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— Bah, tenho aula… Não vai dar.
Recusar um convite.
Tarefa árdua que exige muito mais do que uma palavra para poder ser compreendida. Diferente de poder dizer um animado “sim!”, a negação – socialmente – requer uma explicação elaborada, um tom de voz pesaroso, uma atuação que acompanhe a resposta. É tão rica em detalhes que, se para bom entendedor meia palavra basta, na primeira hesitação, já é possível compreender que ao silêncio se segue um “não”.
Se comunicar nunca é simples, apesar de ser uma atividade comum. O que parece um caos de palavras e interações sem ordem, é, na verdade, uma rica teia de ordem e encadeamentos cronológicos. E essa ordem comunicacional, que recebeu o nome de Análise da Conversa, vem sendo estudada desde os anos 60. No Brasil, um dos pesquisadores é o professor Roberto Perobelli de Oliveira, que realizou seu pós-doutorado na Unisinos, sob orientação da professora Ana Cristina Ostermann. Roberto atua como professor na Universidade Federal do Espírito Santo, em Vitória, no departamento de Línguas e Letras, e no Programa de Pós-graduação em Linguística.
Para ilustrar do que se trata a Análise da Conversa, Roberto explica que existem dois fatores importantes: o contexto no qual essa comunicação acontece e a relação de poder que emerge entre os participantes. Pensando assim, parece uma coisa complicada, mas não é tão difícil perceber nas interações do dia a dia. “Se eu for até o setor de Atendimento da Unisinos, a pessoa que me atender possui mais informações do que eu. Ela detém mais conhecimento do que eu”, exemplifica o professor. Por isso, também, ele prefere dizer que o poder “emerge” em cada interação, ao invés de dizer que ele seria fixo para determinadas personagens.
Como no pequeno diálogo no início desta matéria, poderia se dizer, caso fosse analisado mais a fundo, que a pessoa que faz o convite faz emergir o poder de determinar os tópicos da conversa. Mas durante a conversação, esse poder de guiar os assuntos pode passar ao outro envolvido.
Para a execução de Análise da Conversa, os pesquisadores transcrevem as falas, anotando pausas, variações de voz, e, quando possível, gestos e outros elementos do contexto. “Nós entendemos que os detalhes compõem o contexto da interação. Nessa medida, temos a intenção de mostrar nossa compreensão e a importância de compreender esse contexto”, esclarece Roberto. “Em outros campos, a Análise da Conversa pode auxiliar na hora de se desenvolver uma análise de dados. Nossa perspectiva é qualitativa, não tem nenhuma pretensão estatística, nenhuma pretensão generalizadora. Nós fazemos afirmações depois de olhar para os dados, e não o contrário.”
Talvez agora você pense que análises de dados e interpretações são temas de dissertações e pesquisas as quais não está tão próximo, mas o interesse qualitativo da Análise da Conversa pode ser usada em Trabalhos de Conclusão, entrevistas e pesquisas de grupo focal. Esses são apenas alguns dos exemplos de interações onde é possível utilizar a metodologia para enriquecer dados. Se ficou curioso para desbravar o mundo teórico da Linguística Aplicada, o (Nem) Sempre às Quintas é o evento perfeito para isso. Nesta quinta-feira, dia 12, o professor Roberto Perobelli estará presente na Unisinos para debater o uso da Análise da Conversa entre Linguística e outras disciplinas. O evento ocorre às 10h no Labtics (prédio D01, no campus São Leopoldo), e é gratuito. Mas, se você quiser garantir horas complementares, precisa se inscrever.
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A atividade integrava o evento Diálogos Internacionais, promovido pelo Programa de Pós-graduação em Linguística Aplicada (PPGLA). O tema desta edição foi “Contatos entre línguas e culturas no Sul do Brasil” A ideia era aproximar esses trabalhos e metodologias, além de discutir contatos linguísticos, documentações e estudos dos dialetos alemães falados no Brasil. O grupo, liderado pelo Diretor de Línguas Românicas da Universidade de Kiel, professor Elmar Eggert, está no Brasil para uma viagem de estudos.
E se você acha que a língua foi um problema, está enganado. Todas as apresentações foram na língua de Camões, já que os estudantes e professores da universidade aprendem o português durante a trajetória acadêmica. Por isso, português e alemão estiveram nas principais discussões da manhã. “As pessoas não falam uma língua por decreto, elas tem que querer”, explica o professor Eggert. Linguística, História, Sociologia e até Física foram as áreas tratadas pelos participantes, que apresentaram uma breve explicação das pesquisas que desenvolvem em nível de mestrado e doutorado dos dois países. Conversando com o Mescla, Marko disse ainda que um desafio do debate foi apresentar o trabalho em uma outra língua, que não a materna, e na frente de pessoas desconhecidas e de culturas diferentes. Já a brasileira Sabrina Bastos, doutoranda em Linguística Aplicada na Unisinos, contou sobre como o evento agregou na sua formação. “Tem uma raiz social, porque o pessoal da Alemanha se ocupa de problemas de linguagem no uso e das línguas de contato, isso ajuda na formação enquanto doutorando”, explica a estudante. Para ela, a fala da professora Fernanda Von Mühlen foi o ponto alto da manhã. Fernanda completou o mestrado em Linguística Aplicada pela Unisinos e conversou sobre as políticas linguísticas relacionadas ao hunsriqueano, dialeto alemão falado no sul do estado. “É um trabalho muito bonito, porque ela faz um levantamento da percepção dos falantes, além de analisar o passado e o futuro da língua”, contou Sabrina. Ainda para a doutoranda, e também para grande parte dos participantes, eventos como esse são importantes, já que trazem para o público os bastidores da pesquisa. Como resumiu o estudante alemão de Sociologia, Leo Voigt, em bom português, “muito bom”.
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]]>O tema desta edição é “Tradução audiovisual: legendagem”. O convidado é Andrés García, docente do curso de Letras da Unisinos. O evento será realizado na próxima quarta-feira, dia 30 de maio, no campus Unisinos São Leopoldo.
O objetivo do (Nem) Sempre às Quintas é atualizar o aluno sobre as temáticas do campo da linguística e promover o conhecimento sobre as possibilidades de estudo dentro de uma área pouco conhecida pelos estudantes.
As inscrições são gratuitas e já estão abertas no link.
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]]>“Queria convidar vocês todos a ser o Sancho Pança do conteúdo da internet. Sejam capazes de identificar o gosto de couro de cabra e o cheiro de ferro do vinho que estão bebendo. Sejam capazes de acender a luzinha da desconfiança”. Foi citando “Dom Quixote” que o jornalista do Instituto Humanitas da Unisinos (IHU), Ricardo Machado fez alusão às notícias falsas na atualidade.
O projeto LER: Leitura e Ciência teve o primeiro fascículo ontem, dia 9 de maio, sob o tema “Letramento para as redes sociais”, e contou com uma plateia de mais de 80 professores de escolas do Ensino Fundamental do Vale do Rio dos Sinos. Pela segunda vez, o IHU esteve presente nos encontros. Além do Instituto, demais profissionais da Unisinos já contribuíram nas temáticas do projeto.
Ricardo Machado trouxe a edição 520, do mês de abril, da revista do Instituto, que trata do tema Fake News, para elucidar a discussão. A publicação traz pesquisadores de diferentes áreas, como Comunicação, Direito e Linguística, para discutir a emergência das notícias falsas.

