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Arquivos imagem - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/imagem/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Thu, 29 Apr 2021 12:03:54 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.2 Curso de Fotografia da Unisinos completa dez anos https://mescla.cc/2021/04/28/curso-de-fotografia-da-unisinos-completa-dez-anos/ https://mescla.cc/2021/04/28/curso-de-fotografia-da-unisinos-completa-dez-anos/#respond Wed, 28 Apr 2021 18:27:59 +0000 http://mescla.cc/?p=14916 Em 2021, a graduação em Fotografia da Unisinos festeja dez anos do início de suas atividades. Para relembrar como tudo começou e analisar o contexto da profissão de fotógrafo nesta última década, o Mescla conversou com três pessoas que tiveram – e ainda tem — um lugarzinho guardado na história do curso: Beatriz Sallet (primeira […]

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Em 2021, a graduação em Fotografia da Unisinos festeja dez anos do início de suas atividades. Para relembrar como tudo começou e analisar o contexto da profissão de fotógrafo nesta última década, o Mescla conversou com três pessoas que tiveram – e ainda tem — um lugarzinho guardado na história do curso: Beatriz Sallet (primeira coordenadora), Timóteo Flores (primeiro formando) e Marina Chiapinotto (atual coordenadora). 


Marina Chiapinotto


“É um curso que foi aprendendo
a se atualizar e amadureceu muito
bem ao longo do tempo”

Cada vez mais, a fotografia é usada como uma forma de comunicação, segundo Marina. Por isso, hoje, o fotógrafo precisa ser multifacetado (Foto: arquivo pessoal)


Jornalista profissional, com Especialização em Projetos de Mídia e Mestrado em Ciências da Comunicação, Marina iniciou na fotografia pelo fotojornalismo. Sua carreira como professora no Ensino Superior começou em 2008. Em 2012, entrou para o corpo docente do curso de Fotografia da Unisinos. Em 2018, aceitou o convite e assumiu a atividade de coordenação. Marina tem se dedicado a trabalhar com fotografias autorais e documentais desde 2016.


Para Marina, o curso sempre foi direcionado para aproveitar as mudanças no mercado de trabalho e na tecnologia. “É uma graduação que foi aprendendo a se atualizar e amadureceu muito bem ao longo do tempo”, avalia. A professora entende que esse amadurecimento, adaptação e atualização do curso aconteceu naturalmente, já que a profissão de fotógrafo mudou bastante na última década. 


Há dez anos, lembra Marina, a atuação de um fotógrafo era ainda muito nichada. Por conta disso, os alunos que chegam nesse momento no curso têm uma visão diferente daqueles que frequentaram as primeiras turmas. “Em 2011, muitos estudantes já trabalhavam na área e buscavam apenas uma certificação. Hoje em dia, é diferente. Muitas vezes, o aluno entra sem conhecer nada de fotografia com a intenção de aprender, de fato, na universidade”, explica.


O mercado de trabalho e as redes sociais foram aspectos que também modificaram consideravelmente a atividade de fotógrafo, acredita Marina. Para a coordenadora, a área de eventos está no topo da pirâmide das oportunidades de trabalho, diferente de dez anos atrás, quando o posto era ocupado pela fotografia de moda. “As mídias sociais são o principal portfólio do profissional hoje em dia. Cada vez mais, a fotografia é usada como uma forma de comunicação. Por isso, hoje, o fotógrafo precisa ser multifacetado”, afirma. 


Beatriz Sallet


“O curso foi constituído sobre
três pilares: excelência técnica,
excelência estética e a reflexão
do fazer fotográfico”

Beatriz acredita que as redes sociais limitaram um pouco a prática profissional do fotojornalismo (Foto: Carina Mersoni)


Beatriz descobriu que gostava de atuar como repórter fotográfica ainda quando cursava o segundo ano de Jornalismo. Formada, começou a carreira em 1996 como fotojornalista freelancer e assessora de imprensa. Tempos depois, já como professora na Unisinos, ajudou a idealizar o curso de Fotografia, que estreou em 2011. Beatriz foi a primeira coordenadora, cargo que atuou até 2018. Atualmente, segue como professora. “O curso foi constituído sobre três pilares: excelência técnica, excelência estética e a reflexão do fazer fotográfico”, recorda.


