wp-mailinglist domain was triggered too early. This is usually an indicator for some code in the plugin or theme running too early. Translations should be loaded at the init action or later. Please see Debugging in WordPress for more information. (This message was added in version 6.7.0.) in /home/agexcom/mescla.cc/wp-includes/functions.php on line 6170The post Rosa Montero conversa com professores da Unisinos appeared first on Portal da Indústria Criativa.
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Ensaísta, escritora, jornalista, Rosa já realizou mais de 2 mil entrevistas ao longo de sua carreira. Entre elas, se destacam as conversas com a ativista paquistanesa Malala Youszafai e com o ex-presidente dos Estados Unidos Richard Nixon. Aliás, entrevistar dois nomes como esses, que representam culturas tão diferentes, requer algumas estratégicas, comentadas por Rosa durante o bate-papo com professores, funcionários e estudantes presentes.
“Uma entrevista é sempre um ato dramático, drama aqui, como ação”, afirmou a jornalista. Segundo ela, em uma entrevista para um jornal ou televisão, fala-se sobre o que se sabe, documentando o assunto, relatando ao público o que aprendeu, afinal, “tu não escreves para ensinar nada, escreves para aprender”. A escritora também pontuou que, para uma boa entrevista, o mais importante é a verdadeira, pura e genuína curiosidade, pois só assim consegue-se saber mais da outra pessoa e “enxergar” através da mente do outro como ele percebe o mundo. Para isso, ensina Rosa, é preciso ter muito preparo, e guiar a conversa de maneira meticulosa e, é claro, de forma respeitosa.

Ser transparente sobre o que se sabe é o que vale para o jornalismo. Já na ficção, se escreve sobre o que não se sabe, o que vem do inconsciente, “como um sonho que se sonha acordado”, explica. No texto jornalístico, quanto mais claro se é, mais o leitor ganha. Na ficção, a dubiedade, o implícito são elementos que valorizam o texto.
Outro tema abordado pela jornalista foi a questão da saúde mental e o comportamento humano. Rosa, que já enfrentou crises de pânico, angústias e emoções desenfreadas, chegou a estudar Psicologia. Por diversos motivos, achava que estava ficando louca, afinal, faltava-lhe compreensão de todas as questões que lhe afetavam diariamente. Ela diz ainda que é muito provável que todos nós experimentemos algum tipo de transtorno na mente em algum período de nossas vidas. Inclusive, a Organização Mundial da Saúde (OMS) revelou, em estudo, que uma a cada quatro pessoas tem ou terá um transtorno mental. O problema, diz Rosa, é que esse é um tema tabu, mesmo que seja tão constitutivo do humano.

O Fronteiras do Pensamento é um evento que há mais de 15 anos tem o objetivo de questionar, colecionar respostas e explorar ideias que impactam e alimentam toda a sociedade a partir de diferentes perspectivas, como arte, empreendedorismo, tecnologia e demais áreas que se relacionam diretamente com o cotidiano.
O evento começou oficialmente ontem à noite, com a conferência da jornalista e escritora Rosa Montero, no Teatro Unisinos, anexo à Torre Educacional Unisinos (TEDU), em Porto Alegre. A programação, que se estende até outubro, irá contemplar conferências tanto no formato presencial quanto no online. Para ter mais informações, é só clicar aqui.
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O concurso foi realizado através de uma parceria entre o Curso de Gastronomia da Unisinos, Secretaria Extraordinária dos 250 anos de Porto Alegre e a Diretoria de Turismo do município. “Hoje é muito importante para a Abrasel apoiar esses eventos culturais, principalmente quando se trata de aniversário de Porto Alegre, pela história da nossa cidade, da nossa gastronomia. Tem muito a ver com a nossa cultura, com o que nossos restaurantes e parceiros sociais fazem. Então, investir em cultura e cuidado com os ingredientes que são da Terra, que são nossos, é muito importante para nós”, afirma o presidente da Abrasel-RS, João Mello.

