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Adevanir Aparecida Pinheiro, coordenadora geral do Neabi e professora nos cursos de Ciências Sociais e Pedagogia e do PPG, relata que todos vivemos um processo histórico de branqueamento. E o que seria isso? Segundo o pesquisador José Ivo Follmann, o branqueamento se dá como uma tentativa estruturada de embranquecer o nosso país, quiçá o mundo. Esse branqueamento não figura como uma ação literal — embora alguns autores levantem questões como a miscigenação nesse sentido — mas sobre tornar distante o conhecimento para pessoas negras e apagando a sua história. Talvez, o exemplo mais fácil de se compreender seja o escritor Machado de Assis, que sofre até hoje com o branqueamento, este sim literal, da sua imagem, quando sempre foi um homem negro.

Esse é um processo histórico de longa data. Com uma base científica eurocentrista, não existiam referências sobre o continente africano de forma protagonista na época. “Por isso, nossas matrizes de políticas de branqueamento se fortaleceram, também com as matrizes eurocêntricas”, completou. A coordenadora, que também coordena o Programa GDIREC – Projeto Inter-Religioso da Universidade, ainda relatou mais exemplos de como as políticas de embranquecimento estão presentes no cotidiano e como elas moldam as identidades do país. “Tem negro que não se vê negro, por causa das práticas escolares embranquecidas”, explicou.
Outro ponto ressaltado no encontro foi da história da região do Vale do Rio dos Sinos. Segundo Sueli Angelita da Silva, assistente social do Neabi e mestranda do PPG em Ciências Sociais da Unisinos, a história de São Leopoldo só começa a ser escrita a partir da chegada dos imigrantes. Com isso, acontece um apagamento dos grupos escravizados que residiam aqui naquele momento. Na pesquisa de Sueli, ela visa entender e trabalhar o território da Feitoria (bairro de São Leopoldo) e a juventude negra. Para isso, ela se aprofundou no contexto histórico da cidade. “Para vocês terem uma noção, uma das primeiras empresas da cidade de São Leopoldo foi a Cordoaria e quem ensinou esses germânicos a trabalhar com a corda foram os africanos que aqui estavam, porque eles (os descendentes europeus) não tinham esse conhecimento. Então, a gente vai analisando o contexto do apagamento e do embranquecimento da história”, relatou a mestranda. Sueli ainda conta que muita coisa não é contada. “Quem chegou até aqui oriundo da Alemanha, da Itália, que veio para essa região, veio com a ideia do processo de branqueamento do Brasil. Porque o Brasil era um país muito negro, muito indígena, então precisava ‘melhorar a raça’”, explicou.
Felipe Pereira dos Santos, estudante do ensino médio, também falou sobre sua experiência agora que consegue perceber algumas situações, graças aos conhecimentos que desenvolve com o Neabi. Sobrinho da pesquisadora Sueli, foi apresentado ao grupo de pesquisas e por ele foi indicado ao projeto Jovem Aprendiz da Unisinos. “Eu me meti um pouco na pesquisa quando a minha tia pediu umas opiniões”, contou o adolescente. “Eu me sinto muito sozinho em relação à escola, ao trabalho, à sociedade. Na minha escola, eu sou o único jovem negro que vai se formar no ensino médio esse ano.”
Pela percepção do estudante, a diferença de tratamento ainda é visível, principalmente entre os jovens com os quais participa do programa profissionalizante, uma situação que chateia o adolescente e é um dos fatores que influenciam a evasão escolar, antes e durante o ensino superior.
William Martins, estudante de Jornalismo e Secretário do Neabi, finalizou a conversa sob o ponto de vista da comunicação. “Quando não há a representatividade do negro nas mídias, há o estereótipo. A mídia hegemônica ajuda a reafirmar o racismo. Ainda é necessário ter uma mídia negra ativa e forte”, comentou.
A breve conversa proporcionada pela live é mais uma das propostas da Agexcom em fomentar a discussão entre os integrantes da Agência, especialmente os estudantes, e tem o propósito também de dar visibilidade para pesquisas importantes na Unisinos. A Agex costumava proporcionar, presencialmente, eventos como este para os alunos da Escola da Indústria Criativa. Agora, começa a realizá-los em ambiente remoto. Para não perder nenhum evento e ficar por dentro de tudo que ocorre na Indústria Criativa, siga a página no Instagram do portal Mescla.
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]]>De acordo com a estudante de Gastronomia Laura Motta Neves, 20 anos, a disciplina Experiência 5 simula o trabalho de um cozinheiro na organização de um evento, por isso a turma 38 utilizará o Simpósio como sendo o contratante. Toda a culinária se baseará no tema trabalhado pelo congresso, fazendo a gastronomia resgatar ingredientes afro-brasileiros usando de um viés contemporâneo.
“Muitas vezes, enaltecemos a gastronomia de outros países e acabamos rebaixando nossa própria cultura. A gastronomia brasileira é formada pela influência dos nossos nativos e todas as etnias que deixaram seus rastros em nossa cultura, e muitas vezes ela acaba sendo esquecida pelos brasileiros.” – Laura Motta Neves
O Coquetel Volante – quer dizer que garçons sempre circulam para atender os convidados – ocorre na quarta-feira, 28, das 12h às 13h30. O ingresso custa R$ 35 e pode ser adquirido com os alunos da disciplina ou pelo site, clicando aqui. Estão disponíveis até o dia 27. O evento será a céu aberto e dentro da Unisinos, próximo ao lago – ao lado da biblioteca.
Todo o lucro arrecadado vai direto para a Instituição Tenda do Encontro, de São Leopoldo. Segundo Laura, o projeto foi escolhido, pois ele colabora para a melhoria das condições de vida de moradores, em especial os da Ocupação Justo (Vila Dique II). Para adquirir os ingressos via telefone, as estudantes Laura e Lauren disponibilizam esses números de celular:
Laura: (54) 9 99238309
Lauren: (51) 9 98073132
Canapés Frios:
– carolinas com pasta de frango defumado;
– ceviche de banana;
– chips de batata doce, pasta queijo coalho e tomate confit;
Canapés Quentes:
– bolinho de feijão;
– pão de queijo com ragu e molho de goiaba picante;
– angu com frango e picles de quiabo;
Mono Porções:
– salpicão de feijão fradinho com carne seca;
– moqueca de peixe;
– rabada com aligot de aipim;
Sobremesas:
– brigadeiro com chantilly de café com leite;
– bolo de banana e coco com creme de gengibre e paçoca;
– doce de abóbora com sorvete de inhame;
Bebidas: drink não alcoólico e água mineral;
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]]>Um caso bem recente que reascendeu a polêmica por aqui é o da novela “Segundo Sol”, da Rede Globo, que se passa em Salvador (Bahia). Os telespectadores perceberam, já na divulgação da trama, que o elenco é majoritariamente branco. O ponto principal da polêmica é que a cidade, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é a capital com mais negros do país. Ao incluir a população que se autodeclara parda, é a terceira no ranking nacional, com quase 80% da população local.
Mas por que uma emissora escolheria um elenco que contradiz a realidade étnica das locações de uma novela? O jornal Correio Brasiliense publicou um trecho da nota emitida pela Rede Globo, se posicionando sobre o assunto. “Os critérios de escalação de uma novela são técnicos e artísticos. A Globo não pauta as escalações de suas obras por cor de pele, mas pela adequação ao perfil do personagem, talento e disponibilidade do elenco. E acredita que esta é a forma mais correta de fazer isso”, diz o documento.

