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Arquivos #literatura - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/literatura-2/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Thu, 14 Sep 2023 16:13:42 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 HQ criada por egresso da Unisinos apresenta super-herói LGBTQIA  https://mescla.cc/2023/08/07/hq-criada-por-egresso-da-unisinos-apresenta-super-heroi-lgbtqia/ https://mescla.cc/2023/08/07/hq-criada-por-egresso-da-unisinos-apresenta-super-heroi-lgbtqia/#respond Mon, 07 Aug 2023 19:46:51 +0000 http://mescla.cc/?p=18760 Você já ouviu falar em um super-herói brasileiro, pesquisador, gay afeminado, que não é malhado e usa aplicativos de relacionamento no dia a dia? Se não, conheça o Boy Magya, criado pelo doutor em comunicação e egresso do curso de Publicidade e Propaganda da Unisinos Christian Gonzatti. Além de autor dessa história em quadrinhos (HQ) […]

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Você já ouviu falar em um super-herói brasileiro, pesquisador, gay afeminado, que não é malhado e usa aplicativos de relacionamento no dia a dia? Se não, conheça o Boy Magya, criado pelo doutor em comunicação e egresso do curso de Publicidade e Propaganda da Unisinos Christian Gonzatti. Além de autor dessa história em quadrinhos (HQ) cheia de representatividade – e do livro “Pode um LGBTQIA+ ser super-herói no Brasil?” –, ele é o criador da Diversidade Nerd, plataforma que tem o objetivo de espalhar e produzir conteúdo sobre questões de gênero, sexualidade e outras diversidades na cultura pop. A equipe se intitula como “o lado colorido da força”. Além do site, o Diversidade Nerd conta com perfil no Instagram e canal no YouTube, que, juntos, somam mais de 150 mil seguidores.


Vídeo do canal Diversidade Nerd, em que Chris introduz o herói ao mundo (Reprodução: YouTube)


Antes de continuar, aperte o play para ouvir duas playlists: esta aqui (Spotify) e esta outra aqui (YouTube), elaboradas especificamente para ser apreciada em conjunto com a leitura da HQ, preparadas pelo próprio Christian. Assim, você pode entrar no clima e já entender um pouco o contexto da história. 

Como o Boy Magya nasceu? 


A edição da HQ conta com a coautoria de Guilherme Smee, além da arte de Danverdura na história principal, tirinhas especiais que utilizam o universo ficcional do Boy Magya, desenhadas por Arthur Pandeki e Renato Britto, prefácio de Rita von Hunty e posfácio da deputada federal e ativista Erika Hilton, sendo todos esses artistas e personalidades LGBTQIA+. Todos foram escolhidos, segundo Christian, para visibilizar o trabalho de pessoas que têm a mesma proposta que os autores.


“Boy Magya contra o monstro do armário” segue as aventuras do Mario. Ele é, assim como o Chris, um jovem gaúcho. A personalidade do protagonista se baseou claramente na experiência pessoal do autor. “O que é ser um jovem gay afeminado que cresceu no Brasil dos anos 90 e 2000? Esse é o contexto geracional em que eu estou inserido. Nós queríamos que ele não fosse um super-herói totalmente magérrimo ou malhado. Ele tem um corpo que pode ser lido como padrão, mas escapa um pouco ao padrão das histórias em quadrinhos”, comenta Christian.


Diferentemente de seu criador, o personagem se muda para outro Estado do Brasil, Recife, porque é lá, mais especificamente na Universidade Federal de Pernambuco, que existe um dos únicos programas de pós-graduação do país especializados em Arqueologia, área de pesquisa do Boy Magya. “A maior parte das histórias ficcionais brasileiras se passa no eixo Rio de Janeiro-São Paulo, então a gente quis descentralizar, indo para a Região Nordeste. E nada impede que, no futuro, como pesquisador, o Mario precise viajar para outras partes do país”.


Em uma de suas expedições, o herói, que antes era uma pessoa comum, descobre um artefato embaixo de um armário, escondido por bruxas, a pedido da deusa Íris, mensageira da felicidade, da “força colorida”. É a partir desse artefato que o Boy Magya surge e extrai seus poderes. Esses se manifestam com a alegria: quanto mais feliz o Mario está, mais forte ele fica e mais coisas ele consegue materializar apenas com o poder da mente. Mas o inimigo de Íris também possui um cristal, achado pelo coronel Ostra, que ativa os poderes do gatilho e enfraquecem Mario.


Arte de Arthur Pandeki em tirinha presente na edição (Fotos: Reprodução Instagram – @chrisgonzatti)


A influência da pesquisa na criação da história 


Chris conta que sempre foi um sonho dele escrever uma história ficcional, desde que começou a se constituir como um sujeito pensante, em contato com a literatura, principalmente com os livros do Harry Potter e, no universo dos quadrinhos, o Homem Aranha.


“Quando entrei na graduação, passei a fazer parte de um grupo de pesquisa chamado LIC (Laboratório de Investigação do Ciberacontecimento). Lá, eu saciei essa vontade da escrita, mas era um estilo totalmente diferente. Produzi muitos artigos científicos, tanto no mestrado quanto no doutorado”, explica.


“Nessa trajetória, comecei a estudar questões de gênero, sexualidade e cultura pop. Em decorrência de conhecer o Gui Smee, que é o coautor do Boy Magya, nessa caminhada acadêmica, eu comecei a conhecer um pouco da produção de quadrinhos”. Christian desenvolveu a história e os acontecimentos, mas quem o ajudou e ensinou a transformar tudo isso em um roteiro para HQ foi o Guilherme.


“Ele orientou muito na escrita, e tem muito dele no Boy Magya também, já que ele trouxe várias ideias novas. O Gui começou a me estimular em relação a talvez produzir um quadrinho, com uma história que eu tivesse interesse. E daí surgiu a ideia de escrever o Boy Magya, que visa ser uma história que traz vários elementos da teoria queer, dos estudos de música pop, de gênero e sexualidade. Então, tem muito dessa história científica. Eu entendo que é uma forma até de popularizar essas questões de gênero e sexualidade a partir dessa HQ”, explica Christian.


Christian em sua defesa de dissertação de mestrado na Unisinos (Foto: reprodução Instagram – @chrisgonzatti) 

Referências 


A HQ está repleta de referências. Praticamente em cada página há uma nova menção a algum elemento da cultura pop ou do mundo LGBT. Christian diz que “a intenção foi trazer essa potência, fruição que muitas pessoas LGBT encontram na música pop, na relação com o pop, como esse pop pode ser um ruído na norma também. Um exemplo são os fãs da Lady Gaga e da Madonna, que foram acolhidos na epidemia de HIV e AIDS”.


