Notice: Function _load_textdomain_just_in_time was called incorrectly. Translation loading for the wp-mailinglist domain was triggered too early. This is usually an indicator for some code in the plugin or theme running too early. Translations should be loaded at the init action or later. Please see Debugging in WordPress for more information. (This message was added in version 6.7.0.) in /home/agexcom/mescla.cc/wp-includes/functions.php on line 6170
Arquivos poesia - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/poesia/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Fri, 23 Apr 2021 15:54:18 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.2 Seguindo a diversão https://mescla.cc/2021/04/23/seguindo-a-diversao/ https://mescla.cc/2021/04/23/seguindo-a-diversao/#respond Fri, 23 Apr 2021 15:54:16 +0000 http://mescla.cc/?p=14899 Nem todo mundo começa a jornada acadêmica sabendo exatamente por onde quer seguir a carreira. Na segunda metade dos anos 1970, o jovem Igor Luchese achava que iria ser arquiteto. No terceiro ano do curso, teve uma intuição: se matriculou em Comunicação Social na Unisinos. Ele ainda não sabia, mas seu futuro estaria fortemente ligado […]

The post Seguindo a diversão appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>

Nem todo mundo começa a jornada acadêmica sabendo exatamente por onde quer seguir a carreira. Na segunda metade dos anos 1970, o jovem Igor Luchese achava que iria ser arquiteto. No terceiro ano do curso, teve uma intuição: se matriculou em Comunicação Social na Unisinos. Ele ainda não sabia, mas seu futuro estaria fortemente ligado à publicidade. Igor caiu em uma turma com alunos que já estavam no final do curso. Descobriu que naquela profissão sua criatividade poderia ir além do que esperava. “Eu tinha o estereótipo de um estudante de 1977: rabo de cavalo, barba comprida e uma bolsa jeans”, lembra.

As fotografias foram reunidas pelos estudantes em reencontro, anos mais tarde (Imagem: Reprodução)


Na primeira aula, aprendeu a tirar proveito de todas as ideias que estavam a seu alcance. Acostumado a manusear o papel fino próprio para desenho na confecção de plantas baixas nas aulas de Arquitetura, fez recortes até chegar ao formato de que precisava, e escreveu os textos à mão. Igor já tinha um personagem criado por ele que costumava desenhar. Aproveitou para inseri-lo no trabalho, fazendo comentários críticos. A montagem rendeu boas notas. Foi quando percebeu que gostava mesmo disso. 


Igor recorda de outro trabalho naquele semestre. Era uma crítica ao livro “O dia em que o povo ganhou”, de Joel Rufino dos Santos. O futuro publicitário faz a resenha em formato pocket (de bolso), utilizando, para isso, um bloco de anotações. “Parecia com aqueles bloquinhos do jogo do bicho”, explica, aos risos. “Para mim, o dia que o povo ganha é quando ganha no jogo do bicho.”

Alunos na fila do RU na Unisinos que parecem saído de um filme (Imagem: Reprodução)


Muitos talentos 


Igor começou a estudar na Unisinos quando o campus ainda era localizado no Centro de São Leopoldo. Para ele, lá, no local conhecido hoje como Antiga Sede, os cursos eram muito mais próximos e os debates aconteciam no pátio da universidade, que reunia estudantes de áreas variadas. Foi nessa época que o então estudante publicou um livro de poesias e fez da escrita outra forma de expressão.


Mudou-se para Caxias do Sul, onde, segundo diz, “encontrou um lugar para si”. Depois de peregrinar bastante, criou sua própria empresa de publicidade. Mas não somente isso. “Fiz um monte de coisas ao mesmo tempo, porque eu acho que trabalhar em escritório é muito enfadonho”, confessa. “Então, eu me divertia com outras atividades. A primeira foi quando um cliente comentou que não havia nenhuma rádio decente em Caxias. No caso, não havia quem tocasse jazz.”


Com o apoio desse cliente, Igor pegou seus discos de vinil e lançou um programa dedicado ao gênero musical nascido em Nova Orleães, nos Estados Unidos. Foram cinco anos no ar. Dali, foi chamado para escrever crônicas no jornal Pioneiro, de Bento Gonçalves. Desse material, surgiu o livro A importância das coisas (2008).

