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Jornalismo dentro e fora da sala de aula: Demétrio Soster e os desafios da profissão
"Professor de jornalismo na Universidade Federal de Sergipe, o jornalista também deu aula no Campus São Leopoldo entre 2008 e 2010. "
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Demétrio de Azeredo Soster começou a trilhar sua formação como jornalista ainda em 1985 e, desde então, passou por empresas de comunicação, como o Jornal do Comércio e a Zero Hora. Durante essa caminhada, o jornalista viu no meio acadêmico uma oportunidade não só de compartilhar sua experiência, mas também de aprender mais. Assim, há mais de 10 anos uma de suas ocupações é como educador. Ao longo de sua carreira, Demétrio também se dedicou à escrita, publicando 13 livros.


“O maior desafio que qualquer jornalista enfrenta, independentemente da complexidade da pauta, é sobreviver dentro da profissão. Ser jornalista implica ter uma resiliência muito grande, muito mais do que atos heroicos, mas também saber levantar quando cair” – enfatiza Demétrio. O egresso ainda menciona as constantes transformações da profissão, e como as competências exigidas desses profissionais estão se relacionando com a necessidade de ter uma ampla visão do mundo. 


Demétrio é jornalista, professor universitário, escritor, cicloturista e “aprendiz de surf”, e diz conseguir reunir todas essas versões de si mesmo através da comunicação. “Eu busco trazer aspectos da comunicação em um diálogo estreito com a minha vida. As coisas não se diferenciam, não se distinguem. Quando faço uma viagem de bicicleta, por exemplo, registro minha experiência através de livros, documentários ou da ambientação nas minhas redes sociais.” – acrescenta. 



                 

Suas obras mais recentes são “Operação Campos de Cima da Serra (Aventuras)” e “O sonho da sombra (Poesias), ambos publicadas em 2020. 
(Foto/ Reprodução: Editora Catarse) 



Ao longo desses 50 anos de Comunicação da Unisinos, Demétrio fez parte dessa história não apenas como professor, mas também como aluno. O egresso concluiu sua graduação em Jornalismo em 1989 e compartilhou com a equipe do Mescla algumas de suas lembranças. 


Confira a entrevista: 


Mescla- Uma disciplina que te marcou no curso de Comunicação da Unisinos:  


Demétrio- “Lembro que, certa vez, o professor Sérgio Farina pediu para que nós, seus alunos, escrevêssemos, em aula, creio, uma notícia, ou algo que o valha. O nome da disciplina me foge, mas, no lugar de um texto objetivo com dois ou três parágrafos, escrito do mais importante para o menos importante, entreguei ao professor uma crônica francamente inspirada em Kafka; no lugar de insetos, no entanto, falei em roedores. Sabia que havia feito bobagem e me preparei para o zero. Na semana seguinte, ao receber o texto corrigido, uma observação, ao fim do texto, me fez perceber a grandeza do professor que estava à minha frente: ‘Demonstras pendores literários; continue’.  Jamais esqueci disso”. 


Mescla- Um professor especial?  

Demétrio- “Sérgio Farina”.


Mescla- Um amigo que você fez no curso (ou na faculdade, ou ao longo da graduação)?

Demétrio- “Carlos Leite de Oliveira. Moramos e estudamos juntos. É meu amigo até hoje”.


Mescla- Um lugar especial na Unisinos?

Demétrio- “O matinho atrás do DCE”.


Mescla- Um acontecimento que te marcou no período?

Demétrio- “O Varal Literário que realizamos no saguão do Centro 3, quando a professora Rosane Adamy era a coordenadora do curso”.


Mescla- O que a graduação na Uni representou na sua vida?

Demétrio- “A graduação em jornalismo me habilitou para a profissão que exerci por 25 anos; dela, tirei meu sustento e criei dois filhos. Mas, também, serviu de base para todo meu processo de formação acadêmica superior – do mestrado ao pós-doutoramento. Ainda hoje, professor de jornalismo, valho-me do conhecimento adquirido desde a graduação para formar pessoas. Então, não é pouco o que se aprendeu nesse caminho”.

Mescla- Quais livros, filmes e séries você tem se dedicado recentemente?  

Demétrio- “Leio muito, incansavelmente. Neste momento estou lendo “Escutar, dialogar e compreender: jornalismo em tempos de incertezas” (Appris, 2022), de Carolina Moura Klautau, e “Pensar Nagô” (Vozes, 2021), de Muniz Sodré. Filmes e séries escolho aleatoriamente, quando encontro tempo pra assistir tevê”.


Mescla- Por fim, que conselho tu darias para quem está dando seus primeiros passos na profissão? 

Demétrio- “Leia muito, estude muito, inquiete-se muito. Sobretudo, resista. Jornalismo é resistência, sob todos os aspectos. Quem não desenvolve a capacidade de resistir, não sobrevive na profissão por muito tempo”. 

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