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O trabalho dela de conscientização para as mudanças climáticas começou no Twitter em 2021, rede que já havia utilizado antes, em 2020, fazendo conteúdos mais simples e esporádicos. Ela acredita que este tema não deve ficar restrito ao conhecimento acadêmico, e sim chegar na população em geral por meio das ferramentas disponíveis de comunicação, como as redes sociais.
Para Karina, há vários graus do negacionismo, desde a pessoa que está desatualizada ou não possuí fontes concretas, até a pessoa que não acredita na NASA, por exemplo, e fala que fontes confiáveis não são confiáveis. Assim, a pesquisadora tenta conversar quando vê que há uma possibilidade de uma troca de ideias e um diálogo saudável, como ela conta neste outro trecho da entrevista.
Ignorar é uma alternativa, em alguns casos. “Acaba sendo bom ignorar porque é geralmente são essas pessoas, os trolls, os haters, que vão te atacar de forma mais pessoal. Então é bom não dar nenhuma voz para pessoas, só ignorar mesmo e as vezes bloquear” explica Kari.

Kari Lima, Pesquisadora, acha importante que os conteúdos sobre mudanças climáticas saiam do círculo acadêmico e cheguem no público geral. (Imagem: Lisa Roos)
Workshop sobre Educação Midiática na Unisinos
Karina foi uma das participantes do 16º Workshop do Redes cordiais, com o foco em educação midiática para os influenciadores.
Dentro das redes sociais, é importante que os influenciadores saibam como lidar com o ambiente tumultuado, explica Clara Becker, especialista em combate à desinformação e cofundadora do Redes Cordiais “Nós entendemos a ascensão desses novos comunicadores, que são os influenciadores digitais e como eles são atores estratégicos que precisam ser engajados e conscientizados da responsabilidade que carregam na luta contra a desinformação e os discursos de ódio nas redes sociais”. Nesta parte da entrevista, Clara explica sobre a importância do workshop e do redes cordiais.

Clara Becker, uma das fundadoras do Redes Cordiais, acredita no papel fundamental dos comunicadores e influenciares no combate à desinformação. (Imagem: Lisa Roos)
O que é o Redes Cordiais
O Redes Cordiais é um projeto de educação midiática que capacita comunicadores e influenciadores digitais de diferentes bolhas a combater a desinformação e o discurso de ódio nas redes sociais. Criado no início de 2018 entre uma conversa de três amigos jornalistas, Clara Becker, Guilherme Amado e Alana Rizzo, com a missão de construir redes mais saudáveis e confiáveis.
A organização foi fundada há por três jornalistas, e busca, através de workshops para influenciadores, instruir como identificar e combater notícias falsas, como responder a discursos de ódio e ataques nas redes sem amplificar a violência, sempre abordando a importância da comunicação não violenta. A jornalista, que conversou com o Mescla via WhatsApp comenta sobre o surgimento do Redes Cordiais, como se pode ouvir neste outro trecho.
Quer saber mais sobre educação midiática? Veja os conteúdos disponibilizados neste blog, organizado a partir de um programa realizado ao longo do ano passado e que concentra uma série de entrevistas e artigos sobre o tema.
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Além dos professores que participaram do projeto, o lançamento contou ainda com diretores de escolas e autoridades ligadas à educação e transparência de dados, como o secretário de Transparência e Controladoria do Município de Porto Alegre, Gustavo Ferenci. O consul-geral dos EUA em Porto Alegre, Shane Christensen, que também esteve no encerramento, enfatizou a importância do programa para o desenvolvimento da cidadania. “Acreditamos que uma sociedade civil que tem a capacidade de ler a sua realidade com olhos críticos, diferenciando a desinformação da informação, tem o poder de fortalecer suas democracias – e sabemos que esse processo começa na sala de aula”, destaca Christensen.

Para a gerente de administração acadêmica da Unidade de Pesquisa e Pós-Graduação da Unisinos, Gisele Spricigo, o Programa Desafio Nuvem representou a potência do trabalho em conjunto. “Foi atividade de grandes transbordamentos de nossos saberes e práticas, entre áreas de conhecimento, mas também, entre níveis de formação. Desses transbordamentos, leia-se aqui, em vias de mão dupla, tanto da sociedade para a academia, como da academia para a sociedade, que nos estimulam a deixar de lado muros, mas sim, construir pontes”.


