wp-mailinglist domain was triggered too early. This is usually an indicator for some code in the plugin or theme running too early. Translations should be loaded at the init action or later. Please see Debugging in WordPress for more information. (This message was added in version 6.7.0.) in /home/agexcom/mescla.cc/wp-includes/functions.php on line 6260The post 32ª edição do Workshop de Design conta com parceria do MARGS appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>Na manhã de segunda-feira, 02 de outubro, os alunos de Design dos dois campus realizaram uma visitação guiada pelo Museu de Artes do RS – MARGS, junto aos professores Andre Marques, Bibiana Horn, Gisele Becker e Maura Flores, como parte da programação da 32ª edição do Workshop de Design, grande evento do curso que vai do 2 a 6 de outubro.
Tudo iniciou com uma visita do coordenador do curso e professor Paulo Bittencourt à curadora do Margs, Cristina Barros, “A parceria se deu em busca de uma maior aproximação institucional do curso de Design da Unisinos com o museu, visando a religação dos saberes do Design com as artes”, aponta Paulo.
Antes de entrar no museu, do lado de fora, os alunos puderam conhecer mais sobre a história do prédio e analisar a sua arquitetura com o professor aposentado e vice-presidente da Associação de Amigos do MARGS Arnoldo Dobersteim. Ele abordou as escolhas arquitetônicas do prédio, falou sobre os seus significados e perguntou a eles o que mudariam no prédio, se pudessem.

Arnoldo conta que o prédio já serviu como local de recolhimento de impostos e sede de delegacia
(Foto: Luísa Bell)
Em seguida, o grupo de alunos foi direcionado ao segundo andar do museu para uma visitação guiada com o integrante do Núcleo de Curadoria do MARGS José Eckert, que falou sobre os artistas e as exposições que foram visitadas, e também explicou sobre as iniciativas que a equipe vem implantando para tornar o espaço mais inclusivo, como por exemplo, as duas maquetes táteis expostas logo na entrada do museu, que foram desenvolvidas em parceria com o curso de Arquitetura e Urbanismo da Unisc, para que as pessoas com deficiência visual possam fazer o reconhecimento tátil do lugar o qual estão visitando.

Alunas analisando as maquetes táteis do MARGS.
(Foto: Luísa Bell)
Guiados por Eckert, as turmas conheceram a exposição “Histórias ausentes”, de Hélio Fervenza, e as demais obras expostas no “Acervo em Movimento”, que é dedicado à exibição pública do acervo do museu, operado em um modelo de rotatividade de obras. No dia, o espaço contava com os respectivos enfoques: o primeiro sendo um diálogo e extensão à exposição da artista e professora Christina Balbão, e o segundo enfoque sendo a ampliação da amostragem dos têxteis no Acervo Artístico do Margs, com a coleção intitulada “A Tapeçaria”.

Os jovens ficaram impressionados pelas obras expostas no Acervo em Movimento
(Fotos: Luísa Bell)
Por fim, os estudantes terminaram a visitação no auditório com a coordenadora do Núcleo de Comunicação e Design e curadora assistente do MARGS Cristina Barros, e o historiador e integrante do Núcleo Administrativo e de Programa Público, Pedro Osório. A conversa com os alunos envolveu a história do museu, as programações e a organização das três oficinas que são ofertadas ao público: “Mediação crítica”, “Conversas com artistas”, “Mediação em libras” e “Crianças no MARGS”.
Eles também aproveitaram a ocasião para debater sobre os pontos que gostariam que os alunos levassem em consideração ao realizarem os seus projetos, a partir do estudo realizado pelo Núcleo Educativo e de Programa Público do Margs, para conhecer melhor os tipos de públicos que frequentam o local e o que pode ser feito para melhorar a experiência dos mesmos.

O coordenador Pedro Osório e Cristiana Barros apresentaram questões que o MARGS busca melhorar aos 70 anos
(Foto: Luísa Bell)
As alunas do curso de Design da Unisinos, Andressa Xavier, de 18 anos, e Luiza Salvaterra também de 18 anos, contaram que nunca tinham visitado o MARGS, e disseram ter saído de lá impressionadas com a arquitetura do prédio.
“Como eu nunca tinha vindo, eu gostei bastante. As exposições estavam interessantes, mas o que eu mais gostei e achei bem interessante mesmo, foi a arquitetura do prédio. Ver os detalhes e andar por dentro dele foi muito legal”, relata Andressa.
A estudante Luiza disse ter gostado de analisar as obras e que a sua exposição favorita foi “A Tapeçaria”, presente no espaço do Acervo em Movimento.
“Eu gostei principalmente de olhar para as estátuas esculpidas, as pinturas e a própria decoração do museu mesmo”.

De costas Andressa e Luiza observam as obras de Hélio Fervenza
(Foto: Luísa Bell)
Em sua 32ª edição, o Workshop de Design é uma atividade acadêmica do curso de Design da Unisinos que ocorre semestralmente. Nele, os alunos de diferentes semestres têm a oportunidade de colocar em prática os conhecimentos desenvolvidos ao longo do curso a partir de um desafio passado por uma instituição ou empresa parceira, que nesse semestre é o MARGS.
“A atividade acontece durante uma semana, iniciando na segunda e terminando na sexta durante os turnos da manhã e da tarde, como se fosse uma maratona de projeto, já que são trabalhos bem intensos por conta da duração e da demanda, pois geralmente a gente tem um cliente ou um briefing, que norteia essa atividade” ressalta a professora Bibiana Horn.
Com o questionamento, “Como o MARGS continua dialogando com a sociedade contemporânea aos seus 70 anos?” e o que lhes foi apresentado durante a visita ao museu, os estudantes do curso de Design tanto do campus São Leo quanto de Porto Alegre, divididos em grupos de seis a sete integrantes, terão como tarefa montar um projeto que apresente soluções para diversas questões. Dentre elas, a de como melhorar a experiência do visitante, como tornar o MARGS mais conhecido pela Região Metropolitana de Porto Alegre, e como integrá-lo à Praça da Alfândega.
Até o final da semana os grupos irão apresentar as suas ideias para o pessoal do Museu que dará feedbacks.
“Nessa edição, os alunos terão uma experiência imersiva como se estivessem fazendo um projeto dentro de um escritório de design ou uma agência de design para um cliente, nesse caso o MARGS. Então, durante a semana, os alunos vão fazer pesquisas, coletar dados e projetar soluções, fazendo entregas diárias dessas etapas do projeto, e no final na sexta-feira, vão apresentar suas soluções”, explica a professora Bibiana Horn.
A 32ª edição do Workshop de Design vai até sexta-feira (06/10). Para ficar sabendo das novidades do curso, acompanhe o Instagram deles.
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]]>The post Estudantes contam sobre o que aprenderam no Festival Mundial de Publicidade de Gramado appeared first on Portal da Indústria Criativa.
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O estudante Frederico Zuffo gostou da experiência em Gramado. Ele conseguiu aproveitar todas as palestras e oficinas. “Achei muito importante uma fala que dizia da necessidade dos times das agências de publicidade serem diversos, pois é comprovado cientificamente que pensamentos criados a partir de pessoas diversas geram melhores resultados”, lembra Fred, como é conhecido.

Fred também foi cativado pela oficina sobre storytelling – habilidade de contar histórias utilizando recursos audiovisuais –, promovida pela TV Globo. No encontro, especialistas explicaram tópicos de estrutura narrativa de trailers para TV, cinema e streaming, como a construção da tensão, edição, design de som e experiência imersiva do áudio binaural.

