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O evento é organizado pela Afonte Jornalismo de Dados, em parceria com o curso de Jornalismo da Unisinos. Nesta edição, o curso de Arquitetura e Urbanismo se junta à equipe.
A Maratona é uma experiência multidisciplinar inspirada nos hackathons (maratonas de programação). A professora de Jornalismo Taís Seibt, que também é criadora da Afonte, explica que a Maratona de Dados tem um objetivo diferente: “Não é tanto sobre escrever códigos, desenvolver produtos com programação, mas sim usar os dados para discutir os problemas reais que afetam nosso dia a dia”.
A primeira edição, que tratava sobre água e saneamento, contou com a parceria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); e a segunda, sobre mobilidade urbana, com a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC). Como o assunto da terceira edição é sobre cidades e comunidades sustentáveis, o curso de Arquitetura e Urbanismo da Unisinos topou se aliar às discussões.
“Quais são as questões da cidade? Que indicadores e dados temos para entender esses problemas? A partir do que vemos nos dados, quais os contextos? Quais explicações? A ideia é pensar quais soluções e intervenções podemos propor para que a realidade possa ser melhor”, aponta Taís.
A Maratona pretende promover um diálogo multi áreas, em que participantes com perfil mais técnico podem colaborar no detalhamento dos dados através de ferramentas de programação e aplicativos de planilhas, enquanto especialistas em cada tema aproveitam esse conhecimento técnico para observar e dar sentido às informações.
“A análise de dados tem sido cada vez mais importante no jornalismo. O trabalho jornalístico tem que dominar melhor esse processo para fazer uma apuração mais qualificada”, avalia Taís. Para a professora, o jornalista tem o papel fundamental de contextualizar, buscar explicações e correlações em cima dos resultados da análise de dados, para, assim, entender melhor a realidade.
Esta edição será realizada em formato online.
Podem participar estudantes e profissionais de diferentes áreas, como comunicação, informação, desenvolvimento e análise de sistemas, estatística, engenharia, arquitetura e urbanismo, ciências sociais e econômicas, ciências da saúde e outras especialidades.
A atividade é gratuita, mediante inscrição no site bit.ly/maratonadedados2021.
Será fornecido certificado para participantes com 75% de frequência nas atividades.
SERVIÇO
O que: 3ª Maratona de Dados Unisinos – Cidades e Comunidades Sustentáveis
Quando: 23/10 e 06/11, sábados, das 9h às 13h
Onde: Unisinos (EaD)
Quanto: gratuito
Como: Inscrições abertas até 19/10 em bit.ly/maratonadedados2021
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Para a criadora do projeto Afonte e também professora do curso de Jornalismo da Unisinos, Taís Seibt, o evento veio para ficar de vez no calendário de programações da Afonte, criada em 2019 para promover conhecimento e produzir conteúdos de interesse público com base em dados. Além disso, ele marca a presença da cidade de Porto Alegre no mapa desta iniciativa mundial promovida pela Open Knowledge.
Taís entende que o fato do evento ter sido realizado de maneira totalmente remota foi algo positivo: “Isso permitiu contar com convidados reconhecidos nacionalmente por seus projetos na área de dados, o que colaborou para termos tido uma boa audiência na programação. Já estamos ansiosas pela edição 2022”, explica.

Preparamos um resumo dos principais pontos do evento. Confira.
Na abertura das conversas, o coordenador de comunicação da Open Contracting Partnership, Georg Neumann, falou sobre como a sociedade pode compreender melhor as contratações públicas que envolvem grandes somas de recursos. Em sua apresentação, o convidado trouxe métodos e processos para investigar estas contratações.
A jornalista Maria Vitória Ramos, da Fiquem Sabendo, detalhou o caso #solteiragate, projeto de reportagem que explica como a Lei de Acesso à Informação (LAI) ajudou a revelar gastos históricos com pensões. A investigação reuniu, de forma colaborativa, cinco veículos diferentes durante um mês.
O projeto Cruza Grafos é baseado em uma ferramenta gráfica de software livre e foi apresentado por Álvaro Justen e Reinaldo Chaves. A partir dos grafos, é possível mapear e criar ligações entre empresas, políticas e dinheiro público, tudo de forma visual. Na matemática, grafo representa uma teoria que permite encontrar relações entre objetos de um determinado conjunto. No projeto, os grafos mostram teias de relações de poder que existem no Brasil.
Dá pra acompanhar as compras de merenda escolar por parte do Executivo e saber como elas estão sendo aproveitadas nas escolas? É possível monitorar os dados oficiais de licitações e contratos de combate ao Cobid-19? O Tá de Pé mostra que sim. O cientista de dados da Transparência Brasil, Jonas Coelho, um dos responsáveis pelo projeto, explicou que o objetivo é fazer um acompanhamento maior das licitações e contratos de compra de merenda escolar e dos recursos destinados ao combate da pandemia, centralizando as informações de forma padronizada.
Fernando Barbalho, que é auditor federal de Finanças e Controle da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), mostrou o Tesouro Transparente – plataforma onde ficam as informações de transparência das finanças públicas nacionais – que monitora os gastos públicos relacionados à Covid-19. Inclusive, os dados obtidos pelo projeto podem ser baixados para análise.
No início da tarde de sábado, a professora da Unisinos, Juliana Rodrigues, explicou os principais elementos para entender o orçamento público. Em dado momento de sua apresentação, a professora abordou todas as fases do ciclo orçamentário e citou quais são os erros mais comuns, que costumam gerar equívocos dos jornalistas.
Com um workshop sobre análises de redes para plataformas de mídias sociais, o pesquisador e coordenador do projeto MIDIARS, Felipe Soares, apresentou algumas aplicações e softwares úteis para monitorar fluxos de redes em plataformas. O convidado utilizou como exemplo o Twitter.
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Todas as matérias, deste e dos semestres passados, podem ser acessadas na página de Jornalismo Investigativo no portal da Beta Redação. E para quem quer ficar ainda mais interessado nas matérias, o Mescla foi conversar com os participantes do grupos.

