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]]>Francisco Gil Castello Branco Neto é o atual secretário-geral da Associação Contas Abertas, uma entidade que visa contribuir para o controle social sobre o orçamento público. Ele foi o primeiro palestrante da Semana Estadão.
Com a palestra “Acompanhando os gastos no dia a dia”, ele abordou o uso de aplicativos e sites para rastrear gastos públicos de vereadores, prefeitos, governadores, senadores, deputados e até o presidente. Abaixo, a lista de ferramentas listadas por ele:

– Detector de ficha de político: o aplicativo pertence ao Vigie Aqui, uma ferramenta online que descobre a ficha de políticos. O app é gratuito e pode ser baixado em smartphones. Através de um sistema de reconhecimento facial, o Detector descobre processos criminais, ações de improbidade administrativa e inquéritos. Basta acessar o programa e fazer uma foto do rosto do político, que pode ser tirada da televisão, santinhos, panfletos, debates, vídeos na internet, anúncios etc.
– Ranking dos políticos: trata-se de uma iniciativa privada com o objetivo de, como já explicita o nome, ranquear políticos do melhor ao pior. Nesse processo, são usados critérios específicos para criar o panorama geral. São eles: presença nas sessões; privilégios; processos judiciais; qualidade legislativa; formação; filiação partidária; extras. Contudo, o site também permite que cada usuário crie seu próprio ranking baseado em suas considerações e crenças pessoais.
– Capital dos Candidatos: o site é uma parceria entre Laboratório Analytics da Universidade Federal de Campina Grande e o Ministério Público da Paraíba. A cada eleição, políticos devem apresentar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma declaração dos bens que possuem. O site traz as informações diretamente do TSE e facilita a pesquisa sobre políticos.
Dentre os temas debatidos na Semana Estado de Jornalismo, a internet marcou presença. Os palestrantes ressaltaram, com frequência, a importância dessa área na construção do jornalismo e ações para o jornalista apropriar-se desse meio.
O próprio Estadão trabalha com o recurso IGTV, o aplicativo de vídeo do Instagram. Dentro desse meio, o veículo utiliza do projeto “Carrapato Estadão”. Os carrapatos são repórteres focas que seguem os candidatos à Presidência da República do Brasil, no pleito deste ano, durante compromissos políticos pelo país. Contrariando uma das principais normas do audiovisual, as filmagens são feitas na vertical. Com um smartphone contendo software de edição de vídeo, fone de ouvido e uma bateria, os cinco carrapatos informam a audiência pelo aplicativo.

O atual líder da iniciativa é o coordenador de TV do Estadão, Everton Oliveira. A equipe dos carrapatos é composta pelos repórteres Gabriel Wainer (Ciro Gomes), Talita Nascimento (Geraldo Alckmin), Matheus Prado (Marina Silva), Victoria Abel (Fernando Haddad) e Augusto Decker (Jair Bolsonaro).
Cobrir uma eleição presidencial pelo Instagram é algo novo. O projeto tenta conversar com um público mais jovem e que não é, necessariamente, assinante do jornal. De acordo com Oliveira: “A diferença dessa campanha para todas as outras que cobri está no uso das redes sociais. Traz transparência, as pessoas ficam mais próximas da realidade dos candidatos”.
Alguns números sobre o Carrapato Estadão: ao longo dessa campanha, o grupo fez 41 viagens e passou por 31 cidades de nove estados diferentes. Foram 103 vídeos publicados, de 22 de agosto a 24 de setembro. O programa do Estadão pelo IGTV, sozinho, já teve 370 mil acessos. Somado esse número com o de outras iniciativas do jornal no Youtube, Facebook, Instagram e Twitter, as redes sociais renderam quase dois milhões de visualizações – 1.825.000.
A tecnologia veio para auxiliar o jornalista. Foi com esse raciocínio que Tai Nalon e Laura Diniz, ambas jornalistas, apresentaram seus robôs: Fátima e Rui Barbot. Tai é diretora e co-fundadora da agência de checagem Aos Fatos. Em sua palestra “Fátima, o robô checador”, ela abordou a importância do boot na checagem da veracidade do discurso público.
Segundo Tai, o chatboot Fátima usa linguagem de programação Python e foi desenvolvido em duas etapas. Na primeira, a robô, através do Facebook, conversaria com pessoas usando o Messenger, aplicativo de mensagem da rede, para ajudá-las no processo de verificação online de informações, em como separar fatos de opiniões e em como saber se uma fonte é confiável ou não. Além disso, Fátima seria, e é, responsável por distribuir conteúdo já checado pela Agência de Fact-checking, Aos Fatos.

