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Arquivos literatura infantil - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/literatura-infantil/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Thu, 28 Nov 2019 18:50:27 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 Inspiração, Gelatina e outras histórias https://mescla.cc/2019/11/28/inspiracao-gelatina-e-outras-historias/ https://mescla.cc/2019/11/28/inspiracao-gelatina-e-outras-historias/#respond Thu, 28 Nov 2019 17:31:20 +0000 http://mescla.cc/?p=12418 Assim que cheguei na Praça do Imigrante, em Novo Hamburgo, me deparei com diversas crianças animadas para as atividades que estavam ocorrendo naquela sexta-feira pela manhã. A 37ª Feira do Livro da cidade contou com diversas atividades culturais para os estudantes da região, mas uma figura se destacou no local. Atravessei as bancas de livros, […]

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Assim que cheguei na Praça do Imigrante, em Novo Hamburgo, me deparei com diversas crianças animadas para as atividades que estavam ocorrendo naquela sexta-feira pela manhã. A 37ª Feira do Livro da cidade contou com diversas atividades culturais para os estudantes da região, mas uma figura se destacou no local. Atravessei as bancas de livros, desviando de turmas que não paravam de chegar, e, assim que consegui me distanciar daquela multidão, enxerguei uma boneca vestida de roxo, sapatos com o triplo do tamanho normal e um guarda-chuva mágico. Sabia que havia encontrado a Gelatina.


Quando sento em frente ao Espaço Hora do Conto, passo a conversar com Cleia Haubert, atriz e idealizadora da Cia do Riso, que dá vida à Gelatina. Artista inquieta, Cleia fez teatro durante a adolescência e, quando adulta, foi projetista da loja de móveis que manteve por muitos anos. Há 18, no entanto, paralelamente, nascia a Cia do Riso, quando ao fazer uma substituição em um evento infantil como mestre de cerimônias, em um parque de Xangri-Lá, Cleia caiu nas graças de Caburé, um milionário excêntrico da cidade. A partir daí a produtora de teatro da atriz ganhou vida e hoje a Cia do Riso tem várias frentes de trabalho: produz e organiza eventos e espetáculos com exclusividade, anuais ou regulares. “É muito amplo o trabalho da Cia, mas acaba centralizando no projeto que tenho de vida, porque eu faço parte da direção, do figurino, da maquiagem, da criação de texto, etc.”, contou a atriz.


A Gelatina foi a personagem que agradou Caburé, sendo a responsável pelo pontapé inicial da Cia do Riso. Toda a vez que perguntava sobre a boneca, Cleia sorria. O orgulho que sente da personagem é refletido nos olhos da artista. “Ela é o meu exagero, traz referências das minhas ideias de quando eu era criança, do meu imaginário”, explicou. Na infância, Cleia achava que era Emília, do Sítio do Picapau Amarelo, e assim surgiu a construção da personagem. Durante sete anos, Cleia e Gelatina trabalharam com crianças no parque de Caburé, mas a personagem não é querida só pelo público infantil. Ela faz apresentações para desde o ensinos fundamental, passando pelo médio e chegando até os adultos. 


Depois de tanta experiência, Gelatina resolveu virar escritora (com a ajuda da Cleia, é claro!), e a primeira edição, realizada em parceria com a Livraria Kadernu’s, contou com mil livros que esgotaram já em outubro deste ano. Cleia resolveu fazer o livro com Carlos Hollmann, proprietário da Kadernu’s, já que ambos têm uma visão parecida sobre o conceito de Feiras de Livros. 


É assim que A Terra do Lelé conta a história da criação de Gelatina, que surge do imaginário de Lelé, uma criança que quer ser rei do planeta dele. Juntas, Gelatina e Cleia, tratam de temas importantes e que já devem ser abordados com os pequenos. “Na terra do Lelé, todo mundo é colorido, então as pessoas podem ser da cor que quiserem, logo, elas podem ser do jeito que quiserem”, explicou. A artista, que se define muito como mãe – das filhas e também de todas as pessoas que interagiram com ela através do teatro -, vê o livro também como um filho. Talvez, por ter projetado móveis por tanto tempo, os objetos da vida de Cleia acabam criando vida também. “O livro é um ponto de partida para mim, para que eu possa trabalhar todos esses assuntos que acho pertinentes. Então, eu tenho que começar a carregar esse filho para os lugares para onde vou”, comentou. A história contada por Gelatina tem ilustrações desenhadas por Cleia, que traz a identidade da personagem para as páginas. 


