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O professor ministrante do curso, Charles Di Pinto, vai tratar sobre os diferentes segmentos na indústria da música, quais os desafios para trabalhar em cada um, e alguns caminhos para entrar no ramo. “Vou falar sobre remuneração e quanto tempo geralmente leva para se tornar um profissional. E vou aprofundar um pouco mais no assunto das carreiras no setor fonográfico”, completa.

Para Charles, muitas pessoas têm afinidade com a música, e imaginam como seria uma carreira nesse setor. “Alguns já ingressaram na área, outros têm dúvida se vale a pena investir tempo e dinheiro para viver disso. Esse curso é para essas pessoas”, comenta.
Para saber mais e se inscrever, basta acessar o link.
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Para começar, aprendeu sobre como sobrepor camadas sonoras a partir de programas que gravavam em multipista (método que possibilita trabalhar com múltiplas fontes de som), como o Audacity, o que ajudava a “misturar as ideias”.
Com a adolescência, veio a primeira banda, quando se reunia com colegas do colégio para tocar Blink-182 num estúdio do lado da casa dele, em Canoas. Naquele momento, segundo Brandão, se aprendia tocando junto. “Tinha o hábito insaciável de conhecer bandas de pop-punk e emo na internet”.
Mas foi quando passou a frequentar rolês em Porto Alegre que a cena musical de grupos se abriu: “O primeiro deles, lembro bem, foi a apresentação do Chuva Negra na Cidade Baixa, em 2012, uma banda punk-hardcore de São Paulo, a convite de um amigo. Um ano depois, eu e ele formamos uma banda, que misturava toda essa energia do emo dos anos 1990 (guitarras limpas e tudo mais)”, lembra Brandão.
A banda em questão se chamava Everyone Goes to Space (basta clicar para escutar). “Gravamos um EP (produção intermediária entre single e álbum) em 2014, que inaugurou o selo da Umbaduba Records, que mais tarde lançou bandas como Não ao Futebol Moderno, slsd, entre outras. Porém Felipe recorda que, apesar de ter encontrado pessoas com gostos e jeitos parecidos para a produção musical, manteve, ao mesmo tempo, a paixão por elaborar música sozinho e gravá-las, “quase como uma memória afetiva”, segundo ele.
“É claro que a forma de encarar a coisa foi mudando à medida que aprendi mais e mais sobre os processos de gravação”, afirmou Brandão. “Não que eu prefira o processo solitário – cada formato tem seus prós e contras –, é que tem alguma coisa terapêutica em perseguir a vontade de ser o que se quer ouvir, mesmo que seja para criar sons novos e deixar eles envelhecerem dentro da gaveta”. Mas nem sempre eles envelhecem lá dentro.

Para os sons que ele não queria que envelhecessem na gaveta, Brandão passou a colocá-los num projeto que chamou de “Pianocoquetel”, que é como o artista se autointitula hoje. “A ideia foi publicar mesmo o que tava afim, organizar trabalhos em coleções e lançar. Tudo gravado em casa”, conta.
Dessa forma, o primeiro EP saiu em 2019, pelo selo fonográfico criado por Brandão, Antônia Kowacs e Alexandre Porto de Almeida chamado Operação Golfinho Records. O EP ganhou o título “Eu vou deixar a roleta girando” (clique para ouvir). Mas nesse ano, lançado no final de abril, ele lançou um novo disco cheio chamado “Botando lenha na fogueira errada”, disponível no Spotify, Bandcamp e outras plataformas musicais.

“O ‘Botando lenha na fogueira errada’ foi uma experiência única em questão de gravação, mixagem e masterização. Primeiro, porque o processo foi 95% realizado durante a pandemia”, relembra. Naquele momento, não poderia ser diferente, mas, consequentemente, isso mexeu em todos os âmbitos do trabalho, desde os pessoais da criação até os técnicos, como a execução.
