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Arquivos nossos talentos - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/nossos-talentos/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Wed, 02 Dec 2020 17:16:47 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 O relacionamento com a escrita https://mescla.cc/2020/12/02/o-relacionamento-com-a-escrita/ https://mescla.cc/2020/12/02/o-relacionamento-com-a-escrita/#respond Wed, 02 Dec 2020 17:07:40 +0000 http://mescla.cc/?p=14539 Escritor, poeta e professor. Roger Paffrath está no quarto semestre do curso de Letras da Unisinos e, hoje, é um escritor autopublicado. Na universidade desde 2009, Roger começou como aluno de Jogos Digitais e chegou a ter, inclusive, uma empresa de jogos. Por achar a área tóxica – pela pressão que sentia e, também, pelo […]

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Escritor, poeta e professor. Roger Paffrath está no quarto semestre do curso de Letras da Unisinos e, hoje, é um escritor autopublicado. Na universidade desde 2009, Roger começou como aluno de Jogos Digitais e chegou a ter, inclusive, uma empresa de jogos. Por achar a área tóxica – pela pressão que sentia e, também, pelo ambiente de trabalho -, trancou o curso quase no final e, por já ter dado aulas de inglês, mudou para Letras. “Queria tocar a vida das pessoas de um jeito diferente”, comenta.


Natural de Campo Bom, Roger começou a escrever poemas há cinco anos, e os publicava nas redes sociais. Com três livros de poemas e um romance policial, o escritor tem ainda um livro de terror para ser finalizado. O primeiro livro, escrito em inglês, surgiu para reunir os cerca de 100 poemas que Roger havia publicado nas redes sociais. Satélite Fantasma, de 2017, surgiu porque o artista estava apaixonado e queria transmitir o sentimento de alguma forma. O relacionamento não deu certo e o livro conta as diferentes fases da paixão.


Na época, o escritor procurava informações para publicar em formato digital quando encontrou uma publicidade da Amazon buscando autores para publicações de livros físicos. A partir disso, Roger reproduziu todos seus trabalhos de forma física e o link para cada um deles pode ser acessado aqui. Todo o processo de produção, desde a escrita, passando pela diagramação, as artes da capa e a divulgação após o lançamento, tudo é feito pelo escritor. Roger se utiliza tanto dos conhecimentos adquiridos no curso de Jogos Digitais, quanto no  de Letras. Sobre o atual curso, ele conta que o foco é maior é a preparação para dar aula,  mas como ele mesmo comenta:“O fato de estar inserido no meio acadêmico faz eu me entender escritor”.

Roger reviu sua identidade e, assim, se tornou artista (Foto: Patricia Sander


“Inspiração é quando tu tá observando, aquilo fica na tua mente e, quando sai, sai meio madura”, conta Roger. O escritor conta que está sempre prestando atenção em tudo que está em sua volta:  os gestos, as falas e o ambiente ao redor acabam servindo de inspiração.  A ideia para Queda Livre, o romance policial, veio enquanto o escritor dirigia o carro. Já a narrativa do livro de terror, enquanto passeava com o cachorro. Roger mantém, sempre que possível, uma rotina para escrever. Ele entra no “personagem escritor” e consegue formar a narrativa. Os poemas, por outro lado, não têm um momento específico no dia a dia, eles apenas surgem. Roger se vê como artista no cotidiano. Ele observa e tem uma sensibilidade artística. “Acho que começou quando eu parei de escrever em inglês. Eu questionei a minha brasilidade, minha identidade e qual era a minha verdade”, explica.


Durante a quarentena, a rotina do escritor se tornou caótica e, consequentemente, o hábito de leitura e escrita acabou ficando de lado. Agora, Roger começa a se recuperar. “É difícil escrever, porque tem que escrever, editar, vender… As editoras brasileiras não valorizam o autor novo”, comenta sobre os desafios que costuma enfrentar. Roger conta que divide a escrita com o trabalho, a faculdade e alguns passatempos. Ele lê e cuida da casa. O último, faz para procrastinar, uma “procrastinação produtiva”, como ele mesmo diz. “Eu também toco mal violão, tenho que aceitar ser ruim em alguma coisa”, conta rindo.O artista divulga seu trabalho no instagram, postando os poemas e fazendo vídeos para conversar com os seguidores. “São pessoas com experiências diferentes e que se identificam com o que tu escreve”, diz o escritor que busca sempre responder todas as mensagens.

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Acompanhada pela arte https://mescla.cc/2020/11/18/acompanhada-pela-arte/ https://mescla.cc/2020/11/18/acompanhada-pela-arte/#respond Wed, 18 Nov 2020 16:56:46 +0000 http://mescla.cc/?p=14393 A arte existe em todos os lugares, de todas as formas, e a entrevistada da vez da série #NossosTalentos é uma expressão disso. Manuela Zuccari tem 20 anos e está atualmente no 6º semestre do curso de Design, mas começou a pensar na beleza das formas muito antes de pisar em uma universidade. Desenhar e […]

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A arte existe em todos os lugares, de todas as formas, e a entrevistada da vez da série #NossosTalentos é uma expressão disso. Manuela Zuccari tem 20 anos e está atualmente no 6º semestre do curso de Design, mas começou a pensar na beleza das formas muito antes de pisar em uma universidade. Desenhar e pintar evoluíram para a ilustração digital e colagens, uma habilidade que acabou se tornando um meio de expressão e também um indicativo da carreira a seguir.


“Na minha vida toda, sempre fui muito ligada à arte”, conta ela. “Fiz teatro na escola, participei do coral, aprendi vários tipos de dança, como aérea, balé, jazz. Depois, fiz patinação artística, cursos de desenho, de mangá. Fiz várias atividades que foram me completando como pessoa e até mesmo na minha personalidade. Se hoje eu sou uma pessoa expressiva e comunicativa, se faz parte de mim ser empolgada com a arte, foi por causa das atividades que eu pude realizar.”

Os espaços dentro da escola possibilitaram que Manu expandisse seus horizontes
(Foto: Arquivo Pessoal/Manuela Zuccari)


Essa abertura para novas oportunidades e experiências foi uma característica incentivada desde cedo pelos pais, que ofereciam a possibilidade de ir além do que a escola oferecia. “Eles sempre me influenciaram nesse sentido, tanto para ter um currículo, um histórico bom, como para poder me testar. Descobrir, realmente, o que eu gostava”, explica Manuela. “Isso serviu para melhorar minha desenvoltura. O teatro me ajudou a falar melhor, me expor com consciência. Me expressar. O canto e a dança me ajudaram a entender meu corpo e adquirir força muscular. Meus pais me impulsionaram a descobrir pelo que eu era apaixonada e até onde iam minhas habilidades. ‘Melhore o corpo, veja do que é capaz! Se joga!’”


Esse incentivo possibilitou que desde cedo a estudante pudesse se interessar pela arte, tanto que ela sequer consegue dizer quando. De desenhos à pintura, foi na época da pré-escola que ela começou a se dedicar a esse passatempo que, mais tarde, ajudaria a escolher uma carreira. “A arte realmente colou em mim”, brinca. “No final do Ensino Médio, foi difícil pensar que iria começar uma nova fase, especialmente por perceber que teria que deixar o coral e o teatro para trás. Foram as minhas maiores dores.”


