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Arquivos entrevista - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/entrevista/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Tue, 22 Nov 2022 18:32:49 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 Economia nacional e estadual foram temas do primeiro Beta Entrevista https://mescla.cc/2022/11/22/economia-nacional-e-estadual-foram-temas-do-primeiro-beta-entrevista/ https://mescla.cc/2022/11/22/economia-nacional-e-estadual-foram-temas-do-primeiro-beta-entrevista/#respond Tue, 22 Nov 2022 18:32:46 +0000 http://mescla.cc/?p=17340 * Por Douglas Glier Schütz e Nadine Dilkin /BetaEconomia especial para o Mescla Passado o período eleitoral e iniciadas as transições de governo, os projetos econômicos ganham maior atenção. Para debater o tema, a Beta Redação Economia, atividade acadêmica do curso de Jornalismo da Unisinos, promoveu a primeira edição do programa Beta Entrevista na última quarta-feira, 9 de novembro. […]

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* Por Douglas Glier Schütz e Nadine Dilkin /BetaEconomia especial para o Mescla


Passado o período eleitoral e iniciadas as transições de governo, os projetos econômicos ganham maior atenção. Para debater o tema, a Beta Redação Economia, atividade acadêmica do curso de Jornalismo da Unisinos, promoveu a primeira edição do programa Beta Entrevista na última quarta-feira, 9 de novembro.


Transmitido pelo canal da Beta Redação no YouTube, o programa entrevistou o doutor e professor de Economia da Unisinos, Marcos Lélis. A entrevista abordou os principais temas que serão pauta em 2023, como agronegócio, emprego, renda, turismo, cultura e crescimento econômico.


O programa marcou a retomada das atividades presenciais de estúdio do curso de Jornalismo. Apesar das práticas de outras disciplinas já estarem acontecendo, o Beta Entrevista marca uma nova fase das produções que podem ser feitas dentro das cadeiras específicas do curso, como Beta Política, Esporte, Cultura e Geral.


A realização contou com a produção dos alunos dos campi de São Leopoldo e Porto Alegre. A conversa foi comandada pelas alunas Amanda Bernardo e Patrícia Wisnieski e pelos alunos Gabriel Ferri e Matheus Lima.




Professora Luciana Kraemer e professor Daniel Pedroso comandam a atividade acadêmica de Beta Economia que colocou o programa no ar (Foto: Beta Redação)




O futuro do Brasil e do Rio Grande do Sul

A conversa iniciou com as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto do país em 2023, que deve ficar em torno de 0,70%. De acordo com o professor Marcos, mesmo sendo pequeno, este dado de 1% está ancorado nos acontecimentos de 2022. “A partir do meio do ano nós tivemos um conjunto de políticas de transferência de renda que ajudou o crescimento de 2022”, explica.


Segundo o economista, o primeiro entrave para o próximo ano é o problema da infraestrutura econômica no Brasil. Ele explica que os gastos nesta área, com estradas, portos e aeroportos, em 2021, fecharam no mesmo patamar de 2007. No ano passado foram gastos R$ 6,7 bilhões com infraestrutura, 0.18% dos gastos públicos. Ou seja, houve evolução da economia, porém o investimento em infraestrutura não teve esta atenção.


Outro ponto destacado foi o aprofundamento da desigualdade de renda, que vem acontecendo desde 2016, explica Marcos. Para o professor, será necessário pensar uma forma de fazer as pessoas de baixa renda terem um maior poder econômico. Ele acredita que com a manutenção do Auxílio Emergencial, conforme foi sinalizado pela equipe de transição do novo presidente eleito, será possível um crescimento maior que os 0,70%.


RS segue dependente do PIB agrícola

Em relação ao Rio Grande do Sul, que teve crescimento de 10,4% em 2021 e queda de 8,4% no primeiro semestre de 2022, Marcos Lélis explica que o estado sofreu com as questões climáticas. “Nessa primeira metade do ano, sofremos o efeito do PIB agrícola. Tivemos uma quebra de safra muito forte, também por conta do conflito no Leste Europeu, que acarretou num problema de insumos e isso puxou o PIB do Rio Grande do Sul para baixo”, expõe.


Ele também explica que o PIB do RS é muito volátil. Ao mesmo tempo que cresce de forma expressiva, ele cai na mesma comparação. Essa variação se dá por conta da importância do agronegócio no Estado. “Qualquer solavanco que a gente tem de choques exógenos, como o choque climático, o PIB do Rio Grande do Sul tem essa queda junto. A mudança vem a longo prazo, precisamos diminuir a dependência do PIB agrícola pra ficar menos voltátil”, expõe.


Emprego e Renda

No primeiro semestre de 2022, o Rio Grande do Sul registrou uma taxa de informalidade de 32,8%, de acordo com o Boletim de Trabalho e Renda do Rio Grande do Sul. Para o economista, esse é um fenômeno nacional e, tirando os funcionários públicos da conta, a economia brasileira tem mais trabalhadores informais do que formais.


“A melhor forma de formalizar as pessoas é fazer a economia crescer. Quando a economia cresce o empresário se sente mais confiante, ele emprega mais pessoas, assina a carteira e mantém ela lá por algum tempo. Precisamos fazer a roda da economia voltar a girar”, aponta Marcos Lélis.


O Boletim também aponta que, entre maio de 2021 e maio de 2022 houve crescimento no vínculo de trabalho formal no estado para as mulheres. A força de trabalho feminina ocupou mais de 55% dos postos. De acordo com o economista, mesmo com estes dados, a questão das mulheres no mercado de trabalho ainda necessita de atenção.


“Pesquisas acadêmicas mostram que a mulher, com o mesmo nível de educação, com a mesma quantidade de experiência e no mesmo cargo, ganha menos que o homem. Então, são necessárias políticas ativas para que ocorra essa paridade”, explica. O professor ainda lembra que o mercado levará tempo para agir nesta questão, por isso as políticas públicas precisam acelerar este processo.


Para o economista, o setor da Cultura pode alavancar ainda mais a economia gaúcha

Segundo dados do Ministério do Turismo, o Rio Grande do Sul foi o quinto estado mais visitado do país em 2021. O setor registrou um crescimento de 104,5%, quase 20% a mais que o Brasil, que foi de 85,7%.


Marco Lélis lembra que o setor de turismo abrange toda uma cadeia logística, além dos hotéis, como aeroportos e estradas, por exemplo. O economista também explicou que esses aumentos são em comparação a um período onde o país estava passando por uma forte onda da Covid-19.


“No entanto, o governo pode facilitar a logística dos turistas. Como chegar nos aeroportos, quanto tempo vão levar para chegar aos destinos. Ainda temos que caminhar muito na questão do conforto do turista, principalmente daquele que vem de fora do país”, informa.


O Governo do Rio Grande do Sul, com o Programa Avançar na Cultura, investiu R$ 112 milhões no setor cultural em 12 meses. O Boletim de Trabalho do Rio Grande do Sul também informou que entre maio de 2021 e maio de 2022 o setor teve aumento de 14,7% na força de trabalho.


Para o professor, este setor também não está isolado. Segundo ele, não há como pensar o setor de cultura, sem pensar o setor de educação. “Precisamos pensar como a educação básica pode estar associada ao setor de cultura. As ações deveriam ser feitas juntas. Como integrar essas questões no início da vida escolar das crianças. A cultura precisa ser respirada, para isso o setor de educação tem que ser integrado”, conclui.



Você pode conferir a íntegra da entrevista aqui.




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De barriga vazia é muito difícil pensar, diz Criolo https://mescla.cc/2022/07/21/de-barriga-vazia-e-muito-dificil-pensar-diz-criolo/ https://mescla.cc/2022/07/21/de-barriga-vazia-e-muito-dificil-pensar-diz-criolo/#respond Thu, 21 Jul 2022 20:54:58 +0000 http://mescla.cc/?p=16751 Um dos grandes nomes da música brasileira hoje, Criolo criou uma estética muito própria, e fez do rap um espaço para incorporar ritmos como o samba, a MPB, o reggae, e outras pulsações melódicas. Em 2019, sua música “Boca de Lobo” foi indicada ao Grammy Latino. Músico, ator, cidadão ativo, Criolo está em Porto Alegre […]

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Um dos grandes nomes da música brasileira hoje, Criolo criou uma estética muito própria, e fez do rap um espaço para incorporar ritmos como o samba, a MPB, o reggae, e outras pulsações melódicas. Em 2019, sua música “Boca de Lobo” foi indicada ao Grammy Latino. Músico, ator, cidadão ativo, Criolo está em Porto Alegre para apresentar seu novo disco. O show será neste sábado, no Auditório Araújo Vianna.


Mas antes ele participou do episódio especial do EduVoices desta semana, podcast do Instituto para Inovação em Educação da Unisinos. O artista fala de dois temas centrais ao Instituto, que são arte e cultura como mobilização social, seja nos espaços formais como informais da educação. Criolo respondeu às questões encaminhadas pelo decano da Escola da Indústria Criativa, Gustavo Borba. O papo foi transcrito para o Mescla. Boa leitura! 



(Imagem: Reprodução / Instagram)



Gustavo Borba – Tu vens de uma família que tem como mãe uma professora. Tu poderias nos contar um pouco como os processos de educação formais e informais foram acontecendo em tua vida e te construindo enquanto pessoa?