Ele apresentou a revista como uma mediadora de discussões e não como um meio de encontrar respostas sobre o tema. “A gente não traz nenhuma resposta aqui, mas a gente traz um monte de questões que nos ajudam a pensar”. Machado disse ter optado por trazer o ponto de vista dos pesquisadores, por acreditar que eles tenham mais a acrescentar sobre o tema.
O jornalista aproximou a problemática do cotidiano dos professores presentes, dando exemplos de como as notícias falsas circulam nas redes. “As fake news expressam uma nova ética, e essa ética não foi construída por nenhuma instituição, senão por nós mesmos. A gente faz circular informação falsa. Os cidadãos são as pessoas críticas da sociedade que fazem circular essas informações, que são manipuladas e têm um fim político muito específico”.
Machado também fez um alerta sobre o modo como a sociedade entende o fenômeno das notícias falsas. “Parem de chamar as fake news de fake news. Elas são algo muito pior do que isso. É manipulação de dados”. O jornalista ressaltou que essa manipulação não possui lado. Está tanto na política de direita quanto na de esquerda.
“Nós, como cidadãos, temos que ter uma postura radicalmente crítica. Se a gente não desconfiar das informações, a gente facilmente vai se deixar levar por aquilo que é falso”. O jornalista ainda trouxe um exemplo que, em suas palavras, resume os brasileiros da melhor forma: “Sejamos este misto de Macunaíma (herói conhecido pelo seu jeito malandro e sagaz) com Sancho Pança para enfrentar este problema das fake news.

