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Arquivos #industriacriativa - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/industriacriativa-3/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Mon, 11 Dec 2023 19:09:29 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.3 Conferência 2023 do Certal discute a relação entre democracia e redes sociais  https://mescla.cc/2023/12/07/conferencia-2023-do-certal-discute-a-relacao-entre-democracia-e-redes-sociais/ https://mescla.cc/2023/12/07/conferencia-2023-do-certal-discute-a-relacao-entre-democracia-e-redes-sociais/#respond Thu, 07 Dec 2023 19:42:01 +0000 https://mescla.cc/?p=19520 Na manhã da última terça-feira (5/12), ocorreu no campus de Porto Alegre da Unisinos a Conferência Certal 2023. O tema foi “Institucionalidade de telecomunicações”, e os tópicos da conversa foram regulamentação, pirataria, meios, fake news e liberdade de expressão.   Abertura do evento  O Centro de Estudos para Desenvolvimento das Telecomunicações e do Acesso à Sociedade da […]

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Na manhã da última terça-feira (5/12), ocorreu no campus de Porto Alegre da Unisinos a Conferência Certal 2023. O tema foi “Institucionalidade de telecomunicações”, e os tópicos da conversa foram regulamentação, pirataria, meios, fake news e liberdade de expressão.  

Abertura do evento 

O Centro de Estudos para Desenvolvimento das Telecomunicações e do Acesso à Sociedade da Informação da América Latina (Certal) se juntou à Unisinos para promover um debate sobre como se dá a comunicação nos dias atuais.  

O reitor da Unisinos, Sergio Mariucci, agradeceu a todos os presentes e destacou o papel da universidade para a educação básica e a educação superior, enfatizando que ela tem uma responsabilidade de formar cidadãos ao puxar para si a pesquisa e a crítica.  

“O ensino e o conhecimento que a universidade gera prepara e habilita a pessoa para ocupar funções de responsabilidade que a sociedade precisa. Mas ela pergunta não apenas como fazer, mas porque fazemos isso e para que fazemos isso. A liberdade e a verdade, temas centrais do dia de hoje, atuam como realização do ser humano. A Unisinos preza por essa responsabilidade”, aponta Sergio.  

Além de representantes da sociedade civil e dos poderes judiciários e executivos de Brasil, Uruguai e Argentina, também estiveram presentes os decanos e professores da Escola de Direito e da Indústria Criativa da Unisinos. 

Reitor da Unisinos abre os trabalhos da manhã de debates discursando sobre a função da universidade (Foto: Gabriele Rech) 

O impacto das fake news na sociedade e na democracia 

Os palestrantes Marcelo Rech, presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Caetano Cuervo Lo Pumo, chefe da Procuradoria Regional da República, e Marcelo Beckhausen, desembargador do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul, discutiram sobre a liberdade de imprensa como um direito da sociedade. 

Para enriquecer o debate, Marcelo destacou o conceito de “desertos de notícia”, ou seja, locais do Brasil que possuem pouco espaço para a atividade jornalística, em que se vê a “morte” de jornais. O presidente da ANJ considera essa uma grande ameaça para o jornalismo profissional, e falou sobre as redes terem se tornado um campo de batalha que acaba dando espaço para o estímulo ao extremismo. 

Liberdade de expressão na era digital 

A decana da Escola da Indústria Criativa (EIC) da Unisinos, Laura Dalla Zen, mediou o painel sobre liberdade de expressão. A professora destacou que a temática da desinformação e da pós-verdade já está sendo muito debatida na Universidade e, inclusive, deverá orientar os trabalhos da academia em todas as dimensões pelos próximos anos. Por isso, para ela, é muito importante o evento ser sediado aqui, neste momento. 

A mesa também foi composta por autoridades como o vice-prefeito de Porto Alegre, Ricardo Gomes, e o desembargador do TJ-RS, Jaime Weingartner. Assim como o advogado Gustavo Paim, todos comentaram sobre como as redes sociais acabam, de certa forma, ameaçando a democracia. Temas como os debatidos no evento são complexos e, justamente por isso, demandam um olhar transdisciplinar, segundo Laura. “São visões distintas de um mesmo problema. É isso o que faz a universidade ser universidade. Esse é o espaço para essas tensões.” 

A decana da EIC afirmou que os temas sobre desinformação e pós-verdade são caros à Unisinos (Foto: Gabriele Rech) 

Combatendo a pirataria digital 

Entre as autoridades presentes na mesa de debate, o delegado de polícia do Departamento Estadual de Investigações criminais Luís Firmino explicou sobre a chamada ciberpirataria ou pirataria digital: “É a comercialização ou distribuição de conteúdos digitais que possuam direitos intelectuais, conhecidos como copyright”. Luís também mencionou a existência das boxs e IPTVs, aparelhos de transmissão clandestina de conteúdo de televisão paga e streamings. 

Ele explicou que o uso dessas ferramentas é uma forma de pirataria, e contribui para a violação de direitos autorais, impactando não só as grandes empresas, mas também pequenos criadores e até mesmo as nossas vidas. Isso porque alguns sites com transmissão gratuita de pirataria coletam nossos dados, que podem ser utilizados para fraudes virtuais, por exemplo. “O brasileiro tem uma moralidade seletiva”, encerra o delegado. 

O decano da Escola de Direito da Unisinos, Miguel Wedy, mediou a mesa e relatou, de forma entusiástica, que “a democracia cresce com a pesquisa, o debate e a troca de ideias que irão afetar o nosso futuro”. Segundo ele, “o evento foi fundamental para debater temas relevantes que exigem a participação de profissionais do Direito, das Comunicações, da Academia, de instituições públicas e privadas, pois só assim teremos avanços nessas matérias”. 

Inovação tecnológica  

A última mesa deu espaço para a visão da Indústria Criativa, representada pelas professoras Maria Clara Aquino e Taís Seibt. Maria Clara, uma das fundadoras do Instituto de Cultura Digital (ICD) da Unisinos, comentou sobre uma pesquisa desenvolvida por sua equipe em parceria com o DigiLabour. O trabalho revelou que o que parecia ser fruto de Inteligências Artificias (IA) nas plataformas, era, na verdade, feito por humanos. Trata-se de “plataformas parasitas” de fazendas de cliques que oferecem trabalhos através de micro tarefas, como se fossem “vagas de emprego”. Essas tarefas são curtir e engajar posts em troca de dinheiro – mas por um valor “miserável”: menos de 1 centavo por ação, segundo Maria Clara. A pesquisa virou matéria no Nexo Jornal, e você pode conferir com mais detalhes aqui. 