As dicas de Fred para aproveitar o Festival passam por se encarar a timidez: “Eu mesmo consegui dar uma entrevista para o canal Multishow e participar do podcast Comunicando e Andando. Tudo porque fui ‘cara-de-pau’ e tive coragem de trocar ideias com os palestrantes”, contou.
Fred espera que alunos e egressos da Unisinos não percam as próximas edições do Festival Mundial de Publicidade de Gramado, pois é uma grande oportunidade de aprendizado e de fazer novas conexões, criando redes de relacionamentos profissionais. O estudante, porém, fez algumas sugestões: “Gostaria de mais atrações internacionais, já que no nome tem a palavra ‘Mundial’, e mais atividades que conversem diretamente com os jovens universitários. Ah, e menos problemas técnicos durante as palestras”, acrescentou.
Outra estudante que participou do evento foi Geórgia Machado Reis. Ela conta que aprendeu muito sobre a importância das relações na prática. “Durante o Festival, conversei com grandes nomes do mercado e adquiri conhecimento por meio dos workshops”, comenta.
Dentre os painéis que chamaram sua atenção estão “Promo: a propaganda do conteúdo”, que recebeu profissionais da TV Globo e da Disney, e “Futuro da publicidade”, que trouxe a diretora geral de Negócios Integrados em Publicidade da Globo, Manzar Feres, e a jornalista Christiane Pelajo. A oficina Branded content, sobre produção de conteúdo de marca, também foi importante para Geórgia.
Geórgia já havia participado do Festival no ano passado, mas no formato online. Para ela, no presencial pode desfrutar mais. “Pude aproveitar melhor, especialmente as oportunidades de networking e de trocas de ideias e experiências. Fiz amigos e conheci pessoas que vou levar sempre no coração”, revela.
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]]>The post Arte e trabalho em equipe marcaram o Workshop de PP appeared first on Portal da Indústria Criativa.
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O Workshop de PP é um evento anual. Em edições anteriores, contou com diversos participantes, entre alunos, professores e representantes de marcas conhecidas no mercado. Desta vez, a proposta foi diferente: homenagear os 50 anos da graduação em Publicidade e Propaganda da Unisinos.
Esse foi o tema escolhido para nortear as criações do dia. “Com esse propósito, eles tinham que pensar respostas para a pergunta: como a publicidade, a cultura e a arte se articulam em um manifesto para o futuro?”, explica a coordenadora interina do curso, professora Letícia Gomes da Rosa.
Os cerca de 40 inscritos se dividiram entre os três núcleos possíveis. Na hora da inscrição para o evento, era possível escolher entre as áreas de “Audiovisual”, “Redes Sociais” e “Intervenção no Campus”. Cada grupo deveria elaborar um manifesto a partir do tema “Nós somos o futuro agora”.
O time de Audiovisual decidiu montar um vídeo-manifesto. Enquanto alguns alunos gravavam imagens no campus, outros se dedicavam a elaborar o texto para o vídeo e gravar as locuções. Em apenas um dia, o grupo trabalhou no roteiro, na gravação, locução, edição e finalização do material. O resultado foi apresentado ao final do evento.
O time de Redes Sociais produziu cards para postagem e vídeos curtos, além de desenvolverem o design do logotipo que homenageia o aniversário do curso.
Já o time da Intervenção no Campus levou arte para a Universidade: com tinta e pincéis nas mãos, os futuros publicitários desenvolveram uma bandeira comemorativa, além de terem tido a possibilidade de transformar uma parede do campus em arte, obras que foram idealizadas alguns dias antes do evento, em uma oficina preparatória. Os alunos contaram com a parceria do artista plástico Renam Canzi, convidado especialmente para o Workshop.
As equipes tiveram à disposição materiais e espaços para a realização dos projetos, como câmeras, computadores, tintas, pincéis, além de laboratórios para edição e gravação de áudio. Laboratoristas também estiveram presentes para auxiliar os alunos.


Como essa edição do Workshop de PP não foi planejada para ser uma competição, não houve distribuição de prêmios. A proposta era a de unir os estudantes, e permitir que suas vozes, juntas, contassem histórias e percepções sobre os 50 anos do curso. A ideia é que os materiais produzidos sejam reproduzidos futuramente. “A ideia era de colaboração, e não de competição. A gente entende que o mercado tem um processo de competitividade, de premiação, mas nós, enquanto universidade Jesuíta, prezamos muito pelo compartilhamento de ideias e pela construção do conhecimento de forma coletiva”, afirma Letícia.
O lançamento oficial dos materiais produzidos pelos participantes ainda não tem data definida, mas os organizadores prometem para breve. O vídeo manifesto produzido pelo time de Audiovisual, as publicações do time de Redes Sociais – com os vídeos e artes especiais sobre o evento –, além do resultado do trabalho do time de Intervenção no Campus estarão disponíveis nas redes sociais do curso. Quem estiver pelo campus de São Leopoldo já poderá conferir in loco algumas produções, como a bandeira produzida pelos estudantes, que está fixada no prédio D01, bem em frente à Agexcom, e o grafite, que foi pintado em uma parede próxima ao Restaurante Universitário, no Centro Comunitário. O grafite trata-se de um galo realista (símbolo da Publicidade), feito pelas mãos do artista Renam, com participação do aluno Fred Zuffo.


Segundo a equipe organizadora do Workshop de PP, o olhar para as mudanças da profissão e transformações para o futuro foi o fator motivador do evento. Para a professora Lisiane Cohen, que trabalha com audiovisual e que acompanhou de perto as produções dos alunos, é fundamental ter uma conexão com o contexto, com a sociedade que a gente vive. “Esses profissionais que estão sendo formados precisam ter essa agilidade nas mudanças, precisam ter resiliência para poder, se for o caso, mudar a rota, mudar o rumo”, sublinha a professora.
A atividade foi uma oportunidade de unir estudantes dos campi Porto Alegre e São Leopoldo. Lisiane comenta que um dos objetivos era proporcionar uma sinergia, uma troca de ideias, de impressões, e dar a possibilidade dos alunos criarem juntos. “A gente queria que tivessem uma relação de pertencimento com o curso. Que eles pudessem realmente se apropriar”, explica a professora.
O estudante Felipe Germano Pedrotti, do 6º semestre de PP, integrou a equipe de Audiovisual no Workshop. Ele já havia participado de uma edição do evento, e conta que, desta vez, pôde colaborar com praticamente todos os processos de desenvolvimento do vídeo, colocando em prática diferentes habilidades. “Particularmente me senti desafiado quando chegou a hora de editar o vídeo. Me dispus à essa tarefa, pois já faço algumas produções amadoras, e esse seria o momento perfeito para testar meus conhecimentos. No fim do dia, foi incrível ver os resultados que conseguimos alcançar em equipe”, comemora Felipe.
Para ele, o feedback do grupo e dos professores foi fundamental. Felipe celebra que o Workshop foi uma imersão para vivenciar um pouco a dinâmica do mercado. “É um evento que dá a oportunidade dos alunos vivenciarem um pouco da rotina de trabalho criativo em diversas áreas e sem medo de errar. É justamente um momento de experimentação pessoal”, afirma o futuro publicitário.
A estudante Júlia Dutra da Rosa está bem perto da formatura. Atualmente no 8º semestre, participou do Workshop pela segunda vez. Segundo ela, os aprendizados que adquiriu com as atividades desenvolvidas no evento têm a ajudado muito nas tarefas que desempenha na empresa onde trabalha. Também integrante da equipe Audiovisual, Júlia participou da realização do roteiro e da edição de som. “Foi uma experiência muito legal por ter o envolvimento de todos, e foi maluco ver a cooperação de alunos dos dois campi e de diferentes semestres e idades se esforçando para fazer acontecer”, conta.
Eduarda Kirch, que está no início da graduação, cursando o segundo semestre, aproveitou o evento para conhecer a área e os colegas presencialmente, já que, com as aulas remotas, isso não era possível. “Esse workshop teve muita importância na minha formação profissional, pois entramos em contato com pessoas que não conhecemos. Tivemos a oportunidade de trabalhar em uma área que não estamos acostumados, mas que desperta curiosidade. Foi uma oportunidade muito bacana”, comenta Eduarda. A estudante escolheu participar também da equipe Audiovisual pelo interesse que possui na área. “Foi um trabalho muito bacana de participar. Foi desafiador captar as imagens em tão pouco tempo, mas o resultado ficou surpreendente. Acredito que todos saíram desse evento satisfeitos com o que foi produzido”.
A coordenadora interina do curso de PP acredita que o incentivo da Unisinos na arte e na cultura foi muito positivo para a elaboração do evento. “Ele permitiu a conexão dos estudantes com qualidades essenciais para quem quer trabalhar na área”, destaca Letícia. Para a professora Lisiane, em um dia juntos, os alunos vivenciaram aquilo que o mercado deseja: saber trabalhar de forma colaborativa, em equipe, conjunta, com respeito. “Tudo isso a gente trabalhou nesse dia. Todas estas skills (habilidades, em português), essa abertura para escutar o outro, é fundamental para quem quer criar. Foi perfeito, foi muito bom”, comenta.

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]]>The post Cooperativismo de plataforma marca a realização de seminário presencial promovido pelo DigiLabour no campus Porto Alegre appeared first on Portal da Indústria Criativa.
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O Seminário é a primeira realização presencial do Laboratório de Pesquisa após o início da pandemia. Antes disso, aconteceram quatro eventos online, que em breve estarão disponíveis no canal do DigiLabour no YouTube. Apesar das atividades terem continuado, a reunião da última semana foi especial, porque recuperou o contato mais próximo entre os participantes do evento, vindos de vários lugares do Brasil e do mundo, que puderam se conhecer de perto e trocar experiências. A equipe do Mescla acompanhou vários momentos legais ao longo da programação do Seminário e traz aqui uma reportagem ensaio sobre o que rolou.
A cobertura do Seminário pelo Mescla começou às 10h30. Subir até o oitavo andar do prédio da Unisinos de Porto Alegre e encontrar a sala cheia de pessoas atentas e querendo compartilhar informações e conteúdo foi um alento depois de tantos eventos marcados pelo distanciamento físico. Aliás, “troca” é uma boa palavra para definir o evento e o tema do cooperativismo.
A abertura institucional contou com uma breve fala do professor Rafael Grohmann, que em seguida passou a palavra para Miguel Rossetto, que já foi ministro do Trabalho e Previdência Social, do Desenvolvimento Agrário e da Secretaria-Geral da Presidência, além de vice-governador do RS na gestão Olívio Dutra e sociólogo por formação. Junto a isso, o ex-governador do Estado Tarso Genro enviou um vídeo parabenizando o evento e salientando a importância do tema.
Os trabalhos foram iniciados com a apresentação de Joana Varon, pesquisadora e diretora executiva da Coding Rights, uma organização feminista que se dedica a promover a compreensão sobre o funcionamento das tecnologias digitais, tentando reparar as diferenças de poder inseridas no seu desenvolvimento, uso ou regulação, especialmente aquelas que reforçam desigualdades de gênero.

