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Arquivos emoção - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/emocao/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Fri, 26 Apr 2019 16:36:39 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.4 A difícil tarefa de cobrir tragédias https://mescla.cc/2017/03/17/dificil-tarefa-de-cobrir-tragedias/ https://mescla.cc/2017/03/17/dificil-tarefa-de-cobrir-tragedias/#respond Fri, 17 Mar 2017 19:34:41 +0000 http://mescla.cc/?p=330 O acidente aéreo envolvendo a delegação da Chapecoense, que provocou a morte de 71 pessoas, entre jogadores, dirigentes e jornalistas, chocou o mundo e trouxe discussões sobre a maneira com que as grandes tragédias são abordadas e repercutidas pela imprensa. Para o professor de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e pesquisador do Observatório de […]

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O acidente aéreo envolvendo a delegação da Chapecoense, que provocou a morte de 71 pessoas, entre jogadores, dirigentes e jornalistas, chocou o mundo e trouxe discussões sobre a maneira com que as grandes tragédias são abordadas e repercutidas pela imprensa.

Para o professor de Jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e pesquisador do Observatório de Ética Jornalística (objETHOS), Rogério Christofoletti, a cobertura de uma tragédia é sempre um momento delicado para o profissional. “Nem sempre o jornalista está preparado do ponto de vista técnico e emocional. A complexidade da situação envolve faz com que não seja possível explicar esses fenômenos e seja difícil lidar com os familiares das vítimas”, comenta.

Christofoletti aponta que o jornalista precisa fazer um exercício de empatia, respeitando quem sofreu diretamente com a perda. “É preciso reestudar maneiras de abordar as pessoas em um momento tão delicado. É necessário evitar a exploração da dor alheia, a invasão de privacidade, e principalmente, entender a quando o entrevistado já não quer mais continuar com as respostas e dar espaço a ele”, destaca.

A jornalista Sylvia Moretzshon, professora de Jornalismo da Universidade Federal Fluminense (UFF), aponta que é preciso evitar as perguntas óbvias e a exploração da emoção. “É um momento de desconforto para profissionais e entrevistados também. Por isso, é importante saber lidar com as emoções, sem extrapolar e partir para o sensacionalismo”, ressalta.

Um dos momentos mais comentados pela mídia foi quando a mãe do goleiro Danilo Padilha, um dos mortos na tragédia, inverteu os papeis e perguntou ao repórter Guido Nunes, do SPORTV, como ele se sentia ao perder amigos da imprensa no acidente. “Foi um momento significativo, pela sensibilidade transmitida. Uma mulher simples e humilde fez a pergunta que todos os repórteres questionaram para os parentes das vítimas, surpreendendo a todos”, expõe Sylvia.

Para Sylvia, também é importante que os profissionais busquem uma qualificação para lidar com acontecimentos da grandiosidade das tragédias. “É preciso preparação por parte dos jornalistas. Acredito que eles devem buscar se aperfeiçoar nestas coberturas, que são importantes e ao mesmo tempo pouco exploradas”, salienta.

Orientações dos profissionais para que haja uma boa cobertura

Sylvia e Rogério destacaram alguns pontos que devem ser analisados pelos repórteres na hora de cobrir tragédias . Confira algumas orientações:

*Respeitar os enlutados e buscar afirmações apenas das fontes que desejam falar

Evitar explorar sensações e emoções

*Ouvir especialistas que possam falar sobre a dimensão da tragédia ou possíveis desdobramentos

*Evitar as  perguntas óbvias: “Como você está se sentindo” ou “Como recebeu a notícia?”

*Entender que os jornalistas não estão no controle da situação

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A delicada tarefa de lidar com a dor https://mescla.cc/2017/03/13/delicada-tarefa-de-lidar-com-dor/ https://mescla.cc/2017/03/13/delicada-tarefa-de-lidar-com-dor/#respond Mon, 13 Mar 2017 20:42:10 +0000 http://mescla.cc/?p=221 “A maior crise em uma companhia aérea é o acidente”, começou explicando Gislaine Rosseti, relações públicas e diretora de relações institucionais da LATAM. Em 17 de julho de 2007, uma dessas crises foi vivida pela companhia. Um voo saindo de Porto Alegre com destino a São Paulo caiu sobre um prédio de carga e descarga […]

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“A maior crise em uma companhia aérea é o acidente”, começou explicando Gislaine Rosseti, relações públicas e diretora de relações institucionais da LATAM. Em 17 de julho de 2007, uma dessas crises foi vivida pela companhia. Um voo saindo de Porto Alegre com destino a São Paulo caiu sobre um prédio de carga e descarga da companhia aérea na capital paulista. O acidente provocou 199 mortes, entre elas passageiros e tripulantes.

