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Por ser remoto, a participação no Congresso ficou mais barata e, portanto, mais facilitada. Afinal, ninguém teve que reservar estadia ou ainda gastar com alimentação. E foi assim que esta repórter e seu colega de Iniciação Científica, Rodrigo Brum, tiveram a experiência de participar do Intercom pela primeira vez. A convite do professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação (PPGCOM) Gustavo Fischer, “passeamos” pelas salas e auditórios tentando absorver conhecimentos sobre as pesquisas que estão sendo realizadas na área da comunicação.
O que chama a atenção dos congressistas de primeira viagem é o tamanho do evento. Foram dez dias de atividades divididas em reuniões com Grupos de Pesquisa (GPs), palestras em auditórios virtuais, oficinas e minicursos (sem contar os livros que recebemos, “mimos” virtuais do Intercom). Para Rodrigo, estudante do quarto semestre de Jornalismo, a experiência foi significativa para entender um pouco mais o que é o “ecossistema da pesquisa”. “É importante ter uma perspectiva, tanto do que se intersecciona daquilo que se vê na Iniciação Científica, nas linhas de pesquisa do PPGCOM, o que funciona com grupos de pesquisa e pesquisadores de outros estados, quanto o que se diferencia”, conta.
Assisti as apresentações realizadas nos GPs que mais me interessei. Mesmo online, não é uma boa ideia participar dos encontros de pijama, já que era preciso ligar a câmera para entrar nas salas. No primeiro dia, percebi que o brasileiro gosta tanto de novela que leva isso até para o campo acadêmico. Vinícius Afonso de Barros Araújo, da Universidade Anhembi Morumbi (UAM), conversou sobre o reboot de novelas e como as narrativas monomídias (assistir apenas na televisão aberta, por exemplo) se transformam em transmídia. Já Dowglas Franco Mota, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), estuda vinhetas e como as aberturas de remakes trazem a sensação de nostalgia para os espectadores.

Saindo das novelas, mas sem mudar de canal (broadcasting), Wagner Machado da Silva, doutorando da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), conversou sobre a representatividade negra no jornalismo e tentou responder a pergunta “por que demorou décadas para ter uma âncora negra no RBS Notícias?”. Talvez por eu ser também bolsista de Iniciação Científica do PPGCOM, foi ainda mais interessante ouvir sobre diferentes temas de pesquisas e metodologias. Seja sobre novelas, telejornalismo ou TVs universitárias, as discussões dentro dos GPs foram importantes para os apresentadores e, também, para os ouvintes.
Outra experiência interessante foi o minicurso “Lives na cobertura jornalística: contexto, boas práticas, pesquisa e horizontes”, ministrada pelo pesquisador Alexandro Mota da Silva, da UFBA. Durante a pandemia, as lives se popularizaram e, pensando nisso, Alexandro, que pesquisa o tema desde 2016, resolveu falar sobre esse fenômeno no jornalismo, trazendo casos ilustrativos e o que os profissionais podem fazer. Alexandro comentou, durante o curso, que as redes sociais podem tirar o jornalista da zona de conforto, mesmo sendo algo utilizado todos os dias fora do ambiente profissional. É interessante visualizar o quanto coisas naturais do nosso dia a dia, como novelas ou redes sociais, podem se tornar fontes de conhecimento e pesquisa.
Coordenador do GP Televisão e Televisualidades e integrante da linha de pesquisa Mídias e Processos Audiovisuais, do PPGCOM da Unisinos, Gustavo Fischer acredita que o Intercom deve ser de conhecimento obrigatório para todo aluno de graduação, uma vez que, durante o evento, é possível entrar em contato com diversas pesquisas – iniciantes ou não – e, quem sabe, encontrar pessoas com interesses similares. “O mercado de comunicação deseja cada vez mais profissionais com uma atitude investigativa e, para isso, conhecer mais sobre metodologias e teorias do campo da comunicação é essencial”, explica.
Além de ser uma oportunidade para alunos da graduação, a forma remota desse ano auxiliou, inclusive, na apresentação de trabalhos. No GP Televisão e Televisualidades, por exemplo, todos os autores aprovados compareceram. O aumento no número de participantes pode até trazer um desgaste de tempo usando a tela, mas acaba se tornando uma experiência positiva em relação às trocas e debates proporcionados. “Esse movimento entre impactar a sociedade e produzir pesquisa é cada vez mais forte no campo da comunicação”, sublinha o professor.
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]]>As primeiras premiações entregues foram as menções honrosas para os estudantes de Iniciação Científica que integraram a Pesquisa+. Aqui estão os 59 estudantes premiados. Dentre eles, foram escolhidos os Destaques Pesquisa+, composto por um aluno de cada grande área do conhecimento*. A Escola da Indústria Criativa foi representada pela estudante de Jornalismo Eduarda Bitencourt. Ela subiu ao palco para receber o destaque na categoria Ciências Sociais Aplicadas. “É uma forma de reconhecimento pelo trabalho. Ganhar o Destaque é um motivo para continuar a pesquisa, mesmo com o cenário atual”, disse.

Outra premiação importante para a Escola da Indústria Criativa foi o Unicos Pesquisa. Na categoria Artigo de Conclusão de Curso, o vencedor foi Josué Braun. Egresso do curso de Fotografia, ele contou que, apesar de não existir tanta produção de artigos na área, ele gostou de escrever. “Foi um reconhecimento do esforço de um semestre inteiro, então foi muito bom”, disse.

Já na categoria Monografia, a vencedora foi Márcia Rohr Welter, egressa do curso de Letras. “O prêmio é uma motivação extra para prosseguir se esforçando e se dedicando, além de ser uma forma de reconhecer e incentivar os alunos a se engajarem na pesquisa, especialmente em um momento em que ela vem sendo desmerecida e sofrendo desmontes por parte de membros do governo”, acredita.

