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Arquivos Festival de cinema de Gramado - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/festival-de-cinema-de-gramado/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Wed, 07 Sep 2022 04:53:28 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 Curso de cinema da Unisinos volta de Gramado com vários prêmios https://mescla.cc/2022/09/02/curso-de-cinema-da-unisinos-volta-de-gramado-com-vario-premios/ https://mescla.cc/2022/09/02/curso-de-cinema-da-unisinos-volta-de-gramado-com-vario-premios/#respond Fri, 02 Sep 2022 17:28:50 +0000 http://mescla.cc/?p=16840 O 50º Festival de Cinema de Gramado, que aconteceu entre 12 e 20 de agosto de 2022, premiou 6 produções realizadas por estudantes e egressos do Curso de Realização Audiovisual da Unisinos (CRAV), sendo 3 curta-metragens e 3 longa-metragens. Ao total, foram 12 prêmios que os Cravianos (aqueles que são egressos do curso) levaram para […]

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O 50º Festival de Cinema de Gramado, que aconteceu entre 12 e 20 de agosto de 2022, premiou 6 produções realizadas por estudantes e egressos do Curso de Realização Audiovisual da Unisinos (CRAV), sendo 3 curta-metragens e 3 longa-metragens. Ao total, foram 12 prêmios que os Cravianos (aqueles que são egressos do curso) levaram para a casa. 

Na categoria longa-metragem gaúcho, as obras premiadas foram 5 Casas, Casa Vazia e Despedida. O longa 5 Casas levou as estatuetas de Melhor Filme e Melhor Filme pelo Júri Popular. Bruno Gularte Barreto e Vicente Moreno, da turma de 2003 do CRAV, levaram o prêmio de Melhor Direção e Melhor Montagem pelo trabalho na produção do longa. 

Os egressos Tiago Bello, CRAV 2003, e Marco Lopes, CRAV 2006, foram premiados pelo Melhor Desenho de Som no longa Casa Vazia. Já Gabriela Burck, egressa de 2012, foi premiada pela Melhor Direção de Arte no longa-metragem Despedida 

Na categoria de curta-metragem gaúcho, ou seja, aquelas produções com o tempo até 15 minutos, as obras de egressos e estudantes do Curso de Realização Audiovisual foram Apenas para Registro, A Diferença entre Mongóis e Mongoloides e DRAPO A.  O curta Apenas para Registro, da estudante Valentina Ritter Hickmann, conquistou o prêmio de Melhor Filme pelo Júri da Crítica. Pelo trabalho no curta A Diferença entre Mongóis e Mongoloides, Jonatas Rubert, egresso da turma de 2009, levou os prêmios de Melhor Direção e Melhor Roteiro, junto com Gabriela Burck, da turma de 2012, que conquistou a estatueta pela Melhor Direção de Arte. Por último, Henrique Lahude, CRAV 2008, ganhou o prêmio de Melhor Produção Executiva pelo trabalho em Drapo A

“Meu pai tinha essas gravações e ninguém nunca parava para assistir de novo.”

Frame de divulgação do curta “Apenas para Registro” (Imagem: Valentina Ritter Hickmann / Divulgação)

“Foi quase que brincando, assim tipo, nada pretensioso, era só um trabalho.” foi assim que Valentina Ritter Hickmann descreveu o processo de criação do curta. O trabalho, que foi criado para a disciplina de Cinemas Experimentais do Curso de Realização Audiovisual, foi desenvolvido com base em antigos filmes de família em DVD, “Quando eu comecei a mexer nesses arquivos do meu pai, eu nem pedi permissão, era só um trabalho e eu queria usar as imagens de arquivo da minha família. Então fui usando, fui mexendo, fui descobrindo coisas. Tanto que as imagens ali dele divagando foram uma coisa que eu encontrei depois e que eu acho que é o mais vulnerável” contou Valentina. 

Valentina Ritter Hickmann comentou um pouco sobro o processo de produção do curta-metragem “Apenas para Registro”

A ideia para a construção desta obra sempre esteve na mente de Valentina, segundo ela “Eu já sabia que eu ia fazer alguma coisa com esses vídeos do meu pai, mas eu não sei dizer exatamente de onde veio essa ideia. Eu acho que é uma coisa meio da minha família que eu escuto desde que eu sou pequena, tipo aí bem que alguém podia compilar e selecionar os melhores momentos pra gente poder assistir.”   

Para Valentina e seu pai, Sergio Hickmann, é emocionante que tantas pessoas tenham se identificado com a produção. (Imagem: Valentina Ritter Hickmann / Arquivo Pessoa)

O trabalho se destacou na cadeira de cinemas experimentais e o colegiado decidiu submeter o curta ao Festival de Gramado. Para Valentina “Foi muito legal assim, porque desde que o colegiado já tinha me selecionado para eles enviarem meu filme para Gramado. Para mim aquilo já tinha sido tipo uma baita de uma vitória.”  A estudante sente que com essa conquista deixou a sua marca no CRAV algo que não tinha certeza se faria antes da premiação.  “Toda a experiência do festival foi muito incrível. Todas as pessoas que eu conheci e elas vindo falar do meu filme, o quanto tinha impactado elas e tocado elas de alguma forma, isso foi muito legal ouvir, porque tanto para mim quanto para o meu pai principalmente não era nossa intenção, sabe? Aquilo ali de fato é um arquivo de família” complementa Valentina. 

