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Arquivos Fake News - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/fake-news/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Wed, 23 Oct 2019 17:37:17 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 Navegando em um mar de notícias falsas https://mescla.cc/2019/10/23/navegando-em-um-mar-de-noticias-falsas/ https://mescla.cc/2019/10/23/navegando-em-um-mar-de-noticias-falsas/#respond Wed, 23 Oct 2019 17:36:15 +0000 http://mescla.cc/?p=11914 Na noite desta segunda-feira, 21 de outubro, nomes do Jornalismo e do Direito  se reuniram para discutir as várias facetas das notícias falsas. A mediação foi do professor de jornalismo Felipe Boff. Dentre os palestrantes, a pesquisadora Christa Berger, o jornalista e professor Juremir Machado, o ativista digital Lucio Uberdan, e o professor do curso […]

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Na noite desta segunda-feira, 21 de outubro, nomes do Jornalismo e do Direito  se reuniram para discutir as várias facetas das notícias falsas. A mediação foi do professor de jornalismo Felipe Boff. Dentre os palestrantes, a pesquisadora Christa Berger, o jornalista e professor Juremir Machado, o ativista digital Lucio Uberdan, e o professor do curso de Direito, Guilherme Azevedo. Clique aqui para saber mais sobre os convidados.

Os debatedores trouxeram análises e visões diversas sobre o tema, aprofundando a discussão com o auditório que, além de alunos, recebeu a comunidade. Um dos pontos de acordo entre os convidados foi que as fake news não são um fenômeno simples.

Christa Berger, Juremir Machado, Guilherme Azevedo, Felipe Boff e Lucio Uberdan. Diferentes pontos de vista que enriqueceram o evento. (Foto: Marcus Perez)

Para a doutora em Comunicação e ex-pesquisadora da Unisinos e da UFRGS, Christa Berger, deveríamos começar a questionar até mesmo o termo “fake news”. Afinal, para ela, notícias já partem de fatos, então é errado considerar que um boato seja uma notícia. Mas para além da análise do termo, a pesquisadora ainda critica a participação indireta dos meios para a disseminação das notícias falsas. “A grande imprensa preparou o terreno para as notícias falsas das redes sociais,   fazendo o trabalho sujo de suprimir do noticiário o que foi a ditadura militar, boicotando a comissão da verdade, reivindicando anistia para os dois lados, despolitizando o discurso político, criminalizando os movimentos sociais, transformando em heróis promotores e juízes da Lava Jato, associando a corrupção diretamente ao PT.”

Christa Berger fez um retrospecto da cobertura e participação dos grandes veículos de imprensa até a eleição  do governo de Bolsonaro, pontuando momentos de deslize que favoreceram sua ascensão. “A ausência de rigor ligado ao voto de Bolsonaro mostra a convivência da grande imprensa com a ditadura, com a tortura.”, lembrou ela, referente ao voto do atual presidente sobre o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Na ocasião, o atual presidente dedicou seu voto ao coronel Ustra, declarado torturador do período militar. 

Para o articulista Juremir Machado, o trabalho do jornalista é avançar por múltiplas resistências. “Eu parabenizo todos aqueles que fazem jornalismo de resistência, os sites que fazem o que pode ser chamado de jornalismo alternativo. Mas eu também valorizo o que chamo de ‘teoria da trincheira’, que é um jornalismo feito de dentro da velha e tradicional mídia que ainda tem grande impacto na sociedade e que precisa ser feito”, comentou Juremir. O apresentador do programa Esfera Pública, da rádio Guaíba, lembra ainda que mesmo de dentro de empresas tradicionais, o jornalismo encontra maneiras de se posicionar. Com seu jeito bem humorado, também fez ligações entre acontecimentos recentes do governo Bolsonaro envolvendo disseminação de fake news, ou ainda, com omissão de informações. “Daqui a pouquinho, nós saberemos o que o presidente falou com os ministros. Tudo vaza. Porque tem sempre um jornalista em algum lugar para apurar e divulgar.” 

Lucio Uberdan foi o terceiro palestrante e trouxe, pela sua experiência com a Bateia Mineração de Dados, um levantamento de como e por quais meios as fake news se proliferam. Segundo ele, as fake news hoje estão mais perto de uma conspiração política global do que mera propaganda política. “O extremismo é um projeto global”, explicou Uberdan, que é também ativista digital e palestrante sobre o tema. “Nenhuma eleição é ‘local’. Toda eleição passa por um banco de dados que é global, inclusive as eleições municipais.”

Ligado a isso, o ativista trouxe um exemplo sobre como a tecnologia é invasiva e facilita a disseminação de fake news. Assim como há softwares para reconhece a emoção do usuário através do rosto e projetar conteúdos que melhorem seu humor, há os que mapeam perfil de eleitores indecisos e entregam conteúdos falsos personalizados para convencê-los. Foi o que ocorreu nas últimas eleições.

E por fim, um dos coordenadores do Direito de São Leopoldo, Guilherme Azevedo, trouxe a visão legal acerca das implicações de notícias falsas e punições. “O fenômeno da comunicação depende não só do que é transmitido, mas do que acontece quando alguém recebe a mensagem. Isso muda tudo. O Direito, para regular, precisa entender uma série de coisas, por exemplo, a autoria. Quem é o autor? Quem deve ser responsável pelo processo de fake news? Quem produz? Quem encomenda? Quem compartilha? Ou pior, quem acredita nela?”, discutiu o pesquisador, levantando o questionamento sobre o papel da educação midiática. Escapando das penalidades previstas em lei, que quanto mais duras menos são apoiadas por juristas, as escolhas mais simples são as mais eficazes, como a checagem dos fatos. Mas Guilherme também lembra que o chamado “direito de resposta”, a retratação das informações errôneas, não alcançam a mesma quantidade de pessoas que chamadas absurdas de mentiras.