Assim como Marina, Beatriz enxerga que o curso está sempre em atualização e amadurecimento. Ainda assim, na opinião dela, é uma área que carece de mais estudo. “Quanto mais formos alfabetizados para a imagem, melhor será, já que vivemos em um mundo com enorme demanda de exposição de imagens”, salienta.


As redes sociais limitaram um pouco a prática profissional do fotojornalismo, acredita Beatriz. “A facilidade de ter uma câmera no telefone nas mãos da maioria da população democratizou a produção desse tipo de fotografia, mas acabou tirando um pouco de espaço de profissionais dessa área”, analisa a professora. 


Beatriz percebe que, agora, todos os alunos são nativos digitais e estão extremamente familiarizados com as novas tecnologias. Mas, comparando com dez anos atrás, a professora observa que os novos estudantes estão chegando com menos conhecimento sobre o que é fotografia. “É por isso que, no curso, o aluno irá aprender a história da fotografia, em como chegar nos três pilares essenciais e, principalmente, em como exercer o seu olhar fotográfico”, sublinha. 


Timóteo Flores


“A graduação é o que há de mais importante. Foi uma realização pessoal muito grande, além de ter me dado muita referência e contato para o seguimento na profissão”

Timóteo pensa que a graduação é o que há de mais importante. Foi uma realização pessoal e deu a ele referências e contatos para o seguimento na profissão (Foto: Arquivo pessoal)


Timóteo tornou-se fotógrafo por hobby. Ele entrou no curso de Fotografia da Unisinos quase que por acaso. “Eu ia me inscrever no vestibular para Publicidade e Propaganda e, no dia, fiquei sabendo da existência da graduação em Fotografia”, lembra. 


Natural de São Leopoldo, o fotógrafo foi o primeiro graduado do curso. “A graduação é o que há de mais importante. Foi uma realização pessoal muito grande, além de ter me dado muita referência e contato para o seguimento na profissão”, revela. 


Timóteo trabalha desde 2014 com fotografia de esportes e eventos, além de atuar como freelancer em fotografia de publicidade. Para ele, a ajuda e oportunidades dadas por professores foram essenciais para o seu crescimento no mundo da fotografia. “Trabalhei em alguns lugares por indicação de professores. Eles sempre tiveram a intenção de que o aluno aprendesse o máximo possível no curso, por isso eram muito atentos e prestativos”, comenta. 


Para o egresso, o mercado da profissão mudou bastante ao longo desses dez anos. “Atualmente, ficou mais fácil de entrar nesse ambiente, mas mais difícil de se destacar. Hoje em dia, comprar uma câmera e iniciar uma carreira acontece de maneira mais democrática. Agora, como as redes sociais tornaram todos em produtores de conteúdo e imagem, ficou mais complicado ter um trabalho reconhecido no meio de tantos”, afirma Timóteo. 


Dez anos em… imagens, claro!


A seguir, uma pequena amostra de trabalhos realizados por alunos que foram destaque na última década. 

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Microssérie explora o território nas atividades comunicacionais https://mescla.cc/2020/10/22/microsserie-explora-o-territorio-nas-atividades-comunicacionais/ https://mescla.cc/2020/10/22/microsserie-explora-o-territorio-nas-atividades-comunicacionais/#respond Thu, 22 Oct 2020 18:20:53 +0000 http://mescla.cc/?p=14201 Você tem curiosidade em estudar como os territórios impactam nas diversas atividades comunicacionais? Uma boa oportunidade de se inteirar e aprofundar mais sobre o assunto é assistir a microssérie “Territórios Afetivos da Imagem e do Som”, disponível no canal do projeto no YouTube. Nos três episódios, que possuem duração aproximada de 15 minutos cada, 12 […]

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Você tem curiosidade em estudar como os territórios impactam nas diversas atividades comunicacionais? Uma boa oportunidade de se inteirar e aprofundar mais sobre o assunto é assistir a microssérie “Territórios Afetivos da Imagem e do Som”, disponível no canal do projeto no YouTube.


Nos três episódios, que possuem duração aproximada de 15 minutos cada, 12 pesquisadores ligados ao projeto refletem sobre as próprias pesquisas, lembram suas trajetórias acadêmicas e vislumbram o futuro da área em meio aos processos turbulentos dos dias atuais.