Gislaine acredita que agilidade, transparência e precisão são fundamentais durante uma crise, e foi esta a posição da empresa frente ao acontecimento. “Não há nada que tire a dor de uma pessoa neste momento, mas devemos estar preparados para ampará-los da melhor maneira”, diz a relações públicas.

O Programa Especial de Assistência ao Cliente em Emergência (PEACE) foi criado pela empresa especialmente para dar assistência humanitária às vítimas de acidentes e seus familiares. Além disso, existe uma política adotada pela empresa para garantir que sejam transmitidas para imprensa e familiares informações precisas, e deve haver respeito e legalidade com vítimas e familiares.

A profissional ressalta que uma crise pode acontecer a qualquer momento e deve-se estar preparado para isto. Treinamentos são realizados dentro da empresa para orientar os funcionários sobre como lidar com estes acontecimentos.

A dor dentro do hospital

Uma discussão entre um médico e o marido de uma paciente acontece dentro de um hospital. O motivo é a saúde da paciente, que não estava em condições de ir até o local. A raiva do homem é tamanha que um segurança intervém. Neste momento um profissional de Relações Públicas é chamado.

O professor e relações públicas Lauro Antonio Lacerda D’Avila viveu uma história como essa dentro do Hospital de Clínicas, em Porto Alegre. O RP trabalhou no local de 1997 até 2000 e afirma ter sido uma experiência profissional muito interessante. “Meu papel era lidar com situações de conflito e fazer com que essas situações não se repetissem”, explica o profissional.

Passavam na época cerca de 25 mil pessoas por dia no Hospital de Clínicas, de acordo com D’Avila. Ele era assessor do presidente e era responsável por criar diversos tipos de estruturas resolutivas. Uma das ideias foi uma ouvidoria para pacientes e familiares relatarem problemas dentro do hospital. “Eu tive que interferir em diversas situações em que os familiares reclamavam de mau atendimento ou problemas que eles perceberam no local”, conta o relações públicas.

As pessoas que estão em hospitais não gostariam de estar lá, na maioria das vezes, então D’Avila se deparava com momentos de extrema tensão devido ao estado emocional de pacientes e familiares. “Os conflitos são extremamente pessoais e essas pessoas estão emocionalmente abaladas. Por isso, havia discussões. Só que muitas vezes eles só queriam alguém que pudesse ouvir o que tinham para falar”, relembra.

Planejar e administrar crises é o foco de Christina Antunes, ela é sócia-diretora de uma agência com foco em Soluções de Comunicação Integrada. A relações públicas acredita que a principal maneira de estar preparado para enfrentar crises e lidar com elas é de fato treinar. “Os profissionais deveriam ser muito treinados para momentos que lidam com a dor”, diz Christina.

“Não tem como prever emoções, a dor se instala e deve-se saber lidar com aquela situação. Por isso, treinamento é tão importante”, reflete sobre o assunto. A profissional vê momentos dolorosos não só como acidentes, mas também demissões e mudanças dentro de empresas. Estas são funções que os relações públicas devem saber resolver e conseguir lidar com os sentimentos da melhor forma possível.

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A dor contada por jornalistas https://mescla.cc/2017/03/13/dor-contada-por-jornalistas/ https://mescla.cc/2017/03/13/dor-contada-por-jornalistas/#respond Mon, 13 Mar 2017 20:26:25 +0000 http://mescla.cc/?p=205 Na manhã do domingo de 27 de janeiro 2013, a repórter da RBSTV Santa Maria Alice Pavanello foi acordada por uma ligação do chefe. Havia acontecido um incêndio em uma boate da cidade e, até então, pelo menos 20 mortes estavam confirmadas. “Naquele momento eu não sabia o que estava acontecendo, por isso fomos para o […]

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Na manhã do domingo de 27 de janeiro 2013, a repórter da RBSTV Santa Maria Alice Pavanello foi acordada por uma ligação do chefe. Havia acontecido um incêndio em uma boate da cidade e, até então, pelo menos 20 mortes estavam confirmadas. “Naquele momento eu não sabia o que estava acontecendo, por isso fomos para o hospital e depois para o Centro Desportivo Municipal (CDM), onde os corpos seriam levados”, recorda a jornalista.

O caso da Boate Kiss foi considerado a segunda maior tragédia no Brasil em número de vítimas em um incêndio, com 242 mortos. “No CDM foi meu primeiro contato com a dor daquelas pessoas, começou a juntar uma multidão querendo informações e as pessoas estavam desesperadas querendo saber de seus filhos”, conta Alice. Os corpos começaram a chegar e os familiares eram chamados para a identificação. “Todo rosto que eu olhava tinha uma expressão de dor por toda aquela situação”, relembra.

