wp-mailinglist domain was triggered too early. This is usually an indicator for some code in the plugin or theme running too early. Translations should be loaded at the init action or later. Please see Debugging in WordPress for more information. (This message was added in version 6.7.0.) in /home/agexcom/mescla.cc/wp-includes/functions.php on line 6170The post Estrangeiros de si mesmo appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>Definido como adjetivo substantivo masculino nos dicionários, ser “estrangeiro” é, na verdade, muito mais que isso. Não apenas um modo usado para explicar as manias, trejeitos ou diferenças de uma pessoa, mas, sim, “uma condição variável” que depende do local e do tipo de pergunta que nos propomos. De uma forma simplificada e teórica, ser estrangeiro é explicado por uma situação de “estamos fora da nossa nação, ou fora de nosso lugar de origem”, dizia Verônica.

Como uma turma de aula atenta, a plateia embarcava nos questionamentos que davam ritmo ao talk da professora. “Qual é o nosso lugar de origem? Brasil? O que é isso que chamamos de Brasil? Existe apenas um Brasil?”, ela indagava. E através da dúvida se descobria uma infinidade de Brasis dentro de um só local. Diferentes climas, culturas, línguas, sotaques, condições sociais escancaravam que, de uma forma ou de outra, um país nunca é uma unanimidade.
“O que existe é uma imagem de Brasil”, definiu Verônica. Para explicar essa imagem, a escritora citou o professor e doutor Homi Bhabha. “A questão da identificação nunca é a afirmação de uma identidade pré-dada, pré-definida, […] é sempre uma produção de imagem […] e a transformação do seu sujeito ao assumir essa imagem”.

Expressando que cada estrangeiro leva em si suas marcas, mas todos tem em comum a impossibilidade de voltar para o mesmo local do qual saíram, Verônica nos mostra que podemos ser estrangeiros em nosso próprio país, cidade ou bairro. “Depois de deslocados, todos somos em parte estrangeiros, pois não conseguimos voltar para a cidade em que deixamos. Como não fiquei aqui, não pude acompanhar as mudanças. Logo, a cidade que deixei já não existe mais”, sintetizou ela.
“Estar em trânsito, estar em deslocamento é a condição definidora do homem moderno”, explicou Verônica. A conclusão desse cenário é que, assim como a arte “não nos definimos pelo pertencimento, mas sim pelo estranhamento”, finalizou.
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]]>Desde 2011, Eliane acompanha a trajetória dos ribeirinhos no processo de construção de Belo Monte, no Pará. “Dias atrás me perguntaram o que o rio falaria se pudesse falar. Mas o rio fala, a gente que não entende. Eu conto histórias de vidas barradas, porque não entendo o Rio. Minhas histórias nascem desta possibilidade de alcançar a linguagem do Xingu”. E explicou: “Eu escuto as pessoas que mais perto chegaram de habitar o rio”.

Durante a palestra ela contou como Otávio havia sentido sua primeira fome, como fora retirado da ilha em que sempre viveu e como havia se tornado um homem sem palavras, mesmo conseguindo falar. “Eu já conheci um homem arrancado por Belo Monte. Não sei se vocês já viram um homem arrancado. É terrível. O horror não está em sua imagem, mas na sensação que lhe provoca. Porque o corpo está inteiro lá, mas lhe faltam partes”.
Eliane relatou sua própria história e como fora modificada pela experiência. “As palavras cicatrizes de Otávio das Chagas me lançam num banzeiro de águas interiores e é lá onde estou até hoje”. “Eu quero contar para vocês que escuto as vidas barradas do Xingu e fracasso em convertê-las em palavras. Fracassar é a condição de quem escreve. A vida sempre escapa, a vida transborda, a vida é maior. A vida flui na palavra, mas não aceita ser barrada por ela.