Joana apresentou o “Oráculo para Tecnologias Transfeministas”, projeto desenvolvido de forma colaborativa, no qual foi elaborado um jogo de cartas para projetar ferramentas em futuros especulativos, questionando sistemas de Inteligência Artificial. Além das questões sobre justiça social, o oráculo visa justiça socioambiental e fomenta a economia alternativa (e criativa!).
Em seguida, Aline Os apresentou o coletivo Señoritas Courier. Ela é fundadora do coletivo de mulheres e pessoas LGBTQIA+, fundado em 2015, que faz entregas de bicicleta na cidade de São Paulo. As Señoritas Courier são uma alternativa às grandes plataformas digitais.
Aline é ex-professora universitária e passou por diversas precarizações do trabalho ao longa da própria trajetória. O Señoritas surgiu a partir do projeto “Selim Cultural” – também idealizado por Aline –, que promove passeios de bicicleta para conhecer roteiros culturais em SP com voluntáries que estudaram os temas e promovem estes roteiros como “guias”.
Com dificuldades para pôr isso em prática e com obstáculos na vida dos integrantes do projeto, Aline começou a fazer entregas de bicicleta, unindo a necessidade de ganhar dinheiro com o amor por pedalar. “Eu fui desenvolvendo metodologias”, explica. Nos trajetos ela começou a pensar em outras pessoas que poderiam se unir, como outras mulheres desempregadas, que, além da falta de emprego e precarização do trabalho, precisam enfrentar o machismo e as triplas jornadas, muitas vezes.

Em seguida, os aplicativos começaram a surgir e as disputas e exclusões começaram a piorar. Na época, Aline estava empregada por uma empresa e chamou amigas para trabalharem junto. No entanto, ela conta que a equipe era extremamente machista, o que dificultava o trabalho, com provocações e comentários preconceituosos. “Um dia eu ‘startei’ fazer um grupo só de mulheres e pessoas LGBT para fazer entregas, porque era muito legal. Para mim era divertido, se eu já pedalava um monte sem ganhar, pedalar ganhando então…”.
Com a emergência dos aplicativos, o valor das entregas caiu muito. Segundo Aline, as pessoas acham que a entrega de bicicleta é uma entrega barata. “Entrega de bicicleta é uma entrega economicamente viável. A gente precisa trocar a palavra”, frisa. As dificuldades em cima da bicicleta são muito maiores do que as de quem faz em moto ou carro, já que não tem freio ou acelerador, banco confortável e lidam com o sol e chuva direto. No entanto, este tipo de entrega deixa de emitir enormes quantidades de carbono, o que impacta e beneficia positivamente a todos.
As Señoritas surgiu de fato quando Aline não pôde fazer uma entrega e publicou um relato nas suas redes sociais. “Fiz uma postagem falando que tinha uma entrega para fazer e queria passar para uma amiga. Já tinha muitas amigas de bike e não queria passar para mais um homem”, comenta. Ela disse que a postagem ganhou mais de dez comentários em poucos minutos, o que originou um grupo de WhatsApp, e que hoje mais de 60 mulheres e LGBTQIA+ já passaram pelo coletivo. Hoje, são nove pessoas que se organizam para fazer as entregas.
“Precisamos falar sobre a valorização correta do nosso trabalho” – Aline Os
Participantes de diversas localidades do estado, do país, e até mesmo da Espanha, como o representante da cooperativa internacional “Mundukide”, Natxo DeVicente, vieram para o seminário. Professores universitários, pesquisadores, sindicalistas, representantes de movimentos sociais, políticos, empreendedores, promotores, advogados, agrônomos, representantes de empresas, desenvolvedores, entre tantos outros, lotaram as salas 805 e 806 da Uni. Após as apresentações, que ajudaram todos a se conhecerem e criarem um clima amistoso ao longo dos demais dias do seminário, o painel “Coletivos e cooperativas de plataformas: quais experiências temos no Brasil” começou.

Os primeiros a se apresentarem foram os representantes da Pedal Express, Ethur e Carol, que contaram um pouco sobre o serviço local de entregas em bicicletas e sobre suas trajetórias. Durante sua fala, também relataram as dificuldades advindas da competição da entrega por grandes empresas que operam através de aplicativos, problemas da legislação, sociais e econômicos, entre outras questões.
Quem tomou a palavra em seguida foi Natxo, da fundação Mundukide. Projetos colaborativos solidários e o desenvolvimento de cooperativas em países em desenvolvimento, por meio de assistência técnica, capacitação e financiamento são o norte da organização. Natxo falou sobre questões como o modelo de globalização, que gera desigualdade e abuso, e sobre como o movimento cooperativo gera transformação, através do compromisso com a comunidade.

Ele explicou que os princípios da ONG são o desenvolvimento socioeconômico das regiões onde está espalhada, além do fortalecimento da organização socioeconômica. Brasil, Etiópia, Equador, País Basco, Colômbia e Moçambique são os países onde a organização está presente atualmente, trabalhando com suporte técnico, desenvolvimento agrícola e treinamento de pessoas.
Por fim, Vinícius Mesquita e Abdul Nasser, do Sindicato e Organização das Cooperativas Brasileiras do Rio de Janeiro (OCB-RJ), comentaram sobre o contexto de cooperativas no RJ, projetos e iniciativas na área e ainda os desafios para cooperativas a nível nacional. A grade da programação continuou com uma rodada de perguntas, coffee break e a distribuição do livro “Cooperativismo de Plataforma” (Trebor Scholz, 2016, Editora Elefante), feita por Daniel Santini, jornalista vinculado à Fundação Rosa Luxemburgo. A Fundação ajudou na organização do evento.
A abertura do segundo dia de evento teve como foco o workshop do projeto Fairwork sobe trabalho decente. Desenvolvido pela Universidade de Oxford (Reino Unido), o estudo objetiva reivindicar condições mais justas para os trabalhadores de aplicativos e já foi submetido à realidade de pelo menos dez nações. O professor Rafael Grohmann coordenou a versão brasileira do Fairwork, lançada este ano. No Seminário, ele fez uma exposição sobre o funcionamento da iniciativa, acompanhado da pesquisadora Julice Salvagni, docente do Departamento de Ciências Administrativas da UFRGS. A partir de cinco critérios básicos, o Fairwork propõe uma pontuação que é referente às condições de trabalho oferecidas pelas plataformas aos colaboradores, além de mapear a situação nos diferentes países em que a pesquisa está presente.

Dando continuidade às atividades, a tarde de quarta-feira foi contemplada pela realização de três palestras, no âmbito do cooperativismo. A primeira exposição foi de Camila Capacle, doutora em Ciências Sociais pela Unicamp e coordenadora executiva de Trabalho e Economia Criativa e Solidária da Prefeitura Municipal de Araraquara. Durante sua fala, ela falou sobre o programa Coopera Araraquara, desenvolvido pelo município em 2020, no intuito de fomentar o cooperativismo na cidade e diminuir o desemprego. Discorreu ainda sobre algumas cooperativas e aplicativos que contam com o apoio do serviço público na região.
Em seguida, tomaram a palavra Tadeu Cunha e Renan Kalil, funcionários do Ministério Público do Trabalho, que ofereceram uma visão governamental e retrospectiva sobre o modelo de gerenciamento de mão de obra cooperativa no Brasil, mais conhecida com a chegada da alemã Uber no país. “Quando começaram a receber denúncias, notícias de fato, foi criado um grupo de estudos com objetivo compreender melhor como funcionam essas empresas e como funcionaria este modelo de gestão”, explicou Tadeu.
A última palestra da rodada foi de Igor Salles Barbosa, motorista de aplicativo, que relatou as dificuldades enfrentadas pela classe e falou sobre o movimento Trabalhadores Sem Direito. Igor comentou que, mesmo que as pessoas saibam que estão ganhando mais do que em um trabalho com CLT, ainda há muita insatisfação com os aplicativos e com a falta de parceria e apoio. A fala de Igor foi seguida pela apresentação dos projetos de dois dos pesquisadores presentes: Gabriel M. Ferri, estudante de jornalismo na Unisinos, bolsista de Iniciação Científica no DigiLabour e estagiário no Mescla; Kim Richardson, designer visual que alia a temática do cooperativismo à sua área de atuação desde a realização do TCC que propunha uma ferramenta facilitadora para cicloentregadores.
A programação previa uma visita guiada a cooperativas de trabalho em Porto Alegre e nem a chuva foi capaz de afetar a realização do evento, que reuniu mais de 20 pessoas. Como ponto de partida, os visitantes puderam conhecer as instalações e o funcionamento do Pedal Express – um serviço de entregas em bicicleta localizado no Centro Histórico que atende essa e algumas outras regiões da cidade. Lá, integrantes da equipe e visitantes falaram sobre suas experiências e debateram os principais desafios enfrentados em trabalhos geridos neste formato.

