wp-mailinglist domain was triggered too early. This is usually an indicator for some code in the plugin or theme running too early. Translations should be loaded at the init action or later. Please see Debugging in WordPress for more information. (This message was added in version 6.7.0.) in /home/agexcom/mescla.cc/wp-includes/functions.php on line 6170The post Conheça Verônica Valente, aluna de PP e paratleta medalhista de tiro com arco appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>
Verônica comenta gostar bastante de fotografia e, por isso, diz se imaginar trabalhando em algo relacionado a isso. “Se possível, eu quero fazer algo que englobe o esporte também, mas, se não, só a fotografia já é uma área que me interessa bastante.”
Vê conta que desde pequena teve gosto por práticas esportivas, passando por diversas modalidades ao longo do tempo. Praticou capoeira, vivenciou o ballet, experimentou outras modalidades de dança, até se encontrar de fato no tiro com arco. O interesse pelo esporte olímpico surgiu após assistir as Paralimpíadas do Rio (2016) e Tóquio (2021). Ela relata que chegou a acompanhar as competições na capital carioca presencialmente durante uma semana, por conta do seu primo Eduardo Villanova, que trabalhou em ambas as edições.
Inspirada por essa experiência e também pela princesa Merida, personagem do filme Valente, animação da Disney – que também é arqueira –, Verônica começou a praticar o tiro com arco em abril de 2022 ao entrar para o Arqueiro X, projeto financiado pelo Pró-Esporte RS, programa de incentivo ao esporte do governo estadual, que estimula a prática do tiro com arco para jovens de forma gratuita. Ele é organizado e executado pela Escola Arqueiria Gaúcha no Centro Estadual de Treinamento Esportivo (CETE), em Porto Alegre.

Em um ano, Verônica subiu de categoria, do Arco Recurvo (o arco escolar usado nas aulas) para o Arco Composto (usado nos Jogos Olímpicos). Ao ver o seu potencial, a equipe da Arqueiria Gaúcha chamou Vê para fazer parte do time de atletas. Em maio deste ano, ela participou da sua primeira competição profissional e já conquistou a sua primeira medalha, a de bronze, no XVII Campeonato Brasileiro Paralímpico. Ela marcou 601 pontos na qualificatória – de 720 possíveis.
“Participar do Brasileiro foi uma oportunidade muito importante para o meu crescimento dentro da modalidade, não só porque consegui um resultado relevante, mas também por mostrar para os outros atletas que estão há 10, 20 anos atirando, que eu também tô nesse caminho. Encontrar atletas ali, que eu assistia competir nas Paralimpíadas, foi muito gratificante. Desenvolvi vários laços lá e adquiri muita experiência”, ressalta Verônica.

Vê conta que os recordes pessoais de pontuação, a medalha, a colocação, tudo é dedicado ao seu pai, Guarani Valente. Infelizmente, ele só pode estar presente no começo da trajetória dela no tiro com arco, pois faleceu em agosto do ano passado, época em que Verônica ainda fazia as aulas no Projeto Arqueiro X. “Acredito que, de alguma forma, ele segue comigo, e ainda vai me ver conquistando muitas outras colocações e medalhas incríveis ao longo da minha carreira como atleta paralímpica de tiro com arco, e vai se orgulhar muito disso.”
Técnica da modalidade há 10 anos e criadora da Arqueiria Gaúcha, Alexandra Cardoso falou que trabalhar com a Verônica é muito especial, por ela ser uma menina muito dedicada e querida. “Assim que a gente se conheceu, nos demos super bem. No projeto Arqueiro X, demonstrou muito talento e dedicação. Quando a gente tem essa reciprocidade do aluno, a coisa tende a fluir e melhorar cada vez mais”, elogia Alexandra. Segundo ela, não foi à toa que este ano Verônica subiu para a categoria Arco Composto. “Ela já voltou do Brasileiro com uma medalha de bronze. Toda essa dedicação, esse amor e carinho que ela tem pelo esporte, faz tudo acontecer muito mais fácil.”

Neste ano, a paratleta vem batendo recordes de pontuação nas modalidades Indoor e Outdoor dos campeonatos da Federação Gaúcha de Arco e Flecha (Fegaf), na categoria “Composto Feminino Sub-21 Paralímpico”. Verônica conta que seu objetivo principal sempre foi as Paralimpíadas de 2028, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Por isso, o foco agora é o Campeonato Brasileiro do ano que vem, pois ter um bom resultado nessa competição é de extrema importância para se classificar para a Seleção Paralímpica.