Os vídeos são resultado do projeto de pesquisa “Cartografias do Urbano na Cultura Musical e Audiovisual: Som, Imagem, Lugares e Territorialidades em Perspectiva Comparada”, criado em 2013 a partir de edital do Programa Nacional de Cooperação Acadêmica (CAPES/PROCAD). Por trás do estudo estão pesquisadores de três universidades brasileiras. O grupo de professores formou, assim, uma rede brasileira de estudos sobre o universo midiático que circula pelas ambiências digitais.


Território


A microssérie faz um esforço para explicar como a pesquisa teórica na área pode beneficiar o dia a dia de estudantes e pessoas pouco familiarizadas com a temática. Adriana Amaral, professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM) da Unisinos, foi uma das coordenadoras do projeto. Ela cita a pandemia como um dos exemplos mais fáceis para visualizar a proposta do estudo. “Agora, com o isolamento social, temos um problema que tem a ver com o nosso território. Ficamos restritos a um espaço físico menor para nos movermos. Ao mesmo tempo, aumentou o acesso às plataformas de streaming.” 


Pode-se dizer que é um projeto que estuda as práticas comunicacionais tanto nas redes quanto nas ruas. “Tem impacto direto em como a sociedade lida com a cultura, com fenômenos de produção cultural, por meio de videoclipes, de mobilizações nesses territórios. E até como lida com o barulho do vizinho”, exemplifica Adriana.

Primeiro episódio: a importância de se entender a comunicação como um lugar de produção de sentidos, portanto, de invenções (Imagem: reprodução do YouTube)


A pesquisa se divide em vários focos, entre música e som, tudo reunido sob a noção de que o território modifica os significados. Os pesquisadores se aprofundaram no cinema nacional contemporâneo, no cinema internacional, nas paisagens ou na música da periferia. Esse é o debate principal do primeiro vídeo da microssérie, que destaca também a importância de se entender a comunicação como um lugar de produção de sentidos, portanto, de invenções. 


Para Adriana, é primordial que a comunicação consiga enxergar as imagens e os sons, a música, o cinema e até mesmo a arte como parte parte do território. “Esse é um debate sobre a sociedade e o espaço de todos as pessoas, já que, ocasionalmente, acompanhamos processos de ataque à gêneros musicais populares, como o funk”, explica. No primeiro episódio, os pesquisadores reforçam a chamada de atenção para a quantidade de informação que é debatida, reforçada pela própria música popular brasileira. 

Segundo episódio: o debate acompanha a performance das pessoas nas redes sociais, com enfoque nos indivíduos pesquisados  (Imagem: reprodução do YouTube)

No segundo episódio, o debate gira em torno dos comportamentos urbanos e como eles se relacionam com a cultura digital, em que as redes digitais possibilitam o crescimento de comunidades. Nesse ponto, ainda que altamente teórico, o debate acompanha a performance das pessoas nas redes, com enfoque nos indivíduos pesquisados pelos envolvidos no projeto, e as imagens que se tornam virais, com um significado criado pela própria imagem. Além disso, os pesquisadores também trabalham com ativismos de fãs, imagem e sexualidade, e vários elementos que se relacionam com imagens vistas todos os dias pela sociedade.


Questões como cancelamento, retratação pública, readaptação de performance e cyberbullying são alguns dos desdobramentos que implicam interesse para fora da academia. “Os memes, as imagens virais, o ressignificado de imagens por fãs ou internautas são assuntos que acabam se relacionando com a pesquisa, e é essa troca que os pesquisadores comentam no segundo curta”, detalha a professora Adriana.

Terceiro episódio: globalização e desigualdade com o avanço do cenário musical nas redes  (Imagem: reprodução do YouTube)


No episódio 3, a cultura pop assume a frente da discussão, já que, apesar da premissa de ser global, sofre marcação do território onde é produzida ou consumida. “Um exemplo são os videoclipes de funk que conquistaram o mundo a partir de cantoras nacionais, como Anitta e Ludmilla, que são rotulados como periféricos, mas saem desse território”, sublinha Adriana. Nessa discussão, os pesquisadores misturam globalização e desigualdade com o avanço do cenário musical nas redes.