Entre os tópicos da conversa, figuraram a dinâmica entre os ciclistas que trabalham com entregas, a impossibilidade da competição frente às gigantes do ramo e o trabalho humanizado, além das diferenças de organização e autogestão entre cooperativas de pequeno e grande porte. O público estava formado por pesquisadores, estudantes e membros de outras cooperativas com vivências parecidas, a maioria já integrada à programação dos dias anteriores. Entre os presentes, alunos e ex-alunos da Uni, como Camila Luconi, mestre pelo PPG em Gestão e Negócios e egressa do curso de Gestão para Inovação e Liderança (GIL).
Ao longo do percurso, houve paradas estratégicas em pontos específicos representativos da história da sociedade porto-alegrense. O Largo Zumbi dos Palmares, no bairro Cidade Baixa, foi um dos espaços observados na caminhada. O nome é uma homenagem à marca da história do povo negro na cidade de Porto Alegre. No século XIX, o local era conhecido como Emboscada, devido às armadilhas feitas por escravizados que fugiam e lá se escondiam. Hoje, o espaço recebe feiras livres e outras atividades sociais. A caminhada também incluiu outros pontos históricos da cidade, como a Cinemateca Capitólio, espaço cultural que preserva a memória do cinema gaúcho, e a Praça Garibaldi, onde está situada a estátua que homenageia Giuseppe Garibaldi, erguida em 1913.
Por fim, o grupo visitou a Oficina Pedala Porto, organização comunitária sem fins lucrativos, que visa incentivar e promover a autonomia dos ciclistas, por meio da orientação e conserto de bikes. A ideia é fornecer conhecimento sobre os equipamentos para pessoas que não possuem condições financeiras. A oficina sobrevive através de doações, especialmente de outras oficinas parceiras, que são indiretamente beneficiadas pelo sucesso da iniciativa, já que muitos aprendizes da Pedala Porto se tornam aptos a atuarem como mecânicos de bicicleta. Além disso, o espaço tem forte significação política, porque recebe encontros de grupos como a Resistência Popular de Porto Alegre, organização político-social que promove diversas atividades. Em sua totalidade, a proposta da Pedala Porto é contribuir com o cicloativismo, através da conexão com a cidade.

A tarde do último dia foi aberta pela fala de Daniel Santini, jornalista vinculado à Fundação Rosa Luxemburgo, sobre o livro de Leonardo Foletto – “A cultura é livre: Uma história da resistência antipropriedade”. Daniel expressou um pouco das ideias do autor para o público; ele explica que o livro é resultado do trabalho de Leonardo em pensar a cultura a partir da perspectiva do livre compartilhamento. Leonardo tem um site, o Baixa Cultura, em que segue esta linha de pensamento, com foco em tratar a informação como um direito, não como mercadoria, e o livro propõe este debate. A obra tem prefácio de Gilberto Gil e foi editada pela editora independente Autonomia Literária, em parceria com a Fundação Rosa Luxemburgo. Ela está disponível para download no site do Baixa Cultura e para compra junto à editora.
Na mesma tarde, também falaram Renata Guedes e Victor Barcellos, pesquisadores do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS Rio). Eles apresentaram a organização, criada por três pesquisadores da área do Direito (Ronaldo Lemos, Carlos Afonso Souza e Sergio Branco), que busca expandir horizontes, bem como mostrar as possibilidades e benefícios da tecnologia no Sul Global. O Instituto divide-se em quatro grandes áreas: Direito e Tecnologia e Govtech; Educação; Mídias; e Democracia e Tecnologia.
“Acreditamos que não adianta produzir conhecimento se esse conhecimento não circular”, afirma Victor, e explica que o grande foco do ITS Rio são os cursos online e ao vivo. Na área de mídias, por exemplo, o ITS Rio desenvolveu o curso de saúde mental para jornalistas, pensando no contexto da pandemia, em que os profissionais tiveram que noticiar assuntos pesados e alguns sofreram ataques pessoais.

Renata e Victor ainda discorreram sobre a Conferência do Consórcio de Cooperativismo de Plataforma, evento internacional que acontecerá no Museu do Amanhã (RJ), entre os dias 4 e 6 novembro. Este será o maior encontro mundial da área. Nas edições anteriores, já ocorreu em Berlim, Hong Kong, Nova York e, agora, chega ao Brasil, em sua primeira edição sul-americana. Estarão reunidos autores-chave no assunto, além de acadêmicos, formuladores de políticas públicas, entusiastas da tecnologia, integrantes de cooperativas e o público geral interessado em produzir cada vez mais conhecimento e troca de experiências.
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Confira abaixo os principais destaques que selecionamos. Para conferir na íntegra o que rolou em cada dia, inserimos nos títulos das atividades o link que encaminha para o acesso a gravação, disponível em nosso canal no YouTube.
O primeiro convidado foi o Kim Trieweiler, publicitário, egresso da Unisinos, e que hoje atua na Aerolito, como Chefe de Pesquisa (Head of Research). Ele comentou que se reconhece mais como um pesquisador do que como publicitário. Um “pesquisador de futuros”. Ele é membro da WFSF (World Federation of Futures Studies).

“O letramento em futuros, que é a habilidade de conseguir imaginar futuros a partir de diferentes pressupostos, para diferentes fins, é fundamental na nossa vida cotidiana e na nossa vida profissional. E para fazer um mundo melhor.”
Na história da humanidade sempre existiram tentativas de prever o que vai acontecer no futuro. “Existe um fetiche pela previsibilidade. Mas a incerteza é uma característica intrínseca do futuro”. Assim, Kim explicou que a gente cria uma posição de “futureproof” (em tradução livre, à prova de futuro), ou seja, uma posição defensiva de futuro.

Lidar com o futuro no singular é pensar menos em previsão e mais sobre o controle. Precisamos de “letramento para futuros” (Futures Literacy), ou seja, compreender melhor um futuro imaginado, e ter mais consciência do que faremos. Dessa forma, introduzir o futuro no presente é ter uma noção maior do que queremos e podemos projetar agora – no presente- melhor. Dentro da habilidade de “letramento de futuros”, é possível mapear seis pressupostos antecipatórios (AA, em inglês, anticipatory assumption), que levam a gente a entender melhor como imaginar o futuro. São eles: previsão; destino; reforma criativa; autoaperfeiçoamento; pensamento estratégico e sabedoria-tão-ser. Basicamente, eles são a união de três coisas: tipos de sistemas, usos e métodos.
Trazendo isso para a comunicação, é a possibilidade de olhar para inovações de fora do mercado, mas com potencial de impactar diversos setores. O Kim criou uma metodologia chamada “Três ondas de impacto”, que ele desenvolveu dentro da Aerolito, para mapear, explorar e entender melhor os possíveis impactos das tecnologias, ciência e inovação em negócios em um determinado tema, setor ou até mesmo mercado. Dessa forma é possível ampliar o olhar sobre os futuros para além do provável.

Ainda na primeira noite também aconteceu o lançamento dos 50 anos da Comunicação da Unisinos. Que tal? Viu só como ele ficou lindo?

Além do lançamento da revista Josefa, que você pode conferir aqui , ocorreu a apresentação da Alteritat, uma iniciativa das egressas Francine Malessa e Mariana da Rosa. A conversa, além de tratar de dois focos importantes, a comunicação e diversidade, mostrou como é possível empreender com propósito.
A Alteritat é uma consultoria de diversidade, que disponibiliza o serviço para empresas e instituições de diversas naturezas e finalidades, além de agências de publicidade e comunicação, universidades, organizações não governamentais, pessoas físicas que possuem atuação pública e até para políticos.
“Já que nós somos problematizadoras, vamos fazer isso de uma forma que nos dê dinheiro”, brincou Mariana já no começo.

Elas explicaram que existe muita demanda para se falar sobre diversidade. As pessoas querem ouvir sobre, querem uma mediação no debate, porque não querem ser acusadas ou taxadas de serem preconceituosas. Ou seja, as pessoas sabem da relevância do tema.
Não! Inclusificar é um verbo criado pela professora e Diretora do Programa de Doutorado em Organização, Liderança e Análise da Informação da Universidade do Colorado, Stefane Johnson, (que, inclusive, produziu um livro sobre isso) que significa mais do que incluir ou “adicionar”. Inclusificar é “viver e liderar de um modo que reconheça e celebre perspectivas únicas e divergentes, criando um ambiente de colaboração e mente aberta ao qual todos sintam realmente pertencentes”, conforme as meninas da Alteritat colocaram no slide. Ou seja, é criar a sensação de pertencimento, entender que existe o diferente e compreender que esse sentimento exista, mas sem discriminação.
“Ah, mas eu trato uma pessoa negra como eu trato as outras pessoas”, mas dessa forma acabamos tratando como se fossemos todos brancos e pertencentes aos mesmos grupos sociais. Não é apenas contratar (incluir) pessoas e nada mudar dentro das empresas.
“A comunicação é a principal forma da gente se relacionar socialmente. A gente queria levar essa comunicação social falando sobre diversidade, porque a comunicação traz conteúdos simbólicos, a partir de visões de mundo, com subjetividades e valores sociais de diferentes lugares sociais.” – Francine Malessa

Conforme estudos compartilhados recentemente, equipes com mais diversidade tomam decisões mais precisas e também fazem investimentos melhores. Apostar em diversidade nos ambientes profissionais de trabalho, é apostar em inovação, porque traz novas perspectivas e prevê um lucro maior! Mas, por que as empresas e instituições ainda não estão tão abertas para a diversidade mesmo com os números comprovando?
As jornalistas afirmaram que existem obstáculos provados pelo medo de entender e tratar sobre. Isso torna o assunto um verdadeiro tabu, e quem tem medo muitas vezes cria fobia e preconceitos. No entanto, a melhor forma de acabar com isso são as consultorias de diversidade na área da comunicação, como a Alteritat!
Elas contaram que sempre buscam demonstrar isso no trabalho que realizam, existe ciência e estudo por trás de cada afirmação e estratégia. Por isso, é importante mostrar que há embasamento por trás de todo o debate sobre diversidade e comunicação.
Temas como sub-representação, linguagem e acessibilidade foram super bem explorados na apresentação. Elas trouxeram dados importantes, como, por exemplo, as pesquisas que mostram que cerca de 80% da população brasileira prefere marcas com posicionamento claro, seja sobre políticas, causas sociais ou cultura. Outro dado bem significativo é o de que cerca de 24% da população brasileira possui algum tipo de deficiência, sendo a visual a maior delas.