(*) Ciências Exatas e da Terra; Ciências Biológicas; Engenharias; Ciências da Saúde; Ciências Agrárias; Ciências Sociais Aplicadas; Ciências Humanas; Linguística, Letras e Artes
Abaixo, você confere a lista com todos os ganhadores.
Ciências Biológicas com foco em Iniciação Científica: Renata Brentano.
Ciências Biológicas com foco em Iniciação Tecnológica: Andressa Adolfo.
Ciências da Saúde com foco em Iniciação Científica: Schaiane Ferri.
Ciências Exatas com foco em Iniciação Científica: Alisson Klayton Martins.
Ciências Exatas com foco em Iniciação Tecnológica: Carolina Rosa Kelsch.
Ciências Humanas com foco em Iniciação Científica: Milena Miyuki Hiratuca Ujihara.
Ciências Sociais Aplicadas com foco Iniciação Científica: Marina Guerin.
Ciências Sociais Aplicadas com foco Iniciação Tecnológica: Eduarda Bitencourt de Oliveira.
Engenharias com foco em Iniciação Científica: Lorenzo Azevedo Kerber.
Engenharias com foco em Iniciação Tecnológica: Daiandra Maria Brocker.
Linguística, Letras e Artes com foco em Iniciação Científica: Leonardo Vescovi.
Ciências Biológicas: Renata Brentano.
Ciências Exatas e da Terra: Não teve nenhum candidato.
Ciências da Saúde: Eduarda Lima de Oliveira.
Ciências Humanas: Gabriela Gomes Motta.
Ciências Sociais Aplicadas: Afonso Vinício Kirschner Fröhlich.
Engenharias: Alexya da Silva Lague.
Linguística, Letras e Artes: Martina Schroeder Wissmann.
Monografia Destaque: Márcia Rohr Welter
Artigo Destaque: Josué Braun
Escolhido pela plateia: Naiara Kaieski, do Programa de Pós-Graduação em Computação Aplicada.
Escolhido pelo júri: Lívia Freo Saggin, do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação.
Dr. Jefferson Marlon Monticelli, egresso do Programa de Pós-Graduação em Administração.
Tiago Jonatan Girelli, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Geologia.
Dra. Neila de Toledo e Toleto, egressa do Programa de Pós-Graduação em Educação.
Giliandro Gonçalves Silva, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Biologia.
Categoria – Produção científica qualificada na sua área de atuação
Escola de Direito: Profa. Dra. Têmis Limberger.
Escola de Gestão e Negócios: Prof. Dr. Douglas Wegner.
Escola de Humanidades: Profa. Dra. Luciane Sgarbi Santos Grazziotin.
Escola da Indústria Criativa: Prof. Dr. Leandro Miletto Tonetto.
Escola Politécnica: Profa. Dra. Maria Virgínia Petry.
Escola de Saúde: Prof. Dr. Marcos Pascoal Patussi.
Categoria – Impacto Internacional de Artigo Científico
Ciências Biológicas: Prof. Dr. Leonardo Maltchik Garcia.
Ciências da Saúde: Prof. Dr. Valmor Ziegler.
Ciências Exatas e da Terra: Prof. Dr. Luiz Gonzaga da Silveira Junior.
Ciências Humanas: Prof. Dr. Luiz Inacio Germany Gaiger.
Ciências Sociais Aplicadas: Prof. Dr. Fernando de Oliveira Santini.
Engenharias: Prof. Dr. Miguel Afonso Sellitto.
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]]>Referências à parte, a saga de Pedro iniciou em Canoas, cidade onde nasceu e vive até hoje. Ainda na infância, ele experimentou a interação social influenciado por sua família católica: na igreja. Foi coroinha durante algum tempo e acredita que alguns de seus valores morais foram moldados nesta época. “Eu sempre considero o quanto isso me ajudou a montar como eu enxergo as coisas, na questão do que eu acho justo ou injusto”, conta.

“Minha mãe sempre falava: tu tens que viver pelos teus próprios olhos. E isso me ajudou”, lembra. Paralelo aos ensinamentos católicos, a família sempre teve um papel importante em sua formação, principalmente no incentivo a buscar o próprio caminho.
Foi aprendendo a fazer escolhas que iniciou o primeiro emprego, fazendo capeletti – massa típica italiana – na comunidade em que vivia. Eram sete horas diárias, em pé, manuseando os pequenos retângulos de massa para que ganhassem forma. Foram três longos meses no primeiro emprego, até conhecer uma escola de Ensino Médio que aliava o ensino básico com o técnico, localizada em Novo Hamburgo, cerca de 30km de distância de Canoas..
Entrou no Liberato em 2006 e, a partir de então, passou a dedicar-se integralmente aos estudos. Mas a rotina não aliviou, bem ao contrário. Pedro decidiu cursar Técnico em Eletrônica, o que demandava muitas horas diárias em frente aos cadernos.
Muito mais do que uma possível profissão, os tempos de ensino médio foram primordiais para a formação pessoal de Pedro. “O Liberato me formou como pessoa. Eu tinha um orientador, que mudou a minha vida, o professor Jaime. Ele dizia: ‘aqui a gente não ensina conteúdo, a gente ensina vocês a aprender. Se vocês aprendem a aprender vocês vão aprender qualquer coisa’”, lembra.
Para quem ouviu falar de Pedro Rossa no ensino médio, não vai lembrar apenas do estudante dedicado, mas de uma figura lendária na gincana da escola. “Enquanto muitos dos meus colegas eram fissurados em ficar dentro do laboratório, eu fui por três anos o mascote do nosso curso. Eu colocava uma roupa de Taz e saía interagindo com as pessoas. Eu fiquei conhecido por isso, pela interação. Quando eu fiz o meu estágio eu vi que tudo isso que eu gosto, que é interagir com os outros, falar com gente, ser criativo, onde é que eu ia colocar isso tudo?”, conta.