O projeto


A pesquisa, que chegou ao fim em 2020, analisa o cenário político e cultural que mudou radicalmente nos sete anos de duração do projeto, e trespassa as informações do contexto com o conhecimento produzido pelos 12 pesquisadores associados. Além da Unisinos, participam a Universidade Federal Fluminense (UFF), com a coordenação de Simone Pereira de Sá, e a Universidade Federal de Pernambuco (UFP), com coordenação de Jeder Janotti Junior


Além da microssérie, as trocas de conhecimento e os cursos promovidos pelo grupo de pesquisa ganharam os espaços acadêmicos por meio de outros materiais. “Produzimos várias publicações, capítulos de livros, e agora vão sair dois e-books pela editora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que não participou da pesquisa, mas veio ajudar na questão dos livros”, conta Adriana. Será lançado até o final do ano um documentário em versão extendida, além de um episódio no podcast Diva Pop. O projeto promoveu ainda um seminário, cujas mesas estão todas disponíveis no Facebook


Segundo Adriana, houve o cuidado da produção ir além da entrega acadêmica tradicional, que são os capítulos dos livros e artigos. “A gente queria ter um pé muito forte nessa questão dos produtos midiáticos, na popularização da ciência. Fazer circular esses materiais”, enfatiza a pesquisadora.

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Alunos da Unisinos marcam presença no Festival de Cinema de Gramado https://mescla.cc/2019/08/14/alunos-da-unisinos-disputam-kikitos/ https://mescla.cc/2019/08/14/alunos-da-unisinos-disputam-kikitos/#respond Wed, 14 Aug 2019 17:58:44 +0000 http://mescla.cc/?p=10893 O Festival de Cinema de Gramado contará, neste ano, com a participação de duas produções de alunos do Curso de Realização Audiovisual (Crav) e Publicidade e Propaganda da Unisinos. Os filmes É assim que você parece e Who’s that man inside my house estarão entre os 20 curtas gaúchos que vão competir em 12 categorias, […]

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O Festival de Cinema de Gramado contará, neste ano, com a participação de duas produções de alunos do Curso de Realização Audiovisual (Crav) e Publicidade e Propaganda da Unisinos. Os filmes É assim que você parece e Who’s that man inside my house estarão entre os 20 curtas gaúchos que vão competir em 12 categorias, entre elas, “melhor edição de som”, “montagem” e “roteiro”. 

“É muito legal ver curtas universitários competindo com cineastas experientes dentro dessa mostra”, avalia Daniela Mazzilli, coordenadora de conteúdo do Festival. “É uma oportunidade deles estarem em contato com o mercado em si, conhecendo a realização do Festival e como ocorre a circulação dos filmes, que é extremamente importante para eles”, comenta Daniela.

Com quase cinco décadas ininterruptas acompanhando o cinema nacional, o Festival de Cinema de Gramado é o mais longevo do Brasil. Já apresentou filmes consagrados, como Toda Nudez Será Castigada, de Arnaldo Jabor. 

O Mescla conversou com alunos envolvidos na produção dos filmes que estarão em Gramado. Confira:

É assim que você parece (2018)

Crédito: Pedro Valadão

O filme é sobre duas pessoas: um jovem e um senhor. É essencialmente sobre comunicação. Ele mostra pedaços do cotidiano dos dois e como eles se separam e se intercalam, como se comunicam com outras pessoas e como as mudanças da comunicação de hoje influenciam na vida de pessoas de outras gerações

Pedro Valadão, diretor e roteirista

Devia ser apenas mais uma atividade do terceiro ano do curso de Realização Audiovisual (Crav), mas para Pedro Valadão, um jovem de 20 anos que trabalha com edição e montagem, foi mais do que isso. “A gente finalizou o filme em novembro do ano passado. Ele foi concluído como uma atividade acadêmica, mas também era um filme pronto, em que as pessoas assinavam direção, produção e fotografia. Eu inscrevi ele na mostra de curtas nacionais do Festival de Gramado, mas ele não foi selecionado”, conta o estudante. Mas sua chance não se perdeu, pois a Universidade elegeu cinco filmes e inscreveu na mostra de curtas gaúchos. Foram 20 selecionados, entre eles, o filme É assim que você parece. 