A quarta-feira teve a fotografia documental como tema, com o Leonardo Savaris sendo o palestrante. O evento marcou a volta de um evento presencial em São Leopoldo, no Labtics, mas com transmissão simultânea pelo canal no Youtube do Mescla! A coordenadora do curso de Fotografia, Marina Chiapinotto, e o coordenador de Jornalismo de São Leopoldo, Micael Behs, estiveram juntos.
O Leonardo é egresso do curso de Fotografia da Unisinos e já se tornou uma referência em fotografia documental depois de ser o único brasileiro vencedor no Concurso Sul-Americano de FotoMigração: a Migração com Outras Lentes, em 2021, promovido pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), entidade ligada à Organização das Nações Unidas (ONU). O prêmio veio pela série documental de dez fotos intitulada “Imigrantes Senegaleses”.
Savaris contou sobre a trajetória pessoal e como isso se relaciona com seus interesses com a fotografia. Ele conta que iniciou trabalhando “no chão de fábrica”, com metalurgia, e que pode se encontrar quando começou a cursar Jornalismo na Unisinos, já que na época ainda não existia a graduação em Fotografia na universidade.
Cheio de força e emoção, o fotógrafo contou que não tinha experiência alguma com a área, mas que sentia uma forte identificação com a atividade. O então professor Eduardo Veras (que hoje é professor do Instituto de Artes da UFRGS) encaminhou Leonardo para o recente curso de Fotografia, coordenado por Beatriz Sallet, que também marcou a formação dele.
“Quando eu entro aqui dentro, a Fotografia foi um chão para mim. Eu acho que isso reflete dentro da minha fotografia. Eu fui buscar minha vivência, minha essência, e estou ainda buscando, porque a gente não encontra tão fácil. Acho que dentro da fotografia eu busco um pouco de paz de espírito.”

“Dentro de uma universidade, acho que cada um tem que fazer seu papel como juventude, tem que ir pra cima, tem que lutar. Eu estava para fazer meu TCC, e eu não acho que seja um sindicalista, mas eu acho que temos que lutar pelos nossos direitos e pelo que a gente acredita. Nesse local das fotos, quando eu fui fazer meu TCC, isso era uma ocupação. A Ocupação Saraí. Dentro do cenário político da época, eu tinha o meu posicionamento, mas eu não entendia o mais amplo. Eu não entendia muita coisa, não entendia por que uma pessoa ocupava um prédio abandonado. A galera da ocupação lutava pelo direito de moradia. Eu queria entender. E eu fui, na cara e na coragem.”

Para o fotógrafo, o trabalho com imagem e histórias precisa entender sobre as questões que englobam o nosso dia a dia, no entanto, a forma como abordadá-las tem que ser tratada.
“Estamos falando de pessoas que lutam há 30 anos, por exemplo, como a gente vai retratar eles como coitados? Isso não cabe mais. Eles são muito fortes. Os retratados, quem eu abordei, em nenhum momento aparecem de cabeça baixa. Eles sempre olham para a câmera, direto para a câmera, com postura e força. E eu acho que é esse retrato que tem que ser feito.”

“Vocês têm que conhecer as pessoas, conhecer a luta das pessoas e tentar, de alguma forma, retratar a luta delas. Se a condição que elas estão é precária, certo, mas elas estão vivendo, tem sangue pulsando na veia de cada um.”

No chat, a professora Beatriz Sallet fez um comentário muito rico que pode sintetizar o trabalho do Leo: “Os retratos que o Léo fez na Ocupação Saraí devolveu cidadania e identidade a cada ser fotografado. Ele repetiu isso com os senegaleses.”
Leonardo sintetiza o trabalho dele de mais uma forma: “Toda fotografia é um ato político.”

Neste dia, aconteceu um workshop com a pesquisadora mato-grossense Issaaf Karhawi. Ela está fazendo pós-doutorado no PPG de Comunicação na Unisinos, trabalhando no laboratório Cultpop. A tese de doutorado dela rendeu um livro, “De blogueira a influenciadora – Etapas de profissionalização da blogosfera de moda brasileira”, (inclusive, a capa foi produzida pela egressa de Moda da Unisinos e artista-designer, Marcela De Bettio).
O workshop trabalhou como os influenciadores digitais podem ser um objeto de pesquisa na graduação e demais etapas da vida acadêmica. Issaaf comenta, “Em 2013 eu escrevi um projeto de pesquisa para estudar blogueiras de moda. O que me incomodava naquele momento? Eu sou formada em Jornalismo e existia um embate entre jornalistas de moda e blogueiras. Uma rixa, um desacordo que me chamava atenção, porque aquela intriga sinalizava que tinha algo importante acontecendo.”

“Eu me deparei com a emergência de um novo perfil profissional no campo da comunicação. Um perfil profissional que era o de blogueira em 2013, mas em 2018, quando eu terminei, elas eram influenciadoras, ‘digital influencers’.”

A Issaaf mostrou o trabalho de conclusão em Jornalismo dela, produzido em 2010. Ela estudou a “saga Crepúsculo” em um trabalho intitulado “Entre vampiros, lobisomens e fãs – a saga Crepúsculo e a produção de sentidos no ciberespaço”. Na época ela era professora de inglês, e conta que ouvia dos colegas o conhecido discurso moralista de que os jovens não leem mais. “Eu chegava na sala e precisava esperar os alunos pararem de ler, fechar o livro para começar a aula. Como assim, a gente diz que o jovem não lê e de repente eles estão na sala de aula, de um curso de inglês, com esse livro na mão?”. A partir disso, ela foi estudar o que estava acontecendo, “Fui estudar Crepúsculo e fui me encontrando na pesquisa com as fanfics, as ficções escritas a partir de uma obra específica, nos ambientes digitais.”

“Quando eu digo que estudei blogueiras de moda na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), as pessoas me olham e perguntam ‘Como? Como as pessoas te olhavam’. É isso que eu queria provocar. Os nossos objetos de pesquisa, os temas que a gente escolhe, refletem muito nossos anseios. (..) Os meus indicavam questões que eram controversas. ‘Os jovens não leem’, vou mostrar que eles leem. ‘As blogueiras vão roubar o lugar de jornalista’, eu fui lá e mostrei que blogueira não é jornalista.”

Para a pesquisadora, o TCC é uma importante oportunidade para pensar em algo específico que estava guardado, mas tem vontade de falar, também é o momento de fazer um projeto experimental. Não pode ser visto apenas como uma formalidade. Issaaf pontuou que as perguntas podem surgir a partir da vivência diária, que pode ser tensionada e desenrolar um projeto de pesquisa que se aproxima do nosso campo. Os temas surgem de aspectos de uma área, mas também podem surgir de polêmicas, do senso-comum, de leituras, de conversações, etc.
“Quando a gente pensa em influenciadores, tem um aspecto importante: eles desorganizaram o ecossistema midiático.”
“A Cultura da Participação, que tem a ver com a Convergência de Mídias, com o Digital, com as Redes Sociais Digitais, abre esses polos e permite que cada um de nós produza algo e compartilhe nas redes. Isso gera uma desestrutura.”

A pesquisadora mostrou os principais aspectos a serem pensados na hora de pesquisar sobre influenciadores digitais e todo esse fenômeno digital, por exemplo, a autenticidade; o trabalho digital; os fluxos de comunicação; questões éticas. Esse último aspecto é o “grande burburinho”, segundo Issaaf, porque nesse ponto é que se tenciona o debate sobre influenciadores digitais. As questões éticas debatidas costumam circular em torno de publicidade velada (ou ilegal), responsabilidade e conteúdo e até desinformação e posicionamento e o “cancelamento”.