“Todas as vezes que uma música toca na história, isso acaba dialogando muito com o meu imaginário de potência, do que é um superpoder queer. Um dos meus momentos preferidos de referência é quando o Boy Magya consegue materializar uma nave da Xuxa, e se despede mandando ‘beijinho, beijinho, tchau, tchau’”. 


Boy Magya em um momento decisivo da trama com seu inimigo (Foto: reprodução HQ “Boy Magya contra o monstro do armário”)

Unindo forças: representatividade e resiliência na vida LGBTQIA+ 


“Infelizmente, nós, pessoas LGBTQIA+, precisamos ser um pouco super-heroínas para viver nesse contexto em que estamos. Então, uma das questões que eu quis trabalhar, e que eu acho que é central nessa HQ, foi a da saúde mental. É importante falarmos sobre isso, porque jovens LGBT tem cinco vezes mais chances de cometerem suicídio do que jovens cis heterossexuais. A gente está mais propenso a problemas de saúde mental em decorrência dessa cultura tão LGBTfóbica. Muitos elementos que dialogam com o que eu e amigos e amigas já passaram estão nessa história”, revela Christian.  


Além da representatividade que a história traz e as questões sobre saúde mental, outra temática significativa é o poder da força coletiva. “Nós não precisamos enfrentar nada sozinhos. Podemos constituir famílias. É o que a RuPaul (criadora de RuPaul’s Drag Race) já nos dizia: nós, pessoas queer, podemos escolher nossas famílias. A história tem um pouco dessa mensagem, que vai continuar sendo desenvolvida ao longo das próximas edições.” 


O projeto só foi possível a partir do apoio do público  


A impressão do livro ocorreu graças a uma campanha de financiamento coletivo, que acabou atingindo mais de 150% da meta inicial, fato que já garantiu a sequência da HQ. Quem recebeu os exemplares foram as pessoas que apoiaram financeiramente o projeto. E, de acordo com Chris, a recepção tem sido muito positiva: “O público está se identificando com a história. Recebo feedbacks de pessoas se emocionando, chorando, curiosas em relação à sequência”. 


A produção é cheia de detalhes e cores vibrantes (Foto: reprodução YouTube) 



“Boy Magya contra o monstro do armário” pode ser adquirida diretamente com o autor. “Eu anuncio chamadas para os seguidores poderem adquirir a HQ. Com isso, já foram praticamente 1 mil HQs vendidas”. As chamadas acontecem tanto em seu perfil pessoal quanto no da Diversidade Nerd, no Instagram, TikTok e Twitter. Todos os links podem ser acessados aqui


Há, inclusive, algumas livrarias em São Paulo que possuem o livro disponível. Para quem ficou interessado e não quer esperar para conferir, a história está disponibilizada também na versão digital, que, assim como a versão física, pode ser adquirida com Christian. 

E vem mais novidade por aí… 


A próxima aventura do Boy Magya já está em fase de produção! E tem até título: “Boy Magya: Eva x Angélico”. “Ainda tem muita coisa para conhecermos da personalidade do Mario. A próxima HQ, como nome já dá a entender, tem como temática central o fundamentalismo religioso, o ataque de pessoas religiosas extremistas contra pessoas LGBT e as fake news envolvendo isso. Também a perseguição a drag queens, a pessoas trans, entre outras coisas. Enfim, será bem polêmica. Babado, gritaria e confusão (risos).” 

Chris ainda deu mais detalhes: “Temos toda uma trajetória para o Boy Magya e até para equipes que podem surgir da relação com ele. Tudo vai depender do retorno do público, se as pessoas tiverem interesse. E estamos abertos a possibilidades, né? É difícil a cena independente de quadrinhos no Brasil, mas a gente está tendo um excelente retorno, sabe? Estou super feliz”. A campanha para a continuação já está disponível no Catarse. Apoie você também! 


Boy Magya voando pela cidade inspirado em uma de suas músicas favoritas, o hit icônico “Break Free“, de Ariana Grande (Foto: reprodução HQ “Boy Magya contra o monstro do armário”) 

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“A arte consegue nos tirar desta vida pequena e sem sentido”, diz Rosa Montero  https://mescla.cc/2023/06/01/a-arte-consegue-nos-tirar-desta-vida-pequena-e-sem-sentido-diz-rosa-montero/ https://mescla.cc/2023/06/01/a-arte-consegue-nos-tirar-desta-vida-pequena-e-sem-sentido-diz-rosa-montero/#respond Thu, 01 Jun 2023 14:34:41 +0000 http://mescla.cc/?p=18308 Por Lizandra Fonseca e Rafael Renkovski (alunos de Jornalismo)Especial para o Mescla  Com a temática “Entre o caos e a ordem”, de curadoria de Fernando Schüler, a 17ª edição da conferência Fronteiras do Pensamento trará seis palestrantes internacionais para Porto Alegre. A jornalista e escritora espanhola Rosa Montero abriu a temporada deste ano, na última […]

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Por Lizandra Fonseca e Rafael Renkovski (alunos de Jornalismo)
Especial para o Mescla
 


Com a temática “Entre o caos e a ordem”, de curadoria de Fernando Schüler, a 17ª edição da conferência Fronteiras do Pensamento trará seis palestrantes internacionais para Porto Alegre. A jornalista e escritora espanhola Rosa Montero abriu a temporada deste ano, na última quarta-feira (31/5), no Teatro Unisinos, no campus de Porto Alegre. Entre os assuntos expostos, Rosa, que já publicou mais de duas mil entrevistas no jornal El País, transitou por contos e histórias que tendiam ao tema da “inutilidade necessária”, e versou sobre a importância da arte. 


Discussão atual no Brasil e no mundo, a disseminação de falsas informações foi pauta da conversa com a escritora, conduzida por perguntas do público que acompanhavam a conferência. “Não apenas as fake news, mas as novas tecnologias e seus algoritmos fazem com que só vejamos aquilo que forma parte do nosso pequeno universo”, disse a palestrante. “Há que educar urgentemente desde pequenos, com aulas de como se relacionar com a realidade, para que as crianças tenham cautela e tentem constatar quando se vê algo”, complementa.  


(Imagem: Luiz Munhoz)


Rosa também trouxe sua visão sobre a importância da leitura e da escrita, afirmando que a realidade é uma construção social. “A escrita nos salva de muitas formas. Primeiro, nos salva lendo. Ler é mais íntimo do que fazer amor, pois você entra na cabeça do escritor ou da escritora”, falou. A autora ainda afirmou que “com as palavras, não apenas criamos a nossa vida, criamos a realidade”. 


A ex-redatora-chefe de um dos maiores periódicos europeus, questionada sobre o papel da literatura na busca pelo propósito, destacou ser, antes de escritora, uma leitora apaixonada. “Deixar de ler é a morte instantânea”, afirmou Rosa. Entre as mais de 30 obras publicadas por ela, realçam-se coletâneas jornalísticas, romances e literatura infanto-juvenil, premiadas mundo afora. Em novembro, será publicado no Brasil o livro mais recente da autora, intitulado “O perigo de estar lúcida”. 