O fato de mais questões terem sido levantadas do que respondidas foi uma das características elogiadas pelos participantes que estavam na platéia. O debate trouxe à tona diversas discussões. Você pode conferir evento clicando aqui. Acompanhe e veja na íntegra as discussões.

A proposta do evento reuniu alunos dos cursos de Direito e Jornalismo, professores e participantes de causas ligadas à democracia. (Foto: Marcus Perez)

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Fake news é tema de debate na Unisinos https://mescla.cc/2019/10/17/fake-news-e-tema-de-debate-na-unisinos/ https://mescla.cc/2019/10/17/fake-news-e-tema-de-debate-na-unisinos/#respond Thu, 17 Oct 2019 20:29:45 +0000 http://mescla.cc/?p=11840 Ocorrerá na próxima segunda-feira, dia 21, na Unisinos São Leopoldo, a palestra “Fake news, eleições e democracia”. Estarão entre os palestrantes o jornalista Juremir Machado, a pesquisadora Christa Berger, o ativista digital Lucio Uberdan e o coordenador do curso de Direito da Unisinos Porto Alegre, Guilherme de Azevedo.  Conforme o professor Edelberto Behs, um dos […]

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Ocorrerá na próxima segunda-feira, dia 21, na Unisinos São Leopoldo, a palestra “Fake news, eleições e democracia”. Estarão entre os palestrantes o jornalista Juremir Machado, a pesquisadora Christa Berger, o ativista digital Lucio Uberdan e o coordenador do curso de Direito da Unisinos Porto Alegre, Guilherme de Azevedo. 

Conforme o professor Edelberto Behs, um dos coordenadores do curso de Jornalismo, o evento foi uma demanda levantada pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (Sindjors). A mediação será do professor de Jornalismo Felipe Boff, mestre em Ciências da Comunicação pela Unisinos.

O evento será realizado no Auditório Bruno Hammes, às 19h30, e vale horas complementares. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo Unisinos Lab

Os palestrantes

Juremir Machado – Jornalista, pesquisador e articulista, é formado em Jornalismo e História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). É também mestre em Sociologia pela Université Paris Descartes e doutor em Sociologia pela Université Paris V René Descartes. Tradutor, romancista e cronista, já publicou 30 livros, como “1930, águas da revolução” (Editora Record, 2010) e “Vozes da Legalidade, política e imaginário na era do rádio” (Editora Sulina, 2011).

Christa Berger – A pesquisadora é formada em Jornalismo pela PUCRS, mestre em Ciência Política pela Universidade Nacional Autônoma de Mexico (UNAM) e doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (ECA/USP). Estagiou no pós-doutorado em Teorias do Jornalismo na Universidade Autônoma de Barcelona (UAB). É professora de Teorias da Comunicação e disciplinas de jornalismo na graduação e pós-graduação da Unisinos. Publicou o livro “Campos em confronto: a terra e o texto” (Editora UFRGS, 1998), organizou o livro “Jornalismo no cinema” (UFRGS, 2002) e foi uma das coordenadoras dos dois volumes de “A era glacial do jornalismo: teorias sociais da imprensa” (Editora Sulina, 2006).

Lucio Uberdan – Ativista digital, é analista de dados de internet e comunicação, participante ativo de inúmeros eventos sobre comunicação e internet e diretor da Bateia Mineração de Dados. A Bateia é uma empresa focada em inteligência para presença de marca na internet, com consultoria de posicionamento político, mineração de dados e capacitação de equipes.

Guilherme de Azevedo – Coordenador e professor do curso de Direito da Unisinos Porto Alegre, é mestre e doutor em Direito Público pelo Programa de Pós-graduação da Unisinos. Também é sócio-fundador e integrante da presidência da Associação Brasileira de Pesquisadores em Sociologia do Direito (ABraSD). Desenvolve pesquisas na área da teoria e sociologia do direito.

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Redes sociais viram local de ativismo político https://mescla.cc/2018/10/18/redes-sociais-viram-local-de-ativismo-politico/ https://mescla.cc/2018/10/18/redes-sociais-viram-local-de-ativismo-politico/#respond Thu, 18 Oct 2018 18:03:52 +0000 http://mescla.cc/?p=8241 Patriotismo e fascismo. As palavras não são inversas, tampouco carregam significado em comum, mas o binarismo exposto nos sites de redes sociais parece obrigar as pessoas a escolherem um deles. Desde antes das eleições, o segundo turno vem sendo desenhado por opostos, onde Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) pareciam ser as únicas alternativas para […]

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Patriotismo e fascismo. As palavras não são inversas, tampouco carregam significado em comum, mas o binarismo exposto nos sites de redes sociais parece obrigar as pessoas a escolherem um deles. Desde antes das eleições, o segundo turno vem sendo desenhado por opostos, onde Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) pareciam ser as únicas alternativas para o posto de próximo presidente do Brasil. De fato, foram eles os eleitos para o segundo turno eleitoral, mas os meios digitais profetizavam isso há tempos.  