Taís Seibt ressaltou a importância de a universidade receber debates como esse, e o quanto é significativo ser membra do ICD e discutir temas a partir do campo da Comunicação. “Muitas vezes, os legisladores e os julgadores pensam a regulação sem ter uma visão mais abrangente, a de que as plataformas não são neutras. Há uma questão de mercado e de poder que impacta o jornalismo e, consequentemente, a democracia. Precisamos falar muito mais do que somente sobre o conceito de desinformação em si, sobre o que é verdade ou não. Precisamos falar, sim, sobre toda a estrutura desse ecossistema informacional.” 

 

Taís Seibt trouxe outras perspectivas sobre o que se deve priorizar numa conversa sobre as telecomunicações (Foto: Gabriele Rech) 

Laura Dalla Zen contou com exclusividade ao Mescla que deve se desenrolar, em breve, uma parceria entre o Instituto de Cultura Digital e a Certal para fortalecer a intersecção de temas complexos como o da conferência. 

Com uma gama de diversos pontos de vista, a conferência atingiu o objetivo de Pablo Scotellaro, presidente executivo da Certal, formado em Ciências da Comunicação pela Universidad de la República: o de gerar um diálogo com pessoas que têm a capacidade de transformar. “Foi uma tentativa de entender todos os fenômenos da telecomunicação, que é o fator mais integrador que existe. Queremos nos unir e aprender ainda mais com o Brasil”, encerra o uruguaio. 

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Os desafios de produzir um longa que levou dois Kikitos em Gramado    https://mescla.cc/2023/09/06/professora-de-pp-da-unisinos-conta-sobre-os-desafios-de-produzir-um-longa-que-levou-dois-kikitos-em-gramado/ https://mescla.cc/2023/09/06/professora-de-pp-da-unisinos-conta-sobre-os-desafios-de-produzir-um-longa-que-levou-dois-kikitos-em-gramado/#respond Wed, 06 Sep 2023 20:09:39 +0000 https://mescla.cc/?p=19041 O longa-metragem Céu Aberto, que teve participação, na produção executiva, da professora Lisiane Cohen, da Escola da Indústria Criativa, foi premiado recentemente em duas categorias na 51ª edição do Festival de Cinema de Gramado. Dirigido por Elisa Pessoa, o documentário recebeu os “Kikitos” de “Melhor desenho de Som”, feito por Chrístian Vaisz, Kiko Ferraz e Ricardo […]

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O longa-metragem Céu Aberto, que teve participação, na produção executiva, da professora Lisiane Cohen, da Escola da Indústria Criativa, foi premiado recentemente em duas categorias na 51ª edição do Festival de Cinema de Gramado. Dirigido por Elisa Pessoa, o documentário recebeu os “Kikitos” de “Melhor desenho de Som”, feito por Chrístian Vaisz, Kiko Ferraz e Ricardo Costa; e “Melhor Trilha Musical”, realizada por Bruno Mad e Rita Zart. Além de Lisiane, a produção executiva ficou a cargo também de Beca Furtado e Priscila Guerra.

Na foto, da esquerda para a direita: Rita Zart, a diretora Elisa Pessoa e Kiko Ferraz (Foto: arquivo pessoal) 


Realizado pela produtora Margem Cinema Brasil, da qual Lisiane é uma das gestoras, Céu Aberto fala sobre a transição entre infância e juventude. Conta a história da Andriele, uma menina nascida e criada na zona rural de Dom Pedrito (distante 440 km de Porto Alegre), no Rio Grande do Sul, que tem o desejo de se mudar para a zona urbana da cidade. A diretora do filme acompanhou a personagem durante cinco anos através de um exercício de encontros, em que Andriele se torna cada vez mais dona de si, refletindo sobre as transformações da paisagem em torno dela, e bem como o preço de suas escolhas.

Os desafios de realizar o longa  

Lisiane conta que participar do filme foi uma experiência interessante e complexa, pois o dinheiro ganho em um edital em 2018 para realizar o projeto foi disponibilizado somente em março de 2020, quando a pandemia de covid-19 e o lockdown já tinham começado. “Já havia protocolos que nos impediam de filmar, e como estávamos acompanhando a Andriele, que tinha o desejo de ir morar na cidade e já estava indo fazer isso, tivemos que tomar decisões e fazer mudanças na nossa produção, pois se a gente não filmasse, não teria documentário”, lembra. Diante disso, toda a estrutura de produção foi alterada, para permitir a filmagem durante a pandemia. Como a equipe não podia ir, os esforços foram direcionados muito mais em consultoria de montagem e de roteiro. “Fizemos isso para que não ficasse tudo tão concentrado só na diretora, e não tivesse tanta perda por conta da função da pandemia”, explica a professora.

Momento de encontros e reencontros 

Participar do festival é sempre muito bacana, revela Lisiane, porque lá se conhece muitas pessoas e reencontra outras. A última vez que participou da premiação foi em 2021, quando ainda estava em formato virtual devido à pandemia. “Voltar agora de forma presencial foi maravilhoso por conta desses momentos de reencontro e novos encontros. Conheci bastante gente e revi ex-alunos”, alegra-se Lisiane. 

“Ano passado, estivemos com o filme no Olhar de Cinema, de Curitiba, mas foi no Festival de Gramado que ele estreou em solo gaúcho, o que dá um gostinho especial né?”, comenta a professora, orgulhosa. A equipe levou ao evento a personagem principal, Andriele, e a mãe dela, Sandra, que também participa do documentário. “Foi fantástico, um momento único e muito lindo”, apontou Lisiane. 

