse mesmo medicamento. “Li e considerei o texto preconceituoso. Então, decidi falar sobre o mesmo assunto, mas trazendo um novo ponto de vista”, comenta Marcel, que foi o vencedor, com esse material jornalístico, do Concurso de Jornalismo Investigativo sobre HIV e Aids na América Latina e no Caribe 2019.

“A visita de Marcel Hartmann foi muito proveitosa e esclarecedora. Os estudantes com certeza tiveram ampliados os entendimentos sobre a produção de uma reportagem de dados”, avalia a professora Luciana Kraemer. “Acredito que os futuros jornalistas se sentem mais confiantes em produzir matérias investigativas de relevância para a sociedade”.

Os estudantes do curso de Jornalismo tiveram um aprendizado intenso sobre a produção de reportagens investigativas

The post Os bastidores da reportagem de dados appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
https://mescla.cc/2019/08/28/as-experiencias-de-um-jovem-jornalista-investigativo/feed/ 0
O que aprendemos com a greve dos caminhoneiros https://mescla.cc/2018/06/15/o-que-aprendemos-com-greve-dos-caminhoneiros/ https://mescla.cc/2018/06/15/o-que-aprendemos-com-greve-dos-caminhoneiros/#respond Fri, 15 Jun 2018 19:35:36 +0000 http://mescla.cc/?p=6491 (Texto: Kellen Guaragni Dalbosco e Gabriel Aita Ost)   Nas redes sociais, a cena era de seriado apocalíptico. Mas, as estradas vazias não anunciavam o fim do mundo. Era uma greve no principal setor de transportes do país, que cruzou os braços durante dez dias. Empunhando bandeiras do Brasil, manifestantes fizeram uma série de reivindicações, entre elas, pedidos de intervenção militar no Estado e de socorro ao alto escalão do Exército Nacional.   A greve ocorrida em maio […]

The post O que aprendemos com a greve dos caminhoneiros appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
(Texto: Kellen Guaragni Dalbosco e Gabriel Aita Ost)

 

Nas redes sociais, a cena era de seriado apocalíptico. Mas, as estradas vazias não anunciavam o fim do mundo. Era uma greve no principal setor de transportes do país, que cruzou os braços durante dez dias. Empunhando bandeiras do Brasil, manifestantes fizeram uma série de reivindicações, entre elas, pedidos de intervenção militar no Estado e de socorro ao alto escalão do Exército Nacional.  

A greve ocorrida em maio passado provocou pane geral no governo, no país e na mídia, que viu seu trabalho questionado na mesma proporção que o movimento se estendia. Em 2013 e 2015, os caminhoneiros também se mobilizaram, mas, em 2018, pegou de surpresa uma imprensa desacreditada na força da categoria. Desse modo, o movimento demorou para ser percebido pelo jornalismo e, quando foi notado, foi apresentado a partir de suas consequências, e não das causas.  

No dia 16 de maio, cinco dias antes da paralização, em ofício enviado ao Palácio do Planalto, e revelado pela publicação online The Intercept, os caminhoneiros avisaram: “vamos parar o Brasil”. Encaminhado por entidades ligadas à categoria e endereçado a diversos ministros e ao próprio presidente da República, o documento encontrou as gavetas do congresso. No dia 21, sem respostas, de fato, eles pararam.  

 

Site The Intercept Brasil | Foto: Reprodução

 

Notificação do WhatsApp: uma greve silenciosa 

A greve teve um aliado poderoso e utilizado por mais de 120 milhões de brasileiros: o WhatsApp. O aplicativo foi crucial para a organização dos manifestantes que colecionavam grupos com lideranças, repassavam fotos e textos patriotas, áudios narrando as paralisações e mensagens de supostos militares anunciando uma intervenção militar iminente. Toda essa carga de informações, muitas vezes recheadas de notícias falsas, foi uma pedra no sapato dos jornalistas que cobriam o acontecimento.   

A doutoranda em Comunicação e professora de Jornalismo da Unisinos Luciana Kraemer questionou o fato do aplicativo ser capaz de, ao mesmo tempo, tornar acessível e omitir a informação de todos. “O WhatsApp nem é uma mídia que a gente possa monitorar, quer dizer, claro que pode, se tu tá recebendo. Mas, as mídias sociais, de notícia, que até então eram mais conhecidas como sendo de notícias, como o Facebook, o Instagram, o Twitter, eles ainda preveem um monitoramento, mas e o WhatsApp?”, indagou.

 

A imprensa também demorou para notar o que acontecia nos smartphones dos manifestantes. Noticiando o modo como os caminhoneiros estavam sorganizando, a primeira reportagem foi publicada dias depois do início da greve, o que, para Leandro Demori, editor executivo do The Intercept, foi um erro das redações. “É o mínimo alguém que vá nos pontos de greve e converse ‘como vocês se organizaram, como surgiu a ideia? Um negócio bem básico que deveria ter sido feito no primeiro dia, mas que de fato foram feitas lá no final”, comentou.