Além da publicidade, a escrita também se tornou uma carreira (Imagem: Reprodução)


Entre o fim do programa de rádio e a vida como cronista, o publicitário também deu aulas na Universidade de Caxias durante quatro anos. Mas como escrever era um amor muito maior, conta Igor, ele se aventurou como cronista culinário no Jornal de Caxias. Próximo da família Iotti, foi o irmão do famoso cartunista gaúcho quem pediu a Igor que preenchesse uma lacuna no jornal com um texto. E aquela crítica culinária, que era para ser apenas um favor, se tornou semanal.

Tudo por diversão


Uma crise financeira do jornal obrigou Igor a escrever para sites da cidade, até que ingressou no Pioneiro. No rádio, ainda tentou mais um programa, dessa vez de entrevistas, em que conversava com publicitários sobre a área técnica da profissão, trazendo detalhes que as pessoas não conheciam. “Foi bem divertido”, recorda. Depois, vieram mais dois livros: Desejos Urbanos (2010) e Paredes (2011).


Mas não foi só no rádio e no texto que Igor se aventurou. Dedicou-se, durante cinco anos, ao programa Cozinhando na TV, produto da emissora da Universidade de Caxias. “A cozinha ficava em um bloco de salas onde também ocorriam outras aulas. Eu deixava a porta bem aberta para o cheiro chegar até os alunos. Tem pessoas que ainda lembram disso, mesmo depois de tanto tempo”, comenta. A experiência rendeu um livro de receitas: Receitas fáceis e saborosas.


Sempre motivado pelo que despertava seu interesse, o comentário de um ex-professor fez o publicitário pensar em um novo projeto. “Ele tinha saudades da revista literária da faculdade, e eu disse que, então, iria editar um jornal literário”, conta Igor. “Chamei de jornal Lasanha, já que eu ainda estava no programa de TV, e aquela seria uma mistura de camadas de coisas boas. Fui atrás do pessoal que fez a antiga revista literária. Com as colaborações deles e de outras pessoas, conseguimos trabalhos que iam do Piauí ao interior de Não-Me-Toque. O jornal, que começou com contos e poesia, se abriu para artistas plásticos e fotógrafos”, comenta.

Primeiro exemplar do jornal Lasanha (2010), que reunia cronistas, poetas, artistas e fotógrafos (Imagem: Reprodução)


Inclusive, um dos cartoons produzidos pelo Iotti para o jornal Lasanha ganhou uma menção honrosa em um festival internacional de humor. Outro trabalho realizado pelo grupo foi uma grande exposição de fotos, que contou com mais ou menos dez colaboradores. Esse encontro aconteceu em 2012.


Olhar para o futuro


Durante todos esses acontecimentos, a BAG Propaganda estava em funcionamento. “A agência veio com o foco de não fazer bobagem, de fazer uma comunicação séria, bem pensada”, diz Igor, um dos três sócios-fundadores. “Isso nos cria alguns impasses, porque muitos publicitários gostam de ser alegóricos, como um circo. Não sei fazer circo. Estamos há 38 anos trabalhando seriamente.”


Nesse tempo todo, o publicitário aprendeu que planejamento serve para olhar na direção que se vai, mas não a longo prazo. “Se em seis meses nada mudou, então estou fazendo algo muito errado. As coisas mudam do dia para a noite, e não dá para ficar sempre preso em um planejamento”, avalia. Para Igor, o essencial é uma análise de mercado e trabalhar muito. Mesmo com a perda de alguns clientes durante a pandemia, ele se mantém otimista. “O jeito é olhar para o futuro e tentar superar as dificuldades, escutando tudo que possa colaborar com a nossa continuidade.”


Quer saber como foi o encontro dos formandos dos anos 80? Confere ai como foi um pouco desse momento, eternizado na produção da professora Luiza Carravetta:

The post Seguindo a diversão appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
https://mescla.cc/2021/04/23/seguindo-a-diversao/feed/ 0
Vejo poesia nas pessoas https://mescla.cc/2020/10/06/vejo-poesia-nas-pessoas/ https://mescla.cc/2020/10/06/vejo-poesia-nas-pessoas/#respond Tue, 06 Oct 2020 17:20:30 +0000 http://mescla.cc/?p=14058 “A maioria dos poemas tem motivação Alguém ou alguma história bonita por trás Esse poema, coitado, tem não Surgiu ao acaso como o ódio após a paz” Esse é um trecho do poema “Inspiração de vida curta”, escrito por Vítor Kochhann. Vitinho, como gosta de ser chamado, tem 19 anos, mas, segundo ele mesmo, está […]