Andriele (ao microfone) e Sandra (vestindo laranja) participaram de uma coletiva de imprensa juntas com a equipe de produção do longa (Foto: arquivo pessoal) 


A professora destaca também a felicidade de estar em um ambiente em que é possível ver muito filmes diferentes e conversar com quem os fez. “A repercussão do nosso documentário foi muito positiva. As pessoas vieram conversar com a gente e revelaram que gostaram dele. Eu sinto que a gente saiu do Festival com o longa muito fortalecido. Claro, os prêmios fortalecem, mas a conversa com as pessoas que o assistiram foi muito rica, o que ajudou muito o projeto”, observa Lisiane.   

Do Interior para o Festival de Gramado 

O Mescla também conversou com a personagem principal do longa. Por aplicativo de mensagem, Andriele Rodrigues Soares avaliou que participar do longa foi uma experiência diferente da sua realidade, já que vive em uma cidade onde não há cinema. “Foi tudo muito novo pra mim. Aprendi bastante e sou grata por tudo que o filme me proporcionou. Foi ótimo poder mostrar para as pessoas e jovens, como eu, que as indecisões, incertezas e obstáculos que a vida faz a gente passar são normais, e que tudo tem seu lado bom e o tempo certo para acontecer”, diz Andriele.   

Ele contou que nunca imaginou que o longa teria toda essa visibilidade, e muito menos que poderiam participar do Festival. “Foi uma experiência incrível e mágica. Todo mundo foi muito receptivo e gentil, e a estrutura do Festival é muito boa. Mas o melhor foi a reação dos jovens e das pessoas que assistiram ao filme. Eles foram muito carinhosos e ficaram admirados”, comenta. 

Andriele e a mãe, Sandra, posam para fotos no Festival de Gramado com a equipe do documentário (Foto: arquivo pessoal) 


Céu Aberto está participando da Mostra dos filmes gaúchos de Gramado, que ocorre entre os dias 5 e 10 de setembro na Casa de Cultura Mario Quintana (Rua dos Andradas, 736, andar térreo, em Porto Alegre). O filme será exibido nesta quinta-feira dia 7/9, às 19h, e contará com um debate após a exibição. A entrada é franca e os ingressos podem ser retirados na bilheteria. 

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Criatividade com análise de dados é o tema da aula inaugural dos cursos de comunicação da Unisinos https://mescla.cc/2023/03/09/criatividade-com-analise-de-dados-e-o-tema-da-aula-inaugural-dos-cursos-de-comunicacao-da-unisinos/ https://mescla.cc/2023/03/09/criatividade-com-analise-de-dados-e-o-tema-da-aula-inaugural-dos-cursos-de-comunicacao-da-unisinos/#respond Thu, 09 Mar 2023 14:46:53 +0000 http://mescla.cc/?p=17624 Todo publicitário quer alavancar sua peça de marketing, todo jornalista quer vender sua matéria, todo influencer quer engajar mais e mais o seu conteúdo, todo comunicador quer ser visto. Mas como esses profissionais fazem para ter o melhor aproveitamento possível de seus trabalhos? A resposta não é tão simples, contudo, existem ferramentas que podem auxiliar […]

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Todo publicitário quer alavancar sua peça de marketing, todo jornalista quer vender sua matéria, todo influencer quer engajar mais e mais o seu conteúdo, todo comunicador quer ser visto. Mas como esses profissionais fazem para ter o melhor aproveitamento possível de seus trabalhos? A resposta não é tão simples, contudo, existem ferramentas que podem auxiliar nessas tarefas. As técnicas em Searching Engine Optimization, mundialmente conhecidas como SEO, têm se tornado cada vez mais essenciais no mundo digital. 

O SEO acabou se tornando uma prática com vistas a direcionar o maior número possível de visitantes para o seu conteúdo. Técnicas como o Click Through Rate (CTR), que dá luz à quantidade de cliques dos usuários, são um norte para o desenvolvimento de uma ideia e de um texto usado na comunicação. Podemos tomar o Google como exemplo. “A diferença de estar na primeira página de busca do Google é absurda, e a diferença de estar entre os três primeiros resultados é fenomenal”, enfatiza Paulo Pinheiro, que conversou rapidamente com o Mescla sobre os tópicos que pretende abordar na Aula Inaugural dos Cursos de Comunicação Social da Unisinos. O encontro será realizado na próxima quinta-feira, dia 16 de março, às 20h, no Labtics, no campus São Leopoldo, com transmissão online.

  

Analista em SEO, Paulo entende que a contextualização é fundamental para a análise dos dados 
(Imagem: Wunderman Thompson / Divulgação) 



Com mais de dez anos no mercado publicitário, Paulo é mestre em Comunicação e tem experiência na área de Ciências Sociais, com ênfase em Jornalismo e Publicidade. Atualmente, atua como analista em SEO na agência de comunicação de marketing Wunderman Thompson. 


Figurar no topo dos resultados de busca depende tanto de investimento comercial quanto de engajamento orgânico. Basta uma pesquisa sobre o tema para se constatar que os sites de busca levam em conta a intenção do usuário ao requerer a informação, a qualidade e a relevância do conteúdo. Esses são alguns dos fatores essenciais para determinar a colocação e entrega da sua página. Algumas práticas de SEO ajudam a alavancar essa posição, tais como SEO-on page e SEO-off page.  


O primeiro está relacionado com a escolha de palavras-chave ao longo do título e corpo do texto, bem como os hiperlinks, e também com o tempo que sua página leva para carregar o conteúdo. SEO off-page refere-se às táticas de SEO que não envolvem atualização ou publicação de conteúdo no seu site. Por exemplo, menções à marca ou marketing de conteúdo. De acordo com Paulo, durante muito tempo, o link building (prática de obter links externos que apontem para o seu site) foi sinônimo de SEO off-pag, mas atualmente pela sua importância e complexidade é uma categoria à parte. É preciso estar atento também às práticas que podem prejudicar o seu desempenho, como, por exemplo, não otimizar a interface e performance do seu website para dispositivos móveis.   


Como alinhar a criatividade aos dados? 


Além das técnicas para alavancar o número de acessos ao seu conteúdo, Paulo Pinheiro vai falar sobre o espaço que o processo criativo ocupa nas estratégias baseadas em SEO. “A pessoa pode ser criativa sem o uso de dados, a diferença é que os dados fundamentam a tua criatividade”, explica o analista. Ou seja, saber interpretar métricas possibilita planejar estratégias mais precisas para atingir seus objetivos, e, assim, otimizar recursos, como tempo e verba. “Não quero dizer que o publicitário que trabalha com dados não erra, ele erra também. A diferença é que ele pode saber exatamente porquê errou”. 