Como funcionou a competição?
A partir de uma extensa pesquisa bibliográfica para resgatar hábitos alimentares dos habitantes de Porto Alegre, bem como uma identidade alimentar, realizada pelo curso de Gastronomia da Unisinos, foi elaborada uma lista com os ingredientes mais característicos da cidade e que obrigatoriamente deveriam estar presentes nas receitas dos competidores.
A lista incluía pinhão, erva mate, trigo, café, aipim, charque, milho crioulo, carnes, peixes e charcutarias em geral, dentre outros. O participante deveria usar ao menos dois desses elementos em seus pratos.
O edital de inscrições para a competição foi aberto no dia 26 de setembro. Para validar inscrição, o competidor deveria preencher um formulário online, postar a foto de seu prato no Instagram e marcar os perfis da Abrasel-RS, Gastronomia Unisinos e da Diretoria de Turismo da cidade. Para disputar a competição foram selecionados 10 participantes com o maior número de curtidas nos posts, sendo cinco amadores e cinco profissionais.
Em cozinhas separadas, as categorias eram supervisionadas por chefes profissionais. Já a bancada do júri era composta por avaliadores técnicos, jornalistas gastronômicos e um representante da prefeitura.
As diferentes categorias disputaram entre si. Ao final, o vencedor de cada uma concorria ao título “Porto Alegre no prato”, e levava para casa, além do prêmio em dinheiro, utensílios de cozinha da marca Tramontina. Entre os amadores, quem levou o prêmio foi Izabel Cristina Dias Silvano, que criou um prato de doce. Já entre os profissionais, o vencedor foi Tainan Sansigolo, que conquistou o título Porto Alegre no Prato.

“Na pizza em pala a massa é feita com infusão de erva-mate e creme de morango na base, no lugar do molho de tomate. Ainda com queijo colonial salame e radite. Depois de ir ao forno, vai uma redução de butiá com laranjinha kinkan e iluminas de pinhão crocante”, revelou Tainan.

Primeira edição
A primeira edição do concurso foi em 2018, mas em um formato diferente. Durante a semana Farroupilha, a proposta da competição era a releitura de um prato típico gaúcho. Naquele ano, apenas bares e restaurantes participaram, e os competidores prepararam os pratos em seus respectivos estabelecimentos. Os jurados, então, iam até esses locais para realizar a avaliação das receitas.
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Com uma programação diária, a TV Unisinos passou a contar com um novo integrante na equipe em 2002, ou seja, pouco tempo após ingressar no curso, Cristiano deu início ao seu estágio na TV da universidade. “Minha trajetória no Canal Futura começou com a oportunidade de ser o repórter da TV Unisinos, que produzia reportagens locais sobre Porto Alegre e a região do Vale do Sinos para exibição em rede nacional no Futura.
O estágio como repórter do Uninews abriu portas para Cristiano. “Depois de um ano nessa função, surgiu uma vaga na equipe São Paulo e a chefe do jornalismo do canal na época me chamou para fazer parte da equipe fixa do Futura” – explica o jornalista. Sua trajetória no Canal Futura foi de quase 20 anos, tendo encerrado esse ciclo no último mês.

Mesmo depois de tanto tempo, Cristiano ainda lembra de algumas pautas especiais que cobriu enquanto repórter do telejornal da Unisinos. “Uma cobertura que sempre me lembro foi a do Fórum Social Mundial. Além dessa, tem inúmeras outras histórias de personagens que eu lembro por me levarem a conhecer a fundo a realidade do Vale do Sinos. Conheci municípios que, até então, eu nunca havia visitado: Picada Café, Ivoti, Estância Velha, Campo Bom, Sapiranga, entre outros. Toda essa bagagem eu carrego em cada reportagem que faço até hoje”.