The post Vejo poesia nas pessoas appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
“A maioria dos poemas tem motivação

Alguém ou alguma história bonita por trás

Esse poema, coitado, tem não

Surgiu ao acaso como o ódio após a paz”


Esse é um trecho do poema “Inspiração de vida curta”, escrito por Vítor Kochhann. Vitinho, como gosta de ser chamado, tem 19 anos, mas, segundo ele mesmo, está mais próximo dos 83. Cursando atualmente o quarto semestre de Relações Públicas na Unisinos, Vitinho prepara seu primeiro livro solo. É que, na linha do tempo, essa será a quarta obra com poesias suas. 


Seu envolvimento com a poesia veio bem cedo, quando Vítor ainda estava aprendendo sobre a beleza das palavras. “Meu interesse pelo desenho das letras, pelos símbolos e pela palavra escrita em si vem desde quando eu era muito pequeno. Meus pais sempre me incentivaram à leitura”, conta Vitinho. Quando criança, lembra ele, enquanto ouvia as histórias lidas por sua mãe e seu pai, se esforçava para aprender a ler e poder, assim, conhecer aquelas histórias por si mesmo. 


No segundo ano do Ensino Fundamental, em 2008, a professora organizou um livro de poemas. Ele tinha uma proposta geral, e todo mundo podia participar. “A gente escreveu algumas poesias coletivas com a turma, e eu me apaixonei pela rima”, recorda o estudante. “Vi que dava para se divertir com aquilo que eu já achava interessante, que era a palavra escrita. Escrevi um poema sobre pijamas de uma bruxa e sobre a importância da água. E ali eu me apaixonei pela palavra que virava arte”, revela.

O livrinho feito em 2008 trazia o primeiro contato com a magia das palavras (Foto: Vítor Kochhann)

O Gato

Bem legal

Tenta pegar o rato

Mas só procura geral


Quando o gato

Faz miau

Parece dizer

Au


Depois de perceber que as rimas podiam ser uma forma de diversão, Vitinho percebeu que poderia expressar sentimentos e sensações com as palavras, e isso lhe abriu uma nova visão do mundo. Na adolescência, o aspirante a poeta começou a se interessar pela música, especialmente o rap e a cultura do hip hop. Ele se considera um músico frustrado, já que não sabe tocar nenhum instrumento. O amor pela música, no entanto, conseguiu achar vazão nas letras. Passou a escrever e, para buscar mais inspiração, foi a fundo em outras vertentes da música, principalmente a brasileira.


“Inicialmente, eu não tinha muita referência. Escrevia a primeira rima que vinha na cabeça. Ficava muito infantil”, confessa o estudante. Não que fosse uma coisa errada, afinal, a maioria dos artistas começam pelo impulso, depois aprendem a evoluir no próprio estilo. Foi quando encontrou um livro do poeta porto-alegrense Mário Quintana que Vitinho começou a se interessar por estudar a estética poética. 


“Tinha uma dedicatória escrita na frente. Achei muito poético”, conta. “Li na biblioteca, de uma vez só. Quando terminei, achei sensacional. Levei para casa e li de novo. A partir dali, comecei a me interessar pela métrica da poesia. Então, minha primeira referência foi e sempre será Mário Quintana”, destaca Vitinho.


Internacionalmente, o livro “O pequeno príncipe” é uma das suas referências de delicadeza. Mas Vítor reconhece que sua influência é 99% nacional. De Gonçalves Dias a Vinícius de Moraes, o fã incondicional do cantor Belchior gosta de se apaixonar pela poesia e pela vida. E nada melhor do que os poetas “de casa” para louvar ou criticar essa vida.

Transformar o sonho em realidade


Depois do primeiro livro — aquele em conjunto com a turma da segunda série —, participou, em 2017, com algumas poesias em “Gritos no silêncio dos esquecidos”, publicado por sua tia, a escritora Jane Lucas. A obra é uma coletânea de poemas, lançado pela Editora Alternativa, de Porto Alegre. Um anos depois, em 2018, participou da “Coletânea Imortais II”, da mesma editora. 