O doutor em Ciência Política Dr. Sérgio Amadeu concedeu entrevista para a revista do IHU, na edição 520, na qual afirma temer que os governos tentem instituir um “ministério da verdade”, lembrando um paralelo ideológico de funções com o Ministério da Verdade do escritor George Orwel, no livro 1984.
“O importante é que começássemos a construir valores baseados na liberdade e na diversidade. O mundo sem diversidade é pobre e autoritário. Esses valores temos que tentar construir de diuturnamente nas redes, no cotidiano, nas famílias, nas escolas e onde estivermos”, disse Amadeu para a publicação.
Na mesma edição da revista, o professor Dr. Antônio Fausto Neto trouxe a ideia de que realizar uma simples checagem dos fatos não é suficiente para sanar o problema das fake news. Para o entrevistado, nunca houve tanto acesso à informação de forma tão plural e horizontal como agora e nunca, no entanto, a população esteve tão desinformada.
Machado completou questionando: “De certa maneira, isto expressa um dos limites do meu campo de trabalho, que é o jornalismo, no sentido de que talvez não estejamos fazendo a mediação da maneira correta. E a questão é: não estamos fazendo por incompetência ou por uma questão editorial?”.
A coordenadora do Projeto LER, Profª. Drª. Maria Eduarda Giering, explicou que o tema do encontro teve inspiração direta em dois projetos da universidade. O primeiro, Comunicação em Debate, ocorreu ano passado e trouxe o jornalista e doutor em Ciências Políticas Leonardo Sakamoto. Na ocasião, ele introduziu na palestra “O que aprendi sendo xingado na Internet” a ideia de realizar uma alfabetização para as mídias.
Maria conta que o Projeto Nuvem – Núcleo Universitário de Educação para as Mídias – também impulsionou a discussão. “Quando o núcleo pensou e se organizou, a partir também da ideia de fake news, eu disse ‘bom, a gente pode de alguma forma contribuir, dentro do LER, porque nós temos um outro público, que é o dos professores do Ensino Básico'”.

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]]>O Núcleo Universitário de Educação para as Mídias, carinhosamente chamado de Nuvem, deu seu primeiro passo ontem à noite (19) no Teatro Unisinos Porto Alegre. Com a plateia lotada de estudantes, os painelistas Drª Anna Christina Bentes (Unicamp), Dr. Ricardo Campos (Universidade de Frankfurt), Dr. Pe. Pedro Gilberto Gomes (Unisinos) e o jornalista Luis Nassif apontaram diferentes abordagens para temas como fake news, uso das redes sociais, desinformação e cidadania. O projeto propõe uma educação para as mídias por meio de palestras, cursos de extensão, debates e programas de formação. O Prof. Dr. Guilherme de Azevedo, do curso de Direito da Unisinos, fez a mediação das falas dos debatedores.
Com uma fala curta, Dr. Pe. Pedro Gilberto Gomes, vice-reitor da Unisinos, louvou o projeto e seus idealizadores, que formaram um grupo de professores e pesquisadores das escolas do Direito, Educação, Comunicação e Design. Ele explicou que o projeto busca colocar em discussão uma realidade que está mudando o modo de ser no mundo das pessoas e, portanto, precisa de próprios e novos paradigmas para ser analisada. “Quando a universidade monta e apoia um como este, ela diz: ‘tem algo grande acontecendo aqui'”, afirmou. Ele sustentou a ideia de que o grande desafiou apresentado é compreender esta nova ambiência, onde as pessoas não têm nenhum compromisso com a verdade e aprender com ela.