Como funcionou o Programa
No Desafio Nuvem, mais de 100 professores do ensino básico acompanharam duas oficinas online com especialistas do Brasil e dos Estados Unidos sobre temas ligados à educação midiática, liberdade de expressão e combate à desinformação. A primeira ocorreu no mês de maio e foi “Aprofundando conceitos: desinformação, algoritmos, fact-checking e letramento midiático”, e contou com a pesquisadora americana, Katya Vogt, que integra a ONG internacional IREX, e com o pesquisador brasileiro Raphael Kappa, coordenador de educação da Agência Lupa. Já a segunda, em junho, foi “Colocando em Prática: ferramentas e recursos para trabalhar letramento midiático na educação básica”, Tessa Jolls, presidente e CEO do Center for Media Literacy (EUA), e Nina da Hora, pesquisadora do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas (CTS-FGV).
Na segunda etapa, os educadores foram convidados a compartilhar propostas para trabalhar esses conhecimentos em sala de aula, com atividades adaptadas aos diversos níveis de ensino e áreas do conhecimento. As 10 propostas apresentadas no e-book foram avaliadas por professores da Unisinos, e representam um olhar crítico sobre as mídias ao abordar o combate ao racismo, a valorização das identidades culturais a partir do patrimônio histórico, a relevância das organizações cooperativas e os riscos da produção massiva de fake news no meio digital.
A professora Jaqueline Schimdt destaca que o programa a ajudou a perceber a importância da educação midiática na escola e a mobilização de pesquisadores sobre o tema. “Tive acesso a novas ideias para desenvolver as minhas práticas em produção e veiculação de vídeo estudantil nas aulas de Arte”, explicou a professora de artes na escola municipal Ezequiel Nunes Filho de Esteio, região metropolitana de Porto Alegre.



“O Desafio não só me encorajou, como também me convenceu de que é possível trabalhar com educação midiática no Ensino Médio de maneira profunda”, destacou a professora de Língua Portuguesa e Língua Inglesa, Nathália Gasparini do Instituto Federal Restinga, em Porto Alegre.
“Agora, esses projetos podem inspirar outros educadores do país a seguirem desenvolvendo novas e diferentes práticas de educação midiática, colaborando para um ecossistema educacional mais preparado para difundir formas de comunicação não violenta, mais empática e construtora de diálogos para o encontro de caminhos e soluções para os problemas sociais do país”, escrevem as coordenadoras do projeto, Taís Seibt e Luciana Kraemer, na apresentação do livro digital.
Para o decano da Escola da Indústria Criativa da Unisinos, Gustavo Severo Borba, a educação midiática se torna mais importante à medida que avançamos mais nos ambientes digitais. “Ter a possibilidade de construção de projetos transformadores como este, através de uma parceria que envolve diferentes atores e tem como um dos protagonistas a Unisinos, é fundamental para a transformação social e o compromisso com a ciência que temos dentro de nossa universidade”, diz Borba.
Lançado na segunda feira (28) o e-book está disponível gratuitamente através do site nuvem.unisinos.br
Novos projetos
O programa que se encerra foi fruto do Núcleo Universitário Educação para as Mídias (Nuvem), um projeto interdisciplinar que nasceu em 2018. E a experiência do Desafio Nuvem inspirou a criação de um novo curso de especialização em Educação Midiática, que será ofertado na Unisinos em 2023, com aulas online ao vivo a partir de abril. O curso integra o portfólio do Instituto de Cultura Digital da Unisinos, integrando professores da Unisinos e especialistas convidados para oferecer uma formação única e diferenciada em comunicação para profissionais e gestores de educação repensarem práticas e políticas educacionais adaptadas à cultura digital. Para receber informações sobre o curso, cadastre-se em bit.ly/posedmid.
Conheça os projetos e autores do e-book
10 propostas de educação para as mídias na escola
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]]>Serão selecionados 10 projetos de diferentes níveis de ensino e áreas de conhecimento para a publicação, que tem como intuito servir de referência a outros professores no desenvolvimento de atividades de educação midiática em sala de aula.
O Desafio Nuvem está alinhado às novas diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que incluem competências relacionadas à educação para as mídias, combate à desinformação e ao discurso de ódio, e promoção da liberdade de expressão entre crianças e adolescentes.
