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]]>Ao todo, foram 17 curtas-metragens de ficção, 3 documentários, 7 animações em stop motion e, ainda, 1 episódio piloto de seriado de televisão. Além disso, houve um momento de retrospectiva, com uma seleção de obras marcantes criadas por alunos que já não estão mais no curso.
Tudo isso dividido em 7 sessões com debates ao longo de 3 dias de muito bom cinema, celebração da cultura e integração entre equipe cinematográfica e público. E ainda aconteceu uma festa no tradicional no Bar Ocidente, especialmente em comemoração aos 20 anos do curso. Agora, confira os destaques da Mostra de 2023!
Começando os trabalhos, no dia 18/12, segunda-feira, o Programa “Ficção 1” apresentou filmes com temática familiar. Um longa do primeiro dia que se destaca é “Baltazar”, dirigido por Eduardo Scharlau. Foi a primeira vez do aluno ocupando cadeira de direção em uma produção, já que ele está muito mais acostumado a atuar no departamento de som. “Baltazar” conta a história de um pai que tem uma relação estranha com o filho e vai redescobrindo situações passadas que podem ter sido a causa dessa estranheza entre eles.

Eduardo contou ao Mescla que ocupar esse lugar foi, para ele, uma oportunidade de experienciar a realidade de fazer um filme, com todos os desafios de conseguir um bom elenco e locações. “Mas, ao mesmo tempo, foi uma experiência ótima que me deixou com muita vontade de produzir outras obras como diretor no futuro.”
O segundo dia, terça-feira, já iniciou com bastante movimento. O Programa “Documentários, Stop Motions e Piloto” apresentou nada menos que 11 obras de diferentes estilos e autores com diferentes tempos de curso. As animações em stop motion, com elementos do humor e da fantasia, trouxeram uma quebra de tensão entre os documentários que abordavam questões mais sérias e pesadas, como o “Linha Final”, que fala sobre a problemática do suicídio a partir da perspectiva de funcionários da Trensurb.
Em debate após a exibição dos filmes, a diretora-aluna Valentina Peroni diz que, pensando sobre o assunto, se fez a pergunta: “Como os funcionários do trem ficam depois que isso acontece?”. Daí, surgiu o documentário, em que vemos que esse é um drama mais frequente do que se pode imaginar para quem trabalha no Trensurb, e os relatos são extremamente fortes e sensíveis. Foram várias as técnicas criativas utilizadas por Valentina para contar a história, dentre elas, o uso de uma câmera GoPro posicionada embaixo dos trilhos, alternando para outra câmera na visão dos maquinistas.
Seguindo a programação de terça-feira, o Programa “Ficção 2” foi um reflexo claro do resultado da pandemia na mente dos jovens cineastas da Unisinos. Todos os filmes entraram de cabeça na questão da saúde mental. Uns de maneira mais explícita, outros utilizando metáforas com criaturas fantásticas e elementos do terror. Mas todos os autores com uma fala em comum: “aqui estão os meus medos mais íntimos”.