“´É um documentário que parte de uma jornada pessoal do diretor”  

“Acaba sendo um filme sobre coisas bem particulares, que também são universais”(Imagem: Bruno Goulart Barreto / Divulgação)

Dirigido por Bruno Goulart Barreto, egresso da turma de 2003 do CRAV, o longa-metragem revisita as memórias e a cidade natal do diretor, Dom Pedrito, e reencontrando pessoas que, de alguma forma, tiveram um impacto em sua vida. Segundo Vicente Nunes Moreno, responsável pela montagem do longa relatou “Então, acaba sendo um filme sobre Dom Pedrito, mas também acaba sendo um filme sobre coisas bem particulares, que também são universais”. O documentário aborda temas como luto, homofobia, racismo, especulação imobiliária e agrotóxicos.   

O longa é uma junção de professores e egressos do CRAV, contando com a participação de Vicente Moreno, que já foi estudante do CRAV e está na coordenação do   curso, Jessica Luz, produtora executiva, e Bruno Polidoro, um dos responsáveis pela direção de fotografia, todos professores do curso. O diretor Bruno Goulart Barreto é egresso da turma de 2003 e já participou do corpo docente. 

O longa estreitou no Festival Internacional de Documentários de Amsterdã (IDFA), o maior festival de documentários do mundo, e a partir disso foi sendo exibido e premiado em diversos festivais. Já teve exibições na Itália, França, Portugal, Chile e no Ceará. No Festival de Cinema de Gramado, foi a primeira vez que a produção foi exibida em solo gaúcho. 

“O CRAV já é uma presença constante no Festiva de Gramado” 

Não é raro que múltiplos egressos do CRAV estejam concorrendo e sejam premiados no mesmo festival, principalmente quando a premiação envolve obras produzidas no Rio Grande do Sul. Segundo Vicente Moreno, “Quando os primeiros egressos começaram a entrar no mercado de trabalho foi se tornando cada vez mais comum ter cravianos presentes nas mais diversas equipes.  Então hoje em dia é muito difícil no Rio Grande do Sul, um longa-metragem uma série ou um grande projeto audiovisual que não tenha cravianos”.  

De acordo com o coordenador, as pessoas premiadas do curso, sejam alunos, professores ou egressos traz uma sensação do trabalho bem-feito, além de mostrar a excelência do curso dentro do cenário gaúcho e brasileiro de cinema, mostrando que é possível fazer cinema no RS. Para os alunos, saber que colegas e egressos estão marcando presença em peso nas premiações de festivais, tem um efeito muito positivo, pois eles se inspiram nesses colegas e veem que os próximos a estarem em festivais podem ser eles.   

Para os interessados em assistir as produções, haverá uma exibição com debate no Teatro Unisinos, dia 29 de setembro às 19h30. Serão exibidos DRAPO A, A Diferença entre Mongóis e Mongoloides, Apenas para Registro e Nós que Fazemos Girar. A entrada não será cobrada.

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Começa o Festival de Cinema de Gramado https://mescla.cc/2020/09/18/comeca-o-festival-de-cinema-de-gramado/ https://mescla.cc/2020/09/18/comeca-o-festival-de-cinema-de-gramado/#respond Fri, 18 Sep 2020 20:35:02 +0000 http://mescla.cc/?p=13967 Por Estephani Richter e Guilherme Machado Há mais de 40 anos, o Festival de Cinema de Gramado vem acompanhando a evolução do cinema brasileiro e, principalmente, gaúcho. Curte cinema? Porque essa pode ser a edição perfeita, ainda mais se você nunca presenciou nenhuma. Primeiro, os conteúdos estarão disponíveis no Canal Brasil Play, via streaming. Segundo, […]

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Por Estephani Richter e Guilherme Machado

Há mais de 40 anos, o Festival de Cinema de Gramado vem acompanhando a evolução do cinema brasileiro e, principalmente, gaúcho. Curte cinema? Porque essa pode ser a edição perfeita, ainda mais se você nunca presenciou nenhuma. Primeiro, os conteúdos estarão disponíveis no Canal Brasil Play, via streaming. Segundo, as mostras competitivas serão exibidas na TV pelo Canal Brasil. E ainda tem as redes sociais Facebook e Instagram. Sinta-se convidado ao universo cinematográfico latino-americano. Confira a programação do 48º Festival de Cinema de Gramado.

O Mescla conversou com Fatimarlei Lunardelli, vice-presidente da Associação dos Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (Accirs) e que também já atuou como professora substituta do Curso de Realização Audiovisual (CRAV) da Unisinos. “Os filmes ainda são inéditos. Posso dizer que uma boa expectativa é em relação ao filme “Um animal amarelo”, sexto longa do diretor Felipe Bragança. Esse é um dos filmes brasileiros selecionados entre 146 inscritos”, diz Fatimarlei sobre a obra, que trata da herança do colonialismo português no Brasil de hoje.

Para ela, o Festival de Gramado deste ano está conseguindo administrar o enorme desafio de manter a continuidade em meio à pandemia, que impõe o isolamento social. “Praticamente todas as atividades estão mantidas e isso é muito bacana, porque, de certa forma, vai alcançar mais gente”. A crítica de cinema lamentou apenas não poder apreciar a beleza do evento na Serra gaúcha.

Mônica Kanitz, curadora da Cinemateca Paulo Amorim e integrante da Accirs, conta que sua expectativa é grande em relação a essa edição: “Há 20 anos, é sempre um momento aguardado de encontro com colegas jornalistas, amigos e realizadores do Brasil inteiro. Junto, vem a possibilidade de conhecer uma nova safra de curtas e longas nacionais, vivenciar a maratona do ‘gauchão’ (a mostra de curtas gaúchos) e ter algumas surpresas – boas e não tão boas – diante da competição de filmes estrangeiros”, diz. Uma de suas dicas para aproveitar o formato gratuito é “Aos pedaços”, do Ruy Guerra. “Trata-se de uma produção de um dos cânones do cinema brasileiro – ele está com 89 anos. A outra é ‘Todos os mortos’, de Caetano Gotardo e Marco Dutra, dois diretores que vêm realizando projetos instigantes e inovadores no nosso meio audiovisual.”