Criolo – Começamos muito cedo em casa. Minha mãe é autodidata, ela foi se virando sozinha. Meu avô a alfabetizou quando ela tinha 5 anos de idade. Houve um início de alfabetização e logo ele veio a falecer. Então ela pegou esse gosto pela palavra. Nasceu em uma família muito simples, muito humilde, da cidade de Fortaleza, no Ceará, em 1955. Ele tinha um pequeno curtume e, naquela época, tudo se embalava em papel jornal, e no açougue da mesma forma. Como ela era alfabetizada com o jornal que embrulhava a carne, toda a vez que ela voltava do açougue, voltava correndo o máximo que podia, porque ela ficava agoniada vendo o sangue lhe tomando as palavras. E assim começa a história desse ser de luz chamada Maria Vilani, assim começa sua paixão pelas letras, pela nossa língua, nossa gramática, nossa literatura e nossa história. Assim, dentro de casa, eu sempre fui muito incentivado a ler, muito incentivado a estar atento ao que o texto nos propõe, e se ele faz sentido. Depois dessa vivência – na realidade, essa vivência é contínua lá em casa –, viemos para o ensino formal. Estudamos sempre em escola pública, e foi dada a continuidade do que ela já fazia dentro de casa. Também participávamos de uma associação de bairro que nos oferecia algumas oficinas culturais e, depois, no circo escola Grajaú, onde pude ter contato com outros ambientes de arte que não a literatura. Lá nasceu o sonho, depois de 4 anos naquele ambiente, de também ser um educador social, de ser uma pessoa que pudesse desenvolver alguma coisa no bairro e dar um retorno. Dentro desses dois ambientes, da escola pública e das organizações que nos ofereciam algum tipo de alento, algum tipo de apoio, companhia, cursos e alimento, porque era muito importante para a gente o complemento do que esses dois espaços nos proporcionavam de comida. Passávamos uma situação muito difícil, então era muito bom ir para a escola porque sabíamos que íamos comer, e quando nós tínhamos as atividades, que eram duas vezes por semana, fora da escola, tínhamos reforço alimentar, muito importante, essa construção da massa que compõe nossa estrutura física, dá suporte para que os pensamentos venham a ser construídos, por isso que as vezes eu acho muito cruel quando se cobra um jovem sobre seus êxitos, é que de barriga vazia é muito difícil pensar, e mesmo assim a gente consegue criar coisas incríveis, mas é muito cruel essa rotina.


Borba – Um dos pontos principais quando falamos de educação é a importância da arte e da música para a formação dos jovens. Como tu vês isso hoje acontecendo no Brasil, especialmente como uma forma de mobilidade social? 


Criolo – Essa educação acontece também de modo formal e informal. Acredito que esse informal, nosso criativo, plural, que são essas trocas naturais que acontecem quando a gente se apaixona por determinada expressão de arte, no meu caso o Rap. O Rap me abriu portas para a música do mundo, a gente tem uma construção de ambiente maravilhosa porque a gente não se sente mais só, e quando a gente não se sente só a gente se sente forte, e quando a gente percebe que existem outras pessoas que estão gostando do que a gente gosta, é como se a gente fizesse parte de um grupo, como se a gente não precisasse mais lutar por aceitação. Até que em determinado momento esse grupo também cria suas subdivisões e, por muitas vezes, você também tem que ficar provando algo: quem escreve melhor, quem rima melhor, quem tem as melhores ideias, e a gente acaba saindo do ambiente do que é essa construção maior, do todo, e a gente vai aprendendo a lidar com estas outras situações que são colocadas. A vida é um tanto assim também, um reflexo social desta esteira de comando, que propõe começo, meio e fim. A música, além de lhe oferecer essas sensações de não se sentir só, de se perceber capaz de construir algo, de fazer parte de algo, também de algum jeito lhe ajuda a como lidar com essa sociedade contemporânea, extremamente competitiva e brutalmente desigual. 


Borba – Gostaria de entrar agora em uma questão relacionada ao teu novo disco, que considero uma verdadeira obra prima. O disco fala muito sobre a vida e a morte em nosso país, sobre intolerância com religiões, racismo, impactos da covid, entre tantos outros temas que nos fazem refletir e ter vontade de agir. Como foi a construção deste álbum? 


Criolo – Muita dor, muito medo, muita tristeza no coração. Esse impacto de se perceber frágil, se perceber sozinho. Eu perdi minha irmã, eu perdi tantos amigos e amigas, quase perdi meus pais. E a gente perde um tanto da gente quando essas pessoas se vão, e eu já vinha de um processo de uns 3 anos, 4 anos antes do “Sobre Viver” vir para o mundo, de me questionar muito: será que eu conseguiria escrever, ainda? Será que eu conseguiria desenvolver um rap, uma canção? Eu não sabia que ainda tinha jeito. Por muito tempo eu me questionei: será que eu ainda sei? Ou será que eu ainda tenho força? Eu pensei que eu não fosse mais conseguir fazer um outro álbum. Então, esse álbum vem com essas camadas de emoções e também com muita revolta: o país que mais persegue a comunidade queer no mundo, um dos países que mais mata jovens pretos e pretas, um país que fez um pacto de aniquilação aos originais da terra, um país que não aceita o outro em sua singularidade, em sua naturalidade, nós vivemos um ambiente extremamente hostil. O rap já está há 30 anos gritando isso. Trinta anos. O Rap, essa energia de força jovem, de força agora madura contemporânea, que vem apresentando outras vertentes, outras vozes, outras histórias, outros sabores. Vem gritando isso, falando do tanto que nosso país é desigual, fala sobre a perseguição das religiões de matriz africana. É um pedido a reflexão, é um grito de socorro e um chamado em urgência para à reflexão, para dizer que ainda existe caminho, que existe possibilidade, que nós temos coisas incríveis para construir juntos e que a juventude de nosso país é uma juventude incrível, cheia de amor, cheia de desejo de mudança e de transformação. É um álbum de fé, de muita fé, de um olhar para o futuro e de acreditar que é possível ter dias melhores.


Borba – Essa perspectiva de um álbum de fé, de olhar para o futuro, mostra possibilidades de transformação, excelente. Eu queria entrar na perspectiva da pandemia, vivemos em um país onde mais de 676 mil pessoas já perderam a vida devido à covid-19. Muitas famílias, incluindo a sua, foram fortemente impactadas por isso. Tu achas que enquanto nação, aprendemos algo com esse período? 


Criolo – Eu acredito que de algum jeito, as humanidades foram percebidas. Uma pessoa que era um tanto apática nas causas sociais, nas questões humanitárias, se percebeu querendo contribuir, querendo ajudar, querendo fazer parte de uma coisa maior. Se percebeu forte, de que pode estender a mão, de que pode contribuir de algum jeito. Acredito que para outras pessoas não, é uma coisa pessoal. Para muitos a única preocupação era quando vamos poder ligar nossos brinquedos, para continuar brincando porque está chata a vida. Reclamam como se o mundo fosse um grande parque de diversões, onde todo mundo pode tudo, e isso não corresponde à nem 1% da população. Mas acredito que até nesse lugar, nesse lugar que se põe distante do Brasil, que se põe distante da realidade do planeta, existem corações que foram impactados e é nisso que eu quero acreditar, é nisso que a gente põe a nossa energia. Nesses 1% existe pessoas que com uma assinatura no papel definem a vida de uma nação inteira: que comida vai ter na creche de uma criança na favela do Brasil? Que avô, que avó vai poder chegar em um hospital público e ser atendido e não morrer em uma fila? Essas pessoas têm nas mãos vida e morte dos filhos da nação. Então, eu não quero acreditar que todas as pessoas estão com o seu coração fechado e não perceberam que a transformação também passa por elas. 


Borba – Eu queria que tu falasses um pouquinho da nova turnê. Os teus shows têm uma intensidade única, e colocam muitos sentimentos em pauta, mas são costurados pelo amor, pela sensação de coletividade. O que dá para esperar desta turnê? 


Criolo – Eu acredito que nossa fome é de viver. De onde eu venho a gente vê a morte todo dia, mas para muita gente isso é novidade. Eu percebi que as pessoas estão com fome de vida, pois perceberam que a vida é muito frágil. E esse tour carrega esse sentimento de amor a vida, de amor ao outro, do melhor sentimento possível sendo esparramado nesse palco, para levar as pessoas a nossa melhor energia, dentro destas canções que foram feitas com todo coração. 


Borba – Queria te perguntar ainda se podes dividir com nossos ouvintes algum livro que estejas lendo, seriado ou filme que tenha visto, ou disco que estejas ouvindo.


Criolo – Eu estou terminando de ler “Memórias de Maria e um pouquinho de mim”, que acabou de ser lançado pelo selo Capsianos, um selo literário do extremo sul da zona sul de São Paulo, do Grajaú, livro de minha mãe amada, que estou terminando de ler. É o primeiro romance dela, seu sétimo livro. Convido todos vocês a conhecerem a obra, e quem puder seguir ela nas redes, o Instagram dela é casa_do_silencio, onde ela deixa pensamentos, reflexões, fala dos livros, não apenas dos livros dela, mas fala dessa produção literária que acontece no Grajaú. A zona sul de São Paulo é incrível, tem uma produção literária magnífica, existem feiras literárias, encontros literários, temos a querida Elisandra, o grande mestre Ferrés, temos a Cooperiga, com o queridíssimo Sergio Vaz, são muitas pessoas desenvolvendo suas atividades no extremo sul da zona sul. Então, através do casa_do_silencio, pode abrir para vocês um portal para encontrar muito, mais sobre essa literatura feita nestes espaços incríveis de amor, de alegria e de palavra. Eu tenho aqui, pertinho de mim, o livro “Bahia De Todos Os Negros: As rebeliões escravas do século XIX”, de Fernando Granato. Recentemente eu li o livro “O avesso da Pele”, de Jeferson Tenório, grande escritor porto-alegrense, ganhou o prêmio Jabuti em 2021. Nós nos encontramos por conta do lançamento de um box de livros chamado “Vozes Negras”, são livros incríveis e o livro dele faz parte deste box, e tive o prazer e a honra de conversar com ele sobre a obra. É sempre bom visitar o “Colecionador de pedras”, do Sergio Vaz. De disco, eu acabei de ganhar o vinil do Elo da Corrente, o Rosa de Jericó, o disco do Síntese, chamado “Ambrosia”, e o disco “Astral”, do Seletores de Frequência, ficam essas dicas para vocês. 