“Ironicamente, justamente num período de distanciamento social, foi o primeiro trabalho que gravei tudo sozinho, mas quis que alguém mexesse livremente nas gravações depois, tentando explorar novas formas”, disse. A pandemia atrapalhou principalmente a parte técnica, conta Brandão, já que compartilhar “arquivo pra cá e arquivo pra lá” sempre dá problema. Mas a pandemia também abalou coisas mais estruturais, como a composição: “Lembro de entrar num dilema (que muita gente entrou no início da quarentena) de ou compor sobre as coisas que estavam rolando e soar óbvio, ou compor fingindo que nada daquilo estava acontecendo e soar alienado”.
A proposta estética foi usar poucos timbres e fazer todas as músicas funcionarem dentro de um padrão pré-estabelecido; e limitar a quantidade de ferramentas – já que no mundo do áudio digital elas são infinitas. “Me apaixonei muito enquanto compunha por bandas que usavam timbres quase crus de guitarra, como o Gang of Four e o Devo. Alguns discos dos Titãs também, como o Cabeça Dinossauro. Quis fazer um contraponto a uma certa “regra” da música alternativa/independente atual, em que tudo precisa ter efeito e reverberação”, explica o artista.
“Quis reproduzir essa estética do fim dos anos 1970 de cruzar instrumentos sincopados meio “duros” (eventualmente consequência da limitação tecnológica da época), recriando ela em 2020, em casa, no computador, intencionalmente”, conta Brandão sobre parte do processo. “Foi um vai e vem maluco tentando me autodisciplinar e manter um ritmo, não cansar muito rápido das coisas que eu fiz”.
O álbum ficou pronto completamente em dezembro de 2021 e, com a pós-produção, foi lançado em maio de 2022. “Nunca tinha feito uma pós-produção tão longa, mas valeu muito a pena”, disse.
A pós-produção contou com a ajuda de muitos amigos durante todo o tempo, mesmo que remotamente. “O Leo Mocca, do Estúdio Transcendental aqui de Porto Alegre, foi o escolhido pra pegar minhas gravações e manipular. Foi também o maior dos guerreiros desse processo, porque teve que me consolar e me motivar em dois momentos em que eu quase joguei tudo pro alto. Foi ele quem mixou”, revela Brandão. Depois, Bernard Simon, outro grande amigo, trabalhou na “cereja do bolo”, que foi a masterização. “Aí eu já estava com a cabeça limpa pela minha parte estar pronta, então, foi só alegria”, brinca.
Para lançar o álbum, ele chamou a Voo Conteúdo para fazer a assessoria de imprensa (releases, mídia social, press kit), o que ele não tinha feito em trabalhos anteriores. Já a capa do álbum é uma arte em pixel feita pelo artista Felipe Veeck, e as fotos de divulgação foram tiradas pelo Leonardo Ramos.
Para encerrar, ele afirmou: “Acredito que a coletivização do trabalho foi a melhor saída pra um disco grande, mesmo que num momento não muito oportuno. Tenho descoberto (e adorado) meios de manter minha criatividade rolando solta em casa, mas sem esquecer que a arte só faz sentido coletivamente”.
Você pode conferir o resultado completo do álbum abaixo:
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Natural de Niterói, no Rio de Janeiro, Leonardo é baixista da Alpargatos, grupo porto-alegrense que mistura MPB, Indie Rock e literatura. Além das apresentações e criações musicais para a banda, divide suas atenções com a OCorre Lab, onde atua como produtor musical. A empresa é especializada em produção musical, audiovisual e executiva.
Leonardo lembra que se encontrou pessoalmente e profissionalmente ainda criança, aos 11 anos. Na época, seu professor de violão lhe apresentou os primeiros softwares de edição de música. “Sempre fui meio nerd. Sempre me interessei muito pela parte digital das coisas”, explica. No mesmo dia que conheceu os programas de edição, o pequeno Leonardo já os instalou no computador. “Peguei minha guitarra e já fui mexendo”, recorda. Apaixonado por música, ele acredita que o começo precoce foi essencial para o aperfeiçoamento de seu ouvido musical e para a carreira como produtor. “Sou um pouco autodidata”, observa.