Já como comunicador do Canal Futura, eventos marcantes como Rio 2016, Jogos de Inverno Pyeongchang 2018, Jogos Olímpicos da Juventude Buenos Aires 2018, Olimpíada e Paralimpíada de Tokyo 2020 e Olimpíada de Inverno Beijing 2022, fazem parte da bagagem do jornalista. Cristiano diz que participar de cinco edições dos Jogos Olímpicos está entre as experiências mais incríveis de sua vida.

“Estar em meio aos maiores atletas do mundo, testemunhar a história do esporte ser escrita diante dos seus olhos, registrar esses fatos em entrevistas e roteiros que são editados como reportagens exibidas ao redor do mundo, ter a experiência de trabalhar com alguns dos melhores jornalistas e cinegrafistas do mundo, colocar em prática todo o aprendizado que adquiri ao longo dos anos” – acrescenta Cristiano.
Em meio a tantas histórias e vivências, alguns desafios marcaram a carreira do jornalista. “Um caso que eu gosto muito de lembrar foi a entrevista exclusiva que eu fiz com o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-In. Aquela foi a primeira edição das Olimpíadas que reunia times unificados do Sul e Norte da Coreia, desde a separação em dois países. Eu fazia a cobertura para o Comitê Olímpico Internacional, o que possibilitou o acesso” – revela Cristiano.
O jornalista acrescenta dizendo que se tratava de um percurso ensaiado com o cerimonial da Presidência onde o encontraria com o tempo limitado para duas perguntas e respostas. “Mr Moon não falaria em inglês, então nossa comunicação seria intermediada por um tradutor coreano. Era uma daquelas situações superdelicadas, em que qualquer deslize poderia gerar um conflito diplomático” completa Cristiano.
Confira a entrevista:
Mescla – Uma disciplina que te marcou?
Cristiano – Fotojornalismo.
Mescla – Em que ano tu começou o curso de jornalismo?
Cristiano – Entrei em 2000/1.
Mescla – Um professor especial?
Cristiano – Só um? Preciso registar pelo menos 3: André Machado, de rádio, Thais Furtado, de projeto experimental, Pedro Osório, de teorias da comunicação.
Mescla – Um amigo que você fez no curso (ou na faculdade, ou ao longo da graduação)?
Cristiano – Felizmente, fiz muitos amigos na Unisinos que me acompanham até hoje! Mas vou citar apenas um: Daniel Pedroso, ex-editor-chefe na TV Unisinos, que se tornou um dos meus melhores amigos.
Mescla – Um lugar especial na Unisinos?
Cristiano – Para mim, a biblioteca do campus São Leo é um lugar mágico.
Mescla – Um acontecimento que te marcou no período?
Cristiano – Os atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA aconteceram enquanto eu estava em aula. Lembro que eu ligava para um personagem para agendar uma entrevista e ele me informou sobre o que acontecia.
Mescla – O que a graduação na Uni representou na sua vida?
Cristiano – A graduação na Unisinos representa até hoje uma fase muito especial na minha vida. A partir dessa experiência, tive acesso ao conhecimento, amadureci o pensamento crítico, consegui oportunidades de trabalho, fiz amigos para a vida.
Mescla – Quais livros, filmes e séries você tem se dedicado recentemente?
Cristiano – Série: Veneno (HBO Max), série baseada em fatos reais e na biografia que uma jovem estudante de jornalismo pública sobre vida da estrela da TV espanhola Cristina ‘La Veneno’. Detox (Netflix), comédia francesa deliciosa, sobre passar menos tempo nas redes sociais. Livro: no momento, estou relendo O Animal Agonizante, mas recomendo qualquer um do Philip Roth. Filme: sou apaixonado por música e por documentários, então recomendo Mistify: Michael Hutchence (Netflix) – filme que trata da obra, da vida e do legado do vocalista da banda australiana INXS.
Mescla – Por fim, que conselho tu darias para quem está dando seus primeiros passos na profissão?