Durante os meses de maio e junho, os professores tiveram a possibilidade de ouvir especialistas na área, tirar dúvidas e debater a questão da educação midiática no ensino básico. Estiveram presentes como palestrantes os brasileiros Rapahel Kapa (Agência Lupa) e Nina da Hora (FGV), e as estadunidenses Katya Vogt (Irex) e Tessa Jolls (Center for Media Literacy). Os especialistas abordaram conceitos como desinformação, algoritmos, fact-checking e letramento midiático, além de apresentar ferramentas e recursos para trabalhar letramento midiático na educação básica.
Quem não participou da primeira etapa, mas tem interesse em acessar os materiais e submeter um projeto de educação midiática para a segunda etapa do Desafio Nuvem, pode acessar o link para ingressar na nova fase: https://bit.ly/OficinasDesafiosNuvem. Não há qualquer custo para os participantes.
O Desafio Nuvem de Educação Midiática é realizado pelo Núcleo Universitário de Educação para as Mídias (Nuvem) da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), com apoio da Embaixada e Consulados dos EUA no Brasil. Mais informações no site nuvem.unisinos.br ou pelo e-mail nuvem@unisinos.br.
SERVIÇO
O que: Submissão de projetos para o e-book do Desafio Nuvem de Educação Midiática, programa da Unisinos com apoio da Embaixada e Consulados dos EUA no Brasil
Quem: professores da educação básica do RS
Quando: até 31 de julho
Como: pelo link bit.ly/ProjetoDesafioNuvem2022
Quanto: gratuito
Contato: nuvem@unisinos.br
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]]>Estarão presentes as especialistas Tessa Jolls, presidente e CEO do Center for Media Literacy (EUA), e Nina da Hora, pesquisadora do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas (CTS-FGV). A oficina tem como título “Colocando em Prática: ferramentas e recursos para trabalhar letramento midiático na educação básica”, e a mediação será realizada por Daiana Campani, doutoranda em Linguística Aplicada pela Unisinos.
Essa será a última formação do programa, que tem apoio da Embaixada e Consulados dos EUA no Brasil. Na próxima etapa do Desafio Nuvem, os professores inscritos serão convidados a compartilhar planos de ensino que abordem a educação midiática para publicação em um e-book. Serão selecionados 10 projetos, de diferentes áreas do conhecimento e níveis de ensino, do fundamental ao médio.
Sobre as palestrantes
Tessa Jolls é presidente e CEO do Center for Media Literacy, uma organização sem fins lucrativos que fornece pesquisas e newsletters sobre o tema de educação midiática. Jolls também é Visiting Scholar na American University/Bruxelas, UCLouvain. Em 2020, recebeu o Prêmio Fulbright de Estudos de Segurança da OTAN, e em 2015 recebeu o Global Media and Information Literacy Award, em reconhecimento ao seu trabalho em Media and Information Literacy and Intercultural Dialogue, da Unesco em cooperação com a United Nations Alliance of Civilizations (Unaoc). Jolls se concentra em projetar, implementar e avaliar programas de alfabetização midiática e fornecer desenvolvimento profissional.
Nina da Hora é pesquisadora do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da FGV (CTS-FGV), divulgadora científica e hacker antirracista. Criadora de duas iniciativas de educação computacional, o Computação da Hora e o Ogunhê, foi uma das jovens lideranças indicadas na lista da Forbes Under 30, em 2021. Atualmente, é colunista sobre ciência, tecnologia e sociedade no MIT Technology Review Brasil e Canal Futura.
As inscrições para o Desafio Nuvem permanecem abertas até o dia 11 de junho e as oficinas não possuem custo algum para os participantes e contam com tradução simultânea para o português, não sendo necessário ter fluência em inglês para acompanhar o programa. Para receber certificado de participação, os inscritos devem entrar na chamada da plataforma Zoom pela área do participante, fazendo login na própria página de inscrição do programa. Mais informações no site nuvem.unisinos.br ou pelo e-mail nuvem@unisinos.br.
