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Arquivos Ilustração - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/ilustracao/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Thu, 08 Sep 2022 14:10:06 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.3 Magliani múltipla – obra da artista gaúcha é resgatada nos museus de POA https://mescla.cc/2022/09/08/magliani-multipla-obra-da-artista-gaucha-e-resgatada-nos-museus-de-poa/ https://mescla.cc/2022/09/08/magliani-multipla-obra-da-artista-gaucha-e-resgatada-nos-museus-de-poa/#respond Thu, 08 Sep 2022 14:08:28 +0000 http://mescla.cc/?p=16855 É provável que você tenha lido o nome “Maria Lídia Magliani” ou simplesmente “Magliani” em alguma matéria no jornal ou nas redes sociais recentemente. Mas você sabe mesmo quem foi ela? O Mescla preparou uma reportagem para recuperar esta artista tão completa e motivo de orgulho para o Rio Grande do Sul. A reportagem procurou […]

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É provável que você tenha lido o nome “Maria Lídia Magliani” ou simplesmente “Magliani” em alguma matéria no jornal ou nas redes sociais recentemente. Mas você sabe mesmo quem foi ela? O Mescla preparou uma reportagem para recuperar esta artista tão completa e motivo de orgulho para o Rio Grande do Sul. A reportagem procurou amigos, colegas e uma historiadora para contextualizar a importância da artista que também foi uma grande ilustradora de diversas publicações na imprensa.


“Magli”, como muitos se referem a ela até hoje, se destacou no cenário nacional das artes plásticas já a partir da década de 1960. Hoje, o legado da artista é reconhecido pelo vigor, vanguardismo, novidade, mas também por desafiar o seu público. Em 1997, ela declarou: “Eu gostaria de dizer às pessoas que veem os meus quadros: ‘Sinto muito senhores, não é agradável’”.  


Maria Lídia Magliani era natural de Pelotas e morreu em 2012, aos 66 anos. Foi a primeira mulher negra a se formar no Instituto de Artes da UFRGS e se manteve uma artista atuante até o fim da vida. Magliani, que não gostava de ser reconhecida como “artista negra”, e sim apenas como “artista”, esbanjava ousadia, coragem e vigor artístico. Ela mesma dizia que fazia “arte para incomodar”.  


Em março deste ano, a Fundação Iberê Camaro lançou a exposição “Magliani”, que ficou em cartaz de 19 de março a 31 de julho. A Fundação disponibilizou o catálogo da exposição, que foi dividido em volume 1 e volume 2. A mostra contou com mais de 200 itens sobre Magliani e mobilizou a mídia local a produzir uma quantidade notável de conteúdos sobre a artista além de depoimentos nas redes sociais.


O Mescla entrevistou pessoas que conheceram Magliani ou que tiveram contato com o trabalho dela em algum momento. Dentre elas está a Luanda Dalmazzo, formada em História da Arte pela UFRGS, autora de um artigo de conclusão de curso sobre a Magliani. A historiadora contou que teve um trabalho pesado para recuperar materiais e conteúdos sobre a artista. “Foi uma pesquisa exploratória bem intensa, tinha tudo espalhado, e não era só aqui (no RS)”. Para Luanda, inclusive, o fato de Magliani ter se mudado de estado várias vezes é um fator importante para entender o porquê da artista ficar tanto tempo esquecida ou não ter tido o devido reconhecimento.  



“Fotografia da fotografia” de Magliani em frente a uma das obras pertencentes da série “as gordas”, na exposição feita para ela na Fundação Iberê Camargo (Foto: Paola De Bettio)



Onda de resgate 

Magli foi “discípula” de Ado Malagoli, amiga de Iberê Camargo e Caio Fernando Abreu, além de ter atuado no teatro com atores que tiveram projeção nacional. Como ilustradora, atuou no jornal Mulherio, foi diagramdora do jornal Folha da Tarde, e mesmo assim, apesar de circular em meios relativamente influentes, acabou sendo pouco reconhecida. Para Luanda, não há dúvidas que o racismo foi determinante para este apagamento.“Por mais que o discurso racista não seja explícito, o silêncio já é um discurso”, assinalou a historiadora, que acrescentou: “Ela viajou muito, morou em vários lugares diferentes, em diferentes tempos e também tem o racismo estrutural”. 


A historiadora comentou ainda o fato da Magliani não ter, muitas vezes, documentado tantas vezes o próprio trabalho. “Ela não tinha o costume de documentar as obras dela, e isso não era só ela, como pessoa, mas, a época, mesmo”, ponderou Dalmazzo.  