Na segunda etapa, já alcançada, Fátima consegue rastrear a distribuição de URLs com conteúdo falso pelo Twitter. A @fatimabot responde o usuário responsável pela publicação, avisando-o sobre a propagação de conteúdo falso. Ela também acrescenta na resposta um link que demonstra a verificação completa da informação. Contudo, ela só avisa os usuários do Twitter caso a informação tenha sido previamente checada pela Aos Fatos.
Ao todo, a chatboot já mapeou quase 11 mil links e enviou mais de 1,5 mil alertas pelo Twitter. Segundo Tai, Fátima consegue furar as bolhas sociais e alcançar um público diversificado. “As chances de furar bolhas são maiores quando não há o peso institucional do Aos Fatos por trás de uma checagem. Por isso que a Fátima boot é legal. As pessoas acreditam nela”.

Laura Diniz é sócia e diretora de desenvolvimento do site JOTA, uma iniciativa que começou em 2014 e hoje se transformou em um dos principais veículos de comunicação especializado na cobertura do Poder Judiciário. “Nosso objetivo era avaliar as escolhas dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), mas também os processos que eles deixam para trás”, afirma Laura.
O JOTA é responsável pela criação e manutenção do robô Rui. A função do boot é monitorar o tempo que o STF leva para julgar um processo judicial. O robô lança um alerta via Twitter – @ruibarbot – e avisa quando algum processo fica inato por um ano (completa aniversário) ou alcança uma data expressiva, como um mês sem movimentação.
Daniel Bramatti é o atual presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e editor do Estadão Dados, núcleo de jornalismo de dados do periódico. Em sua palestra “Todos juntos contra as Fake News”, Daniel abordou o projeto Verifica do Estadão, um blog de checagem de informações falsas pela web.
Além de abordar a iniciativa, Bramatti afirmou não gostar do termo Fake News, pois sua tradução literal para o português não compreende a realidade da expressão. Para Bramatti, o termo mais adequado seria notícia falsificada. Segundo ele, o “jornalismo mal feito e enviesado não é fake news”. O erro jornalístico, ou apurações mal feitas, não configuram falsidade. São situações corriqueiras que o repórter lida. Para Bramatti, o erro não pode ser caracterizado como falsidade ou manipulação, pois essa associação prejudica a credibilidade da imprensa.

A jornalista Carla Miranda não foi só mediadora dos debates da Semana. Na manhã de quinta-feira, 27, ela foi responsável por ministrar um workshop sobre estrutura de texto jornalístico. Dos assuntos tratados, ela deteve-se, em especial, na construção do lide. Para Carla, existem quatro maneiras de começar o primeiro parágrafo de um texto: lide informativo; com personagem; com apelo humano; e com descrição.
Começar com a informação é o mais comum no jornalismo, é o lide tradicional: a fórmula 3Q + COP (o quê, quem, quando, como, onde e porquê). Ela deve ser usada para trazer, em primeiro lugar, a informação mais relevante do texto.
Segundo Carla, o lide com personagem é usado quando o protagonista é o melhor dentro de toda a apuração. Ele se encaixa totalmente dentro da proposta da matéria. O mais comum nesse tipo de parágrafo é mesclar a personagem com informação.
O apelo humano, para Carla, se faz presente no lide quando não há um único personagem, mas vários – cada um deles representando um aspecto do tema (ou dos temas) do texto. O repórter não quer “contar historinha’, ele procura se expressar de forma mais direta e empática. Na visão da jornalista, a maneira com que o repórter conduz o texto é decisiva para o sucesso desse lide.
Um primeiro parágrafo com descrição trata de situações especiais. De acordo com a jornalista, em textos de viagem são um exemplo, caso o local visitado seja desconhecido da maioria das pessoas, um lugar de difícil acesso. Além disso, situações extremas e incomuns também podem ser descritas num lide. Ela citou o caso de Belo Monte para ilustrar.
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]]>Cassiano Cardoso, aluno do 7º semestre
“Surpreendeu a diversidade de conteúdos debatidos na Semana Estadão de Jornalismo, mas, sobretudo, o que mais chamou atenção foram as diferentes formas de se fazer jornalismo e buscar rentabilizá-lo, que é um problema atualmente na nossa área. As palestras com as meninas do Nexo e da Agência Lupa foram sensacionais. Acredito que foi uma ótima experiência para mim, que já estou na reta final do curso. Sem contar que ficar por uma semana em São Paulo e adquirir inúmeras experiências num local diferente do nosso já vale a pena, principalmente pela riqueza cultural da cidade. Seja por um rolê no MASP ou no Ibirapuera, São Paulo é uma nova descoberta a cada esquina”