No dia 29 de setembro, uma semana antes do dia da votação, milhares de pessoas saíram às ruas em um movimento organizado na internet. A hashtag #elenão esteve no trending topics do Twitter por dias seguidos, e o resultado nas ruas não deixou a desejar ao comparar-se com o ativismo em rede. No lado oposto, uma multidão de usuários enchia as redes com a hashtag contrária, a #elesim. De um lado, pessoas que afirmavam escolher qualquer um para o cargo máximo do executivo nacional: menos ele. Do outro, fãs do candidato que rejeitam as demais candidaturas afirmando que ele seria o eleito, sim.  

Com um sistema binário desenhado no país, os demais 11 candidatos disputavam a atenção do restante do eleitorado. O grupo “Mulheres Unidas contra Bolsonaro”, hospedado no Facebook, reúne pouco mais de 3,8 milhões de membros mulheres. A mobilização partiu de um grupo que repudiava as declarações preconceituosas feitas pelo candidato. Além do grupo, diversas comunidades levantaram-se contra a eleição de Bolsonaro, propagando ideias como hashtags e imagens com frases do tipo “fascismo não”. 

Imagem utilizada pelo grupo “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro” para organização dos atos do dia 29 | Imagem: Reprodução

Evelyn Mendes, analista e desenvolvedora de sistemas, é administradora do grupo “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro RS”, que engaja cerca de 15 mil pessoas na rede social.  Ela acredita que a rede social não é mais distinta da vida real das pessoas, que elas vivem o digital como uma extensão do seu dia.  “Todo mundo está online, mesmo sem Facebook ou Twitter, você está conectado de alguma forma”, conta. 

Ela ainda acredita que, para além das movimentações políticas em rede, o grupo, em específico o que ela administra, foi criado como uma forma de comunicação, conscientização e mobilização feminina, visando a informação e não somente o repúdio ao candidato. E, por isso, Evelyn não acredita que o movimento termine com o findar da eleição. “É muito mais do que isso, é um movimento de conscientização, que vai durar. Você consegue se conectar com as pessoas, se comunicar e isso está ajudando elas a se organizarem, seja pelo bem ou pelo mal”, explica. 

Iara Jaqueline Baldissera é estudante de Jornalismo e utiliza o Facebook para posicionar-se politicamente. Do outro lado da hashtag, ela traz seu feed de notícias recheado de vídeos, fotos e mensagens de apoio a Jair Bolsonaro, deixando claro o seu posicionamento. Ela aponta que viveu a infância em um Brasil saindo da Ditadura Militar, período em que imaginar espaços de convivência digitais era utopia. Ela vê as redes sociais como meios democráticos, onde é possível expressar-se e organizar uma mudança social.  

Acreditando que o candidato é alguém que se levanta contra o sistema, não acredita que Bolsonaro seja “tudo isso” que falam sobre ele, e que mesmo não apoiando todas as suas ideias, foi ele quem lhe devolveu um sentimento de patriotismo há tanto perdido. É por isso que utiliza o Facebook como forma de militância, buscando reverberar esse mesmo sentimento nas demais pessoas. “Como tudo, temos que ter responsabilidade, bom senso. Eu tenho na minha família pessoas que pensam muito diferente de mim, nem por isso excluí, nem por isso ofendo, nem por isso critico as postagens que fazem, que são extremamente opostas as minhas. Até agora prevaleceu a educação e o respeito”, relata. 

Imagem que circulou nos sites de redes sociais declarando apoio ao candidato Bolsonaro | Imagem: Reprodução

Quem acompanhou o assunto, sob uma perspectiva acadêmica e militante foi Christian Gonzatti, doutorando pela Unisinos, ativista relacionado a questões de gênero e LGBTQ+ e pesquisador da área. Ele explica que, historicamente, o sistema ocidental é binário, trazendo sempre a ideia de opostos: homem e mulher, masculino e feminino, razão e emoção, #elesim e #elenão. Para o pesquisador, esse binarismo causa nas pessoas uma dificuldade de complexificar dados. 

“As pessoas começaram a ler tudo como uma disputa de divas pop, ou de uma partida de futebol, quando na verdade o que está em jogo é um projeto de civilização. E o triste é que são esses dois extremos que vão ser reverberados na rede, que vão gerar uma série de disputas de sentido”, conta. Christian ainda traz a ideia de que neste contexto eleitoral o candidato Bolsonaro é visto como um salvador caso o Partido dos Trabalhadores retorne ao poder. Do outro lado, encabeçando os movimentos do #elenão, existe a luta pela não legitimação de um discurso preconceituoso do candidato do PSL.

 

Ciberacontecimento 

Os movimentos políticos surgidos a partir do #elenão podem ser configuradas como um ciberacontecimento, que são acontecimentos que emergem na sociedade a partir do uso dos sites de redes sociais. Christian explica que a partir da utilização de hashtags, os grupos se organizam em diferentes plataformas e passam a articular rede e rua. 

Christian vivenciou sua pesquisa em uma das manifestações, quando exibiu um cartaz relacionando um dos candidatos a Voldemort, personagem icônico da saga Harry Potter, e acabou sendo amplamente compartilhado nas redes. “Está totalmente implicado a rede, no sentido em que eu já conhecia o cartaz em inglês, de uma manifestação relacionada ao Trump (presidente americano) muito parecida, então eu faço uma releitura dele no nosso contexto através da rede e levo ele para a manifestação. Da manifestação, ele retorna a rede”, conta.  