No ano que mais de uma vez as pessoas se mobilizaram para protestar contra o racismo, o grupo composto por Andressa Morais, Daniela Gonzatto, Sara Nedel Paz, Tainara Pietrobelli e William Martins usou dados de órgãos do estado para descobrir o perfil das vítimas de crimes de racismo e injúria racial, na matéria que pode ser lida aqui. “Tivemos dificuldade em encontrar vítimas recentes que tivessem levado adiante na Justiça esses crimes”, relata Sara. “Isso é justamente uma das hipóteses que levantamos na produção, do porquê desses casos caírem no esquecimento.”
Devido ao distanciamento, todas as entrevistas foram feitas de modo remoto, o que também dificultou essa interação dos estudantes. “Provavelmente nossos maiores obstáculos envolveram o contato com as fontes e o fato do trabalho ser completamente de forma online”, concorda Daniela. “Precisamos nos adaptar, fazendo entrevistas por videochamadas e áudios, por exemplo, o que resgatou um pouco da proximidade que perdemos momentaneamente em função da pandemia.”
“Foi uma forma de aprendermos bastante sobre as diferenças legais entre racismo e injúria racial”, conta Andressa. Para a estudante, a matéria acabou tendo um peso ainda maior quando, em novembro, ocorreu o assassinato de João Alberto Freitas, no mercado Carrefour em Porto Alegre. Um fato lamentável, que acabou fazendo parte das estatísticas da matéria.
Para o grupo, essa foi uma oportunidade única de escavar e analisar dados de uma área sensível, que apenas recentemente começa a ser debatida abertamente. “Esse assunto tem uma relevância social imensa”, observa a estudante. “Pudemos trazer um pouco da dimensão e do panorama dos crimes raciais no estado em que vivemos com a visão de profissionais com propriedade no assunto combinando com dados relevantes, o que também mostra a realidade, sem achismos.”
“Estamos felizes com o resultado. Pudemos pode trazer indagações relevantes sobre o assunto”, conclui Sara. “ Conseguimos mostrar para as pessoas a relevância que isso tem e que não pode ficar apagado. Tem que ser falado sobre. As pessoas vão poder se enxergar na matéria, ver as dificuldades e o que poderia mudar isso.”

Existem muitas matérias sobre vários aspectos do futebol, mas os estudantes César Weiler, Emerson Santos, Frederico Wichrowski, Gustavo Machado e Kévin Sganzerla uniram o amor pelo esporte com a preocupação com o cenário dos atletas no estado. A matéria, que pode ser lida aqui, traz à tona as relações trabalhistas, muitas vezes bem conflituosas entre os jogadores e os clubes de futebol/
“Desde o início nosso grupo queria falar sobre algo relacionado ao futebol, e com a pandemia afetando principalmente os clubes do interior, pensamos em entender como os atletas que recebem pouco são afetados pelas quebras contratuais”, explica Emerson. Na reportagem eles mostram que uma maioria gritante dos atletas vive bem distante da realidade luxuosa da televisão, e o cenário de competições apenas no primeiro semestre do ano dificulta ainda mais.
“Tivemos dificuldades porque, como envolve processos trabalhistas, alguns jogadores não quiseram se identificar, foram usados alguns nomes fictícios”, explica César. “Até mesmo conseguir o número de atletas cadastrados na federação se torna um detalhe demorado.” Para o colega Frederico, a experiência concluiu com ganhos para todos os envolvidos. “É maravilhoso poder entrar em contato com informações tão importantes da carreira de atletas que muitas vezes não são famosos como os que estamos acostumados a presenciar e o quão duras são suas realidades”, diz. “Acredito que trazer à tona dados tão importantes é uma missão imprescindível e contribui para mostrar um lado que muitas vezes não é abordado sobre as coisas.”
“Eu me sinto muito feliz. Diante de todas as limitações, nós fizemos um excelente trabalho”, concorda Gustavo. “Conseguimos informações exclusivas, que nós apuramos diante das fontes e isso por si só já satisfaz muito a vida de qualquer repórter. Obter por conta própria uma informação é muito prazeroso. Conseguimos entrevistas muito importantes com presidentes de clubes. A principal voz da instituição nos atendeu. Foram declarações polêmicas que apimentaram muito a reportagem.”

Não é mais uma novidade, mas os dados continuam a alarmar. Em todo o estado, 39% das escolas não possuem biblioteca, e quando possuem, muitas vezes não são abertas por falta de funcionários. Esse é o tema da reportagem feita por André Cardoso, Clarice Almeida, Isabelle Castro, Lucas Lanzoni e Mateus Friedrich, disponível aqui.
“Tivemos dificuldade num ponto que não esperávamos, que foi foram as fontes estudantis”, conta Lucas. “Além disso, a própria Secretaria da Educação nos respondia com respostas fechadas, que não respondiam os questionamentos.” Os dados com a Secretaria de Educação foram conseguidos graças à Lei de Acesso, mas os estudantes tiveram que correr, já que só chegaram na última semana da produção.
“Por se tratar de educação, já esperávamos que seria um tema que renderia bons resultados”, comenta Isabelle. “A pandemia prejudicou um pouco, e a falta de interesse de alguns órgãos, mas no geral acho que nos saímos muito bem.”