SERVIÇO
O que: Desafio Nuvem de Educação Midiática, programa de formação gratuita e online para professores do ensino básico promovido pela Unisinos com apoio da Embaixada e Consulados dos EUA no Brasil
Quem: Tessa Jones (Center for Media Literacy) e Nina da Hora (CTS-FGV)
Quando: 11 de junho, sábado, das 10h às 12h
Onde: online, pela plataforma Zoom
Quanto: gratuito
Como: inscrições até 11 de junho em bit.ly/desafionuvem2022
Contato: nuvem@unisinos.br
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]]>A primeira palestrante foi Katya Vogt, Mestre em Políticas de Educação Internacional pela Harvard Graduate School of Education, que falou de de Washington. Ela é autora do Learn to Discern (L2D), projeto integrado à ONG IREX que capacita os cidadãos a navegarem no ambiente contemporâneo de informações “de maneira segura, saudável, responsável, crítica e orientada para a empatia”. A apresentação, que teve como título “O papel dos educadores em construir resiliência a informações manipuladas” abordou as competências e habilidades necessárias para tornar os alunos mais responsáveis, críticos e empáticos ao ambiente informacional.
A palestrante trouxe dados importantes sobre o contexto no qual estamos inseridos, como a de que “90% dos dados que temos hoje foram criados nos últimos dois anos”. Isso se revela na quantidade de conteúdo que é criada e consumida.

Durante a oficina, Katya comentou que há uma clara dependência dos jovens ao ambiente digital, e que o tempo médio em que um adolescente americano passa nas redes é de nove horas. “É muito mais do que o tempo que passam dormindo”, comentou. A especialista listou nove problemas que assolam o público mais jovem que estão associados à avalanche de informações falsas a que estão submetidos: sobrecarga de informações; autoimagem negativa; estereótipos enviesados; inabilidade para fazer uma decisão baseada em fatos; uma saúde mental abalada, como altos níveis de ansiedade; animosidade; intolerância, polarização; e déficit de confiança.
A pesquisadora finalizou destacando que é também tarefa dos professores ajudarem crianças e adolescentes a reduzirem seus tempos de tela: “Seja atento ao seu espaço informacional, abandone seu vício digital, desligue o piloto automático e dome suas emoções”,
O combate à desinformação não pode ser feito apenas com checagem
A dependência dos dispositivos e suas interfaces com as mídias também foi destacada por Raphael Kapa, o segundo a palestrar. Para o jornalista, que é doutorando em história, é preciso lembrar que os estudantes passaram por uma longa exposição às mídias em função da pandemia e das restrições sanitárias. “Você tira o celular e eles têm uma relação de adição, parece que você está tirando uma questão existencial, então a gente precisa trabalhar isso aos poucos”, apontou.
Kappa é coordenador de Educação na Agência Lupa, uma das pioneiras em checagem de informação no país, e tem se dedicado ao combate à desinformação tanto como jornalista como educador. E é por aliar estes dois campos que Kapa alerta que o combate à desinformação requer um esforço que vai além da checagem, que por mais que ela seja fundamental não pode estar sozinha. Kapa afirma que é necessário um trabalho de longo prazo capaz de causar um impacto geracional. A educação midiática deve ser pensada para cada região do Brasil, aproveitando-se das mídias e suportes disponíveis para cada lugar, criando assim um sistema mais efetivo.

Todas as áreas do conhecimento sofrem com falta de informação midiática
Kapa ressaltou que uma das áreas que carece de letramento midiático é a matemática: “você vê como as pessoas são enganadas em percentuais e amostragens, principalmente neste período em que a confiabilidade da vacina é tão importante”, destacou. Outro exemplo ocorre nas atividades de humanas.: “Com geografia, filosofia e sociologia a relação com a fonte, primária, secundária, todos estes ensinamentos dos professores precisam ser incorporados à educação midiática, para que os educadores possam trabalhar na formação crítica usando diferentes mídias, conforme prevê a Base Nacional Curricular Comum”. O jornalista ainda trouxe dados de uma pesquisa realizada pelo OCDE que aponte que 67% dos jovens de 15 anos não sabiam a diferença de fato e opinião.
A próxima oficina do Desafio Nuvem de Educação Midiática será no dia 11 de junho, com especialistas do Brasil e do Estados Unidos. Intitulada, “Colocando em Prática: Ferramentas e Recursos para Trabalhar Letramento Midiático na Educação Básica”, estarão presentes Nina da Hora, pesquisadora do Centro e Sociedade da FGV e Tessa Jolls, Presidente e CEO do Center for Media Literacy. A mediação será realizada pela doutoranda em Linguística Aplicada pela Unisinos, Daiana Campani.