Borba – Criolo, muito obrigado por esse momento. 


Criolo – Muito obrigado. Muito amor para todos vocês, muito carinho, muita alegria. Vamos com tudo e se possível, se tiverem um tempinho, dia 23 de julho, que possamos nos encontrar. Colem no show, levem a família, vamos gritar, vamos dançar, sorrir, brincar e se abraçar. Cada vida é importante. Um beijo no coração de todos. Um abraço!


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Para Samuel McGinity, correr riscos é a melhor motivação https://mescla.cc/2021/05/03/para-samuel-mcginity-correr-riscos-e-a-melhor-motivacao/ https://mescla.cc/2021/05/03/para-samuel-mcginity-correr-riscos-e-a-melhor-motivacao/#respond Mon, 03 May 2021 17:06:21 +0000 http://mescla.cc/?p=14979 Quando não temos certeza sobre o futuro, pode parecer difícil pensar em empreender, ou até mesmo sair do país para explorar os quatro cantos do mundo. Mas a sessão Deu Certo traz um belo exemplo de que, sim, isso tudo é possível. Estamos falando de Samuel McGinity, egresso do curso de Publicidade e Propaganda da […]

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Quando não temos certeza sobre o futuro, pode parecer difícil pensar em empreender, ou até mesmo sair do país para explorar os quatro cantos do mundo. Mas a sessão Deu Certo traz um belo exemplo de que, sim, isso tudo é possível. Estamos falando de Samuel McGinity, egresso do curso de Publicidade e Propaganda da Unisinos. Formado em 2005, está desde 2015 em Paris. Ele é o criador da Illune, uma agência de comunicação localizada a apenas 8 quilômetros da icônica Torre Eiffel.


Às vésperas de comemorar o sexto ano morando na Cidade Luz, Samuel conversou com o Mescla por videochamada. Enquanto aqui, em terras gaudérias, a tarde estava quente, Samuel chegava em casa depois de mais um dia de trabalho na capital francesa. Além do atraso no metrô e a situação do comércio, que seguia fechado, a prosa se voltou para a aventura de empreender a partir do zero. E fora do Brasil. Confere aí na entrevista:



Mescla: Como a publicidade surgiu na tua vida?

Samuel: Eu caí de paraquedas no curso de PP. Quando ainda estava na escola, fazia freelas de criação gráfica, mas nem sabia que era comunicação. Fiz vestibular para Engenharia Elétrica e cheguei a cursar um semestre, mas todo mundo sempre dizia que eu tinha mais a ver com comunicação. Até que eu percebi que realmente não me encaixava na Engenharia. Era uma atividade totalmente fora do meu estilo. Decidi fazer vestibular de novo para entrar em Publicidade e Propaganda. Ali, eu finalmente me achei.


Mescla: Como foi o teu início de carreira, já que ela começou quando ainda estavas estudando?

Samuel: Logo no segundo semestre, comecei a trabalhar bastante com freelas. Eu conhecia um colega que tinha feito algumas atividades da faculdade comigo. Nós resolvemos trabalhar juntos e, disso, resultou nossa primeira agência, a Plus. No terceiro semestre, a gente já tinha clientes e tudo mais. Eram empresas que hoje estão no campus da Unisinos em São Leopoldo, vários clientes interessantes. Fomos crescendo, eu continuei estudando, tocando a agência, e ela passou de uma peça na minha casa para uma sala comercial no centro da cidade. Essa mudança ajudou a agência a crescer mais, ter funcionários, mas o meu sócio não tinha a mesma vibe que eu. Sou um cara que gosta de investir e arriscar, gosto de desafios. Minha vida não funciona se ela não for difícil. Então, resolvi comprar a parte dele e transferi para uma nova sócia, que era aluna de Relações Públicas. Começamos a criar planejamento para os trabalhos que a gente oferecia e, assim, a empresa deixou de ser um estúdio de criação para ser realmente uma agência. Logo que me formei, unimos a agência à DW, que era de um grande amigo também de São Leopoldo, e formamos a DW Plus. Nessa época, passamos a atender a West Coast, Cravo & Canela, Converse e várias empresas do mundo digital. A Plus absorveu a DW porque esse meu amigo tinha o projeto de deixar a agência comigo e partir para outros projetos. Mas chegou um momento, quando tudo estava estável, que eu comecei a procurar mais desafios. Ofereci um projeto onde eu também estaria inserido dentro da empresa do cliente para absorver e sentir o DNA da companhia. Começamos a criar projetos bem enraizados. A Device, que está localizada no Tecnosinos, foi um desses projetos, e o diretor tornou-se um grande amigo. Ele ficou tão contente com os resultados que me deu 1% da empresa. Então, eu cheguei nesse momento da minha vida, em que atingi o ponto alto da estabilidade.

Corres riscos e viver em busca de algo a mais é o que motiva Samuel a continuar crescendo (Foto: Reprodução)


Mescla: O que te fez deixar a estabilidade para trás?

Samuel: Recebi propostas para trabalhar em Nova Iorque e não aceitei porque achei que não era minha vibe. Eu também estava nesse mundo da comunicação no Rio Grande do Sul, sabendo que possivelmente tinha atingido o máximo possível sem um investidor. Eu estava tranquilo, precisava arranjar um problema na minha vida. Desde a faculdade, eu queria sair do país. Já tinha tudo organizado para ficar três anos em Londres e finalizar meus estudos lá, mas, como a empresa tinha muitos clientes, tive que abortar meu plano. Isso ficou na minha cabeça por anos e anos. Quando cheguei na estabilidade da minha vida profissional, quando todo mundo dizia que era hora de ter filhos, eu disse que era hora de ir embora.


Mescla: Como conseguiu realizar esse desejo?

Samuel: Eu sou de origem irlandesa, mas não tinha como conseguir visto para a Irlanda. Eu gostava muito da França. Então, pensei: por que não? Liguei para a embaixada francesa, em São Paulo, e pedi para falar com alguém de projetos. Bem na cara dura mesmo. Eu disse que tinha a ideia de fazer uma agência digital na França, porque sabia que o comércio nessa área lá não era tão evoluído. Disseram que sabiam quem podia ajudar e passaram o meu contato para uma pessoa. Já pensei que estavam me enrolando. No outro dia, meu telefone tocou e era o Gabriel, um francês que trabalhava na Agência Internacional de Investimento da França. Expliquei que tinha esse projeto, mas não tinha o investimento necessário. Mesmo assim, começamos a conversar. Fui para São Paulo, com meu computador e as minhas ideias ainda desorganizadas. O Gabriel me explicou então que a Agência não estava preocupada com quanto eu iria investir no país, mas sim com a qualificação que eu poderia levar. Redigi um projeto e enviei ao sistema francês de empreendedorismo. Ainda não tinha nome, não indicava quem seria a cabeça do projeto e nem informava qual seria o investimento. Só o conceito. A proposta ficou disponível nesse sistema. Ele é acessado por governos municipais que apresentam motivos para o projeto ir para as respectivas cidades. Meio que “a gente não vai dar dinheiro, mas vai ser mais fácil de se desenvolver em minha cidade por tais motivos”. Recebi três propostas: de Montpellier, Marselha e Paris. Disse ao Gabriel que iria para Montpellier, mas ele me convenceu de que o melhor seria Paris, por ter mais estrangeiros e eu não falar bem o idioma. Na verdade, eu não sabia nada de francês. Eu acabei conseguindo um visto de talento, que é muito difícil de obter, mas, depois de conquistado, é mais rápido e facilitaria a vida da minha esposa também. Assim, em maio de 2015, desembarquei aqui. Tinha dinheiro para cinco meses, um apartamento por dez dias, não sabia francês e não conhecia ninguém.


Mescla: Parece que foi um começo difícil…

Samuel: Continuei trabalhando para clientes do Brasil porque não tinha clientes aqui ainda. Qualquer evento de tecnologia eu estava lá. Voltei a ser uma “agência de axila”, que é quando tu colocas a pasta debaixo do braço, segura os cartõezinhos na mão e sai distribuindo. Fui conhecendo gente, fazendo contato, começou a aparecer um trabalho aqui, um logotipo lá, uma identidade visual de vez em quando. Conheci uma menina que achou muito legal meu trabalho. Ela pegou meu cartão. Quando eu não tinha muito trabalho, até cuidei do gato dela quando foi viajar. Ficamos amigos. Um dia, ela estava no Starbucks tomando café e ouviu um cara falando ao telefone. O desconhecido disse que tinha um projeto de calças, mas não achava ninguém decente para trabalhar a comunicação. Achava todos aventureiros. Ela me ligou e disse: Samuel, eu tenho um cliente para ti. Eu pensei: nossa, que bom! Mas ela me pediu para esperar. Se virou, cutucou o cara e disse que tinha um diretor de criação para ele. Marcamos um encontro presencial, e o resultado: trabalhamos juntos até hoje! Acabei de vir da empresa dele, aliás. Foi meu primeiro grande cliente. Mas hoje também trabalho para um centro náutico na Bretanha e um aplicativo de futebol. Disso, 99% é digital. Cada vez me reinventando mais. A cada dois anos, preciso me reinventar. Não ofereço nada que eu oferecia antes.