Então, o que parecia óbvio – um formando em eletrônica cursar uma graduação de exatas – não aconteceu. A criatividade e a interação com as pessoas, tanto prezada pelo então formando, materializaram-se no curso de Realização Audiovisual da Unisinos, o CRAV. Foram quatro semestres no cinema, e algumas experiências marcantes, como o dia em que Pedro encarou o desafio, vestiu-se como o Flash e saiu performando pelos corredores da universidade (vídeo abaixo).
“Na primeira semana de aula, um cara me viu com a camiseta dele e disse ‘tu é o Flash’. Todo mundo começou a me chamar de Flash. Os professores, pessoal nos sets de filmagem. Eu tive um trabalho, na disciplina de TV, que era fazer um vídeo. A gente comprou uma roupa do Flash. Eu me vesti, dentro da Unisinos, e a gente fez a história do Flash. Tem o vídeo lá, eu falando como se fosse o Flash”, relembra.
Assim como a roupa do Taz marcou a passagem pelo Ensino Médio, o Flash ficou gravado como o personagem do curso de cinema. Quem procura o perfil de Pedro nas redes sociais, encontra o apelido “Flash” atrelado ao nome.
Pedro tem uma longa caminhada até ingressar no curso de Jogos Digitais, em 2014. Passou pela Eletrônica, entrou no curso de Cinema e foi até estagiário da TV Unisinos, mas ele ainda não havia se encontrado e, aquele velho conselho da mãe, dizendo para que ele ver o mundo com os próprios olhos, era latente.
“Eu sempre tive essa questão criativa, então encontrei na grade curricular do CRAV vários pontos de interesse. Mas no decorrer do curso eu percebi que o estilo de vida, a questão de horários, eram diferentes do que eu estava buscando. Faltou a parte técnica que eu também gostava. Eu queria encaixar a parte técnica com a parte criativa. Quando eu percebi que estava faltando algo, eu tranquei e depois em Jogos eu consegui encontrar”, confessa Pedro.

A grade curricular de jogos trazia a técnica tanto almejada por Pedro, e foi amor ao primeiro semestre. “Eu não entrei em jogos porque ‘bah, eu quero fazer jogos digitais’, eu entrei porque vi nele uma grade que tinha muito foco em computação gráfica, que era uma área de importância. Eu entrei por um motivo, que era puramente da técnica que eles ensinavam e já no primeiro semestre eu me encontrei, e daí eu decidi ‘eu quero fazer algo relacionado a isso’.
Logo ao ingressar no curso, Pedro procurou alguns professores que pudessem indicá-lo para algum trabalho. Encontrou a Iniciação Científica e começou a pesquisar, inicialmente, no PPG de Educação. No semestre seguinte, encontrou uma oportunidade no PPG da Computação e não pensou duas vezes antes de aceitar. Mas, foi nesse instante que uma luz acendeu no então estudante: a docência. Depois disso, por conta do surgimento de oportunidades profissionais, Pedro voltaria a dedicar-se integralmente a pesquisa somente após sua formatura e ao ingressar no Mestrado, iniciado em 2018/2.
A história de Pedro nos Jogos Digitais se confunde com a trajetória do Laboratório Experimental do curso, o Atomic Rocket. Idealizado por dois professores, o projeto conseguiu a primeira verba da universidade para a contratação de um laboratorista. Mas, o escolhido deveria ter capacidade de atuar, também, no estúdio da Rádio Unisinos. Nesse caso, e não por acaso, Pedro Rossa foi indicado por dois professores para o cargo: um dos Jogos Digitais e uma professora do Jornalismo.
Começava então mais uma experiência transformadora. Os estagiários do Atomic Rocket eram colegas de aula de Pedro, o que demandou uma gerência de relações constante. Mas para quem interagia na gincana, vestido como o mascote Taz, Pedro não teve maiores dificuldades. Estudando pela manhã no campus de São Leopoldo e dividindo-se entre o Laboratório de Jogos e os estúdios de rádio em Porto Alegre, ele desdobrou-se por dois anos, mas dedica a correria, um grande ensinamento.
“Toda a interação com professores, trabalhando oito horas enquanto estudava, acabou formando o meu perfil profissional e também o meu perfil pessoal. Acabou criando um pouco de tudo o que eu acredito e que levo pra vida, em questões éticas. Como, desde o começo eu estava, ou em uma bolsa, ou trabalhando, sempre envolvido, eu tinha essa experiência de como é lidar com essa situação, universidade versus trabalho, e isso me ajudou muito”, conta.
Para ele, o contato com os professores foi primordial, porque foram nestas relações que ele encontrou incentivo e apoio para buscar o que realmente queria seguir. “Eu consegui perceber que não queria trabalhar para a indústria, especificamente. E isso ficou tão forte, que um professor conseguiu me convencer a entrar em um mestrado com ele e trabalhar em um projeto de pesquisa de pós-graduação. E isso montou o que eu quero construir daqui pra frente”.
“A amizade que eu fiz com os professores, o conhecimento que agreguei, é algo incrível que eu uso hoje, dentro do que eu faço, aquele conhecimento que foi agregado, então não eu acredito que não teria nada que eu mudaria”
Talvez o super-herói que tenha a história mais similar à de Pedro seja aquele tatuado no seu braço direito: o Homem-Aranha. O jovem nerd Peter Parker mantém dois empregos e mesmo com as dificuldades para pagar o aluguel, quando chamado, coloca sua roupa de herói e parte para salvar quem precisar de ajuda. Não que o egresso em Jogos Digitais tenha superpoderes, nem que saia espalhando teia de aranha para prender criminosos. Mas se existe algo que define Pedro é a capacidade de, mesmo com uma rotina tão difícil, encontrar um tempo para salvar a vizinhança.

