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Arquivos ISOJ - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/isoj/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Thu, 04 Jul 2019 20:02:36 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 Especial Rosental: a conferência e os pensadores que debatem as inovações no jornalismo https://mescla.cc/2019/07/04/especial-rosental-a-conferencia-e-os-pensadores-que-debatem-as-inovacoes-no-jornalismo/ https://mescla.cc/2019/07/04/especial-rosental-a-conferencia-e-os-pensadores-que-debatem-as-inovacoes-no-jornalismo/#respond Thu, 04 Jul 2019 19:26:53 +0000 http://mescla.cc/?p=10207 A história de Rosental com o ensino de jornalismo remonta à década de 70. No Brasil, ele começou a lecionar aos 21 anos na Federal Fluminense (UFF) do Rio de Janeiro. Aos 43, foi aceito na Universidade do Texas, em Austin (EUA) e lá permaneceu lecionando. No campo acadêmico, Rosental foi responsável por implementar novas […]

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A história de Rosental com o ensino de jornalismo remonta à década de 70. No Brasil, ele começou a lecionar aos 21 anos na Federal Fluminense (UFF) do Rio de Janeiro. Aos 43, foi aceito na Universidade do Texas, em Austin (EUA) e lá permaneceu lecionando. No campo acadêmico, Rosental foi responsável por implementar novas disciplinas e renovar o currículo da universidade americana, além de incentivar encontros que, há 20 anos, formaram o Simpósio Internacional de Jornalismo Online (ISOJ) – o maior encontro sobre tecnologia e inovação do campo jornalístico no mundo. 


Professor Rosental


Ser um brasileiro atuando na educação acadêmica de norte-americanos fez de Rosental uma pessoa capaz de perceber diferenças nas graduações em jornalismo de ambos os países. Para o professor, um contraste entre Estados Unidos e Brasil é o apoio intelectual e financeiro histórico das indústrias de jornais e emissoras de rádio e TV na elaboração dos currículos do curso de Jornalismo.


É importante ressaltar que nos Estados Unidos, diferente do Brasil, os cursos de graduação são credenciados e fiscalizados por entidades externas às universidade. De acordo com o Conselho Nacional de Educação (CNE), em publicação intitulada “Sistema Nacional De Avaliação Da Educação Superior”, as Accreditation Agencies (Agências de Credenciamento, em livre tradução) são companhias privadas sem fins lucrativos ou não-governamentais “que certificam a qualidade do ensino de instituições públicas e privadas, além de garantir seu funcionamento”.


“Eu sou parte de um conselho que visita universidades para ver se o curso de jornalismo pode receber uma acreditação. Nesse conselho de nove pessoas, uma das coisas que nós temos que ver é se não estão ensinando jornalismo de mais, ou teoria de mais. O jornalismo nos EUA é um curso de humanidades que tem uma especialização no final. Então o número de aulas de jornalismo é limitado, e isso é bom”, conta Rosental.


Ele lembra que já existem pedidos de mudança, em especial para acrescentar ao currículo de Jornalismo novas tendências e usos de tecnologias, tal qual coding (programação), empreendedorismo e jornalismo de dados. Ele ressalta, porém, que todas essas mudanças não apagam o que ele chama de básico: “questões de redação, apuração, ética e a parte deontológica”.


Para Rosental, o ensino do jornalismo no Brasil possui uma característica teórica, um curso mais voltado à comunicação ao invés de jornalismo. Nos EUA, o professor relata que os alunos saem das universidades com uma formação de humanidades, de sociologia, e de perfil profissional mais flexível. Em terras tupiniquins, “acho que as grades são muito fechadas”.


O profissional empreendedor


Rosental já se descreveu como um “bicho estranho”. O motivo, segundo ele, eram as aulas que ministrava em Austin, como Jornalismo Online. Entretanto, no avanço da Revolução Digital, o professor já não sabia como trabalhar a ideia de Jornalismo Digital, afinal, para ele, “todo jornalismo é online”. Sempre pensando em inovar e abraçando o padrão da estranheza nas disciplinas, ele criou duas novas cadeiras: Jornalismo Móvel e Jornalismo Empreendedor. 