Hoje, ela não faz mais teatro, nem participa de coral, mas até momentos antes da chegada da Covid-19, a dança continuava presente como uma forma de expressão. “Eu ouço muita música. Não vivo sem música. Para tomar banho, cozinhar, até estudando, sempre tem um som me envolvendo. Eu ando cantando pela casa, danço bastante. Ia nas festas antes da pandemia para me expressar com a dança”, divide conosco. “Eu não exerço mais muitas das atividades artísticas de antes, porque na escola temos mais tempo e, às vezes, essas atividades estão ali, disponíveis. Mas essas coisas me marcaram e continuam comigo. Eu aprecio o teatro, o cinema, a música, toda essa construção artística porque participaram da minha vida e tiveram um grande impacto.”

Fotos tiradas e editadas pela Manu, em mais uma das experiências
que hoje fazem parte do sonho de carreira
(Arquivo Pessoal/Manuela Zuccari)


Atualmente, ela está se aprofundando no mundo das ilustrações, tanto as clássicas como as digitais, que, inclusive, são pontos fortes do curso de Design. Como a maioria de nós, ela começou a quarentena mais positiva, esperando que não demoraria muito para as coisas voltarem ao normal, então procurou investir seu tempo a mais nos pontos que gostaria de desenvolver. “Fiz bastante fotos, autorretratos, edições para redes sociais, montagens e colagens. Mas ao longo do ano, tem sido um pouco frustrante estar em casa e não poder exercer o que planejei”, revela. “Todas as ideias de agora precisam ser feitas em casa, com você mesmo. Às vezes, minha família não quer tirar fotos, nem posso pedir para as minhas amigas. Por isso, fui diminuindo o grau de produtividade.”


Mas, acostumada a ir além e descobrir o que pode fazer a mais, a estudante de Design acabou descobrindo um novo amor. “A arte salva, no fim. Sem ela, estaria muito mais perdida. Durante a faculdade, presencialmente, não estava ilustrando, mas ultimamente voltei a tentar. Testei um material novo, uma técnica nova, e isso está me deixando feliz. Talvez esteja travada na fotografia, mas estou desbravando a ilustração. A arte vai me acompanhando.”

Fotografias e cores como forma de expressão artística
(Foto: Arquivo Pessoal/Manuela Zuccari)


O fato de que a arte faz parte da sua vida ajudou a levá-la até o curso que estuda, já que o interesse por todas as formas de expressão sempre estiveram ali. “O Design tem essa discussão relacionada à arte. É design? É arte?”, explica Manuela. “O designer vai produzir alguma coisa pensando no público. Como as pessoas vão interagir, qual a usabilidade, a estética, o preço? São muitas questões pensadas para servir o cliente. O artista, ao contrário, é mais egoísta, mais para dentro de si mesmo. Ele produz aquilo porque ele precisa se expressar. Precisa colocar para fora do jeito dele, sem a discussão que a gente tem, por exemplo, quando pensa no mobiliário. Mas deixa de ser arte?” 


Para a estudante, a percepção de que a arte influencia o design ajuda a entender o prazer em uma peça bem acabada. E esse prazer é uma das paixões que move sua própria participação no mundo artístico. “Eu sou artista em um sentido amplo, um compilado de coisas que eu amo fazer”, conclui Manuela. “Já me considero designer desde agora, mas além dessa terminologia, quero a de artista, porque acho que faz parte de quem eu sou.”

Trabalho audiovisual realizado em sala de aula
(Vídeo: Reprodução YouTube)


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Jornalismo e música em uma só voz https://mescla.cc/2020/11/04/jornalismo-e-musica-em-uma-so-voz/ https://mescla.cc/2020/11/04/jornalismo-e-musica-em-uma-so-voz/#respond Wed, 04 Nov 2020 16:33:09 +0000 http://mescla.cc/?p=14301 O amor pela música e pela comunicação foi essencial para a escolha da profissão de Bábiton Leão. Indeciso sobre o futuro, mas um grande fã de futebol, viu no jornalismo uma área em que se sentiria feliz em atuar. “Criei coragem e, aos 25 anos, fiz o vestibular, passei e estou na Uni até hoje”, […]

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O amor pela música e pela comunicação foi essencial para a escolha da profissão de Bábiton Leão. Indeciso sobre o futuro, mas um grande fã de futebol, viu no jornalismo uma área em que se sentiria feliz em atuar. “Criei coragem e, aos 25 anos, fiz o vestibular, passei e estou na Uni até hoje”, conta o estudante. Foi assim que a comunicação entrou na vida de Bábiton. Já a música está há mais tempo.


Bábiton tinha 15 anos quando começou a tocar violão, depois bateria e, na sequência, integrou algumas bandas de garagem. Um dia, lembra o estudante, as coisas foram perdendo força e ele resolveu dar uma pausa nas bandas. Com isso, acabou se aproximando da música nativista – principal influência dentro de casa. Foi nesse movimento que Bábiton experimentou a percussão e teve a oportunidade de acompanhar Raul Quiroga, músico uruguaio que reside no Brasil há 35 anos. “Tudo passou a ser profissional. Toquei em todo o Estado e fora dele”, conta Bábiton, que, a partir dessa ocasião, também virou cantor.


A carreira na música não foi a única que evoluiu em sua vida. Em 2020, Bábiton entrou de vez na comunicação. Além da graduação em Jornalismo, o estudante faz trabalho voluntário e estágio em duas rádios web e uma FM local. Mas, claro, na agenda do, agora, também comunicador, não pode faltar espaço para a música. Para ele, todos que fazem arte de maneira responsável – ou seja, que tenham um pouco de conhecimento sobre o que faz – podem e devem se sentir artistas. “Música não é dom, música é teoria. Desde que comecei a ser reconhecido como músico e receber pelo trabalho, passei a me sentir artista também”, explica.

Para Bábiton, desde que começou a ser reconhecido como músico e pago por isso, passou a se sentir artista (Foto: Tiessa Staudt)


Em 2015, mesmo ano que prestou vestibular para Jornalismo, Bábiton ingressou na Grantezuma como vocalista. A banda de rock é formada ainda por Tite Grant e William Borba nas guitarras, Géssica da Rosa no baixo e Moisés Carniel na bateria. Em 2017, lançaram o primeiro EP do grupo, contendo quatro músicas. Durante a quarentena, a Grantezuma finalizou o segundo EP, que estará disponível em breve, e acertou a produção para mais um trabalho após a pandemia.

Grantezuma participou da estreia do projeto Estrondo Live Sessions, da Estrondo Records, tocando cinco músicas ao vivo


A banda tenta sempre mesclar o rock com outros estilos de música popular. As influências são, entre outros, Secos e Molhados, Os Mutantes e Belchior. A inspiração de Bábiton vem das músicas nativistas, da MPB e do rock, mas o artista conta que também adora samba, jazz e blues. A arte, segundo o vocalista, é feita mais por amor do que por dinheiro, já que encontrar apoio é uma das principais dificuldades dos artistas locais. “O melhor retorno são as pessoas que gostam do nosso trabalho”, explica. Soma-se a isso o incentivo que recebe da esposa, da mãe, das irmãs e do filho. Com essa torcida, Bábiton reúne forças para seguir em frente na carreira.