Questionamos Luanda para entender o porquê desta recuperação intensa surgir agora. Para ela, existem múltiplos fatores, mas tem a ver, também, com a questão de mais pessoas negras estarem dentro da universidade pesquisando sobre e indo atrás. É uma questão de representatividade. “Acabam mudando aos poucos os interesses de pesquisa das pessoas dentro da universidade, e isso acaba influenciando, também, no meio artístico, no geral. Mudam os interesses, mudam as pessoas que estão por trás das exposições”, assinalou.  



Conjunto “Todos” e “Retratos de Ninguém”: figuras estiveram expostas na exposição da Fundação Iberê Camargo (Foto: Paola De Bettio)



Para elucidar essa questão, a historiadora também citou a exposição “Presença Negra no MARGS”. Luanda definiu esse momento como uma “onda de resgate cultural”. A exposição no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS) também contou com obras da artista. Segundo Luanda, o MARGS é uma das instituições com maior quantidade de itens de acervo da Magliani, desde obras até matérias de jornais.


Uma artista na redação 

Magliani trabalhou como diagramadora no jornal Folha da Manhã, publicado entre 1969 e 1980, pela Companhia Jornalística Caldas Júnior (CJCJ), em Porto Alegre. A Folha da Manhã também ficou conhecida como Folhinha, já que a CJCJ publicava outros dois jornais diários na capital, o Correio do Povo e a Folha da Tarde. Ela também ilustrou para Revista ZH, o Diário de Notícias e ainda colaborou para a Folha de São Paulo, quando residiu na capital paulista.  


O jornalista José Antônio da Silva foi colega de Magli na Folhinha e trabalharam juntos em outros encontros. “A Folha da Manhã já era meio que um jornal ‘de vanguarda’ e tinha bastante gente talentosa, artistas, jovens, etc.”, contou.   


“Em 1977, junto com escritores e ilustradores, etc.,  de vários pontos no Brasil, quase todos morando à época em Sampa, participamos de mais uma edição coletiva, chamda ‘Vício da Palavra’, em que a Magli também colaborou e eu fui um dos editores”, contou José Antônio. Juntos trabalharam, também, na publicação  “Há Margem”.


Na ordem, da esquerda para direita: ilustração para o texto de Inês Castilho na Mulherio n°6 (mar/abr/1982); ilustração para o texto de Vera Daisy Barcellos para a revista Tição (1978); ilustração para o conto de Caio F. no Caderno de Sábado do Correio do Povo; ilustrações para o jornal Versus (jun/1977); e capa para a primeira edição da revista Paralelo (out/76) (Foto: Paola De Bettio)



“Usava um cabelo black, grande e meio avermelhado, e vestia-se bastante com preto – era uma presença marcante, além de sua arte e de seu conteúdo político e crítico. Meio sarcástica, como a época (Ditadura) exigia de todos que tivessem alguma consciência crítica. Seja como for, era solidária e tinha um senso de humor discreto e irônico.” – depoimento de José Antônio. 



A jornalista, bibliotecária, museóloga e uma das diretoras gerais do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS (SINDIJORS), Jeanice Dias Ramos, foi amiga muito próxima de Magliani. Quando se conheceram, Maria Lídia trabalhava na Folha da Manhã e Jeanice no Estado de São Paulo. “A minha relação com a Magliani foi muito boa, porque nós éramos, praticamente, eu, ela e a irmã dela, as únicas negras que usavam Black Power, em Porto Alegre”, contou Jeanice.


Jeanice também contou que Magliani se deu bem trabalhando para a Folha da Manhã porque, segundo ela, além de ser uma boa desenhista, era muito rápida ao fazer as obras. Jeanice recordou: “Ela se notabilizou porque, imagina, o jornal fechava tipo 10h, 11h, e ela tinha que fazer todas as artes dentro desse período, desse horário, e as matérias iam chegando”. 


“Ela  tinha um volume de trabalho muito intenso, ela produzia muito, se dedicava muito. Ela era muito ordeira, muito profissional no que ela fazia. Ela não deixava arestas abertas, ela tinha uma capacidade incrível de produção”, relembrou a amiga. 

Redações com vida, cores, bobagens interessantes e assuntos importantes  


Circulando nas redações, no teatro e no meio artístico em geral, Magliani conheceu diversos escritores, jornalistas e intelectuais. Dessa forma, ela ilustrou capas de livros, como o de contos de Caio Fernando, “Inventário do irremediável”, de quem era muito próxima. A artista também produziu outras capas e ilustrações internas de livros de escritores como Sérgio Caparelli, Mariza e Scopel e Eduardo San Martin, com quem teve um relacionamento. “Na época fizemos dois ou três livros diferentes, mais ou menos com o mesmo pessoal – jovens poetas, contistas, ilustradores”, contou o jornalista José Antônio da Silva. 