“Eu decidi Jornalismo Empreendedor porque eu achava, e continuo achando, que é muito importante que o jornalismo aprenda com o empreendedorismo da área de tecnologia, ou seja, essas grandes companhias são empresas de mídia, e todas elas têm de entender que também são plataformas tecnológicas. A dinâmica do que se leva a criar um Facebook, um Instagram, um YouTube, é uma cultura do Silicon Valley que é estranha à cultura, ou pelo menos era, do jornalismo – tanto na academia como na indústria”, explica Rosental. 


O professor também fez brincadeiras entre o significado das palavras “memo” e “demo” e a realidade do mercado de trabalho. Para ele, a era do “memo” acabou, termo esse que representa o período em que um jovem jornalista se preocupava em construir um currículo “legal”, dizendo saber “isso e aquilo”. De acordo com o professor, as grandes redações procuram pelo “demo”, o estudante ou recém-graduado que demonstra pró atividade. Segundo Rosental, essas são as pessoas que criam websites, fundam blogs e cobrem assuntos por conta própria, sem precisar da assistência de uma empresa jornalística. “É aí que você vai chamar a atenção de alguém que vai te dar um emprego”, revela.


O “Simpósio Internacional de Jornalismo Online (ISOJ)” completou 20 anos em 2019. Ele nasceu da vontade de Rosental de discutir jornalismo online, evoluções tecnológicas, empreendedorismo digital e os potenciais horizontes que podem ser explorados com o uso da internet. É compreensível, portanto, que o Simpósio seja conhecido como “barômetro do jornalismo online global”.


Trata-se de uma conferência que pode durar até dois dias. Jornalistas, editores, produtores, executivos, acadêmicos e entusiastas de todo o mundo reúnem-se em um dos auditórios da Universidade do Texas para debater os temas já mencionados. A internacionalização ganhou força quando, em 2003, o simpósio deixou de focar especificamente em mudanças e debates estritamente norte-americanos. 


O Simpósio também é conhecido por acompanhar de perto as tendências de grandes empresas de mídia. Rosental faz questão de mencionar que a conferência surgiu um ano após a criação do Google ao mesmo tempo que se formava o Facebook e o Twitter, plataformas que são temas constantes dos painéis apresentados no evento, além de estarem ligadas ao Jornalismo Online – tema da primeira matéria do Especial. 


A primeira edição do ISOJ ocorreu em 1999. Teve cerca de 70 participantes. Na vigésima, com duração de dois dias, foram cerca de 500 pessoas vindas de 44 países. Nesta edição, Rosental foi homenageado pelas duas décadas de evento. Durante a homenagem, ele, emocionado, declarou: “Eu nunca imaginei que o ISOJ teria 20 anos, então vamos fazer os próximos”.


O número 500 pode parecer grande, mas para Rosental, um evento que comporta essa quantidade de pessoas tem o tamanho ideal “porque senão fica uma conferência muito grande. Ela está crescendo meio que horizontalmente então, antes do ISOJ, nós tivemos uns quatro eventos. No domingo, pelo décimo segundo ano, nós tivemos o Colóquio Ibero Americano de Jornalismo Digital em espanhol e portunhol”, conta.


Em 2019, os painéis do ISOJ abordaram a credibilidade no jornalismo, o uso de inteligência artificial e de alto-falantes inteligentes. Contudo, para Rosental, um dos painéis mais interessantes foi o de notícias locais. “Eu acho que o grande tema do jornalismo nos Estados Unidos hoje é a quebra dos jornais, a falência completa e absoluta do modelo de negócio dos jornais locais”, revela.