Agora, Vitinho está produzindo seu próprio livro, com poemas que escreveu desde os 12 anos. A ideia é terminá-lo até a metade de 2021 e, depois, transformar o sonho em realidade concreta. “Pode anotar!”, enfatiza o poeta. O projeto atual é uma leitura dos acontecimentos que acompanhou a partir do lugar onde mora, um apartamento no terceiro andar de um condomínio popular. É lá que Vitinho se sente mais à vontade para criar, já que, para ele, paz e tranquilidade são indispensáveis. Mas Vítor também gosta de pegar a estrada. Sempre que possível, viaja por aí para conhecer a história das pessoas que encontra pelo caminho. 


Vitinho vê poesia nas pessoas. Mas foi só depois de ter seus textos publicados que percebeu onde as rimas podiam chegar. “Ao receber um feedback dos leitores, passei a ver minhas ‘produções’ como isso mesmo, como produtos que podiam ajudar outras pessoas, não só nos momentos difíceis, mas alegrar nos momentos alegres também”, explica. Segundo Vítor, esse foi o grande marco para mudar a sua visão do que era uma produção artística. “Mas acho que o termo ‘artista’ ainda é muita pretensão para mim”, declara, com modéstia. 

O hobby aos poucos se transforma em mais uma forma de expressão artística profissional para o estudante (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)


Para o futuro, Vitinho não tem planos severamente traçados, tanto na carreira profissional quanto no hobby artístico e literário. “Eu sou meio ‘deixa a vida me levar’, mas tem coisas que me interessam”, revela. “Como relações-públicas, um assunto que gosto muito é relações governamentais. Tem tudo a ver com o que estudo e trabalho. É uma coisa que tem impacto social de primeira ordem”, avalia. Já na esfera artística, a ideia é ajudar os outros. “Apesar de amar a música, não sei tocar direito nem mesmo violão! Então, eu vou produzir essa galera talentosa que existe por aí.”


Além de poesia, Vitinho pretende, mais adiante, escrever uma obra literária e desenvolver melhor suas crônicas. Para 2021, o primeiro projeto é a coletânea de poesia. Se der tudo certo — como torcemos —, esperamos ver Vítor por aqui exibindo seus trabalhos.

The post Vejo poesia nas pessoas appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
https://mescla.cc/2020/10/06/vejo-poesia-nas-pessoas/feed/ 0
A poética do invisível https://mescla.cc/2019/12/09/a-poetica-do-invisivel/ https://mescla.cc/2019/12/09/a-poetica-do-invisivel/#respond Mon, 09 Dec 2019 19:38:09 +0000 http://mescla.cc/?p=12642 Tuane Eggers é fotógrafa, iniciou sua trajetória no curso de Jornalismo da Univates, em Lajeado, cidade onde cresceu. Por sentir falta de uma base mais teórica no campo da estética, decidiu ingressar no mestrado em Artes Visuais, no Instituto de Artes da UFRGS. Tuane queria falar de poéticas visuais, mais precisamente a poética dos fungos, […]

The post A poética do invisível appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
Tuane Eggers é fotógrafa, iniciou sua trajetória no curso de Jornalismo da Univates, em Lajeado, cidade onde cresceu. Por sentir falta de uma base mais teórica no campo da estética, decidiu ingressar no mestrado em Artes Visuais, no Instituto de Artes da UFRGS. Tuane queria falar de poéticas visuais, mais precisamente a poética dos fungos, sim, este é o título do seu trabalho. 

“Esse tema dos fungos é algo que me atrai há bastante tempo. Eu comecei a me interessar por eles, primeiro, esteticamente. Acho que remete a um universo onírico”, conta a artista. Tuane percebeu que estes pequenos seres invisíveis têm uma importância muito grande para os ciclos da natureza e decidiu registrar esse universo em seu projeto de mestrado. 

“Eu vejo eles como um agentes da transformação. Eu gosto muito de pensar que, às vezes, o que a gente acha que é o fim de uma coisa, na verdade, é só uma etapa de um ciclo que é muito maior. Gosto de pensar no sentido da transformação. Principalmente, nesse momento em que está todo mundo sem esperanças, é importante pensar que é só um ciclo de algo além” – Tuane Eggers.