Nicole Fritzen, aluna do 6º semestre
“A oportunidade de ir pra São Paulo e participar da Semana Estado de Jornalismo foi gratificante. Durante os quatro dias de curso, tive experiências únicas e incríveis, como a visita à redação e ao acervo do jornal, um dos mais tradicionais do país, e também a oportunidade de repensar e debater a prática jornalística com profissionais experientes. Foi uma semana de muita aprendizagem e um momento que com certeza agregou muito para minha formação.”

Mainara Torchetto, aluna do 6º semestre
“É muito gratificante ter tido a oportunidade de vivenciar essa experiência. Se eu puder dar uma dica a quem se interessar em participar é que acompanhem as próximas edições e se inscrevam. Além de ser um aprendizado pra vida, a satisfação profissional que o curso proporciona é uma base sólida pra gente começar a Construir a nossa carreira. A Semana Estadão levantou diversas questões que puderam ser trazidas em sala de aula e geram uma troca de conhecimento e opiniões muito construtiva até hoje.”

Thamyres Thomazini, aluna do 7º semestre
“Essa foi a quarta vez que fui pra São Paulo, mas ao contrário das outras foi totalmente diferente. Andar sozinha por uma cidade estranha, pegar ônibus, metrô, descobrir onde ir, estudar e trabalhar lá, me fez sentir que estou pronta para o mundo. Pode parecer algo bobo, mas me senti assim, mais independente, dona de mim e adulta. A Semana Estado de Jornalismo foi um aprendizado completo. Ouvir as experiências, ensinamentos e histórias de jornalistas consagrados é sempre enriquecedor e nos faz abrir a mente para as possibilidades do mercado. Além disso, a representatividade feminina que percebi no curso foi algo que me deixou bem animada e feliz. Faria de novo com certeza!”

Liane Oliveira, aluna do 7º semestre
“Participar da Semana Estado de Jornalismo do Estadão, foi uma experiência incrível e que vou lembrar pra sempre com muito carinho. Durante os quatro dias de curso tivemos uma overdose de jornalismo. As novas plataformas e os diversos formatos de entregar conteúdo. O tema deste ano era jornalismo em rede, então podemos debater e compartilhar experiências com grandes profissionais da área. Além de muito jornalismo, aproveitamos para conhecer alguns lugares na cidade e encontrar histórias legais em cada cantinho de São Paulo”

Dyessica Abadi, aluna do 6º semestre
“Precisei ir a São Paulo para poder ter a experiência de como seria uma imersão no jornalismo. Tivemos palestras e debates com profissionais de diversas áreas de profissão -desde a área de dados até investigação. Além disso, o evento possibilitou um enorme networking com outros colegas, estudantes de todos os cantos do Brasil.
O momento mais inesquecível para mim e que fez eu me dar conta de que estava num dos maiores jornais do país foi quando tivermos a oportunidade de ver as páginas do Estadão – as originais – censuradas na época da ditadura. Foi uma verdadeira viagem no tempo e fez com que eu me sentisse dentro da história do nosso país.
Outro momento importante, mas por um lado pessoal, foi que tive muito medo de ir a um lugar desconhecido sozinha. Lá em São Paulo, pude me desafiar e me superar. Criei coragem e fui conhecer alguns pontos turísticos da cidade. Isso teve uma importância tão extrema pra mim, que inclusive me incentivou a participar do prêmio e desenvolver um pouco mais a minha autoconfiança.”

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