Mescla: Como estão as coisas em agora?

Samuel: Eu estou em um processo de naturalização, aguardando a resposta. Mas cumpri todos os passos, comecei do zero, não conhecia ninguém, meu francês é de bar, porque aprendi na rua e no sofrimento. Às vezes, eu paro e penso, e eu me surpreendo. Eu ainda estou aqui, totalmente adaptado à cultura. Não me vejo mais indo embora.


Mescla: A universidade ajudou você a se preparar para as dificuldades?

Samuel: Gosto de empreender com riscos. Toda vez que eu vou para o Brasil, que eu converso com turmas de faculdade, eu explico que a comunicação é uma área pouco valorizada, difícil de entrar, e o pessoal desiste fácil. E eu sou apaixonado pelo que eu faço. Por isso que eu gosto de passar minha experiência para os alunos, porque, pra mim, a Unisinos foi muito importante. A gente não tinha disciplina de empreendedorismo, mas eu tive um professor que era de mercado, e eu sempre ouvi muito ele.


Mescla: Já passou por momentos difíceis que achou que não fosse superar?

Samuel: Às vezes dá uma desmotivada, mas nunca ao ponto de querer baixar o braço, porque eu sou guerreiro. Perder um cliente, não conseguir resultado, acontece. Mas o que finalmente mudou é que, na comunicação, a gente se vê muito como artista. Áh, não tem como mensurar quanto atinge. Mas o nosso objetivo é vender, sempre foi e nunca vai deixar de ser. Hoje, eu trabalho muito com resultado. Se a gente faz uma campanha e a marca vende pouco, o culpado sou eu. Não é o cliente, porque a gente é obrigado a vender. Se a pessoa clicou e não comprou, a culpa é de quem? Temos número, sabemos onde as pessoas mais clicam no site, quantas indicaram amigos, quantas entraram no site mas não compraram, se rolaram até embaixo para saber se o produto é legal ou não. Hoje em dia, existem formas de ver isso e buscar resultados.


Mescla: Quais os planos para o futuro?

Samuel: Nunca planejei a longo prazo, no máximo um ano, porque a gente nunca sabe o que vai acontecer. Mas estou gostando do que eu estou fazendo, então, isso, pra mim, por enquanto, é bom. Não sei te dizer se daqui a três anos eu vou estar aqui, se eu vou ter ideia de fazer outra coisa em outro lugar. Enquanto estava desenvolvendo meu trabalho aqui, recebi uma proposta para dirigir uma equipe em Hong Kong e não topei.


Mescla: A pandemia foi um problema para a Illune?

Samuel: São duas faces do mesmo prisma. Para o mundo digital da França, foi excepcional, porque avançou muito o que as empresas tinham receio de fazer. Dei um passo à frente em algumas coisas. Quando vi que ia ficar ruim, apresentei um miniplano de emergência para cada um dos meus clientes. Isso criou uma raiz muito forte com eles. Tenho essa fama de ter uma ótima relação com os clientes, mas isso nos uniu ainda mais. O plano de emergência da Looking For Wild vendeu muito. A gente ainda está surfando na mesma onda do lockdown. Para a minha empresa, não foi bom, porque eu passei meses sem um novo projeto, mas a vantagem é que eu avancei em algumas propostas, porque quem pensava em e-commerce para 2022 acabou antecipando para 2020. Digamos que o faturamento foi ruim, mas o portfólio foi bom.


Mescla: Que conselho pode dar para os novos publicitários?

Samuel: A primeira coisa é que tu tens que acreditar no que quer fazer, e tem que fazer o que gosta. Não adianta ser concursado público se não gosta disso. E tem que gostar da comunicação, porque não é uma profissão de glamour. Tu vais apanhar muito. E se vai apanhar muito, tem que ser por algo que goste. Também é interessante se reinventar, se informar do que está rolando no mundo, isso te ajuda a antever certas coisas. Se conhece a forma política de pensar, a forma política que o país age, vai ter uma ideia da decisão que teu líder vai tomar. Pode até antever os passos e evitar problemas. Por isso, antes de ter um confinamento, eu já podia apresentar um plano de emergência para os meus clientes.

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Quando pensamos em uma carreira bem-sucedida, geralmente jogamos para o futuro essa perspectiva, mas nem sempre é o que acontece. Às vezes, algumas pessoas começam bem cedo a descobrir o que faz “o olho brilhar”, e seguem essa intuição. Uma delas é a publicitária Jessica Fragoso, que, aos 27 anos, é head de marketing na Web Art Group, uma plataforma de e-commerce com sede em São Paulo. A empresa se apresenta como uma organização voltada para resultados, sempre baseada em estratégias, e a Jessica faz parte desse trabalho rigoroso, porém livre para ser criativo. 

Trabalhar desde cedo ajudou a decidir que estava no caminho certo (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)


Em entrevista ao Mescla, a egressa do curso de Publicidade e Propaganda da Unisinos contou um pouco sobre sua trajetória desde o comecinho, lá em 2012. Confere ai! 


Mescla: O que mais te marcou na faculdade?

Jessica: O momento que eu lembro com mais carinho foi a construção do meu Trabalho de Conclusão de Curso. A professora Anais Bertoni foi minha orientadora. Lembro que cheguei e falei para ela: eu quero sair com distinção. Eu queria me doar. E essa vontade de fazer uma coisa que me marcasse, somada à ajuda dela, foi um esforço que deu certo. Eu abordei no TCC o impacto do consumo nas crianças, por causa do fenômeno dos youtubers mirins. Comecei a pensar nesse tema em 2017. Hoje, é mais fácil conseguir essas informações, mas há dois ou três anos não tinha tanta informação disponível. Nós fomos descobrindo e montando juntas. No final, o trabalho rendeu uma distinção. Essa é uma coisa que eu levo com muito carinho porque me dediquei. Fora toda a faculdade.


Mescla: Foram anos bem aproveitados?

Jessica: Sempre tinha como colocar em prática tudo que eu aprendia. Principalmente porque, na publicidade, é possível ir por vários caminhos diferentes e, mesmo assim, todos os dias eu ainda utilizo algo que aprendi.


Mescla: De onde surgiu a ideia para o teu TCC?

Jessica: A minha irmã hoje tem 6 anos. Na época, tinha 3. Ela adorava ver esses vídeos e eu percebia como isso mexia com ela. Por mais que a gente realizasse um tipo de controle, o pouco que ela via, às vezes, já batia diferente. Foi uma forma de entendê-la e trazer para o meu mundo. Por isso que foi tão especial também, teve uma ligação pessoal. Essa ligação é uma coisa que eu utilizo em todos os parâmetros da minha vida. Eu tenho que estar feliz, ter emoção envolvida. Eu acho que fica aí o sucesso da coisa.

Sempre buscando ir além, participar de eventos foi um ponto importante no começo da carreira (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)


Mescla: Quando a tua carreira na área começou?

Jessica: Eu trabalho desde antes da faculdade e isso, para mim, foi um divisor de águas. Por questões financeiras, me formei em seis anos. Então, quando me formei, já tinha seis anos de experiência, não saí tão iniciante. Eu comecei fazendo bico em uma agência de publicidade, quando tinha 17 anos, para ver se era isso mesmo que eu queria. Fiquei ali alguns meses, vivendo o dia a dia, e entendi que era aquilo que eu queria fazer. Entrei na Unisinos na metade daquele ano e comecei a estagiar já no primeiro semestre. Fiz os dois anos de estágio e depois me tornei assistente de marketing. Durante toda a duração do meu curso, estive trabalhando. Minha faculdade toda foi trabalhando. De noite, nas aulas, eu via alguma coisa nova. No outro dia, conseguia aplicar na prática. Quando saí da universidade, já estava trabalhando como analista de marketing, e isso foi importante para mim, porque um bom diploma faz a diferença em muitos lugares. Felizmente eu estava bem respaldada. Em 2018, iniciei meu MBA em Marketing Digital. Fiquei um ano nesse processo, e hoje eu sou head de marketing e comunicação da Web Art Group, um grupo de 12 produtos. A sede é em São Paulo, mas, por enquanto, estou alocada em São Leopoldo e, em breve, estaremos abrindo uma sede em Canoas. Nós atendemos grandes marcas com foco em vendas online, o e-commerce. Hoje, tenho duas pessoas dentro do meu time, faço toda a gestão de marketing e de comunicação da empresa. Foi um grande salto nesses dois últimos anos da minha carreira. Terminei a faculdade como analista e hoje eu sou head de área, coordenando toda a parte de comunicação e estratégia de comunicação da empresa. Eu estou bem feliz. Deu certo! (risos)


Mescla: Sente que encontrou o caminho que precisava?

Jessica: Eu aprendi, nessa minha trajetória, que queria trabalhar para uma empresa, para um nome. Por mais que a gente tenha nossos próprios clientes, o que me dá prazer realmente é trabalhar para um nome, levar o nome de alguma empresa a crescer. Trabalhei em agências especificamente com clientes e faltava esse vínculo de encantar e dar força para uma marca. Hoje, meu foco é esse, me encontrei aí, que é de onde também pretendo expandir.


Mescla: Já pensou em ter teu próprio negócio?

