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Os desafios de trabalhar com letramento midiático em sala de aula
"Na primeira oficina do Desafio Nuvem, os pesquisadores abordaram os problemas enfrentados por professores e alunos para combater a desinformação "
Gabriel Ferri

O workhop ocorreu no final de maio e foi transmitido via zoom para todos os professores do ensino básico que se inscreveram no Desafio Nuvem de Educação Midiática, programa da Unisinos com o apoio da Embaixada e Consulado dos Estados Unidos no Brasil.  “Aprofundando conceitos: desinformação, algoritmos, fact-checking e letramento midiático” foi o título da oficina que durou quase duas horas e contou com a pesquisadora americana, Katya Vogt e com o pesquisador brasileiro Raphael Kappa.  O evento teve a mediação da professora do Curso de Letras e do Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada da Unisinos, Maria Eduarda Giering. 

A primeira palestrante foi Katya Vogt, Mestre em Políticas de Educação Internacional pela Harvard Graduate School of Education, que falou de de Washington. Ela é autora do Learn to Discern (L2D), projeto integrado à ONG IREX que capacita os cidadãos a navegarem no ambiente contemporâneo de informações “de maneira segura, saudável, responsável, crítica e orientada para a empatia”. A apresentação, que teve como título “O papel dos educadores em construir resiliência a informações manipuladas” abordou as competências e habilidades necessárias para tornar os alunos mais responsáveis, críticos e empáticos ao ambiente informacional.  

A palestrante trouxe dados importantes sobre o contexto no qual estamos inseridos, como a de que “90% dos dados que temos hoje foram criados nos últimos dois anos”. Isso se revela na quantidade de conteúdo que é criada e consumida.   

Palestrante Katya Vogt (Reprodução via Zoom)

Durante a oficina, Katya comentou que há uma clara dependência dos jovens ao ambiente digital, e que o tempo médio em que um adolescente americano passa nas redes é de nove horas. “É muito mais do que o tempo que passam dormindo”, comentou.   A especialista listou nove problemas que assolam o público mais jovem que estão associados à avalanche de informações falsas a que estão submetidos:  sobrecarga de informações; autoimagem negativa; estereótipos enviesados; inabilidade para fazer uma decisão baseada em fatos; uma saúde mental abalada, como altos níveis de ansiedade; animosidade; intolerância, polarização; e déficit de confiança.  

A pesquisadora finalizou destacando que é também tarefa dos professores ajudarem crianças e adolescentes a reduzirem seus tempos de tela: “Seja atento ao seu espaço informacional, abandone seu vício digital, desligue o piloto automático e dome suas emoções”,  

O combate à desinformação não pode ser feito apenas com checagem 

A dependência dos dispositivos e suas interfaces com as mídias também foi destacada por Raphael Kapa, o segundo a palestrar. Para o jornalista, que é doutorando em história, é preciso lembrar que os estudantes passaram por uma longa exposição às mídias em função da pandemia e das restrições sanitárias. “Você tira o celular e eles têm uma relação de adição, parece que você está tirando uma questão existencial, então a gente precisa trabalhar isso aos poucos”, apontou. 

 Kappa é coordenador de Educação na Agência Lupa, uma das pioneiras em checagem de informação no país, e tem se dedicado ao combate à desinformação tanto como jornalista como educador. E é por aliar estes dois campos que Kapa alerta que o combate à desinformação requer um esforço que vai além da checagem, que por mais que ela seja fundamental não pode estar sozinha. Kapa afirma que é necessário um trabalho de longo prazo capaz de causar um impacto geracional. A educação midiática deve ser pensada para cada região do Brasil, aproveitando-se das mídias e suportes disponíveis para cada lugar, criando assim um sistema mais efetivo.  

Todas as áreas do conhecimento sofrem com falta de informação midiática 

Kapa ressaltou que uma das áreas que carece de letramento midiático é a matemática: “você vê como as pessoas são enganadas em percentuais e amostragens, principalmente neste período em que a confiabilidade da vacina é tão importante”, destacou.  Outro exemplo ocorre nas atividades de humanas.: “Com geografia, filosofia e sociologia a relação com a fonte, primária, secundária, todos estes ensinamentos dos professores precisam ser incorporados à educação midiática, para que os educadores possam trabalhar na formação crítica usando diferentes mídias, conforme prevê a Base Nacional Curricular Comum”. O jornalista ainda trouxe dados de uma pesquisa realizada pelo OCDE que aponte que 67% dos jovens de 15 anos não sabiam a diferença de fato e opinião.  

 A próxima oficina do Desafio Nuvem de Educação Midiática será no dia 11 de junho, com especialistas do Brasil e do Estados Unidos. Intitulada, “Colocando em Prática: Ferramentas e Recursos para Trabalhar Letramento Midiático na Educação Básica”, estarão presentes Nina da Hora, pesquisadora do Centro e Sociedade da FGV e Tessa Jolls, Presidente e CEO do Center for Media Literacy.  A mediação será realizada pela doutoranda em Linguística Aplicada pela Unisinos, Daiana Campani.  

O Desafio Nuvem é um programa gratuito de letramento midiático para professores da rede básica de educação do Rio Grande do Sul promovido pela Unisinos com apoio da Embaixada e Consulados dos Estados Unidos no Brasil.  Ao final do desafio, os professores participantes poderão enviar seus projetos para uma banca, 10 trabalhos serão selecionados para serem publicados em um e-book.  

As inscrições devem ser feitas pela plataforma Eventos Unisinos ou pelo link: bit.ly/desafionuvem até dia 11 de junho. Para mais informações, acesse: nuvem.unisinos.br ou envie um e-mail para nuvem@unisinos.br. 

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