A última conversa da semana rolou com Victor Antunes, Paulo Barros, Gabriel Simeone e Edson de Sousa, que são integrantes do Núcleo de Tecnologia do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). O evento teve início com uma explicação sobre a atuação do MTST, que luta, dentro da lei fundiária, para que todos tenham direito a um teto. O Núcleo mostrou que o MTST defende a legalidade. Entre as leis, há uma que diz que as propriedades devem cumprir um dever social.
“Da mesma forma que se você tiver um carro, você não pode sair andando em cima da calçada, atropelando as pessoas e andar sem pagar o IPVA. Então, o MTST ocupa as terras que ‘andam na calçada’, ocupa as terras que ‘atropelam as pessoas’ e aquelas que não pagam tributo. Não ocupamos para tomar, mas como uma forma de denúncia, porque o poder público faz questão de não fazer valer a lei sobre essas terras.”

O Gabriel mostrou que o objetivo do Núcleo é organizar os trabalhadores da área de tecnologia em uma ponta e formar novos trabalhadores em outra. Para isso, é necessário desenvolver softwares e enxergar a tecnologia de acordo com a política do movimento.
Atualmente, há mais de 80 desenvolvedores colaborando com o Núcleo e cinco projetos sendo desenvolvidos. Eles detalharam a iniciativa “Contrate Quem Luta”, que é um projeto que oportuniza o contato de empregadores com profissionais para diversos serviços, através de uma plataforma de empregabilidade justa desenvolvida e organizada pelo próprio Núcleo de Tecnologia do MTST.

A ferramenta visa garantir o modelo de trabalho justo, horizontal e cooperativo. Estabelece uma relação direta, através de um robô, no qual você pede um serviço, via WhatsApp. A partir dali o “robô”, busca na base dados quem pode oferecer este serviço. A partir do momento em que a pessoa que busca o serviço e o prestador concordam com o trabalho, o número de telefone é trocado e as pessoas conversam diretamente, combinando horário, pagamento e prazo.

A plataforma foi desenvolvida e pensada em oposição ao modelo da uberização do trabalho. É uma plataforma justa de empregabilidade, que busca desenvolver profissionais, sem gerar algoritmos que possam prejudicar os trabalhadores.

A Semana da Comunicação é sempre esperada porque traz pautas relevantes para pensarmos a área. Nesta edição, pautas sociais e de impacto marcaram a programação, rendendo muitas ideias e dando o que falar. Mas, esse resumo é um convite para aguçar a curiosidade de quem não pode conferir os bate-papos ou então uma forma de lembrar o que aconteceu e refletir para novos debates. Já estamos ansiosos para a próxima edição!
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Enquanto conversava sobre suas perspectivas, sentado na cozinha de sua casa, com pequena pausa para colocar mais água no feijão, Gustavo se mostrou extremamente disponível, ágil e contundente. Ao longo da conversa, ele ressaltou aspectos da vida pessoal, desde a estrutura familiar até a banda que tinha em Santa Maria, na época da graduação, que tocava Legião Urbana, Ira, Pink Floyd e outras bandas de rock progressivo. Poderíamos falar mais sobre o decano, mas deixaremos isso com ele próprio. Confira abaixo a conversa.
Gustavo Borba: Eu sou professor da Unisinos há 21 anos, comecei na universidade em 2000. Eu sou natural de Santa Maria, fiz a faculdade lá, e depois da faculdade eu vim para Porto Alegre, para morar. Sou filho de Alzira e do José Alcindo, meus pais são separados. Eles se separaram quando eu tinha seis ou sete anos, então minha mãe é a pessoa mais próxima de mim. Ela que criou minhas duas irmãs e eu. Minha mãe é professora de música, o que me colocou perto da área da arte desde criança. Desde pequeno, eu estudei piano clássico, violão clássico. Estudei música, até a hora de ir para a faculdade. Acabei indo para engenharia, embora a música estivesse sempre presente para mim. Segui a faculdade tocando, tinha uma banda lá em Santa Maria. Comecei a focar mais na área da engenharia, mas sempre tentando trazer um pouco dessa pegada, do que eu tinha aprendido. A música tem muito disso, além da questão toda da cultura e da arte, tem toda questão da matemática, então, isso me conectava bastante.
Em 1996 eu me formei, e aí eu vim embora para Porto Alegre. Eu vim para fazer o mestrado na UFRGS, na engenharia de produção. Minha esposa veio fazer a residência em Porto Alegre, e aí a gente ficou morando aqui. Em 1999 eu comecei o doutorado e um ano depois eu entrei na Unisinos.
E eu sou pai de duas gurias: a Giulia, que tem 22 anos, e a Clara, que tem 18. A Giulia se formou na área de Comunicação Visual, está trabalhando com design, e está fazendo um mestrado. A minha filha mais nova está acabando o ensino médio. Eu sou casado com a Ana, que é médica e também é professora da Unisinos, no curso de medicina. Então, essa é minha história pessoal. Agora eu vou falar da Unisinos, tá? (risos)
Eu entrei na Unisinos para dar aula no curso de Administração, que era um curso que tinha algumas atividades mais relacionadas com a minha formação. Tinha “Pesquisa Operacional”, que era a cadeira que eu dava. A universidade mostrou vários caminhos para mim. Do ponto de vista formal, eu nunca exerci a profissão de engenheiro, eu sempre fiz outras coisas. E na Unisinos, eu comecei na Administração, mas comecei a circular em diferentes espaços. Então, a universidade é um lugar muito vivo e que te abre muitas possibilidades.
Eu estava há dois anos na Uni, e aí eu já tive um espaço para poder coordenar um curso de graduação, a Administração. A gente montou, em 2003, o curso de Gestão para Inovação e Liderança (GIL), que é um dos cursos que teve um modelo diferente. Logo virei gerente do vestibular, depois fui gerente de produto, que era gerente da área dos bacharelados e dos cursos da graduação. E aí em 2009, nove anos depois de eu ter entrado, o Pe. Marcelo me convidou para ser Diretor de Graduação. Enfim, eu tinha ido para o mestrado em Design, estava coordenando o mestrado em Design, e me chamaram para esse espaço.
E esse foi o lugar mais profícuo que eu tive na Unisinos, porque eu fiquei dez anos nesse espaço, de 2009 em 2019. A Direção de Graduação te ajuda a conhecer toda a universidade, especialmente do ponto de vista da graduação. Então todos os coordenadores de graduação, na área da Indústria Criativa e todas as outras áreas, estavam sob a liderança da minha área. Ali, tive contato com todo mundo mais de perto. Foi quando eu conheci bem a universidade. A gente lançou muitos cursos nesse percurso. Por exemplo, o curso de Produção Fonográfica. Antes, a Comunicação Digital, depois, o BIHAT (Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades, Artes e Tecnologia). Enfim, a gente foi montando um monte de projeto com alguns parceiros.
Em 2019, já não era mais o meu espaço, e eu combinei com o Pe. Marcelo de sair. Eu saí e fiquei um semestre fora estudando no Canadá. Quando eu voltei, eu assumi um espaço bem legal, que eu estou agora, que é o Instituto para Inovação em Educação, da Unisinos, que é um espaço interdisciplinar. Tem gente da Indústria Criativa, tem gente da Politécnica, tem gente da Gestão e Negócios, e tem gente da Educação. Ali, eu estou há dois anos, quando veio a virada da gestão, a saída do Carlo (Franzato), e o convite do padre Sérgio, para que eu assumisse esse espaço na Indústria Criativa. O que para mim é muito legal, porque, na verdade, desde que eu comecei a pesquisar, lá por 2009, eu sempre avancei para uma área mais relacionada ao design. Então, eu estou em design há bastante tempo, e conheço quase todo mundo da área de comunicação, porque eram coordenadores que estavam trabalhando comigo antes. E para mim fechou todas, porque fica conectado com o que eu estou fazendo mais diretamente. E eu posso trazer algumas ideias que a gente tá discutindo para avançar a Indústria Criativa.