“Aqui nos Estados Unidos, com exceção do New York Times, do Washington Post e do Austin American-Statesman, todos os outros jornais estão ferrados. Quase 2 mil jornais já fecharam desde 2004, e os que sobrevivem, sobrevivem muito mal. Então há um grande esforço, a prioridade é sobre notícias locais. Sobre como ajudar a salvar o jornalismo local”, comenta Rosental.


O site do ISOJ pode ser acessado clicando aqui. Lá dentro, estão disponíveis todos os materiais produzidos desde o primeiro encontro.


O olhar de um jornalista


Pedro Burgos, consultor de dados e tecnologias da agência Aos Fatos, foi um dos participantes da vigésima edição do ISOJ. Pedro é o criador do bot Fátima. Nessa matéria, o Portal Mescla conta a história dessa robô checadora. Abaixo, Pedro fez um relato sobre a experiência de participar de um dos principais eventos sobre jornalismo no mundo.

O ISOJ é provavelmente o evento mais interessante entre as grandes conferências mundiais de jornalismo. Apesar de se realizar em um auditório grande, e ter algo como 400 participantes, o clima é quase intimista. As pessoas ali tem “acesso” a algumas das mais brilhantes mentes da profissão, e há muita troca tanto durante os eventos quanto nos cafés. Redações e jornalistas que poderiam se ver como rivais compartilham estratégias e melhores práticas. E gente da academia tem espaço para debater com o pessoal do mercado.

Outra coisa interessante é que, ao contrário de outras conferências, não há programações paralelas. A ideia é ter apenas uma agenda, que tenha as principais discussões do jornalismo mundial hoje, com gente de vários lugares do mundo. O Rosental Alves, brasileiro que está lá na Universidade do Texas há mais de 20 anos é um visionário, e tem uma excelente curadoria de convidados.

Este ano dá pra dizer que alguns temas estiveram em todas — ou boa parte — das discussões. O primeiro foi o grande desafio de como a mídia pode recuperar a confiança do público. Aposta no jornalismo local, transparência e diversidade foram algumas das respostas (rolou uma hackaton sobre o tema também, e o time que eu liderei venceu). O impacto da automação, inteligência artificial e machine learning no fazer jornalístico também teve destaque. E por último a questão de como cobrir política em tempos polarizados e sob a ameaça de governos. Jornalistas de países tão distintos quanto Hungria, África do Sul, Venezuela e EUA mostraram que tem desafios semelhantes.


Veja outras reportagens da série sobre Rosental Calmon Alves. Clicando aqui e aqui.

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Especial Rosental: a criação do Knight Center e o Jornalismo Investigativo https://mescla.cc/2019/07/02/especial-rosental-a-criacao-do-knight-center-e-o-jornalismo-investigativo/ https://mescla.cc/2019/07/02/especial-rosental-a-criacao-do-knight-center-e-o-jornalismo-investigativo/#respond Tue, 02 Jul 2019 19:18:10 +0000 http://mescla.cc/?p=10199 Rosental Calmon Alvez certa vez citou a filantropia como “uma das coisas mais maravilhosas que há nos Estados Unidos”. No campo menos abstrato, essa palavra representa entidades privadas ou fundações sem fins lucrativos que fazem doações para causas diversas, entre elas as humanitárias. Foi numa dessas doações, de dois milhões de dólares, que Rosental teve […]

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Rosental Calmon Alvez certa vez citou a filantropia como “uma das coisas mais maravilhosas que há nos Estados Unidos”. No campo menos abstrato, essa palavra representa entidades privadas ou fundações sem fins lucrativos que fazem doações para causas diversas, entre elas as humanitárias. Foi numa dessas doações, de dois milhões de dólares, que Rosental teve recursos para criar um dos principais órgãos de fomento ao jornalismo no ocidente: o Knight Center. 