Christian Gonzatti participando da manifestação #elenão Imagem: Arquivo Pessoal

Houve também uma pressão popular para o posicionamento de artistas e celebridades quanto ao uso de hashtags apoiando, ou não, o movimento inicial. A cantora pop Anitta foi um dos alvos dessas reivindicações. O pesquisador entende que a cobrança por parte do público se dá devido a potência que estas pessoas têm de pautar as discussões da sociedade. Algo muito parecido também foi experimentado pelo, na época candidato, Donald Trump, que viu o crescimento das intenções de voto seguido de protestos e posicionamentos de artistas locais e mundiais.

 

E o jornalismo nisso tudo? 

Gonzatti é muito crítico quanto à responsabilidade que o jornalismo carrega em relação ao binarismo encontrado nas redes, e que tem pautado estas eleições. Para o pesquisador, existe uma problemática muito grande quanto as instituições jornalísticas não conseguirem problematizar e complexificar o cenário atual, o que acaba por reforçar a existência de somente dois lados: o #elesim e o #elenão.  

“É mais uma vez esse jornalismo sendo potencializador desse cenário violento, por essas noções de imparcialidades, por essas noções de que o jornalista precisa só ouvir os dois lados sem complexificar os acontecimentos, que vai narrar a os fatos em uma dimensão muito rasa, sendo conivente com esse cenário binário”, explica Gonzatti.  

O jornalismo vem sendo frequentemente deslegitimado enquanto instituição. Não é incomum ver portais de notícias, ligados a grandes veículos de comunicação, sendo acusados de defender um ou outro lado da disputa. Para o pesquisador, o jornalismo se encontra em meio a uma crise, explicitada neste processo eleitoral e que o momento é de repensar o papel social das instituições jornalísticas.

 

As incansáveis Fake News 

Imagem: Reprodução/Unsplash

A Agência Lupa, que atua na checagem de fatos, apontou que as dez notícias falsas mais populares entre os leitores tiveram mais 865 mil compartilhamentos no Facebook. Entre os conteúdos compartilhados, predominam vídeos descontextualizados, imagens manipuladas e teorias da conspiração. Gonzatti trata o assunto, junto ao seu grupo de pesquisa, como “colapso informacional”.  

Estas informações falsas e manipulações são utilizadas com o intuito de deslegitimar grupos contrários. “Ocorre um colapso informacional, discussão que traz como a informação vem sendo distorcida, vem sendo esvaziada, dando espaço para essa reverberação de fake news, que, no caso do grupo (Mulheres Unidas contra Bolsonaro), tem sido utilizada para deslegitimar a mobilização”, fala.  

Na tarde de quarta-feira, 17, o Tribunal Superior Eleitoral, na figura da presidente ministra Rosa Weber, recebeu para uma reunião os representantes das campanhas de Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). O propósito do encontro era discutir a disseminação de notícias falsas e firmar um acordo para não propagação delas. Estudos preliminares já indicam que as fake news poderão influenciar nos resultados destas eleições.

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Existe mesmo fake news? https://mescla.cc/2018/08/29/existe-mesmo-fake-news/ https://mescla.cc/2018/08/29/existe-mesmo-fake-news/#respond Wed, 29 Aug 2018 19:58:02 +0000 http://mescla.cc/?p=7444 Texto: Eduarda Bitencourt e Giulia Godoy “Toda vez que me chamam para falar de fake news, eu caminho na contramão desse tema e da relevância a ele atribuída”. Foi assim que o jornalista Ricardo Boechat iniciou sua fala na manhã de quinta-feira, dia 23 de agosto, durante a 37ª Expoagas. Para um público atento, o […]

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Texto: Eduarda Bitencourt e Giulia Godoy

“Toda vez que me chamam para falar de fake news, eu caminho na contramão desse tema e da relevância a ele atribuída”. Foi assim que o jornalista Ricardo Boechat iniciou sua fala na manhã de quinta-feira, dia 23 de agosto, durante a 37ª Expoagas. Para um público atento, o apresentador mostrou como o fenômeno das notícias falsas pode ser, muitas vezes, fruto de uma sequência de acontecimentos históricos.

Antes de começar, o jornalista questionou o porquê de tratar notícias falsas com um nome estrangeiro. “Por que fake news e não notícias falsas?”, perguntou. Para Boechat, tudo é uma questão de poder. “Antes, quem ditava as regras eram os gregos, depois os romanos e, hoje, os americanos. É o império do momento, no campo cultural, econômico, militar, no comportamento: é o que mais exporta trejeitos, falas. Por que que nós estamos chamando isso de fake news e não do nome equivalente em grego? Porque a Grécia se foi, os Estados Unidos não”, explicou.

Foto: Gabriel A. Ost

Para debater sobre o tema, Ricardo Boechat apresentou situações de um passado não muito distante, no qual regimes ditatoriais foram construídos sob países que se deixaram enganar. Ele afirmou que a notícia falsa pode ser explicada por apenas uma palavra: mentira. “A mentira ao longo da história já produziu flagelos monumentais, sempre associada ao poder. A escravidão, a qual eu já me referi, durou três séculos e tinha como base a economia global, a mentira de que o negro não era humano”, citou como exemplo.

Ao longo do discurso, Boechat expôs mentiras históricas prejudicais a humanidade. Nazismo, escravidão, ditaduras e Ku Klux Klan foram analisados pelo jornalista como mentiras universais aceitas por grupos de pessoas com grandes consequências. “Não há uma mentira maior do que aquela que distingue um homem e uma mulher de outro homem e outra mulher em função de sua raça. Distingue seus direitos, distingue a qualidade da sua vida, o seu direito ao amor, seu direito à procriação, guarda dos filhos, a soberania sob si mesmo, a qualidade de vida, o sofrimento pelo qual vai passar, o direito ao próprio corpo”, afirmou.