 

Sobraram perguntas, faltaram respostas

No dia 21, enquanto os caminhões começavam a parar pelas estradas, os jornais impressos do país não deram espaço para o movimento. A demora na reação da imprensa e a consequente cobertura do evento feita por ela geraram críticas nos mais diversos meios. A ombudsman da Folha de São Paulo disse que o jornal não conseguiu responder quem, de fato, parou o país. O jornalista gaúcho Carlos Wagner afirmou que a mídia forneceu aos leitores informações imprecisas, “justamente no momento em que ele precisava saber o que estava acontecendo para se organizar”, diz. 

Capas do Jornal Zero Hora nos dias 21, 22 e 23 de maio | Foto: Reprodução

Capas do Jornal O Globo nos dias 21, 22 e 23 de maio | Foto: Reprodução

Capas do Jornal Folha de São Paulo nos dias 21, 22 e 23 de maio | Foto: Reprodução

Quem acompanhava a greve de casa, via pela televisão três pontos principais de entradas ao vivo dos repórteres: postos e abastecedoras de combustível, supermercados e feiras e o Palácio do Planalto. Nos jornais impressos e internet, a lógica se repetia, assim como as informações e fontes utilizadas. 

“Quando acontece um negócio desses, no começo é muito difícil ter uma leitura exata do que fazer. Eu acho que a imprensa tem algumas horas desde o início de um evento traumático em que ela realmente precisa ajustar o foco, é algo normal”, opinou Demori. O The Intercept, veículo em que o jornalista atua, não trabalhou com a cobertura ponto a ponto da greve dos caminhoneiros. Ao contrário, optou por entender o impacto do acontecimento e, após, entrar com matérias de análises e, como no caso do ofício divulgado, informações exclusivas.  

Para Demori, a mídia ficou muito presa nos discursos oficiais e o que se viu foi uma cobertura voltada a falas e posicionamentos dos ministros e presidente. “Muitas vezes (a imprensa) acaba caindo em várias armadilhas, intencionais ou não, e compactuando com o discurso oficial. Isso ficou claro quando o Temer anunciou o fim da greve. Ele juntou alguns representantes de entidades lá no palácio e monocraticamente anunciou que a greve acabaria, e claramente isso não aconteceu. Então eu acho que falta senso crítico em relação a isso”, contou. 

Luciana Kraemer apontou e criticou uma imprensa pautada pelos poderes. “A agenda dos veículos, tirando os independentes, tem sido a dos governos, o que o ele faz, deixa de fazer ou tá fazendo. Então, quando os poderes fazem, dizem ou agendam algum ato ou ação, aí a imprensa vai atrás. Acho que a imprensa tá muito reativa e não pró ativa”.

 

Principais manchetes do Jornal Zero Hora, durante a greve | Foto: Reprodução

Quem acredita que a greve dos caminhoneiros tenha sido um evento complexo para se acompanhar é o professor de Jornalismo da Unisinos Felipe Boff. Para ele, os jornalistas não são figuras desligadas do restante da sociedade e sofreram dos mesmos efeitos do restante da população. Mas, apesar de tal condição, ele não poupou críticas ao trabalho da imprensa na cobertura o evento.  

“Percebi que, no primeiro momento, não se mostrou tanto o caminhoneiro. Quando eclodiu a greve, ele não era o principal da cobertura, e sim, imediatamente, se partiu para cobrir os efeitos da greve.  A imprensa procurou ouvir o caminhoneiro a partir do momento em que viu que aquela liderança que negociava com o governo não representava de fato a categoria. Então, foi se tentar descobrir quem são essas pessoas que estão protestando e o que elas querem”, comentou o professor.  

A pesquisadora e professora da Unisinos, Dra. Beatriz Marocco avaliou o discurso da mídia como “alarmista”. Ela apontou as manchetes voltadas para o desabastecimento de combustíveis, alimentos e medicamentos que predominaram as reportagens. “O discurso parece voltado a amedrontar as pessoas em relação ao desabastecimento nos setores de alimentação e hospitalar. Há um predomínio do discurso oficial”. Beatriz ainda bateu o martelo dizendo que “no Brasil, mídia e governo são irmãos siameses”. 

 

Os porquês atrás da prática

A cobertura da greve não se diferenciou drasticamente de um veículo a outro, dentro da imprensa mais tradicional. De modo geral: sobraram oficialismos, faltaram lados a mostrar. Na televisão, repórteres se revezavam em entradas ao vivo, e, por diversas vezes, com a função de repetir informações.  