Os cravianos no Festival de Gramado 

Sopa Noir” é uma animação de comédia feita totalmente por alunos do CRAV
(Foto: Divulgação / CRAV)

Como já é de costume, o CRAV também tem presença marcada no Festival de Gramado. Atuando nas mais diversas funções, desde montagem, produção, até roteiro e direção, os cravianos, como são chamados, são formados por professores, alunos e ex-alunos, que costumam deixar a marca do curso nesse que é um dos mais respeitados festivais de audiovisual da América Latina. Ao todo, são 15 filmes produzidos por cravianos selecionados tanto para os Curtas Gaúchos como para os Longas Gaúchos.

Uma dessas obras selecionadas foi a animação “Sopa Noir“. O curta foi produzido por acadêmicos do CRAV durante os dois semestres de 2019. O roteiro, a direção e a animação foram de Beatrice Petry Fontana, que contou com Thiago Dorsch na produção e direção de arte, Alice Sperb também na direção de arte e Guime na direção de foto. Julia Zoppas, João Cardoso e Luiza Zimmer foram os integrantes da equipe de som. O filme teve apoio da equipe do Laboratório Avançado de Tecnologias da Informação e Comunicação (Labtics). A orientação foi do professor James Zortéa. 

Ele explica que todo aluno que decide realizar um filme de animação precisa primeiro apresentar um projeto audiovisual para o colegiado do curso. Após aprovado, começa todo o processo de realização com a formação de uma equipe. Segundo James, a diretora Beatrice destacou-se com o aprendizado de um software 3D que usou na produção. “Todo o CRAV celebra a consagração exitosa do processo acadêmico, que culmina na exibição do filme junto ao circuito profissional, com visibilidade nacional”, destaca. 

Equipe do “Sopa Noir” durante apresentação do filme em mostra da Unisinos
(Foto: Arquivo Pessoal / Beatrice Petry Fontana)

Sopa Noir” é uma comédia policial. O filme se passa no mundo dos vegetais, e tem como trama o mistério do assassinato do Chuchu. Beatrice conta que entrou no curso com foco em animação e direção de arte, e que sempre gostou da estética de filmes noir estadunidenses e de comédias. “Pude colocar tudo isso nesse projeto. Foi desafiador, mas admito que o processo foi divertido”, revela Beatrice, que já participou do Festival como espectadora em anos anteriores. 

“Acho que não só para mim, mas para a equipe e dubladores do curta, significa o reconhecimento do nosso trabalho, dedicação e esforço posto na produção desse curta. Ser selecionada para o 48º Festival de Gramado mostra que o esforço valeu a pena e também significa de que estou caminhando no rumo certo para o meu futuro profissional”, observa a aluna.

Os egressos também estão no Festival 

Filmes de ex-alunos também serão exibidos no Festival. Entre eles está “Lacrimosa“, de Matheus Heinz, responsável por praticamente toda a produção da obra. O filme conta a história de uma menina que perde o irmão, e os pais são acusados pela morte dele. “Eu sempre quis falar sobre esse tema, a morte de um filho pelo seu próprio pai. Acho que, por ser absurdo demais, algo antinatural”, destaca o craviano. Matheus contou apenas com a ajuda do namorado, que ficou com a divulgação, e da irmã,  para a dublagem. Ele lamenta não poder participar do Festival de forma presencial. “Saber que mais pessoas terão acesso aos filmes me reconforta”, sublinha.

O céu da pandemia“, curta da ex-aluna Marina Kerber, também foi selecionado. A obra, que faz parte da série Quarantine Tales e também do festival Fantaspoa at Home, tem no Festival de Gramado a consolidação do reconhecimento. Marina comenta que a produção do filme foi muito caseira e sem uma narrativa linear. “Fiquei muito feliz que o Festival abriu a seleção para diversos tipos de expressão artística”. O curta mistura ficção com documentário e animação com live action, mostrando fatos históricos do momento que vivemos com metáforas visuais. Marina usou apenas o celular e o computador na produção. “O filme foi sendo criado dessa forma, um quebra-cabeça que fui montando aos poucos”, explica.

Daniel de Bem também foi um dos cravianos escolhidos, com o curta-metragem “Ver a vista“. Ele conta que quando era criança, em uma viagem ao interior, seu pai – falecido há quase 20 anos – o levou até um morro para observar a região. O momento, registrado em fitas VHS, foi sua inspiração para construir a obra. O filme foi feito apenas com a montagem e edição de imagens de seus filmes antigos, sobras de material bruto e gravações de celular. Daniel acredita que estar no Festival de Cinema de Gramado traz uma força coletiva com os outros participantes. “A seleção desse filme me inspira a pensar mais um cinema fora das narrativas ficcionais básicas”, comenta.