É muito importante que os algoritmos sejam seus aliados nessa jornada. Para isso, conhecer o público-alvo e saber responder às suas dúvidas e necessidades são etapas indispensáveis. Tá dado o spoiler! 


Mais informações 

O que:
Aula Inaugural dos Cursos de Comunicação Social (Relações Públicas, Publicidade e Propaganda, Comunicação Digital e Jornalismo)

Promoção:
Cursos da Comunicação Unisinos 

Mediação:
Anaís Schuler Bertoni (coordenadora do curso de PP) 

Público-alvo:
Alunos da comunicação  

Quando:
16/03 (quinta-feira), às 20h 

Formato:
Híbrido 

Onde:
Labtics (campus São Leopoldo) e via transmissão online pelo canal do YouTube do Mescla 

Investimento:
Gratuito
 

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6 perguntas para Gustavo Borba, o novo decano da EIC https://mescla.cc/2021/12/22/6-perguntas-para-gustavo-borba-o-novo-decano-da-eic/ https://mescla.cc/2021/12/22/6-perguntas-para-gustavo-borba-o-novo-decano-da-eic/#respond Wed, 22 Dec 2021 19:56:47 +0000 http://mescla.cc/?p=16083 Em entrevista ao Mescla, por videochamada, enquanto preparava o almoço, o novo decano da Escola da Indústria Criativa da Unisinos contou um pouco sobre sua vida pessoal, trajetória profissional e, especialmente, sobre a visão e desejos para a Indústria Criativa. O convite para coordenar a EIC foi feito pelo Pe. Sérgio Mariucci, novo reitor na […]

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Em entrevista ao Mescla, por videochamada, enquanto preparava o almoço, o novo decano da Escola da Indústria Criativa da Unisinos contou um pouco sobre sua vida pessoal, trajetória profissional e, especialmente, sobre a visão e desejos para a Indústria Criativa. O convite para coordenar a EIC foi feito pelo Pe. Sérgio Mariucci, novo reitor na Unisinos. A próxima gestão assumirá a Unisinos, oficialmente em janeiro de 2022, pelos próximos quatro anos.


Enquanto conversava sobre suas perspectivas, sentado na cozinha de sua casa, com pequena pausa para colocar mais água no feijão, Gustavo se mostrou extremamente disponível, ágil e contundente. Ao longo da conversa, ele ressaltou aspectos da vida pessoal, desde a estrutura familiar até a banda que tinha em Santa Maria, na época da graduação, que tocava Legião Urbana, Ira, Pink Floyd e outras bandas de rock progressivo. Poderíamos falar mais sobre o decano, mas deixaremos isso com ele próprio. Confira abaixo a conversa.


Mescla: Quem é Gustavo Borba, o novo decano da EIC?

Gustavo Borba: Eu sou professor da Unisinos há 21 anos, comecei na universidade em 2000. Eu sou natural de Santa Maria, fiz a faculdade lá, e depois da faculdade eu vim para Porto Alegre, para morar. Sou filho de Alzira e do José Alcindo, meus pais são separados. Eles se separaram quando eu tinha seis ou sete anos, então minha mãe é a pessoa mais próxima de mim. Ela que criou minhas duas irmãs e eu. Minha mãe é professora de música, o que me colocou perto da área da arte desde criança. Desde pequeno, eu estudei piano clássico, violão clássico. Estudei música, até a hora de ir para a faculdade. Acabei indo para engenharia, embora a música estivesse sempre presente para mim. Segui a faculdade tocando, tinha uma banda lá em Santa Maria. Comecei a focar mais na área da engenharia, mas sempre tentando trazer um pouco dessa pegada, do que eu tinha aprendido. A música tem muito disso, além da questão toda da cultura e da arte, tem toda questão da matemática, então, isso me conectava bastante.

Em 1996 eu me formei, e aí eu vim embora para Porto Alegre. Eu vim para fazer o mestrado na UFRGS, na engenharia de produção. Minha esposa veio fazer a residência em Porto Alegre, e aí a gente ficou morando aqui.  Em 1999 eu comecei o doutorado e um ano depois eu entrei na Unisinos.

E eu sou pai de duas gurias: a Giulia, que tem 22 anos, e a Clara, que tem 18. A Giulia se formou na área de Comunicação Visual, está trabalhando com design, e está fazendo um mestrado. A minha filha mais nova está acabando o ensino médio. Eu sou casado com a Ana, que é médica e também é professora da Unisinos, no curso de medicina. Então, essa é minha história pessoal. Agora eu vou falar da Unisinos, tá? (risos)  

Eu entrei na Unisinos para dar aula no curso de Administração, que era um curso que tinha algumas atividades mais relacionadas com a minha formação. Tinha “Pesquisa Operacional”, que era a cadeira que eu dava. A universidade mostrou vários caminhos para mim. Do ponto de vista formal, eu nunca exerci a profissão de engenheiro, eu sempre fiz outras coisas. E na Unisinos, eu comecei na Administração, mas comecei a circular em diferentes espaços. Então, a universidade é um lugar muito vivo e que te abre muitas possibilidades.

Eu estava há dois anos na Uni, e aí eu já tive um espaço para poder coordenar um curso de graduação, a Administração.  A gente montou, em 2003, o curso de Gestão para Inovação e Liderança (GIL), que é um dos cursos que teve um modelo diferente. Logo virei gerente do vestibular, depois fui gerente de produto, que era gerente da área dos bacharelados e dos cursos da graduação. E aí em 2009, nove anos depois de eu ter entrado, o Pe. Marcelo me convidou para ser Diretor de Graduação. Enfim, eu tinha ido para o mestrado em Design, estava coordenando o mestrado em Design, e me chamaram para esse espaço.