“Para se classificar para qualquer Paralimpíada, é preciso obter vários bons resultados em campeonatos brasileiros e, junto disso, é preciso ir bem no dia da Seletiva para Seleção Paralímpica”, explica. Segundo Vê, para entrar na Seleção, não adianta só conquistar o primeiro lugar. “Também é necessário atingir o índice que os paratletas fizeram no campeonato mundial anterior”, complementa a arqueira.
Além do objetivo de entrar para a Seleção e representar o Brasil em diferentes campeonatos nacionais e mundiais, Verônica também tem outros desejos, como promover a diversidade e inclusão através da sua vivência, para mostrar que todos podem praticar esportes; e, claro, se tornar uma referência mundial na modalidade. A paratleta defende que o tiro com arco é um dos esportes mais inclusivos e que todos podem atirar. “Eu acho que independentemente da deficiência, vale a pena tentar o tiro com arco, porque com certeza, de alguma forma, ela vai conseguir atirar. Claro que cada deficiência demanda uma adaptação diferente, mas todos conseguem atirar”, observa.
Entre as maiores dificuldades como atleta, Vê aponta que as principais questões são conseguir um lugar com espaço para treinar, e ter um maior incentivo para a modalidade. “A minha categoria oficialmente é a de 50 metros, e pouquíssimos lugares disponibilizam essa distância. Em segundo lugar, acho que seria importante a gente ter uma valorização, de repente um maior auxílio, um maior incentivo por parte dos órgãos públicos”.

Ela também comenta que vem buscando por parcerias e patrocínios, para que possa ter um apoio financeiro com os gastos, que envolve a ida a um campeonato, por exemplo. “Por enquanto, eu não tenho nenhum patrocínio. Eu só consegui um apoio da universidade, que já tá me ajudando bastante, mas patrocínio mesmo ainda não consegui”, revela Verônica.
Com uma rotina intensa de treinos – quatro dias por semana, com duração de duas horas cada –, além de sessões semanais de fisioterapia e preparação física, Verônica busca um equilíbrio entre os estudos e os treinos. “É bem difícil, mas quando fui fazer a rematrícula pra este semestre na Unisinos, já pensando no Campeonato Brasileiro do ano que vem, que vai ser em maio, formei um quadro de horários que desse bastante tempo pra eu treinar. Hoje, eu consigo ter um equilíbrio, já que tô fazendo três disciplinas noturnas e treinando três vezes na semana, e aos sábados também”, explica.
Em um dia de treino, a primeira coisa que a paratleta faz é montar o seu equipamento. Depois, inicia o aquecimento, em que geralmente dá alguns disparos em um alvo mais perto do que o normal. Já pronta, começa o treino na distância inicial, que é de 18m. “Eu tenho um contador que, conforme vou atirando as flechas, marco cada série, e eu não saio da linha enquanto eu não fizer 90 disparos”, comenta Verônica. Ela ainda destaca que já ficou das 14h até às 19h atirando. “Já aconteceu de eu fazer 220 tiros e só ir para o intervalo quando cheguei nos 90.”

Durante uma tarde chuvosa de setembro, a repórter que vos escreve foi acompanhar o treino da paratleta Verônica no Cete, e acabou tendo a oportunidade de fazer uma aula experimental junto da turma do professor Alisson Cunha de Souza, que, assim como eu, é canhoto. Ele brincou que éramos os ‘tortos’ do grupo, por não ser usual encontrar um canhoto no tiro com arco.

A experiência durou cerca de uma hora, em que comecei conhecendo as regras básicas. Depois, passei por alongamentos de relaxamento e, em seguida, fiz dois exercícios com uma borracha elástica para imitar os movimentos com o arco. Logo em seguida, parti para a ação, e comecei a atirar com o arco e as flechas de fato. Ocorreu o que eu temia: não fui muito boa na pontaria, pois o mais perto que cheguei de acertar o alvo foi o da própria circunferência do mesmo. E quando acertei, era o alvo das atletas que estavam treinando ao nosso lado. Também acabei acertando algumas flechas na parede. Quando isso aconteceu, Alisson me explicou que era preciso avaliar as flechas antes de prosseguir, por questão de segurança, pois se as pontas ficassem danificadas, era perigoso usá-las novamente.
Foi muito legal e divertido ter sido uma arqueira por um dia, pois apesar de um possuir uma pequena dificuldade de mobilidade e pouca força na minha mão direita, ainda sim, consegui ter uma experiência positiva praticando o esporte.