“Eu estou trabalhando com experimentações nesse sentido, que é a aplicação de fungos em fotos impressas”, diz. Para aplicar a técnica Tuane imprime suas fotos em tamanhos pequenos em papel matte ou algodão. Em seguida, a artista aplica alimentos sobre a foto, como laticínios ou mesmo frutas. Os dias passam e os fungos se proliferam, então, ela refaz a foto da mesma imagem, o que resulta em uma sobreposição de imagens.

Fotografia com aplicação de fungos | Foto: Tuane Eggers

Autodidata

“Fui autodidata na área da fotografia. Eu comecei a fotografar com uns 15 ou 16 anos de uma maneira bem experimental, usava a câmera do meu irmão que era muito simples”, conta a artista. Sua cidade natal, Lajeado, tem uma população de aproximadamente 70 mil habitantes. Para Tuane, viver em uma cidade do interior a fez usar a fotografia para criar e perceber o espaço. “Fazia muitos auto-retratos e fotografava muito o quintal da minha casa”, conta. 

Fotografia com aplicação de fungos | Foto: Tuane Eggers
Tuane costuma viajar para Maquiné com amigos, onde faz suas fotos. | Foto: Tuane Eggers

No início, a artista publicava suas fotos em seu Fotolog. Para quem não conhece o Fotolog foi um site de fotografias, parecido com o Instagram, que já deixou de existir. “Naquela época, Em 2008, aconteceu uma coisa curiosa pra mim, me convidaram para participar de um filme, um longa metragem chamado “Os famosos e os Duendes da Morte”, que um diretor chamado Esmir Filho produziu”, conta a artista. 

Esmir estava em busca de jovens que se relacionavam com a internet, como uma forma de mostrar suas criações nesse ambiente. Tuane interpretou Jingle Jangle e teve a oportunidade de mostrar suas criações que ela postava no Flickr e no Fotolog. O projeto fez a artista acreditar mais no próprio trabalho como um potencial artístico. 

Um potencial que também chamou a atenção de outros artistas como Selton Mello (Sim, ele mesmo!) que dirigiu “O filme da Minha Vida“, 

“Um dia uma produtora de elenco me ligou e falou: “Tuane, o Selton Mello tá querendo te conhecer, eu posso passar o teu contato pra ele?… Eu fiquei, o quê? Como assim? Ele tinha assistido o filme do Esmir e foi pesquisar mais sobre o meu trabalho e minhas fotos.” – Tuane Eggers

Na obra de Selton Mello, a atriz Bruna Linzmeyer interpreta Luna, uma fotógrafa que se apaixona por Tony (Jhonny Massaro). Tuane acabou produzindo as fotos que aparecem no filme como tendo sido feitas pela personagem principal, Luna. O trabalho dela incluiu fotografar os atores, e de quebra, conhecer uma de suas referências, o fotógrafo e cineasta Walter Carvalho. 

Foto de Tony Terranova, personagem de Johnny Massaro | Foto: Tuane Eggers
Casal de protagonistas Tony e Luna (Johnny Massaro e Bruna Linzmeyer) | Foto: Tuane Eggers
Imagens de “O filme da minha vida” | Foto: Tuane Eggers

Mais além

Tuane trabalha muito com sobreposições, portanto, prefere a fotografia analógica. “Eu seleciono quantas imagens eu quero, aí ela segura o filme da câmera. Então, eu faço uma imagem, ela segura, e eu faço a outra”, explica a fotógrafa sobre a técnica de dupla exposição em que o negativo pode ser exposto mais de uma vez, o que cria o efeito de suas fotos.  

Foi assim que eu descobri outro tempo na fotografia, antes, eu estava acostumada a ver as imagens no momento em que eu fazia. Agora, é outro processo. Tem que esperar. Lidar com a espera pode ser algo angustiante, mas, também permite esse reencontro com a imagem. Então, também é lidar com os erros, acho que a imagem se torna especial, por ser mais única. – Tuane Eggers

Em novembro, a fotógrafa foi convidada para expor seu trabalho na cidade de Porto Alegre, durante o Festival Kino Beat. O convite veio do curador Gabriel Cevallos depois de conferir o trabalho dela no Congresso Cósmico de Ecologia das Práticas. Juntos, eles pensaram em uma forma diferente de expor o trabalho de Tuane, no lugar de telas, optaram por outdoors. “Eu vejo a publicidade como uma coisa meio agressiva e eu acho que colocar os fungos lá, esses seres pequenos e não perceptíveis é uma forma de dar importância a eles.”, conta. 