Em português, chamado de “Centro Knight para Jornalismo nas Américas”, o Knight Center foi um dos projetos de Rosental durante sua primeira década (de 1995 a 2005) atuando na Universidade do Texas, em Austin, na posição de Knight Chair in Journalism. A fundação filantrópica John S. e James Knight teve a ideia para o Centro e escolheu o professor para ser o líder do projeto. Com o auxílio financeiro da Fundação e a gestão de Rosental, foi desenvolvido um espaço para jornalistas “terem uma melhor formação e poderem contribuir para um jornalismo melhor em seus países”, nas palavras do professor.


Uma das atividades mais conhecidas do Centro são os cursos de treinamento online, chamados Massive Open Online Courses  (MOOCs) ou Cursos Online Abertos e Massivos (livre tradução). De 2012 a 2017, foram mais de 125 mil pessoas alcançadas, de 171 países. Esses cursos são gratuitos, a única obrigação é ter um cadastro no site do Knight Center. Qualquer jornalista de qualquer local do mundo pode aprender a utilizar um software, a programar, empreender no jornalismo e até treinar o uso de banco de dados em reportagens investigativas. O grande foco dos cursos está na tecnologia e nas inovações que elas trazem ao fazer jornalístico.


“A magia dos MOOCs é permitir que qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo, em uma vila em África ou em uma redação em Nova York, faça o mesmo curso com habilidades ensinadas por seus pares, colegas, jornalistas ou educadores, que são os melhores especialistas nestes temas”, conta Rosental em relato publicado no site do Centro em 2016. 


Mais da história


A carreira de Rosental como correspondente internacional e seu vasto conhecimento sobre América Latina lhe renderam a indicação de encarregado a coordenar o Knight Center. Em 2002, junto à criação, Rosental também assumia a posição de diretor do Centro. Hoje, o Knight Center é um site trilíngue (inglês, português e espanhol) que se define como “um programa de extensão e capacitação profissional”, segundo o próprio site. Além disso, ele atua para ajudar a “criar uma nova geração de organizações jornalísticas independentes”.


A equipe coordenada por Rosental é formada por estudantes da Universidade do Texas, responsáveis por atualizar o site com as principais notícias sobre jornalismo nas Américas e Caribe. Em 2007, a Fundação Knight doou um adicional de um milhão e 600 mil dólares para que o Centro expandisse seu alcance e direcionasse mais atenção ao trabalho digital.


O Knight Center também atua de modo parecido ao Tecnosinos, polo tecnológico da Unisinos. O Centro recebe projetos independentes de cunho jornalístico, como a criação de organizações de mídia, que lá podem ser incubados para, no futuro, encararem o mercado financeiro tendo mais estrutura e capacidade. 


O Knight também tem papel importante no apoio e criação de organizações que trabalham para qualificar o jornalismo na América Latina, como a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), o Fórum de Periodismo Argentino (FOPEA), o Fórum de Jornalistas Paraguaios (FOPEP) e o Conselho de Redação (CdR) da Colômbia.


O apoio do Knight Center na criação da Abraji


Na história do Knight Center, ainda em 2002, o primeiro projeto apoiado pelo Centro veio de um grupo de jornalistas brasileiros. Foi nessa mesma época que um amigo de Rosental, o jornalista Tim Lopes, foi assassinado no Rio de Janeiro. 


“O Brasil estava em choque. Eu fui para lá, fui para o funeral, e percebi uma grande comoção, mas ao mesmo tempo, uma grande necessidade de treinamento em Jornalismo Investigativo. Daí, apoiando esse grupo de jornalistas, eles criaram a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji)”, conta Rosental.


Segundo o professor, não se trata de um sindicato nem de uma organização empresarial. A Abraji representa uma “sociedade de jornalistas interessados em melhorar o jornalismo”.  


Durante os anos na posição de diretor do Knight Center, Rosental diz ter percebido uma procura grande pelo Jornalismo Investigativo. O professor também observou que essa forma de investigação, ao longo dos anos, tem sido negligenciada, tanto nas universidades quanto na indústria, pelo alto custo financeiro e a demasiada demora quando comparados às outras formas de jornalismo, como o hardnews. “O jornalismo Investigativo é sempre a primeira vítima”.