Jessica: Meu gestor fala muito isso, aprendi com ele: dos 20 aos 30 anos, a gente constrói nossa carreira, trabalha para grandes líderes, faz toda essa experimentação. Dos 35 aos 40, quer trabalhar para si mesmo. Então, eu penso que até os 35 eu quero fazer nome, ajudar grandes empresas para, quem sabe, realmente abrir um negócio próprio. Por mais que eu faça alguns trabalhos freelancer em paralelo, nos quais ajudo na construção de marcas de pessoas que estão querendo abrir seu próprio negócio, hoje meu foco é a Web Art. É uma empresa onde eu estou muito feliz. Eles permitem que eu tenha autonomia para fazer isso e, talvez, daqui a pouco, com 35 ou 40 anos, vai ser hora de entender se esse bichinho do empreendedorismo faz sentido para mim ou não. 


Mescla: Já pensava nisso antes de encontrar um rumo profissional?

Jessica: Acho que a primeira vez que comecei a pensar em empreendedorismo foi na Unisinos. Em várias aulas, vieram pessoas jovens, da nossa faixa etária, conversar sobre o mercado de trabalho. Era legal ver pessoas de 26, 27 anos. “Sou eu daqui a pouco!”, pensava. E eles já tinham uma empresa, estavam começando. É na faculdade que a gente tem esse incentivo, mas tu tem que ter esse desejo. Tem pessoas que realmente não gostam, que gostam de trabalhar para marcas, grandes empresas. Mas, na faculdade, eu via aquelas histórias que chegavam e batia em mim diferente. Isso é algo que já está vindo desde a faculdade. 


Mescla: Acredita que tua experiência prévia ajudou nesse processo até hoje?

Jessica: Eu comento muito isso, é uma visão até um pouco cruel, mas a gente coloca adolescentes de 15, 16 anos para escolher a profissão que praticará o resto da vida. “Faça faculdade!”, dizem. É surreal. Com essa idade, nós estamos nos montando, nos reconhecendo como pessoas. Foi a minha experimentação, principalmente no primeiro semestre, a rotina pesada de trabalhar o dia todo e estudar à noite, que me fez tomar uma decisão mais segura. Porque eu gostei, mas se minha decisão fosse entender que aquilo não era certo, pelo menos tinha embasamento. Querer conhecer fez toda a diferença de chegar aqui hoje e saber aceitar um desafio como liderar uma área com a certeza de que é isso mesmo que eu quero e posso fazer.


Mescla: Que conselho daria para a Jessica do começo da faculdade?

Jessica: Eu diria para ter menos ansiedade, deixar de querer fazer tudo ao mesmo tempo. Houve vezes em que eu fazia um estágio de manhã, um estágio de tarde, aula à noite, e quando chegava em casa ia fazer alguma coisa. Essa ânsia me prejudicou em vários momentos. Tinha um rotina maluca em que não conseguia nem me organizar direito. Foi bom para mim, mas eu iria com mais calma, mais tranquilidade, porque teve vezes que eu senti que deixei de aproveitar momentos até da faculdade por estar nessa ânsia. 


Mescla: Mesmo tão jovem, já pode dizer que se sente realizada?

Jessica: Eu me sinto grata porque a posição que eu tenho tão no início da carreira foi graças ao networking que construí. Sempre convivi com pessoas muito legais, desde professores até colegas de trabalho e de aula, e isso foi montando quem eu sou hoje. Tem muita coisa que eu ainda quero construir, tanto na empresa quanto na vida pessoal. Sou muito jovem, tem muita coisa pra fazer ainda. Mas eu brinco que uma das coisas que mais gosto, em qualquer coisa que eu faça, é ver a reação das pessoas. Eu acho que esse é o legal da comunicação e da publicidade: é encantar, fazer por algum motivo. Não dá para ser hipócrita e falar que não tem o lado financeiro, as métricas, mas sempre tem alguma coisa por trás, tem o benefício para alguém. Meu setor trabalha muito com endomarketing, que é a comunicação voltada para o colaborador. Ver ele gostando, feliz, é realmente uma motivação. Hoje, a comunicação tem um papel, uma responsabilidade muito grande, porque influencia as decisões das pessoas. Ela precisa ser feita com cuidado, com carinho e com propósito. A palavra certa é propósito. Porque ela pode ir para um caminho totalmente errado e influenciar negativamente. Somos muito responsáveis pela forma como colocamos isso na rede, principalmente agora, com a pandemia, porque quem não estava online, agora está. A responsabilidade ficou ainda maior.


Mescla: Que conselho pode dar para quem está começando?

Jessica: A principal coisa é aproveitar o círculo de amizades, de colegas, de professores, porque esse vínculo é muito forte, não acaba na faculdade. Tenho colegas que entrevistei semana retrasada. E a gente indica, o mercado não para. Tem que aproveitar, sugar isso. Também é preciso aproveitar bastante esse momento. Depois que passa, voa, e a gente sente bastante falta.


Mescla: Aproveitar cada oportunidade é o que guia tua vida pessoal e profissional?

Jessica: Eu sou empolgada com a minha profissão. Eu realmente me encontrei, esse foi meu grande motor. Sou movida pelo meu interesse, esse brilho no olho. Todas as vezes que eu tive que mudar de trabalho, ou mudei alguma coisa, meu gatilho foi por ter perdido o brilho. No último emprego que eu pedi desligamento, minha justificativa foi: perdi o brilho. E é isso que eu fico buscando, encontrar esse brilho. 

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Você já escolheu seus candidatos para domingo? A Beta Redação te ajuda a tomar decisão https://mescla.cc/2020/11/13/voce-ja-escolheu-seus-candidatos-para-domingo-a-beta-redacao-te-ajuda-a-tomar-decisao/ https://mescla.cc/2020/11/13/voce-ja-escolheu-seus-candidatos-para-domingo-a-beta-redacao-te-ajuda-a-tomar-decisao/#respond Fri, 13 Nov 2020 20:24:11 +0000 http://mescla.cc/?p=14356 Neste ano atípico, com tempo mais escasso para as campanhas políticas e novas formas de se chegar aos eleitores, o Laboratório de Jornalismo na editoria de  Política, do curso de Jornalismo da Unisinos, também inovou.  “Cerca de dois meses atrás, ainda não havíamos definido nosso planejamento para as eleições, quando a instituição manifestou interesse no […]

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Neste ano atípico, com tempo mais escasso para as campanhas políticas e novas formas de se chegar aos eleitores, o Laboratório de Jornalismo na editoria de  Política, do curso de Jornalismo da Unisinos, também inovou. 


“Cerca de dois meses atrás, ainda não havíamos definido nosso planejamento para as eleições, quando a instituição manifestou interesse no trabalho da Beta Redação”, explica o professor Felipe Boff, um dos coordenadores da Beta. Além do coordenador, os professores Daniel Bitencourt e Flávio Dutra são responsáveis pela disciplina, em São Leopoldo e Porto Alegre, respectivamente. “A Unisinos apresentou esse entendimento de que, em tempos de pandemia e aulas presenciais suspensas, a Beta seria um canal adequado para engajar a comunidade acadêmica no tema da eleições.”


A partir desse primeiro contato, professores e coordenadores dos campi Porto Alegre e São Leopoldo passaram a debater qual a melhor abordagem para atender a ideia proposta. Dessa discussão surgiu a consulta por e-mail, estendida a toda a comunidade acadêmica para que sugerissem questões aos candidatos das duas cidades diretamente ligadas à Universidade. “Nesse processo, após a filtragem e edição das sugestões, retiramos cinco perguntas comuns para todos os concorrentes de cada cidade”, diz o professor. As outras cinco perguntas foram feitas pelos próprios estudantes, com suporte dos professores.


Foi aí que o trabalho dos alunos começou. A Letícia Costa, que está no penúltimo semestre do curso, foi escolhida para ser a mediadora do debate proposto para os candidatos da cidade de São Leopoldo. “Dividimos a turma para que alguns de nós cuidassem do debate e os outros providenciassem entrevistas com os candidatos”, conta a aluna. “Eu fiquei na produção do debate, então acompanhei as reuniões com os coordenadores de campanha para convidar a participar e acertar os detalhes. Como seria a mediadora, fiz o roteiro e me preparei para o dia, mas também foi graças aos colegas que ficaram cuidando do tempo e divulgando nas redes.”


Já a Ketlin Siqueira, também do sétimo semestre, ficou com a equipe das entrevistas e teve a oportunidade conversar com o candidato a prefeito de São Leopoldo o Professor Nado, do Cidadania, que, mais tarde, participou do debate. “A entrevista foi muito bacana. Foram dez perguntas, cinco minhas e cinco feitas por sugestão da comunidade acadêmica da Unisinos”, revela Ketlin. A ideia de uma videoconferência com o candidato não se realizou, mas recebeu um áudio com as perguntas e respostas na íntegra. “Foi tudo muito tranquilo. Estava aflita porque, como sou da serra, não conhecia ele, mas tudo correu bem. Depois da entrevista, transformamos as informações em um perfil do candidato. Tudo padronizado, para darmos um espaço igual para todos eles.”