Jéssica Luz, professora do CRAV, também foi uma das selecionadas, junto dos já formados Pedro Clezar, Natasha Ferla, Jonatas Rubert, Fernando Polla e Higor Rodrigues. Ela é produtora executiva de “Portuñol“, filme que será exibido na categoria Longas Gaúchos. O documentário mostra as misturas culturais na região fronteiriça do Brasil, e tem direção de Thais Fernandes. A pequena equipe registrou a mescla de línguas, como espanhol, português e até o guarani nos diferentes países de fala castelhana. Jéssica explica que o filme foi financiado pela GloboNews e tem duas versões. “Uma é mais longa, de 70 minutos. Essa que a gente tá exibindo no festival é outra, de 50 minutos, que vai passar na televisão, depois de passar no cinema”, explica.

Para saber mais sobre o Festival

Tudo começou em 1973, com a oficialização do evento pelo Instituto Nacional de Cinema. Era uma parceria entre Embrafilme, Prefeitura Municipal de Gramado, Companhia de Jornalismo Caldas Júnior, Fundação Nacional de Arte e as secretarias de Turismo e Educação e Cultura do Estado. Era a estreia do “Deus da alegria” (Kikito), concedido a todos os vencedores. Em 1992, houve a internacionalização do Festival, que passou a apresentar um panorama da produção ibero-americana. 

Kikitos de ouro, o Oscar do Festival entregue aos vencedores
(Foto: Cleiton Thiele / Agência Pressphoto)

O 48º Festival de Cinema de Gramado tem curadoria de Marcos Santuário, Pedro Bial e Soledad Villamil. Entre os homenageados estão Horst Volk, Marco Nanini, Laís Bodanzky, Denise Fraga e César Troncoso. Se você não conhece o Festival, a hora é esta. Não esqueça de acessar as redes sociais do evento, que ocorre entre os dias 18 e 26 de setembro. Tipo, começa amanhã.

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Artistas são agredidos em protesto contra governo no Festival de Gramado https://mescla.cc/2019/08/28/artistas-sao-agredidos-em-protesto-contra-governo-no-festival-de-gramado/ https://mescla.cc/2019/08/28/artistas-sao-agredidos-em-protesto-contra-governo-no-festival-de-gramado/#respond Wed, 28 Aug 2019 19:31:57 +0000 http://mescla.cc/?p=11156 Eram 20h45min da noite de sábado (24) quando artistas, cineastas e entidades do audiovisual iniciaram sua passagem pelo tapete vermelho da 47º edição do Festival de Cinema de Gramado. Seguravam cartazes de filmes nacionais como Bruna Surfistinha, Amor Maldito e O Auto da Compadecida e juntos gritavam: “Pelo cinema, pela cultura, por uma arte livre e sem censura”. Os protestos […]

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Eram 20h45min da noite de sábado (24) quando artistas, cineastas e entidades do audiovisual iniciaram sua passagem pelo tapete vermelho da 47º edição do Festival de Cinema de Gramado. Seguravam cartazes de filmes nacionais como Bruna SurfistinhaAmor Maldito e O Auto da Compadecida e juntos gritavam: “Pelo cinema, pela cultura, por uma arte livre e sem censura”. Os protestos eram direcionados ao governo de Jair Bolsonaro (PSL), que vem tomando um posicionamento de embate com o setor audiovisual.

Enquanto realizavam o trajeto manifestando-se em defesa do cinema, da diversidade e da Amazônia, ouviram vaias vindas dos bares que ficam próximos ao tapete vermelho, sendo atacados com pedras de gelo e restos de alimentos. “O público automaticamente começou a vaiar toda a nossa passagem, jogou pedras de gelo, copos, restos de macarrão. Me acertaram com um limão”, conta Daniela Strack, presidente da Associação Profissional de Técnicos Cinematográficos (APTC).

Junto dela estava Rogério Rodrigues, presidente do Sindicato da Indústria Audiovisual (SIAV-RS), que teve o nariz cortado ao ser atingido por uma pedra de gelo e só percebeu o corte com o sangramento. Enquanto jogavam comida e pedras de gelo, os opositores do manifesto gritavam “mito”. Para Rogério, a violência sofrida não foi um acaso, mas uma extensão das declarações do presidente da República. “O fato é que produtores, diretores, artistas, credenciados ao evento e, portanto, legítimos de estarem naquele local, fizeram uma manifestação pacífica a favor da cultura”, afirma.

Artistas e cineastas reivindicaram o direito a liberdade de expressão no tapete vermelho. Foto: Vicente Moreno

No domingo anterior (18), quando o filme Só sei que foi assim foi eleito vencedor da mostra de curtas gaúchos, artistas já haviam se reunido para protestar. Segundo Daniela, o primeiro manifesto envolveu o setor do audiovisual gaúcho, enquanto no sábado o ato teve uma dimensão nacional, reunindo artistas como o ator argentino Leonardo Sbaraglia, que recebeu o Kikito de Cristal do festival. A organização do evento lançou uma nota de repúdio à violência. Leia abaixo:

“A cidade de Gramado e o Festival de Cinema têm uma história sólida, de fortalecimento e crescimento mútuo. São 47 anos ininterruptos de encontros que trazem à cidade atores, produtores e público do Brasil e América Latina para as mostras, os debates e outras atividades paralelas ligadas à cultura cinematográfica e ao mercado do audiovisual.

Os dias em que acontece o Festival também mobilizam atividades paralelas, festas e shows, reforçando a vocação turística da cidade. O último fim de semana do Festival é particularmente concorrido, enchendo a cidade de diferentes públicos, entre cinéfilos e pessoas que buscam outros eventos. Todos são bem-vindos e o tapete vermelho do Festival é democrático.

Os espaços em seu entorno são públicos e de livre circulação. Servem de atrativo para os que apenas querem ver artistas e também para os profissionais do audiovisual que acreditam na importância e na história do mais antigo e respeitado Festival de Cinema do Brasil. Conviver com esta diversidade de motivos e desejos para estar na cidade é democrático e fundamental para a harmonia de tudo e todos.