Leonardo trabalhava como técnico de som e produtor musical em estúdios e agências de publicidade quando decidiu cursar Produção Fonográfica. “Sempre fui apaixonado pela área. E a formação acadêmica dá mais respeito a esse trabalho”, comenta o egresso, que se formou em 2020. Para ele, o curso foi muito importante. “A Produção Fonográfica abriu portas e me fez conhecer artistas e estúdios que, provavelmente, eu demoraria para encontrar no mercado”, avalia.
Alpargatos é um grupo porto-alegrense que mistura MPB, Indie Rock e literatura. A entrada de Leonardo na banda ocorreu em 2017, mas a parceria profissional e a amizade vêm de longa data. “Conheci a banda em 2013, quando trabalhei como técnico de som em uma gravação deles. Começamos a amizade e eu passei a ir em muitos shows”, conta. Pela afinidade e conhecimento do repertório, acabou sendo convidado pelo grupo para substituir o baixista, que estava de saída, na época.

A banda já lançou três EPs de músicas inéditas, começando em 2015, com Rodovia do Parque. Em 2017, veio Essa Cidade Cheia de Heróis. Em 2019, estreou O Chão é Lava. Agora, em 2021, Alpargatos lançou o EP de músicas ao vivo Se Hoje Eu Não Sair. Confira aqui.
Da vivência com os integrantes surgiu o principal trabalho profissional de Leonardo: OCorre Lab, um laboratório de criação de conteúdo musical. “Foi criado em 2018 por mim e pelo Bruno, guitarrista do Alpargatos. Na empresa, eu fico com o setor de produção musical, e o Bruno, com a produção audiovisual”, explica.
Segundo Leonardo, a ideia da produtora surgiu porque sempre foi uma prática dos dois fazer as produções audiovisuais da banda. OCorre Lab já produziu musicalmente mais de cem artistas da área musical, sendo responsável pelo lançamento das músicas e clipes.
Leonardo entende que o mercado de produção musical está crescendo consideravelmente. Para ele, mesmo que hoje em dia haja menos estúdios grandes, que monopolizam o cenário, a demanda de serviço está cada vez maior. “Por conta da quantidade de ferramentas de edição e com preços mais acessíveis, ficou mais fácil produzir. Por isso, mesmo estúdios e artistas com menos expressão conseguem produzir bons trabalhos na música”, analisa.
Mas, para isso, alerta Leonardo, é preciso ter atenção em dois pontos cruciais. “Para que o trabalho seja valorizado, o bom produtor precisa, primeiramente, dominar a parte técnica da função. Ao mesmo tempo, é necessário se inovar constantemente”, diz. Para ele, a inovação, no entanto, surge somente se o profissional estiver sempre atento e consumir bastante a cena musical de todos e de qualquer estilo musical. “É daí que as referências aparecem”, complementa.
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O processo de produção dos podcasts ocorreu ao longo das aulas e os alunos utilizaram entrevistas e conversas que já tinham sido realizadas com músicos e produtores no material.
São oito episódios e os temas variam, envolvem desde a criminalização da música negra no Brasil, a presença das mulheres na indústria fonográfica, passando pelos usos do instagram no marketing de artistas, entre outros. Para Adriana, foi um semestre de muito aprendizado, mesmo à distância.
Os episódios dos oito podcasts podem ser conferidos no Spotify do Mescla.
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]]>O Stay Black se dedica a organizar eventos de rua gratuitos, fazer rodas de conversa e trazer artistas negros de várias partes do Brasil para que seus trabalhos tenham um público cada vez maior. Agora, o coletivo está lançando seu mais novo trabalho, o programa Tem Preto no Sul, graças ao patrocínio conquistado no programa Natura Musical, que anualmente seleciona iniciativas voltadas à música para receberem apoio financeiro.