Em 2017, Pedro já tinha levado um dos seus trabalhos ao festival, uma produção em stop motion, que nasceu durante a disciplina de Animação. Desde 2016, ele trabalha com edição de vídeo e fotografia. Já fez trabalhos para algumas bandas, mas começou a levar a edição de vídeo a sério em 2018. Foi quando se tornou assistente de montagem do longa “Nuvem Rosa”, filmado aqui no Rio Grande do Sul. Segundo ele, a faculdade o ajudou a confiar na sua produção. “Ao longo do curso, nós encaramos nossos trabalhos como exercícios. Quando um filme que tu faz dentro da faculdade, com pouquíssimo dinheiro e recursos restritos, é elegido pela coordenação para ser indicado ao festival, e o festival seleciona esse filme, é extremamente positivo. Você percebe que o recado dos professores é o seguinte: okay, você pode encarar isso como um exercício, mas se colocar esforço  suficiente, você pode fazer mais que isso”, conta o estudante. 

Pedro não fez nada sozinho. Ele contou com a ajuda de outros colegas do curso, como Julia Flores, de 21 anos, que fez a produção do filme. “Foi um processo superimportante e de muita aprendizagem para mim, como estudante de cinema. Eu pude colocar em prática todos os conhecimentos adquiridos durante a faculdade e visualizar melhor todo o processo de realização de um filme”, diz a jovem. 

Who’s that man inside my house (2019)

Crédito: Lucas Reis

O filme tem dois personagens. A sinopse é de um jovem que começa a ver uma entidade na sua casa. Então, ele passa a tirar fotos com uma câmera analógica, mas ninguém consegue ver, porque somente ele vê a entidade, que não faz nada, só fica parada. Esteticamente, a gente usou muito a referência daquele documentário sobre paralisia do sono chamado The Nightmare

Lucas Reis, diretor e roteirista

Este é o segundo ano consecutivo no Festival de Cinema de Gramado de Lucas Reis, estudante do curso de Publicidade e Propaganda da Unisinos. No ano passado, ele participou com o filme Abismo. Agora, o jovem cineasta decidiu apostar no gênero de horror: “Who’s that man inside my house é um filme de horror alegórico. Então, ele não tem uma trama convencional, com um enredo que tenha plot final. Ele fala de uma situação vivida por mim na família durante as eleições de 2018″, revela.  

Lucas fez dos seus sentimentos um enredo ficcional, e deu certo. O filme já foi apresentado no Fantaspoa, o maior festival de cinema fantástico da América Latina. Recentemente, a produção também foi anunciada no Macabro Film Festival, que ocorre no México. “Eu fico muito contente, porque é meu segundo ano consecutivo no Festival de Cinema de Gramado. Este ano, espero que os administradores públicos tenham um olhar mais atento às políticas de fomento ao audiovisual, porque estamos vivendo um momento bem turbulento”, diz o estudante, que, além da direção e do roteiro, foi um dos responsáveis pela produção executiva, trilha musical, trilha sonora original e montagem.

Para Lucas, cinema é um trabalho coletivo que necessita de pessoas para fazer um bom filme. “Felizmente, eu tenho essas pessoas. Sempre que eu convido, eles topam, até mesmo trabalhar de graça. Ser premiado é muito legal, não apenas por mim, mas pela galera que trabalhou junto”, conta Lucas, que também é laboratorista audiovisual na Unisinos.

Lá vem história

Coordenador do Curso de Realização Audiovisual, Milton do Prado conta que o Festival é vitorioso por ser um dos únicos garantidos neste ano, oficializado pelo Instituto Nacional de Cinema. A primeira edição ocorreu em 1973, resultado de uma parceria entre a Prefeitura Municipal de Gramado com a Companhia Jornalística Caldas Júnior, a Embrafilme, a Fundação Nacional de Arte e as secretarias de Turismo e Educação e Cultura do Estado. Naquele Verão, de 10 à 14 de janeiro, o Kikito, “deus da alegria”, estatueta criada por Elizabeth Rosenfeld, foi apresentado ao mundo. 