As estudantes Jéssica Mendes, Kellen Dalbosco e Vitorya Paulo apostaram em um tema audacioso, que desde a idealização trazia grandes expectativas. “Queríamos um assunto que expressasse uma problemática”, explica Kellen. “O que causam os homicídios? Os números estão diminuindo? Se sim, por quê? Quem são as pessoas que estão morrendo?”
“Desde que escolhemos o tema, já estávamos apreensivas com a amplitude, e ela se confirmou na produçao”, confessa Jéssica. Falar sobre o caminho dos homicídios na capital exigiu determinação e esforço em grupo. As estudantes cruzaram os dados de homicídios dos últimos dez anos na capital, tendo que reestruturar e criar tabelas que atendessem a nova demanda.
Acostumadas a trabalhar com entrevistas, a quantidade massiva de dados foi o ponto alto nas dificuldades. “A gente trabalha com informação, mas pegar uma planilha com dados de homicídios no estado, por ano, entender os padrões, as estatísticas… É complicado”, concorda Vitorya.
Finalizando o curso de Jornalismo, as estudantes compararam a disciplina a produção de um TCC. “Me vi exausta. Teve um momento do semestre que pensei em cancelar, mas como meu grupo todo estava passando pelas mesmas angústias, seguramos uma a mão da outra”, relembra Vitorya. “Nessa disciplina, se não tiver um grupo engajado, não vai para frente. E fica a lição de não desistir na primeira. Acho que fizemos um trabalho lindo, bem feito e apurado, mesmo com as limitações da pandemia.”
“Falar sobre homicídios é sempre delicado, e sem esse contato presencial, foi ainda mais difícil”, assinala Jéssica. “Mas todas estamos felizes em entregar um trabalho com essa qualidade. Conseguimos um bom resultado e se tornou motivo de orgulho.”
“Jornalismo investigativo é a chama do jornalismo. São dados e histórias, e tu quer entregar para o mundo uma informação, que de alguma forma seja útil”, resume Kellen.
A matéria pode ser lida na íntegra aqui.