O intuito do projeto Tem Preto no Sul é ajudar a lançar novos artistas negros na cena musical do Rio Grande do Sul. Para isso, serão selecionados três músicos negros do Estado para receberem oficinas de produção musical, composição e expressão corporal a fim de dar a eles toda a experiência necessária para se lançarem na música. Além disso, cada artista também vai gravar um EP com até três faixas custeado pelo projeto.
Esse é o primeiro projeto do grupo que recebe apoio financeiro via edital. Normalmente, todos os trabalhos são realizados de forma independente. A equipe por trás da iniciativa é composta somente por pessoas negras, o que, segundo o produtor geral do Tem Preto no Sul e um dos fundadores do coletivo Stay Black, Lucas Uilson da Silva, é uma forma de criar oportunidades em outras áreas operacionais do meio produtivo da música.
“Através da criação desse espaço e fomento de uma cena onde estamos no protagonismo, acreditamos que vamos impactar não só em nosso meio, mas na sociedade em geral, revolucionando um mercado que até então nos trata como recorte, nos colocando sempre numa posição de cotas em que nunca podemos ser todos ou ser muitos, sempre somos um ou dois”, explica Lucas, também conhecido pelo nome artístico de Zilladxg.

Zilladxg defende que a baixa visibilidade negra dentro da música é um reflexo do racismo estrutural da sociedade. Conforme o produtor, existe um número cada vez maior de negros na música, mas muitos acabam desistindo por conta da invisibilização, da falta de recursos e oportunidades.
“Quem majoritariamente detém os recursos são pessoas brancas, sejam elas produtoras, empresárias, gerentes de marcas que patrocinam o meio cultural, donas de casas de shows, mídias etc. Enquanto o racismo e o privilégio de classes não forem postos na área central do debate e a presença negra nessas áreas ainda for pequena, as oportunidades seguirão nos desfavorecendo”, afirma.
O músico, poeta e educador popular Richard Burgdurff, conhecido pelo nome artístico de Richard Serraria, acrescenta que os negros sempre tiveram uma presença na música ao longo da história do Rio Grande do Sul. Porém, o racismo estrutural da sociedade apagou a identidade deles, principalmente por causa do tradicionalismo gaúcho.
“O tradicionalismo constrói um folclore que boa parte da sociedade gaúcha toma como oficial e que passa a vigorar como uma verdade. E, nesse folclore, não existe a presença negra. Mas a cultura negra existe e é forte até hoje, inclusive dentro da música. A riqueza do Estado foi construída com mão de obra negra. Então, como pode não haver presença negra na música?”, questiona Richard, que é doutor em Estudos de Literatura Brasileira pela UFRGS.
iniciativas como a Tem Preto no Sul, na opinião de Richard, são importantes para furar bloqueios e mudar o cenário atual da música, em que os negros encontram maior dificuldade de produzir, apresentar e disseminar sua obra. “O racismo e a desigualdade social levam muitos artistas negros a não terem boas condições de gravar suas músicas. Toda brecha, todo espaço que houver para mudar esse cenário e incluir esse tipo de conteúdo, eu considero boa”, defende.
Para Zilladxg, episódios como o assassinato de George Floyd, nos Estados Unidos, e do menino João Pedro e da vereadora Marielle Franco, no Brasil, não são nenhuma novidade para a população negra. O genocídio da população preta, acredita o produtor, perdura por séculos, se agigantou e ficou cada vez mais incabível nas últimas décadas.
“Nossa organização trabalha para dar voz e vez para essa camada da sociedade historicamente marginalizada e que muito contribui para o nosso país, econômica e culturalmente”, avalia Zilladxg. “Nossas vidas e sonhos devem ser levados a sério. E essa não deve ser uma missão somente das pessoas pretas. Toda sociedade deve e precisa reconhecer essa contribuição e agir para sanar essa triste realidade. Essa deve ser uma luta de todos.”