Tuane sempre quis atuar na transformação das coisas. Para ela, o jornalismo regido por interesses, talvez, não fosse o caminho. “Aos poucos percebi que muitas coisas são políticas [… ] Também tem muito a ver com a natureza. Trazer esses seres invisíveis e voltar o olhar para eles também é um ato político”, conta a artista. 

Tuane já participou de exposições internacionais no Japão, Rússia e Dinamarca, infelizmente, nunca pode estar presente em nenhuma delas. Seus cogumelos que já viajaram o mundo, na verdade vieram de um lugar mais próximo, uma pequena cidade do litoral gaúcho chamada Maquiné. Suas fotos  nascem sempre de um ambiente íntimo, como nas viagens com os amigos, quando ocorre sua poética dos fungos. 

Antes de ir embora leia esta poesia selecionada pela artista. 

Tratado geral das grandezas do ínfimo

A poesia está guardada nas palavras — é tudo que eu sei.

Meu fado é o de não saber quase tudo.

Sobre o nada eu tenho profundidades.

Não tenho conexões com a realidade.

Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.

Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas).

Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.

Fiquei emocionado.

Sou fraco para elogios.

Manoel de Barros

The post A poética do invisível appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
https://mescla.cc/2019/12/09/a-poetica-do-invisivel/feed/ 0
Luis Fernando Veríssimo em vários formatos https://mescla.cc/2018/09/27/luis-fernando-verissimo-em-varios-formatos/ https://mescla.cc/2018/09/27/luis-fernando-verissimo-em-varios-formatos/#respond Thu, 27 Sep 2018 20:24:21 +0000 http://mescla.cc/?p=7821 Em um final de tarde emocionante, familiares, fãs, funcionários e estudantes da Unisinos se reuniram para uma homenagem a um dos autores mais queridos do Brasil. A abertura da Semaníssima Luis Fernando Veríssimo ocorreu na segunda feira (24), no Campus Porto Alegre.   A exposição Luis Fernando Humoríssimo – Uma homenagem através dos panos, chega na universidade para celebrar os 82 anos do escritor e o recebimento do acervo doado pelo autor […]

The post Luis Fernando Veríssimo em vários formatos appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
Em um final de tarde emocionante, familiares, fãs, funcionários e estudantes da Unisinos se reuniram para uma homenagem a um dos autores mais queridos do Brasil. A abertura da Semaníssima Luis Fernando Veríssimo ocorreu na segunda feira (24), no Campus Porto Alegre.  

A exposição Luis Fernando Humoríssimo – Uma homenagem através dos panos, chega na universidade para celebrar os 82 anos do escritor e o recebimento do acervo doado pelo autor e sua família à Biblioteca Unisinos. Entre os materiais expostos estão itens como seus prêmios, fotos do álbum familiar, traduções, obras em áudio e vídeo e os desenhos originais do autor. 

Fotos: Giulia Godoy

Quem também acompanhou a abertura da programação foi a filha de Luis Fernando Veríssimo, Fernanda Veríssimo, que comentou como foi o processo para trazer o acervo à biblioteca da universidade. “A primeira intenção quando a gente começou a conversa com a Unisinos era justamente disponibilizar o acervo, porque é tão amplo, tem tantos focos, tantas áreas: jornalismo, literatura, ilustração até política. Afinal de contas é uma carreira que atravessa tantos anos de Brasil”. 

Além disso, Fernanda contou como é importante para os alunos ter acesso ao material. “A gente está super contente porque a universidade é o lugar ideal pra isso, porque também abrange todas essas áreas, então é o lugar perfeito pra ser usado. A ideia é realmente que o acervo seja usado como fonte, mesmo da história do Brasil até essas outras áreas de literatura, de humor, de televisão e até publicidade que tem também.”  

Uma das atividades que fez parte da programação de abertura foi o debate sobre Jornalistas Intelectuais e a Literatura. Mediados pela professora Martha Dreyer, os convidados Everton Cardoso, Luiz Gonzaga Lopes e Marcia Lopes Duarte debateram sobre a trajetória do autor Luis Fernando e o diferencial das suas obras, que o tornam um dos maiores escritores do País.