Ainda no período de criação da Abraji, Rosental percebia o interesse de jornalistas brasileiros pela organização de Jornalismo Investigativo dos Estados Unidos, a Investigative Reporters and Editors (IRE). O dinheiro oferecido pela Fundação Knight somado a esse interesse pela IRE formaram as bases da Abraji. “Ela é, eu diria, a organização de jornalismo investigativo mais importante do mundo, ou maior do mundo, depois da IRE”.


No Brasil, em 2019, Rosental observa alguns modelos de negócio interessantes surgindo e que sustentam o jornalismo investigativo:


Novos modelos de negócio


“A indústria de jornais sabia que, algum dia, viria um desenvolvimento tecnológico que iria afetar o modelo tradicional”, relata Rosental. 


A crise financeira na manutenção de modelos tradicionais do jornalismo é uma das grandes pautas abordadas pelo professor, e isso, segundo ele, vem da necessidade de o jornalismo pensar em novas formas de se sustentar financeiramente. Para ele, “primeiro a gente tem que entender qual é a crise”. Rosental pontua que trata-se de mudanças de hábito do consumidor – que está deixando de ler jornal impresso e focando em informação virtual.


Essa mudança de comportamento gerou um problema entre o jornalismo e a publicidade. Rosental afirma que na década de 90, pensava-se “ingenuamente” que os espaços publicitários vendidos em jornais impressos seriam apenas transferidos para o online. 


Essa ingenuidade, segundo o professor, ocorreu pela não antecipação dos jornais em perceber as estratégias de empresas como Google e Facebook. Rosental ressalta que essas duas empresas, sozinhas, abocanham 85% da publicidade digital. “Isso foi devastador porque não é só uma questão de que eles foram mais espertos, é que eles destruíram o valor da publicidade, e a tecnologia tornou a publicidade mais eficiente em outras plataformas e outras maneiras de se chegar ao consumidor”.


“Nós não temos que salvar o jornal ou o rádio, a gente tem que salvar o jornalismo”, explica Rosental. Para o professor, é nessa lógica que se insere o empreendedorismo, pois a profissão vai depender de novos modelos. “Por isso que o empreendedorismo, a inovação, as iniciativas de busca de linguagens novas, de fontes de receita novas para financiar o jornalismo se tornaram fundamentais hoje e eram totalmente ausentes antes”.


Corroborando com as ideias de Rosental, no início de junho, o jornal norte-americano The Boston Globo tornou-se o 1º veículo de comunicação local com origem no impresso a ter mais assinantes digitais. Nesta matéria do laboratório Nieman, aquele da bolsa de estudos em Harvard mencionada na primeira reportagem desse especial, você pode ler mais sobre o processo. A matéria também está disponível no site Poder 360.


Continuem acompanhando a uma série de reportagens sobre Rosental Calmon Alves. A primeira está disponível aqui , e a terceira e última estará no Portal Mescla na quinta-feira, dia 4 de julho.


Guilherme (bot Rui Barbot) já ministrou um curso no Knight Center. Olha aí: https://knightcenter.utexas.edu/pt-br/blog/00-20258-como-cobrir-inteligencia-artificial-e-entender-seu-impacto-no-jornalismo-mooc-em-portu 

Pedro (bot Fátimabot) já ministrou um curso no Knight Center. Olha aí: https://knightcenter.utexas.edu/pt-br/blog/00-18934-com-apoio-do-google-news-lab-centro-knight-oferece-curso-online-de-programacao-em-pyth

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Especial Rosental: o brasileiro na vanguarda do jornalismo https://mescla.cc/2019/06/28/especial-rosental-o-brasileiro-na-vanguarda-do-jornalismo/ https://mescla.cc/2019/06/28/especial-rosental-o-brasileiro-na-vanguarda-do-jornalismo/#respond Fri, 28 Jun 2019 20:37:42 +0000 http://mescla.cc/?p=9848 Rosental Calmon Alves se descreve como um workaholic. Esse termo foi popularizado pelo artigo do psicólogo americano Wayne Oates, um agora companheiro de nação do brasileiro. Não é por acaso que Rosental escolheu tal palavra ao se descrever. O carioca de 67 anos, vive nos EUA há mais de 20, é uma das principais figuras […]