Rosa comenta sobre o racismo sofrido por Vinícius Jr.


Ao final do evento, Rosa comentou sobre os atos racistas sofridos por Vinícius Júnior, atacante brasileiro que atua pelo clube espanhol Real Madrid: “Algumas pessoas se sentem orgulhosas de vociferar coisas que, até pouco tempo, eram impensáveis”, disse. Para a escritora, isso se deve, em grande parte, à crise financeira que eclodiu na Espanha em 2008, que causou empobrecimento da população e criou, segundo ela, uma “tremenda onda reacionária”, comparado ao crescimento do nazismo na Alemanha nos anos 1930. 


Para Rosa Montero, deixar de ler é a morte instantânea 
(Imagem: Luiz Munhoz)

O que ainda vai rolar no Fronteiras do Pensamento


De forma presencial, o Fronteiras do Pensamento ainda receberá a ativista iraquiana Nadia Murad, no dia 21 de junho; o neurocientista norte-americano David Eagleman, em 5 de julho; no dia 9 de agosto, o filósofo norte-americano Michael Sandel; o documentarista norte-americano Douglas Rushkoff, no dia 13 de setembro; e, para encerrar a temporada, no dia 4 de outubro, o arqueólogo britânico David Wengrow. 

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Semaníssima Luis Fernando Verissimo é marcada por bate-papo e música https://mescla.cc/2022/11/17/semanissima-luis-fernando-verissimo-e-marcada-por-bate-papo-e-musica/ https://mescla.cc/2022/11/17/semanissima-luis-fernando-verissimo-e-marcada-por-bate-papo-e-musica/#respond Thu, 17 Nov 2022 15:22:45 +0000 http://mescla.cc/?p=17215 O futebol sempre esteve presente na obra e na vida de Luis Fernando Verissimo, desde o primeiro grenal nas arquibancadas do antigo estádio dos Eucaliptos. Tendo em vista a proximidade para o início da Copa do Mundo, a 3ª edição da Semaníssima LFV aliou duas paixões do autor: as quatro linhas e a escrita. Entre […]

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O futebol sempre esteve presente na obra e na vida de Luis Fernando Verissimo, desde o primeiro grenal nas arquibancadas do antigo estádio dos Eucaliptos. Tendo em vista a proximidade para o início da Copa do Mundo, a 3ª edição da Semaníssima LFV aliou duas paixões do autor: as quatro linhas e a escrita. Entre crônicas, rascunhos, cartuns e ilustrações inéditas, os visitantes puderam relembrar – ou até mesmo conhecer- essa faceta de LFV  durante os dias 8, 9 e 10 de novembro na Unisinos.



No palco, Pedro Verissimo, filho do escritor  cantando sucessos como “The Man I Love” de George e Ira Gershwin, ao lado da banda Marmota Jazz. 
Foto: Laura Santiago 



Os dois primeiros dias da programação foram dedicados à exposição de algumas das obras do autor relacionadas ao esporte, em especial às que mencionam seu amor incondicional pelo Sport Club Internacional. O encerramento ficou por conta de uma mostra comentada do curta-metragem de Flávia Moraes “A regra do jogo”. O filme é uma adaptação da crônica “Futebol de rua” de Luis Fernando Veríssimo, comentado pelo professor do curso de cinema da Unisinos, roteirista e montador Giba Assis Brasil. Em seguida, mediados pelo comunicador do grupo RBS Luciano Potter, os professores, que também são personagens da cultura gaúcha, Giba, Luís Augusto Fischer e Frank Jorge dividiram o palco para falar sobre as histórias contadas por Verissimo e exaltar sua capacidade dele de articular com maestria vida, arte e futebol.  


“Um evento como este é muito importante. Estávamos falando sobre um escritor com vários aspectos da cultura gaúcha e brasileira, com um jeito próprio de olhar para coisas e para o mundo. Tematizações muito interessante e olhares sobre de uma maneira muito legal, crítica e inteligente” enfatiza o professor do curso de Produção Fonográfica da Unisinos, e músico Frank Jorge. 



De boné, à esquerda Luciano Potter, ao seu lado Frank Jorge, Luís Fischer e Giba Nascimento. Os quatro, falaram sobre os aspectos abordados pelo autor- a quem se referiram como Pelé colorado- em suas obras. 
Foto: Laura Santiago 



Outras edições 

A primeira edição da Semanissima LFV ocorreu em 2018, com o objetivo de celebrar o aniversário do escritor. O tema foi “O cronista mais querido do Brasil” e contou com a presença do diretor e roteirista Jorge Furtado, que já dirigiu diversos trabalhos inspirados no trabalho do escritor na TV Globo, além do show “Poesia numa hora dessas?! Numa música dessas?!“, adaptação musical dos poemas do Veríssimo. 


Em 2019, a segunda edição do evento foi marcada pelos 50 anos de publicações na imprensa por Luis Fernando Veríssimo. Naquela ocasião, o papel do jornalismo foi abordado a partir de diferentes aspectos, como nos debates sobre “Jornalismo de humor x censura” e “Jornalismo de opinião hoje”. 


Acervo de Luis Fernando Verissimo 

Em setembro de 2017, o acervo pessoal do escritor Luis Fernando Verissimo foi cedido pela família para integrar o acervo especial da Biblioteca da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, no campus Porto Alegre. O acervo é composto por livros de sua autoria, incluindo a coleção completa de primeiras edições de seus livros e as várias traduções de sua obra. O montante também conta com revistas, fitas VHS, recortes de jornais, manuscritos, cartas, rascunhos, originais com notas nas margens, esboços de cartuns e ilustrações inéditas. Tem ainda  originais dos cartuns (especialmente As Cobras e a Família Brasil) e roteiros completos que LFV ajudou a desenvolver para programas da Rede Globo, como TV Pirata e Viva o Gordo. 

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A Feira e o Mescla na rua https://mescla.cc/2021/11/18/a-feira-e-o-mescla-na-rua/ https://mescla.cc/2021/11/18/a-feira-e-o-mescla-na-rua/#respond Thu, 18 Nov 2021 19:24:21 +0000 http://mescla.cc/?p=15831 Depois de quase dois anos, a Feira do Livro de Porto Alegre voltou às ruas, assim como a equipe de repórteres do portal Mescla, que desde março de 2020 realiza as coberturas e as produções de matérias de modo totalmente remoto. Todo o movimento de retomada das atividades presenciais só foi possível devido à estabilização […]

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Depois de quase dois anos, a Feira do Livro de Porto Alegre voltou às ruas, assim como a equipe de repórteres do portal Mescla, que desde março de 2020 realiza as coberturas e as produções de matérias de modo totalmente remoto. Todo o movimento de retomada das atividades presenciais só foi possível devido à estabilização no número de casos de pessoas com a Covid-19.