E esse foi o lugar mais profícuo que eu tive na Unisinos, porque eu fiquei dez anos nesse espaço, de 2009 em 2019. A Direção de Graduação te ajuda a conhecer toda a universidade, especialmente do ponto de vista da graduação. Então todos os coordenadores de graduação, na área da Indústria Criativa e todas as outras áreas, estavam sob a liderança da minha área. Ali, tive contato com todo mundo mais de perto. Foi quando eu conheci bem a universidade. A gente lançou muitos cursos nesse percurso. Por exemplo, o curso de Produção Fonográfica. Antes, a Comunicação Digital, depois, o BIHAT (Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades, Artes e Tecnologia). Enfim, a gente foi montando um monte de projeto com alguns parceiros. 

Em 2019, já não era mais o meu espaço, e eu combinei com o Pe. Marcelo de sair. Eu saí e fiquei um semestre fora estudando no Canadá. Quando eu voltei, eu assumi um espaço bem legal, que eu estou agora, que é o Instituto para Inovação em Educação, da Unisinos, que é um espaço interdisciplinar. Tem gente da Indústria Criativa, tem gente da Politécnica, tem gente da Gestão e Negócios, e tem gente da Educação. Ali, eu estou há dois anos, quando veio a virada da gestão, a saída do Carlo (Franzato), e o convite do padre Sérgio, para que eu assumisse esse espaço na Indústria Criativa. O que para mim é muito legal, porque, na verdade, desde que eu comecei a pesquisar, lá por 2009, eu sempre avancei para uma área mais relacionada ao design. Então, eu estou em design há bastante tempo, e conheço quase todo mundo da área de comunicação, porque eram coordenadores que estavam trabalhando comigo antes. E para mim fechou todas, porque fica conectado com o que eu estou fazendo mais diretamente. E eu posso trazer algumas ideias que a gente tá discutindo para avançar a Indústria Criativa.



Gustavo Borba com o Pe. Marcelo (centro) e Pe. Sérgio (direita). (Foto: reprodução / Juliana Borgamann)



Mescla: Qual o papel da indústria criativa para o desenvolvimento social e econômico hoje?

Gustavo Borba:  A Indústria Criativa é um espaço onde a gente pode construir uma transformação muito grande, tanto em São Leopoldo quanto em Porto Alegre. Especialmente, neste momento, em Porto Alegre, por conta do Pacto Alegre e da Aliança para Inovação, mas também em São Leo. Me parece que hoje não existe uma instituição que está protagonizando esse lugar, entre tantas, não tem nenhuma universidade que está dizendo assim: ‘eu sou a universidade da indústria criativa, eu vim aqui para fazer isso’. E eu acho que a gente tem essa potência hoje, porque temos cursos muito qualificados, a gente tem equipamentos excelentes, como o teatro em Porto Alegre e todos os laboratórios em São Leopoldo. Então, para mim, o espaço da Indústria Criativa tem uma vantagem competitiva, que é o fato de a gente poder ter por dentro desses cursos todos uma perspectiva cultural e artística. E em um momento como o que a gente está vivendo, um momento de transformação social e tudo mais, eu acho que a arte tem um componente fundamental. Então, se a gente conseguir ampliar essa perspectiva da arte para além dos currículos, e trazer isso especialmente numa perspectiva da extensão e de conexão com as cidades, eu acho que a gente pode ter um potencial transformador. Então, pra mim, a Indústria Criativa tem um papel transformador, através da cultura e da arte. No nosso caso, a gente está falando de comunicação, linguagem e design, para que a gente possa, de alguma forma, dizer que a universidade é protagonista nessa transformação, que é ainda mais demandada no contexto da pandemia.


Mescla: Quais são as principais competências que um profissional da indústria criativa deve desenvolver?

Gustavo Borba: É uma ótima pergunta. Eu acho que a gente hoje está trabalhando, na universidade, de uma maneira geral, com essa ideia das competências para o século XXI, que são competências transversais, e que qualquer profissional deveria ter. Elas vão desde a perspectiva da ética até o autoconhecimento. Eu acho que, no caso específico da Indústria Criativa, tem algumas questões que são fundamentais para a gente avançar nesse olhar.

Primeiro, eu acho que uma competência projetual é fundamental para a gente, em qualquer espaço dentro da Indústria Criativa, desde o cara que está fazendo Produção Fonográfica, passando por alguém que está no Design, e alguém que vai trabalhar na área de Comunicação, a gente realmente trabalha com projetos. Então, os projetos podem ser aquilo que eu estou montando para um show, aquilo que eu estou montando pra entregar para um cliente ou aquilo que eu estou montando até para telejornal. Então, a construção dessa competência projetual eu acho que é um ponto fundamental para a gente. Depois, outras questões gerais, como a questão da ética e cidadania global, acho que hoje não tem como a gente não olhar para essa perspectiva, especialmente de que a gente está inserido em uma lógica global, e tem que dar conta disso. Então, é uma competência bastante importante. 

A questão do autoconhecimento é fundamental para qualquer profissional, mas para nós mais ainda, porque a gente, na Indústria Criativa, acaba em alguns espaços nos expondo mais. É essa linha entre o espaço pessoal e profissional, ela é um pouco mais tênue em alguns momentos, então, acho que isso é uma coisa bem importante. E aí eu diria, pra complementar, além dessas, que acho que pega muito especialmente na área da comunicação, é a gente conseguir ter uma capacidade, porque temos um espaço hoje digital que nos distrai tanto, de poder qualificar o que tem nesse espaço, em termos de informação. Entender qual informação é relevante, e não se perder dentro disso, pra enfim, não acabar deixando que isso tome conta da gente. Porque, na verdade, o grande problema que a gente tem hoje, em várias áreas, mas na comunicação mais ainda, é a gente conseguir separar tempos da nossa vida, e não ficar imerso no espaço digital, que nos consome o tempo todo. Acho que isso é uma coisa importante, essa capacidade de trabalhar com o nosso bem-estar e de se conectar digitalmente de uma maneira mais positiva, digamos assim. Mas eu colocaria como uma resposta de fundo todas as competências que a gente está debatendo na Uni hoje, que são 10, e que estão lá na plataforma do Unisinos LAB, e que são as competências do DNA da Unisinos. 





Gustavo Borba dividiu suas ambições para a Escola da Indústria Criativa na sua gestão  (Imagem: reprodução / Teams)



Mescla: Como a Escola da Indústria Criativa pode ajudar os alunos a desenvolver essas competências, considerando as mudanças no ensino pós-pandemia?