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Rosental Calmon Alves se descreve como um workaholic. Esse termo foi popularizado pelo artigo do psicólogo americano Wayne Oates, um agora companheiro de nação do brasileiro. Não é por acaso que Rosental escolheu tal palavra ao se descrever. O carioca de 67 anos, vive nos EUA há mais de 20, é uma das principais figuras do jornalismo mundial, professor na Universidade do Texas e um vanguardista das inovações no campo acadêmico e profissional. Duas de suas criações famosas são o Centro Knight para Jornalismo nas Américas e o Simpósio Internacional de Jornalismo Online (ISOJ). Rosental recebeu o Mescla virtualmente, numa vídeo chamada de quase uma hora. A entrevista contou também com a participação do professor da Escola da Indústria Criativa e mentor no Portal Mescla, Daniel Pedroso.


Um carioca pelo mundo


Rosental teve um começo de carreira maravilhosamente precoce. Era foca de redação aos 16 anos e professor universitário da Federal Fluminense (UFF) aos 21. Diferente da realidade atual, ele construiu carreira como repórter, chefe de reportagem, fotógrafo, editor de fotografia e correspondente internacional pelo Jornal do Brasil, um dos tradicionais veículos de comunicação do país. Foram 27 anos atuando dentro e fora do Brasil. Em 2010, o JB encerrou a circulação do material impresso, focando apenas no digital.


Na função de correspondente, Rosental viveu em diversos países, entre eles Espanha, Argentina e México. A relação profissional com o Jornal do Brasil durou até 1995 – uma parceria de mais de duas décadas. Além das conquistas profissionais, Rosental não abandonou os feitos no âmbito acadêmico e sempre teve interesse por tecnologias e inovações.

Rosental Calmon Alves, em entrevista concedida ao Portal Mescla / Áudio: Natan Cauduro


Em 1987, foi o primeiro brasileiro a receber uma bolsa de estudos da Fundação Nieman para Jornalismo. Essa bolsa pertence à Universidade Harvard (EUA), uma das mais prestigiadas do mundo. Não só a universidade, mas a Nieman é a mais notória organização a conceder bolsas para jornalistas em todo o planeta. São aceitos profissionais de todo o mundo, independente da mídia na qual trabalhem, para dois semestres de estudo intensivo.


Foi no período de estudos em Harvard que Rosental desenvolveu gosto por uma área do jornalismo que, na época, engatinhava quando comparada à Televisão, Rádio e Impressos: o Jornalismo Online – uma mistura da profissão com as novidades da “revolução digital”.


“Em 88, eu tive o meu Aha moment (expressão inglesa equivalente a Eureka), que é o momento de epifania. Para mim, foi num seminário na Niemann com um dos fundadores do MIT Media Lab, em que ele explicou a revolução digital que viria e explicou como isso afetaria os meios de comunicação e os transformaria”, relembra o jornalista.


Os feitos de Rosental no Brasil


Depois do término da bolsa, quando retornou ao Brasil, ele retomou as atividades no Jornal do Brasil. De 1990 a 95, Rosental criou para o jornalismo brasileiro dois marcos importantes: ele foi o responsável pelo primeiro serviço de notícias em tempo real por computador do país – chamado de Sistema Instantâneo de Notícias (SIN). Em seu último ano como integrante do Jornal do Brasil, Rosental apresentou a proposta da primeira versão online de um jornal brasileiro, o “JB Online”.


“A Folha de São Paulo sempre diz que é o primeiro jornal online no Brasil. Na verdade, nós (equipe do JB) lançamos pelo menos 6 meses antes. Nós lançamos um ano e tanto antes do New York Times. Eu sempre brinco com as pessoas do NYT dizendo ‘vocês começaram 1 ano e meio depois do Jornal do Brasil”, conta Rosental.