Um assunto muito pouco abordado a nível regional foi o tema escolhido pelos alunos Régis Viega, Lucas Ott e Guilherme Santos, que você pode ler aqui. Motivados pela dificuldade encontrada pelo próprio Régis que é cadeirante desde 1999, os alunos foram investigar sobre as vagas de emprego para PCD’s e os dados foram surpreendentes.
“Para mim foi um baque bem grande, já no início da pesquisa”, comenta o colega Guilherme. “As empresas pouco empregam pessoas com deficiências, só fazem isso porque existe uma lei que as obriga.” Uma realidade conhecida de Régis, que é cadeirante, ainda tiveram dificuldade na falta de fontes oficiais que pudessem orientar sobre o assunto. “Também é complicado encontrar cases com portadores de diferentes deficiências. Cegos, por exemplo, são os mais excluídos do mercado de trabalho.”
Com a finalização da matéria, os estudantes comemoram o resultado e a possibilidade da reportagem se tornar uma referência para abordagem do tema. “Não existem muitas reportagens sobre o assunto, parece que não há interesse em saber por que esses números são tão baixos”, concorda Guilherme. Uma hipótese levantada durante a produção se confirmou no contato com as fontes, como conta Lucas. “Não é o mercado de trabalho a raiz do problema. Muitas das vagas não são ocupadas porque essas pessoas enfrentam dificuldades desde a educação. O problema está em toda a sociedade.”
Para descobrir o estado em que se encontram os monumentos na capital, o grupo de Porto Alegre, Carolina Santos, Jessica Montana, Josi Skieresinski e Luiza Soares, teve que cruzar dados e desbravar a falta de informação. A matéria que pode ser lida aqui é um trabalho de investigação sobre o estados dos monumentos históricos e a verba destinada para tal. “Nossa ideia era fazer uma relação das homenagens a pessoas escravocratas ou fascistas, da mesma forma que houve esse movimento em outros países”, conta Luiza. “Queríamos fazer uma relação de quantas pessoas homenageadas eram mulheres, ou negros, mas os dados são poucos e dezatualizados.”
O passo seguinte foi encontrar um novo foco para a investigação, e dessa mudança, os alunos se depararam com a falta de manutenção e preservação desses bens históricos. Com o trabalho realizado, o grupo formou um panorama que também serve de referência. “Estamos realizados. Apesar das mudanças, conseguimos fazer uma reportagem de cultura que é também de denúncia”, conclui Luiza.
Para a professora Luciana, apesar das dificuldades trazidas pela pandemia, o semestre foi produtivo, com temas de grande interesse e um aprofundamento nas técnicas que são usadas no mercado. “Se por um lado o distanciamento social foi obstáculo para o convívio presencial, por outro favoreceu a ambientação para a busca de dados”, observa Luciana. “Estamos todos mais em casa e na frente do computador. Além de ter contribuído para que tivéssemos palestras importantes.”
Durante o semestre, os estudantes puderem conversar com nomes como o jornalista e criador do Lagom Data, Marcelo Soares, radicado em São Paulo; a jornalista Naira Hoffmeister, do Grupo Matinal Jornalismo, e o repórter Marcel Hartmann, ambos recentemente premiados no 62º Prêmio ARI/Banrisul de Jornalismo. “Foram contribuições importantes que deram mais estímulo para os grupos, que se engajaram muito nas suas investigações”, diz Luciana. “Acho que produziram um belo portfólio para a carreira, e ainda vão inspirar as turmas que virão.”
Com os vários grupos e novas realidades, a monitoria acabou tendo papel ainda mais importante no auxílio à organização e suporte dos grupos. O estudante Natan Cauduro foi monitor da disciplina e acompanhou de perto o desenvolvimento dos grupos, apesar das dificuldades.
“Todas as reportagens têm qualidades muito interessantes”, comenta ele. “Foi muito trabalhoso, mas talvez tenha sido mais no sentido de se entender no ambiente virtual, já que todos entregaram matérias bastante positivas.”
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]]>The post Um debate sobre a Mina Guaíba appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>A construção da Mina Guaíba tem causado preocupação na comunidade gaúcha pelos possíveis impactos ambientais que o empreendimento pode causar, como o rebaixamento do lençol freático e inundações do Rio Jacuí. O projeto está em fase de licenciamento junto à Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luiz Roessler (Fepam). A Copelmi, que trabalha neste ramo desde 1883, concentra mais de 80% do carvão de uso industrial do país. A mina, que será a céu aberto, poderá ocupar uma área de 4 mil hectares.
O encontro contou com a participação do geólogo Rualdo Menegat, o engenheiro ambiental Iporã Brito Possantti e da doutora em Serviço Social Marilene Maia. Taís, que é professora do curso de Jornalismo da Unisinos, explicou a importância de se discutir o assunto: “Não são apenas os moradores vizinhos da obra que vão ser impactados. Como o meio ambiente é único, toda a região metropolitana tem um potencial de impacto muito grande”.
Cada profissional fez um painel sobre os diferentes aspectos do projeto da Copelmi. Rualdo dedicou-se aos impactos locais da construção da mina, que podem afetar o Rio Jacuí e o Parque Estadual do Delta do Jacuí. “Nós não estamos olhando para um evento que começa amanhã e logo termina”, enfatizou o pesquisador. Se o projeto for aprovado, a mina irá funcionar por 23 anos, gerando, segundo a Copelmi, 1.154 empregos diretos e 3.361 empregos indiretos. Apesar dos números, Marilene é reticente. “Não sabemos quais serão as condições de emprego desses trabalhadores. Além disso, parte da população poderia ainda estar fora do debate sobre a Mina Guaíba”, comentou.
Os palestrantes trouxeram muitos dados sobre o projeto. Marilene apontou que a exploração de carvão mineral na região poderia comprometer a produção de arroz e qualquer outro cultivo agrícola. Além disso, ela calcula que cada tonelada de carvão explorada resultará em um custo de 9,5 dólares ao sistema de saúde. Já Rualdo reforçou o fato de que a mina será construída em uma região imprópria e poderá gerar uma migração populacional, principalmente, de indígenas e agricultores. A extração de carvão mineral poderá afetar e remover a flora e fauna da região. Confira os materiais dos palestrantes.
O Dia dos Dados Abertos reuniu pessoas de diferentes idades, mas com um mesmo objetivo: entender melhor o cenário da Mina Guaíba. Isadora Ribeiro, 16 anos, se preocupa com a iniciativa. Começou a estudar o projeto da Copelmi para um trabalho da disciplina de Sociologia, do Colégio Anchieta. O resultado foi levado para o Salão de Iniciação Científica da UFRGS. Isadora é contrária à instalação da mina e defende a união da população para barrar o empreendimento. “A única coisa que pode provocar a mudança é uma massa se unindo contra isso”, disse a estudante.
Junto com Isadora, participaram Ingeborg Eichwald, Allan Ervin Krahn e Marie Ann Wangen Krahn, integrantes do Serviço de Paz (Serpaz), que trabalha com direitos humanos e resolução de conflitos. “Essa é nossa casa, não podemos destruí-la pela vaidade e pela ganância. Temos que lutar contra a mina e a favor da vida”, defendeu Allan. Para Marie Ann, a vida tem a ver com o cuidado de todo o planeta.