“A repetição é característica da cultura de massa, na qual o jornalismo também se inclui. A repetição da informação tem função de redundância para que seja assimilada e chegue a todos. Há, também, uma repetição na forma, que faz ouvir sempre as mesmas fontes”, explicou a pesquisadora Dra. Christa Berger. Ela acredita que tal prática tenha, de fato, criado um efeito alarmista na população, enfatizando os efeitos da greve e criando uma espécie de caos social.

Tanto Christa, quanto Beatriz concordam, quando afirmam que a mídia criou um alvoroço na população, com a chamada Teoria Hipodérmica, conhecida no jornalismo. A teoria afirma que uma mensagem enviada para um público afeta a todos os indivíduos da mesma maneira. O que, neste caso, explicaria o fato de que a imprensa teria inflamado a população quanto a falta de abastecimento, criando filas gigantescas nos postos de gasolina e supermercados.  

Na opinião de Felipe Boff, os veículos de comunicação não têm o poder de determinar o caos, o que não significa que, em algum momento do passado, não o tenha feito. “Talvez nos primórdios essa teoria tivesse mais sentido, não hoje, com a variedade de canais de informação que nós temos. Não vejo que a imprensa disseminou o caos, eu acho que a ela noticiou. O grande cuidado que nós precisamos ter é sempre a informação de contexto, mostrar que isso aconteceu ali e não necessariamente tá acontecendo em todo lugar”.  

Luciana disse que a mídia pecou em não ouvir os manifestantes, mas que isso é um reflexo histórico do distanciamento dos profissionais com os ativistas dos movimentos sociais. Segundo ela, o jornalismo é uma profissão conectada à sociedade, e que, por isso, poderia trazer abordagens diferentes da mobilização sem depender do ponto de vista do governo.  

Beatriz sentenciou que o enquadramento, a escolha do que mostrar, por parte da mídia, é, por si só, uma forma de manipulação das informações. Christa não retirou a responsabilidade dos veículos, mas afirmou que há a ausência de recepção crítica por parte da população, para que possa se contrapor a esse efeito do enquadramento midiático.

 

O que, de fato, aprendemos?  

Boff acredita ser um romântico do jornalismo ao afirmar que o mal das redações é quando o profissional não sai para a rua e acaba realizando um trabalho pelo telefone, e-mail e, pela própria ironia do movimento, pelo WhatsApp. “É o que vai diferenciar mais o trabalho do jornalista do trabalho de quem simplesmente joga a informação na rede. O jornalista é o cara que tem a missão de ir lá, de ir até o fato e ver se tá acontecendo, conversar com as pessoas olho no olho, sabe? As outras pessoas não têm esse compromisso, né?”.  

Tanto os professores Luciana e Boff, quanto as pesquisadoras Christa e Beatriz apostam na formação dos profissionais para criar lógicas diferentes dentro da imprensa tradicional. Beatriz disse que as redações são majoritariamente brancas, e que, portanto, é difícil mostrar um lado que não o normativo destas pessoas. “Uma boa formação do jornalista pode mudar esta prática. As cotas são outro fator importante, porque pode tirar da classe média branca o predomínio nas redações jornalísticas”, disse. 

Foto: Gabriel Matula | Reprodução

Luciana é, entre outras, professora das disciplinas de Jornalismo Investigativo e de Telejornalismo na Unisinos. Ela apontou que o trabalho realizado dentro das salas de aula é o de justamente tentar desmistificar o jornalismo decoratório, de oficialismos. “Eu trabalho muito intensamente essa busca de pautas que não são agendadas pelo poder. Desfazer esse olhar do mais importante ser o que os poderes estão dizendo. Acho isso fundamental”.  

Demori falou que existem muitos profissionais excelentes na imprensa, mas que muitas vezes eles ficam presos as lógicas destas mesmas redações. “Cada uma dessas grandes organizações de mídia tem seus papéis bem estabelecidos no poder, então é injusto com o jornalista. Se os chefes de redação falassem para os seus jornalistas ‘nada de hard news, vamos fazer uma cobertura fod*, vamos ver o que a gente consegue trazer’. Temos jornalistas muito bons por aí, esse jogo não é justo”, afirmou.  

Boff também falou sobre as dificuldades da imprensa e o quanto isso pode ter afetado o trabalho na cobertura desde evento. “Não é que a imprensa não saiba disso, ela sabe, por outro lado, ela tá sendo muito pressionada com os custos de produção do jornalismo. As pessoas não querem pagar por informação. Aí, como tu vai colocar um repórter na rua se não tem receita pra isso? A imprensa deixa de fazer o trabalho completo, em boa parte, porque ela não tem condições de fazer”, alegou. 

The post O que aprendemos com a greve dos caminhoneiros appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
https://mescla.cc/2018/06/15/o-que-aprendemos-com-greve-dos-caminhoneiros/feed/ 0