“Leia muito, veja muitos filmes e séries. Converse com todo tipo de pessoa, principalmente, com quem você discorda – isso vai te ajudar muito ao longo da profissão”.
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]]>The post Unisinos oferece curso de capacitação de língua inglesa para docentes appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>O Brazilians Innovating on the Teaching of English (BRITE) é um curso gratuito de qualificação direcionado aos profissionais de língua inglesa da educação básica do setor público. Além do curso de Letras da Universidade do Valo do Rio dos Sinos, o programa também selecionou outras 17 instituições de ensino, sendo cinco delas no Rio Grande do Sul. Em todo o Brasil, foram cerca de 500 educadores beneficiados pelo programa.
“A educação continuada é um tópico caro na área da educação. Sabemos que o poder público não consegue investir na capacitação desses professores, então é uma forma da universidade contribuir para isso” diz a coordenadora do programa na Unisinos, Márcia Del Corona. O BRITE é uma iniciativa do Departamento de Estado Americano em parceria com a Casa Thomas Jefferson, centro binacional em Brasília.
Iniciado em maio, o programa termina neste mês de setembro. No total, são 100 horas de imersão na língua inglesa divididas em três módulos. As aulas reúnem educadores da rede pública de todo o Rio Grande do Sul em encontros semanais remotos. A conclusão do curso prevê a apresentação de um projeto de aplicação dessas atividades nas escolas em que esses professores atuam.

O objetivo do BRITE é fortalecer o ensino do inglês como língua franca. Segundo a professora do curso de Letras e que integra o projeto na Unisinos, Valéria Brisolara, o programa trabalhou aspectos além da gramática básica, buscando agregar questões que contemplem o dia a dia do mundo moderno. “Ajuda a qualificar e atualizar esses professores”, complementa a professora.

O BRITE faz parte de uma série de programas educacionais ofertados e custeados pelo Regional English Language Office (RELO). Criado em 2018, a parceria entre a Casa Thomas Jefferson e o governo estadunidense abriu em 2022 pela primeira vez um edital para demais instituições de ensino além dos centros binacionais.
Para selecionar os professores, a Unisinos encaminhou informes para as escolas públicas para que os interessados respondessem a um questionário em língua inglesa e submetessem também um teste de nivelamento através do Unilínguas.
Outros programas
Além do BRITE, o curso de Letras da Unisinos foi contemplado também com outros programas de formação. Um deles é o “Access Program for Teachers”, que tem duração de um ano, e também é inteiramente gratuito, incluindo transporte, alimentação, imersões e passeios culturais. Entretanto, a pandemia de COVID-19 acabou postergando o início das aulas, agora previsto para 2023.
Outra parceria que consolida a relação da Unisinos com os programas do governo americano é o English Teaching Assistant (EAT), que anualmente recebe um bolsista estadunidense em parceira com a Fullbright para ministrar cursos- sem custo- em língua inglesa para alunos e professores.
Segundo a coordenadora e professora Márcia Del Corona, o desenvolvimento desses programas reafirma o compromisso da Universidade com a política de internacionalização e de capacitação em educação continuada de professores de escolas públicas.
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Enquanto conversava sobre suas perspectivas, sentado na cozinha de sua casa, com pequena pausa para colocar mais água no feijão, Gustavo se mostrou extremamente disponível, ágil e contundente. Ao longo da conversa, ele ressaltou aspectos da vida pessoal, desde a estrutura familiar até a banda que tinha em Santa Maria, na época da graduação, que tocava Legião Urbana, Ira, Pink Floyd e outras bandas de rock progressivo. Poderíamos falar mais sobre o decano, mas deixaremos isso com ele próprio. Confira abaixo a conversa.