Eliane é conhecida por sua sensibilidade em retratar histórias. As reportagens escritas ao longo de sua carreira já viraram livros e motivo de estudo em todo o país. Mas foi em sua fala no TEDxPortoAlegre que ela mais uma vez deixou claro que vive em processo de aprendizagem. “Entendam o que eu demorei para entender. Quando alguém é obrigado a deixar seu país, sua pátria ou sua mátria, há algo que fica, há um resto. Mas quando alguém tem uma ilha afogada, como aconteceu com Otávio das Chagas, a memória vira água. Não há nada que dê materialidade a sua história”
“Quem me ensinou que escrever é um ato do corpo, no corpo, foi o Xingu”, afirmou. As palmas demoraram a sessar após a fala de Eliane. Nelas, estava expressa a gratidão pelo seu relato.

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]]>O trabalho da filósofa francesa Catherine Malabu foi a principal influência para a escolha do tema desta edição do TEDxPortoAlegre. O conceito de plasticidade estudado por ela fala sobre o trabalho do tempo através do sistema e a maneira pela qual um sistema pode se transformar de dentro sem se dissolver. Esta “transformabilidade imanente de uma totalidade fechada”, como Catherine explica, é o que norteará a fala dos palestrantes no dia 22.
Nesta edição, entre os nomes que subirão ao palco do TEDxPortoAlegre estão a jornalista gaúcha Eliane Brum, o filósofo Rodrigo Duarte, o músico e escritor Castello Branco, a escritora Veronica Stigger, o professor Rodrigo Nunes, o também jornalista Leo Felipe e o filósofo, escritor e blogueiro Moyses Pinto Neto.
Dedicado a espalhar ideias que merecem ser compartilhadas, o TED é uma organização não lucrativa criada em 1984. Com formato que permite palestras curtas, mas poderosas, o TED circula o mundo disseminando iniciativas inspiradoras.
O TEDx, onde x = evento TED organizado de forma independente, é um programa de eventos locais auto organizados. Geralmente nos eventos TEDx, os vídeos do TEDTalks e os speakers (palestrantes) usam o palco para compartilhar histórias. O TED tem um canal no Youtube com quase 10 milhões de inscritos, onde são disponibilizadas as palestras dos eventos.
Evento: TEDxPortoAlegre – “Plasticidade Destrutiva: perspectivas sobre realidades em colapso”.
Palestrantes: Eliane Brum, Rodrigo Duarte, Castello Branco, Veronica Stigger, Rodrigo Nunes, Leo Felipe e Moysés Pinto Neto.
Data: 22 de março.
Horário: das 9h às 13h.
Local: Átrio da Fundação Iberê Camargo – Avenida Padre Cacique, 2000
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]]>À partir das 17h, no auditório, haverá uma conversa sobre Upcycling, que é o processo de transformar resíduos ou produtos descartáveis em novos produtos, com maior valor, uso e qualidade.
O bate-papo contará com as participações de: Chiara Gadaleta, criadora do movimento Ecoera; Laura Madalosso, da Insecta Shoes; e Taci de Abreu, Head de Marketing da FARM.
Às 18h30 ocorrerá o show da banda Flor de Sal, grupo novo, que recentemente foi lançado pela FARM, patrocinadora da exposição.
Contando com obras de 32 artistas, a mostra investiga noções contraditórias de tropicalidade, identidade nacional, corpo e violência, com referências à paisagem estética e política do Rio de Janeiro.
“Vivemos na melhor cidade da América do Sul” está em exposição até o dia 17 de dezembro. A Fundação Iberê Camargo fica na Avenida Padre Cacique, 2000 – Bairro Cristal, Porto Alegre.
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Quem comanda a trilha sonora é o DJ Porã, head de conteúdo da Unisinos FM, com participação dos Dj’s Geraldo Oliveira e Rodrigo Brandão, do programa Grave & Groove. A programação segue até o dia 17 de dezembro, sempre aos domingos, a partir das 16h.
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