O Desafio Nuvem é um programa gratuito de letramento midiático para professores da rede básica de educação do Rio Grande do Sul promovido pela Unisinos com apoio da Embaixada e Consulados dos Estados Unidos no Brasil. Ao final do desafio, os professores participantes poderão enviar seus projetos para uma banca, 10 trabalhos serão selecionados para serem publicados em um e-book.
As inscrições devem ser feitas pela plataforma Eventos Unisinos ou pelo link: bit.ly/desafionuvem até dia 11 de junho. Para mais informações, acesse: nuvem.unisinos.br ou envie um e-mail para nuvem@unisinos.br.
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]]>The post Primeira oficina do Desafio Nuvem acontece neste sábado appeared first on Portal da Indústria Criativa.
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A oficina, que tem como tema Desinformação e Fact-checking, abre o programa de letramento em mídia para professores do ensino básico do Rio Grande do Sul elaborado pela Unisinos com o apoio da Embaixada e Consulados dos EUA no Brasil. A mediação será de Maria Eduarda Giering, professora que atua no curso de Letras e no programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada da Unisinos. Seus estudos focam em diversos gêneros discursivos, como o da comunicação da ciência e outros ligados à tecnologia. Maria Eduarda também coordena o Projeto LER: literatura e ciência e faz parte da equipe editorial da revista digital de popularização da ciência Linguarudo, além de ter liderado a equipe de Consultoria Pedagógica do Desafio Nuvem .
Ambos os palestrantes têm experiências que podem auxiiar os professores da rede básica a desenvolver, em sala de aula, competências que estão previstas nas novas diretrizes da Base Nacional Comum Curricular. Dentre elas, a da leitura crítica dos conteúdos midiáticos em seus diferentes formatos, interpretação correta de gráficos e porcentagens, comunicação não-violenta, representatividade social e participação cívica são assuntos cotidianos que podem integrar atividades em sala de aula nas diversas disciplinas e níveis de ensino.
Katya Vogt é mestre em Políticas de Educação Internacional pela Harvard Graduate School of Education e tem 20 anos de experiência em design e implementação de programas e desenvolvimento internacional. Ela também apoiou treinamento de professores e criação de ferramentas de tecnologia educacional, fortalecimento de mídia e iniciativas de jovens lideranças. Vogt Projetou o Learn to Discern (L2D), projeto dentro da ONG IREX que trabalha uma abordagem centrada no humano, capacita os cidadãos a navegar no ambiente contemporâneo de informações de maneira segura, saudável, responsável, crítica e orientada para a empatia.
Já Kapa é Jornalista formado pela UFRJ e doutorando em história pela Universidade Federal Fluminense. Atualmente trabalha na Agência Lupa, onde é coordenador de Educação. Nos últimos anos, tem se dedicado ao combate à desinformação, tanto como jornalista quanto como educador. Conforme comentou em entrevista ao Mescla/Desafio Nuvem, “o desafio é enorme, por isso que a educação midiática não pode ser pensada só para um segmento, tem que ser pensada para várias faixas etárias e de uma maneira que envolva diversos plurais.”
A oficina que tem como tema Desinformação e Fact-checking , dia 21 de maio, através da plataforma Zoom da Embaixada dos Estados Unidos. Para os palestrantes que não falam português o evento contará com dois canais de áudio, um com o audio original do palestrante e outro com tradução simultânea.
O Desafio Nuvem seguirá com inscrições abertas até o dia 11 de junho, quando ocorrerá outra oficina com palestrantes do Brasil e dos Estados Unidos. A cientista de dados Nina da Hora já está confirmada para a próxima formação. Nina é pesquisadora do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da FGV (CTS-FGV), divulgadora científica e hacker antirracista. . Direcionado a professores da rede básica de ensino do Rio Grande do Sul, o programa não tem custo alguma para os participantes. Após as oficinas, os professores serão convidados a desenvolver um projeto de educação midiática que será avaliado por uma comissão multidisciplinar. Dez projetos serão escolhidos para fazer parte de um e-book.