Gustavo Borba: A Indústria Criativa é um espaço onde a gente pode construir uma transformação muito grande, tanto em São Leopoldo quanto em Porto Alegre. Especialmente, neste momento, em Porto Alegre, por conta do Pacto Alegre e da Aliança para Inovação, mas também em São Leo. Me parece que hoje não existe uma instituição que está protagonizando esse lugar, entre tantas, não tem nenhuma universidade que está dizendo assim: ‘eu sou a universidade da indústria criativa, eu vim aqui para fazer isso’. E eu acho que a gente tem essa potência hoje, porque temos cursos muito qualificados, a gente tem equipamentos excelentes, como o teatro em Porto Alegre e todos os laboratórios em São Leopoldo. Então, para mim, o espaço da Indústria Criativa tem uma vantagem competitiva, que é o fato de a gente poder ter por dentro desses cursos todos uma perspectiva cultural e artística. E em um momento como o que a gente está vivendo, um momento de transformação social e tudo mais, eu acho que a arte tem um componente fundamental. Então, se a gente conseguir ampliar essa perspectiva da arte para além dos currículos, e trazer isso especialmente numa perspectiva da extensão e de conexão com as cidades, eu acho que a gente pode ter um potencial transformador. Então, pra mim, a Indústria Criativa tem um papel transformador, através da cultura e da arte. No nosso caso, a gente está falando de comunicação, linguagem e design, para que a gente possa, de alguma forma, dizer que a universidade é protagonista nessa transformação, que é ainda mais demandada no contexto da pandemia.
Gustavo Borba: É uma ótima pergunta. Eu acho que a gente hoje está trabalhando, na universidade, de uma maneira geral, com essa ideia das competências para o século XXI, que são competências transversais, e que qualquer profissional deveria ter. Elas vão desde a perspectiva da ética até o autoconhecimento. Eu acho que, no caso específico da Indústria Criativa, tem algumas questões que são fundamentais para a gente avançar nesse olhar.
Primeiro, eu acho que uma competência projetual é fundamental para a gente, em qualquer espaço dentro da Indústria Criativa, desde o cara que está fazendo Produção Fonográfica, passando por alguém que está no Design, e alguém que vai trabalhar na área de Comunicação, a gente realmente trabalha com projetos. Então, os projetos podem ser aquilo que eu estou montando para um show, aquilo que eu estou montando pra entregar para um cliente ou aquilo que eu estou montando até para telejornal. Então, a construção dessa competência projetual eu acho que é um ponto fundamental para a gente. Depois, outras questões gerais, como a questão da ética e cidadania global, acho que hoje não tem como a gente não olhar para essa perspectiva, especialmente de que a gente está inserido em uma lógica global, e tem que dar conta disso. Então, é uma competência bastante importante.
A questão do autoconhecimento é fundamental para qualquer profissional, mas para nós mais ainda, porque a gente, na Indústria Criativa, acaba em alguns espaços nos expondo mais. É essa linha entre o espaço pessoal e profissional, ela é um pouco mais tênue em alguns momentos, então, acho que isso é uma coisa bem importante. E aí eu diria, pra complementar, além dessas, que acho que pega muito especialmente na área da comunicação, é a gente conseguir ter uma capacidade, porque temos um espaço hoje digital que nos distrai tanto, de poder qualificar o que tem nesse espaço, em termos de informação. Entender qual informação é relevante, e não se perder dentro disso, pra enfim, não acabar deixando que isso tome conta da gente. Porque, na verdade, o grande problema que a gente tem hoje, em várias áreas, mas na comunicação mais ainda, é a gente conseguir separar tempos da nossa vida, e não ficar imerso no espaço digital, que nos consome o tempo todo. Acho que isso é uma coisa importante, essa capacidade de trabalhar com o nosso bem-estar e de se conectar digitalmente de uma maneira mais positiva, digamos assim. Mas eu colocaria como uma resposta de fundo todas as competências que a gente está debatendo na Uni hoje, que são 10, e que estão lá na plataforma do Unisinos LAB, e que são as competências do DNA da Unisinos.

Gustavo Borba: Pegando essa lógica pós-pandemia, uma das coisas que vai ficar é o digital. Eu acho que a Indústria Criativa tem muito a dizer sobre o digital. Eu acho que a Politécnica e a Indústria Criativa são as escolas que mais tem a falar sobre. Então, a gente precisaria apoiar as outras áreas. Eu vou dar dois pontos gerais, um deles ainda é essa lógica de trazer a arte e o valor da cultura, porque isso permite que qualquer área se torne melhor. Qualquer área, mesmo, da engenharia ao direito, um profissional que consegue dialogar com isso vai ser muito melhor na sua ação e, também, na sua atuação como pessoa. Então, esse é um ponto chave. O outro, que eu acho que é mais técnico mesmo, é a gente ajudar as pessoas nessa conexão digital, na compreensão do que é real e o que não é real. Um apoio, para a gente conseguir discernir. Na verdade, construir discernimento em um lugar que está tão poluído, está tão misturado, e que é tão fácil entrar ali te perder. Então, acho que isso é uma demanda que a gente teria que ter, enquanto pessoas que trabalham com informação, especialmente. Eu colocaria esses dois pontos como principais, assim.
Gustavo Borba: Ótima pergunta! O nosso plano é que a gente consiga se tornar um hub da indústria criativa do estado. Esse é o desejo. É de que as pessoas, quando falam aqui no Rio Grande do Sul, em Indústria Criativa, elas pensem em primeiro lugar na Unisinos. Essa é a ideia. E aí, por conta disso, a gente vai entrar mais forte na questão do Pacto Alegre, a gente vai trabalhar mais forte na Aliança pela Inovação, de Porto Alegre. A gente vai tentar aproximar ainda mais, com as prefeituras, especialmente as de São Leopoldo e de Porto Alegre, para construir espaços que permitam esse debate, de como a Indústria Criativa pode transformar socialmente a realidade dessas cidades. Então, pra nós, eu acho que se a gente tivesse que definir, assim, em uma frase, como que a gente quer se enxergar, daqui três ou quatro anos é: o hub da indústria criativa do nosso estado. Acho que isso seria o nosso ponto principal.
Gustavo Borba: Tri. Eu fiquei super faceiro, e também desafiado, porque eu conheço uma parte. Tem um lugar que eu conheço muito bem, que é a área do design, mas tem outro lugar, que eu conheço como gestor, que é a área comunicação. Mas eu conheço todo mundo de um outro lugar, que era a direção da graduação. Para mim, um desafio que eu tenho agora é me aproximar mais, especialmente da área da comunicação, para compreender melhor ainda as demandas e as necessidades. Para que a gente possa, a partir disso, construir uma indústria criativa mais colegiada. Porque um desejo é que a gente crie um colegiado forte, que a gente tenha um corpo de professores, um corpo de alunos, de funcionários, que tenha um diálogo mais forte ainda. Porque a gente, ao longo do tempo, foi separando isso pelos cursos, e acho que agora a gente precisa ter uma identidade. Construir uma identidade ainda mais forte da Indústria Criativa.
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Nesta edição, os futuros designers, divididos em 12 grupos, precisaram lidar com um briefing real, que só foi informado no primeiro dia das atividades. O desafio: desenvolver diferentes sistemas Produto-Serviço para uma festa infantil. Era preciso considerar no projeto a participação da criança e construir diferentes personas.
Ao todo, cerca de 80 pessoas estiveram envolvidas no workshop, que foi realizado através da plataforma de videoconferência Teams. Para a coordenadora do curso Maura Della Flora Flores, a mistura entre alunos de diferentes semestres foi importante para o desenvolvimento dos projetos. “Nesse processo, tem algo que é bem particular dos estudantes: de se articularem entre si. Isso vai além do nosso posicionamento. Traz uma concepção bem positiva da prática profissional”, explica.
Durante a criação das festas, os estudantes tiveram que redefinir os briefings e amadurecer os processos de pesquisas. “Teve uma equipe que escolheu uma criança com autismo, porque traria um desafio novo de entender as peculiaridades daquele público. Já outras equipes determinaram a idade e escolheram as preferências daquela criança. Ou seja, tiverem diferentes recortes para um mesmo briefing”, comenta a professora.

A aluna do primeiro semestre Sophia Nagelstein participou pela primeira vez da atividade. “Fiquei apreensiva, pois tinha a impressão de que não poderia ajudar a realizar as tarefas por ter pouca experiência. Mas acabou sendo um evento incrível”, conta a estudante, que também aprendeu a utilizar novas ferramentas para os trabalhos e projetos em aula.
O fato de estar desenvolvendo um projeto real foi determinante para Sophia. “O Workshop foi importante para entender essa sensação. Guardo boas lembranças e aguardo ansiosa pelo próximo evento. Espero que, em breve, eu possa, finalmente, experienciar de forma presencial”, torce a estudante.

Já para Lucas Henrique Batista, do sétimo semestre, essa foi a última experiência com o Workshop. “Significou, para mim, o encerramento de um ciclo de maturidade e aprendizagem. Hoje, eu olho para trás e vejo que em cada Workshop houve uma grande evolução na minha forma de trabalhar, colaborar e me adaptar aos novos desafios”, comenta.
O estudante destaca que duas edições da atividade foram marcantes para ele: “Uma ocorreu no quinto semestre, e a outra, no sexto. Nesses dois Workshops, fizeram uma fusão entre os cursos de São Leopoldo e Porto Alegre. A forma como colaboramos e nos relacionamos foi muito agregadora”, lembra.