O isolamento social acabou afetando a produção da Grantezuma. Os integrantes da banda não se encontram presencialmente desde março. Apenas realizam chamadas de vídeo. As composições têm sido feitas individualmente, o que acaba se tornando uma dificuldade. “Depois que passar a pandemia, a vontade de fazer arte vai estar explodindo. A saudade é muito grande”, revela o cantor. Para o futuro, Bábiton e a banda colocarão em prática as composições para o próximo EP e irão gravá-lo. “Certamente alguma canção vai trazer a experiência sobre a quarentena”, projeta.

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Vejo poesia nas pessoas https://mescla.cc/2020/10/06/vejo-poesia-nas-pessoas/ https://mescla.cc/2020/10/06/vejo-poesia-nas-pessoas/#respond Tue, 06 Oct 2020 17:20:30 +0000 http://mescla.cc/?p=14058 “A maioria dos poemas tem motivação Alguém ou alguma história bonita por trás Esse poema, coitado, tem não Surgiu ao acaso como o ódio após a paz” Esse é um trecho do poema “Inspiração de vida curta”, escrito por Vítor Kochhann. Vitinho, como gosta de ser chamado, tem 19 anos, mas, segundo ele mesmo, está […]

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“A maioria dos poemas tem motivação

Alguém ou alguma história bonita por trás

Esse poema, coitado, tem não

Surgiu ao acaso como o ódio após a paz”


Esse é um trecho do poema “Inspiração de vida curta”, escrito por Vítor Kochhann. Vitinho, como gosta de ser chamado, tem 19 anos, mas, segundo ele mesmo, está mais próximo dos 83. Cursando atualmente o quarto semestre de Relações Públicas na Unisinos, Vitinho prepara seu primeiro livro solo. É que, na linha do tempo, essa será a quarta obra com poesias suas. 


Seu envolvimento com a poesia veio bem cedo, quando Vítor ainda estava aprendendo sobre a beleza das palavras. “Meu interesse pelo desenho das letras, pelos símbolos e pela palavra escrita em si vem desde quando eu era muito pequeno. Meus pais sempre me incentivaram à leitura”, conta Vitinho. Quando criança, lembra ele, enquanto ouvia as histórias lidas por sua mãe e seu pai, se esforçava para aprender a ler e poder, assim, conhecer aquelas histórias por si mesmo. 


No segundo ano do Ensino Fundamental, em 2008, a professora organizou um livro de poemas. Ele tinha uma proposta geral, e todo mundo podia participar. “A gente escreveu algumas poesias coletivas com a turma, e eu me apaixonei pela rima”, recorda o estudante. “Vi que dava para se divertir com aquilo que eu já achava interessante, que era a palavra escrita. Escrevi um poema sobre pijamas de uma bruxa e sobre a importância da água. E ali eu me apaixonei pela palavra que virava arte”, revela.

O livrinho feito em 2008 trazia o primeiro contato com a magia das palavras (Foto: Vítor Kochhann)

O Gato

Bem legal

Tenta pegar o rato

Mas só procura geral


Quando o gato

Faz miau

Parece dizer

Au


Depois de perceber que as rimas podiam ser uma forma de diversão, Vitinho percebeu que poderia expressar sentimentos e sensações com as palavras, e isso lhe abriu uma nova visão do mundo. Na adolescência, o aspirante a poeta começou a se interessar pela música, especialmente o rap e a cultura do hip hop. Ele se considera um músico frustrado, já que não sabe tocar nenhum instrumento. O amor pela música, no entanto, conseguiu achar vazão nas letras. Passou a escrever e, para buscar mais inspiração, foi a fundo em outras vertentes da música, principalmente a brasileira.


“Inicialmente, eu não tinha muita referência. Escrevia a primeira rima que vinha na cabeça. Ficava muito infantil”, confessa o estudante. Não que fosse uma coisa errada, afinal, a maioria dos artistas começam pelo impulso, depois aprendem a evoluir no próprio estilo. Foi quando encontrou um livro do poeta porto-alegrense Mário Quintana que Vitinho começou a se interessar por estudar a estética poética. 


“Tinha uma dedicatória escrita na frente. Achei muito poético”, conta. “Li na biblioteca, de uma vez só. Quando terminei, achei sensacional. Levei para casa e li de novo. A partir dali, comecei a me interessar pela métrica da poesia. Então, minha primeira referência foi e sempre será Mário Quintana”, destaca Vitinho.


Internacionalmente, o livro “O pequeno príncipe” é uma das suas referências de delicadeza. Mas Vítor reconhece que sua influência é 99% nacional. De Gonçalves Dias a Vinícius de Moraes, o fã incondicional do cantor Belchior gosta de se apaixonar pela poesia e pela vida. E nada melhor do que os poetas “de casa” para louvar ou criticar essa vida.

Transformar o sonho em realidade


Depois do primeiro livro — aquele em conjunto com a turma da segunda série —, participou, em 2017, com algumas poesias em “Gritos no silêncio dos esquecidos”, publicado por sua tia, a escritora Jane Lucas. A obra é uma coletânea de poemas, lançado pela Editora Alternativa, de Porto Alegre. Um anos depois, em 2018, participou da “Coletânea Imortais II”, da mesma editora. 


Agora, Vitinho está produzindo seu próprio livro, com poemas que escreveu desde os 12 anos. A ideia é terminá-lo até a metade de 2021 e, depois, transformar o sonho em realidade concreta. “Pode anotar!”, enfatiza o poeta. O projeto atual é uma leitura dos acontecimentos que acompanhou a partir do lugar onde mora, um apartamento no terceiro andar de um condomínio popular. É lá que Vitinho se sente mais à vontade para criar, já que, para ele, paz e tranquilidade são indispensáveis. Mas Vítor também gosta de pegar a estrada. Sempre que possível, viaja por aí para conhecer a história das pessoas que encontra pelo caminho. 


Vitinho vê poesia nas pessoas. Mas foi só depois de ter seus textos publicados que percebeu onde as rimas podiam chegar. “Ao receber um feedback dos leitores, passei a ver minhas ‘produções’ como isso mesmo, como produtos que podiam ajudar outras pessoas, não só nos momentos difíceis, mas alegrar nos momentos alegres também”, explica. Segundo Vítor, esse foi o grande marco para mudar a sua visão do que era uma produção artística. “Mas acho que o termo ‘artista’ ainda é muita pretensão para mim”, declara, com modéstia. 

O hobby aos poucos se transforma em mais uma forma de expressão artística profissional para o estudante (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)


Para o futuro, Vitinho não tem planos severamente traçados, tanto na carreira profissional quanto no hobby artístico e literário. “Eu sou meio ‘deixa a vida me levar’, mas tem coisas que me interessam”, revela. “Como relações-públicas, um assunto que gosto muito é relações governamentais. Tem tudo a ver com o que estudo e trabalho. É uma coisa que tem impacto social de primeira ordem”, avalia. Já na esfera artística, a ideia é ajudar os outros. “Apesar de amar a música, não sei tocar direito nem mesmo violão! Então, eu vou produzir essa galera talentosa que existe por aí.”


Além de poesia, Vitinho pretende, mais adiante, escrever uma obra literária e desenvolver melhor suas crônicas. Para 2021, o primeiro projeto é a coletânea de poesia. Se der tudo certo — como torcemos —, esperamos ver Vítor por aqui exibindo seus trabalhos.