Os interessados em se inscreverem no projeto Tem Preto no Sul podem fazer sua inscrição por meio deste formulário até o dia 20 de junho.
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]]>The post Festival Espacial da Querência Internética trará diversidade musical appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>O festival é uma realização dos alunos do curso de Produção Fonográfica e está indo para sua quinta edição. Ele é resultado da cadeira de Projeto IV – Festival, onde os estudantes aprendem, na prática, como organizar um festival de música. O professor responsável pela disciplina, Frank Jorge, que também coordena o curso de Produção Fonográfica, diz que a ideia do evento é apresentar bandas e músicos emergindo de todas as regiões do Rio Grande do Sul e garantir uma boa variedade musical.
“Tanto para os alunos organizadores quanto para o público, é importante trazer um festival que dialogue com diversos estilos musicais e respeite todos igualmente. É um evento de caráter amplo e libertário, não segregacionista”, explica o coordenador.
O professor conta também que o festival será composto por uma série de vídeos dos artistas convidados tocando suas músicas, que serão postados no Instagram do curso por meio do IGTV. A produção do material também ficou por conta dos estudantes. E o encarregado por fazer a apresentação do evento é o professor Porã, que entende a necessidade do formato digital como uma oportunidade que vai abrir portas para novos trabalhos da Produção Fonográfica.
“Manter a essência do festival em uma nova plataforma é um caminho para que a gente possa explorar mais esse formato em outras atividades do curso, possíveis outros festivais e iniciativas do curso que vão surgir. Conseguir manter o festival nesse ano tão complicado que estamos vivendo é o mais legal nisso tudo. As bandas e os alunos se empenharam ao máximo. Tenho certeza que o que temos aqui é uma perspectiva bastante inovadora”, diz o professor.

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]]>The post Combate ao coronavírus altera programação da Escola da Indústria Criativa appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>Na semana em que a Organização Mundial de Saúde (OMS) declara pandemia de coronavírus (Covid-19), a Unisinos cumpre uma das primeiras providências solicitadas pelos Planos de Contenção à doença. Dentre as orientações divulgadas, a principal é evitar aglomerações. Além da atenção aos planos de contingenciamento do vírus lançados pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria Estadual da Saúde, a universidade trabalha com o Comitê de Monitoramento e Assessoramento, formado por representantes de diversas áreas da instituição de ensino. O Comitê tem como objetivo pensar em ações e procedimentos para tentar diminuir as possibilidades de contágio.
Dessa forma, a XVIII Semana da Imagem na Comunicação, que ocorreria entre 16 e 19 de março no Auditório Central do campus São Leopoldo, foi adiada e a nova data será informada em breve. O Encontro de Abertura do Semestre Letivo, com a tradicional fala do reitor da Unisinos, padre Marcelo de Aquino, e o café da manhã para mais de 500 funcionários e professores, agendado para sábado, 21 de março, teve que ser cancelado, sendo substituído por uma transmissão via internet. A decisão foi divulgada em comunicado interno do reitor: “Nossas decisões, ainda que possam gerar compreensível frustração, fazem-se necessárias no momento que estamos vivendo e estão alinhadas com as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e dos órgãos de saúde brasileiros.”
Neste sentido, o I Simpósio Brasileiro de Trabalho Digital – o DigiLabour, organizado pelo PPG em Comunicação, que seria realizado nos dias 15 e 16 de abril, foi adiado para o segundo semestre. O mesmo ocorreu com o IV Seminário Internacional de Pesquisas em Midiatização e Processos Sociais, que estava programado para ocorrer de 4 a 7 de maio, foi transferido para outubro.