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]]>The post Sustentabilidade e meio ambiente pautam a próxima edição do Dia dos Dados Abertos appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>O Dia dos Dados Abertos é um evento internacional, mas cada cidade organiza sua programação conforme o eixo temático da Open Knowledge. Taís Seibt, professora de jornalismo da Unisinos, é a organizadora do evento desde a segunda edição. Ao lado da jornalista Marília Gehrke, ela conta como foi a escolha do tema deste ano:
“A cada edição do Open Data Day, a Open Knowledge sugere alguns temas a serem abordados, conforme a preferência dos organizadores locais. Nós optamos pela linha de dados ambientais e, dentro disso, o projeto da Mina Guaíba, por ser de grande impacto local, que está gerando discussões nas comunidades mais próximas ao empreendimento.”
O projeto Mina Guaíba, proposto pela Copelmi Mineração, consiste na abertura de uma mina a céu aberto com mais de 4 mil hectares na região das cidades de Charqueadas e Eldorado do Sul. A iniciativa pretende trazer à tona 166 milhões de toneladas de carvão mineral para uso em gaseificação, termoelétricas a carvão ou mesmo em um Polo Carboquímico. O empreendimento, segundo especialistas, pode ter um imenso impacto ambiental nos recursos hídricos da região.
A professora Taís Seibt entende que é necessário um debate com profissionais de diferentes áreas para entender melhor essa realidade. Dentre os convidados do encontro está o advogado especialista em transparência pública Bruno Morassutti, colaborador da iniciativa Fiquem Sabendo. Bruno vai ministrar uma oficina sobre como usar a Lei da Acesso à Informação para monitorar riscos ambientais.
A Unisinos tem recebido não só o Open Data Day, mas também outros eventos sobre dados, como a Maratona de Dados. Taís conta que Afonte, iniciativa de jornalismo de dados organizada por ela e outros colaboradores, tem promovido também o Cerveja com Dados em Porto Alegre. “Cada encontro desses tem reforçado a importância de promover espaços de discussão multidisciplinar, porque esta é a essência do trabalho com dados”, destaca a jornalista.
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]]>The post Maratona de Dados Unisinos buscará soluções para a mobilidade appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>Em formato de hackathon (maratonas de programação), a ideia é que sejam propostas ações ou desenvolvidas soluções para os problemas identificados a partir dos dados fornecidos pela Prefeitura de Porto Alegre, disponibilizados no Observatório da Mobilidade (ObservaMOB). Serão formados grupos multidisciplinares, que contarão com o auxílio de mentores, e que, ao final do dia, devem apresentar suas propostas para uma banca avaliadora, mostrando qual foi o percurso e o resultado obtido.
O evento é totalmente gratuito, oferece certificado e é aberto para alunos, professores e comunidade em geral. Para participar, a inscrição pode ser feita preenchendo este formulário. No entanto, quem for no dia, também poderá participar. A gestora de design digital e inovação da Ilegra, Caroline Capitani, será uma das mentoras. “Já dizia Milton Santos: o mundo é formado não apenas pelo que já existe, mas pelo que pode existir. Portanto, vamos olhar para os dados, os lugares, as pessoas e nossas próprias necessidades e, com esforço coletivo, criar alternativas para vivermos melhor”, disse a profissional.

A professora do curso de Jornalismo Taís Seibt, idealizadora de Afonte Jornalismo de Dados, acredita que a Maratona de Dados é uma iniciativa importante para o posicionamento da universidade como um local de conhecimento multidisciplinar que colabora para encontrar soluções para os problemas de nossa sociedade. “A Maratona de Dados vem com essa proposta, de trazer problemas reais da comunidade na qual estamos inseridos, de uma forma multidisciplinar, tendo a universidade como o ponto de convergência na atividade”, explica.
Ela ainda observa que isso servirá para romper com certas amarras que possam existir entre estudantes da Indústria Criativa, na medida em que o trabalho com dados ainda é pouco presente nos currículos de Jornalismo, apesar de ser uma tendência no mercado. Taís ainda aponta que o evento traz a possibilidade de se construir networking, pois os integrantes estarão em contato com professores de diferentes áreas e profissionais do mercado de trabalho. “No fim das contas, esse é também o ganho da Afonte Jornalismo de Dados, pois buscamos a promoção de conhecimento sobre o uso de dados e mais transparência pública”, esclarece a docente.

A coordenadora de indicadores e engenharia de tráfego da EPTC, Julia Freitas, comenta que, como o ObservaMOB ainda está em construção, esse evento servirá para que se possa mostrar o conceito do projeto. A ideia do observatório é consolidar um big data de mobilidade, e na maratona se poderá mostrar como isso está sendo formado e quais são as fontes utilizadas. No evento, Julia pretende ensinar a como transformar os dados em informação, por isso, defende que é essencial trazer à tona o assunto. “Esse é um trabalho de conhecimento. Quanto mais pessoas estiverem participando, mais completo será o debate”, afirma.
Para saber como vai ser a Maratona e saber como foi a primeira edição, confira a cobertura do Mescla nesta matéria.
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]]>The post Jornalismo guiado por dados em pauta appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>O pesquisador define o método associado ao Jornalismo de Dados como o de “entrevista de planilhas”, tendo começado na década de 50. Já entre os anos 80 e 90, eram classificadas como reportagens assistidas por computadores ou RAC Mas, segundo Träsel, foi por meados de 2005 que o Jornalismo de Dados começou a surgir com mais força, graças aos avanços tecnológicos e as leis de acesso à informação. Marcelo no início pensava que isso não passaria de uma moda, mas percebe que vem se estabelecendo cada vez mais e afirma que hoje é tudo mais fácil. “Se você tiver um computador com internet, você tem acesso aos dados”, observa.
Para a tese de doutorado que defendeu, Marcelo fez uma pesquisa etnográfica no Estadão Dados, a primeira equipe de dados formal dentro de uma redação brasileira. Ele pode observar que jornalistas de dados são geralmente conhecidos como os ‘nerds’ e costumam ser mais autodidatas, aprendendo de forma espontânea a lidar com novas tecnologias. Um dos principais pontos que chamaram a atenção dele sobre estes profissionais é que são muito mais colaborativos e não guardam uma informação ou dado consigo. “Sempre temos aquela ideia do jornalista competitivo, puxando o tapete do colega, mas com o jornalismo de dados, que tem uma comunidade pequena, acontece muita troca de informação, técnicas e dicas”, observa.
Ele pode ver também que eles se aproximam muito da cultura hacker, pois estão mais acostumados a usar softwares livres, e por consequência, terem especial apreço pela transparência dos procedimentos, explicando como a reportagem foi feita e quais dados foram usados. Träsel afirma ainda que este esta modalidade é complementada pelo jornalismo pé no barro, ou seja, se inicia como uma análise estatística e a partir daí, parte para a produção da pauta. Mas, lembra contudo que os dados não podem ser confundidos como uma verdade absoluta. “Eles são construídos, eles não são idênticos com a realidade, nem são neutros, pois seguem uma agenda”, enfatiza.