Gustavo Borba: Eu sou professor da Unisinos há 21 anos, comecei na universidade em 2000. Eu sou natural de Santa Maria, fiz a faculdade lá, e depois da faculdade eu vim para Porto Alegre, para morar. Sou filho de Alzira e do José Alcindo, meus pais são separados. Eles se separaram quando eu tinha seis ou sete anos, então minha mãe é a pessoa mais próxima de mim. Ela que criou minhas duas irmãs e eu. Minha mãe é professora de música, o que me colocou perto da área da arte desde criança. Desde pequeno, eu estudei piano clássico, violão clássico. Estudei música, até a hora de ir para a faculdade. Acabei indo para engenharia, embora a música estivesse sempre presente para mim. Segui a faculdade tocando, tinha uma banda lá em Santa Maria. Comecei a focar mais na área da engenharia, mas sempre tentando trazer um pouco dessa pegada, do que eu tinha aprendido. A música tem muito disso, além da questão toda da cultura e da arte, tem toda questão da matemática, então, isso me conectava bastante.
Em 1996 eu me formei, e aí eu vim embora para Porto Alegre. Eu vim para fazer o mestrado na UFRGS, na engenharia de produção. Minha esposa veio fazer a residência em Porto Alegre, e aí a gente ficou morando aqui. Em 1999 eu comecei o doutorado e um ano depois eu entrei na Unisinos.
E eu sou pai de duas gurias: a Giulia, que tem 22 anos, e a Clara, que tem 18. A Giulia se formou na área de Comunicação Visual, está trabalhando com design, e está fazendo um mestrado. A minha filha mais nova está acabando o ensino médio. Eu sou casado com a Ana, que é médica e também é professora da Unisinos, no curso de medicina. Então, essa é minha história pessoal. Agora eu vou falar da Unisinos, tá? (risos)
Eu entrei na Unisinos para dar aula no curso de Administração, que era um curso que tinha algumas atividades mais relacionadas com a minha formação. Tinha “Pesquisa Operacional”, que era a cadeira que eu dava. A universidade mostrou vários caminhos para mim. Do ponto de vista formal, eu nunca exerci a profissão de engenheiro, eu sempre fiz outras coisas. E na Unisinos, eu comecei na Administração, mas comecei a circular em diferentes espaços. Então, a universidade é um lugar muito vivo e que te abre muitas possibilidades.
Eu estava há dois anos na Uni, e aí eu já tive um espaço para poder coordenar um curso de graduação, a Administração. A gente montou, em 2003, o curso de Gestão para Inovação e Liderança (GIL), que é um dos cursos que teve um modelo diferente. Logo virei gerente do vestibular, depois fui gerente de produto, que era gerente da área dos bacharelados e dos cursos da graduação. E aí em 2009, nove anos depois de eu ter entrado, o Pe. Marcelo me convidou para ser Diretor de Graduação. Enfim, eu tinha ido para o mestrado em Design, estava coordenando o mestrado em Design, e me chamaram para esse espaço.
E esse foi o lugar mais profícuo que eu tive na Unisinos, porque eu fiquei dez anos nesse espaço, de 2009 em 2019. A Direção de Graduação te ajuda a conhecer toda a universidade, especialmente do ponto de vista da graduação. Então todos os coordenadores de graduação, na área da Indústria Criativa e todas as outras áreas, estavam sob a liderança da minha área. Ali, tive contato com todo mundo mais de perto. Foi quando eu conheci bem a universidade. A gente lançou muitos cursos nesse percurso. Por exemplo, o curso de Produção Fonográfica. Antes, a Comunicação Digital, depois, o BIHAT (Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades, Artes e Tecnologia). Enfim, a gente foi montando um monte de projeto com alguns parceiros.