Para a Letícia, que além da preparação precisou driblar o nervosismo no dia, essa foi uma experiência importante. “Foi um desafio, mas foi especial. Me sinto privilegiada por ter participado, já que não é sempre que a Beta tem essa oportunidade de cobrir as eleições”, confessa ela. “Vou levar para o resto da vida essa lembrança, de ter mediado um debate nas eleições municipais. Os candidatos também foram profissionais e trouxeram as propostas, sem faltar com respeito.”O debate, realizado no final de outubro, ocorreu ao vivo pelas plataformas do Youtube e Facebook, nas contas da Beta Redação, e permanece disponível neste link. “Pelas impressões que tivemos, foi algo bem grandioso”, comemora Ketlin. “Teve em torno de seis mil repercussões. E foi um debate importante que a universidade proporcionou, porque são questões que sempre precisam ser esclarecidas, já que um dos candidatos vai vir a ser prefeito da cidade onde a Unisinos se encontra.” Para a estudante, essa também foi uma oportunidade única. “Não foi um teste, foi real. Está sendo muito bom fazer Beta Política em ano de eleições.”


A eleição da capital no foco dos interesses


Com os candidatos de Porto Alegre, o processo foi parecido, já que todos os alunos puderam participar das entrevistas. Lucas Lanzoni, do 7º semestre, entrevistou Gustavo Paim, do PP, um processo iniciado com a assessoria do candidato. “Foi uma experiência bacana, porque é interessante poder conversar com essas figuras públicas”, conta ele. “Por mais que eu tivesse que seguir o protocolo, de não poder debater uma resposta dele, por exemplo, foi muito esclarecedor.”


Nessas eleições três mulheres concorrem à prefeitura da capital, uma situação nova, mas que já podia ter acontecido antes, segundo opinião da estudante Juliana Coin, também do penúltimo semestre. “As candidatas estão presentes na política há anos, não sei como não aconteceu antes”, opina. Ela entrevistou a candidata Juliana Brizola, do PDT, e ficou bastante impressionada com a agenda cheia. “Se eu disser que foi fácil, vou estar mentindo. Foi um ano de campanha curta e ainda mais dificuldade de acesso. Principalmente em Porto Alegre, eram muitos veículos buscando contato com os candidatos. Eu, por exemplo, entrevistei a Juliana enquanto ela estava na plenária participando de uma votação, porque foi o tempo que ela tinha. É uma situação que nós, futuros jornalistas, temos que estar preparados para enfrentar, encontrar uma brecha na rotina da pessoa, se adaptar às possibilidades.”


A Tuane Moreira, também finalizando o curso, entrevistou o candidato José Fortunati, do PTB. Há poucos dias da eleição, Fortunati renunciou a candidatura, por causa  da impugnação da candidatura do vice, André Cechinni, por irregularidade no prazo de registro. O fato acabou trazendo uma reviravolta do campo político e também mais uma experiência para todos os jornalistas envolvidos. Para a estudante, foi mais importante do que esperava. 


“Foi gratificante trabalhar com uma figura pública conhecida, experiente na política”, conta Tuane. “Foi uma entrevista boa porque o Fortunati respondeu como os jornalistas gostam: nem muito curto nem extenso demais. Foi meu primeiro contato com um nome conhecido da política e gostei bastante do resultado.” Como não foi possível realizar a entrevista por videoconferência, a assessoria do candidato gravou um áudio com as perguntas e as respostas do candidato. Apesar de não ser a forma ideal de se trabalhar, nesse período de isolamento e ressalvas, a estudante conseguiu tirar um lado bom. “Foi interessante perceber como ele recebeu e interpretou as perguntas.”


As disciplinas da Beta Redação são conhecidas pelo trabalho prático, mas com o isolamento social e as novas necessidades, os alunos e professores vêm trabalhando com adaptações. “Claro que o olho no olho, o presencial, nunca vai ser substituído à altura, mas temos possibilidades para explorar”, concorda Tuane. E essas possibilidades, que envolvem muito contato e rede de conhecimentos, foi outra lição aprendida pelos estudantes. “No futuro, precisamos sempre lembrar de que jornalista não pode ser inimigo de outro jornalista. Precisamos uns dos outros, precisamos de contatos. Sobretudo na política”, pontua Juliana.


Para o professor Felipe Boff, essa foi uma experiência bem sucedida a ser replicada. “Foi um projeto coletivo: institucional, docente e discente”, conclui. “Tão rico como experiência pedagógica quanto valoroso em termos jornalísticos, como contribuição à sociedade neste momento fundamental da nossa democracia. No futuro, certamente será revisitada, repetida, adaptada, e por que não, aperfeiçoada.”


Reta Final


Na noite de quinta-feira, os candidatos porto alegrenses se reuniram para um debate no estilo drive in, transmitido pela Rádio Gaúcha, com mediação do jornalista Daniel Scola. Esse foi o último debate antes da votação no domingo, e também, a última chance de conversar com os eleitores indecisos. O debate teve rodadas de perguntas entre os candidatos e também perguntas enviadas por pessoas comuns da capital. A repercussão do debate gerou questionamentos nas redes sociais e acirrou os ânimos dos candidatos. 


E para conferir todas essas matérias, e muito mais, só entrar na página da Beta Política. Abaixo você encontra as matérias dos respectivos candidatos de São Leopoldo e Porto Alegre.


São Leopoldo

Ary Vanazzi do PT.

Delegado Heliomar do DEM.

Professor Nado do Cidadania.

Professor Célio do PSOL.


Porto Alegre

Fernanda Melchionna do PSOL. 

Gustavo Paim do PP.

João Derly do Republicanos.

José Fortunati do PTB.

Juliana Brizola do PDT.

Julio Flores do PSTU.

Luiz Delvair do PCO.

Manuela d’Ávila do PCdoB.

Montserrat Martins do PV.

Nelson Marchezan do PSDB.

Rodrigo Maroni do PROS.

Sebastião Melo do MDB.

Valter Nagelstein do PSD.

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Jornalista, já pensou em falar mais sobre educação? https://mescla.cc/2019/08/08/jornalista-ja-pensou-em-mais-sobre-educacao/ https://mescla.cc/2019/08/08/jornalista-ja-pensou-em-mais-sobre-educacao/#respond Thu, 08 Aug 2019 17:31:13 +0000 http://mescla.cc/?p=10831 Ao pensarmos em exemplos de editorias de jornal, normalmente nos vêm à mente temas como política, esporte, economia e cultura. Provavelmente isso se deve ao fato de que esses tendem a ser justamente os assuntos de maior interesse dos leitores e da população em geral. Isso leva muitas pessoas a esquecerem da existência de outras […]

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Ao pensarmos em exemplos de editorias de jornal, normalmente nos vêm à mente temas como política, esporte, economia e cultura. Provavelmente isso se deve ao fato de que esses tendem a ser justamente os assuntos de maior interesse dos leitores e da população em geral. Isso leva muitas pessoas a esquecerem da existência de outras editorias e assuntos que podem ser encontrados nos jornais. Um deles é a educação.

Talvez, ao se deparar com jornalismo de educação, você imagine que ele se resume a matérias como o resultado do ENEM, o tema da redação do vestibular de alguma universidade federal, uma nova publicação do Ministério da Educação, entre outros assuntos nessa linha. De fato, a editoria de educação é responsável por falar sobre esses assuntos, mas há muito mais área de atuação dentro dela.

O jornalista que trabalha com educação também tem a possibilidade de fazer reportagens sobre assuntos como a precariedade de determinadas escolas, o desempenho dos alunos, o índice de evasão escolar, o investimento em educação que é feito no Brasil em relação a outros países, entre outros temas. Dependendo do assunto da reportagem que estiver sendo produzida, o setorista de educação precisa ter entendimento sobre estatística, análise de dados, gestão financeira e até sobre como conseguir entrevistar crianças.

Para saber mais sobre essa editoria e a atuação do comunicador dentro dela, o Mescla conversou com dois especialistas. Antônio Gois é colunista de educação do jornal O Globo. Já recebeu vários prêmios por suas reportagens sobre educação, e é presidente da Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca), entidade que busca criar uma rede de contato entre comunicadores que trabalham com essa editoria para prestar qualquer auxílio necessário. Angela Chagas é diretora da Jeduca e doutoranda em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Foi comentarista de educação da Rádio Gaúcha e editora digital da GaúchaZH. Cobre o tema desde 2010, quando começou no portal Terra. Foi vencedora dos prêmios Estácio e TCE-RS de Jornalismo por reportagens sobre educação.

Recentemente, os dois jornalistas estiveram na Escola Superior de Advocacia da OAB/RS, em Porto Alegre, para ministrar a oficina “Financiamento: os desafios do fim do FUNDEB”, que integrou o II Simpósio Nacional de Educação. Assim que a oficina foi encerrada, fizemos uma entrevista com eles para aprendermos mais sobre a editoria de educação no jornalismo.

Confira a conversa com os jornalistas.

O jornalismo de educação não parece possuir tanta visibilidade quanto outras editorias. Vocês concordam com essa percepção?

Angela: No geral, eu acho que a gente precisa, sim, de mais espaço para reportagens de educação. A gente ainda tem uma cobertura jornalística muito focada nas pautas de política, economia e a área de segurança pública, mas eu acho que o jornalismo de educação tem conquistado espaço, principalmente nos últimos anos, com maior interesse dos próprios jornalistas pela cobertura da área. Eu acredito também que um pouco do destaque que a área vem assumindo está nas políticas públicas. O governo federal, principalmente, pauta bastante a questão da educação com programas e políticas. Agora, inclusive, no governo Bolsonaro, a gente tem falado muito de educação. Inclusive quando a gente aborda os cortes de recursos para o ensino superior, a gente está falando de educação. E os jornalistas têm feito um trabalho de propor um debate mais aprofundado sobre o tema, por exemplo, o porquê desses cortes e quais os reflexos dele. O jornalismo de educação precisa de mais espaço, mas acho que a gente já avançou bastante.