Neste momento de minha conversa com Cleia, o público que está no Espaço Hora do Conto começa a demonstrar que parece ser bem exigente. Sentados nos tapetes de EVA, as crianças da Escola Municipal de Ensino Infantil Zozina Soares de Oliveira esperam ansiosas pelo início da apresentação. Cleia se despede de mim e dá lugar, totalmente, a Gelatina. Tagarela e risonha, a boneca agrada o público nos primeiros minutos. O calor não parece atrapalhar tanto as crianças, que ficam atentas a cada movimento da personagem. “Todo mundo tem uma história para contar, mas, agora, eu vou contar a minha história”. Interagindo com o público do início ao fim, nenhuma contação de histórias de Gelatina é igual, já que ela trabalha com o improviso. Metade do espetáculo é o que a platéia oferece e a outra metade é o que já foi idealizado antes. 


Depois da primeira apresentação do dia, sigo com Gelatina para o camarim. Ela tem mais três apresentações e precisa se preparar para a próxima. Cleia explica que Gelatina é sempre a mesma, mas a linguagem muda de um público para o outro. A boneca é tão bem recebida por onde passa que é difícil tirar o figurino e voltar a ser a Cleia. “Esse mundo lúdico afasta a gente da realidade e é maravilhoso”, explicou. 


A dupla já passou por diversas experiências juntas e elas me contaram algumas. Momentos sempre significativos para as duas são os trabalhos com alunos de inclusão. Cleia conta que na primeira vez que fez uma apresentação na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), uma pessoa com problema de visão na platéia dava muitas gargalhadas durante o espetáculo, apenas com a percepção auditiva. Além disso, as apresentações em hospitais também marcam a vida das duas. “Isso desconstrói as coisas que a gente pensa”, finalizou. 


Desde o começo de minha interação com Cleia e Gelatina, combinamos uma brincadeira: que a artista deixaria a personagem entrar em cena para responder minhas perguntas. Peço, então, para a boneca me contar o que aprendeu com a Cleia. “Além de fazer graça e trazer informação de acordo com as coisas que vão se transformando no mundo, ela ensinou a me adaptar a tudo que vemos de novo”, explicou. Nesse momento, Cleia volta para dar a sua resposta: “eu não preciso envelhecer nunca, posso estar sempre viva com essa criança que está dentro de mim”. 


Finalizando nossa entrevista, pergunto se há algo que uma gostaria de dizer para a outra. Gelatina levanta, serve um copo de água e fala, com sua voz característica, meio enrolada e infantil, “ai, mas que pergunta difícil”! Com o silêncio que se instaura, é quase possível ouvir as duas pensando juntas. Depois de uma risadinha, Gelatina resolve começar, “não envelhece, porque eu preciso de ti”.


Cleia explica que o mais interessante de seu trabalho são as lembranças que vai acrescentando na sua trajetória. “É meio melancólico, mas acho que é o que tem de mais legal na vida, tu fazer coisas enquanto tens vitalidade, e depois poder envelhecer e visitar essas memórias. Então, obrigada por isso, Gelatina”, confidenciou com emoção.


A obra A Terra do Lelé, de Cleia Haubert, pode ser encontrada na Livraria Kadernu’s, com a escritora (pelo e-mail: ciadorisonh@gmail.com) e, em breve, estará disponível para vendas online. Confira o trabalho da artista na página do Facebook da Cia do Riso.