Em 2019, já não era mais o meu espaço, e eu combinei com o Pe. Marcelo de sair. Eu saí e fiquei um semestre fora estudando no Canadá. Quando eu voltei, eu assumi um espaço bem legal, que eu estou agora, que é o Instituto para Inovação em Educação, da Unisinos, que é um espaço interdisciplinar. Tem gente da Indústria Criativa, tem gente da Politécnica, tem gente da Gestão e Negócios, e tem gente da Educação. Ali, eu estou há dois anos, quando veio a virada da gestão, a saída do Carlo (Franzato), e o convite do padre Sérgio, para que eu assumisse esse espaço na Indústria Criativa. O que para mim é muito legal, porque, na verdade, desde que eu comecei a pesquisar, lá por 2009, eu sempre avancei para uma área mais relacionada ao design. Então, eu estou em design há bastante tempo, e conheço quase todo mundo da área de comunicação, porque eram coordenadores que estavam trabalhando comigo antes. E para mim fechou todas, porque fica conectado com o que eu estou fazendo mais diretamente. E eu posso trazer algumas ideias que a gente tá discutindo para avançar a Indústria Criativa.

Gustavo Borba: A Indústria Criativa é um espaço onde a gente pode construir uma transformação muito grande, tanto em São Leopoldo quanto em Porto Alegre. Especialmente, neste momento, em Porto Alegre, por conta do Pacto Alegre e da Aliança para Inovação, mas também em São Leo. Me parece que hoje não existe uma instituição que está protagonizando esse lugar, entre tantas, não tem nenhuma universidade que está dizendo assim: ‘eu sou a universidade da indústria criativa, eu vim aqui para fazer isso’. E eu acho que a gente tem essa potência hoje, porque temos cursos muito qualificados, a gente tem equipamentos excelentes, como o teatro em Porto Alegre e todos os laboratórios em São Leopoldo. Então, para mim, o espaço da Indústria Criativa tem uma vantagem competitiva, que é o fato de a gente poder ter por dentro desses cursos todos uma perspectiva cultural e artística. E em um momento como o que a gente está vivendo, um momento de transformação social e tudo mais, eu acho que a arte tem um componente fundamental. Então, se a gente conseguir ampliar essa perspectiva da arte para além dos currículos, e trazer isso especialmente numa perspectiva da extensão e de conexão com as cidades, eu acho que a gente pode ter um potencial transformador. Então, pra mim, a Indústria Criativa tem um papel transformador, através da cultura e da arte. No nosso caso, a gente está falando de comunicação, linguagem e design, para que a gente possa, de alguma forma, dizer que a universidade é protagonista nessa transformação, que é ainda mais demandada no contexto da pandemia.
Gustavo Borba: É uma ótima pergunta. Eu acho que a gente hoje está trabalhando, na universidade, de uma maneira geral, com essa ideia das competências para o século XXI, que são competências transversais, e que qualquer profissional deveria ter. Elas vão desde a perspectiva da ética até o autoconhecimento. Eu acho que, no caso específico da Indústria Criativa, tem algumas questões que são fundamentais para a gente avançar nesse olhar.
Primeiro, eu acho que uma competência projetual é fundamental para a gente, em qualquer espaço dentro da Indústria Criativa, desde o cara que está fazendo Produção Fonográfica, passando por alguém que está no Design, e alguém que vai trabalhar na área de Comunicação, a gente realmente trabalha com projetos. Então, os projetos podem ser aquilo que eu estou montando para um show, aquilo que eu estou montando pra entregar para um cliente ou aquilo que eu estou montando até para telejornal. Então, a construção dessa competência projetual eu acho que é um ponto fundamental para a gente. Depois, outras questões gerais, como a questão da ética e cidadania global, acho que hoje não tem como a gente não olhar para essa perspectiva, especialmente de que a gente está inserido em uma lógica global, e tem que dar conta disso. Então, é uma competência bastante importante.