A mentira também é a base dos regimes autoritários, segundo o jornalista. “Por que todo o regime autoritário precisa da censura? Porque a censura preserva a versão única. O que é a mentira se não uma versão única que se impunha as demais e, portanto, vence a disputa do conflito, da discussão e do debate?”, instigou o público.

Foto: Natan Cauduro

Saindo dos acontecimentos históricos para fatos recentes, ele comentou sobre eventos como Brexit e a eleição de Donald Trump. Para o jornalista, nenhum desses acontecimentos foi fruto das fake news como a imprensa afirma, mas de uma predisposição da população.

Ao mesmo tempo que reforçava o papel da mentira no dia a dia da sociedade, também enfatizava o fato de que atualmente estamos mais preparados para nos defendermos dela. Para exemplificar, relembrou crenças antigas e como o conhecimento científico era escasso e até mesmo inexistente em alguns casos. “A tecnologia que propaga a mentira é a mesma que permite difundir a verdade e desmascarar essa tal mentira. Essa é a nossa maior defesa. Sete bilhões de pessoas sujeitas a receber uma mentira através das redes sociais estão conectadas as mesmas redes sociais, ou sites de jornal, ou conteúdo acadêmico que desmascaram a mentira”, prosseguiu.

Ricardo Boechat afirmou que as notícias falsas não nos põem em risco e que a arma para combatê-la está, literalmente, em nossas mãos. “Não olhe para a fake news como uma ameaça, ela não ameaça vocês. O que ameaça vocês é a sua eventual passividade, o seu eventual desinteresse em valer se de recursos que estão no alcance da sua mão para entender que aquilo que estão te contando está próximo, distante, contrário ou a favor dos fatos”, finalizou.

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Estudo reúne dados sobre comunicação estratégica https://mescla.cc/2018/05/24/estudo-reune-dados-sobre-comunicacao-estrategica/ https://mescla.cc/2018/05/24/estudo-reune-dados-sobre-comunicacao-estrategica/#respond Thu, 24 May 2018 20:53:10 +0000 http://mescla.cc/?p=6175 O Global Communication Monitor, maior estudo longitudinal sobre a profissão de Relações Públicas e gestão em comunicação estratégica do mundo quer entender, na edição de 2018-2019, como os profissionais estão lidando com o fenômeno das notícias falsas. A pesquisa considera fake news como notícias em meios de comunicação ou mídias sociais que são intencionalmente falsas […]

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O Global Communication Monitor, maior estudo longitudinal sobre a profissão de Relações Públicas e gestão em comunicação estratégica do mundo quer entender, na edição de 2018-2019, como os profissionais estão lidando com o fenômeno das notícias falsas. A pesquisa considera fake news como notícias em meios de comunicação ou mídias sociais que são intencionalmente falsas ou têm pouca factibilidade, com a intenção de enganar o público.

A pesquisa global reúne os monitores de comunicação de diversos continentes, atingindo 80 países. Nas duas edições anteriores foram mais de 4,5 mil entrevistados, o que proporcionou um acúmulo de dados de mais de 25 mil profissionais ao redor do mundo. No Brasil, o Monitor de Comunicação da América Latina é coordenado por Andréia Silveira Athaydes e tem como investigadora convidada Vanessa Hauser, ambas professoras pesquisadoras do Curso de Comunicação Ulbra.

O estudo busca construir um mapeamento da evolução da comunicação estratégica nos continentes, conhecendo as fragilidades e fortalezas dos profissionais que atuam na área. Buscando, assim, auxiliar na qualificação profissional e no fortalecimento do mercado de comunicação nos países. Os relatórios das edições passadas podem ser acessar no link.

Foto: reprodução

Em cada edição, a pesquisa é organizada em dois blocos. Um que busca compreender uma temática principal, considerada uma tendência no mercado de comunicação, como foi o caso das fake news deste ano, 3ª edição do estudo. O segundo são questões comuns a todos os anos da pesquisa, que permite observar a evolução dos países, ano a ano, sobre competências, habilidades e dificuldades dos profissionais.  

Portanto, as questões podem ser respondidas por todos os profissionais que estejam coordenando ou atuando em estruturas de comunicação. O questionário demora 15 minutos para ser preenchido e está disponível no link até o dia 30 de junho. No mesmo espaço, é possível acessar os relatórios das edições passadas, onde ficam todos os dados obtidos através dos monitores.

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Fake News é tema de curso no Instituto Ling https://mescla.cc/2018/05/10/fake-news-e-tema-de-curso-no-instituto-ling/ https://mescla.cc/2018/05/10/fake-news-e-tema-de-curso-no-instituto-ling/#respond Thu, 10 May 2018 20:18:40 +0000 http://mescla.cc/?p=5984 Você já se perguntou o porquê de algumas notícias se tornarem notícias e outras não? Ou por que existem notícias falsas? Ou como fazer para identificá-las? Para responder essas dúvidas, nos dias 16 e 23 de maio as jornalistas Thais Furtado e Tais Seibt apresentam o curso “Fake News, Redes Sociais e Jornalismo” no Instituto Ling, em Porto Alegre. A ideia é explicar o fenômeno das fake news e como elas ocorrem.  A ideia de montar o curso surgiu de uma necessidade […]

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Você já se perguntou o porquê de algumas notícias se tornarem notícias e outras não? Ou por que existem notícias falsas? Ou como fazer para identificá-las? Para responder essas dúvidas, nos dias 16 e 23 de maio as jornalistas Thais Furtado e Tais Seibt apresentam o curso “Fake News, Redes Sociais e Jornalismo” no Instituto Ling, em Porto Alegre. A ideia é explicar o fenômeno das fake news e como elas ocorrem. 