O que: Desafio Nuvem de Educação Midiática, programa de formação gratuita e online para professores do ensino básico promovido pela Unisinos com apoio da Embaixada e Consulados dos EUA no Brasil
Quem: Raphael Kapa (Agência Lupa), Kátia Vogt (ONG IREX)
Quando: 21 de maio, sábado, das 10h às 12h
Onde: online
Quanto: gratuito
Como: inscrições até 11 de junho em bit.ly/desafionuvem2022
Contato: nuvem@unisinos.br
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]]>The post Raphael Kapa: “O aluno passou dois anos assistindo aula pelo celular, então negar a mídia em sala de aula é impossível” appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>Mescla: pode começar nos contando um pouco da sua trajetória profissional e a sua relação com a educação midiática.
Raphael: A minha formação é dupla não porque eu quis fazer, mas fui me encaminhando para isso. Eu sou formado em História e em jornalismo, então pela história acabei caindo muito na sala de aula e pelo jornalismo acabei caindo muito em redação. Aí, unindo os dois fatores, eu comecei a cobrir educação dentro dos jornais. Isso é uma coisa que eu sempre via que, lá fora, a educação midiática já era um tema muito relevante há 10 anos, e aqui no Brasil ainda tinha relações completamente pioneiras. Quando a TV começou a produzir conteúdos educativos foi altamente pioneiro e revolucionário, mas depois sofreu uma estagnação. Então ficou um período ali com iniciativas pontuais, e exatamente um período onde novas mídias começaram a surgir e explodir, e a nossa relação com elas começou a ficar cada vez mais complexa e densa. Nesse sentido, eu comecei a me especializar um pouco na área de educação midiática e casou de ser um período onde a Lupa estava começando a pensar sobre isso. Nisso, fizemos o segundo casamento. Eu fundei a Lupa em 2015, mas como repórter, saí da Lupa para ir para outros lugares e voltei exatamente com a missão de pensar na educação midiática como uma forma de combate à desinformação, exatamente pela explosão de novas mídias. Isso traz uma complexidade e gera um volume de desinformações maior, não quer dizer que nunca existiu, mas quer dizer que o volume aumentou. A gente entendeu que a Lupa, como uma referência no combate à desinformação, não podia não tratar sobre isso.
Mescla: qual a importância de abordar educação midiática na sala de aula ?
Raphael: É fundamental porque hoje o nosso aluno é totalmente mediado por mídias, ele já era antes da pandemia, mas ele passou a ser inserido totalmente com a pandemia. Até o espaço da sala de aula, que era um espaço onde você dizia “guarde o celular” ou “use poucas vezes para uma atividade didática”. O aluno passou dois anos assistindo a aula pelo celular, então retomar essa sala de aulas negando a mídia é impossível. A grande questão é como criar essa mediação para as mídias de uma geração que está totalmente intrínseca nela, diria totalmente viciada, que é a geração mais jovem que está no ensino básico. Por outro lado, temos uma outra geração mais adulta que ela se acha muito nativa digital, mas as próprias plataformas estão mudando ao longo do tempo, como o Orkut já existiu, deixou de existir e vai voltar a existir, então achar que você já sabe como se relacionar é um erro. A gente tem que estar sempre se renovando nesse sentido e pensando. E tem uma outra geração mais adulta que não teve essa relação com esse tipo de mídia, como a gente tem hoje, ligado mais em internet e redes sociais. E a relação dessa geração com a informação é outra, é uma relação onde a informação já vinha com uma curadoria, já vinha com uma apuração e hoje eles consomem muitas vezes de maneira muito parecida com que existia antes. O desafio é enorme, por isso que a educação midiática não pode ser pensada só para um segmento, tem que ser pensada para várias faixas etárias e de uma maneira que envolva diversos plurais.
Mescla: e quais os desafios para os professores em fazer este trabalho?
Raphael: O maior desafio é que esses professores foram formados para serem especialistas. Eu fui formado para ser professor de história, e na formação em nenhum momento é trabalhada a questão de como os vídeos podem trabalhar dentro da minha especialização. A gente trabalha mídia como suporte e não como meio. Como trocar o quadro negro pelo data show, trocar o levante o braço de um quiz com um aplicativo de quiz, mas não trocar metodologias, práticas, vivências e relações. Então precisamos muito ter novas imersões nesse sentido, porque senão a gente ainda vai tratar a mídia como suporte e não como meio.
Mescla: Como as ferramentas midiáticas na sala de aula podem contribuir para a formação cidadã?