Ao voltar às origens do jornalismo, caracterizado em coberturas de rua, a equipe do Mescla, composta por Karolina Kraemer, Paola De Bettio Torres e Tynan Barcelos, conta em crônicas a experiência de estar na Feira do Livro de Porto Alegre. Confira.


Perspectivas de mundo – por Karolina Kraemer


A saída para a Feira do Livro seria minha primeira experiência como jornalista de campo e, ainda assim, minha maior preocupação não foi as fontes que poderia encontrar ou as fotografias que tiraria, mas a roupa que eu iria usar. Não por querer algo que ficasse bonito, mas sim, um “figurino” seguro. Perceba que eu não falei confortável, e poderia ser por precisar caminhar, nem leve, por conta do calor de Porto Alegre, mas seguro (é muito curto? decotado? transparente? chamativo?), porque eu sou mulher e nunca se sabe quem vai estar andando na rua também.


Fiquei me perguntando como as jornalistas que estão na rua todo o dia lidam com esse tipo de insegurança … O que passa pela minha cabeça nessas situações equivale a cinquenta páginas, quase um TCC, mas acontece em um segundo, tão rápido que nem eu consigo resenhar depois. 


Por ser uma ansiedade cotidiana para as mulheres, logo ela foi estabilizada, principalmente depois de relembrar três coisas: 1) meus colegas estariam comigo; 2) essa era uma oportunidade de conhecer sobre o jornalismo fora de uma redação (que por meses foi a minha casa); e 3) eu queria muito comprar livros novos, afinal, ninguém é de ferro!


Essa foi a primeira vez que pisei na Feira do Livro de Porto Alegre. Se fui levada quando pequena é outra coisa. Moro na região metropolitana e confesso que achava que seria maior, tanto em bancas, quanto pessoas – provavelmente por sempre imaginar um espaço lotado quando via matérias sobre o evento na TV. Não é que eu tenha sido iludida. A Feira está ao menos quarenta por cento menor, descobri essa estimativa em uma das bancas.


A livreira que me passou essa informação disse que muitas pessoas optaram por não participar da Feira esse ano, o que me surpreendeu, porque tudo lá parecia muito vivo, como se nada sobre o mundo tivesse mudado. Ficou fácil não prestar atenção às máscaras e ao álcool em gel, afinal, eles já fazem parte da rotina. De certa forma, quando voltamos a ter liberdade para fazer o que fazíamos é fácil esquecer que ainda estamos no meio de uma pandemia. E, para mim, isso foi o que mais se destacou.


Na Feira, vi pessoas debatendo sobre autores e temáticas, estudantes empolgados ainda com o uniforme escolar, talvez em uma excursão, mães e pais com crianças no colo e até mesmo idosos, todos vivendo, pela primeira vez ou relembrando, a experiência da Feira do Livro.

O interessante da Feira do Livro é que ela alcança todos os tipos de público (Foto: Karolina Kraemer)


Fora do evento, uma paisagem diferente. Lembrei do centro de Porto Alegre cheio, um mar quase infinito de pessoas, me surpreendo com o quanto, em quase dois anos, as coisas podem mudar tanto.


Será esse o novo normal que tanto falam? Esse cenário é melhor ou pior? Não sei responder nenhuma dessas perguntas, mas as cores das bancas, os sons de mil conversas ao mesmo tempo e o cheiro de pipoca doce, me provaram que estar vivo nunca foi tão celebrado.


Eu vejo o hoje como algo muito carregado de persistência. Diante de tudo de ruim que possa acontecer queremos continuar e ver o próximo dia. Nesse sentido, a arte, no campo da literatura principalmente, me passa a impressão de compartilhar experiências na tentativa de ajudar a sociedade a resistir acima de tudo.


Porém, mesmo em um evento que celebra essa busca por conhecimento, é possível ser lembrado que, na maioria das vezes, o acesso a ele não é democrático. Eu comprei três livros na Feira e pouco depois de comprar o último (que deveria ter sido o segundo) sai com meus colegas para tomar um café.


Enquanto conversávamos, pelo menos, duas pessoas passaram pedindo dinheiro para comprar algo para comer. Independentemente do “novo normal” que está sendo debatido, a verdade é que vivemos uma realidade na qual alguns gastam R$ 50 em um livro e muitos passam dias sem conseguir se alimentar.

Fui incentivada a comprar meu terceiro livro por uma conversa que tive com um dos responsáveis pela banca. Não me arrependo (Foto: Paola De Bettio Torres)


As coisas que apenas um dia na rua podem te mostrar são diversas e é impossível sair de casa e voltar sem alguma nova ou reforçada perspectiva sobre algo – do preço das passagens do transporte público à falta de uma distribuição de renda adequada – possibilidades infinitas e que, muitas vezes, requerem soluções a longo prazo e, acima de tudo, coletivas.


Voltando para casa de trem, depois de exposta a tantos estímulos diferentes, só conseguia sentir o cansaço batendo. Imaginei como seria ser confrontada com o melhor e o pior do ser humano sem poder “desligar a tela”, estar em campo buscando as mais variadas pautas, uma síntese da vida que estou construindo para mim daqui para frente. Antes que a ansiedade e a precipitação sobre um futuro distante pudessem tirar o melhor de mim, minha estação foi anunciada e, tão logo, a única preocupação era a aula da noite.

Queremos ler um novo mundo – por Paola De Bettio Torres


A tarde daquela quarta-feira não poderia ser melhor. Com sol, calor e a brisa que vinha de vez em quando da direção do Guaíba, combinados com a alegria de ver uma cidade em movimento em torno de livros, bancas e patrimônio histórico. A amenidade dos ares de primavera foram um suspiro depois de quase dois anos de tensão pela pandemia. 


A pandemia de covid-19 ainda não acabou, mas ao contrário do ano passado, as expectativas de melhora e esperança são bem mais altas. Os índices permitiram que a tradicional Feira do Livro de Porto Alegre pudesse acontecer na Praça da Alfândega e arredores. Apesar da nossa visita ter acontecido à tarde, no meio da semana, pude perceber um movimento considerável de pessoas se debruçando ou apenas observando pilhas e estandes de livros. Há questões sensoriais muito particulares e diferentes estando frente à frente das capas, das cores dos livros, podendo ler suas resenhas e seus trechos.


A Feira do Livro é um evento muito democrático. Há romances, ensaios, ficções, poemas, narrativas históricas,,com temáticas políticas e religiosas. Livros de arte, de fotografias, de culinária, histórias em quadrinhos e de contos infantis com ilustrações simpáticas. Muitos livros estavam sendo expostos ao público pela primeira vez mesmo tendo sido lançados em 2019 e 2020. 