O curta “Ansiosamente”, dirigido e escrito por Lívia Azambuja, conta uma história muito pessoal, difícil de ser falada e importante de ser divulgada. A obra não chega a ser do gênero de terror, mas causa calafrios ao retratar de forma fiel como funciona a ansiedade em si, inclusive com seus picos nas chamadas “crises”. Ao estilo “Heartstopper”, a animação aqui é um recurso que ajuda a expressar emoções dos personagens de forma visual.
O último bloco de exibição da terça-feira, “Ficção 3”, contou com filmes sérios, que se aprofundam em questões como câncer, morte, envelhecer, luto e perda. Ana Luiza Azevedo, que comandou o debate após os filmes, se deslumbrou com o resultado do trabalho dos alunos: “Me encanta a maturidade nos filmes, são filmes muito coesos. Os diálogos são bem escritos, com uma impressionante precisão nas palavras”.
“Pior que morrer é saber que se está morrendo.” Esta é a sinopse de “Uma última xícara de café”, de Victor Curi. Werner Schünemann vive, aqui, um homem em estágio terminal que conversa com um jovem afrontoso e violento. Em debate, foi conversado com toda a sala de cinema do Capitólio quem era aquele rapaz. Alguns interpretaram como sendo o próprio homem doente, outros como sendo a depressão, outros pensam que é a própria morte. É claro que o diretor Victor não forneceu resposta alguma.
O último dia da 18ª Mostra Unisinos de Cinema foi inteiro de celebração. Não que os outros não tenham sido, mas a aproximação da festa dos 20 anos de CRAV no Ocidente deu um tom diferente. A quarta-feira iniciou com uma seleção de curtas de épocas passadas do curso, indo de 2008 até 2014. Com certeza os coordenadores Milton do Prado e Vicente Moreno sentiram a nostalgia no ar.
O destaque vai para “O Matador de Bagé”, de 2012. Felipe Iesbick apresenta Assis, um assassino profissional de Porto Alegre que executa suas vítimas “respeitosamente”, como o mesmo denomina. Assis se irrita quando chega à cidade um concorrente, que realiza os assassinatos de forma grotesca e sem nenhuma classe, no conceito do veterano. A divertida briga de gato e rato fala sobre o tema do confronto de gerações de uma forma muito inusitada. O curta-metragem está na íntegra no YouTube e você pode conferir abaixo.
Filmes com elenco mais infantil, que falam sobre o processo de crescer e se entender como pessoa no mundo, constituíram o Programama “Ficção 4”. Foi um momento de prova de que temáticas tratadas de maneira mais “leve” não são menos importantes. Mesmo não sendo animações, são filmes no estilo do estúdio “Pixar”, que utilizam uma linguagem que dialoga com adultos e crianças ao mesmo tempo de forma maestral.
“Redação sobre família” é dirigido por João Eltz e conta a angústia de um órfão que não sabe o que escrever sobre “o que é família?” em uma redação na escola. Em sua escrita, ele narra a sua relação com o “Tio do Surfe”, com quem teve uma conexão de pai, tio, avô e irmão – de coração. A base do roteiro foi uma turma de escola real, do 5º ano do ensino fundamental. João misturou vários trechos dos textos de diferentes crianças.
João ainda diz, no debate pós sessão: “Estou com várias das minhas famílias (de sangue e coração) aqui na sala hoje”. O filme mescla animação e live-action e, com elementos que vão de Turma da Mônica a Wes Anderson, é uma linda prova de que família, às vezes, se escolhe, sim.
Combinando com a festa de 20 anos do curso que estava se aproximando, os últimos momentos de Mostra, com o Programa “Ficção 5”, foram focados na comédia, na vida noturna e, acima de tudo, nas conexões.

Pedro Rimoli apresenta, em “Pizza de Abacaxi e O Fim do Mundo”, um ambiente surtado à la “Se Beber Não Case”. Mas ao invés de se passar em Los Angeles, os personagens têm um sotaque porto-alegrense carregadíssimo, o que o torna muito mais engraçado que a produção americana. E envolvendo uma possibilidade de apocalipse. “Imagina tu achar que o mundo vai acabar. Tu decide fazer uma bebedeira. No dia seguinte, o mundo não acaba e tu tem que lidar com o monte de besteira que tu fez. Esse é o meu filme”, ri Pedro. Tudo isso com, no final, ainda contar com a aparição especial de uma professora querida por toda a Unisinos, Luciana Kraemer. Encerrado com chave de mestre.
Além de ser um momento de orgulho, de mostrar ao mundo o fruto de seus trabalhos árduos, os alunos do CRAV, na Mostra, se conectam, tanto entre si, como com as famílias uns dos outros, amigos uns dos outros, e com o público em geral. “A gente enxerga o CRAV como uma grande comunidade. Quem está no curso agora, os professores e quem já saiu, todos se juntam numa grande festa”, fala Vicente Moreno, orgulhoso. “Cada ano é como se fosse uma safra de vinhos, sempre gostamos de ver e rever o que os alunos produzem.”
Acesse o Instagram do Mescla para conferir as falas de algumas figuras presentes na 18ª Mostra Unisinos de Cinema e ter uma palhinha visual de como foi o evento!
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]]>Mesmo assim, muitos alunos desconhecem as modalidades de atendimento que podem usufruir, ou, ainda, desconhecem o próprio NAE. Por isso, o Mescla decidiu reunir o que você precisa saber sobre esse trabalho tão bacana, capaz de melhorar o autoconhecimento e ajudar quem passa por momentos difíceis.
O NAE oferece três tipos de atendimento: psicológico, social e pedagógico. Depois de um primeiro contato, a pessoa é encaminhada para o auxílio que melhor atenda às suas necessidades. Além disso, o NAE ainda oferece rodas de conversa sobre temáticas múltiplas, como o grupo TCCendo, que objetiva ajudar os alunos do final da graduação a lidarem com as tensões e o estresse enfrentado durante esse momento bastante intenso da trajetória acadêmica.