A década de 80 trouxe a ascensão do Festival no país. “Quando eu comecei a me interessar por cinema, nos anos 80, mesmo morando fora, a gente tinha uma referência muito grande do Festival de Gramado. Íamos atrás dos filmes que tinham ganho o Festival, como o Homem da Capa Preta“, lembra o coordenador. Para ele, o sucesso se deu graças ao aprimoramento das discussões sobre arte e cultura nos diversos espaços. 

Porém, a década de 1990 presenciou a quase extinção da cinematografia nacional, durante o governo de Fernando Collor. Assim, o Festival optou por uma mudança que lhe garantiu a sobrevivência: tornou-se uma edição ibero-americana, a partir de 1992. Segundo Milton, o Festival enfrentou dificuldades no início dos anos 90, quando a Embrafilme foi extinta. “A produção caiu muito Então, o evento se tornou ibero-americano e, depois, latino-americano. Assim, foi encontrando sua cara, mas não voltou a ser somente brasileiro. Foi uma estratégia boa de sobrevivência, mas não sem consequências”, diz Milton. 

O coordenador conta que a seleção dos filmes tornou-se questionável: “Se presta pouca atenção nos filmes latinos, porque aparentemente são de pouca relevância”, comenta. Enquanto o Festival de Gramado perdeu parte do seu prestígio, outros festivais nacionais de cinema conquistaram importância, como Festival de Brasília do Cinema Brasileiro e o Festival do Rio, além dos eventos independentes, como a Mostra de Cinema de Tiradentes e a A Janela Internacional de Cinema de Recife. 

Para Daniela Mazzilli, o festival é uma grande festa, pois a produção de um filme, dos primeiros esboços do roteiro até sua finalização, demanda tempo. “Ele é uma grande janela de lançamento de filmes. É a oportunidade de realizadores estarem mostrando seus filmes para outros realizadores, para o público em geral, para a mídia especializada e a grande mídia”, conta. Para ela, essa janela também permite que os filmes exibidos tenham uma longa vida de exibição.

O diferencial de lançar um filme em Gramado está na sua carga histórica de mais de 40 anos. “A história do Festival está intimamente relacionada com a história do cinema nacional dos últimos 47 anos. Então, grandes momentos políticos, a descoberta de novas estrelas e rememoração delas é parte disso”, diz Daniela. Para Julia Flores, produtora do filme É assim que você parece, o festival representa essa oportunidade: “Minha expectativa, além de que o filme seja bem recebido, é também ter a oportunidade de troca de experiências com outros realizadores e poder conhecer um pouco mais sobre os outros projetos que estão sendo realizados no nosso país”.

Veja algumas imagens dos filmes

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Fotojornalismo: imagem e texto são aliados na informação https://mescla.cc/2017/09/28/fotojornalismo-imagem-e-texto-sao-aliados-na-informacao/ https://mescla.cc/2017/09/28/fotojornalismo-imagem-e-texto-sao-aliados-na-informacao/#respond Thu, 28 Sep 2017 20:58:46 +0000 http://mescla.cc/?p=3228 “Uma imagem vale mais que mil palavras” é um bordão muito utilizado, principalmente por aqueles que se valem do argumento de que só é possível acreditar em um fato se ele for visto. Mas é injusto dizer que o fotojornalismo existe somente para atestar a veracidade dos fatos documentados. Contar histórias através das imagens, humanizar […]

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“Uma imagem vale mais que mil palavras” é um bordão muito utilizado, principalmente por aqueles que se valem do argumento de que só é possível acreditar em um fato se ele for visto. Mas é injusto dizer que o fotojornalismo existe somente para atestar a veracidade dos fatos documentados. Contar histórias através das imagens, humanizar o texto e trazer a tona o rosto dos personagens descritos na notícia é, sem dúvidas, um dos serviços da fotografia.

Fotojornalismo é a junção de duas estruturas de informação: o texto e a imagem. Uma não anda se não for aliada com a outra. Para a coordenadora do curso de Fotografia da Unisinos e doutora em Comunicação, professora Beatriz Sallet, o fotojornalismo é a captura do acontecimento em pleno vôo. “Uma boa foto é aquela que sintetiza o acontecimento. Que pega o acontecimento em pleno vôo”, contou a jornalista, que trabalhou por mais de 20 anos como repórter fotográfica no Vale dos Sinos.