“Para ler um novo mundo” foi o título para a 67ª edição do evento. Não há como contestar que vemos o mundo com novas perspectivas. Isso já costuma acontecer em ciclos, muitas vezes individuais, de forma natural, mas agora tomou força coletiva, evidenciando problemáticas e novos ângulos.


O patrono desta edição, Fabrício Carpinejar, considerou o evento uma “fisioterapia social”. A retomada lenta (e particularmente assustada) do convívio social acabou por sensibilizar e aguçar meu olhar curioso. Assim, faz todo o sentido a consideração do autor, mas além dessa retomada, o evento mostra que a gente além de retomar aos poucos o contato com as ruas e com as outras pessoas, estamos retomando o hábito de ler. Para isso, buscar pelo mundo de sensações e experiências, pode auxiliar a ler o mundo ser uma tarefa um pouco mais fácil, e também mais interessante. 


Não poderíamos ter encerrado melhor: a Câmara Rio-Grandense do Livro (CRL), que organiza o evento, realizou o levantamento da feira e registrou um aumento de 15% nas vendas em relação à última edição, que aconteceu em 2019, antes da pandemia. No fim das contas, queremos entender o mundo, nos atualizar do que se tem pensado sobre as coisas, sobre as pessoas. Isso só pode acontecer quando estamos diante desse mundo, de corpo inteiro no presente. “Queremos saber”, música do Gilberto Gil, escrita em 1976, elucida bem este momento.

Menos de cinco minutos dentro da Feira e já encontrei minha ídola Elis Regina. O livro de retratos fotojornalísticos já é meu (Foto: Tynan Barcelos)


Sobre livros, pessoas e monumentos – por Tynan Barcelos


Se para Gil o domingo é no parque, para mim a quarta foi na feira. Através dos imensos corredores de prédios antigos no Centro Histórico, o intenso calor conduzia o caminho para chegar até a Praça da Alfândega, em Porto Alegre. Depois de dois anos, a Feira do Livro, agora em sua 67ª edição, está de volta e apesar do número reduzido de bancas e do pouco movimento, até mesmo para uma quarta-feira, é um local que respira cultura e uma certa esperança de tempos melhores.


Apesar de ter na minha imaginação uma feira maior, principalmente pelo fato de nunca ter estado lá, percebi que mais do que ser apenas algo sobre livros, autores e palavras, a Feira do Livro de Porto Alegre é sobre espaço, ou melhor, sobre espaço cultural.


Não sei se as crianças, os adultos e os idosos que estavam naquele dia percebiam, mas a feira do livro de Porto Alegre está no coração cultural da cidade. Quando se entra pela rua 7 de setembro, logo à direita já se consegue ver o Farol Santander, o Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul e o Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS). Se optar por caminhar mais alguns metros, está lá também o Museu da Comunicação Hipólito José da Costa. Todos eles ao redor das diversas bancas que vendem ali seus saldos por alguns poucos trocados ou até mesmo o best-seller nacional.


Talvez, perdoem minha petulância, mas os livros não são os personagens principais da feira. O sentido está no encontro, na conversa com as livreiras e livreiros. O sentido está no pacto cultural, que mesmo não intencionalmente, já é firmado no momento em que se começa a percorrer o corredor de prédios que leva até a feira.


Assim como a cidade de Atenas na Grécia, com sua Acrópole e seus templos, guarda a memória de um tempo lúdico onde os deuses e titãs reinavam, todo entorno da Praça da Alfândega, com suas bancas, seus livros e seus enormes prédios que datam séculos passados, preserva o tempo de uma cidade que, depois de dois anos confinada em casa, não via a hora de estar na rua.

A volta às ruas também exige reencontros com antigas práticas e com alguns equipamentos (Foto: Karolina Kraemer)

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A vida pelos olhos da arte https://mescla.cc/2021/08/18/a-vida-pelos-olhos-da-arte/ https://mescla.cc/2021/08/18/a-vida-pelos-olhos-da-arte/#respond Wed, 18 Aug 2021 14:50:39 +0000 http://mescla.cc/?p=15446 Não é raro encontrar professores da Escola da Indústria Criativa da Unisinos envolvidos com projetos para além da sala de aula. É o caso de Mariléia Sell. Ela lançou este ano seu primeiro livro, “Letras insubordinadas”, uma coletânea de seis contos autorais. A apresentação é de Márcia Lopes Duarte, e a edição é de Daniel […]

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Não é raro encontrar professores da Escola da Indústria Criativa da Unisinos envolvidos com projetos para além da sala de aula. É o caso de Mariléia Sell. Ela lançou este ano seu primeiro livro, “Letras insubordinadas”, uma coletânea de seis contos autorais. A apresentação é de Márcia Lopes Duarte, e a edição é de Daniel Cunha. “Eu sempre amei a literatura. Desde criança, leio muito, e o meu sonho mais antigo é o de ser escritora”, revela Mariléia. 


“Letras insubordinadas” está disponível como um encarte da Revista Escape, inaugurando uma série de cadernos que serão publicados em formato de livro. A obra, que estreia Mariléia no mundo literário, é composta pela seleção de seus contos favoritos, veiculados originalmente no periódico Visão do Vale. O convite para publicar o livro veio de Daniel, que já tinha uma relação com o trabalho textual da autora, uma vez que é o responsável pela produção do site dela.


O livro “Letras Insubordinadas” não somente carrega o mesmo nome do site de Mariléia, mas também a mesma inspiração: a vida como ela é

Contos sobre o ordinário


Com histórias inspiradas pela vida cotidiana, o livro, para Mariléia, carrega um significado: “A mensagem, se é que há uma, é essa: a vida comezinha é um prato cheio para a arte”, sublinha. Os contos abrangem da realidade vista pelos olhos de Marinalva, uma galinha especial, até uma travessia carregada de esperança, todos os textos abordando um aspecto diferente das narrativas que cercam a existência costumeira. 


Dentre os contos favoritos escolhidos para o livro, a escritora não deixa de ter seus queridinhos, da mesma forma que um leitor costuma ter. O que ela mais gostou do resultado foi “O professor de Português”, que trata sobre a visão de uma aluna com um crush em seu professor. Mariléia acredita ter alcançado nesse texto uma qualidade de escrita mais elaborada. Entretanto, a história que mais estimou contar foi “Quarentena”. “O conto fala de um grupo de idosos que teve que deixar de se encontrar para jogar canastra durante a pandemia. Eu gostei de escrever porque eu contei a história do meu avô nesta quarentena”, comenta a autora.


Entre os contos, por mais diversos que sejam entre si, é possível encontrar duas coisas em comum: a comédia e o feminino. Mariléia diz que a comédia é uma forma de explorar o lado risível da vida, mesmo na tragédia, como forma de expurgar, se desfazer dos sentimentos ruins. Sobre o feminino, é o resultado da maneira que a escritora enxerga sua área. 