Os alunos da Unisinos podem buscar atendimento junto ao NAE através do e-mail assistencia@unisinos.br. Cada estudante tem direito a uma média de quatro encontros, com a possibilidade de estender essa quantia quando necessário, assim como receber a indicação de continuidade ao acompanhamento terapêutico. As sessões podem acontecer presencialmente ou de maneira remota síncrona, através da plataforma Microsoft Teams, com duração de cerca de 45 minutos, semanalmente.
Em 2022, entre os meses de janeiro e agosto, a atuação do NAE contabilizou um total de 220 atendimentos psicológicos com estudantes. Em geral, costumam ser em torno de 20 alunos atendidos por mês – lembrando que cada um pode dispor de mais de uma sessão.

Este mês é sempre muito emblemático na conscientização sobre a prevenção ao suicídio. No entanto, é importante destacar que o esforço preventivo é diário e constante através da manutenção da saúde emocional de cada pessoa. Neste processo, o autoconhecimento e a atenção aos próprios sentimentos são ferramentas fundamentais.
Fora da universidade, e com cobertura em todo o país, o Centro de Valorização da Vida (CVV) é uma organização importante para a escuta de quem precisa. O CVV aceita chamadas de todo o território brasileiro através do Portal Disque 188. Há voluntários disponíveis 24h por dia de maneira gratuita, todos os dias – incluindo fins de semana e feriados. Também há a possibilidade de conversar por texto, além das ligações.

Junto a tudo isso, fazemos questão de reforçar: você não está sozinho. Acompanhar e zelar pela saúde mental e emocional é um processo contínuo, que deve acontecer durante todo o ano. Não é preciso chegar ao limite para buscar ajuda. Para dúvidas e mais informações, entre em contato com o NAE pelo e-mail assistencia@unisinos.br. Acompanhe também através do Instagram e Facebook.
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Para desenrolar esse fio e contar como ocorreu esta virada, Carol voltou no tempo, foi lá para o início de sua vida universitária, no curso de Letras, que acabou não seguindo. Foi no curso de Comunicação que ela realmente se encontrou “Na publicidade tudo era espontâneo: ‘vamos tirar umas fotos?’, ‘vamos ali fazer um programa de rádio no corredor?’ E eu preciso dessa válvula de humor. A faculdade de comunicação foi a melhor escolha que eu podia ter feito nesse sentido”, recorda as atividades feitas durante os anos de Unisinos.
Sempre entusiasmada, Carol aproveitou tudo que a universidade poderia oferecer ― dentro e fora das salas. Fez monitoria, pesquisa e estagiou na Agexcom como web designer. Na agência experimental aprendeu de animação em flash até html, mas também se aventurou na equipe de jornalismo, na construção de reportagens. “Foi uma coisa que eu cheguei e falei, ‘olha só, eu quero fazer uma reportagem! Eu não sou do jornalismo e não quero fazer jornalismo, mas eu queria fazer uma reportagem, vocês deixam eu fazer?’ E eles deixaram!”, lembra aos risos.
Por ela, teria continuado ali, mas, entendendo que já tinha feito e experimentado tudo que poderia dentro dos portões da faculdade, decidiu seguir para um mundo além daquele, o “mundo real” do mercado de trabalho, indo por um caminho mais comercial.
A entrada no mundo do trabalho foi, inicialmente, positiva, sempre dedicada e querendo se provar, ela virou um case que caminhou de estagiária até o papel de sócia. Porém, a rotina de alta, e excessiva, carga horária acabou se refletindo em seu corpo. Carol começou a apresentar muitos problemas de imunidade, que facilitaram infecções, desenvolveu crises de ansiedade e pânico, assim como um princípio de depressão.
Essas condições a fizeram pedir um afastamento da empresa, para conseguir cuidar de si mesma, mas, logo, a condição temporária virou definitiva, e teve seus laços com a empresa cortados. Na época, ela não sabia que aquilo que estava sofrendo era um Burnout, porque, até hoje, pouco se fala sobre isso, mesmo com o tema de saúde mental ocupando mais espaço nas discussões na mídia. Decidiu, então, “pegar um dinheiro guardado” e fazer um ano sabático.