A ideia de montar o curso surgiu de uma necessidade do público que frequenta o Instituto Ling. A partir de pesquisas feitas aos frequentadores, o tema se mostrou relevante. No primeiro dia de curso, a professora Thais Furtado falará sobre as notícias. No segundo dia, Tais Seibt apresentará as fake news. A aula visa atingir qualquer pessoa que queira entender sobre o fenômeno, mas em especial jornalistas e estudantes. 

As atividades ocorrem das 19h30 às 21h30. Para comprar os ingressos, acesse o link 

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Projeto LER discute fake news https://mescla.cc/2018/05/10/projeto-ler-discute-fake-news/ https://mescla.cc/2018/05/10/projeto-ler-discute-fake-news/#respond Thu, 10 May 2018 19:44:32 +0000 http://mescla.cc/?p=5973 (Colaboração: Natan Cauduro) “Queria convidar vocês todos a ser o Sancho Pança do conteúdo da internet. Sejam capazes de identificar o gosto de couro de cabra e o cheiro de ferro do vinho que estão bebendo. Sejam capazes de acender a luzinha da desconfiança”. Foi citando “Dom Quixote” que o jornalista do Instituto Humanitas da Unisinos (IHU), Ricardo Machado fez alusão às notícias falsas na atualidade.  O projeto LER: Leitura e […]

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(Colaboração: Natan Cauduro)

“Queria convidar vocês todos a ser o Sancho Pança do conteúdo da internet. Sejam capazes de identificar o gosto de couro de cabra e o cheiro de ferro do vinho que estão bebendo. Sejam capazes de acender a luzinha da desconfiança”. Foi citando “Dom Quixote” que o jornalista do Instituto Humanitas da Unisinos (IHU), Ricardo Machado fez alusão às notícias falsas na atualidade. 

O projeto LER: Leitura e Ciência teve o primeiro fascículo ontem, dia 9 de maio, sob o tema “Letramento para as redes sociais”, e contou com uma plateia de mais de 80 professores de escolas do Ensino Fundamental do Vale do Rio dos Sinos. Pela segunda vez, o IHU esteve presente nos encontros. Além do Instituto, demais profissionais da Unisinos já contribuíram nas temáticas do projeto.  

Ricardo Machado trouxe a edição 520, do mês de abril, da revista do Instituto, que trata do tema Fake News, para elucidar a discussão. A publicação traz pesquisadores de diferentes áreas, como Comunicação, Direito e Linguística, para discutir a emergência das notícias falsas.  

Fotos: Gabriel Aita Ost

Ele apresentou a revista como uma mediadora de discussões e não como um meio de encontrar respostas sobre o tema. “A gente não traz nenhuma resposta aqui, mas a gente traz um monte de questões que nos ajudam a pensar”. Machado disse ter optado por trazer o ponto de vista dos pesquisadores, por acreditar que eles tenham mais a acrescentar sobre o tema. 

O jornalista aproximou a problemática do cotidiano dos professores presentes, dando exemplos de como as notícias falsas circulam nas redes. “As fake news expressam uma nova ética, e essa ética não foi construída por nenhuma instituição, senão por nós mesmos. A gente faz circular informação falsa. Os cidadãos são as pessoas críticas da sociedade que fazem circular essas informações, que são manipuladas e têm um fim político muito específico”.  

Machado também fez um alerta sobre o modo como a sociedade entende o fenômeno das notícias falsas. “Parem de chamar as fake news de fake news. Elas são algo muito pior do que isso. É manipulação de dados”. O jornalista ressaltou que essa manipulação não possui lado. Está tanto na política de direita quanto na de esquerda.  

“Nós, como cidadãos, temos que ter uma postura radicalmente crítica. Se a gente não desconfiar das informações, a gente facilmente vai se deixar levar por aquilo que é falso”. O jornalista ainda trouxe um exemplo que, em suas palavras, resume os brasileiros da melhor forma: “Sejamos este misto de Macunaíma (herói conhecido pelo seu jeito malandro e sagaz) com Sancho Pança para enfrentar este problema das fake news. 

“Nunca houve tanta informação” 

O doutor em Ciência Política Dr. Sérgio Amadeu concedeu entrevista para a revista do IHU, na edição 520, na qual afirma temer que os governos tentem instituir um “ministério da verdade”, lembrando um paralelo ideológico de funções com o Ministério da Verdade do escritor George Orwel, no livro 1984. 

“O importante é que começássemos a construir valores baseados na liberdade e na diversidade. O mundo sem diversidade é pobre e autoritário. Esses valores temos que tentar construir de diuturnamente nas redes, no cotidiano, nas famílias, nas escolas e onde estivermos”, disse Amadeu para a publicação. 

Na mesma edição da revista, o professor Dr. Antônio Fausto Neto trouxe a ideia de que realizar uma simples checagem dos fatos não é suficiente para sanar o problema das fake news. Para o entrevistado, nunca houve tanto acesso à informação de forma tão plural e horizontal como agora e nunca, no entanto, a população esteve tão desinformada.  