O Sistema Instantâneo de Notícias (SIN) cobria economia e finanças, em especial ligadas ao mercado de ações. Segundo Rosental, nessa época, início da década de 1990, o Jornal do Brasil utilizava a rede de computadores da “falecida” bolsa de valores do Rio de Janeiro, pois o sistema era mais rápido e funcional. O jornalista lembra que quando a ideia da parceria foi apresentada à bolsa do RJ, a primeira resposta foi negativa porque a instituição “já tinha notícias”. Ele, então, argumentou que “vocês têm notícias de cliping de jornal, eu posso te dar notícias que vão estar no jornal amanhã.


“E isso foi sensacional, até que chegou a web”


A versão online do Jornal do Brasil foi um dos grandes feitos do jornalista. Contudo, como ele relembrou, a ideia inicial não partiu de sua cabeça:

Rosental Calmon Alves, em entrevista concedida ao Portal Mescla / Áudio: Natan Cauduro


De acordo com Rosental, Sérgio havia criado, sozinho, todo o Jornal do Brasil Online. Ele também preparou uma apresentação. Foram duas semanas trabalhando para passar as notícias do impresso ao computador. Rosental lembra que o colega de trabalho não tinha input digital, por isso a função de transportar o conteúdo entre mídias era manual.


Sérgio começava a trabalhar na madrugada, a partir das 4h30, pois o sinal do telefone, que dava acesso a internet, tinha qualidade e estabilidade melhores. “Então o meu mérito como editor foi simplesmente levar isso adiante com muita dificuldade para mostrar à direção do jornal que era uma coisa importante e séria”, lembra Rosental. Na época, o dono do jornal era José Antônio Nascimento Brito.


O JB Online trouxe a Rosental uma nova forma de compreender a mídia online. Ele comenta que percebeu a necessidade de uma nova linguagem para a web ao invés de simplesmente levar o jornal de papel para a internet. Com essa nova perspectiva, Rosental encerrou o SIN e tornou os repórteres que nele trabalhavam os primeiros jornalistas online do país.


Os feitos de Rosental no exterior


Avançando na carreira profissional do jornalista, em 1995, ele se candidatou para uma vaga na Universidade do Texas, em Austin (EUA), e foi aceito. Mudou-se para a universidade como Knight Chair in Journalism – uma cátedra dada pela Fundação John S. e James Knight. Esta trata-se de uma entidade filantrópica cuja origem inicia em 1907. O responsável, à época, era o pai de John e James, Charles Landon Knight. A Fundação Knight investe em projetos variados, a maioria voltados ao jornalismo, as artes e a criação de novas tecnologias.


O dinheiro que banca a cátedra vem dessa instituição, e a doação ocorre em forma de endowment. No site do banco BNDES, “endowments possuem recursos próprios e são geridos como os fundos de investimento disponíveis no mercado financeiro”. O Rosental resume esse financiamento como sendo “um fundo permanente”.


Em Austin, o professor ministrou aulas de Jornalismo na América Latina, Reportagem Internacional e Jornalismo Online. O talento do jornalista já era reconhecido pelo mundo, por isso também era convidado a dar aulas em redações e atuava como consultor de organizações de mídia.


Ser brasileiro e professor em outro país não impediu o jornalista de continuar inovando. Duas de suas grandes ideias, e que se mostraram assertivas, são o “Centro Knight para Jornalismo nas Américas” e o “Simpósio Internacional de Jornalismo Online”. A próxima reportagem aborda a trajetória do jornalista na criação, desenvolvimento e implementação do Knight Center e do ISOJ.

Continuem acompanhando a série de reportagens sobre Rosental Calmon Alves. As próximas estarão disponíveis na terça-feira, dia 02 de junho e na quinta-feira, dia 4 de junho.

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