Durante seu período sabático, na parte chilena da Patagônia, Carol conheceu um holandês, os dois longe de casa, a amizade fluiu e isso a incentivou a visitá-lo na Holanda e a relação evoluiu para algo mais. Ela fez um mochilão pela Europa e lá experienciou a tranquilidade que havia perdido no Brasil. “Eu tinha a impressão que sempre tinha alguém me observando, alguém querendo se aproveitar de mim ou me julgando. Eu estava doente e não entendia, então, para mim, essa vinda para cá ia me ajudar. Ajudou muito, mas não resolveu meus problemas”, aponta.
Em um novo emprego a situação anterior se repetiu. Desempregada em um país novo, a brasileira, desenvolveu dois pensamentos: “Eu acho que preciso me dedicar a algo que me ajude e seja terapêutico para mim; e preciso de um tema. E, quando eu me dei conta que o tema que eu queria era saúde mental ― e coisas que envolviam isso ―, tudo deu uma deslanchada”. Logo, “era uma vez” o início de um ativismo em torno da Síndrome de Burnout.
Sua primeira publicação no Linkedin foi em inglês, no início, ela tinha medo de como as pessoas iriam reagir ao que estava sendo dito e como ela seria vista no Brasil. Então, por um tempo, aquele foi o único idioma no qual ela produzia conteúdo. Foi através de suas primeiras publicações que Carol percebeu que as pessoas mostravam uma resposta ao que estava sendo dito. “Eu entendi que quando eu contava a minha história, as pessoas se sentiam menos culpadas. E eu entendo, porque foi muito difícil para quem estava perto de mim acreditar no que estava acontecendo comigo”, assim, com a motivação de trazer publicidade àquele problema, Carol, criou a página ‘The Better Achiever’, na intenção de usar mais uma rede para falar sobre o assunto.
Além da vontade, a inspiração para escrever o livro veio de Patricia Merck, ex-colega de empresa que publicou de forma independente seu livro ‘Maybe a Book’, “Eu percebi que, talvez, eu não precisava ser aquilo que eu achei que ser escritora deveria significar e que, talvez, eu pudesse criar o meu jeito de ser escritora”, esclarece. Dessa forma, seu livro, resultado de uma escrita livre e sem intenção inicial de ser publicado, saiu ano passado. Primeiro em inglês, com o título de “My Morning Pages: Chronicles of living through Burnout” e, depois, traduzido pela própria autora para sua língua materna, o português, com o nome “Minhas Páginas Matinais: Crônicas da Síndrome de Burnout”.

No momento, a gaúcha segue publicizando a compreensão sobre Burnout por vários meios: um perfil no instagram ― onde, além de posts pessoais, milita sobre a causa da saúde mental, fazendo lives a respeito. Ela também mantém um blog ― onde acumula todas as suas produções ― e um canal no YouTube ― onde conta sua relação com o Burnout e produz outros conteúdos referente ao tema de saúde mental. Carol também promove o Burnoutados Anônimos, um grupo de apoio, com encontros na última sexta-feira do mês, para pessoas que já passaram ou passam pela Síndrome de Burnout, e oficinas de escrita terapêutica.
“Hoje eu escrevo para mim, escrevo para o mundo, e incentivo as pessoas que elas escrevam, mesmo que não seja para ninguém ver, porque isso é muito, muito, poderoso”, integraliza, entendendo que a escrita a ajudou a se redescobrir. A escritora está trabalhando em seu próximo livro, sem data de lançamento.
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