Antônio: Eu concordo com a Angela. Ao meu ver, poderia ser feita uma pesquisa que olhasse nos arquivos históricos dos jornais para ver que tipo de espaço era dado para a educação e que tipo de abordagem já foi realizada. Quando eu converso com jornalistas mais experientes, que cobriram educação, às vezes eles falam com um saudosismo “ah, porque na minha época o jornal falava mais de educação”, mas quando pergunto sobre que tipo de educação se falava, eles respondem que faziam cobertura de universidades, de vestibular. Isso me faz desconfiar que um jornalismo com essa ênfase em educação que temos hoje não existia. O jornalismo tem um papel não só de estar à frente da sociedade, mas também de ser um reflexo dela. Então, como a Angela disse, a sociedade passou a valorizar mais a educação. Não como a gente gostaria ainda, mas vemos mais gente falando de educação. Empresários passaram a ser atores neste cenário, o que não eram há 20 anos. Você não tinha fundações vinculadas a empresas, a grandes conglomerados, com pautas educacionais. Você tinha projetos aqui e ali. O papel do jornalista, primeiramente, é se qualificar para cobrir melhor esse cenário, com essa nova lente. Não é só olhar. A gente sempre fez muita matéria de acesso, como falta de creche, fila de pais não querendo matricular os filhos numa escola, entre outros assuntos. Mas, quando você vai olhar para a aprendizagem, aí é muito mais complexo. Exige de nós, jornalistas, outras ferramentas que acho que a gente não tem. E é por isso que criamos uma associação de jornalistas de educação. Para entender esse ambiente do aprendizado, é necessário ter um conhecimento mais sofisticado do que um conhecimento para saber, por exemplo, quantas crianças estão fora de creche. E as crianças que estão na escola, elas estão aprendendo? Como a gente vai medir essa aprendizagem? Como melhorá-la? Então, isso é um pulo que eu acho que a gente ainda precisa dar. Mas fica quase que um pedido, que vocês estudem a cobertura da educação nos jornais de antigamente e as principais transformações na editoria. Eu vi alguns estudos acadêmicos sobre isso, mas acho que a gente ainda fala muito na base do “achismo”. Até fui entrevistado para um desses estudos, mas quando vi era uma tese baseada muito na opinião das pessoas. Eu queria que alguém fosse atrás dos arquivos históricos para checar se havia mais cobertura de educação no passado, e que cobertura era essa. Minha hipótese é que não tinha, e que a cobertura era muito focada no acesso, não se falava tanto no aprendizado.

Quais conhecimentos específicos um jornalista focado em educação precisa ter, que o diferencie dos profissionais que trabalham com as outras editorias?

Angela: Vou falar um pouquinho da minha experiência. Eu fiz jornalismo para ser jornalista de política, aí a oportunidade que surgiu pra mim foi para trabalhar como repórter de educação. E eu tive um susto inicial, porque eu não fiz a faculdade pensando em trabalhar com o jornalismo de educação. Então eu fiquei muito assustada quando eu comecei porque eu tinha que cobrir desde a educação infantil, o acesso à creche, até pautas sobre universidades. E tem uma diferença muito grande entre as políticas de creche até o ensino superior, é uma diversidade enorme. Ao meu ver, a gente trabalha muito em cima dos indicadores de qualidade e resultados das avaliações em larga escala, como o ENEM. Precisamos também ter um conhecimento sobre os fatores que influenciam as avaliações das escolas. Por exemplo: a nota do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) de uma escola municipal de Porto Alegre, que fica lá na Vila Cruzeiro, foi bem baixa. É porque os professores daquela escola são ruins? Não é bem isso, há vários outros fatores que envolvem esse fato. Então, eu acredito que a gente tem que ter uma visão ampla de conseguir tratar de assuntos que são específicos, desde a educação infantil, até o ensino superior, e também conseguir compreender questões que vão além da educação dentro da sala de aula. Questões sociais e econômicas que interferem na educação.

Antônio: Eu concordo. Acho que o que diferencia um jornalista de educação de um outro jornalista, que eventualmente pode até fazer matéria de educação, é isso o que a Angela falou: é a aprendizagem. Um bom jornalista investigativo de política pode fazer uma baita matéria relevante sobre municípios ou Estados que não estão cumprindo a legislação com relação à aplicação de recursos na educação. Não precisa ser repórter de educação para fazer essa matéria. Você não precisa ser repórter de educação para fazer uma matéria sobre fraude em merenda. Basta conhecer um pouco a legislação educacional, pouco mesmo, e você consegue fazer uma matéria sobre quantas crianças estão fora da escola. Agora, quando você entra na discussão do motivo pelo qual essas crianças estão fora da escola, por que os jovens evadem do Ensino Médio, por que a escola não está fazendo sentido pra eles, aí você entra na questão da aprendizagem, e para isso você precisa ter um conhecimento sobre o que impacta na aprendizagem. A avaliação educacional mostra muito claramente que o nível socioeconômico das famílias é o fator de maior relevância na aprendizagem. Ou seja, você não pode comparar uma escola privada de elite em Porto Alegre com uma escola que fica numa favela na periferia. São perfis diferentes de alunos, que interferem no aprendizado. Então, um mesmo repórter que fizer uma matéria brilhante sobre o gasto que não está sendo feito conforme a lei, pode fazer uma matéria trágica do ponto de vista do impacto para a sociedade. Ele não pode pegar um dado do ENEM e comparar uma escola muito rica com outra muito pobre e falar “olha, essa escola aqui é uma porcaria porque ela tem resultado ruim no ENEM”, pois precisa saber que há outros fatores que interferem no aprendizado. Eu acho que é essa a principal distinção de um jornalista mais qualificado para falar de educação: é a questão de aprendizagem.

Antônio Gois é um jornalista premiado e presidente da Jeduca. Escreve colunas sobre educação para o jornal O Globo | Foto: Adriana Silveira

Geralmente, quais são as principais dificuldades que um jornalista pode encontrar ao falar sobre educação?

Antônio: Eu acho que tem dificuldades comuns a todos jornalistas setoristas. Tem a dificuldade de espaço das editorias, como a gente já falou, e de tempo para você viabilizar as matérias. Se essa entrevista fosse com repórteres de saúde, eles estariam também reclamando da falta de tempo que eles têm. A falta de tempo limita o acesso à escola, mas nem todas têm uma política receptiva com o jornalista. Às vezes a gente vai como jornalista numa escola apenas para pegar uma frase que nos interessa, porque a gente precisa daquela imagem para ilustrar nossa matéria. Eu acho que uma das coisas que sinto falta é conviver com os atores da escola. Até para entender melhor dos indicadores macro, você precisa ter sensibilidade para olhar como são os micro. Olhar a árvore não é olhar a floresta. Então acho que você precisa ter esses dois olhares para fazer uma boa reportagem. Indicadores como o Ideb, que é uma média de um monte de dados, são relevantes, mas não são suficientes para você entender fenômenos mais complexos que acontecem na sala de aula.

Angela: Eu acho que às vezes a gente acaba sendo bastante pautado pelas políticas, principais do governo federal, e para o jornalista compreender e apresentar uma reportagem com todos os elementos e formar sua opinião a respeito daquele assunto é bem difícil. Claro, isso envolve a questão do tempo, e também de ver o quanto isso reflete na escola. Por exemplo, tem uma política do governo federal que é a implementação do ensino médio de tempo integral, que as redes já estão fazendo aqui no Rio Grande do Sul, desde o ano passado. E eu já participei de reportagens falando dessa política, tem vários especialistas que apontam a importância da ampliação da carga horária das escolas. Mas, quando a gente consegue ir nas escolas para ver como essa política está funcionando na prática, alguns problemas já começam a surgir. Por exemplo, aqui no Rio Grande do Sul, essas escolas de tempo integral no ensino médio estão com uma alta evasão. Então, quando a gente faz um jornalismo só focado na proposta federal e sem ouvir os atores das escolas, a gente acaba não pegando alguns elementos que são importantes também. O motivo pelo qual uma proposta que permite aos alunos ficarem o dia inteiro nas escolas, terem refeições, terem atividades diversas, ainda os faz abandonar este espaço. Então, o jornalista vai na escola e percebe que esses estudantes do ensino médio precisam trabalhar, precisam fazer um estágio, precisam ajudar como fonte de renda para a família. A gente acaba muitas vezes não conseguindo chegar até a escola e não abordando outros elementos que são importantes ressaltar quando a política está lá na ponta. Isso também é decorrente da gente ficar muitas vezes fazendo reportagem por telefone, ou mais recentemente, por WhatsApp, e não estar vendo a política como ela está acontecendo.

Vamos falar agora sobre a Jeduca. De que forma ela pode auxiliar quem tiver interesse no jornalismo de educação ou fazendo sua primeira reportagem para essa editoria?

Antônio: A Jeduca pode ajudar de diversas maneiras. Em primeiro lugar, eu convido todos, jornalistas ou estudantes de jornalismo que se interessem por educação, que entrem no nosso site (www.jeduca.org.br) e se associem. Ao se associar, gratuitamente, você vai fazer parte de uma lista de e-mails com jornalistas profissionais, assessores de imprensa e pessoas debatendo temas da educação. No nosso site a gente disponibiliza guias. Por exemplo, vamos lançar agora um guia de financiamento da educação. Você quer fazer uma matéria sobre quanto gasta a União na educação. Então, vai estar lá um guia sobre isso. Temos um guia sobre como entrevistar crianças, algo bem específico da técnica jornalística. Esse é um guia que fala tanto da técnica quanto da ética ao se entrevistar uma criança. E a gente tem um serviço da editora pública, que é gerenciada pela Marta Avancini. A Marta é uma profissional com experiência em educação, paga pela associação para fazer um serviço gratuito para qualquer jornalista. Não precisa se associar, qualquer jornalista ou estudante de jornalismo que esteja fazendo um trabalho sobre educação pode acessar. No nosso site tem o celular dela, que é acessível para todos. Pode ligar, mandar mensagem no WhatsApp ou e-mail. Considerando que muitas vezes o jornalista de educação provavelmente não vai ter um editor experiente que conheça a educação ou um colega para conversar sobre o assunto, a Marta, através da editora pública, preenche essa lacuna.