Para o futuro, além de novas edições do Workshop e das Aulas Inaugurais, a coordenação está preparando uma grande comemoração para os 15 anos do curso, que serão completados em 2022. As comemorações terão início no mês de março. A reportagem bem que tentou, porém Maura não quis adiantar como será a celebração. Mas conseguimos um spoiler: “Terá uma história grande e importante para contar”, observa a coordenadora.
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A coordenadora do curso de Publicidade e Propaganda da Unisinos, campi Porto Alegre e Unisinos, Anaís Schüler Bertoni, entende que sim. Ela explica que desde o início do currículo da Graduação PRO, em 2019, a Unisinos busca trabalhar a formação a partir de competências estratégicas para o profissional do século XXI, dentre elas “o empreendedorismo, a ética, o propósito pessoal e profissional e o olhar social”. Anaís comenta ainda sobre cadeiras específicas, como a “Tópicos Emergentes de Publicidade em Contextos Digitais”, que trata sobre inteligência artificial, realidade aumentada e virtual, entre outros temas da tecnologia relacionada à publicidade.
Com as medidas de distanciamento social, ainda no início de 2020, os e-commerces tiveram picos de acesso e vendas. Em pesquisa realizada pela Neotrust/Compre&Confie, é estimado que, entre abril e junho, 5,7 milhões de brasileiros fizeram a primeira compra online. O mês de abril teve 81% de aumento no faturamento dos e-commerces nacionais em relação ao ano anterior, sendo 98% de aumento no número de pedidos. Segundo dados do Bank of America, o e-commerce cresceu o equivalente a 10 anos em três meses, ao redor do mundo – ou seja, passou de um crescimento de 16% em uma década para 33% somente no primeiro trimestre de 2020.
Por estarem em ambiente virtual, uma das estratégias-chave para os e-commerces é a divulgação nas plataformas mais acessadas do mundo: as redes sociais. O marketing digital é uma forma de publicidade relativamente nova, dinâmica, baseada em ferramentas de análise de métricas, campanhas direcionadas para públicos de nicho e, muitas vezes, produção de conteúdo de entretenimento ou informação. Uma pesquisa de tendências da publicidade no varejo em 2020 feita pelas empresas Smartly.io e a WBR Insights apontou que, das empresas consultadas, 96% pretendiam aumentar o investimento feito em anúncios no Facebook, 61% no LinkedIn e 56% no Twitter.
Ao mesmo tempo, é estimado um corte global de 8,1% nos investimentos em publicidade, segundo pesquisa do World Advertising Research Center. Essa variação representa cerca de 50 bilhões de dólares a menos. Em meio a isso, as plataformas de vídeo, de busca, e as redes sociais são os únicos meios com previsão de crescimento no ano.
Saul Scheid, 38, é publicitário e sócio fundador da Agência Escape de Novo Hamburgo. Ele conta que, em 2004, a Escape se tornou a primeira agência de publicidade certificada pela Google no Vale dos Sinos. Ele e o sócio, Maicon Fuhr, receberam críticas sobre a ideia de ter uma agência onde o digital estava integrado ao offline. “As pessoas perguntavam: vocês são loucos?”, brinca.

Para ele, o marketing é uma ferramenta de transformação. Formado pela Unisinos, Scheid iniciou o curso em 1999 e trabalhou durante dois anos em uma pequena agência de Estância Velha. Com desejo de empreender, acabou por trancar o curso para investir na própria agência. Foi se formar apenas esse ano, em 2020. Sobre o papel da universidade em sua formação, Scheid acredita que muito se aproveitou, mas, ainda assim, a maior contribuição de todas foram as conexões que ele fez durante a graduação. Nesse tempo, o mundo da publicidade mudou completamente. “O conhecimento do currículo, em si, virou de ponta cabeça cinquenta vezes”, comenta.
Saber fazer boas fotos e um bom design, segundo ele, é o mínimo. Existe a necessidade de competências que vão além do que era o escopo do profissional de publicidade antes: “Hoje, qualquer profissional de comunicação precisa entender de negócios”, afirma. O trabalho do publicitário vai mais a fundo na empresa cliente. “É preciso investir tempo para entender o negócio, o cliente e então chegar na estratégia”, explica, “ao falar com o empresário, ele vai te fazer a seguinte pergunta: ‘como tu vai me fazer ganhar mais dinheiro?’. Isso é o diferencial”.
Scheid defende que o trabalho do publicitário está convergindo para o pensamento estratégico e a visão integrada da comunicação com os negócios. O papel da agência de publicidade, segundo Scheid, passa a ser o de organizar grupos de profissionais de diferentes especialidades para atender aos projetos. “O ‘buffet livre’ de serviços, onde se pagava um fee mensal e se tinha um cronograma de trabalho do ano todo, está morto e enterrado”.
O trabalho está cada vez mais personalizado e novos termos passam a integrar o vocabulário do marketing: “Hoje o que mais cresce são ferramentas de automação, Inteligência Artificial, tecnologia, serviço de atendimento ao consumidor, UX, jornada do cliente – digital e offline. Qualquer um que trabalha no marketing precisa entender destes temas”. Com a união da tecnologia, estratégia e criatividade, Scheid afirma com segurança: “temos nas nossas mãos as ferramentas de transformação do mercado”.
Gustavo Lacerda, VP de Criatividade da Associação Riograndense de Propaganda (ARP), ressalta outra forma de transformação: “Existe um movimento entre as marcas de mostrarem mais propósito e impacto positivo”, aponta. As empresas passam a se posicionar sobre temas sociais, como a diversidade sexual, de gênero e o movimento Black Lives Matter. As mudanças culturais e de comportamento do consumidor são contempladas pelas produções publicitárias – e por isso, o profissional da publicidade precisa de um repertório mais amplo. “É preciso entender a comunicação como uma área conectada à cultura, às questões sociais, às artes e fazer esse trânsito”, explica, “Tem que conseguir cruzar os campos”.

Há uma maior conexão dos clientes com as marcas por meio dos valores, e o marketing precisa aproveitar isso de forma ética, diz Lacerda: “as pessoas não querem ser enganadas, se eu digo que a marca é inclusiva, ela precisa ser de dentro pra fora”. Assim, a marca não é relevante apenas pelo produto que vende. Ele relembra uma frase que ouviu certa vez: “Cada compra é um voto”, e complementa, “Quando eu compro de uma marca, assino embaixo tudo o que ela representa”.
Andrei Krummenauer, 23, é aluno do curso de graduação em Publicidade e Propaganda da Unisinos e atua como freelancer. Iniciou a graduação em 2017 e teve a primeira experiência de trabalho logo no ano seguinte, em um estágio não obrigatório na Agência Experimental de Comunicação (Agexcom) – uma agência de comunicação universitária que oportuniza estágio para diversos cursos da Indústria Criativa. Além desse espaço, ele pode ver o curso abrir ainda mais portas para os alunos nos últimos anos.

“Hoje existem diversas oportunidades de entrarmos em contato com o mercado de trabalho”, conta. Apesar de não haver estágio obrigatório previsto no currículo, essas oportunidades que Andrei refere se traduzem em atividades complementares que o curso de Publicidade e Propaganda promove. São palestras, workshops e atividades curriculares em parceria com empresas de diferentes tamanhos e áreas de atuação. Andrei participou (e foi da equipe vencedora) do workshop da marca de calçados Aly554, em 2019, que rendeu uma campanha veiculada em revista, evento mostrado aqui no Mescla. Para ele, a graduação forneceu as bases estéticas e críticas para o trabalho como publicitário.
A coordenadora do curso de PP, Anaís Schüler Bertoni, concorda com o estudante. Ela entende que um dos propósitos da graduação é que o aluno crie uma rede de contatos para a inserção profissional – além de um portfólio sólido. Mas relembra que é preciso interesse e participação do aluno.

“O lado cultural e artístico é essencial para os profissionais da Escola. Temos muitas cadeiras que incentivam esta reflexão, como a de ‘Tecnologias, Imaginários e Estéticas’ e a de ‘Publicidade e Interações Culturais’”, explica. Assim como Gustavo Lacerda, da ARP, Anaís defende que a Publicidade precisa de profissionais que “articulem questões éticas, sociais, humanas, tecnológicas e culturais como parte de seu repertório”.
Por fim, a coordenadora comenta que, além das interações institucionais com empresas e profissionais de publicidade por meio das atividades complementares, muitos professores da Unisinos possuem empresas ou atuam no mercado fora da universidade. Esse é mais uma forma de contato que mantém as disciplinas da graduação conectadas às mudanças da profissão.
Para 2021, os eventos ainda não possuem datas divulgadas. Anaís enfatiza que todos podem acompanhar as novidades do curso através dos canais da Unisinos, ou pelas redes sociais, no Facebook ou no Instagram.
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]]>As peças serão criadas para uma empresa real, cuja identidade só foi revelada ontem, durante o primeiro dia do workshop. A cliente e parceira é a Oh Studio, marca de lingeries assinada pela gaúcha Cibeli Silva. A designer dedica sua grife à criação de sutiãs, calcinhas, bodies e outras peças inspirados em épocas passadas.
Cada grupo de estudantes será desafiado a criar cinco peças que conversem com o conceito da marca, estilo das peças e cores, sendo três delas obrigatoriamente peças íntimas. Neste ano, os alunos não poderão se reunir presencialmente para debater ideias e montar o projeto. Toda a dinâmica será feita via Teams, software de videoconferência, incluindo a apresentação, explicação da marca e briefing preparados pela Cibeli.
O grupo vencedor será conhecido em 18/9, o último dia do evento. Como prêmio, a Oh Studio produzirá para venda uma das peças do projeto escolhido. Além disso, será inserida uma TAG em cada peça com os nomes dos alunos do grupo vencedor, identificado como collab OHSTUDIO + Moda Unisinos. Sem contar que cada integrante, do grupo escolhido, ganhará uma peça da coleção.
A criação de lingeries não é explorada durante a graduação. Por isso, a escolha por desafiar os alunos na moda íntima é um diferencial da edição deste ano do Workshop. “É um momento muito bacana, em que os alunos têm a experiência de troca com uma marca do mercado”, diz uma das coordenadoras do curso, Juliana Bortholuzzi.

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