The post Luis Fernando Veríssimo em vários formatos appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
https://mescla.cc/2018/09/27/luis-fernando-verissimo-em-varios-formatos/feed/ 0
Oficina de Escrita Criativa ensina poesias e sensibilidade https://mescla.cc/2017/08/07/oficina-de-escrita-criativa-ensina-poesias-e-sensibilidade/ https://mescla.cc/2017/08/07/oficina-de-escrita-criativa-ensina-poesias-e-sensibilidade/#respond Mon, 07 Aug 2017 20:27:07 +0000 http://mescla.cc/?p=2595 Na última quinta-feira (3) ocorreu na Unisinos Porto Alegre a “Oficina de Escrita Criativa”, ministrada pela professora Patrícia Balestrin e pela psicóloga Renata Lisbôa. No evento, que fez parte da Semana Pedagógica, os professores escreveram poesias inspiradas em vídeos e em frases que estavam espalhadas pelas paredes das salas. As ministrantes propuseram aos professores que […]

The post Oficina de Escrita Criativa ensina poesias e sensibilidade appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
Na última quinta-feira (3) ocorreu na Unisinos Porto Alegre a “Oficina de Escrita Criativa”, ministrada pela professora Patrícia Balestrin e pela psicóloga Renata Lisbôa. No evento, que fez parte da Semana Pedagógica, os professores escreveram poesias inspiradas em vídeos e em frases que estavam espalhadas pelas paredes das salas.

As ministrantes propuseram aos professores que escrevessem uma poesia e compartilhassem a mesma com os colegas. Para isso, os professores deveriam se inspirar em suas experiências e em frases escritas nas paredes e nos vídeos mostrados. “Trouxe os vídeos do poeta Manoel Barros como dispositivo e gatilhos para poder inspirar os professores a entrar em contato com esse aspecto da emoção que faz brotar a escrita criativa”, declarou a psicóloga.

Foto: Francine Marin

Segundo Renata, ela e a Patrícia pensaram em propor para os professores essa atividade para que ela pudesse ter um caráter lúdico e espontâneo, porque é a partir da espontaneidade e da ludicidade que a escrita autoral e criativa pode então aparecer e se manifestar.

Ao começar a ler seu texto, um professor falou que sua poesia era extremamente pessoal e que ele a compartilharia com os colegas justamente para mostrar que não tem problema em ser tão aberto. Ele se inspirou em todas as frases que estavam escritas na sala mas principalmente na frase: “coisas raras que caem do céu”. “Estar aqui, lembrar de ti. Pensar porque que tu não lembras de mim? Não nesse momento, não dessa maneira. Tem um pedaço de vidro (celular) aqui na minha frente que pode tirar essa dúvida em um instante. Melhor não. Mas bem que eu queria. Ascendente em aquário. Porque não?”.

Foto: Francine Marin

De acordo com Renata, uma das tarefas do professor é levar encantamento e contagiar os alunos. “A gente pensa que através dessa possibilidade – de escrever e entrar em contato com a imaginação – possa inspirar o professor na sua prática docente e também a transmitir aos alunos toda essa potência pro semestre que começa. As aulas podem ser inventivas e despertar esse interesse maior no estudante”, explicou.

Foto: Francine Marin

O coordenador do curso Jornalismo de São Leopoldo, Edelberto Behs, também se inspirou na frase “coisas que caem do céu” para fazer o seu poema. “Olha, que pergunta é essa? Posso observar a chuva, o raio, o relâmpago, a neve. A natureza nos responde. Mas como vamos corresponder ao universo no que se espera que seja natural. Por que não cai a grama, a árvore, o boi, a cerca, o elefante, a ponte, a superfície para o céu? Mas isso seria transfigurar o mundo, transver o mundo, mas talvez seja uma boa opção. Nesses tempos de poucos fatos (…)”.

Ao colocar os pés nas salas, todos acabavam sentindo as boas vibrações que a oficina transmitia. “Clarice Lispector falava de epifania em suas obras e foi o que vocês me proporcionaram agora”, declarou Renata emocionada ao ler uma poesia e após escutar as escritas dos professores.

Foto: Francine Marin

The post Oficina de Escrita Criativa ensina poesias e sensibilidade appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
https://mescla.cc/2017/08/07/oficina-de-escrita-criativa-ensina-poesias-e-sensibilidade/feed/ 0