Como sempre fez em sua tela, o Festival de Cinema de Gramado acolhe, contempla e evidencia diferentes estéticas e opiniões, sendo historicamente um espaço para debates e manifestações. O que não se pode admitir é a violência como prática ou resposta a ideias e opiniões diferentes. Só a tolerância e o respeito seguirão fortalecendo a história da cidade, do festival, reforçando e saudando o convívio de todos”.

O presidente e o cinema nacional

As manifestações que ocorreram no Festival são consequência de uma série de medidas adotadas pelo presidente nos últimos meses. Em julho, Bolsonaro anunciou a ideia de transferir a Agência de Cinema Nacional (Ancine) do Rio de Janeiro para Brasília, com o intuito de monitorar a produção cinematográfica brasileira. “A cultura vem para Brasília e vai ter um filtro, sim. Já que é um órgão federal, se não puder ter filtro, nós extinguiremos a Ancine. Privatizaremos ou extinguiremos. Não pode é dinheiro público ser usado para fazer filme pornográfico”, disse o presidente, referindo-se a Bruna Surfistinha, que conta a história de Raquel Pacheco, uma jovem garota de programa.

Na quarta (21), o atual presidente da Ancine, Christian Castro, participou do encontro do Gramado Film Market, parte da programação do Festival de Cinema de Gramado. Na ocasião, disse ao público que a suspensão de um edital de projetos audiovisuais para emissoras de televisão pública era “Um convite ao diálogo”. Bolsonaro havia criticado algumas produções do edital, como o filme Afronte, e declarou:

“Olha, a vida particular de quem quer que seja, ninguém tem nada a ver com isso, mas fazer um filme mostrando a realidade vivida por negros homossexuais no Distrito Federal não dá para entender. Então, mais um filme aí que foi pro saco, aí. Não tem cabimento fazer um filme com esse enredo né?”.

O professor do curso de Realização Audiovisual da Unisinos Vicente Moreno conta que as ações do presidente são preocupantes e pergunta que tipo de cinema ele pretende fazer. “Seria o dos heróis nacionais?”, ironiza. Vicente fez a montagem do filme Raia 4, de Emiliano Cunha, que levou os prêmios de melhor fotografia, júri da crítica e melhor longa-metragem gaúcho.

“O que estamos vivendo no Brasil é censura. Não tem outro nome. No momento em que o presidente cancela um edital por incomodar-se com o conteúdo de um projeto contemplado, no caso sobre a população LGBT, isso é censura”, diz Vicente. Para ele, o filtro de conteúdo que o presidente quer impor se aproxima daquilo que se viveu no período da ditadura militar.

Vicente também foi alvo das pedras de gelo arremessadas por apoiadores de Bolsonaro, mas afirma que o que se viu em Gramado irá continuar e se multiplicar: “Mesmo que tenhamos que enfrentar mais hordas de desinformados e seu gelo arremessado. O gelo pior está na alma, e a nossa está bem acesa”.

Para Rogério Rodrigues, o Brasil vive seu melhor momento na produção audiovisual, seja para TV ou cinema, tanto em quantidade como em qualidade. “O setor tornou-se uma indústria que representa 0,5% do PIB e com uma qualidade reconhecida pelos resultados alcançados nos festivais internacionais de cinema. As empresas do setor, além de pagarem todos os impostos, como qualquer outra empresa, pagam a Condecine, tributo criado para desenvolver o setor, portanto é a própria indústria que se retroalimenta” conta.

O presidente do SIAV também diz que as declarações de Bolsonaro ameaçam um setor em pleno desenvolvimento com interesses alheios ao Brasil. Considera importante se manifestar, pois a arte é inclusiva, assim como a cultura é necessária à educação e à formação da identidade cultural brasileira.

Durante a cerimônia de premiação do Festival de Cinema de Gramado, as entidades APTC, SIAV IECINE leram uma carta aberta dos secretários de cultura de 22 estados. Veja:

Outra carta assinada por entidades do audiovisual foi lida por Miguel Falabella no palco do Festival.

No palco, artistas do filme Veneza de Miguel Falabella se reúnem para a leitura da Carta de Gramado. Vídeo: Pam Hauber

Serviço

Esta matéria foi originalmente publicada no site da Beta Redação, na disciplina de Laboratório de Jornalismo – Editora de Cultura, Educação e Tecnologia do curso de Jornalismo. Confira a matéria original e outros trabalhos.

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Alunos da Unisinos marcam presença no Festival de Cinema de Gramado https://mescla.cc/2019/08/14/alunos-da-unisinos-disputam-kikitos/ https://mescla.cc/2019/08/14/alunos-da-unisinos-disputam-kikitos/#respond Wed, 14 Aug 2019 17:58:44 +0000 http://mescla.cc/?p=10893 O Festival de Cinema de Gramado contará, neste ano, com a participação de duas produções de alunos do Curso de Realização Audiovisual (Crav) e Publicidade e Propaganda da Unisinos. Os filmes É assim que você parece e Who’s that man inside my house estarão entre os 20 curtas gaúchos que vão competir em 12 categorias, […]

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O Festival de Cinema de Gramado contará, neste ano, com a participação de duas produções de alunos do Curso de Realização Audiovisual (Crav) e Publicidade e Propaganda da Unisinos. Os filmes É assim que você parece e Who’s that man inside my house estarão entre os 20 curtas gaúchos que vão competir em 12 categorias, entre elas, “melhor edição de som”, “montagem” e “roteiro”. 