Com uma formação geralmente em jornalismo, os profissionais que atuam na captura de imagem devem pensar nos diferentes formatos exigidos por cada pauta, o que exige agilidade com a câmera. “O fotojornalista precisa ter velocidade e eficiência, porque dependendo do tipo de cobertura, ele precisa tirar fotos, fazer vídeos e separar material para  enviar para a redação. Faz tudo direto do lugar do acontecimento”, contou Beatriz.

Professor de Fotografia da Unisinos, mestre em Comunicação e fotojornalista da Zero Hora, Bruno Alencastro acredita que  a importância de um profissional da imagem, mais do que de um fotojornalista, “é fazer narrativas visuais, independente da plataforma, e para um público cada vez mais consumidor de mídia digital”. É neste ponto que a coordenadora do curso da Unisinos conta que o meio acadêmico deve estar afinado com o mercado, trazendo disciplinas nas quais os alunos aprendam na prática o dia a dia das redações e as exigências do público.

O enxugamento das redações atingiram a editoria de fotografia nos veículos. É comum ver fotografias de grandes acontecimentos com os créditos de agências de notícias. Beatriz conta que o envio de repórteres fotográficos, assim como os de texto, para o local da notícia, tem se tornado muito caro para os veículos. Com isso, a compra de imagens das agência tem virado rotina nos jornais.

O lado negativo de assistir o acontecimento de longe e adquirir as imagens depois é que o jornalismo vai ficando cada vez mais “parecido”. Não é incomum dois ou mais veículos de comunicação estamparem a mesma foto de capa quando o assunto é um evento de grande repercussão. No mês de agosto quando aconteceu a tragédia de Barcelona, dois jornais de grande circulação no Brasil, noticiaram o fato com a mesma fotografia principal.

Foto: Arquivo pessoal

Tecnologia e relações de trabalho

Quando falamos em fotografia, é inevitável pensar naquela imagem perfeita que capturamos durante um show para a postagem no Instagram. O profissional do fotojornalismo não deixa de ter a mesma linha de pensamento já que  não preocupa-se somente com a fotografia feita para o impresso, uma vez que a pauta é realizada pensando em todos os meios em que a imagem vai circular.

Para Bruno Alencastro, o aparecimento das novas tecnologias vem obrigando os repórteres fotográficos a adequar seu conteúdo para os novos formatos. “Contar histórias independente do suporte da linguagem, ou seja, hoje em dia a gente é desafiado a fotografar para um formato vertical do celular, uma tela de pé que dura 15 segundos no stories (Instagram)”.

O professor conta também que as tecnologias mudaram a relação do público com os meios. Assim, com a participação crescente dos leitores, que enviam fotos e participam efetivamente das redações com seus relatos fotográficos, os fotojornalistas conseguem dedicar-se a pautas mais elaboradas, com maior refinamento, dando tempo do profissional pensar em seus conteúdos. “Essa coisa de todo mundo fazer foto e vídeo acabou tirando do fotojornalista esses acontecimentos factuais. Um acidente de trânsito sem grandes prejuízos, princípios de incêndio, essas coisas que acabam não sendo grandes pautas. Hoje o leitor faz isso. Eu olho com bons olhos essas relações”

Nos primórdios da fotografia, quando o francês Joseph Nicéphore Niépce registrou a aquela que é considerada a primeira fotografia da história, em 1826, foram necessárias oito horas de exposição de sua caixa escura para a gravação da imagem. A paisagem registrada, foi gravada em uma placa de estanho e o processo batizado de heliografia, ou gravura com a luz solar. Quase 200 anos depois, basta frações de segundos para uma imagem circular na rede e gerar grandes repercussões.

O fotojornalista é desafiado a fotografar para um formato vertical do celular, uma tela de pé. Uma imagem que dura 15 segundos no Instagram

Com o imediatismo exigido para a publicação de conteúdos, o engano ou repasse de informações incorretas acaba tornando-se um vilão nas relações do jornalismo. Beatriz Sallet alertou para as possibilidades de erro quando o assunto é a utilização dos meios digitais. “As imagens trazem mais veracidade para a informação, por isso é muito importante levar em consideração as fontes, de onde aquela imagem vem, assim como na notícia”, afirmou.

