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]]>Apesar de facilitar a vida do consumidor, as implicações para o mercado e para os próprios trabalhadores são preocupantes. Baixos salários, condições precárias de trabalho e a falta de legislações são alguns dos problemas enfretados por essa parcela da população. Este é o tema do projeto da Fairwork Foundation, dirigido por Mark Graham. O professor de Geografia da Internet no Oxford Internet Institute visitou o campus São Leopoldo da Unisinos no dia 10 de janeiro para falar sobre o futuro da pesquisa no Brasil.
Em seu site, o Fairwork se define como “uma forma de imaginar uma economia de plataforma diferente e mais justa do que a que temos hoje”.
O Fairwork tem por objetivo evidenciar as melhores e piores práticas na economia de plataformas em países de todo o mundo. Além disso, pensa em princípios globais para um trabalho mais justo na economia de plataforma. A iniciativa está presente em 26 países e é realizada por 22 pessoas, incluindo trabalhadores, sindicatos, plataformas e formuladores de políticas públicas. Em seu site, o Fairwork se define como “uma forma de imaginar uma economia de plataforma diferente e mais justa do que a que temos hoje”.
O objetivo da visita à Unisinos é estreitar relações com a universidade de Oxford e falar sobre a possibilidade de financiamentos no Brasil. As próximas etapas do projeto envolvem o lançamento de relatório em março, as possibilidades de impactos em políticas públicas e a possível organização do simpósio mundial do projeto na Unisinos. Para Rafael Grohmann, professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Comunicação (PPGCom) da Unisinos e coordenador do Fairwork no Brasil, a visita de Mark significa a possibilidade de incluir os princípios do projeto em políticas públicas. “Isso significa uma articulação entre o global e o local, em uma perspectiva de internacionalização de um projeto que tem impacto na nossa realidade local, na nossa comunidade”, explica.
Saiba mais sobre o projeto Fairwork
No Brasil, o projeto Fairwork é executado a partir de um acordo de cooperação firmado com a Unisinos e desenvolvido pelo DigiLabour. As condições de trabalho por plataforma no país são analisadas a partir dos princípios firmados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). São analisados contratos, remunerações, condições de trabalho, gestão e representação da classe.
A parceria entre Oxford e Unisinos representa o avanço da perspectiva interdisciplinar da produção de conhecimento na área, segundo Rafael. “Sinaliza a possibilidade de um intercâmbio mais forte para outros países, pois estamos na Ásia, na África, na América Latina, na Europa. Oxford também tem a intenção de que nós organizemos aqui no Brasil, no fim do ano, um evento presencial com todos os 26 países – seria um oportunidade única para realmente conversarmos”, conta.
Em seu site, o DigiLabour afirma que a partir dos parâmetros Fairwork objetiva-se “construir mecanismos de pressão junto às empresas de plataformas, no sentido de construir outros cenários possíveis para o trabalho em plataformas no país”. O Fairwork Brasil conta também com a parceria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade de São Paulo (USP).
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]]>Dois filmes fora escolhidos para a mostra. Um deles é “GIG – A Uberização do Trabalho”, dirigido por Carlos Juliano Barros, documentário brasileiro vencedor do prêmio de melhor filme pelo público na Mostra Ecofalante de Cinema 2019. A obra trata sobre a prática do trabalho autônomo e suas precariedades. O segundo filme é o documentário alemão “The Cleaners”, que mostra um olhar crítico sobre a indústria virtual responsável por fazer limpezas digitais, apagando e controlando os conteúdos que ficam visíveis online.
Os documentários serão debatidos por Rafael Grohmann, professor do PPGCom da Unisinos. Doutor e mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP), é também editor da revista E-Compós e integrante do Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho da Escola de Comunicação e Artes da USP.
Gig economy
A “uberização” do trabalho, ou gig economy, vem crescendo na sociedade. Esse termo se refere ao trabalho temporário e sem vínculo empregatício. Atualmente, o fenômeno é muito inflado pelos trabalhos digitais, aqueles baseados em aplicativos de celular e plataformas na internet, como Uber e Airbnb. Essa é a área de estudo de Rafael. O professor, que ingressou há pouco tempo no PPGCom da Unisinos, define o trabalho digital de duas formas: uma mais ampla, pois, atualmente, não existe atividade que não envolva o trabalho digital, mesmo que indiretamente; e outra mais restrita, como os trabalhos mediados por plataformas. “Eu gosto dessas duas dimensões, porque a mais ampla entende o trabalho digital como o que a gente faz gratuitamente pelas plataformas”, explica.
Rafael teve a ideia de pesquisar o trabalho digital após a realização do mestrado, quando sentiu a necessidade de pensar em alternativas para o cenário. “Senti falta da comunicação estar presente no debate sobre a questão das plataformas de maneira geral, não só no que se chama área da comunicação, já que toda atividade de trabalho requer um processo comunicacional”, avalia o professor.

A primeira exibição dos filmes ocorreu no dia 25 de setembro, na Unisinos São Leopoldo. Na oportunidade, Rafael abriu o debate explicando que não se pode comparar criticamente a expressão gig economy com o famoso “bico”, já que, no Brasil, o bico sempre foi a norma, e não a exceção. “Você encara o bico como um emprego, e as taxas altíssimas de desemprego registradas oficialmente começam a ser mascaradas com essa plataformização”, comenta o professor.
Se você se interessou pelo assunto, as inscrições para participar da Mostra de Filmes sobre Trabalho Digital podem ser feitas neste link.
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