Gustavo Borba: Pegando essa lógica pós-pandemia, uma das coisas que vai ficar é o digital. Eu acho que a Indústria Criativa tem muito a dizer sobre o digital. Eu acho que a Politécnica e a Indústria Criativa são as escolas que mais tem a falar sobre. Então, a gente precisaria apoiar as outras áreas. Eu vou dar dois pontos gerais, um deles ainda é essa lógica de trazer a arte e o valor da cultura, porque isso permite que qualquer área se torne melhor. Qualquer área, mesmo, da engenharia ao direito, um profissional que consegue dialogar com isso vai ser muito melhor na sua ação e, também, na sua atuação como pessoa. Então, esse é um ponto chave. O outro, que eu acho que é mais técnico mesmo, é a gente ajudar as pessoas nessa conexão digital, na compreensão do que é real e o que não é real. Um apoio, para a gente conseguir discernir. Na verdade, construir discernimento em um lugar que está tão poluído, está tão misturado, e que é tão fácil entrar ali te perder. Então, acho que isso é uma demanda que a gente teria que ter, enquanto pessoas que trabalham com informação, especialmente. Eu colocaria esses dois pontos como principais, assim.


Mescla: Por último, o que a comunidade acadêmica pode esperar para os próximos anos para a escola da indústria criativa?

Gustavo Borba:  Ótima pergunta! O nosso plano é que a gente consiga se tornar um hub da indústria criativa do estado. Esse é o desejo. É de que as pessoas, quando falam aqui no Rio Grande do Sul, em Indústria Criativa, elas pensem em primeiro lugar na Unisinos. Essa é a ideia. E aí, por conta disso, a gente vai entrar mais forte na questão do Pacto Alegre, a gente vai trabalhar mais forte na Aliança pela Inovação, de Porto Alegre. A gente vai tentar aproximar ainda mais, com as prefeituras, especialmente as de São Leopoldo e de Porto Alegre, para construir espaços que permitam esse debate, de como a Indústria Criativa pode transformar socialmente a realidade dessas cidades. Então, pra nós, eu acho que se a gente tivesse que definir, assim, em uma frase, como que a gente quer se enxergar, daqui três ou quatro anos é: o hub da indústria criativa do nosso estado. Acho que isso seria o nosso ponto principal.


Mescla: E, não está aqui na listinha, mas como tu te sente, agora, com convite, o desafio?

Gustavo Borba: Tri. Eu fiquei super faceiro, e também desafiado, porque eu conheço uma parte. Tem um lugar que eu conheço muito bem, que é a área do design, mas tem outro lugar, que eu conheço como gestor, que é a área comunicação. Mas eu conheço todo mundo de um outro lugar, que era a direção da graduação. Para mim, um desafio que eu tenho agora é me aproximar mais, especialmente da área da comunicação, para compreender melhor ainda as demandas e as necessidades. Para que a gente possa, a partir disso, construir uma indústria criativa mais colegiada.  Porque um desejo é que a gente crie um colegiado forte, que a gente tenha um corpo de professores, um corpo de alunos, de funcionários, que tenha um diálogo mais forte ainda. Porque a gente, ao longo do tempo, foi separando isso pelos cursos, e acho que agora a gente precisa ter uma identidade. Construir uma identidade ainda mais forte da Indústria Criativa. 


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Semana de Arte Moderna de 1922: prestes a completar cem anos, marco cultural ainda trás possibilidades de reflexão https://mescla.cc/2021/09/24/semana-de-arte-moderna-de-1922-prestes-a-completar-cem-anos-marco-cultural-ainda-tras-possibilidades-de-reflexao/ https://mescla.cc/2021/09/24/semana-de-arte-moderna-de-1922-prestes-a-completar-cem-anos-marco-cultural-ainda-tras-possibilidades-de-reflexao/#respond Fri, 24 Sep 2021 19:46:10 +0000 http://mescla.cc/?p=15678 A Semana de Arte Moderna de 1922 foi o evento que marcou o começo do  Modernismo no Brasil e representou a virada de chave na sociedade brasileira, que viu a possibilidade de falar sobre si, tanto no campo artístico como no social e político.  Prestes a completar cem anos, esse momento precisa ser revisitado: “O […]

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A Semana de Arte Moderna de 1922 foi o evento que marcou o começo do  Modernismo no Brasil e representou a virada de chave na sociedade brasileira, que viu a possibilidade de falar sobre si, tanto no campo artístico como no social e político. 


Prestes a completar cem anos, esse momento precisa ser revisitado: “O conceito que se destaca no Modernismo é a Antropofagia, o fato de efetivamente eu entrar em contato com outras culturas, de eu trazer esses elementos, não negar eles. Eu acho que isso é crucial, dar a eles uma nova perspectiva. É ‘engolir’ e depois ‘botar para fora’ alguma coisa que seja totalmente brasileira”, destaca a professora do curso de Letras da Unisinos, Márcia Lopes Duarte.


Olhar para o legado do movimento nas mais diferentes áreas da indústria cultural e, ao mesmo tempo, enxergar novos ângulos e possibilidades para essa reflexão, é o desafio de duas reportagens que o Mescla produziu. Para isso, além de Márcia Lopes Duarte, foram convidadas a professora de Letras Rita Lenira de Freitas Bittencourt (UFRGS) e a doutora em História da Arte Thiane Nunes. Nesta primeira reportagem, mostraremos as marcas deixadas pela Semana e a grandiosidade do Modernismo brasileiro; na segunda matéria, seguiremos uma investigação: onde estavam as mulheres modernistas da Semana de 22? 


(Para ler esta reportagem, te convidamos a ouvir o álbum “Tropicália ou Panis et Circenses“, de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Os Mutantes, Tom Zé e Nara Leão)


Apesar de ter sido anunciada como “Semana” e o catálogo indicar que ocorreria entre os dias 11 e 18 de fevereiro, foi ao longo de três dias (13, 15 e 17) que aconteceu o evento, no Theatro Municipal de São Paulo (Imagem: Reprodução)



Não foi apenas a Paulicéia que ficou desvairada

O evento foi formado por palestras de escritores, apresentações musicais, exposições artísticas e leituras de poemas. Já no segundo dia, a leitura de “Os Sapos”, de Mário de Andrade, realizada por Ronald de Carvalho, foi acompanhada de vaias, urros e batidas de pé. Contam que quanto mais o público reclamava das apresentações, mais Oswald de Andrade, um dos seus principais idealizadores, sorria e comemorava: a intenção era provocar, e as armas eram a ironia, o deboche, a irreverência e a contestação em forma de linguagens artísticas.