Ainda enquanto estudava no Liberato, ele conheceu, por meio de um grupo de trabalho voluntário formado por uma colega, sua nova paixão: ajudar. “Nós íamos no asilo, que era um lugar com bastante necessidade, coletávamos algumas coisas e levávamos para eles. A gente fazia páscoa, fazia cestinha.”, conta. Nesta época, a roupa do mascote Taz era aliada dele, que a vestia para as ações.
Mais tarde, passou a participar do Dia Mágico, trabalho que surgiu deste primeiro contado com o voluntariado, mas, desta vez, em casas de acolhimento e abrigos de crianças. Mais tarde ainda, quando já cursava o CRAV, Pedro conheceu a LEME – Associação de Lesados Medulares – de Novo Hamburgo e passou a realizar trabalho voluntário lá.

A primeira experiência na Iniciação Científica plantou as sementes da docência em Pedro e o contato com o mercado só fortaleceu esta vontade de pesquisar. Com a pós-graduação, foi possível juntar todos os pedaços cultivados durante a graduação, e enfim, encontrar o caminho que tanto almejava. Para os próximos quatro anos, o plano é seguir no projeto em que se encontra, sendo que metade desse tempo é dedicado a pesquisa de mestrado.
“É onde estou abrindo as portas e me encontrando na questão acadêmica. Têm a questão das publicações, estou escrevendo pra revista, para artigos. Então ali eu estou me encaixando e vendo qual a linha que eu vou seguir, dentro da parte da computação. Um dos meus objetivos é dar aula, principalmente no curso de Jogos. Então, além do mestrado, continuar nessa pesquisa”, almeja.

Para quem está com o pé no início da jornada acadêmica e vê a nuvem dourada o levando para o curso de Jogos Digitais, Pedro aconselha entender a grade curricular e ser capaz de identificar se é este o caminho certo. Ele lembra que muitos colegas acabam ingressando com uma visão errada da graduação em Jogos e acabam se decepcionando logo nas disciplinas iniciais.
“Às vezes as pessoas falam ‘bah, tu gastou dois anos no cinema’. O cinema foi o diferencial pra mim. Os conhecimentos que eu trouxe de lá agregaram muito para eu conseguir olhar as coisas de uma perspectiva diferente. Eu tenho um afeto muito grande pelo curso, pelos professores”
“Não é porque tem jogos no nome que tu vais jogar. O nome engana. Se tu jogava, depois de entrar tu não vai mais, porque é muita coisa. O nosso currículo é excelente, mas é um currículo pesado, tem que se dedicar, e é bem importante ter isso em mente quando entra. Vai além do nome, vai ver o que realmente são Jogos Digitais”, aconselha.
Jogos Digitais é um dos cursos que se encontra em duas escolas: a Indústria Criativa e a Politécnica. Pedro entende isso como sendo o “casamento da técnica com a criatividade”, e por isso acredita que para se encontrar na graduação é preciso ser criativo e, ao mesmo tempo, ter foco. “Precisa pensar fora da caixa, mas precisa ter foco, porque tem matemática, tem que programar muito e fazer muito trabalho técnico”, conta.
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]]>A bolsa tem valor mensal de 400 reais e exige a dedicação de 20h semanais. A duração é de 12 meses, com possibilidade de prorrogação por mais 12. As atividades envolvem participação em pesquisa teórico-científica, organização de eventos e sistematização, catalogação e digitalização de materiais bibliográficos.
Para ser candidato à bolsa, existem algumas exigências:
— Ser brasileiro ou estrangeiro com visto permanente no Brasil;
— Estar regularmente matriculado em curso de graduação oferecido pela Unisinos durante toda a vigência da bolsa;
— Não ter vínculo empregatício nem ser beneficiário de outra bolsa concedida pela Fapergs/Capes ou de qualquer entidade semelhante, tanto em nível federal como estadual ou municipal.
Interessados devem entrar em contato com a secretaria do PPGCOM pelo telefone (51) 3591.1122, ramal 1301. É preciso preencher uma ficha de cadastro até o dia 21 de setembro de 2018. Após seleção, o candidato deve apresentar documentação pessoal e realizar cadastro no sistema SigFapergs e na plataforma Lattes.
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]]>O Programa de Iniciação Científica Júnior (ICJ) é a modalidade que mais abrange adolescentes dentre todos os programas do CNPq. Mesmo assim, ele não é suficiente. Escolas e entidades desenvolvem métodos próprios que visam incentivar a pesquisa científica entre alunos e interessados. No Rio Grande do Sul, o Colégio Luterano Concórdia e a ONG Cientista Beta são exemplos disso.
Em São Leopoldo, o Colégio Luterano Concórdia conta com atividades que fomentam a pesquisa científica. Uma delas, idealizada pelo professor Nelci Naor Senger, Diretor do Colégio, é a Feira Regional de Iniciação Científica do Colégio Luterano Concórdia (FEICICC) que em 2018 irá para a sua quarta edição. Desde 2015 foram apresentados 169 trabalhos por 458 alunos expositores. Os projetos da FEICICC podem ser escolhidos para participar da Mostratec, a maior feira de ciência e tecnologia da América Latina, que ocorre na cidade vizinha Novo Hamburgo, e também da CIENTEC, realizada anualmente em Lima, Peru.
A Coordenadora Pedagógica do Colégio, Francini Scipioni Belau, explica que a pesquisa científica da escola não é um componente curricular a mais e nem uma atividade extracurricular. O Colégio trabalha a ideia da pesquisa como um projeto inserido, e diluído, na carga horária regular. Desse modo, afirma, os professores trabalham junto com os grupos de alunos na construção teórica e prática da pesquisa e, após terem os projetos avaliados por diferentes bancas, a nota é compartilhada entre todas as disciplinas.