“É muito legal ver curtas universitários competindo com cineastas experientes dentro dessa mostra”, avalia Daniela Mazzilli, coordenadora de conteúdo do Festival. “É uma oportunidade deles estarem em contato com o mercado em si, conhecendo a realização do Festival e como ocorre a circulação dos filmes, que é extremamente importante para eles”, comenta Daniela.

Com quase cinco décadas ininterruptas acompanhando o cinema nacional, o Festival de Cinema de Gramado é o mais longevo do Brasil. Já apresentou filmes consagrados, como Toda Nudez Será Castigada, de Arnaldo Jabor. 

O Mescla conversou com alunos envolvidos na produção dos filmes que estarão em Gramado. Confira:

É assim que você parece (2018)

Crédito: Pedro Valadão

O filme é sobre duas pessoas: um jovem e um senhor. É essencialmente sobre comunicação. Ele mostra pedaços do cotidiano dos dois e como eles se separam e se intercalam, como se comunicam com outras pessoas e como as mudanças da comunicação de hoje influenciam na vida de pessoas de outras gerações

Pedro Valadão, diretor e roteirista

Devia ser apenas mais uma atividade do terceiro ano do curso de Realização Audiovisual (Crav), mas para Pedro Valadão, um jovem de 20 anos que trabalha com edição e montagem, foi mais do que isso. “A gente finalizou o filme em novembro do ano passado. Ele foi concluído como uma atividade acadêmica, mas também era um filme pronto, em que as pessoas assinavam direção, produção e fotografia. Eu inscrevi ele na mostra de curtas nacionais do Festival de Gramado, mas ele não foi selecionado”, conta o estudante. Mas sua chance não se perdeu, pois a Universidade elegeu cinco filmes e inscreveu na mostra de curtas gaúchos. Foram 20 selecionados, entre eles, o filme É assim que você parece. 

Em 2017, Pedro já tinha levado um dos seus trabalhos ao festival, uma produção em stop motion, que nasceu durante a disciplina de Animação. Desde 2016, ele trabalha com edição de vídeo e fotografia. Já fez trabalhos para algumas bandas, mas começou a levar a edição de vídeo a sério em 2018. Foi quando se tornou assistente de montagem do longa “Nuvem Rosa”, filmado aqui no Rio Grande do Sul. Segundo ele, a faculdade o ajudou a confiar na sua produção. “Ao longo do curso, nós encaramos nossos trabalhos como exercícios. Quando um filme que tu faz dentro da faculdade, com pouquíssimo dinheiro e recursos restritos, é elegido pela coordenação para ser indicado ao festival, e o festival seleciona esse filme, é extremamente positivo. Você percebe que o recado dos professores é o seguinte: okay, você pode encarar isso como um exercício, mas se colocar esforço  suficiente, você pode fazer mais que isso”, conta o estudante. 

Pedro não fez nada sozinho. Ele contou com a ajuda de outros colegas do curso, como Julia Flores, de 21 anos, que fez a produção do filme. “Foi um processo superimportante e de muita aprendizagem para mim, como estudante de cinema. Eu pude colocar em prática todos os conhecimentos adquiridos durante a faculdade e visualizar melhor todo o processo de realização de um filme”, diz a jovem. 

Who’s that man inside my house (2019)

Crédito: Lucas Reis

O filme tem dois personagens. A sinopse é de um jovem que começa a ver uma entidade na sua casa. Então, ele passa a tirar fotos com uma câmera analógica, mas ninguém consegue ver, porque somente ele vê a entidade, que não faz nada, só fica parada. Esteticamente, a gente usou muito a referência daquele documentário sobre paralisia do sono chamado The Nightmare

Lucas Reis, diretor e roteirista

Este é o segundo ano consecutivo no Festival de Cinema de Gramado de Lucas Reis, estudante do curso de Publicidade e Propaganda da Unisinos. No ano passado, ele participou com o filme Abismo. Agora, o jovem cineasta decidiu apostar no gênero de horror: “Who’s that man inside my house é um filme de horror alegórico. Então, ele não tem uma trama convencional, com um enredo que tenha plot final. Ele fala de uma situação vivida por mim na família durante as eleições de 2018″, revela.  

Lucas fez dos seus sentimentos um enredo ficcional, e deu certo. O filme já foi apresentado no Fantaspoa, o maior festival de cinema fantástico da América Latina. Recentemente, a produção também foi anunciada no Macabro Film Festival, que ocorre no México. “Eu fico muito contente, porque é meu segundo ano consecutivo no Festival de Cinema de Gramado. Este ano, espero que os administradores públicos tenham um olhar mais atento às políticas de fomento ao audiovisual, porque estamos vivendo um momento bem turbulento”, diz o estudante, que, além da direção e do roteiro, foi um dos responsáveis pela produção executiva, trilha musical, trilha sonora original e montagem.

Para Lucas, cinema é um trabalho coletivo que necessita de pessoas para fazer um bom filme. “Felizmente, eu tenho essas pessoas. Sempre que eu convido, eles topam, até mesmo trabalhar de graça. Ser premiado é muito legal, não apenas por mim, mas pela galera que trabalhou junto”, conta Lucas, que também é laboratorista audiovisual na Unisinos.

Lá vem história

Coordenador do Curso de Realização Audiovisual, Milton do Prado conta que o Festival é vitorioso por ser um dos únicos garantidos neste ano, oficializado pelo Instituto Nacional de Cinema. A primeira edição ocorreu em 1973, resultado de uma parceria entre a Prefeitura Municipal de Gramado com a Companhia Jornalística Caldas Júnior, a Embrafilme, a Fundação Nacional de Arte e as secretarias de Turismo e Educação e Cultura do Estado. Naquele Verão, de 10 à 14 de janeiro, o Kikito, “deus da alegria”, estatueta criada por Elizabeth Rosenfeld, foi apresentado ao mundo. 