Para a coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas da Unisinos (Neabi), Adevanir Aparecida Pinheiro, existe um racismo institucionalizado que gere as relações midiáticas como um todo. “Essa exclusão do negro na mídia é visível. Atores brancos são transformados em negros, como é o caso dessa novela. Pensar em uma novela na Bahia, o estado mais negro do Brasil, e dizer que não tem atores negros para colocar, é uma farsa, né?”, indigna-se Adevanir.
No Brasil, cerca de 55% da população se declara negra ou parda, mas, ainda segundo Adevanir, o racismo perpetuado nas instituições apresenta-se em diversos eventos na vida dos negros. “Começa na infância, passa pela academia e chega até na falta de representatividade na televisão, quando se vê, por exemplo, atores negros atuando em papéis de inferioridade”, diz a coordenadora.
Ela ainda argumenta que a falta de representação, que perpassa a vida do negro, resulta em uma alienação da identidade, causada por uma visão colonizada do mundo. “Toda a formação que os negros recebem é branca, eles adquirem a consciência do branco, uma consciência embranquecida. Eles encarnam uma identidade branca de tal forma que é preciso fazer um duplo trabalho de inclusão, história, identidade e consciência negra”, comenta.
“Ainda tem professora que usa o lápis cor de pele, o que é terrível. As crianças já começam a embranquecer, da cor salmão pra frente. Começa aí a política de embranquecimento na consciência. Os brinquedos também são todos brancos, as bonecas são brancas. Não tem brinquedo africano, não tem brinquedo indígena”, explica Adevanir.

Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas da Unisinos (Neabi) vinha sendo gestado por Adevanir desde 1999, quando ingressou na Unisinos, mas foi em 2008 que virou espaço físico e atuante. Quem caminha pelo campus de São Leopoldo, periodicamente se depara com cartazes e ações promovendo autores negros, cultura africana, entre outros.
O Neabi trabalha na inclusão dos negros nos espaços, o que, segundo a coordenadora, é a solução para “desembranquecer” a mídia, dando visibilidade aos papéis e atores negros. “Por isso que eu digo que deu um branco nos espaços. Nós temos que trabalhar essa visão descolonizante dos espaços, das áreas que não tem uma presença negra”, explica Adevanir.
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