Para a Coordenadora, é importante incentivar a pesquisa científica porque ela amplia a visão dos alunos para questões sociais e do mundo. Ela comenta ainda que “muitas pesquisas partem do social, de algum problema que a gente tem na comunidade e que, de alguma forma, os alunos querem entender e propor uma solução. Proporcionar esse conhecimento é importante para que eles possam ter essa formação para vida, e não só para dentro da escola”.
O Colégio Luterano Concórdia tem a pesquisa inserida na rotina escolar desde a Educação Infantil. A partir do 6º ano do Ensino Fundamental os alunos precisam observar com maior rigor os passos do método científico. Anualmente o Colégio propõe um tema para as pesquisas. Neste ano, aproveitando reflexões realizadas pela ONU, o assunto gira em torno do plástico e a poluição causada pelo mesmo. Para estudantes do ensino médio, entretanto, o tema é livre
Mesmo com todo o incentivo, os estudantes ainda enfrentam problemas ao colocar em prática a pesquisa científica. “A grande dificuldade da questão científica, não só aqui, mas em várias escolas, é o tempo. Os alunos terem a disponibilidade dentro de tudo que eles ainda precisam vencer, toda a área do estudo que eles precisam dar conta, esse é um dos principais desafios”, explica a Coordenadora Francini.

O Colégio Luterano não tem vínculos com universidades. Isso faz com que os estudantes tenham que desenvolver as pesquisas em casa e não em laboratório. Por não ter ligação com o poder público, o trabalho feito pelo Colégio é inteiramente autoral. Sobre a possibilidade de implementar algum projeto do CNPq, como o ICJ, a Coordenadora diz que “é algo a ser buscado. Sabemos que a burocracia é grande, mas temos interesse, sim.”
O Instituto Cientista Beta é uma ONG cuja finalidade é fomentar a pesquisa científica. Dentro dela, há um projeto independente, o Programa de Iniciação Científica Decola Beta (PICDB), apelidado de Decola Beta. Tudo foi idealizado pela cientista Kawoana Vianna. O DB já fez parte da vida de 245 jovens em todo o Brasil. O programa foca em adolescentes a partir do 9º ano do ensino fundamental e todo o ensino médio.
A Coordenadora do PICDB, Mariana Rau, conheceu o Cientista Beta em 2016, na época em que a iniciativa ainda era um blog. Diz ter ficado encantada com o ambiente, “um espaço que tratava de ciência, mas de uma forma mais acessível e diferente”. Em pouco tempo, Mariana já era coordenadora do time de colunistas do blog. A partir de 2017, juntou-se ao grupo que coordenava e aprimorava o projeto Decola Beta, que em 2018 completa 3 anos.
Mariana teve contato com pesquisa científica só na graduação em Biotecnologia, pela Ufrgs. Ela conta ter se deparado com um ambiente diferente do que imaginava. “Eu vi um negócio totalmente louco. Pessoas dentro do mesmo laboratório competindo, sendo rivais. Fiquei meio desacreditada”, relata.
Depois de vivenciar essa realidade, Mariana viu no Decola Beta a chance de evitar que futuros pesquisadores ajam como os antigos colegas de curso. “Os jovens ainda não foram estragados e a gente tem uma chance de contagiar eles com isso. Aí, eles vão levando essa mensagem adiante, depois vão chegar na universidade e já contagiar essas pessoas porque eles têm o jeito deles de fazer pesquisa”, explica.

Ainda assim, a coordenadora não deixou de tecer críticas à educação brasileira. “A escola, hoje, não ensina jovens a pensar, ensina a passar em provas. Ensinar o jovem a fazer pesquisa é um jeito de ensiná-lo a pensar, criticar coisas, entender o porquê das coisas. Ensinar a ser um cidadão com pensamento crítico que vai saber, ao longo de toda a vida, como resolver problemas.”
O Decola Beta divide seus participantes em mentorados, ou jovens cientistas, e mentores, cuja função é orientar e auxiliar o estudante. Para participar do programa, é preciso pagar uma quantia na inscrição. O preço da edição 2018 foi de R$ 300 reais. Contudo, mais da metade dos jovens não paga. Existe um sistema de arrecadamento. Doações vindas da sociedade que são revertidas em bolsas de estudo e financiam os seis meses de pesquisa do adolescente.
Outra forma de subsistência é participar de editais produzidos por entidades como o Instituto Serra Pilheira e a Petrobras. “A gente tá buscando isso. O nosso sustento vem principalmente de prêmios em que a gente se inscreve e ganha”, conta Mariana. Alguns deles são o Social Good Brasil, Prêmio Citi Jovens Microempreendedores e SciBr Foundation.
Aluna do 2º ano do Ensino Médio do Colégio Luterano Concórdia, Maria Eduarda de Castro Estrella é apaixonada por ciência. Tem 16 anos e já participou de três feiras científicas fora do país, além de ser autora de oito projetos. O mais atual é uma parceria com o SAMU de São Leopoldo. O objetivo é a criação de um aplicativo que ajude a salvar vidas. Esse app vai possuir um geolocalizador para agilizar o início das manobras de ressuscitação em casos de paradas cardiorrespiratórias.
Nos anos passados, a estudante desenvolveu pesquisas em diferentes áreas: captação de água da chuva para regar plantas; reciclagem de resíduos; biomas do Brasil; Steve Jobs e a influência digital no mundo; doenças causadas pelo uso incorreto de agrotóxicos; câncer de mama e alimentação saudável; e hipotermia capilar. Um dos principais trabalhos de Maria, realizado em 2017, corresponde à hipotermia capilar. Trata-se da criação de uma touca térmica que reduz em 80% a queda de cabelos em pacientes durante o tratamento quimioterápico.