Para Márcia, 1922 fez fervilhar o espírito provocador e viabilizar o Modernismo brasileiro. Imerso a tantos fatores, o movimento é a representação de um marco, porque pincela (desculpem a repórter pela analogia), ao longo do século XX, novas possibilidades de falar, de criar e até de viver, influenciando desde o fazer artístico até as discussões políticas e de hábitos sociais. 


“Tanto para a literatura como para a cultura brasileira em geral, é o Modernismo que realmente vai apontar novas possibilidades, porque, até aquele momento, existia uma perspectiva muito ‘europeizante’”, comenta Márcia. “A grande questão do Modernismo é a Antropofagia, proposta pelo Oswald, e que eu acho que está muito evidente na obra do Mário de Andrade. A questão não é se distanciar totalmente das ideias europeias, não é romper, mas é trazer elas, deglutir e transformar em algo que faça sentido para o Brasil”, completa a professora.



O movimento surge em meio a uma eclosão política e social, que culminou com o fim de um período, a República do Café com Leite. Esse é um contexto de renovações almejadas. Além disso, esses movimentos inovadores são influenciados pelas vanguardas europeias. Diversas questões sociais surgem, algumas estouram, o Tenentismo logo encabeçaria a Coluna Prestes, que mais adiante resultaria na eleição de Getúlio Vargas. Na arte, o Movimento Antropófago grita a necessidade de se repensar os signos da comunicação, seja ela artística ou social. Fervilhava mundo afora manifestações sociais, novas tecnologias sendo apresentadas, o feminismo dando seus primeiros passos nas lutas políticas, a belle époque. Tudo culmina em um sentimento a ser devorado e digerido: a Antropofagia, que brota de todos esses eventos.



Trecho do Manifesto Antropófago, de Oswald de Andrade, em 1928. A digestão do mundo ao redor nutria essa renovação brasileira, que pula os limites de um movimento apenas artístico, e se consolida como marca permanente e relevante no nosso país (Imagem: Marcela De Bettio)



A árvore cresceu cheia de frutos 


Nos últimos anos, críticas ao movimento e, em especial, à Semana de 22, têm ocupado lugar, uma vez que o movimento que fala em celebrar o Brasil e cultuar nossa diversidade, sem erudição e estrangeirismo, foi encabeçado por homens héteros brancos da elite de São Paulo e do Rio de Janeiro. A República do Café com Leite, tão criticada pelos modernistas, se mostrava ali, com o eixo geográfico da elite brasileira ditando os rumos (e financiando o próprio movimento). O argumento é válido, mas para melhor prosseguir no fluxo da história, não podemos desprezar ou ignorar o grande impacto que esse momento teve para nossa história. 


“Eu sei que tem toda essa questão de ter sido algo feito pela elite cafeeira de São Paulo, eu não sou ingênua de achar que foi um movimento popular. Mas em termos de definição da nossa cultura, eu acho que é extremamente importante. É por causa desse Modernismo que a gente tem autores como Graciliano Ramos, Jorge Amado, Guimarães Rosa, Clarice Lispector”, observa Márcia.


O cartaz pintado por Di Cavalcanti para a Semana de 22 sugere que da árvore em crescimento e com raízes aparentes brotaria uma nova forma de pensar a cultura brasileira (Imagem: Reprodução)


Perspectiva de Brasilidade 

Para Rita Lenira de Freitas Bittencourt, professora de Literatura Comparada da UFRGS, esse Modernismo inicial é uma espécie de teorização sobre uma nova linguagem, que vai permitir, anos depois, o surgimento do Tropicalismo, de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Torquato Neto, além do Cinema Novo, a poesia concreta, ad infinitum. “Onde é que se consolida realmente esse pensamento modernista? Bem mais tarde, lá na Tropicália e no Cinema Novo. Aí que vão ter frutos desse “pensamento antropofágico”, essa questão voltada para uma cultura nacional, para o uso da comunicação de massa, também, que aqui era muito frágil.”


Márcia reitera que todo o fazer cultural do século foi influenciado pelo que surge em 1922: “Olha só toda ‘essa coisa’ do Cinema Novo. Ele deve muito ao Modernismo, assim Glauber Rocha não seria possível sem o movimento modernista. Também Caetano Veloso. Então, é assim, acho que esses autores sabem o legado do Modernismo, e isso é evidente.”


“Macunaíma”, de Mário de Andrade, e a representação do anti-herói, é uma história subversiva, que rompe com a lógica capitalista. A preguiça do personagem é, de certa forma, um “tapa na cara” da sociedade produtiva, do moralismo dos costumes tradicionais. Não é à toa que, anos mais tarde, em 1969, Joaquim Pedro de Andrade transformou o clássico em filme, e acabou sofrendo diversas imposições de censura pela ditadura militar. Alguns anos antes, em 1967, Zé Celso Martinez montou a primeira encenação nos palcos de “O Rei da Vela”, de Oswald de Andrade, escrito 30 anos antes, também em tempos ditatoriais. Em 1937, o Brasil vivia sob o Estado Novo de Vargas. A peça estreou em vésperas do AI-5, renasceu o espírito anárquico e paródico, e coube bem naquele outro contexto.


Cartaz do filme “Macunaíma”, de 1969
(Imagem: Reprodução)



Para Rita, a Semana de 22 “encena” esses movimentos, sugerindo e lançando ideias, que vão brotar em algo genuinamente brasileiro alguns anos depois. “Ali se espalha uma discussão de que as artes no Brasil deveriam se atualizar em relação ao que estava acontecendo em outros lugares. Se repensar, porque, na verdade, o Modernismo é o repensar do próprio fazer. Existia uma pintura muito acadêmica, existia uma literatura parnasiana, um romance muito preso às normas do romance europeu. Então, quando o Oswald (de Andrade), o Mário (de Andrade) e o Raul Bopp propõem um outro tipo de escrita e de literatura, eles estão pensando não só em atualizar as artes no Brasil e acertar o pé com o resto do mundo, mas também pensar uma arte nacional. Dizer ‘a gente tem essa herança europeia, colonizadora, mas a gente tem uma realidade diferente dessa’. Então, a gente tem que incluir isso na dicção de uma literatura que se quer nacional”, explica.