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As duas metades da uva https://mescla.cc/2020/09/14/as-duas-metades-da-uva/ https://mescla.cc/2020/09/14/as-duas-metades-da-uva/#respond Mon, 14 Sep 2020 17:28:18 +0000 http://mescla.cc/?p=13912 “Nós somos a Uva Light.” É assim, como se estivessem iniciando um show, que Henrique Martiny e Jonas Lazaretti se apresentam. Apesar da dupla de músicos de Gramado, na Serra gaúcha, ter começado sua trajetória artística cedo, elas só se cruzaram há pouco tempo.  Henrique é estudante de Comunicação Digital na Unisinos e vem de […]

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“Nós somos a Uva Light.” É assim, como se estivessem iniciando um show, que Henrique Martiny e Jonas Lazaretti se apresentam. Apesar da dupla de músicos de Gramado, na Serra gaúcha, ter começado sua trajetória artística cedo, elas só se cruzaram há pouco tempo. 


Henrique é estudante de Comunicação Digital na Unisinos e vem de uma família musical. Aos 12 anos, começou a frequentar aulas de música. Passou por algumas bandas, entre elas, a Urso Polar, de estilo autoral indie. Acabou saindo da banda pela vontade que tinha de fazer músicas em português. “Isso começou a se encaminhar no momento que eu encontrei o Jonas. A gente consegue executar esse desejo de fazer um som que inclua as nossas referências, que inclua rock, psicodelia e todas as coisas que a gente gosta, mas com uma abordagem mais brasileira”, explica.


Jonas não queria fazer música, confessa, mas a mãe insistiu para que ele fizesse algo que desse frutos no futuro. Ele, então, aprendeu a tocar um pouco de tudo. “Na primeira banda, eu, particularmente, não gostava do som, mas gostava de tocar”, brinca. Jonas passou por várias bandas, algumas, inclusive, tocavam na TV. “Eu achei que era um objetivo a ser alcançado, até eu perceber que não estava satisfeito”, lembra. A partir daí, a procura passou a ser por uma banda autoral, cuja música ele gostasse de fazer. 


As duas metades da uva, como gostam de brincar, se encontraram no processo de produção musical realizado por Jonas. Henrique o ajudava nas tarefas. Em uma jam session – quando os artistas tocam no improviso, sem ensaio -, uma música agradou os dois. Depois, durante um café, em uma pausa nas gravações, eles tiveram a ideia de nome para uma banda. “A gente não sabia que tipo banda seria a Uva Light, aí pensamos: ‘vamos ser a Uva Light’”, conta Henrique. 


Na banda, a dupla é responsável por toda a parte de criação e produção. São eles que gravam as baterias, os baixos, os vocais e os teclados. “O nosso desafio sempre foi chegar em um produto final. Por isso, a gente decidiu que, para chegar no som que a gente queria, tínhamos que manter essa formação”, explica Henrique.


O processo de se tornar artista foi dividido em três momentos, segundo Henrique: “No primeiro, a gente executava coisas que já foram feitas, aprendíamos a tocar guitarra como os guitarristas que a gente gosta, treinávamos as músicas para fazer show com banda cover. Depois, teve o momento de criar, tendo esse papel ativo. E, por fim, o momento de agora, de lançar, de colocar paras pessoas, não só pra gente”. Jonas completa o amigo ao comentar sobre o processo de aceitação: “Não vai soar como o Fulano porque tu não é o Fulano”, brinca.


O reconhecimento como artista vem como resultado de todo esse caminho. “É no momento que a gente sobe no palco para fazer um show que não tem nenhum cover, que é tudo nosso, que a gente tá colocando a nossa cara para as pessoas”, conta Jonas. “Tem momentos que tu te percebes, mas não assume. Artista é uma palavra forte, é complicado dizer ‘eu sou artista’, porque envolve muita coisa. A gente se percebeu antes, mas tem aquela sensação de fazer algo que respeita artisticamente. Foi nesse momento”, completa Henrique. O sentimento de ser artista está presente na dupla e foi tema da primeira música lançada pela banda, “Serração”.


A quarentena trouxe pontos positivos para a Uva Light. Um deles foi a mudança de moradia de Henrique, que voltou para Gramado no início do isolamento social. A aproximação geográfica da dupla auxiliou no desenvolvimento do álbum “Serasse”, que tem lançamento programado para o dia 24 de setembro. Muitos desafios foram enfrentados nessa empreitada. Entre eles, as gravações, realizadas no quarto de um deles, já que não podiam ir ao estúdio devido à pandemia. “Acho que toda a dificuldade que um artista tem acaba se tornando um motivo, se tornando parte da obra dele”, avalia Henrique.


Uma das inspirações da Uva Light é a Serra gaúcha. “Acho que isso reflete em todo tipo de artista, o meio que tu tá vivendo, o que acontece ao teu redor. A gente joga toda a vivência dentro do liquidificador, tenta tirar um suco daquilo e, no final, vira arte”, explica Jonas. “Serasse” acabou se tornando um trabalho experimental para Jonas e Henrique. Eles se desafiavam e tentavam ver como a banda soaria em diferentes ritmos e situações.


Henrique escolheu estudar Comunicação Digital para encontrar soluções para o mercado cultural. “Eu estudo para isso. Não é que eu faço música e minha carreira é a comunicação digital. Essas coisas estão totalmente ligadas”, avalia o estudante, que cursa atualmente o quarto semestre. A arte é tão presente na vida da dupla que eles não conseguem pensar em nada que não esteja, de alguma forma, envolvido com a música. Da Uva Light às composições solo, até à produção de eventos. Tudo acaba nisso.


As músicas da Uva Light estão disponíveis em todas as plataformas de streaming, e os meninos também as disponibilizam por WhatsApp. “A gente abre qualquer parte das tracks e manda, porque, para nós, isso é muito legal, de como as pessoas se apropriam do que a gente fez”, conta Henrique. As divulgações do álbum também vão ocorrer pelo Apoia.se – plataforma de financiamento coletivo. A produção de vídeos irá para o canal no YouTube da banda. 


Com o álbum quase lançado, a dupla começa a receber alguns retornos, e isso motiva eles. “Quem ouvir o ‘Serasse’ vai ter uma gama de músicas, e acho que o que mais retorna para gente é isso, que as pessoas não esperavam que a gente fizesse aquele som”, revela Jonas. “A gente também quer desafiar nossos ouvintes, porque são nove músicas e cada uma delas em diferentes cores, digamos assim”, completa Henrique. Mesmo sendo uma banda recente, a Uva Light já tem diversos planos para o futuro. Um EP está programado para sair um tempo depois do lançamento do “Serasse”, e eles já estão começando o processo para o segundo álbum – além de terem algumas composições para um terceiro. “A gente tem várias ideias, e uma coisa que a gente aprendeu na Uva é que a gente pega elas na unha, a gente não perde as ideias”, comenta Henrique. 


Mas as duas metades da uva fazem um único pedido aos interessados pelo álbum: escutar, pela primeira vez, do início ao fim. “Ele foi pensado com muito carinho para ser uma sequência de músicas, e foram dois anos trabalhando para fazer ele”, diz Henrique.