“Eu trago muitas personagens femininas e busco, com o meu olhar informado, desconstruir estereótipos de gênero e tantos outros. Penso que a literatura é justamente essa possibilidade de alargar horizontes sobre a vida, sobre as identidades, e possibilidades de existir”, observa Mariléia, que leva essa filosofia para outros aspectos de sua vida. Ela é pesquisadora na área de gênero e identidades e uma orgulhosa ativista feminista. Ela, inclusive, faz palestras sobre a importância de falar sobre gênero como forma de diminuir as desigualdades.


Uma nova fase


Mariléia, que está muito feliz com essa publicação – para ela, significa visibilidade e reconhecimento –, está recebendo convites para realizar workshops sobre escrita. Além disso, pessoas ativamente comentam sobre sua obra. Mesmo assim, segundo ela, isso não significa que já alcançou o que queria. Na verdade, esse foi só o começo. A autora já concluiu seu próximo livro, produzido durante a pandemia.


“Esse período me trouxe mais introspecção, recolhimento, o que não significa, necessariamente, paz, pois, para mim, escrever é um processo de muita angústia, muitas vezes”, explica. Para ela, a única maneira de lidar com essa angústia é escrevendo. Essa ação não é opcional, mas sim uma “necessidade de alma”. 


Seu próximo livro, que tem o título mantido em segredo, vai envolver magia. Narrará a história de uma ordem antiga de curandeiras e a ligação que ela tem com uma herança deixada por uma benzedeira à sua neta, desenrolando, assim, uma trama repleta de mistérios. O romance, que está em fase de revisão, foi finalizado em maio deste ano, e será publicado até o primeiro semestre de 2022.


Enquanto esperamos pelo novo lançamento da autora, é possível conferir mais de seus trabalhos através de outras fontes. “Sugiro o conto “O diabo mora comigo”, que foi premiado e publicado em uma coletânea portuguesa chamada Mulherio das Letras. Fala sobre abuso sexual, um tema pesado”. A escritora também tem uma grande seleção de obras em seu blog.

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Caroline Miltersteiner, ou Carol Milters como é conhecida nas redes, é escritora e ativista pela conscientização sobre Burnout, um distúrbio psíquico causado por exaustão extrema relacionada à rotina de um indivíduo. Ela, que tem sua própria experiência com a Síndrome, agora traz aos olhos do público um tema ainda tabu, o da saúde mental. Para contar esta história, Carol, de 33 anos, conversou com o Mescla da sua casa na cidade universitária de Tilburg, na Holanda, onde mora desde 2017. O papo foi via chamada de vídeo pelo Teams. 


Para desenrolar esse fio e contar como ocorreu esta virada, Carol voltou no tempo, foi lá para o início de sua vida universitária, no curso de Letras, que acabou não seguindo. Foi no curso de Comunicação que ela realmente se encontrou “Na publicidade tudo era espontâneo: ‘vamos tirar umas fotos?’, ‘vamos ali fazer um programa de rádio no corredor?’ E eu preciso dessa válvula de humor. A faculdade de comunicação foi a melhor escolha que eu podia ter feito nesse sentido”, recorda as atividades feitas durante os anos de Unisinos.


Sempre entusiasmada, Carol aproveitou tudo que a universidade poderia oferecer ― dentro e fora das salas. Fez monitoria, pesquisa e estagiou na Agexcom como web designer. Na agência experimental aprendeu de animação em flash até html, mas também se aventurou na equipe de jornalismo, na construção de reportagens. “Foi uma coisa que eu cheguei e falei, ‘olha só, eu quero fazer uma reportagem! Eu não sou do jornalismo e não quero fazer jornalismo, mas eu queria fazer uma reportagem, vocês deixam eu fazer?’ E eles deixaram!”, lembra aos risos.


Por ela, teria continuado ali, mas, entendendo que já tinha feito e experimentado tudo que poderia dentro dos portões da faculdade, decidiu seguir para um mundo além daquele, o “mundo real” do mercado de trabalho, indo por um caminho mais comercial. 


O Trabalho e o Burnout


A entrada no mundo do trabalho foi, inicialmente, positiva, sempre dedicada e querendo se provar, ela virou um case que caminhou de estagiária até o papel de sócia. Porém, a rotina de alta, e excessiva, carga horária acabou se refletindo em seu corpo. Carol começou a apresentar muitos problemas de imunidade, que facilitaram infecções, desenvolveu crises de ansiedade e pânico, assim como um princípio de depressão. 


Essas condições a fizeram pedir um afastamento da empresa, para conseguir cuidar de si mesma, mas, logo, a condição temporária virou definitiva, e teve seus laços com a empresa cortados. Na época, ela não sabia que aquilo que estava sofrendo era um Burnout, porque, até hoje, pouco se fala sobre isso, mesmo com o tema de saúde mental ocupando mais espaço nas discussões na mídia. Decidiu, então, “pegar um dinheiro guardado” e fazer um ano sabático.


Carol durante seu período sabático em Torres del Paine, no Chile.
(Arquivo Pessoal)

Durante seu período sabático, na parte chilena da Patagônia, Carol conheceu um holandês, os dois longe de casa, a amizade fluiu e isso a incentivou a visitá-lo na Holanda e a relação evoluiu para algo mais. Ela fez um mochilão pela Europa e lá experienciou a tranquilidade que havia perdido no Brasil. “Eu tinha a impressão que sempre tinha alguém me observando, alguém querendo se aproveitar de mim ou me julgando. Eu estava doente e não entendia, então, para mim, essa vinda para cá ia me ajudar. Ajudou muito, mas não resolveu meus problemas”, aponta.


Em um novo emprego a situação anterior se repetiu. Desempregada em um país novo, a brasileira, desenvolveu dois pensamentos: “Eu acho que preciso me dedicar a algo que me ajude e seja terapêutico para mim; e preciso de um tema. E, quando eu me dei conta que o tema que eu queria era saúde mental ― e coisas que envolviam isso ―, tudo deu uma deslanchada”. Logo, “era uma vez” o início de um ativismo em torno da Síndrome de Burnout.


Uma construção em etapas


Sua primeira publicação no Linkedin foi em inglês, no início, ela tinha medo de como as pessoas iriam reagir ao que estava sendo dito e como ela seria vista no Brasil. Então, por um tempo, aquele foi o único idioma no qual ela produzia conteúdo. Foi através de suas primeiras publicações que Carol percebeu que as pessoas mostravam uma resposta ao que estava sendo dito. “Eu entendi que quando eu contava a minha história, as pessoas se sentiam menos culpadas. E eu entendo, porque foi muito difícil para quem estava perto de mim acreditar no que estava acontecendo comigo”, assim, com a motivação de trazer publicidade àquele problema, Carol, criou a página ‘The Better Achiever’, na intenção de usar mais uma rede para falar sobre o assunto.


