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Beta Redação traz o efeito da pandemia na economia criativa
“Inspirada por estudo recente, a editoria de Economia traz uma série de reportagens sobre o impacto que a Covid-19 trouxe para a área cultural no Estado, especialmente na engrenagem movimentada pelo mercado musical”
Bruna Lago



A pandemia do novo coronavírus atingiu também as atividades da Beta Redação, o portal jornalístico desenvolvido pelos alunos do curso de Jornalismo da Unisinos. A Beta, como é carinhosamente conhecida, é um dos momentos mais aguardados pelos futuros jornalistas. Ela é um produto do Laboratório de Jornalismo, conjunto de atividades práticas avançadas, realizadas pelos estudantes no final do curso. A Beta é dividida nos temas Esporte, Cultura, Política, Economia e Geral. Os alunos trabalham em grandes reportagens em cada uma delas, uma por semestre. O resultado são materiais jornalísticos bem elaborados. No primeiro semestre deste ano, a Beta teve que se adaptar para realizar todas as atividades de forma remota.


“É uma atividade eminentemente prática e tivemos que inverter a orientação de sempre”, explica o professor Felipe Boff, um dos editores. “Em vez de pedir aos repórteres para irem às ruas desenvolver suas pautas, buscando fazer as entrevistas pessoalmente, pedimos que fizessem toda a apuração jornalística em casa, respeitando o isolamento social.”


Essa forma alternativa de trabalhar acabou abrindo uma janela nova: a possibilidade de trazer um outro olhar para a Indústria Criativa, ambiente do qual a Beta Redação faz parte. A ideia partiu da professora Luciana Kraemer, também editora do portal jornalístico. A inspiração veio logo após o lançamento do estudo “Impactos econômicos de atividades culturais: o caso da música”, desenvolvido pelo Governo Estadual. “A pesquisa revelou, por exemplo, que eventos musicais são um motor de desenvolvimento local, porque mobilizam comércio, hotelaria e toda uma rede de profissionais que a gente nem imagina”, comenta Luciana. 


A ideia, então, seria colocar a música no foco de uma série especial de matérias, o que permitiria também falar sobre cultura, uma área que, para Luciana, vem sendo desprezada pelo Governo Federal. “Tanto em termos de representatividade de gestão, há uma falta total de política pública para o setor”, avalia a professora.


Para Felipe, abordar a cultura dentro da economia gaúcha foi importante para discutirmos sua importância. “É uma das áreas mais impactadas pelas consequências da pandemia. Então, unimos esforços dos repórteres para traçar um panorama de como as atividades criativas — especialmente as ligadas à música — estão enfrentando a crise”, explica o professor. Nas matérias, os alunos buscaram mostrar as alternativas e projeções sob o aspecto do emprego e da geração de renda.

Portfólio musical


A primeira matéria, “Os desafios da economia criativa na pandemia”, traz um panorama sobre a situação do setor no Estado, além de números levantados por pesquisas, entre elas, o estudo “Covid-19 nos Setores Cultural e Criativo do Brasil”. Outros pontos abordados são: artistas que fazem muito com poucos recursos e  pessoas que têm dificuldades com tecnologia, cujo isolamento e o convívio majoritariamente virtual acaba tornando a atividade mais difícil.


A reportagem “No RS, eventos musicais geram emprego para mais de 60 ocupações” aborda como vários setores se beneficiam da música. Em torno de shows, apresentações e concertos, o ramo musical movimenta empregos direta e indiretamente. Em um momento como esse, não são apenas os músicos que sentem o impacto do distanciamento: profissionais ligados à produção, serviços especializados, captação, contabilidade e fiscalização são afetados de uma forma ou outra. Cultura e economia são duas peças importantes que funcionam lado a lado.


Para os músicos, a principal saída foi a adaptação ao mundo digital. Na matéria “Do palco às plataformas digitais”, bandas tradicionais do Estado, como Tchê Guri e Terceira Dimensão, mostram como estão transformando sua própria performance para alcançar o mundo digital e garantir o apoio dos fãs. Nesse contexto, plataformas de streaming, como o Spotify, ajudam as bandas a garantir audiência. 


Já em relação à música erudita, a reportagem “Silencia o cenário musical” apresenta dois maestros e uma violinista em busca de novas formas de sobreviver a um momento em que concertos e ensaios no palco não são mais possíveis. Para esses músicos, a adaptação ao meio digital exige uma estrutura que por vezes não consegue ser alcançada. Acrescente às dificuldades a característica do público, que não costuma frequentar lives e encontros virtuais.


E quanto aos outros profissionais, como no caso da matéria “Produtoras de shows ainda não conseguem estipular prejuízo”, o momento ainda é de cautela e cálculos. Um dos primeiros a fechar as portas e provavelmente um dos últimos a reabrir, o setor de entretenimento ficou comprometido neste primeiro semestre, e o cenário futuro não traz promessas de melhora. Sem a venda de ingressos e de eventos, não é possível produzir renda alguma. Em “Adiamento de shows impacta na renda de motoristas particulares”, é possível acompanhar o dilema de quem utiliza a atividade de transporte particular ou por aplicativos para complementar a renda — em alguns casos, todo o sustento é proveniente dali.

No modo remoto, os repórteres continuam por perto


Mesmo com todas as dificuldades impostas pelo isolamento social e o trabalho remoto, o saldo foi positivo. “Acredito que foi de enorme aprendizado para todos”, avalia Luciana. “O comprometimento dos alunos com as publicações e o engajamento para enfrentar esse momento contou 110% para que conseguíssemos produzir todo esse material.”


As matérias da Beta Economia podem ser encontradas diretamente nos links dos títulos acima. Todos os semestres, as produções continuam trazendo assuntos do momento e reflexões jornalísticas.

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