Raphael: Eu acho que tem que ser pensado muito pela questão de como professor pensa o seu currículo para isso. Pensar a mídia somente pela mídia não vai funcionar, mas uma aula muito bem preparada e uma educação voltada para cidadania, pensando aí os pontos sensíveis daquela comunidade, como essa pessoa pode se inserir essa comunidade de frente a isso, aí você pode a partir da instrumentalizar com mídias. A mídia por si só não resolve a questão de uma cidadania, mas a educação se dando atrelada com uma mídia pode acelerar o processo de cidadania.
Mescla: Qual a importância de programas de formação sobre educação midiática, como o Desafio Nuvem, para professores da educação básica?
Raphael: O universo do professor, falando como professor, é muito desgastante. É um ritmo de trabalho absurdo que as pessoas não têm noção. É preparar a aula, dar a aula, depois prova, fazer a revisão para conseguir retornar com a melhor eficiência, fazer tudo isso e ainda ter que buscar treinamentos, ter que buscar leituras, o que por si só é muito desgastante. Então com iniciativas como essa conseguem trazer esse alento ao professor, chamar junto, chegar e falar “olha temos essas pessoas aqui que estão tratando sobre, talvez se interessa que você escutar, participar, contribuir” eu acho que você forma uma rede colaborativa muito boa, porque não existe especialista nessa área existe quem atua nela. Então quanto mais pessoas atuarem nessa área mais diverso vai ser e menos desgastante.
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]]>O primeiro painelista a falar foi o chefe da seção de Liberdade de Expressão e Segurança de Jornalistas da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Guilherme Canela. Ele destacou que os desafios que envolvem a educação midiática em nível global são de várias ordens, incluindo o entendimento computacional. “Entender os códigos da internet, a linguagem binária, os 1’s e 0’s que criam essas coisas positivas, mas também todas essas encrencas, é tão relevante quanto estudar português ou matemática”, sintetizou Canela, que falou de Paris, onde trabalha. Para ele, é importante envolver as crianças nesta ação. “A melhor alternativa é como que a gente faz que as nossas crianças sejam resilientes para entrar em contato com os conteúdos eventualmente nocivos para o seu desenvolvimento biopsicossocial e saibam enfrentar esse processo.” Canela também frisou a importância de um sistema de justiça atuante quando há eventuais danos que possam ocorrer dentro do ambiente online.
“Uma notícia falsa viraliza rapidamente e os desmentidos nunca percorrem todo o caminho de volta”, frisou Clara Becker, cofundadora do programa Redes Cordiais, uma plataforma de capacitação para influenciadores voltada à educação midiática para o enfrentamento das fakenews e do discurso de ódio. O Redes Cordiais propõe que todos revejam o seu papel no ambiente digital utilizando recursos de diferentes áreas do conhecimento. Durante o evento, Becker destacou que os discursos de ódio alimentam notícias falsas e vice-versa. “Essa desordem na informação vai desgastando laços de confiança nas instituições democráticas, e também separa famílias, alunos de professores e, muitas vezes, a sociedade em bolhas, que não querem dialogar entre si”, completa a jornalista.
O último a abrir o painel foi Pedro Moreira, editor-chefe do portal de notícias GZH e coordenador do projeto Fluência em Notícias, que destaca os processos jornalísticos internos visando a transparência para o público. Atualmente, GZH tem o desafio de comunicar-se com as gerações mais novas para fazê-las terem interesse em um conteúdo jornalístico tradicional. Moreira comentou sobre o momento atual na comunicação: ”Há alguns anos, todos os veículos de comunicação são muito atacados, e de vários lados. Esses pontos de ataques e conflitos não vão diminuir; eles vão aumentar e vão continuar aí. O nosso papel é tentar equilibrar um pouco e não estimular o conflito”, completa.
Os coordenadores do curso de Jornalismo da Unisinos, Débora Lapa Gadret e Micael Behs, estiveram presentes e sublinharam a importância da criação do Núcleo Universitário de Educação para as Mídias (Nuvem), que deu origem ao Desafio Nuvem, programa voltado para o Ensino Básico: “Há cinco anos, fizemos o lançamento do projeto com o objetivo de discutir e promover a crítica da mídia e educação para as mídias, sendo um dos grandes líderes da iniciativa Edelberto Behs, que coordenava o curso anteriormente. Hoje, damos um passo superimportante para ampliar a ideia e fazer uma interlocução relevante com a educação básica”, acentuou Gadret. São coordenadoras do Desafio Nuvem as professoras Taís Seibt e Luciana Kraemer.