Historiografia misógina?


Mas, naquela época, o movimento encontrou um núcleo muito conservador e reacionário. Uma das primeiras artistas a ser execrada foi Anita Malfatti, chamada de louca, paranoica, tendo seus traços comparados à insanidade ou ao de uma criança por ninguém menos do que Monteiro Lobato. “Paranóia ou Mistificação” foi publicado no jornal Estado de São Paulo em 1917 detonando Anitta (e todos os modernistas), uma vez que, para o escritor de “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, a arte deveria representar o real e o belo. Malfatti morou alguns anos em Berlim. Lá, estudou na Escola de Belas Artes, onde foi apresentado ao trabalho de diversos ícones da pintura expressionista.


Apesar de não ser a única artista expressionista no Brasil, caiu em Anita o peso da crítica. Porém, são poucos os nomes de artistas mulheres modernistas que lembramos. Muitas foram ridicularizadas, taxadas de loucas, proibidas, censuradas ou, então, apagadas da história. A doutora em História da Arte, Thiane Nunes, conta que as mulheres estão acostumadas a serem representadas de uma forma, mas não serem representadas quando elas são as produtoras. “Elas estão na arte sempre representadas como as mulheres nuas, posando etc, mas enquanto produtoras imagéticas culturais, meio que somem”, avalia. Thiane escreveu a tese “Misoginia Modernista e invisibilidade da mulher artista”, em que investigou a história de 23 mulheres artistas, em contexto mundial.


A historiografia falhou? Acompanhe aqui, em breve, a segunda parte deste Especial, em que o Mescla escutou estas três pesquisadoras para compreender onde estavam as mulheres nesse movimento.


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Um cenário preocupante e perigoso https://mescla.cc/2021/09/02/um-cenario-preocupante-e-perigoso/ https://mescla.cc/2021/09/02/um-cenario-preocupante-e-perigoso/#respond Thu, 02 Sep 2021 14:41:05 +0000 http://mescla.cc/?p=15510 Com um quadro ao fundo onde está fixada a frase “lute como uma garota”, escrita em inglês, a jornalista Patrícia Campos Mello abriu o Seminário Discente de Pesquisa em Comunicação PPGCC Unisinos (SDCOM). A frase resume bem a atuação da convidada no jornalismo brasileiro, pelo menos nos últimos anos. Na abertura da 4ª edição SDCOM, […]

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Com um quadro ao fundo onde está fixada a frase “lute como uma garota”, escrita em inglês, a jornalista Patrícia Campos Mello abriu o Seminário Discente de Pesquisa em Comunicação PPGCC Unisinos (SDCOM). A frase resume bem a atuação da convidada no jornalismo brasileiro, pelo menos nos últimos anos. Na abertura da 4ª edição SDCOM, a convidada falou sobre desinformação, a atuação de jornalistas mulheres tanto em coberturas nacionais quanto internacionais e sobre o futuro da política brasileira em 2022, ano da próxima eleição presidencial.


A conversa aconteceu na última quinta-feira, 26 de agosto, através de uma videoconferência, com participação de 130 pessoas da Unisinos e do público em geral. Mesmo de forma remota, a conversa foi marcada por muita interação e assuntos importantes para o contexto atual político e informacional

“Os governos anteriores nunca ‘amaram’ a imprensa. Mas, agora é diferente. É muito hostil”
Patrícia Campos Mello

Ao todo, 130 pessoas se inscreveram para participar do evento que contou com a participação da jornalista Patrícia Campos Mello (Foto: Reprodução/Microsoft Teams)

“A máquina do ódio” e também da desinformação


Apesar de ultimamente estar ligada a coberturas políticas relacionadas ao governo federal, Patrícia foi, por muito tempo, repórter de coberturas internacionais. Atualmente, a jornalista é repórter e colunista na Folha de S. Paulo, além de comentarista na TV Cultura. O seu contato com a política nacional e a desinformação começou em 2018, nas eleições presidenciais, quando a jornalista assinou uma série de matérias sobre o financiamento de disparos em massa no WhatsApp e em redes de disseminação de notícias falsas, na maior parte das vezes, em benefício do então candidato Jair Bolsonaro.


Desde então, Patrícia sofre com perseguições e ataques de ódio, tudo relatado em seu mais recente livro “A máquina do ódio: Notas de uma repórter sobre fake news e violência digital”, lançado no ano passado. Para a jornalista, hoje em dia há um excesso de informação. Por isso, mais do que nunca, informação de qualidade é extremamente importante.

“Sim, o jornalismo errou lá em 2018. Até pouco tempo, era um ‘parto’ para a imprensa dizer que fulano mentiu, quando ele de fato estava mentindo”
Patrícia Campos Mello


Cenário nada otimista


Ao analisar o cenário para 2022, a jornalista mostra-se preocupada. Segundo Patrícia, estes ataques ao jornalismo irão se intensificar com a proximidade da disputa política de 2022, principalmente, ataques contra jornalistas mulheres. “Existem diferentes estratégias de governo para deslegitimar o trabalho de jornalistas mulheres”, frisa.


Em 2020, jornalistas mulheres foram as maiores vítimas de ataques na internet, é o que mostra levantamento feito pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). De 72 registros de ataques contra a liberdade de expressão em meios digitais, 40 tiveram como alvo as mulheres, 56,76% do total.


Porém, parte deste cenário de desinformação e de tensões na política é culpa da própria imprensa, que cometeu diversos erros em 2018, assim como grande parte da imprensa dos Estados Unidos, em 2016, é o que pensa Patrícia. “A imprensa tratou ele (Bolsonaro) mais como uma pessoa folclórica, do que propriamente como um candidato de extrema direita, que poderia causar sérios danos à democracia”, avalia.

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