Angela: E a associação também faz alguns eventos, alguns webnários sobre temas que estão na pauta de educação, que podem ser acompanhados de qualquer lugar do Brasil. Por exemplo, falamos neles sobre financiamento ou sobre avaliação. A associação sempre faz alguns eventos com discussões e com dicas para os jornalistas sobre cobertura de eventos. E agora tem o 3º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação dias 19 e 20 de agosto, as inscrições estão abertas ainda. O congresso vai ser em São Paulo. A gente vai reunir jornalistas experientes, pesquisadores, educadores, professores de escolas e estudantes para também debater as políticas de educação. Para estudantes de jornalismo, a inscrição custa R$ 20,00.

Quais são as principais ferramentas online que um jornalista de educação pode utilizar para fazer suas matérias?

Angela: Tem algumas ferramentas que são relacionadas ao financiamento da educação, na qual o jornalista pode consultar informações sobre o investimento dos municípios, do Estado e da União. Uma das ferramentas, o SIOPE, está dentro do site do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), que é vinculado ao Ministério da Educação. Ali há informações bem detalhadas que os municípios e os Estados repassam sobre seus investimentos em educação. Tem também o Portal da Transparência, onde há informações sobre os gastos em educação. Aqui no Rio Grande do Sul tem o site do Tribunal de Contas do Estado, com bastante informação sobre os investimentos municipais. Além das fontes oficiais, tem o site Qedu, que é interessante para os jornalistas fazerem buscas de uma forma mais simples sobre o resultado do Ideb de um município, por exemplo. Tem os dados do censo escolar sobre as estruturas das escolas. Dá para pesquisar ali por nome da escola daqui do Rio Grande do Sul, por exemplo. E é feito a partir de dados oficiais. O próprio Tribunal de Contas criou uma ferramenta que é o TC Educa, outro site que tem dados de monitoramento das metas do plano nacional de educação. São todas ferramentas que podem ajudar o jornalista no seu trabalho no dia a dia. À primeira vista podem parecer informações mais complicadas, mas estão ali disponíveis.

Antônio: Um dos projetos da Jeduca, que talvez saia ano que vem, é a criação de um portal no nosso site que mapeie todos os portais de dados de educação. A gente quer criar uma ferramenta que facilite o conhecimento desses portais que a Angela citou e de muitos outros para que a pessoa possa fazer uma busca e ser direcionada. Dependendo da informação, tem sites que vão te dar uma maior ou menor precisão. Então, é uma das coisas que a gente está querendo fazer na Jeduca.

Para finalizar, gostaria que vocês contassem como foi que vocês acabaram entrando no jornalismo de educação e como foram as primeiras experiências de vocês.

Angela: Eu comecei como jornalista de educação no portal Terra em 2010. Eu fiz a faculdade de jornalismo pensando em ser repórter de política, que é uma área que eu me interessava bastante, e a oportunidade que tinha no portal Terra era como repórter de educação. Eu fui e acabei me envolvendo muito, acabei gostando muito da área. Depois eu saí do Terra e fui para o Grupo RBS, para a Rádio Gaúcha, onde segui trabalhando com educação. Fui conquistando alguns espaços, fazendo comentários na rádio sobre educação, e depois eu fui trabalhar também, além da Rádio Gaúcha, no jornal Zero Hora, fazendo reportagens também sobre educação. Foi meio sem querer, mas eu acabei gostando da área, e também fui procurar aprender mais porque me assustava um pouco ter que falar de coisas tão específicas. Eu fiz mestrado em Educação na UFRGS, na Faculdade de Educação, e agora estou começando o doutorado em Educação. E é bem apaixonante trabalhar com isso.

Antônio: Eu costumo contar uma história dizendo que sou filho de jornalista e de professor, e que por isso me interessei sobre o jornalismo de educação. Mas eu vou contar o segredo pra vocês: é mentira. A verdade é igualzinha à história da Angela. Eu sempre gostei de economia e de política, e na faculdade eu ficava dividido entre trabalhar com essas editorias. Mas o primeiro emprego que me oferecem foi em educação, e eu fiquei apaixonado pelo tema. Eu tive a oportunidade na minha carreira de trabalhar com economia e política, mas as minhas pautas na economia eram voltadas à educação, e na política sempre que eu podia voltar para educação, eu voltava. Nas redações também isso é muito comum, como você não tem tantas posições para quem trabalha com jornalismo de educação, você vai subindo na carreira. E geralmente a posição de chefia não fica cuidando só de uma área. E quando eu fui subeditor de política de O Globo, eu não cuidava só de educação. E eu hoje acho também que mesmo quem não é jornalista de setores de educação precisa entender dessa área. Acredito que um bom jornalista de política – ainda mais agora, no cenário do governo Bolsonaro, em que a educação virou um tópico de tanto conflito – precisa entender o mínimo de educação. Um jornalista de economia então, nem se fala. Se ele quer fazer uma matéria sobre produtividade, sobre porque o Rio Grande do Sul não cresce como gostaria de crescer, ele vai ter que entender de educação, vai ter que conhecer um pouco dos indicadores da relação entre a educação e a produtividade. Se ele for um jornalista de saúde, ele vai ter que saber que a educação é uma variável importantíssima que impacta em vários indicadores de saúde. E aqui uma notícia exclusiva para vocês: a gente vai lançar no nosso Congresso uma pesquisa do perfil do jornalista de educação. Quem são esses jornalistas, qual o perfil desse profissional, que tipo de fonte ele procura. E a gente acredita que isso possa ser um bom insumo para pesquisas acadêmicas sobre o jornalismo de educação.

Angela Chagas é diretora da Jeduca e doutoranda em Educação pela UFRGS. Foi comentarista de educação da Rádio Gaúcha e editora digital da GaúchaZH | Foto: Adriana Silveira

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“Entrevistaço” mostra a trajetória de Luis Fernando Veríssimo https://mescla.cc/2018/10/01/entrevistaco-mostra-trajetoria-de-luis-fernando-verissimo/ https://mescla.cc/2018/10/01/entrevistaco-mostra-trajetoria-de-luis-fernando-verissimo/#respond Mon, 01 Oct 2018 21:25:43 +0000 http://mescla.cc/?p=7949 Em comemoração à Semaníssima, a Rádio Unisinos apresentou ao público uma entrevista com o escritor Luis Fernando Veríssimo, chamado de “Entrevistaço”. O autor respondeu perguntas feitas pelos estudantes da Unisinos. Na terça-feira (25), no Campus Unisinos Porto Alegre, o público conheceu mais da carreira e trajetória do escritor gaúcho.  Veríssimo recebeu a equipe de filmagem em casa. As perguntas respondidas por ele focaram na vida pessoal e trajetória […]

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Em comemoração à Semaníssima, a Rádio Unisinos apresentou ao público uma entrevista com o escritor Luis Fernando Veríssimo, chamado de “Entrevistaço”. O autor respondeu perguntas feitas pelos estudantes da Unisinos. Na terça-feira (25), no Campus Unisinos Porto Alegre, o público conheceu mais da carreira e trajetória do escritor gaúcho. 

Veríssimo recebeu a equipe de filmagem em casa. As perguntas respondidas por ele focaram na vida pessoal e trajetória profissional. Ele contou que começou na carreira de escritor ainda adulto, com 30 anos. Mas já considerou ser historiador, arquiteto e músico. Hoje, além de escrever, ele trabalha como cartunista. 

Perguntado sobre a inspiração para a escrita, Luis Fernando Veríssimo explicou que a tela do computador é a ferramenta principal para estimulá-lo, ressaltando a necessidade de cumprir os prazos dos veículos de comunicação. Além da escrita, o autor acredita que os cartuns são “uma forma de criatividade superior ao texto”, uma forma de comentar os fatos. 

Sobre a Ditadura Militar, disse que os jornalistas já estavam acostumados a ter que ocultar alguns assuntos. “Na Zero Hora, em 1969, durante o governo Médici, a gente já havia se acostumado a ter que escrever nas entrelinhas. Foi apenas no fim da censura que os assuntos deixaram de ser vistos como tabu”, relatou Luis. 

Luis contou que enquanto viveu nos Estados Unidos, entre os anos de 1953 a 1956, teve influências de escritores norte-americanos e britânicos, mas sem deixar de lado nomes de cronistas brasileiros. Foi lá que passou a admirar o gênero musical Jazz: “Eu era muito fã do Louis Armstrong, a partir dele me interessei pelo saxofone. Sempre tive essa vontade de brincar com o Jazz”, relembrou o autor. 

Com a tecnologia, Luis Fernando Veríssimo acredita que hoje há mais jovens lendo do que antigamente. Apesar de se considerar desatualizado por não ter um celular, há no escritor expectativas sobre a leitura: “O futuro é claramente dos e-books. Todos os dias, livrarias fecham pela falta de clientes interessados no tradicional. É uma revolução tecnológica”, explicou Luis. 

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