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Cheiro de Talento https://mescla.cc/2020/08/27/cheiro-de-talento/ https://mescla.cc/2020/08/27/cheiro-de-talento/#respond Thu, 27 Aug 2020 18:12:15 +0000 http://mescla.cc/?p=13778 Provavelmente você já o viu, mesmo que não saiba quem é. Atualmente, Andrei Krummenauer estampa a página inicial do site do Unisinos Lab. Ser garoto-propaganda é mais uma de suas habilidades artísticas. Na verdade, falar sobre o Andrei é um mergulho pessoal no teatro, já que eu – esta repórter que vos fala – o […]

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Provavelmente você já o viu, mesmo que não saiba quem é. Atualmente, Andrei Krummenauer estampa a página inicial do site do Unisinos Lab. Ser garoto-propaganda é mais uma de suas habilidades artísticas. Na verdade, falar sobre o Andrei é um mergulho pessoal no teatro, já que eu – esta repórter que vos fala – o conheci em 2009 ao vê-lo encenar o papel de um anjo na peça “Sacra Folia”. Foi apenas na universidade, tempos depois, que nós dois nos aproximamos. É interessante pensar em como uma pessoa é capaz de marcar a vida de outras, mesmo elas não se conhecendo. Eu nunca me esqueci daquela imagem em mais de dez anos.

Bem antes disso, o pequeno Andrei já dava sinais de possuir uma veia artística. “Eu acho que sempre tive essa inclinação. Dava para ver na minha cara que eu ia mexer com arte”, conta Andrei. “Nos meus pareceres do Jardim de Infância, os professores sempre comentavam que eu gostava de desenhar, inventar histórias e fazer teatrinhos. Eu me fantasiava e inventava uma personagem. Isso sempre foi uma parte muito forte da minha infância”, revela.

Um anjo muitíssimo marcante, Andreie estreava a peça Sacra Folia (Foto: Arquivo Pessoal)

A primeira lembrança do contato com os palcos também foi na escola, onde todos os anos os alunos realizavam uma pequena produção de Natal. Andrei não participou da dança com os colegas porque foi convidado a atuar em uma esquete no intervalo entre as apresentações das turmas. Foi nesse momento, lembra Andrei, que sentiu a energia especial que sempre iria uni-lo ao teatro. “Eu estava no palco, atuando com um microfone, e eu tinha cinco anos. Havia muitas pessoas assistindo e isso me deixou realmente fascinado. Daí nunca mais parei. Todo mundo dizia que eu gostava de conversar, que não tinha vergonha, então foi natural que eu procurasse um grupo de teatro”, acredita o estudante.

Mas na cidade de Taquara, onde morava, não havia nenhum grupo teatral.

Ajuda de longe

Em 2008, uma paulista chegou na cidade e decidiu criar seu próprio grupo de teatro, reunindo todos os jovens atores que antes não tinham apoio e suporte experiente para ensaiar. As aulas começaram na garagem dela, no mesmo ano, e foi lá que o Andrei encontrou sua “segunda família”: o Cheiro de Chuva. Já faz 12 anos que o grupo se apresenta em Taquara e na região. 

“Acho que a parte mais impactante, a mais definitiva da minha vida como artista, foi ter entrado no Cheiro de Chuva”, diz o jovem ator. Esse impacto também trouxe experiências grandiosas e emocionantes para Andrei, como a percepção de que era realmente um artista. “A energia que eu sinto no palco é tão potente que eu não consigo pensar em mais nada, só no momento, só em estar ali, na conexão que tu faz com o público. Essa sensação impede de ficar pensando ‘olha só, eu sou um ator muito bom!’, porque tu está ali, aproveitando o momento”, brinca ele.

Mesmo assim, Andrei confessa que, às vezes, se sente orgulhoso de ser um artista. Como em 2016, quando o grupo montou a peça “O Renascer do Cangaço”, uma comédia que recebeu muito reconhecimento – tanto em prêmios como no amor emanado pelo público. “Muitas pessoas falaram que acharam a peça linda, que tinham sido tocados. Eu vi pessoas se emocionando, batendo palmas. Teve quem perguntou quando ela seria encenada de novo para poder rever!”, lembra.

O grupo Cheiro de Chuva se tornou uma segunda família para os atores (Foto: Arquivo Pessoal)

O grupo se divide na produção de figurinos, nos gastos com materiais e nas noites de trabalho. Tudo por amor ao teatro, ressaltam os participantes. Apesar de, às vezes, conseguirem um espaço maior para ensaiar, é na garagem da diretora — a mesma que acreditou ser possível criar um grupo na cidade — que os atores se soltam e criam. 

A experiência de unirem forças pelo Cheiro de Chuva traz momentos marcantes, como em 2012, quando foram convidados para um festival na cidade de Maximiliano de Almeida, distante cerca de cinco horas de Taquara, na divisa com o Estado de Santa Catarina. O grupo alugou uma van e foram se apresentar na pequena cidade, que não chega a ter cinco mil habitantes. Passaram a noite por lá, depois da apresentação. A sensação foi de estar em férias com a família. “Acho que os maiores pontos turísticos eram uma borracharia e um restaurante”, conta Andrei, se divertindo com a lembrança. “E foi muito legal, porque é uma cidade com um grande histórico de teatro. Muitos atores e peças passaram por lá. E é uma cidade minúscula!”, destaca Andrei. Para ele, esses momentos de descobertas são os mais importantes. “É porque acontecem com o pessoal do teatro. Não tinha tempo ruim: Vamos se apresentar em tal cidade? Vamos! Vamos se apresentar em um parque? Vamos! Tinha ocasiões que montávamos uma peça só para participar de um festival.”

O grupo se apresenta gratuitamente em diversos eventos da cidade, pelo prazer de levar a arte para outras pessoas (Foto: Arquivo Pessoal)

Mesmo com o apoio da família, a carreira artística também enfrentou percalços. Apesar de terem conseguido formar um grupo teatral na cidade onde residem, Taquara não abre espaço suficiente para esse tipo de arte. Para Andrei, essas é uma de suas frustrações. Segundo ele, os moradores locais não são acostumados a consumir arte, mesmo em festivais e apresentações abertas. Os habitantes de Taquara não são o melhor público para o grupo.

“Tenho amigos em cidades pequenas, como Rolante, que fica aqui do lado, que são acostumadas a ter festivais de teatro. E as pessoas fazem filas, as apresentações lotam”, lamenta o estudante. “Meu grupo nunca focou em ganhar dinheiro com a arte. A gente faz por amor. E reconhecer o artista é o principal. Eu não lembro de quanto a gente já ganhou passando chapéu depois de uma apresentação, mas eu lembro muito bem das pessoas que vieram falar que estava muito legal. É isso que marca no final, a energia que o público te dá, o reconhecimento e o amor pela arte.”


Fora dos palcos

Além do gosto pelo teatro, desde criança Andrei demonstrava interesse também em outra carreira. Sempre desenhando, criava gibis, pôsteres e o que seriam suas primeiras peças publicitárias. “Eu fiquei fascinado com a organização das informações e das imagens. Desenhava menus e brincava com a publicidade”, conta.