Todo o trabalho em pesquisa resultou em viagens pelo Brasil e internacionais. Maria participou da FEICICC, realizada no próprio Concórdia. Participou da Cientec em Lima, no Peru. Da Exporecerca em Barcelona, na Espanha. Da Milset em Fortaleza, no Ceará. Para este ano, já está credenciada para a FEBIC em Jaraguá do Sul, em Santa Catarina.
A estudante possui no repertório histórias sobre o alcance dos projetos realizados. Em Barcelona, um taxista agradeceu pela touca térmica. “A cunhada do taxista estava iniciando o tratamento de quimioterapia e ela não queria que os cabelos caíssem. Ele (taxista) pediu uma touca para ela utilizar e eu dei. Além deste fato, a primeira paciente que utilizou (a touca) tinha a minha idade e isso me marcou muito”, revela.
Maria Eduarda pretende seguir carreira na pesquisa, afinal, segundo ela, “nossa vida é baseada em pesquisas”. Ela até já decidiu a graduação. Vai fazer medicina e atuar na área desportiva. Pretende pesquisar e melhorar o desemprenho de atletas, auxiliando o Brasil a conquistar mais prêmio e medalhas. “Ver o sofrimento das pessoas e conseguir diminuir um pouco não tem preço, fico muito feliz”, conta.
Jaqueline Dahmer Steffenon, 20, foi mentora do projeto Decola Beta em 2017. Acostumada com a prática da pesquisa durante o ensino médio, na Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha, comentava com uma amiga sobre sentir falta de trabalhar com ciência. Durante essa conversa, Jaqueline descobriu o DB. Mentorou o trabalho do carioca Eder Luiz Gomez.

“Quando eu terminei o ensino médio, senti que aquela experiência tinha sido tão boa que eu precisava fazer com que outras pessoas também tivessem”, lembra Jaqueline. Hoje, além da graduação, ela atua no time de tecnologia do Cientista Beta. “Eu acho que a cabeça de quem faz pesquisa no ensino médio muda muito. Eu não vejo como seria a minha vida agora se eu não tivesse feito pesquisa. Eu não vejo mais as coisas como algo desafiador, mas algo que eu consigo fazer”, explica.
Tendo como modelo a frase “O pesquisador vale mais que a pesquisa”, Jaqueline conta que nenhuma pesquisa teve mais valia do que o crescimento pessoal que obteve. “As pesquisas me impactaram muito mais do que eu impactei elas”, reflete. Mesmo tendo atuado na área, Jaqueline não tem certeza sobre seguir carreira na pesquisa. Com um pé na ciência e outro no empreendedorismo, em 2017 tentou formar uma startup para um projeto pessoal, um aplicativo para pessoas surdas chamarem o SAMU.
Amanda Bihenck Mendes, 18, e Luisa Adams Fank, 17, são estudantes da Fundação Liberato, de Novo Hamburgo. Em 2018, via internet e colegas, ambas conheceram o projeto Decola Beta e resolveram, juntas, participar. Tendo como mentora a paulistana Mariana Teixeira, a dupla desenvolve um projeto para combater Biofilmes.
Biofilmes são micro-organismos em conjunto e enredados. Na indústria alimentícia, essas formações são comuns e causam problemas quando consumidas junto do alimento. Durante o processo de fabricação de carnes embutidas, como o patê, biofilmes ficam encrustados nos equipamentos e dificultam todo o processo. O projeto de Amanda e Luisa visa otimizar esse trabalho ao acrescentar cloreto de magnésio na carne, evitando a formação dos biofilmes no alimento e equipamentos.

O projeto, que pode causar grande impacto, vem do gosto por ciência e pela pesquisa. Luisa teve contato com a prática durante a matéria de Projeto de Pesquisa. No caso de Amanda, o ensino fundamental não incentivou a área. Ela relata que “você não tem conhecimento desse mundo, e daí te apresentam pra uma coisa nova onde o que você pensa é importante. Você pode mudar alguma coisa. Acho que isso é o que mais motiva”.
Ela acredita que o contato com outros projetos e ideias é uma maneira de ver a ciência com outros olhos, em especial porque os primeiros incentivos escolares mostram uma ciência automática, engessada. Amanda também ressalta que, através do projeto DB, é comum encontrar adolescentes que, mesmo sem estrutura, fazem o possível para manter a prática. “Às vezes, eu paro pra pensar nas pessoas da escola que não aproveitam as oportunidades. A gente tem tudo que precisa ali ou a gente recorre pra Unisinos ou pra UFRGS”.

O apoio familiar, ou a falta dele, também serve como o combustível que incentiva as garotas. No caso de Luisa, mesmo que ela tente explicar, a família não compreende com clareza o projeto no qual trabalha e o que significa lidar com ciência. Mesmo assim, quando Luisa demonstrou interesse em participar do Decola Beta, a mãe foi firme ao incentivar, mesmo tendo de pagar. “Acho que no que podem, eles tentam ajudar”, comenta.
Para Maria Eduarda, o incentivo à ciência sempre existiu. Filha de um médico e de uma enfermeira, já nasceu com um pé na pesquisa. “Eles sempre estão me apoiando, seja financeiramente nas inscrições e viagens, seja através de apoio intelectual”, relata.
A realidade de Amanda é diferente. Em casa, quando se trata de pesquisa científica, a mãe não presta atenção na prática. “Ela não está muito presente, não faz muita questão”. Ainda assim, a falta de apoio não é motivo para desistência. “Isso não é uma coisa que me desmotiva. Pelo contrário, eu vou tentar crescer e mostrar pra ela. Eu me sinto desafiada”.
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]]>Em todas as edições é perceptível o aperfeiçoamento dos trabalhos apresentados, assim como o interesse dos alunos no desenvolvimento de novas pesquisas acadêmicas. A professora doutora Cybeli Moraes, coordenadora da Agência Experimental de Comunicação da Unisinos, participa das bancas avaliadoras há quatro anos. “Nós tivemos uma melhoria significativa na qualidade descritiva dos resumos. Estavam muito ricos, com temas atuais, estudos conectados com a realidade. Foi um ganho expressivo de uns anos para cá. Nas apresentações, os alunos estavam bem preparados, mesmo os iniciantes”.