Machado completou questionando: “De certa maneira, isto expressa um dos limites do meu campo de trabalho, que é o jornalismo, no sentido de que talvez não estejamos fazendo a mediação da maneira correta. E a questão é: não estamos fazendo por incompetência ou por uma questão editorial?”. 

Letramento para as redes sociais 

A coordenadora do Projeto LER, Profª. Drª. Maria Eduarda Giering, explicou que o tema do encontro teve inspiração direta em dois projetos da universidade. O primeiro, Comunicação em Debate, ocorreu ano passado e trouxe o jornalista e doutor em Ciências Políticas Leonardo Sakamoto. Na ocasião, ele introduziu na palestra “O que aprendi sendo xingado na Internet” a ideia de realizar uma alfabetização para as mídias.  

Maria conta que o Projeto Nuvem – Núcleo Universitário de Educação para as Mídias – também impulsionou a discussão. “Quando o núcleo pensou e se organizou, a partir também da ideia de fake news, eu disse ‘bom, a gente pode de alguma forma contribuir, dentro do LER, porque nós temos um outro público, que é o dos professores do Ensino Básico'”. 

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E se no final do universo tivesse um banheiro químico? https://mescla.cc/2018/03/26/e-se-no-final-do-universo-tivesse-um-banheiro-quimico/ https://mescla.cc/2018/03/26/e-se-no-final-do-universo-tivesse-um-banheiro-quimico/#respond Mon, 26 Mar 2018 20:18:37 +0000 http://mescla.cc/?p=5100 Texto: Giulia Godoy e Kellen Dalbosco Conhecido pela forma de abordagem despojada e pela maneira inovadora de pensar, o jornalista e escritor Leo Felipe apresentou na manhã de quinta-feira (22), durante o TEDx Porto Alegre, a palestra “No fim do mundo tinha um banheiro químico: pós-verdade e milenarismo 2.0”.   “Imaginem se de repente fosse divulgada a descoberta de um artefato em um ponto muito distante […]

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Texto: Giulia Godoy e Kellen Dalbosco

Conhecido pela forma de abordagem despojada e pela maneira inovadora de pensar, o jornalista e escritor Leo Felipe apresentou na manhã de quinta-feira (22), durante o TEDx Porto Alegre, a palestra “No fim do mundo tinha um banheiro químico: pós-verdade e milenarismo 2.0”.  

“Imaginem se de repente fosse divulgada a descoberta de um artefato em um ponto muito distante do Universo. Vamos imaginar que o artefato fosse um banheiro químico”. Leo utilizou o objeto como uma metáfora para analisar o milenarismo e a pós-verdade, e instigou o público a pensar “quais poderiam ser as consequências da divulgação de uma descoberta como esta?”.  

Ele imaginou a divulgação incessante da notícia, os compartilhamentos nas redes sociais ao redor do planeta e milhares de memes com a descoberta. O jornalista chegou a ironizar a “banheiroquimização da cultura”, onde ele imagina objetos como chaveiros e brinquedos da forma de um banheiro químico.   

“Uma infinidade de produtos seria criada, reproduzindo a forma, a cor e por que não, talvez até o conteúdo do banheiro”, brincou com o que chamou de “a nova era do banheiro químico”.  

 

Foto: Rodrigo W. Blum

Durante a fala, Leo Felipe usou a descoberta do banheiro para se referir à especulação da vida fora da terra e ao impacto que uma descoberta traria para a sociedade. “Uma probabilidade é que a descoberta astronômica sinalizasse a existência de vida inteligente extraterrena, já que, a princípio, seria impossível para o ser humano ter enviado a coisa tão distante”, presumiu.  

Qualquer semelhança com a realidade não foi mera coincidência. Leo Felipe especulou como tal descoberta desconstruiria a percepção do homem quanto ao seu lugar no universo e até mesmo na sociedade. Ele introduziu ideias milenaristas a sua fala, trazendo ideias de como os simpatizantes pensam e agem, e como o fizeram ao longo da história. A descoberta de tão absurdo artefato faria então surgir um milenarismo 2.0.  

“Agora imaginem se de repente começasse a circular uma nova notícia: ‘a descoberta do banheiro químico no final do universo não passava de uma pós-verdade’, o banheiro jamais existiu”. Ao trazer o conceito de pós-verdade, o jornalista também faz uma relação com as fake news e uma associação ao modo como questões longe da realidade em que vivemos se espalham com facilidade.  Ao questionar sobre o porquê das dúvidas sobre a possível existência de vida inteligente em outros planetas, o jornalista encerrou dizendo que “a vida inteligente tende a sua própria destruição”. 