Hoje, no curso de Publicidade e Propaganda, sabe que a arte também tem um papel importante no seu próprio senso estético. Andrei observa que esse diferencial faz com que muitos dos seus colegas, inclusive, tenham uma passagem ou interesse especial pelo teatro. “Não é um consumo tão direto como é uma peça de teatro, mas a arte está ligada porque precisamos de senso estético, de uma razão, de um aprofundamento. E a faculdade nos ajuda a refinar isso”, explica o estudante. “Temos mais aulas para debater, conversar e entender como funciona a estética das coisas do que aulas de softwares, por exemplo. No curso, aprendemos a lidar com a estética, o design das coisas e como passar a mensagem, os símbolos, por meio da nossa criação.”

O esforço dos atores se reflete na excelência das peças e na energia do público (Foto: Arquivo Pessoal)

Para depois da pandemia, Andrei brinca que o importante é estar vivo. E depois? “Eu não consigo imaginar nada, o que é legal, porque posso deixar o destino me surpreender. Mas minha meta é me mudar para uma cidade maior, como São Leopoldo ou Porto Alegre”, revela. Com isso, surge a dúvida de que se poderá ou não continuar no grupo. Andrei também quer poder se concentrar na carreira de publicitário. “Quero seguir com o teatro, nem que seja frequentando apresentações. Não quero me distanciar tanto, não quero me desprender.”

Seja como for, é o nosso desejo – o meu especialmente – de que Andrei ainda conquiste muitos espaços, dentro e fora dos palcos da vida.

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A descoberta da arte https://mescla.cc/2020/08/12/a-descoberta-da-arte/ https://mescla.cc/2020/08/12/a-descoberta-da-arte/#respond Wed, 12 Aug 2020 18:51:49 +0000 http://mescla.cc/?p=13658 O ano é 2018 e Elisa Brum era formanda no Ensino Médio Técnico. No final daqueles 12 meses, ela não apenas estaria se preparando para a faculdade, como, também, carregaria o diploma de Técnica em Eventos pelo Instituto Federal Sul-Riograndense (IFSul). Uma das atividades mais esperadas pelos alunos do curso é a saída de campo […]

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O ano é 2018 e Elisa Brum era formanda no Ensino Médio Técnico. No final daqueles 12 meses, ela não apenas estaria se preparando para a faculdade, como, também, carregaria o diploma de Técnica em Eventos pelo Instituto Federal Sul-Riograndense (IFSul). Uma das atividades mais esperadas pelos alunos do curso é a saída de campo para Minas Gerais e Rio de Janeiro. É nessa viagem que os alunos veem a profissão na prática. Elisa estava lá como uma futura técnica em eventos, mas outra profissional também começava a aparecer dentro dela. Nesse momento, mesmo ela não percebendo, nascia a Livreta.


Como forma de avaliação, os estudantes precisavam entregar, ao fim da viagem, um caderno de campo. Elisa fez um artesanal para ela mesmo, o que acabou chamando a atenção de alguns colegas, que também se interessaram pelo produto. Aquilo passou a ser um hobby. Depois, cresceu e alcançou pessoas de fora do círculo de amizade dela. “A Livreta, que é uma papelaria artesanal, se tornou mais do que um passatempo e até me influenciou, inclusive, na escolha da graduação”, conta.


Hoje, ela está no terceiro semestre de Publicidade e Propaganda, curso escolhido para auxiliar no processo artístico dela e de criação na Livreta. Nada mais do que natural, já que o “ser artista”, conforme lembra Elisa, estava dentro dela desde criança. Nessa época, a pequena era incentivada a desenhar. Durante o Ensino Fundamental, experimentou a flauta transversal. A mãe bordava e o pai desenhava. Elisa recorda que ambos sempre deram recursos para ela e a irmã, principalmente na área das artes. Só alguns anos mais tarde, quando participou do Encontro de Arte, Cultura e Cidadania, que Elisa se reconheceu. Ela inscreveu um de seus desenhos no evento e foi selecionada para expô-lo. Lá, o crachá de identificação mostrou à Elisa o que viria a ser uma de suas grandes habilidades: artista.

Arte criada por Elisa exposta em evento


Foi, também, nesse período que ela desistiu de prestar vestibular para Medicina e começou a olhar para os cursos da Escola da Indústria Criativa. “Eu sempre atuei na comunicação dos eventos no IFSul. Foi ali que o interesse despertou em mim”, comenta Elisa. No curso de PP, ela tem desenvolvido a criatividade e até mudou alguns detalhes da Livreta. 


Durante a quarentena forçada pela pandemia de Covid-19, outro lado artístico de Elisa despertou. Ela começou a fazer ilustrações digitais e divulgar nas redes sociais. Às vezes, ela sofre com bloqueios criativos, mas sempre tenta trabalhar neles: “Eu penso no que tá me bloqueando e coloco no papel, em desenho ou palavras, mesmo que fique ruim”, explica.


A arte influenciou Elisa no crescimento pessoal e, também, no empoderamento feminino. “Consigo me expressar muito pela arte, me abro pras pessoas, porque pessoalmente sou tímida”, conta. Algo que surpreendeu a artista foi sobre o quanto a forma com que se expressa atinge as pessoas positivamente. “Falam para mim que gostam do meu trabalho e que eu sou uma artista incrível. Eu não esperava tamanho reconhecimento”, confessa. 


A Elisa artista e estudante dividem o mesmo espaço de criação. A mesa do quarto é cheia de desenhos e cadernos. Para se organizar, ela precisar tirar as ilustrações do local para conseguir focar na aula. A artista e a estudante se entrelaçam, e uma auxilia a outra no processo criativo.


O maior retorno de Elisa é a troca com as outras pessoas. “É a experiência de criar algo, de se colocar no lugar do outro e ver o que quer. Eu me dedico ao máximo”, explica. Através da Livreta e das ilustrações, ela fez amizades. É possível perceber, apenas ao ouvir a artista falar sobre o que faz, o quanto aquilo se tornou uma parte importante da personalidade e da vida dela. A artista inquieta não esperava que um projeto inocente do Ensino Médio tomasse proporções tão grandes, mas foi por meio dele que a Elisa de 2018 se transformou na artista de 2020.

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Para se manter vivo por dentro https://mescla.cc/2020/08/04/para-se-manter-vivo-por-dentro/ https://mescla.cc/2020/08/04/para-se-manter-vivo-por-dentro/#respond Tue, 04 Aug 2020 19:32:22 +0000 http://mescla.cc/?p=13626 “Eu sou sagitariano.” Não é comum começar a contar uma história assim, mas pode ajudar a explicar quem é Acrides Júnior. “Odeio me sentir preso em algum lugar ou circunstância, e isso afeta fortemente a minha produtividade”, diz o estudante de Publicidade e Propaganda da Unisinos. E ele produz mesmo. Leva uma vida criativa que […]

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“Eu sou sagitariano.” Não é comum começar a contar uma história assim, mas pode ajudar a explicar quem é Acrides Júnior. “Odeio me sentir preso em algum lugar ou circunstância, e isso afeta fortemente a minha produtividade”, diz o estudante de Publicidade e Propaganda da Unisinos. E ele produz mesmo. Leva uma vida criativa que transborda nas atividades que realiza: atuação, canto, dança, costura… As habilidades vão se desenvolvendo conforme o jovem de 21 anos percebe que pode fazer mais.