A Cônsul para Educação, Cultura e Imprensa do Consulado-Geral em Porto Alegre, Sarah Borenstein, explicou as motivações que levaram a Embaixada e Consulados dos Estados Unidos no Brasil a apoiarem a iniciativa do Desafio Nuvem. “Acreditamos que boa educação e informação de qualidade são cruciais para formar cidadãos conscientes, críticos e engajados. Acreditamos também que esses cidadãos bem informados e críticos estão melhor posicionados para contribuir de forma mais justa e equilibrada com o processo democrático”, disse.
O Desafio Nuvem de Educação Midiática é um programa gratuito de letramento midiático para professores da rede básica de educação do Rio Grande do Sul. O desafio contará com duas oficinas com especialistas do Brasil e do Estados Unidos. Ao final do desafio, os professores participantes enviarão seus projetos para uma banca e dez deles serão selecionados para serem publicados em um e-book.
As inscrições podem ser feitas pela plataforma Eventos Unisinos ou pelo link: bit.ly/desafionuvem até dia 20 de maio. Para mais informações, acesse: nuvem.unisinos.br ou envie um e-mail para nuvem@unisinos.br.
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]]>O painel é intitulado “O papel da escola na educação para as mídias” e tem como objetivo lançar um projeto para promover o letramento midiático entre professores do ensino básico do Rio Grande do Sul. O debate se integra a um projeto mais amplo chamado Desafio Nuvem de Educação Midiática que se estende até novembro.
Com a crescente produção e consumo de conteúdo digital, fica mais difícil distinguir o que são fatos a partir de notícias apuradas profissionalmente, do que são opiniões ou produção de notícias falsas. O papel da educação midiática é justamente dar ao leitor a capacidade e ferramentas para questionar a origem e a autoria do conteúdo, bem como ajudá-lo a interpretar a intenção e o contexto das produções. Para a Escola da Indústria Criativa e demais interessados, o Painel deste sábado pode ser uma oportunidade para os acadêmicos ouvirem e se apropriarem mais de um tema que ainda encontra pouco espaço para discussão, mas que é transversal a todas as áreas do conhecimento, pois se relaciona com a Liberdade de Expressão.
Segundo a coordenadora do curso de jornalismo da Unisinos Débora Gadret: “Discutir formas de combater a desinformação e propor iniciativas que ajudem a ampliar o conhecimento sobre o tema é fundamental para toda a sociedade. Além de afetar o debate público nas democracias contemporâneas, a desinformação tem impactado negativamente a Indústria Criativa, principalmente a cultura e o jornalismo. O Desafio Nuvem busca fomentar ações de formação no Ensino Básico, para que o letramento midiático possa combater, ao menos em parte, a circulação e a disseminação desses conteúdos.”



Dentre os palestrantes estão Guilherme Canela, que é atualmente chefe da seção de Liberdade de Expressão da Unesco, agência especializada das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Canela é bacharel em Relações Internacionais e mestre em Ciência Política pela Universidade de São Paulo e coordenou, por oito anos, a área de pesquisa de mídia e jornalismo da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI).
Outra palestrante é a Clara Becker, formada em Comunicação Social e Letras, passou pelas revistas Piauí e Veja Brasília e, nos últimos anos, especializou- se em combate à desinformação atuando na Lupa, a primeira agência de fact checking brasileira. Clara é cofundadora do projeto Redes Cordiais, que é a primeira plataforma brasileira de educação midiática para influenciadores e redes sociais.
Do Rio Grande do Sul, o convidado é Pedro Moreira, formado em Jornalismo, com MBA em Gestão e Novas Mídias. Está desde 2007 no Grupo RBS e atualmente é editor-chefe de GZH e coordenador do projeto Fluência em Notícias, que detalha processos jornalísticos de GZH.
O Desafio Nuvem conta com apoio da Unisinos e da Embaixada e Consulados dos EUA no Brasil. As atividades começaram no mês de abril e terminarão em novembro. Para os inscritos, haverá letramentos sobre a questão da educação midiática no qual resultará em um projeto para ser aplicado em sala de aula. Os 10 melhores projetos serão publicados em um e-book. Para acompanhar todas as notícias do Desafio Nuvem, acesse: medium.com/@nucleo_nuvem.
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