A última grande mudança divulgada pela Unisinos foi em relação às formaturas programadas para o mês de março. Como é um momento de grande concentração de familiares e convidados dos formandos, a universidade interveio propondo mudanças às comissões. No caso da formatura de Publicidade e Propaganda e Produção Fonográfica, que ocorrerá neste sábado, foram feitas sugestões, incluindo o adiamento da formatura – para os que temem o risco de possível contágio – ou redução de convidados no Anfiteatro Padre Werner. A universidade segue se reunindo com as comissões de formatura para chegar a uma conclusão satisfatória para os diferentes casos. Mesmo importante, e cumprindo protocolos estaduais e nacionais, a mudança gerou enorme tristeza nos formandos da Escola da Indústria Criativa. Um misto de frustração com resignação perante um problema que tem enorme risco para saúde humana no mundo todo e que certamente irá se repetir em outras universidades e outros eventos nos próximos meses.
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]]>The post Agexcom dá uma mãozinha em trabalho de Produção Fonográfica appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>O trabalho consistia em criar algum material que fosse postado na internet, e o grupo optou por um podcast. A ideia foi muito bem recebida por Erica Hitawashi, professora da turma. Ela afirma que o podcast é um dos meios de comunicação mais fortes no momento. “É algo muito em alta. Na verdade, ele surgiu quase que junto com a internet, mas só agora está tendo destaque. E, para mim, o fato de veículos de imprensa de alcance nacional estarem investindo nisso é a maior prova de que o formato podcast é um sucesso”, avalia Erica.
Claro que o assunto desse podcast não poderia ser outro do que a paixão que une não só os integrantes do grupo, mas também vários alunos de Produção Fonográfica: a música. Mais especificamente, o rock. E assim surgiu o RockCast Unisinos 2019.
Feitos os roteiros dos quatro episódios e as gravações, faltava apenas dar o toque final. Foi aí que a Agexcom entrou em cena. O professor Daniel Pedroso ajudou a montar toda a estrutura do programa, enquanto o estagiário Ericks de Magalhães fez as edições de áudio. Andrei Krummenauer, estagiário de direção de arte, criou as ilustrações para serem usadas de capa nos episódios.
Essa foi a primeira experiência dos alunos com produção de podcast, e todos ficaram bastante satisfeitos com o trabalho entregue. “Ficamos até surpresos com o resultado, já que não tínhamos experiência nenhuma com esse formato. Na nossa visão, ficou bem legal!”, disse Julio Castro Pereira, um dos apresentadores do programa ao lado da colega Fernanda Cardoso Borges.
Erica, que também ficou muito contente com o resultado, ressaltou que o papel da Agex nesse podcast fez a diferença. “Graças à agência, o RockCast Unisinos 2019 ficou igual aos podcasts feitos por profissionais experientes”, elogiou a professora.

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]]>A viagem até a aldeia na cidade de Maquiné, na região litoral do Rio Grande do Sul, integra o cronograma de atividades extra curriculares dos alunos de Produção Fonográfica que também integram a gravadora experimental: um CD com músicas Mbya Guarani. No início do ano, os alunos entraram em contato com a aldeia e conversaram sobre as demandas. Para eles, era a oportunidade de produzir um material diferente e real; para os indígenas, a chance de preservar sua cultura e de poder vender sua música.
No dia da visita que o Mescla acompanhou, estavam presentes Marina Tabajara Brilmann, estudante do 6° semestre de Produção Fonográfica; Chrístian Vaisz, professor do mesmo curso e coordenador de projetos na Kiko Ferraz Studios; e a esposa dele, Crislei Gerhardt Vaisz. Marina e Chrístian levaram as quatro músicas gravadas ali, com o coral, para a aldeia ouvir o trabalho final.

Durante as primeiras gravações, surgiu a possibilidade de realizar um documentário, um desdobramento da necessidade de preservar a herança cultural em um outro formato. O pano de fundo da produção é o grupo musical Araí Ovy. O audiovisual trata de aspectos culturais, como a idealização que fazemos dos indígenas e a forma como eles se adaptam a outras culturas, característica que pode ser citada, erroneamente, como uma perda de identidade. Para essa produção, a parceria da vez foi com os alunos do Curso de Realização Audiovisual (CRAV), com direção de Pedro Valadão, aluno da Unisinos que concorreu com um curta no Festival de Cinema de Gramado.