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Projeto Nuvem é apresentado à comunidade acadêmica https://mescla.cc/2018/03/20/projeto-nuvem-e-apresentado-comunidade-academica/ https://mescla.cc/2018/03/20/projeto-nuvem-e-apresentado-comunidade-academica/#respond Tue, 20 Mar 2018 21:08:08 +0000 http://mescla.cc/?p=5005 Texto: Kellen Dalbosco e Natan Cauduro O Núcleo Universitário de Educação para as Mídias, carinhosamente chamado de Nuvem, deu seu primeiro passo ontem à noite (19) no Teatro Unisinos Porto Alegre. Com a plateia lotada de estudantes, os painelistas Drª Anna Christina Bentes (Unicamp), Dr. Ricardo Campos (Universidade de Frankfurt), Dr. Pe. Pedro Gilberto Gomes (Unisinos) e o jornalista Luis Nassif apontaram diferentes abordagens para temas como fake news, […]

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Texto: Kellen Dalbosco e Natan Cauduro

O Núcleo Universitário de Educação para as Mídias, carinhosamente chamado de Nuvem, deu seu primeiro passo ontem à noite (19) no Teatro Unisinos Porto Alegre. Com a plateia lotada de estudantes, os painelistas Drª Anna Christina Bentes (Unicamp), Dr. Ricardo Campos (Universidade de Frankfurt), Dr. Pe. Pedro Gilberto Gomes (Unisinos) e o jornalista Luis Nassif apontaram diferentes abordagens para temas como fake news, uso das redes sociais, desinformação e cidadania. O projeto propõe uma educação para as mídias por meio de palestras, cursos de extensão, debates e programas de formação. O Prof. Dr. Guilherme de Azevedo, do curso de Direito da Unisinos, fez a mediação das falas dos debatedores.  

Com uma fala curta, Dr. Pe. Pedro Gilberto Gomes, vice-reitor da Unisinos, louvou o projeto e seus idealizadores, que formaram um grupo de professores e pesquisadores das escolas do Direito, Educação, Comunicação e Design. Ele explicou que o projeto busca colocar em discussão uma realidade que está mudando o modo de ser no mundo das pessoas e, portanto, precisa de próprios e novos paradigmas para ser analisada.  “Quando a universidade monta e apoia um como este, ela diz: ‘tem algo grande acontecendo aqui'”, afirmou. Ele sustentou a ideia de que o grande desafiou apresentado é compreender esta nova ambiência, onde as pessoas não têm nenhum compromisso com a verdade e aprender com ela.  

Foto: Kellen Dalbosco

Drª Anna Christina Bentes, do Departamento de Linguística do Instituto de Estudos da linguagem da Unicamp, trouxe tópicos de reflexão e exemplos de colegas que exemplificam as relações entre linguística e redes sociais, além de conceitos e ideias do que se chama de texto.  “Os aspectos práticos das redes dependem fundamentalmente da produção, circulação e recepção ativa de textos. No caso do Facebook, uma das práticas mais presentes, está relacionada ao que Manuel Cassius denomina autocomunicação, que seria a capacidade de cada ator social fazer as vezes de uma fonte de informação”   

Ao encaminhar-se para o final de sua frase, ela abordou o caso da vereadora Marielle Franco, executada na última semana e as diferentes narrativas e discursos formados em torno do fato. Para ela, o caso exemplificou o funcionamento linguístico textual e discursivo das práticas de linguagem em rede. No seu ponto de vista, as redes sociais funcionam de forma massiva a partir de práticas comunicativas bem recorrentes, como denúncia e polemização.  

Foto: Kellen Dalbosco

O professor Dr. Ricardo Resende Campos, assistente de docência na cátedra de direito público e teoria do direito da faculdade alemã Goethe Universität, comentou alguns dos problemas enfrentados pelo direito no combate às fake news. No Brasil, segundo ele, existem sete projetos na Câmara dos Deputados que tentam controlar essa questão. Quatro destes, em que ele teve acesso, são “horríveis”, palavra usada por ele, pois não produzem o efeito de regulamentação, e sim menções a censura. Nesse contexto, ele questiona como a jurisdição do país legisla, verifica e pune a difusão da desinformação.  

“Onde fica o direito de resposta?” O professor comenta que em tempos de mídia tradicional sem a presença de redes sociais, era concedido ao cidadão o direito de resposta, caso uma notícia, considerada por ele como falsa, fosse divulgada. Com a internet, e consecutivamente as redes sociais, as fake news ganham muita força de alcance. Uma mentira publicada, mesmo que futuramente desmascarada, pode causar danos irreversíveis. 

“O meio cria uma nova demanda”, afirma. Campos também traz para o debate essa reflexão. O advento da internet modifica a forma como compreendemos a demanda por informação. A possibilidade de anonimato aumenta as chances de conteúdo calunioso. “Talvez fake news seja só um produto”, produto esse que se liga diretamente ao fator visualização. A necessidade de acessos comercializa a informação. “Dado não é mercadoria”. 

Foto: Kellen Dalbosco

Fake news e a distribuição do ódio 

 O jornalista Luís Nassif, no jornalismo desde os 13 anos de idade, criou e trabalha no GGN, “o jornal de todos os brasis”. Fake news, na visão de Nassif, são uma tentativa de separação. Incentivam o ódio e causam a manipulação. Mesmo o tema sendo visto com amplitude na internet, ele vem da velha mídia, forma usada pelo jornalista para representar o jornal impresso, rádio e televisão. Repleto de dados históricos, Nassif coloca a eleição americana de 1876 entre o republicano Rutherford B. Hayes e o democrata Samuel J. Tilden como a primeira fraude eleitoral. Uma interferência causada, em parte, pelo editor do The New York Times. 

Mesmo colocando a internet como nova mídia para disseminar informação, Nassif afirma que os principais sites responsáveis pela tarefa pertencem a grandes veículos de comunicação. O jornalista faz a reflexão de que esses grandes meios têm parcela de culpa na disseminação das fake news. Mesmo assim, há uma tentativa da velha mídia de se colocar como fonte de razão, fonte confiável em que a informação é mais bem apurada. A internet, principalmente redes sociais, são postas como o inimigo, o lugar em que a desinformação perpetua. 

Foto: Kellen Dalbosco

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