A facilidade de produzir conteúdos midiáticos na palma da mão jogou uma responsabilidade ainda maior para os profissionais que trabalham exclusivamente com fotografia nas redações. Bruno diz que é de extrema importância o fotojornalista manter-se atualizado para conseguir produzir conteúdos cada vez mais refinados, buscando sempre surpreender os consumidores de conteúdo do jornal.  O professor embarcou neste mês de setembro para uma especialização em Barcelona na Instituto de Estudos Fotográficos da Catalunha, buscando o que existe de mais atual e contemporâneo em questão de imagem.  

Mais do que nunca, o futuro do fotojornalismo e da produção de conteúdos é na percepção e entrada no mundo da convergência digital. Novos aplicativos de captura e compartilhamento de imagem surgem todos os dias, trazendo para o ramo pessoas que buscam pensar nas narrativas além do formato. O fotojornalismo do futuro depende dos profissionais que nele atuarão. A professora Beatriz Sallet acredita que os repórteres fotográficos passarão a ter a formação em fotografia, apostando no apelo visual da profissão, que cresce a cada instante. Para Bruno, quem estiver disposto a estar sempre inovando e trabalhar com dinâmica, será o fotojornalista do amanhã.

 

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Fotografia arquitetônica: a arte ao nosso redor https://mescla.cc/2017/05/09/fotografia-arquitetonica-arte-ao-nosso-redor/ https://mescla.cc/2017/05/09/fotografia-arquitetonica-arte-ao-nosso-redor/#respond Tue, 09 May 2017 20:54:07 +0000 http://mescla.cc/?p=1085 A cidade nos proporciona muitos olhares e ângulos diferentes. O uso da criatividade para explorá-los é essencial e a fotografia é dos meios artísticos mais usados. A área possui diversas abrangências e uma delas é a fotografia arquitetônica. Este formato realça a beleza e consegue passar toda a poesia e as inspirações, além do concreto […]

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A cidade nos proporciona muitos olhares e ângulos diferentes. O uso da criatividade para explorá-los é essencial e a fotografia é dos meios artísticos mais usados. A área possui diversas abrangências e uma delas é a fotografia arquitetônica. Este formato realça a beleza e consegue passar toda a poesia e as inspirações, além do concreto das construções urbanas. Os elementos mais comuns são prédios, casas e espaços internos, mas o que irá diferenciar será o ponto de vista do fotógrafo e o propósito da captação.

Reprodução/Cuba Gallery

A abordagem técnica dependerá do objetivo do profissional, como explicar o que a construção representa, a arte abstrata de suas linhas, ângulos, formas ou jogo de luzes. O fotógrafo porto alegrense, Marcelo Donadussi, é especialista na área arquitetônica e acredita que esta vertente pressupõe um entendimento diferenciado do objeto a ser fotografado. “Diferentemente de fotografar uma pessoa, arquitetura demanda muito mais tempo e paciência. As vezes é preciso esperar o horário ideal para um edifício ser fotografado”, explicou.

Foto: Marcelo Donadussi

O ângulo mais diferente, a fotografia perfeita são alguns dos desejos de todos os amantes da área. Para Donadussi, na hora de capturar uma imagem não tem certo ou errado. “Para se ter uma imagem ideal, é preciso atender todos os requisitos básicos da fotografia, desde foco, enquadramento, fotometria entre outros aspectos. É importante cada fotógrafo ter a sua própria linguagem fotográfica. A fotografia é um leque aberto e amplo para muitas possibilidades”, ressaltou.

Dentro da fotografia arquitetônica há uma divisão entre informativa e artística. As duas formas podem se complementar e unir seus princípios, mas nem sempre são consideradas iguais. “Existe uma linha muito tênue que dividir a fotografia artística da fotografia informativa.  Uma fotografia artística pode ser informativas mas nem toda fotografia informativa pode ser artística”, completou Donadussi.

Foto: Marcelo Donadussi

O olhar treinado que encontra arte e inspirações nos detalhes não é uma tarefa fácil. Uma foto pode transmitir diferentes sentimentos, sensações e é preciso usar isto a nosso favor. O fotógrafo deve utilizar de recursos como profundidade, camadas, ângulos, criando uma “personalidade” ao elemento desejado, seja força, delicadeza, solidão ou outro.

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