Ficou curioso e gostaria de assistir aos treinos ou aos campeonatos que ocorrem no Cete? De acordo com a técnica Alexandra Cardoso, todos estão convidados para ver e torcer. Para ficar por dentro das novidades e datas das competições que ocorrem no local, é só seguir os canais no Instagram da Arqueiria Gaúcha e da Fedaração Gaúcha de Arco e Flecha. Já para os interessados em fazer uma aula experimental, devem entrar em contato com a Alexandra via WhatsApp e realizar um agendamento.
The post Conheça Verônica Valente, aluna de PP e paratleta medalhista de tiro com arco appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>The post Os desafios de produzir um longa que levou dois Kikitos em Gramado appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>
Realizado pela produtora Margem Cinema Brasil, da qual Lisiane é uma das gestoras, Céu Aberto fala sobre a transição entre infância e juventude. Conta a história da Andriele, uma menina nascida e criada na zona rural de Dom Pedrito (distante 440 km de Porto Alegre), no Rio Grande do Sul, que tem o desejo de se mudar para a zona urbana da cidade. A diretora do filme acompanhou a personagem durante cinco anos através de um exercício de encontros, em que Andriele se torna cada vez mais dona de si, refletindo sobre as transformações da paisagem em torno dela, e bem como o preço de suas escolhas.
Lisiane conta que participar do filme foi uma experiência interessante e complexa, pois o dinheiro ganho em um edital em 2018 para realizar o projeto foi disponibilizado somente em março de 2020, quando a pandemia de covid-19 e o lockdown já tinham começado. “Já havia protocolos que nos impediam de filmar, e como estávamos acompanhando a Andriele, que tinha o desejo de ir morar na cidade e já estava indo fazer isso, tivemos que tomar decisões e fazer mudanças na nossa produção, pois se a gente não filmasse, não teria documentário”, lembra. Diante disso, toda a estrutura de produção foi alterada, para permitir a filmagem durante a pandemia. Como a equipe não podia ir, os esforços foram direcionados muito mais em consultoria de montagem e de roteiro. “Fizemos isso para que não ficasse tudo tão concentrado só na diretora, e não tivesse tanta perda por conta da função da pandemia”, explica a professora.
Participar do festival é sempre muito bacana, revela Lisiane, porque lá se conhece muitas pessoas e reencontra outras. A última vez que participou da premiação foi em 2021, quando ainda estava em formato virtual devido à pandemia. “Voltar agora de forma presencial foi maravilhoso por conta desses momentos de reencontro e novos encontros. Conheci bastante gente e revi ex-alunos”, alegra-se Lisiane.
“Ano passado, estivemos com o filme no Olhar de Cinema, de Curitiba, mas foi no Festival de Gramado que ele estreou em solo gaúcho, o que dá um gostinho especial né?”, comenta a professora, orgulhosa. A equipe levou ao evento a personagem principal, Andriele, e a mãe dela, Sandra, que também participa do documentário. “Foi fantástico, um momento único e muito lindo”, apontou Lisiane.

A professora destaca também a felicidade de estar em um ambiente em que é possível ver muito filmes diferentes e conversar com quem os fez. “A repercussão do nosso documentário foi muito positiva. As pessoas vieram conversar com a gente e revelaram que gostaram dele. Eu sinto que a gente saiu do Festival com o longa muito fortalecido. Claro, os prêmios fortalecem, mas a conversa com as pessoas que o assistiram foi muito rica, o que ajudou muito o projeto”, observa Lisiane.
O Mescla também conversou com a personagem principal do longa. Por aplicativo de mensagem, Andriele Rodrigues Soares avaliou que participar do longa foi uma experiência diferente da sua realidade, já que vive em uma cidade onde não há cinema. “Foi tudo muito novo pra mim. Aprendi bastante e sou grata por tudo que o filme me proporcionou. Foi ótimo poder mostrar para as pessoas e jovens, como eu, que as indecisões, incertezas e obstáculos que a vida faz a gente passar são normais, e que tudo tem seu lado bom e o tempo certo para acontecer”, diz Andriele.
Ele contou que nunca imaginou que o longa teria toda essa visibilidade, e muito menos que poderiam participar do Festival. “Foi uma experiência incrível e mágica. Todo mundo foi muito receptivo e gentil, e a estrutura do Festival é muito boa. Mas o melhor foi a reação dos jovens e das pessoas que assistiram ao filme. Eles foram muito carinhosos e ficaram admirados”, comenta.