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#TEDxUnisinos: Carlos Augusto Pessoa de Brum https://mescla.cc/2018/08/01/tedxunisinos-carlos-augusto-pessoa-de-brum/ https://mescla.cc/2018/08/01/tedxunisinos-carlos-augusto-pessoa-de-brum/#respond Wed, 01 Aug 2018 13:55:49 +0000 http://mescla.cc/?p=7054 O nome dele é Carlos Augusto Pessoa de Brum, mas todo mundo o conhece como Cadu dos livros. Bacharel em Filosofia pela UFRGS, ele encontrou na literatura infantil uma forma de expressar a necessidade que sentia de contar e ouvir histórias. Hoje, já são 50 livros lançados, diversas oficinas de criatividade e mais de dez anos dedicados a escrever e ilustrar.  Cadu cresceu em uma casa cheia de livros. Nas suas primeiras memórias estão o […]

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O nome dele é Carlos Augusto Pessoa de Brum, mas todo mundo o conhece como Cadu dos livros. Bacharel em Filosofia pela UFRGS, ele encontrou na literatura infantil uma forma de expressar a necessidade que sentia de contar e ouvir histórias. Hoje, já são 50 livros lançados, diversas oficinas de criatividade e mais de dez anos dedicados a escrever e ilustrar. 

Cadu cresceu em uma casa cheia de livros. Nas suas primeiras memórias estão o pai e a mãe contando histórias e uma avó poetisa que o influenciava no meio. Mas a literatura não era a primeira escolha como profissão. Assim como o pai e o avô, Cadu queria ser dentista. Foi só no final do Ensino Médio que ele viu a literatura como forma de trabalho. “Comecei a ter aula de Química e odiava, então percebei que não me daria bem na Odonto. Foi o momento de parar e pensar ‘O que eu gosto mesmo?’ E a resposta sempre esteve ali perto, nos livros”, relembra ele. 

Aos 16 anos, Cadu decidiu colocar o sorriso nas pessoas não mais através da saúde, mas  das letras. Ele uniu textos e, aos 17, lançou o primeiro livro adulto de contos e também a Br1 Editores. Também foi naquela época que ele teve a primeira desilusão da carreira. “Quando tu começas a trabalhar, tu tens uma visão muito utópica, muito longe da realidade. Foi uma decepção muito grande ver o quão pouco as pessoas leem, a leitura é muito utilitarista para nós adultos”, explica.  

Foi assim que Cadu virou um embaixador que dá voz a crianças e jovens. Por meio da ilustração, ele pode encontrar no público mais novo o que sentia falta no mundo do adulto. “Encontrei esse espaço para levar minhas histórias até as crianças. Foi muito gratificante encontrar no jovem essa empolgação pela leitura. Hoje em dia, toda a minha produção é para o pessoal que está em escola. Eu fico o ano inteiro em eventos literários, feiras do livro e trabalhando com divulgação de leitura em locais voltados para educação”, conta. Ele explica que hoje não pensa mais “o que vou ensinar?” antes de escrever cada livro, mas sim “o que vou aprender com eles?” 

O nome “Cadu” veio de uma série de livros infantis. Por ser sempre chamado de Carlos Eduardo ao invés de Carlos Augusto, ele decidiu nomear seu principal personagem brincando com esse engano. O nome pegou e hoje é virou marca do jovem escritor.  

“No começo, o Cadu era o personagem e eu era o Carlos Augusto escritor. Mas as crianças começaram a me chamar de Cadu e eu gostei. Até hoje acho muito legal quando elas vêm com um livro e apontam para ele e me dizem ‘Olha tu aqui, Cadu!'”, conta animado. 

Nessa rotina de escola, ele se tornou um apaixonado pela criatividade, espontaneidade e inspiração que vem das crianças. Usa o adjetivo fantástico para cada ação delas e tomou como missão de vida criar uma ponte para que os jovens sejam mais ouvidos e valorizados. “Quando tu começas a trabalhar com crianças, tu ficas meio bobo na questão da esperança. A gente começa a ter uma esperança ridícula no futuro da humanidade. Não existe criança ruim”, fala apaixonado. 

No TEDxUnisinos, que ocorre no dia 17 de agosto, ele falará sobre essa voz que é esquecida e sobre experiências com o público infantil. “Acho muito importante no nível artístico de educação dar espaço para o jovem ter uma voz. A educação muitas vezes peca, querendo falar muito, explicar muito, dizer muito. Como a gente vai fazer a educação funcionar em uma via de uma mão só? Eu acho que isso é uma coisa que a gente tinha que pensar enquanto sociedade, tratar o jovem como pessoa e ouvir a sua voz”, finaliza. 

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