Além da vontade, a inspiração para escrever o livro veio de Patricia Merck, ex-colega de empresa que publicou de forma independente seu livro ‘Maybe a Book, “Eu percebi que, talvez, eu não precisava ser aquilo que eu achei que ser escritora deveria significar e que, talvez, eu pudesse criar o meu jeito de ser escritora”, esclarece. Dessa forma, seu livro, resultado de uma escrita livre e sem intenção inicial de ser publicado, saiu ano passado. Primeiro em inglês, com o título de “My Morning Pages: Chronicles of living through Burnout” e, depois, traduzido pela própria autora para sua língua materna, o português, com o nome “Minhas Páginas Matinais: Crônicas da Síndrome de Burnout”


Carol: “Quando eu me dei conta que o tema que eu queria era saúde mental ― e coisas que envolviam isso ―, tudo deu uma deslanchada”
(Arquivo Pessoal)

No momento, a gaúcha segue publicizando a compreensão sobre Burnout por vários meios: um perfil no instagram ― onde, além de posts pessoais, milita sobre a causa da saúde mental, fazendo lives a respeito. Ela também mantém  um blog ― onde acumula todas as suas produções ― e um canal no YouTube ― onde conta sua relação com o Burnout e produz outros conteúdos referente ao tema de saúde mental. Carol também promove o Burnoutados Anônimos, um grupo de apoio, com encontros na última sexta-feira do mês, para pessoas que já passaram ou passam pela Síndrome de Burnout, e oficinas de escrita terapêutica.


“Hoje eu escrevo para mim, escrevo para o mundo, e incentivo as pessoas que elas escrevam, mesmo que não seja para ninguém ver, porque isso é muito, muito, poderoso”, integraliza, entendendo que a escrita a ajudou a se redescobrir. A escritora está trabalhando em seu próximo livro, sem data de lançamento. 

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Com mais um semestre chegando ao fim, os alunos da atividade acadêmica de Beta Redação – Cultura e Entretenimento, ou apenas Beta Cultura como é conhecida entre os professores e estudantes, concluem mais um ciclo de publicações para o Laboratório Experimental de Jornalismo da Unisinos.


Dando continuidade às adaptações que as cadeiras de Beta Redação vêm desenvolvendo desde o início da pandemia, os lançamentos da Editoria de Cultura caminham de entrevistas com personalidades do meio artístico, até grandes reportagens conjuntas, cobrindo por diferentes ângulos a participação da Lei Aldir Blanc em um setor cultural em crise. 


Entrevistas Ping-Pong


Vinda de uma maratona de resenhas críticas culturais que guiaram a primeira parte do semestre, a Beta Cultura segue tentando desenvolver novas maneiras de exercitar as várias formas de jornalismo cultural em suas produções. Desse modo, as entrevistas de perfil (ping-pong) entram como uma dinâmica relevante dentro dos contextos de experimentação e isolamento.


“A entrevista veio cobrir uma lacuna que a gente teve durante a pandemia e que é uma coisa que valorizamos muito, na Beta Cultura especificamente, a possibilidade de conhecer as coisas, conhecer o mundo, através do jornalismo”, estabelece Felipe Boff, um dos professores que ministram a atividade. Com uma linha editorial não limitada, os alunos da cadeira tiveram a oportunidade para fazer um recorte livre na decisão das fontes, o que possibilitou um registro autêntico do nosso imenso cenário cultural.


As pessoas mais e mais se apoiam na arte para escapar da realidade que as cerca e as publicações produzem uma reflexão importante: o quanto a arte é relevante e importante na vida de todos nós, não só dos que vivem dela? 


19 conversas e uma diversidade de mundos 


Versando sobre como os artistas estão produzindo e planejando em cenário de quarentena, as entrevistas perfil apresentadas transitam entre os mais diversos subtemas, podendo ir da poética do empoderamento feminino através do Grafite, até uma carreira de 33 anos de música nativista. São entrevistas que constroem um amplo panorama de narrativas para conhecer as várias vertentes artísticas que existem.


Entrevistas que nos permitem “ouvir” Dedé Ribeiro falar sobre como a neurociência a influenciou em ‘contar’ através da colagem, ou como o slam tomou espaço na vida de Mariana Bavaresco (Ella), acabam oportunizando uma conversa entre o artista e o leitor, uma vez que refletem o interesse do jornalista sobre o tema. 


“A Beta Cultura é mais leve em relação a outras Betas, que acabam se baseando mais em dados, por ser algo mais humanizado. Para mim, entre todas as cadeiras que preenchiam a semana, [a Beta] Cultura era um alívio, porque me dava a liberdade para abordar sobre as temáticas que eu gostava”, é o que diz a aluna Tainara Pietrobelli. A estudante entrevistou a fotojornalista gaúcha Mirian Fichtner, sobre seu documentário Cavalo de Santo.


Para Tainara, a experiência trouxe novos aprendizados: Um conselho importante, nesse sentido, é o de só falar com pessoas que tu realmente tem interesse. Eu tinha interesse por ela e pela temática, então eu fui eu”, argumenta, relembrando que a interação com a entrevistada foi um momento muito marcante para seu desenvolvimento na qualidade de estudante. 


Além das boas histórias, é possível encontrar nas publicações indicações para expandir os repertórios referenciais. Seja na música, quando Rafael Decarli fala de suas inspirações em Véronique Vincent & Aksak Maboul ou no cinema, quando o documentário ‘Paris is Burning’ (1990) é apresentado na fala de Rayan Pires para mostrar o que é a Cultura Ballroom e como estilo de dança Vogue é mais do que um mimetismo das capas de revista.


Arte é resistência, é sobrevivência, pois criar, no contexto em que estamos vivendo, é também lutar pela vida simbólica, a vida representada. Este desabafo/clamor se manteve constante nos diálogos com as fontes  entrevistadas. Isso acabou por incentivar as turmas a abordarem o impacto da Lei Aldir Blanc de uma maneira mais direta, originando a ideia de uma grande reportagem.  


A Lei Aldir Blanc e sua influência no palco Cultural


Os estudantes, que já vinham divididos desde o início do semestre em cinco grupos, com um editor cada, usaram dessa formação para abordar a matéria de uma forma mais dilatada. Assim, conversando sobre o impacto da Lei Aldir Blanc e a influência que ela teve nos palcos de Audiovisual, Culturas Vivas (Populares), Literatura e Música, a cobertura se resolveu em uma série de reportagens conjuntas. “Nós sempre queremos que as turmas experimentem o máximo de situações que o jornalismo vai oferecer na atividade normal profissional e uma dessas situações é a produção coletiva”, justifica Boff. 