Foto: Agência Brasil

A jornalista acredita que o profissional deve ter o cuidado de ter sensibilidade, aguardar o momento certo para entrevistar alguém que está em um momento delicado e sempre se colocar no lugar do outro. “Eu soube de casos em que os pais se incomodaram e queriam expulsar as equipes, mas é completamente compreensível, cabe ao repórter ter sensibilidade nesta situação”, conta Alice.

“A dificuldade das coberturas de grandes tragédias é que são feitas na hora do acontecimento, sem tempo para reflexão”, analisa Sean Hagen, jornalista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O profissional acredita que, como consequência dessa pressa, o enquadramento que os jornalistas dão para os fatos é equivocado. “Por isso é tão difícil ver boas coberturas nesses casos”, conclui Hagen.

O jornalista e especialista em Media Training, Eloi Oliveira acredita que o jornalismo nessas ocasiões realiza uma busca desenfreada pela audiência. “Muitas vezes o furo fica em primeiro lugar o furo e não se exploram pontos como quem devem ser cobrado pelo acidente”, analisa o profissional.

O ator Domingos Montagner faleceu no dia 15 de outubro enquanto tomava banho no Rio São Francisco, no Sergipe. Ele e a atriz Camila Pitanga aproveitavam o último dia de gravação da novela “Velho Chico” na região. Domingos morreu afogado e Camila presenciou o ocorrido. No dia 18 de outubro, a atriz deu uma entrevista para o Fantástico falando sobre o acidente.

“A morte de Domingos é um exemplo de uma história que poderia ser explorada de outra maneira, será que não deveria ter um salva vidas naquele local?”, questiona Oliveira. O jornalista acredita que um caso como este renderia uma discussão além do próprio acidente, mas se manteve principalmente no drama da morte do ator.

“Há um limite tênue entre explorar e mediar: quando o jornalismo explora, é sensacionalista e preocupado com a audiência – que, na ponta final, visa o lucro. Quando o jornalismo media, busca a alteridade, a sensibilização, a amplificação de uma pauta que fará a diferença na vida das pessoas”, completa Sean Hagen sobre o assunto.

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O limite da dor na publicidade https://mescla.cc/2017/03/13/o-limite-da-dor-na-publicidade/ https://mescla.cc/2017/03/13/o-limite-da-dor-na-publicidade/#respond Mon, 13 Mar 2017 20:11:46 +0000 http://mescla.cc/?p=170 A publicidade muitas vezes causa desconforto, indigna e gera discussões. Um dos casos que gerou repercussão na mídia foi o outdoor colocado na cidade de Curitiba em 2015. A peça pedia o fim dos privilégios para os deficientes e foi uma campanha produzida pela prefeitura relacionada ao Dia Internacional das Pessoas com Deficiência. A professora […]

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A publicidade muitas vezes causa desconforto, indigna e gera discussões. Um dos casos que gerou repercussão na mídia foi o outdoor colocado na cidade de Curitiba em 2015. A peça pedia o fim dos privilégios para os deficientes e foi uma campanha produzida pela prefeitura relacionada ao Dia Internacional das Pessoas com Deficiência.

Foto: Divulgação/Prefeitura de Curitiba

A professora de publicidade Ana Iwancow afirma que o objetivo desta campanha é realmente tocar o público. “Normalmente quem faz este tipo de campanha com apelo emocional são ONGs ou o governo”, explica a profissional.

Na opinião da professora, o limite para se falar de dor é quando se atinge a individualidade dos sujeitos ou quando uma campanha fere a ética. Exemplos como o de Curitiba geram repercussão pela sensação de que mensagem não é ética. “A dor por si só já causa desconforto, quando ela está na publicidade o desconforto é ainda maior”, analisa.

Coordenador do curso de Publicidade e Propaganda da Unisinos, Sérgio Trein acredita que a base da publicidade é a persuasão. “Por isso, é necessário fazer com que a pessoa viva a situação”, explica o profissional. Além disso, o coordenador ressalta que é normal o público ter aversão a coisas que consideram ruins. “A marca precisa aparecer como solução quando uma propaganda tem conteúdo triste ou doloroso, para deixar claro isso aos clientes”, diz Trein.

“A emoção é um apelo a valores do ser humano, aquilo que nos traz uma familiaridade, aproximação, pessoalidade e confiança, fazendo com que o público aceite essa ideia que está sendo promovida”, explica Anaís Schuler Bertoni, professora de publicidade da Unisinos. A profissional traz o exemplo do Zaffari, uma marca conhecida pelo apelo emocional ligado à marca de supermercados. “Eles fazem com que aconteça uma aproximação do público com a mensagem, e por consequência, uma identificação”, conclui.

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