Antes, lá em 2008, ele era, nas próprias palavras de Acrides, uma criança que “não abria a boca para nada”. Foram as duas estagiárias que atuaram na sua turma da 3ª série que despertaram nele o lado artístico. Carine e Ticiane resolveram montar uma esquete teatral – uma peça curta – com os alunos. “A Carine é atriz e eu achava ela bem louca, no bom sentido”, conta Acrides, agora no 7º semestre da faculdade. “Foi ali que tudo começou”, define o estudante.


A semente do teatro estava lançada. No ano seguinte, a professora iniciou um grupo de teatro com os ex-alunos que tinham demonstrado afinidade. “Ela é minha vizinha em Osório, onde moro. Nos encontramos na rua e ela disse que os encontros seriam aos sábados”, lembra Acrides. Na semana seguinte, ele percebeu que tinha se esquecido do ensaio. “Mas juntei toda coragem e apareci no segundo sábado”, comenta, entre risos.


“Os encontros eram uma loucura e, no início, eu achava a Carine extremamente ‘fora da casinha’”, confessa o jovem aspirante a ator. Na época, ele não sabia que estava indo pelo mesmo caminho. “O tempo foi passando e percebi que estava cada vez mais parecido com ela, e aquilo era maravilhoso.”

FEVITE 2016 – Festival Viamonense de Teatro Estudantil. Grupo teatral Magia dos Alados, espetáculo Catadores de Sonhos (Foto: Arquivo Pessoal)


A primeira apresentação do grupo foi uma dramatização da música “Trem Fantasma” na principal praça da cidade de Osório. “Para nós, aquilo foi surreal”, conta, saudoso. “Era incrível fazer algo tão divertido simplesmente porque gostávamos.”


Todos os sábados pela manhã, Acrides e colegas ensaiavam em um espaço cedido em uma creche da cidade. Apesar do pequeno espaço, o grupo chegou a ter 40 membros. Com o passar dos anos, muitos deles se tornaram atores fixos e passaram a participar de festivais ou produções maiores. “Mas tudo isso demanda dinheiro, e éramos apenas crianças que dependiam do ‘paitrocínio’. Qual era a solução?”, pergunta o estudante, já oferecendo a resposta: “a famosa rifa”.


O grupo passava o ano vendendo rifas, fazendo brechós de roupas doadas e pedindo patrocínios pela cidade. “Até abraços nós vendemos! A gente se virava como podia e sou muito grato por todos os perrengues que passamos pelo amor à arte”, observa.


Foi essa proatividade em prol do grupo que fez Acrides perceber, desde cedo, que era preciso saber mais. Ele era um jovem ator do interior com o apoio de uma professora, mas se quisesse ir além, ele mesmo deveria se preparar. Quando percebeu, já estava costurando os figurinos, aprendendo a fazer a iluminação, os penteados e o que mais fosse preciso. “Ganhei o apelido de ‘o habilidoso’, porque me metia em todas as áreas e queria aprender a fazer tudo”, relembra. “E meio que consegui.”

Figurino, maquiagem, cabelo… e agora canto e dança: a cada novo desafio, uma nova conquista (Foto: Arquivo Pessoal)


Além desse grupo, Acrides ainda participava do teatro da escola, que acompanhou desde o início. A gurizada se dedicava a fazer esquetes para datas comemorativas e apresentações para outros alunos. Com o passar dos anos, os atores foram se formando. Mas o teatro não saiu da vida deles. O professor, que era oficineiro na Secretaria de Cultura, criou um grupo de atividades culturais com os alunos que se formavam.


“Todos os grupos foram super importantes na minha construção artística e pessoal. Cada perrengue, cada roxo que eu adquiri nos ensaios, cada choro após uma apresentação me construiu como artista”, avalia Acrides.


“Meu lugar favorito é o palco”


Em 2019, no Festcarbo, o festival de teatro da região Carbonífera, em Arroio dos Ratos, Acrides viveu um dos momentos mais importantes da sua vida artística. Ele e as colegas Taila, Bia e Luiza correram para o espetáculo “Joaquim e Joaquina”, criado por eles mesmos. “Saímos de Osório às 5h, com o céu ainda meio escuro, e fomos fazendo os penteados no carro”, conta. Ele ainda lembra do cheiro de fixador de cabelo. “Ali, éramos só nós quatro, dando a cara a tapa.”


Ao chegar no evento, o quarteto ainda teve que arrumar a luz, o cenário, o som e fazer as maquiagens. Tudo isso tremendo de frio. Aquele dia acabou sendo o mais frio do ano. “Antes de entrar em cena, esquentamos os pés com o secador de cabelo e não tínhamos coragem de tirar os casacos. Mas quando as cortinas se abriram e a luz do refletor acendeu, nada daquilo importou. Haviam 800 crianças sentadas ali, esperando que contássemos a nossa história. Foi uma experiência única. Terminamos enrolados em cobertores, mas com a sensação de dever cumprido.”


Para Acrides, o teatro é muito mais do que fazer algo para si, é compartilhar com o outro o que te transborda. “Nós só sabíamos chorar de orgulho por todo o nosso esforço. E o melhor de tudo: só chegamos lá porque decidimos nos arriscar. Por que, sinceramente, tinha tudo para dar errado”, acredita.

A rotina de ensaio era tão rígida que o apoio dos pais foi fundamental para poder continuar (Foto: Arquivo Pessoal)



Do interior para o mundo (ou quase lá)


“Quando eu estava no Ensino Médio, me perguntavam constantemente se ia fazer faculdade de teatro, e sempre respondia que não”, conta Acrides. “Não me via trabalhando com arte, mesmo que tudo que eu fizesse dissesse o contrário.”


As sugestões de que era muito criativo o levaram até a Publicidade e Propaganda. Era o início do último ano da escola, e a decisão estava tomada, mesmo que isso gerasse surpresa. Já na faculdade, como morava em Osório, Acrides passava quatro horas por dia no ônibus, uma rotina mais do que cansativa. Outra decisão importante foi sair dos grupos teatrais de que fazia parte.


“Entrei na universidade com a mente fervilhando de ideias e tudo corria bem até o quarto semestre. Foi quando o desespero bateu”, conta. Depois de anos atuando e vivendo pelo teatro, a criatividade, segundo ele, precisava de um escape. “Percebi que necessitava do teatro para me manter vivo por dentro.”

E o palco não trouxe de volta só energia e sentido, mas também benefícios psicológicos visíveis, assegura Acrides. “O teatro me ensinou coisas valiosíssimas que vão muito além do que se vê numa apresentação. Me ensinou a trabalhar em grupo, a persistir independente da dor e do cansaço, a valorizar o contato com o outro e, principalmente, a improvisar com os obstáculos da vida”, explica. “A arte forma humanos, e só quem ama o que faz sabe o poder transformador que o palco tem.”

Os sonhos realizados são um diamante a mais na coleção de boas memórias proporcionadas pelo teatro (Foto: Arquivo Pessoal)


Sensibilidade, empatia, dedicação e disposição para a troca de experiências são as características que Acrides considera as principais relações entre a arte e a comunicação. Sair da zona de conforto é outro ponto em comum. “Só é possível crescer quando se experimenta o novo. O teatro me ensinou a reagir quando algo dá errado, a ser vulnerável e a ser eu mesmo.”