Céu Aberto está participando da Mostra dos filmes gaúchos de Gramado, que ocorre entre os dias 5 e 10 de setembro na Casa de Cultura Mario Quintana (Rua dos Andradas, 736, andar térreo, em Porto Alegre). O filme será exibido nesta quinta-feira dia 7/9, às 19h, e contará com um debate após a exibição. A entrada é franca e os ingressos podem ser retirados na bilheteria.
The post Os desafios de produzir um longa que levou dois Kikitos em Gramado appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>The post A criatividade que transborda da sala de aula appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>Em entrevista ao Mescla, ele conta um pouco sobre a sua formação, os primeiros passos no mercado publicitário e o brilho nos olhos ao acompanhar a evolução dos alunos no curso e na vida. Esse bate-papo faz parte de uma série de conversas com profissionais que passaram por estes corredores antes de nós e ainda marcam as memórias dos 50 anos da Comunicação Unisinos. Você pode conferir neste link outras entrevistas publicadas.
Leia a seguir a íntegra da entrevista:
Mescla – O que é a Indústria Criativa hoje?
José – Na minha época, o curso era um só: Comunicação Social. Havia uma vertente, em que tínhamos algumas disciplinas introdutórias das três áreas (PP, RP e Jornal), e mais algumas disciplinas comuns. Depois, cada aluno se direcionava a uma ênfase. A grande ênfase da Publicidade era a criatividade. A criatividade era uma palavra e uma atitude que estava no auge, na época. Valiam – e os clientes também aceitavam – os delírios dos criativos. Deixando de lado tudo que nós consideramos hoje, os nichos, o planejamento, a importância do briefing, a intenção mercadológica. Essa é a grande diferença que vejo em relação ao curso hoje: é muito mais científico, propõe uma série de conteúdos que vieram acompanhando o tempo e alguns ainda propondo cenários futuros.
Mescla – Uma disciplina que marcou a sua trajetória?
José – Todas (risos), mas fundamentalmente a antiga Expressão Gráfica, que foi atualizada e hoje é chamada de Representações Visuais, pelo fato de ser uma disciplina quase introdutória, ofertada no segundo ou terceiro semestre. É fantástico ver os rostinhos bem novinhos adquirindo a consciência de que a prática da comunicação publicitária integra também cultura, história, arte… e é uma linguagem. Quanto mais ela se diferenciar na argumentação, em termos de linguagem verbal e visual, mais ela vai atingir seus resultados. É uma disciplina que me motiva muito, os alunos terminam o semestre brilhando. É muito legal ver isso, me enche de orgulho.
Mescla – Um professor especial?
José – Jim Pompeo. Ele chegou a fazer parte da Agexcom. Foi ele o responsável pelo início da minha carreira profissional, nos anos em que trabalhei em agência. O Pompeo foi um ser humano maravilhoso. Fui monitor dele na época, durante uns quatro semestres. No segundo semestre, ele me convidou para trabalhar com ele em Porto Alegre. “Esteja lá antes das 8h”, ele disse, e às 7h30 eu estava parado no portão. Ele contou que gostava do meu traço, do meu jeito de lidar com as pessoas e tinha vaga no estúdio e na área de tráfego, que eu podia juntar as atividades. E eu só saí de lá para vir para a aula à noite, comecei a ir todos os dias. Foi meu grande mentor. Fui ficando, me formei, e ele continuava aqui, assumiu a coordenação do curso. Um ano depois de formado, ele avisou: “vai abrir concurso para a Unisinos, tu tens que te inscrever”. Fui aprovado e comecei. É um anjo da publicidade que está lá em cima nos olhando.
Mescla – Um amigo que o senhor fez no curso (ou na faculdade, ou ao longo da graduação)?
José – Vários, que permanecem até hoje. Sou padrinho dos filhos e de casamento de ex-alunos que se conheceram nas salas de aula. Mas uma colega que me acompanhou muito desde o início do curso é a Sônia Haas. Entramos juntos, fazíamos todos os trabalhos juntos. Ela entrou uns três ou quatro anos depois que eu já lecionava. Foi coordenadora do curso algumas vezes. Em função de relacionamento e outras coisas, ela se mudou para a Bahia, antes de 2005. Começou a dar aula na Federal. Hoje está aposentada, mora em uma daquelas praias, na Ilha de Itaparica, e a gente conversa, se visita… é também uma das minhas “ídolas”. É uma mulher que admiro muito.