O pesquisador trouxe diversos exemplos de jornais e sites que usam dados para tornar a informação mais acessível, e diz incentivar os alunos a construírem seus próprios dados, que pode ser feito sobre qualquer assunto, em qualquer editoria. Dentre os sites que oferecem cursos de jornalismo guiado por dados, citou: Abraji, Escola de Dados e Knight Center.
O professor da atividade de Seminário do Projeto de Pesquisa, Ronaldo Henn, explicou que é de extrema importância o compartilhamento de ações de pesquisa “Essa participação de pessoas, não só da área da pesquisa, mas também com uma trajetória consolidada na área do jornalismo é muito relevante, isso reforça o que é ensinado em sala de aula”, afirma.
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]]>The post Em terra de Twitter, quem reina é o bot appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>Um estudo de 2012 da International Data Corporation (IDC), intitulado “A Universe of Opportunities and Challenges” (Um universo de oportunidades e desafios – livre tradução), traz a estimativa de que em 2020, o volume de dados na internet terá crescido até alcançar a margem de 40.000 Exabytes – equivalente a 40 trilhões de Gigabytes. Outro estudo, este da IBM, criou um infográfico que apresenta outro dado sobre 2020: 35 zettabytes (4,13 trilhões de gigabytes) serão gerados anualmente a partir dessa data.
Todos esses números indicam uma coisa: o repórter que atua com jornalismo de dados nunca deixará de ter trabalho. Isso não precisa ser um problema, ainda assim, enquanto o profissional interpreta toda essa informação, uma ajudinha é sempre bem-vinda. E essa ajuda pode se materializar na forma de um Bot.

Como todo Bot, Robotox, Fátima e Rui nasceram da criatividade de três mentes humanas. O primeiro, das ideias do designer e desenvolvedor, Babak Fakhamzadeh. Ela, do consultor de dados e tecnologias, Pedro Burgos. O último, do editor e cientista de dados, Guilherme Jardim Duarte.
Bots são robôs. O termo é uma abreviação da palavra em inglês (robot). Mas eles não têm corpo físico, por isso não se assemelham àqueles figurões do cinema, como o Exterminador do Futuro ou C-3PO. Bots existem no mundo virtual, na grande rede. Pode parecer estranho, mas as chances de conviver com um Bot, hoje, são grandes – e as chances de pelo menos um deles viver no teu smartphone talvez sejam ainda maiores. Alguns dos Bots famosos pelo mundo são Siri (Apple), Cortana (Microsoft), Alexa (Amazon) e, para abrasileirar a competição, tem a Magalu (Magazine Luíza).
É complicado encontrar uma definição exata para o que é um Bot. Se jogar essa palavra no dicionário Informal ou no Aurélio, as respostas não são exatamente satisfatórias:


Mas é possível, sim, explicá-los. Bots são robôs programados para cumprir uma função. Essa função pode ser conversar com alguém para cumprir um objetivo (caso da Siri), atender um cliente (Magalu) e analisar dados e informações (Fátima e Rui). Eles substituem o ser humano em tarefas extremamente mecânicas ou em algum trabalho que levaria muito tempo para ser feito, afinal a capacidade processual e a agilidade de um bot supera a humana com facilidade.
Fátima e Rui são dois exemplos de como o jornalismo brasileiro pode se apropriar de técnicas pertencentes a outras áreas, e utilizá-las para si. A dupla atua no Twitter, uma rede social que permite acesso parcial a sua API. API significa Interface de Programação de Aplicativo. Essa interface permite que programas distintos conversem uns com os outros – como se cada um deles tivesse um número de telefone e a API é o sinal. Nessas conversas, são trocadas informações.
Rui e Fátima são programas que acessam o Twitter através da API. É dessa maneira que eles podem utilizar bancos de dados, comparar informações e publicar na plataforma – ou até conversar com os perfis que dela fazem parte.
Do trio de bots, a iniciativa mais recente foi a criação do Robotox. Ele surgiu de uma parceria entre a Agência Pública e a Repórter Brasil. Ele publica no Twitter, diariamente, todas as vezes em que o governo federal concede liberação para uso de um novo agrotóxico.

Robotox é estrangeiro, foi criado em linguagem PHP (Hypertext Preprocessor) por um holandês que reside no Brasil há mais de 3 anos. Babak Fakhamzadeh tem 45 anos, o português carregado de sotaque (até na escrita), é mestre em ciências (Masters of Science, no original) em matemática e atua como freelancer em design e programação. Ele é responsável por quase todas as “coisas online” da Pública.
Segundo Babak, o Robotox surgiu de uma necessidade. “Queríamos fornecer acesso fácil a informações sobre quais agrotóxicos são autorizadas para uso na indústria alimentícia no Brasil”. Ele também ressalta que essas informações são públicas, mas não possuem fácil acesso.

O trabalho do bot é unicamente publicizar essas informações. Ele não faz value statement (declarações de valor, em tradução não literal).
“Estamos preocupados com a extensão em que as agrotóxicos podem ser usadas no Brasil. As informações publicadas pelo bot tornam mais fácil para aqueles que estão interessados investigar mais, jornalistas ou não”, conta Babak.
Robotox não interage com os usuários. Algumas vezes ao dia, ele verifica o Diário Oficial da União e analisa os textos disponibilizados. Cada um desses processos leva, em média, uma hora. O Twitter, de acordo com Babak, não apresenta dificuldades. O maior problema do bot é a análise de linguagem (Natural Language Processing), pois é dessa maneira que o robô interpreta as publicações governamentais.