No ano passado, Acrides realizou o sonho de se apresentar no Theatro São Pedro, em Porto Alegre, e foi bem no dia do seu aniversário. Mesmo assim, se ver como artista é algo recente. “Eu achava que artista era só quem vivia da arte. Depois, percebi que é muito mais sobre amar o que faz e se entregar.”


Para um sagitariano criativo, 2020 tem sido um desafio. A procrastinação se tornou um inimigo a ser combatido no meio da quarentena. “Em meio a isso e à vontade de sair correndo, tenho alguns surtos de criatividade”, revela.Para o futuro, além de se formar em Publicidade, Acrides pretende estudar teatro mais a fundo e experimentar atividades diferentes que, nesse momento de vida acadêmica, não tem tempo disponível para fazer. Se ele, que dedicava, há alguns anos, cada minuto ao teatro, diz hoje que não tem tempo, então sabemos que sua vida acadêmica deve estar realmente puxada. O Mescla torce para que, em breve, Acrides volte ao seu lugar favorito no mundo: o palco, não importa o tamanho ou onde.

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A escrita como arte https://mescla.cc/2020/07/22/a-escrita-como-arte/ https://mescla.cc/2020/07/22/a-escrita-como-arte/#respond Wed, 22 Jul 2020 21:06:23 +0000 http://mescla.cc/?p=13597 Usar sinais ou símbolos para expressar ideias humanas. Esse é, basicamente, o significado da escrita. Escrever, portanto, é transformar pensamentos em algo que toma forma visual. Emily Klering, estudante de Letras, sempre gostou de inventar histórias. Escreveu seu primeiro livro, “História de Chloe Clark”, ainda na oitava série do Ensino Fundamental. “Eu colocava em palavras […]

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Usar sinais ou símbolos para expressar ideias humanas. Esse é, basicamente, o significado da escrita. Escrever, portanto, é transformar pensamentos em algo que toma forma visual. Emily Klering, estudante de Letras, sempre gostou de inventar histórias. Escreveu seu primeiro livro, “História de Chloe Clark”, ainda na oitava série do Ensino Fundamental. “Eu colocava em palavras os pensamentos aleatórios que eu tinha”, conta Emily, admitindo que sempre estava imersa nas próprias ideias. Aquele primeiro livro, que foi escrito durante as aulas, contava a história de um grupo de jovens espiões. Neste meio tempo, Emily continuou escrevendo e chegou a publicar alguns livros na Amazon. Trabalhando com o gênero da fantasia, ela acabou retirando seus trabalhos da plataforma, já que está tentando publicá-los em editoras de fora do país. Hoje, as folhas que contêm a história dos amigos espiões estão guardadas nas gavetas da jovem escritora e servem para mostrar o quanto a escrita  mudou com o tempo.


Emily se reconheceu artista no Ensino Médio. Na mesma época, decidiu que, ao entrar na universidade, cursaria Letras. Essa não foi a primeira opção da estudante, que pensava em estudar Música. Emily tocava piano em uma orquestra e participava de apresentações, mas acabou desistindo do instrumento por causa da tendinite. Ela nunca esteve cercada de pessoas que produziam arte antes da faculdade, mas sempre se percebeu artista. “Quando eu era criança, me sentia estranha por ser criativa”, comenta. Além da música e da escrita, ela também tem inclinação pela pintura: “ajuda a clarear a mente”, diz ela. Os desenhos acabam se relacionando com a escrita e ajudam a escritora. “Eu desenho os mapas dos mundos que crio e algumas outras coisas pra me ajudar a visualizar a história”, explica.

Os desenhos de Emily a ajudam a contar as histórias | Foto: arquivo pessoal


A criatividade não é algo que funciona a qualquer momento, como um botão que tem a função de ligar e desligar. Alguns dias são mais produtivos – e criativos – que outros. Essa é uma situação que acontece com Emily. Ainda assim, a inspiração da escritora chega em momentos e situações diferentes. Ela não produz de forma cronológica e o que escreve tem uma relação importante com o que está sentindo no momento. Durante a quarentena, acaba sendo difícil para a estudante produzir coisas alegres. A busca por inspiração é diferente para cada artista. A escritora gostava de sair e ver o trabalho de outras pessoas, o que não acontece durante o isolamento social. “Eu tento produzir arte através de arte”, comenta.


A arte que move


No quarto de Emily fica a mesa onde todas as produções, acadêmicas e artísticas, acontecem. Entre livros, mapas e pinturas, a escritora encontra um espaço para organizar os pensamentos. Quando não está ali, Emily prefere escrever à  mão, dessa forma, ela visualiza melhor as cenas para chegar nas ideias principais. Fora do quarto, os cadernos da faculdade servem de recurso para não perder as ideias. Ela conta que já encontrou várias páginas com histórias que criou durante as aulas e que tinha esquecido. Por não escrever de forma linear, a jovem artista explica que sempre visualiza o meio da narrativa e onde quer chegar, todos os outros componentes da história só são criados quando escreve. Ainda assim, algumas vezes a história não chega no final que imaginou, já que os personagens “criam vida própria” e as situações se alteram.

O espaço de trabalho da escritora abriga diversos livros e os desenhos produzidos para as histórias | Foto: arquivo pessoal


Os amigos da escritora a incentivam e leem todas as histórias, ajudando com comentários. Mas, no início, não era dessa forma. Emily tinha medo de que descobrissem essa face da personalidade dela. Com o tempo, a artista mostrou seus trabalhos e recebeu diversos retornos positivos de pessoas diferentes. Uma dessas respostas foi o convite para conversar com alunos na antiga escola. Na época, foi convidada a falar sobre um dos livros, que tinha como tema a depressão. Isso a faz querer produzir cada vez mais. “A arte move as pessoas”, completa.


O curso de Letras também ajuda Emily. Ao analisar grandes nomes, nas disciplinas de Literatura, a escritora se inspira. Ela conta que a parte que mais gosta do curso são as áreas de Arte, Literatura e Expressão. Essas a ajudam durante a escrita. O plano de Emily, além de seguir escrevendo, é continuar na academia, com um mestrado em Literatura e Arte. Enquanto isso, a escritora trabalha em uma trilogia de livros. 


O processo de criação e escrita do trabalho atual foi lento. A estudante conta que estava olhando pela janela durante a aula e teve a ideia. Ela anotou aquilo e, em casa, a história acabou se formando na cabeça dela. Alguns personagens, inclusive, se criaram “do nada”. Além disso, a escritora está em busca de editoras para publicar seus trabalhos. “É difícil fazer o livro circular quando se escreve em português, as editoras não incentivam nomes novos”, explica. Por isso, Emily começou a produzir livros em inglês, já que, assim, teria mais suporte. 


Independente das dificuldades, ser escritora faz parte da personalidade de Emily. Anotando ideias durante as aulas, escrevendo os livros no quarto ou desenhando, ela dá vida a universos novos e distintos. “Quando tu escreve, não importa se é pra muitas ou poucas pessoas, mas importa se te toca e te deixa bem”, explica. A artista divide cadernos e espaços com as aulas, a vida em geral e os mundos que cria. Faz tudo isso com papéis, caneta e um computador. A menina que criou jovens espiões no Ensino Fundamental, hoje, tem o poder de criar narrativas e inspirar outras pessoas – tanto leitores, quanto outros jovens escritores.

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