Chamada de divulgação para a grande reportagem / Instagram da Beta Redação


É comum que os alunos idealizem as funções da edição como sendo as mais fáceis, quando comparadas com as do repórter, mas, nessa atividade de prática jornalística, exercer o papel de editor mostra outro lado da profissão. Após a definição dos temas de cada grupo, a conversa de organização ficou a cargo dos editores, ao que a Beta encoraja que os alunos tomem o protagonismo das produções, logo, foram eles os responsáveis pelos cortes e pela reescrita dos materiais dos colegas, precisando respeitar o jeito de cada um de escrever e o apego emocional que teriam ao que haviam escrito. 


Pensando em uma matéria que “emendaria” o trabalho de diferentes repórteres em um único texto, um dos desafios seria manter a coesão do produto publicado. “O exercício da reportagem conjunta é fazer com que os textos dos repórteres conversem no final, porque se isso não acontecer, a matéria fica parecendo um Frankenstein. Não é simplesmente juntar tudo e entregar, e aí entra o trabalho de edição”, é o que explica William Martins, editor de texto do grupo responsável por abordar Culturas Vivas.


Kellen Dalbosco, editora do grupo atribuído à legislação da Lei, comenta que o corte que seu grupo trouxe, de introdução e fechamento da série de reportagens, foi dado “de trás para a frente”, uma vez que o contato com as fontes apontou um outro lado da LAB. “Quando se estuda e conversa com pesquisadores, se começa a interpretar e entender que muitos municípios não possuem uma Secretaria de Cultura por não existir nem mesmo um Ministério da Cultura!, constata a aluna, argumentando que ela [a Lei] veio, contudo, para demonstrar também o descaso do Estado com a cultura.


“Quando falamos sobre cultura, no atual cenário brasileiro, ela acaba sendo algo político. Nós precisamos falar sobre essas políticas públicas, pois elas serviram para mostrar a crise no setor cultural”, é o que diz a editora. Nesse semestre, Kellen já havia escrito sobre a gestão dos recursos da Lei Aldir Blanc no município de Garibaldi, para a Beta Economia e, com seu irmão sendo um dos artistas que obteve o suporte da Aldir Blanc, conseguiu observar de perto os desafios da Lei. 


A verba de R$ 3 bilhões disponibilizada para a manutenção do setor cultural possibilitou que muitas histórias fossem contadas, entretanto, por vezes o auxílio recebido não é o suficiente. É o que, por um lado, retrata a reportagem de Audiovisual. Trazendo os cases dos projetos Intransitivo (documentário), Em Nome do Pai (curta), Papo de Criança (série online) e Danças Tradicionais do Rio Grande do Sul (filme), o grupo apontou como a Lei foi fundamental para que esses trabalhos saíssem do papel, mas que, ao mesmo tempo, os recursos de R$ 30 mil a R$ 50 mil não suprem as necessidades de uma equipe de produção (cenário, equipamento, artista). 


A equipe de Literatura aponta que, mesmo o Brasil não sendo um país de leitores, ainda existem iniciativas que buscam, além de estimular essa prática desde cedo, usá-la para conscientizar a sociedade e puderam dispor da Aldir Blanc para esse objetivo. É isso que se enxerga nas narrativas sobre o I Festival Germinação Cultural, o Circuito Cultural nas Bibliotecas da Rede Beabah! e a Coleção PríncipXs, que incentivam a diversidade através das palavras. Algo que se manteve presente nas histórias pautadas pelo olhar da música, ao contar sobre o projeto Batuco Educo e o grupo Além dos Muros. A musicista Lela Rosanelli, também entrou nos cases, como mais um artista que conseguiu utilizar da Aldir Blanc para desenvolver novas propostas musicais durante a pandemia de Covid-19. 


Culturas Populares apresentou para publicação quatro cases de projetos sociais que, com o recurso da Lei Aldir Blanc, conseguiram sair do papel e retomaram suas atividades. O projeto Capoeira Social, de Sapucaia do Sul, o DesapagaPOA, a Rede de Pontos de Cultura e o grupo de Dança Nossas Raízes, de Portão, são os atores dessa narrativa. “Nós tivemos a chance de retratar coisas importantes do lugar onde a gente mora e isso é bem importante. No decorrer das Betas a gente tem que tentar fazer alguma coisa que ajude o lugar onde moramos e as pessoas que estão aqui”, conclui Tainara, que compõe a equipe. 


Tal abordagem acaba por visibilizar iniciativas culturais que, muitas vezes, não são amplamente conhecidas, por não possuírem tantos espaços de divulgação nas mídias tradicionais e, com a Beta sendo um site de notícias experimental, essa é uma necessidade que pode ser elaborada sem a pressão dos veículos da imprensa comercial. Para William, a questão social que a cultura carrega deve ser visibilizada. “É nosso dever, como jornalistas e comunicadores, dar a possibilidade para que o excluído e o diferente fale – dar voz àqueles que são marginalizados e silenciados pela sociedade”, fundamenta.  


Divulgação nas Redes 


Após as publicações das matérias as atividades dos alunos continuaram, com a intenção de trazer visibilidade para as produções, e essa movimentação aconteceu por meio das redes sociais. 


A edição de redes desenvolveu um design exclusivo para a chamada das entrevistas / Instagram da Beta Redação


Em um exercício para liberar toda a criatividade, Luiza Soares, editora de redes da turma de Porto Alegre, comenta sobre atuar com essa mediação entre as reportagens e o público leitor . “Foi bem legal ter esses feedbacks e ter a experiência de uma pessoa que trabalha com isso e é social media, tendo de pensar coisas novas e diferentes e então montar e ter o retorno dessa divulgação”, relembra. 


As postagens no perfil da Beta Redação no instagram foram bem repercutidas, refletindo o trabalho em equipe para que a Beta ganhasse mais visibilidade e a potência das páginas da Beta nas redes. 


“Participar do processo criativo de formar a identidade visual para as postagens e ver o material que os repórteres pensavam para as redes também foi uma troca”, comenta Luiza que ajudou no desenvolvimento da estética dos posts e no apoio aos colegas para aumentar o engajamento nas mídias sociais.     



As Betas entram no final do currículo da graduação em jornalismo e, para muitos, essas publicações não serão apenas as últimas do semestre, mas também o encerramento de toda a jornada da Universidade. Alunos como Kellen e William, que integram esse grupo, podem enxergar nessas entregas, todas de maneiras diferentes, como resultados que marcam suas histórias como jornalistas em formação, aprendendo como usar a profissão para agendar temas e questões que são de interesse público.

As séries de entrevistas e reportagens podem ser conferidas na Editoria de Cultura da Beta no Medium, aproveite, também, para conhecer as outras editorias do Laboratório de Beta Redação.

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