Verônica Torre, estudante de Jornalismo, apresentou o Trabalho de Conclusão de Curso O agendamento de fãs do Comic Con Experience através das redes sociais. “Essa mostra foi uma boa preparação para a banca do TCC”, conta. Ela é bolsista de Iniciação Científica e quer seguir no ramo de pesquisa, assim como no jornalismo cultural. “A pesquisa acadêmica precisa de novos horizontes, uma renovação das teorias. Na iniciação tu és apresentado a teorias de grandes estudiosos que pouco se ouve, até chegar no TCC. João Freire Filho, Henry Jenkins e Pierre Lévy são exemplos fortes disso”, diz Verônica.
Outra graduanda presente na atividade foi Milena Riboli, que apresentou a pesquisa Relações fãs-artistas e os processos de identificação na Cultura Pop. Assim como a colega Verônica, ela tem planos de permanecer com estudos acadêmicos e acredita que a iniciação científica a abriu muitas portas e foi importante ao preparar o TCC. “Pretendo seguir na área, que é com o que melhor me relaciono, acredito. São áreas amplas e sempre estão proporcionando outros pontos de vista e investigações a serem feitas. Então, é isso que torna a pesquisa mais desafiadora e menos monótona também”, comenta Milena.

Envolver-se em eventos como esse são muito relevantes para todos os estudantes, principalmente, para os que estão finalizando o curso, assim como para os professores. Além de conhecer os projetos em desenvolvimento em diferentes instituições de Ensino Superior, novas ideias podem aparecer e inspirar temas neste momento da graduação. “Todo sentido da pesquisa acadêmica é circulação de conhecimento, então a mostra cumpre esse papel. É muito positivo ver intercâmbios entre as instituições e o mais legal é perceber as universidades, os alunos e pesquisadores interessados em temas que precisamos saber hoje em dia”, salienta Cybeli.
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]]>Mas por que gênero, uma temática tão debatida na internet, ainda anda nas margens do jornalismo? A resposta pode ter origem na formação dos profissionais e professores da academia. Na qualificação da tese de doutorado, o jornalista Tainan Pauli Tomazetti realizou um mapeamento das teses e dissertações de comunicação pelo Brasil, que abrangem a temática no período de 2010 a 2015. Ele descobriu que, dos 4643 trabalhos produzidos, apenas 93, ou 2% do total, tiveram relação a estudos de gênero. Deste número, 25 ligam o assunto com jornalismo.
A jornalista e pós-doutoranda em Comunicação pela Unisinos Márcia Veiga da Silva é responsável por duas das 25 pesquisas citadas acima. Ela ingressou na área de gênero há 18 anos, quando trabalhava como assessora de imprensa na ONG feminista Themis: Assessoria Jurídica e Estudos de Gênero. Foi na organização, acompanhando os estudos de antropólogas e juristas, que surgiu o interesse no tema.
Márcia tem dupla formação: em gênero e em jornalismo. Mas foi somente em 2008, com o projeto de mestrado, que passou a ser, oficialmente, uma pesquisadora de gênero. Ela atribui o baixo número de produções acadêmicas sobre o tema e a falta de espaço na agenda dos veículos ao déficit na formação dos profissionais. “Isso acontece muito porque as sistemáticas não são trazidas, não fazem parte da formação dos professores, não está na universidade de uma forma oficializada”, salienta.
Durante o mestrado, a jornalista passou três meses acompanhando a rotina de produção de um telejornal do Estado. Ela analisou a linguagem utilizada pelos agentes nas reportagens, o discurso e saberes que circularam no local e as relações entre os profissionais. A dissertação resultou no livro Masculino, o gênero do Jornalismo. “No meu estudo de mestrado, eu entendi que o jornalismo possuía gênero, e era masculino”, afirma Márcia.
Nas teorias do jornalismo, a Teoria Construcionista, que fala sobre o papel do jornalismo na construção social, tem como uma de suas linhas principais a inexistência de uma linguagem neutra. Portanto, a escolha das palavras pelo profissional tem forte poder discursivo. Nos estudos de gênero, e segundo a qual Márcia segue, a corrente do pensamento pós-estruturalista, destina um papel importante para a linguagem.
Para a pesquisadora, o jornalismo reproduz a heteronormatividade da sociedade, que corresponde a norma geral de valorizar não só mais aos homens, mas aos atributos considerados do masculino – força, proatividade, competitividade, individualismo, relações de autoritarismo. Possuir estes valores permite, nas palavras de Márcia, “melhores condições de acessar o poder e o prestígio, não apenas na sociedade de forma geral, mas no jornalismo em particular”.
“Na hierarquia das notícias, as que têm mais prestígio e mais valor são as hard news, que são as informações duras e fortes. Aí a gente começa a olhar pela linguagem. De que campo são as hard news? São do campo da política, polícia, economia. Campos historicamente ocupados por homens. Outra coisa que acho interessante a gente pensar no masculinismo do jornalismo: o furador, o jornalista furador, que persegue o furo”, instiga Márcia.
Os estudos de gênero deram os primeiros passos no Brasil no final dos anos 70, quando as temáticas feministas começaram a reivindicar espaço na agenda política. Mas foi na década seguinte que pesquisadoras começaram estudos sobre o assunto. Inicialmente, preocupadas com as relações de trabalho entre homens e mulheres, as pesquisas passaram a problematizar estas desigualdades em diferentes âmbitos.