Drª Anna Christina Bentes, do Departamento de Linguística do Instituto de Estudos da linguagem da Unicamp, trouxe tópicos de reflexão e exemplos de colegas que exemplificam as relações entre linguística e redes sociais, além de conceitos e ideias do que se chama de texto. “Os aspectos práticos das redes dependem fundamentalmente da produção, circulação e recepção ativa de textos. No caso do Facebook, uma das práticas mais presentes, está relacionada ao que Manuel Cassius denomina autocomunicação, que seria a capacidade de cada ator social fazer as vezes de uma fonte de informação”
Ao encaminhar-se para o final de sua frase, ela abordou o caso da vereadora Marielle Franco, executada na última semana e as diferentes narrativas e discursos formados em torno do fato. Para ela, o caso exemplificou o funcionamento linguístico textual e discursivo das práticas de linguagem em rede. No seu ponto de vista, as redes sociais funcionam de forma massiva a partir de práticas comunicativas bem recorrentes, como denúncia e polemização.

O professor Dr. Ricardo Resende Campos, assistente de docência na cátedra de direito público e teoria do direito da faculdade alemã Goethe Universität, comentou alguns dos problemas enfrentados pelo direito no combate às fake news. No Brasil, segundo ele, existem sete projetos na Câmara dos Deputados que tentam controlar essa questão. Quatro destes, em que ele teve acesso, são “horríveis”, palavra usada por ele, pois não produzem o efeito de regulamentação, e sim menções a censura. Nesse contexto, ele questiona como a jurisdição do país legisla, verifica e pune a difusão da desinformação.
“Onde fica o direito de resposta?” O professor comenta que em tempos de mídia tradicional sem a presença de redes sociais, era concedido ao cidadão o direito de resposta, caso uma notícia, considerada por ele como falsa, fosse divulgada. Com a internet, e consecutivamente as redes sociais, as fake news ganham muita força de alcance. Uma mentira publicada, mesmo que futuramente desmascarada, pode causar danos irreversíveis.
“O meio cria uma nova demanda”, afirma. Campos também traz para o debate essa reflexão. O advento da internet modifica a forma como compreendemos a demanda por informação. A possibilidade de anonimato aumenta as chances de conteúdo calunioso. “Talvez fake news seja só um produto”, produto esse que se liga diretamente ao fator visualização. A necessidade de acessos comercializa a informação. “Dado não é mercadoria”.

O jornalista Luís Nassif, no jornalismo desde os 13 anos de idade, criou e trabalha no GGN, “o jornal de todos os brasis”. Fake news, na visão de Nassif, são uma tentativa de separação. Incentivam o ódio e causam a manipulação. Mesmo o tema sendo visto com amplitude na internet, ele vem da velha mídia, forma usada pelo jornalista para representar o jornal impresso, rádio e televisão. Repleto de dados históricos, Nassif coloca a eleição americana de 1876 entre o republicano Rutherford B. Hayes e o democrata Samuel J. Tilden como a primeira fraude eleitoral. Uma interferência causada, em parte, pelo editor do The New York Times.
Mesmo colocando a internet como nova mídia para disseminar informação, Nassif afirma que os principais sites responsáveis pela tarefa pertencem a grandes veículos de comunicação. O jornalista faz a reflexão de que esses grandes meios têm parcela de culpa na disseminação das fake news. Mesmo assim, há uma tentativa da velha mídia de se colocar como fonte de razão, fonte confiável em que a informação é mais bem apurada. A internet, principalmente redes sociais, são postas como o inimigo, o lugar em que a desinformação perpetua.

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]]>The post Tecnologias digitais para o ensino de línguas adicionais appeared first on Portal da Indústria Criativa.
]]>O objetivo é desenvolver uma concepção crítica com os alunos sobre o uso de tecnologias digitais dentro e fora do contexto escolar, apresentar tecnologias digitais para o ensino de línguas adicionais. Além de promover um momento prático de reconhecimento, utilização e trabalho com as ferramentas apresentadas a fim de melhor instrumentalizar o profissional no ensino de línguas.
Podem participar da oficina professores, alunos e bolsistas de iniciação científica do Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada (PPGLA) e dos cursos de Letras da Unisinos. O curso é gratuito e conta com a emissão de certificado mediante a presença do aluno.
A oportunidade é uma promoção do Núcleo de Estudos Avançado em Linguagem, Interação e Tecnologia – NEALIT, Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada – PPGLA e da Unisinos. O curso acontece na sala E12 109, na sexta-feira, 17 de novembro, das 12h às 13h30 e será ministrado pelo professor Marlon Machado Oliveira Rio.
As inscrições podem ser feitas até o dia 16 de novembro, aqui no link.
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