A década de 80 trouxe a ascensão do Festival no país. “Quando eu comecei a me interessar por cinema, nos anos 80, mesmo morando fora, a gente tinha uma referência muito grande do Festival de Gramado. Íamos atrás dos filmes que tinham ganho o Festival, como o Homem da Capa Preta“, lembra o coordenador. Para ele, o sucesso se deu graças ao aprimoramento das discussões sobre arte e cultura nos diversos espaços. 

Porém, a década de 1990 presenciou a quase extinção da cinematografia nacional, durante o governo de Fernando Collor. Assim, o Festival optou por uma mudança que lhe garantiu a sobrevivência: tornou-se uma edição ibero-americana, a partir de 1992. Segundo Milton, o Festival enfrentou dificuldades no início dos anos 90, quando a Embrafilme foi extinta. “A produção caiu muito Então, o evento se tornou ibero-americano e, depois, latino-americano. Assim, foi encontrando sua cara, mas não voltou a ser somente brasileiro. Foi uma estratégia boa de sobrevivência, mas não sem consequências”, diz Milton. 

O coordenador conta que a seleção dos filmes tornou-se questionável: “Se presta pouca atenção nos filmes latinos, porque aparentemente são de pouca relevância”, comenta. Enquanto o Festival de Gramado perdeu parte do seu prestígio, outros festivais nacionais de cinema conquistaram importância, como Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e o Festival do Rio, além dos eventos independentes, como a Mostra de Cinema de Tiradentes e a A Janela Internacional de Cinema de Recife. 

Para Daniela Mazzilli, o festival é uma grande festa, pois a produção de um filme, dos primeiros esboços do roteiro até sua finalização, demanda tempo. “Ele é uma grande janela de lançamento de filmes. É a oportunidade de realizadores estarem mostrando seus filmes para outros realizadores, para o público em geral, para a mídia especializada e a grande mídia”, conta. Para ela, essa janela também permite que os filmes exibidos tenham uma longa vida de exibição.

O diferencial de lançar um filme em Gramado está na sua carga histórica de mais de 40 anos. “A história do Festival está intimamente relacionada com a história do cinema nacional dos últimos 47 anos. Então, grandes momentos políticos, a descoberta de novas estrelas e rememoração delas é parte disso”, diz Daniela. Para Julia Flores, produtora do filme É assim que você parece, o festival representa essa oportunidade: “Minha expectativa, além de que o filme seja bem recebido, é também ter a oportunidade de troca de experiências com outros realizadores e poder conhecer um pouco mais sobre os outros projetos que estão sendo realizados no nosso país”.

Veja algumas imagens dos filmes

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No coração do mês conhecido como o mais longo do ano, o 46º Festival de Cinema de Gramado colocou nos holofotes do cinema nacional produções locais e independentes. Um dos filmes que integrou a seleta lista de curtas gaúchos exibidos no evento, foi “Abismo”, de Lucas Reis, estudante do curso de Publicidade e Propaganda da Unisinos.  Além de conquistar um espaço no Palácio dos Festivais, ele subiu o tapete vermelho para levar para casa o Troféu Assembleia Legislativa de Melhor Edição de Som.   

Para entender a relação entre Lucas, a publicidade e o cinema é preciso rebobinar a história para antes mesmo da sua graduação em Realização Audiovisual na Universidade Luterana do Brasil (ULBRA Canoas). Ele começou a cultivar a paixão por produções cinematográficas na infância, quando dedicava as férias escolares às fitas VHS locadas. Seu gênero favorito, o terror, seguiu com ele durante a graduação, inspirando seus dois primeiros filmes, de horror.   

 

Lucas Reis com o Troféu Assembleia Legislativa de Melhor Edição de Som, vencido por Guilherme Cássio | Fotos: arquivo pessoal

 

Mas antes se tornar um realizador audiovisual, com direito a prêmio em festival, Lucas passou pelo sonho de ser ator. “Quando eu fiz cursos de atuação para a TV, eu comecei a ver que eu não era tão bom quanto imaginava. Então eu comecei a me envolver com o cinema de maneira profissional. Comecei a comprar livros para entender mais como funcionam as funções e fui me convencendo cada vez mais de que era isso que eu queria fazer”, conta.  

Com o diploma em mãos, deparou-se com um mercado de trabalho não consolidado, e apostou em uma nova graduação. Desta vez, em Publicidade e Propaganda. “Quem trabalha no mercado audiovisual nacional, se desdobra em muitos para trabalhar em todas as sessões.  É difícil você viver somente de cinema, então você acaba fazendo publicidade, que é o que se produz no mercado brasileiro, e acaba tendo essa troca do cinema e da publicidade muito forte com a galera que trabalha com produção audiovisual no rio grande do sul. 

 

“A publicidade é um campo que eu não tinha conhecimento, de como funciona o texto, o atendimento, o processo de pensar uma estratégia. Então o bônus é isso. Eu gosto da publicidade, não é um curso que eu escolhi por acaso, era um curso que eu realmente tinha interesse, então eu acho bacana por isso, são novas visões que acabam me agregando muito. ”

 

“Muitos cineastas têm formação de publicidade, porque em muitos lugares não existem cursos de cinema, então isso é bem entrelaçado, uma acaba andando do lado do outro”, comenta Lucas.   Ele ainda acredita que, de um modo geral, principalmente do Brasil, as áreas de comunicação andam juntas, o que acaba formando multiprofissionais, com capacidades de realizar diversas funções.  