“Acho que a maior conquista do bot é que ele reduz a barreira para o público, para participar do debate sobre o uso de agrotóxicos no Brasil”, comenta Babak.
Um dos grandes desafios de agências de checagem é manter um diálogo com perfis que compartilham notícias falsas. Foi esse o pensamento que Pedro Burgos teve enquanto trabalhava com a API do Twitter. Com isso em mente, ele iniciou um projeto que, no futuro, criaria a Fátima Bot.


A Fátima é integrante da Aos Fatos, uma das maiores agências de checagem de informação do país. Cofundadora do site, Tai Nalon conheceu Pedro em um encontro sobre jornalismo de dados feito pela Google. Tai se interessou pelo projeto do Pedro e assim teve início a parceria.

Para entender como a Fátima funciona, é preciso compreender a Aos Fatos. Além das checagens, a agência possui debunkings (não existe uma tradução exata do termo para o português, mas a palavra simboliza o ato de desmentir boatos). A função da agência é checar e desmentir informações, armazenando os resultados em seu próprio site. Essas checagens servem para refutar informações falsas compartilhadas por usuários no Twitter. A ligação entre o site e a rede social é a Fátima.
Segundo o próprio Pedro, uma maneira simples de entender esse bot é pensar numa planilha do Google Sheets (que é o irmão do Microsoft Excel, mas de mães diferentes).

Em uma das colunas estão os links das notícias falsas, na outra estão os debunkings. Tendo acesso a essas informações, Fátima vasculha o Twitter de hora em hora procurando por perfis que tenham compartilhado pelo menos um dos links da primeira coluna. Quando encontrados, a Fátima responde a publicação avisando o usuário sobre a mentira, além de acrescentar na resposta o link para a informação apurada.
Uma das especificações do bot é que Fátima responde pessoas que tenham um número considerado grande de seguidores. Um dos motivos para isso é que se a bot interagisse com centenas de usuários num curto espaço de tempo, ela poderia ser considerada um spammer.
Spam é uma palavra inglesa cujo significado é: receber uma mensagem eletrônica sem ter solicitado a mesma. Spammer é o nome dado a quem envia spams. Caso isso ocorresse com a Fátima, o perfil da bot seria bloqueado temporariamente ou suspenso permanentemente.
Apesar das constantes evoluções, Fátima lida com algumas dificuldades. Uma delas é que a bot não faz distinção entre um usuário que compartilhou uma notícia falsa daquele que compartilhou o link para avisar outras pessoas sobre a falsidade da notícia. Outra dificuldade está na atualidade dos links. Se a coluna de debunks e checagens não for atualizada com frequência, Fátima permanece corrigindo antigas mentiras.
Fátima é um bot que evolui com frequência, avanços esses que são resultado do empenho de Pedro (que tem grandes expectativas para a bot):
“Temos várias coisas planejadas. Abrir o código, ou ao menos trabalhar com outros parceiros que possam usar a tecnologia (já temos conversas para fazer isso em outros países da América Latina). Evitar que ela passe muito tempo corrigindo as notícias mais velhas (como faz agora). E no futuro, ao invés de buscar só por links de notícias falsas, buscar por frases, imagens, etc.”, comenta Pedro
Rui e Fátima são bots e foram criados com a mesma linguagem de programação – Python, mas Rui Barbot tem diferenças crônicas quando comparado à Fátima. Ele não procura notícias falsas, ele atua na direção oposta da robô de Aos Fatos O Rui não está preocupado com as questões atuais, seu negócio é denunciar processos judiciais que estão esquecidos. Quanto mais relegados, mais ele gosta.

Guilherme Duarte é responsável pela criação do bot, Felipe Recondo pelo conceito. A inspiração para o robô vem de Rui Barbosa de Oliveira que, entre todos os títulos, também possui o de jurista. É dele uma das frases que simboliza o trabalho do bot.

“O Rui consiste na ideia de que o tempo que processos judiciais levam é um fator importante para entender o Judiciário”, nas palavras de Guilherme. Atuar com o judiciário faz parte da rotina tanto do robô quanto do local de trabalho. O JOTA é um site jornalístico que atua na cobertura do Supremo Tribunal Federal (STF).
O STF abriga ações que foram propostas há anos e ainda não foram analisadas. O Rui faz a vigília e anuncia quando uma dessas ações atinge uma marca temporal significativa. Podem ser seis meses, um ano ou até registrar toda vez que a ação faz aniversário. O bot também alerta os repórteres do O JOTA. Com essas informações, os jornalistas produzem matérias específicas sobre cada caso.



Rui acessa o banco de dados do Supremo Tribunal Federal e monitora os processos lá armazenados. O JOTA não força o bot a analisar todos os processos, pois são milhares criados todos os dias. O robô foca em duas mil ações consideradas relevantes e ele consegue fazer a varredura delas em menos de cinco minutos.
Em termos de funcionamento, o Rui aparenta ser mais simples que a Fátima. Ele não se preocupa em interagir com os perfis no Twitter. O robô é focado em publicar as descobertas na timeline da rede social.
Assim como Fátima, Rui também olha para o futuro. Segundo Guilherme, existe uma meta para aumentar a capacidade de observação do robô, fazendo com que ele atue em bancos de dados de outros tribunais, não só do STF.

