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Os olhos atentos de Bruno Latour
"Crítico da postura científica e porta-voz da teoria do Ator-Rede, o filósofo francês se tornou indispensável em uma série de debates contemporâneos"
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Bruno Latour foi um filósofo da ciência, sociólogo, antropólogo e pesquisador francês, entre muitas outras aptidões. Seu título mais referenciado é “Jamais Fomos Modernos” (1991), que propunha explorar a criação de híbridos pelo ser humano, através da dissociação entre as indissociáveis natureza e sociedade.


Para a comunicação, a grande contribuição de Latour se deu através da teoria do Ator-Rede, amplamente detalhada no livro “Reagregando o Social: uma introdução à teoria do Ator-Rede” (2012). Pensando um pouco de tudo isso, ele se tornou o tema do meu TCC (em desenvolvimento) em Jornalismo.


Há pouco menos de dois anos, a repórter que vos escreve conheceu a obra de Bruno Latour, através de uma palestra apresentada por pesquisadoras acerca do então novo livro do autor, “Onde aterrar?: Como se orientar politicamente no Antropoceno” (2020).


Foi por acaso, mas de cara gostei. Então, li o livro e gostei mais. Passei a devorar seus outros livros, um a um. Por sorte, dezenas deles estão disponíveis em e-book, na biblioteca da Uni, nas livrarias físicas, em português, inglês, francês e outros tantos idiomas. Cada obra é um mergulho nas ideias complexas e no bom humor sutil, mas provocativo, que ele tinha.


No dia 9 de outubro, há exatos dois meses, Latour ia embora, vítima de um câncer pancreático, aos 75 anos. Ele deixa o legado de uma vida inspirada e inspiradora, que mudou a minha pesquisa e a de tantos outros estudiosos, que transbordam os limites da filosofia e atravessam as mais diversas áreas do conhecimento, em uma prática transdisciplinar.


Esse breve relato não é uma reportagem jornalística habitual, como os leitores do Mescla estão familiarizados; é uma tentativa de homenagear alguém cujas palavras proféticas nos ajudam a pensar os caminhos de enfrentamento e potencialidade diante das grandes questões atuais e, por que não, comunicacionais.


É uma investida no futuro, um respiro de vitalidade. É ainda uma sugestão de leitura: desfrutem da obra de autores que vocês admiram. Preencham-se de saber, consumam e produzam conhecimento. Estudem. Encontrem suas paixões.


Fica aqui esse esboço de apresentação por escrito para que, quem sabe, alguém leia por acaso e se permita encantar pela obra de um dos maiores teóricos da contemporaneidade. Que privilégio termos tido a oportunidade de compartilhar a existência no mesmo tempo e planeta que Bruno Latour.

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