A questão do autoconhecimento é fundamental para qualquer profissional, mas para nós mais ainda, porque a gente, na Indústria Criativa, acaba em alguns espaços nos expondo mais. É essa linha entre o espaço pessoal e profissional, ela é um pouco mais tênue em alguns momentos, então, acho que isso é uma coisa bem importante. E aí eu diria, pra complementar, além dessas, que acho que pega muito especialmente na área da comunicação, é a gente conseguir ter uma capacidade, porque temos um espaço hoje digital que nos distrai tanto, de poder qualificar o que tem nesse espaço, em termos de informação. Entender qual informação é relevante, e não se perder dentro disso, pra enfim, não acabar deixando que isso tome conta da gente. Porque, na verdade, o grande problema que a gente tem hoje, em várias áreas, mas na comunicação mais ainda, é a gente conseguir separar tempos da nossa vida, e não ficar imerso no espaço digital, que nos consome o tempo todo. Acho que isso é uma coisa importante, essa capacidade de trabalhar com o nosso bem-estar e de se conectar digitalmente de uma maneira mais positiva, digamos assim. Mas eu colocaria como uma resposta de fundo todas as competências que a gente está debatendo na Uni hoje, que são 10, e que estão lá na plataforma do Unisinos LAB, e que são as competências do DNA da Unisinos.

Gustavo Borba: Pegando essa lógica pós-pandemia, uma das coisas que vai ficar é o digital. Eu acho que a Indústria Criativa tem muito a dizer sobre o digital. Eu acho que a Politécnica e a Indústria Criativa são as escolas que mais tem a falar sobre. Então, a gente precisaria apoiar as outras áreas. Eu vou dar dois pontos gerais, um deles ainda é essa lógica de trazer a arte e o valor da cultura, porque isso permite que qualquer área se torne melhor. Qualquer área, mesmo, da engenharia ao direito, um profissional que consegue dialogar com isso vai ser muito melhor na sua ação e, também, na sua atuação como pessoa. Então, esse é um ponto chave. O outro, que eu acho que é mais técnico mesmo, é a gente ajudar as pessoas nessa conexão digital, na compreensão do que é real e o que não é real. Um apoio, para a gente conseguir discernir. Na verdade, construir discernimento em um lugar que está tão poluído, está tão misturado, e que é tão fácil entrar ali te perder. Então, acho que isso é uma demanda que a gente teria que ter, enquanto pessoas que trabalham com informação, especialmente. Eu colocaria esses dois pontos como principais, assim.
Gustavo Borba: Ótima pergunta! O nosso plano é que a gente consiga se tornar um hub da indústria criativa do estado. Esse é o desejo. É de que as pessoas, quando falam aqui no Rio Grande do Sul, em Indústria Criativa, elas pensem em primeiro lugar na Unisinos. Essa é a ideia. E aí, por conta disso, a gente vai entrar mais forte na questão do Pacto Alegre, a gente vai trabalhar mais forte na Aliança pela Inovação, de Porto Alegre. A gente vai tentar aproximar ainda mais, com as prefeituras, especialmente as de São Leopoldo e de Porto Alegre, para construir espaços que permitam esse debate, de como a Indústria Criativa pode transformar socialmente a realidade dessas cidades. Então, pra nós, eu acho que se a gente tivesse que definir, assim, em uma frase, como que a gente quer se enxergar, daqui três ou quatro anos é: o hub da indústria criativa do nosso estado. Acho que isso seria o nosso ponto principal.
Gustavo Borba: Tri. Eu fiquei super faceiro, e também desafiado, porque eu conheço uma parte. Tem um lugar que eu conheço muito bem, que é a área do design, mas tem outro lugar, que eu conheço como gestor, que é a área comunicação. Mas eu conheço todo mundo de um outro lugar, que era a direção da graduação. Para mim, um desafio que eu tenho agora é me aproximar mais, especialmente da área da comunicação, para compreender melhor ainda as demandas e as necessidades. Para que a gente possa, a partir disso, construir uma indústria criativa mais colegiada. Porque um desejo é que a gente crie um colegiado forte, que a gente tenha um corpo de professores, um corpo de alunos, de funcionários, que tenha um diálogo mais forte ainda. Porque a gente, ao longo do tempo, foi separando isso pelos cursos, e acho que agora a gente precisa ter uma identidade. Construir uma identidade ainda mais forte da Indústria Criativa.
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