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]]>Quem vê o jornalista Luís Nassif entrando pela porta da sala não imagina a trajetória dele dentro do jornalismo nacional. De camisa social listrada, caneta no bolso e sapatos brilhosos, ele atendeu a estudantes de Jornalismo, professores e a imprensa na tarde desta segunda-feira (19) na Unisinos Porto Alegre. Ele está na universidade para o lançamento do Projeto Nuvem: Núcleo Universitário de Educação para as Mídias.
Com muito repertório, brincadeiras e sempre com sorriso no rosto, abordou temas atuais, que misturam política e práticas jornalísticas. Para os jornalistas em formação, ofereceu dicas valiosas para o ofício. Veja alguns tópicos comentados pelo profissional:
Para Nassif, o mito de que “em seis meses de redação aprende-se mais do que numa faculdade”, foi quebrado. Ele conta que avaliou bancas de Trabalhos de Conclusão de Curso e que viu um grau de complexidade que não existe dentro das redações. Os grandes “jornalões”, como ele chamou, ainda não perceberam as mudanças do jornalismo e mantêm a sistemática ao invés de mudar o enfoque de suas redações e, portanto, as grandes redações vão deixar de existir, acredita.
Lembrando das chamadas “matérias caça cliques”, ele chama a atenção para o papel do jornalista, principalmente para aqueles que estão saindo da graduação. “Nunca foi tão fácil fazer jornalismo”, exclamou, principalmente o jornalismo investigativo. Para ele, basta buscar as informações que estão disponíveis 24h na internet e o desafio é saber usá-las com coerência. “Conforme os dados vão aparecendo, você adapta a narrativa”, explicou. O segredo é contar uma história interessante, adaptando a narrativa aos fatos, conforme eles vão surgindo. “O segundo desafio é encontrar um jornal que queira publicar a história”, brincou.
“Nessa fase de internet, todo mundo é jornalista”, afirmou Nassif. Para ele, a liberdade de expressão e de informação é de extrema importância para a democracia, assim como o debate de ideias. Contudo, essa liberdade também expõe problemas. Um deles está ligado à opinião pública nas redes sociais. Segundo Nassif, há banalização da opinião do especialista. Uma opinião, vinda de uma fonte com autoridade, pode confrontar ideais adquiridos e cultivados durante anos. Bloquear novas ideias através de redes sociais e manifestar as próprias com objetivo de autoconfirmação é a fórmula que produz muitos dos comentários falsos, raivosos e preconceituosos online, uma “volta à selvageria”, como ele definiu.
No jornalismo, a opinião surge através dos colunistas. Na visão de Nassif, o cargo possui um número exagerado de profissionais em uma “luta” pela audiência, pelo ouvinte, pelo leitor e pelo clique, jornalistas tendem a abandonar a especificidade de um assunto, tornando suas colunas, e consecutivamente opiniões, em algo raso e de fácil disseminação. “O pensamento é guiado por clique ou patrocínio”, disse afirmando que deve haver um compromisso com o fato, não com o lucro que ele pode gerar.

Nassif posicionou-se quanto ao papel dos grandes veículos brasileiros quando se diz respeito às fake news, e ajudou a esclarecer como elas devem ser combatidas. Segundo ele, as redes sociais mudaram o comportamento dos jornais impressos, como o caso da saída da Folha de S. Paulo do Facebook. “A Folha como jornal não se deu conta das mudanças. Com a internet, vai mudar o jornal diário, e este tem que cumprir diariamente o papel do que era semanal. Para isso, que mudar totalmente o enfoque das redações, tem que trabalhar com sistemas que permitam fazer pesquisa. O jornalista tem que saber juntar informação, consolidar”, afirmou.
A respeito das notícias falsas, Nassif afirmou que o jornalista tem o papel de contrapor e explicar os fatos falsamente noticiados. Com a ascensão da internet, qualquer um se diz jornalista, e compartilham a notícia com a qual tem mais afinidade. “O público quer ler o que lhe convém”, esclareceu. Ele falou também sobre o papel que a grande imprensa teve nos últimos dez anos, ao martelar um discurso de ódio e jogando com a opinião pública. Ele afirma que as fake news integram uma guerra midiática desde 2005 e que foi possível ver resultados nas eleições presidenciais de 2006.
Nassif opinou também sobre os grandes veículos que hoje tentam vender uma imagem de referência contra as fake news, mas que escondem uma história de disseminação de notícias falsas. “Neste momento que você tem essa desorganização completa no mercado de informação, os jornais tentam recuperar, tentam vender que são uma referência”, afirmou. Para ele, este movimento é uma jogada para tirar de cena os blogs independentes que fazem o contraponto.
Durante o debate, foi proposta a discussão sobre diversas notícias ao redor de um mesmo tema e em diferentes meios de comunicação. Nassif acredita que o “efeito-manada” é um dos grandes problemas que a imprensa vem passando, principalmente na era digital. Ele afirma que o uso de perfis falsos na internet e, às vezes, as próprias colunas em jornais impressos acabam se detendo em poucas fontes de informações, deixando de expor mais de um lado da história.
O jornalista acredita que os valores aprendidos no jornalismo vêm se perdendo, e que dia após dia, os veículos se acomodam às situações, seguindo a linha de publicação de outros veículos, sem muitos questionamentos. “A mídia tem medo de corrigir os erros e, a partir do momento em que não se assume o erro, não é mais um jornalista”, conclui Nassif.
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