Contudo, como explica Márcia, estas análises não possuíam um bom valor na hierarquia do conhecimento, apesar de existirem dentro das universidades, e, portanto, eram tratadas como assuntos menores, vistas com desconfiança. Foi somente em 2015, com a efervescência da primavera feminista, onde a internet ocupa um papel importante na ampliação da circulação de saberes, que os estudos de gênero ganharam força no Brasil.
A partir da ascensão da internet, as pautas feministas passaram a ganhar grande circulação e repercussão. Nos anos seguintes a 2015 diversos acontecimentos tomaram as mídias sociais e engajaram o público mais jovem. A emblemática propaganda do O Boticário, no dia dos namorados de 2015 – que demonstra dois casais homoafetivos se abraçando – foi espalhado pelas redes, recebendo desde ameaças de boicote a marca a mensagens de apoio.

A repercussão da propaganda foi tema do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Francielle Esmitiz, hoje mestranda em comunicação pela Unisinos. Ela teve o primeiro contato com estudos de gênero em 2014, quando ingressou na Iniciação Científica, mas sem orientação específica. “Eu e o Christian (colega de IC na época) fomos muito metidos. A gente teve muita dificuldade e acabou começando por textos muito difíceis”, explica.
Pensando em oferecer suporte teórico para as novas pesquisas atravessadas pelas temáticas de gênero, o Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM) da Unisinos, conta, desde o primeiro semestre deste ano, com uma disciplina de gênero. Intitulada “Seminário da Linha de pesquisa 2 – Introdução ao conceito de gênero como categoria analítica e epistemológica para pensar a alteridade nas relações de poder-saber a partir do jornalismo”, ministrada por Márcia Veiga. Ela integra o quadro de pesquisadores da Unisinos desde 2015, quando conquistou uma bolsa para realizar o pós-doutorado.
“Eu, sendo uma pesquisadora da área e com o tema em destaque nos últimos tempos, percebo também que posso contribuir com essa expertise. Por isso, surge esta disciplina a fim de contribuir com alunos e alunas que estejam com diferentes atravessamentos. Mesmo que não diretamente, gênero seja algo central nos seus trabalhos e sempre penso que trazer este aporte e poder pensar sobre é fundamental”, enfatiza a professora.
Apesar de ser eletiva, a disciplina conta com um número significativo de participantes e se configura como uma das turmas mais cheias do semestre. São 14 alunos de diferentes cursos e linhas de pesquisa do programa estudando as relações entre gênero e jornalismo. Márcia conta que a ideia é trabalhar com os estudantes para que eles possam perceber, como as questões de gênero operam em relações de poder.
Outra iniciativa que vem surgindo dentro do PPGCOM da Unisinos é um grupo de estudos sobre gênero, formado por alunos do mestrado e doutorado. Francielle faz parte do grupo e conta que, mesmo em fase inicial, eles já conseguiram promover encontros com leituras de textos e diferentes materiais sobre o tema.
O próximo passo inclui estender o projeto para a graduação. “Nos cursos da comunicação não tem nenhuma disciplina de gênero. Quando eu fiz o meu TCC vi como seria bom ter uma disciplina, um encontro, um grupo, alguma coisa que pudesse dar este suporte”, conta Fracielle.

No dia 16 de março, o jornal El País anunciou a criação de uma nova figura em seu corpo editorial: uma editora de gênero. Segundo o veículo, a jornalista Pilar Álvar tem sob sua responsabilidade planejar e melhorar a cobertura sobre o assunto. Pilar trabalha no jornal desde 2007 e é especializada em temas de igualdade.
Em comemoração ao dia internacional contra a LGBTQfobia, o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) lançou o Manual de Comunicação LGBTI+. Carregado de novos conceitos e terminologias, a publicação serve também como um dicionário, orientando estudantes e profissionais durante sua escrita.
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]]>Do número total de resumos submetidos, 94 são externos à Unisinos, oriundos de 15 instituições de Ensino Superior da região Sul. Além das apresentações orais, o evento promove oficinas e rodas de conversa sobre pesquisa. A Mostra movimenta todas as Escolas de conhecimento da universidade: Humanidades, Saúde, Indústria Criativa, Direito, Gestão de Negócios e Politécnica.

Na segunda-feira, dia 4, uma palestra abre o evento e dá as boas-vindas aos estudantes. As professoras Dra. Karine Freire, do Programa de Pós-Graduação (PPG) em Design e Dra. Maria Cláudia Dal Igna, do PPG em Educação, e a Dra. Márcia Veiga da Silva, do Programa Nacional de Pós-Doutorado (PNPD) de Comunicação, na Unisinos, são as convidadas. O tema desta edição será “A diversidade na pesquisa científica: diferentes olhares e espaços de trabalho”, sob mediação de Camila Kehl, da Rádio Unisinos. O encontro inicia às 19h30min, no Anfiteatro Pe. Werner.
Os trabalhos e horários das apresentações orais podem ser conferidos aqui no link. A inscrição para assistir as apresentações, participar das oficinas e rodas de debate, está disponível na página de eventos da Unisinos.

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]]>O evento é resultado de ações conjuntas das Unidades Acadêmicas de Pesquisa e Pós-Graduação e de Graduação da Unisinos. Nesta edição, serão apresentados também muitos trabalhos de outras universidades, como parte de um intercâmbio com Programas de Iniciação Científica e Tecnológica de Instituições de Ensino do Rio Grande do Sul e até de outros Estados.
Cada estudante pode submeter apenas um trabalho para a Mostra. Após a inscrição, o resumo será avaliado por um comitê, entre 5 e 12 de abril. Os estudantes que tiverem trabalhos aprovados serão informados por e-mail. Para eventuais dúvidas, é possível fazer contato pelo e-mail mostra@unisinos.br. É importante frisar que toda a comunidade acadêmica está convidada a prestigiar a Mostra.
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