O coral Araí Ovy é formado por treze pessoas, na sua maioria crianças, e coordenado por Romário Benites da Silva, o professor dos costumes indígenas na aldeia. Dos treze, quatro também tocam violão, violino, cajon — um instrumento de percussão feito de madeira — e um chocalho produzido com sementes secas. Diferente da cultura educacional não indígena, a cultura Mbya está pautada pela oralidade, contar histórias e cantar são parte dos ensinamentos.
As diferenças culturais não atrapalham na compreensão dos sentimentos envolvidos, e a estudante Marina tem consciência de que a confiança que conseguiram não pode ser desperdiçada. “Desde o começo, nós queremos fazer algo e devolver para a aldeia. O que sempre acontece é que as pessoas só procuram os indígenas para conseguir alguma coisa, gravar, fazer entrevista, e eles não ganham nada com isso”, ressalta.

As primeiras visitas feitas pelos alunos no início do ano foram para conhecer a aldeia e as demandas, como as músicas preferidas por eles, e o processo de produção. Além destas, questões antropológicas voltadas à preservação e também outras legais, como a forma de venda do CD. Uma das decisões tomadas, foi que as músicas seriam gravadas na aldeia, já que seria mais difícil deslocar as crianças até um estúdio em Porto Alegre. Aí entraram as técnicas fonográficas do curso, pois cada cada instrumento foi gravado separadamente, e o volume foi nivelado na mixagem para que ficasse o mais próximo possível do som que se ouve ao vivo. Para gravar os instrumentos, era necessário que os gravadores pudessem captar em quatro canais simultâneos.
Outro aluno que esteve presente nas gravações foi Leonardo Reis, do curso de Produção Fonográfica. “Nos acostumamos a gravar em estúdio, então foi uma coisa inesperada, em um ambiente muito diferente. Tivemos que usar tudo que aprendemos, mas de uma forma nova, adaptando para a realidade deles”, explicou Leonardo. Um dos fatores que tiveram de levar em conta foi a falta de eletricidade na aldeia. “A luz começa no nascer do sol e termina quando ele se põe. Chegamos cedo, umas seis e meia da manhã, e usamos gravadores portáteis.”
No dia que acompanhei a visita, Romário reuniu alguns dos membros do grupo para ouvirem as músicas gravadas, mas nem todos puderam ir por causa das suas funções rotineiras. Ao redor do computador, usando fones de ouvido, eles ouviram atentamente, apreciando o resultado da parceria. As crianças se dividiam para ouvir suas próprias vozes, e batiam os pés no ritmo, acompanhando a música.

Apesar de utilizarem a música como expressão, os Mbya Guarani são um povo silencioso. Suas reações são discretas, incluem pequenos sorrisos ou um tamborilar de dedos acompanhando a música. Para nós, acostumados a nos comunicarmos de maneira mais efusiva, traduzir os comportamentos deles enquanto ouviam as quatro faixas foi um desafio. No dia da gravação, com a grande quantidade de alunos e a movimentação, Marina lembra que a diferença era perceptível.
“Eles não falaram nada sobre isso, mas ficavam olhando”, contou a estudante, rindo um pouco com a lembrança. “Eles são muito silenciosos, se comunicam com olhares.” Têm até uma maneira de se referir a isso no modo de chamar os não indígenas: juruá, homem que fala muito.
Após escutar todo o trabalho, Romário tirou o fone, acenou com a cabeça e disse, mais com os olhos do que com palavras: ficou bom.
Agora, todo este trabalho poderá ser visto e ouvido pelo público em geral. O documentário e o CD serão lançados neste domingo, dia 10 de novembro, às 16h na Casa de Cultura Mário Quintana, com entrada gratuita, disponível para toda a comunidade. Os idealizadores também estarão arrecadando alimentos não perecíveis e agasalhos para a aldeia.

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