Um áudio e os pesadelos da noite passada 

Foi por ver a publicidade e o cinema lado a lado que o desejo de continuar a produzir seguiu movendo-o. E, se muitos pensam que ele deixaria o cinema na estante para dedicar-se a nova graduação, Lucas provou o contrário. Neste ano, a paixão pela sétima arte virou produção: “Abismo”. O curta abraça um desejo já antigo dele: trabalhar com um estilo inspirado em seus diretores favoritos e falar sobre um assunto realista e político. E conseguiu. “Abismo” trata de uma questão social muito presente no Brasil, a violência contra a mulher.  

 

 

Para tratar de um assunto delicado, Lucas contou com a ajuda e opiniões de colegas, além de ter 50% da equipe composta por mulheres. “Como sou homem, não me senti, no início, preparado para falar desse assunto, já que eu nunca sofri nenhuma violência. Mas quando eu escrevi meu argumento, conversei com algumas amigas sobre o que elas achavam. Elas gostaram muito e me incentivaram a fazer, falando ser um tema super relevante, o que me deu confiança para escrever o roteiro”, conta.  

Mas nem só com feedback positivos e câmeras nos sets de filmagens se faz um filme, pelo contrário. Com orçamento limitado, cerca de R$1500, a realidade de uma produção independente mostrou-se complicada para o realizador. Com uma equipe reduzida, formada principalmente por amigos e ex-colegas do curso de Cinema, Lucas teve que se desdobrar para cumprir as diversas funções acumuladas (direção, roteiro, montagem e edição e produção executiva), além de acompanhar todos os processos envolvidos nas filmagens.

 

 

“É difícil você gastar todo o seu salário em um filme que você não sabe o que vai receber, não sabe se vai ser um bom filme. É uma aposta no futuro. “Abismo” foi um filme que acabou compensando esse trabalho: foi selecionado para o Festival de Cinema de Gramado e ganhamos um prêmio. Ele ainda está no início da jornada, tem um ano inteiro pela frente para festivais, mas o esforço já valeu a pena”, conta.  

 

 

Além e acreditar na ideia, cultivar o desejo pela realização audiovisual e apostar tudo na produção de um novo filme – apostar, inclusive, o salário inteiro nisso – o realizador precisa de uma equipe que acredite, tanto quanto ele, no trabalho. E disso Lucas sabe bem. “Quando um realizador faz um filme independente, as pessoas não estão recebendo, elas ajudam porque elas têm um carinho por você porque é um projeto que elas apostam também”, conta.

 

“Não é uma coisa que muda a minha vida (o festival) radicalmente, mas que é uma alegria estar participando disso, você vê que está no caminho certo. Vamos continuar tendo todo esse estresse, nos preocupando com essas questões. A persistência acaba fazendo isso valer a pena.”

 

Subir no palco de um dos principais festivais de cinema do país, ainda mais para buscar uma premiação, foi um momento único. “É algo que é extremamente gratificante, mas é cansativo e estressante também. Eu torcia muito para que fosse para Gramado, mas não contava muito com isso, porque os filmes lá são muito bons, com dinheiro e grandes atores. E a gente chegou lá e conquistamos um prêmio”, lembra. 

 

 

Apesar do roteiro parecer, realmente, de cinema, a história não termina no Palácio dos Festivais e Gramado, cidade conhecida pelos encantamentos do Natal, foi mais uma cena na vida do realizador. “Cinema é minha vida, então o meu desejo é ser um realizador profissional. Já estou entrando nesse universo da produção audiovisual, concorrendo com grandes profissionais da área, meu desejo é continuar nesse universo crescendo cada vez mais. Eu espero que eu consiga seguir essa linha crescente trabalhando com o que eu realmente amo fazer”, conta Lucas.  

 

Lucas Reis e Guilherme Cassio, responsável pela edição de som

Equipe completa:  Wagner Costa, Laura Hickmann, Caroline Genro, Luiz Gonzalez, Jéssica da Silva Alves, Renata Rezende, Nicole Persé, Guilherme Cássio, Gabi Kopp, João Henrique Mattos, Augusto Cruz, Eduardo Reis, Diovany Coutt, Sérgio Albeche, Felipe Oliveira dos Santos, Mayra Silva 

 

“Eu gostaria de fazer um agradecimento especial a todas as pessoas que tornaram esse filme possível e dizer o meu mais sincero muito obrigado, mesmo, porque foi uma experiência maravilhosa para mim e que eu gosto muito de todos vocês.”

 

O filme ainda não está disponível por estar circulando por festivais, mas o trailer pode ser visto aqui: 

https://vimeo.com/282756014

FICHA TÉCNICA
Direção e Roteiro: Lucas Reis
Elenco: Laura Hickmann, Caroline Genro e Luiz Gonzalez
Direção de Fotografia: Wagner Costa
Montagem e Edição: Lucas Reis
Produção Executiva: Lucas Reis e Wagner Costa
Produção: Nicole Persé
Assistente de Direção: Renata Rezende
Assistente de Camera: Eduardo Reis
Assistente de Set: Diovany Coutt, Sérgio Albeche e Felipe Oliveira dos Santos
Making Off: Mayra Silva
Direção de Arte e Figurino: Gabriela Kopp
Som Direto: Augusto Cruz e João Henrique Mattos
Edição de som e Mixagem: Guilherme Cássio

 

 

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