Mescla – Um lugar especial na Uni?
José – O caramanchão, na Sede. Era um pergolado totalmente coberto de trepadeiras, vários bancos e um laguinho artificial lotado de peixes dourados. Ali, a gente se sentava para falar sobre a vida, para sonhar os nossos futuros, para fazer os trabalhos. É um lugar que me marcou muito durante a fase de estudante, em função da convivência e da intimidade que a gente tinha com as pessoas. Isso se tornou uma espécie de refúgio. A minha filha, quando pequena, chegou a conhecer. Adorava, eu ficava sentado vendo ela ver o laguinho e assim por diante. De vez em quando, ainda me vem à memória o velho caramanchão da Unisinos.
Mescla – Um acontecimento que lhe marcou no período?
José – Um encontro de ex-alunos em que, inclusive, houve uma participação bastante grande de ex-professores, o Pompeo já tinha partido. Foi um dia inteiro, nos reunimos na Sede, a partir de pequenos encontros. A [professora] Luiza Carravetta começou a organizar, então nos reuníamos lá na Sede, primeiro com um grupo pequeno. As memórias foram voltando, os afetos foram sendo retomados, as lembranças… E resolvemos tentar um grande encontro. Foram mais de 70 pessoas que acabaram vindo nesse dia. Almoçamos, rimos, conversamos, alguns choraram. Alguns professores que estavam em São Paulo e vivos ainda, vieram. Foi muito legal. Se não estou esquecido, foi em 2011. Já dá para nos reunirmos de novo (risos).
Mescla – O que a graduação na Uni representou na sua vida?
José – Vida. A graduação não existe sem vocês. Vocês [estudantes] são tudo, a nova geração, o futuro. Vocês são inquietos, têm uma energia contagiante. É por isso que sempre que me perguntam qual o significado e o porquê de ainda continuar dando aula e orientando, eu digo que os alunos me dão vida, é uma troca de energia, de conhecimento e de experiência, tão rica e tão grande que acho que não deixa nenhum de nós, professores, parar no tempo. Nos motiva a sempre buscar mais. Também, esse prazer de estar lá, ver vocês se formando, a evolução do curso, o despertar de novos interesses. É vida.
Mescla – A quais livros, filmes e séries o senhor tem se dedicado recentemente?
José – A continuidade de Game of Thrones, claro, que está imperdível. Inclusive, reli os quatro volumes durante a pandemia. Terminei de assistir RuPaul’s Drag Race. Vi também Crônicas de São Francisco. Fiquei muito apaixonado por Coisa Mais Linda, uma série brasileira que se passa na década de 1950. O Tempo Entre Costuras, que é uma série espanhola que se passa durante a guerra civil, muito legal. Nos livros, voltei aos escritos do Jung, no sentido de retomar alguns conceitos em termos de arquétipos e assim por diante. Li algumas biografias de grandes designers, como o Saint Laurent, a própria Chanel… E, também, peguei um que fazia muito tempo que eu queria retomar: Teoria das Cores, do Goethe. Renovou meu conhecimento. E, claro, vi muitas outras coisas, li coisinhas curtas também, isso não dá para parar. Dancei muito quando a ansiedade batia. Colocava a Cher e pulava pela casa (risos).
Mescla – Por fim, assim como as memórias, a criatividade também se renova?
José – Com certeza. A gente está se renovando o tempo inteiro, a vida inteira. Tudo são novas referências, novos conhecimentos, novas curiosidades, novas buscas. Falei do livro do Goethe, a primeira vez que tive contato com ele foi na disciplina de Psicodinâmica das Cores, no meu tempo de graduação. Acho que já reli umas cinco ou seis vezes depois. E a gente sempre descobre coisas novas, porque a gente não é mais aquela pessoa, em termos de processo criativo – que nada mais é do que a forma que a gente vê o mundo. A gente enxerga o mundo como se permite. Nos permitimos enxergar o mundo com liberdade, aceitando tudo que ele tem para nos colocar, em termos de realidade e absorvendo essa realidade, ou carregados de preconceitos, não aceitando algumas coisas que estão aí, isso está relacionado com tudo. Só que o grande filtro são os nossos valores que foram crescendo e evoluindo, a partir daquela base que nos foi dada na infância e foi crescendo e florescendo. A criatividade vai se renovando, porque o mundo se renova, a vida se renova.
The post A criatividade que transborda da sala de aula appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>