Capa para “Há Margem”, em que realizou o planejamento gráfico também; capa e ilustrações para o livro “Andrômeda”, de Sérgio Caparelli; ilustração para a capa de “Inventário do Ir-remediável”, de Caio Fernando Abreu; trabalhos podem ser conferidos no Iberê (Foto: Paola De Bettio)



Magliani também ilustrou, com destaque, para o jornal alternativo e feminista Mulherio, idealizado por pesquisadoras da Fundação Carlos Chagas, a fim de ser um boletim de trocas entre grupos de pesquisa sobre mulheres. O Mulherio contou com a colaboração de grandes intelectuais como Lélia Gonzalez, Heloísa Buarque de Hollanda, Maria Rita Kehl e Ruth Cardoso. 


Magli ilustrou para a revista porto-alegrense “Tição”, que circulou entre 1978 a 1982. A revista surgiu como um desdobramento do Grupo Palmares, de ativismo negro. Ali, abordava a questão do racismo na sociedade gaúcha e na sociedade brasileira. Ela também assinou ilustrações para “Versus” e “Paralelo”.  


“Na década de 70 era usual existirem profissionais de outras áreas dos jornais. O curso de jornalismo recém estava começando”, afirmou a jornalista Jeanice. Ela explica que a irreverência para comunicar era muito mais que uma necessidade, e as pessoas do meio conseguiram dar uma resposta muito mais a altura do que se esperava. “As redações eram efervescentes, não essa frieza de agora, todo mundo num computador, não se falando, ou falando de computador para computador”, pontuou.  


“Arte para incomodar” 

Maria Magliani chegou a ser considerada uma das artistas brasileiras mais importantes durante a década de 1980, conforme os próprios curadores da exposição realizada na Fundação Iberê Camargo afirmaram no texto que acomapanha o catálogo da mostra. “Apesar do sucesso junto à crítica, seu trabalho, que nunca serviu para enfeitar paredes, jamais alcançou a monetização que lhe era devida”. 


Ela foi uma artista completa. No teatro, além de atuar, também produziu cenários e preparou figurinos. Tudo isso sempre mesclado a um tom poético, assinalado em diversas frases, afirmações, entrevistas e cartas.  


Alguns trabalhos para o teatro. No desenho, em cima e maior, estudo de cenário para a peça “A libertação do presidente (1979); nas duas imagens abaixo, painéis idealizados; nos desenhos abaixo, estudo de figurino para a peça “O bailes dos ladrões) (Foto: Paola De Bettio) 



“Ela era uma pessoa que se dava muito bem no meio jornalístico e no meio artístico, também. Só que no meio artístico ela não era conhecida como ela é agora”, lamentou Jeanice. A amiga relembrou como Magliani se envolvia em muitas atividades ao mesmo tempo. “Ela fazia tudo ao mesmo tempo, ela desenhava, ela participava de sarau, ela era muito vigorosa”, conta. 



Magliani em destaque em corredor da Fundação Iberê Camargo: “Pintar é exercer a liberdade de continuar indagando” (Foto: Paola De Bettio) 




Retratar a essência do humano  

Mas afinal, por que apesar dos conteúdos das obras da Magli serem tão corajosos ela não queria ser enquadrada em nenhuma categoria? Ela não queria que finalizassem a obra dela puramente como antiracista ou feminista, por exemplo. 


Por mais que possa se encontrar sentido nessas atribuíções, essas são leituras a respeito do trabalho dela. No entanto, segundo Luanda, Magliani sempre foi enfática em uma questão: “ela não gostava de atribuir o trabalho dela a coisas assim”. Talvez, ela não quisesse se enquadrar em apenas uma tela, uma cena. “Era o humano que estava transpassado por todas essas questões”, afirma a historiadora sobre o legado de Magliani.  


A historiadora disse que a artista passou por diversas fases e modos de pintar, além de transitar por diversas temáticas, mas desde o começo da carreira a figura humana e a sociedade eram centrais, seja para abordar algo, seja para criticar. “Tem (trabalhos) sobre a mulher, sobre racismo, mas é uma coisa como um todo. Ela tem até, lá no começo, nos anos 70, obras criticando a tecnologia. Então, ela criticava tudo, basicamente”, brincou Luanda. 


“Aquela série das gordas, eu acho que é uma coisa que fica para a posteridade”, assinalou Dias Ramos. Tanto para a historiadora quanto para a amiga jornalista, é o fato de Magliani retratar as temáticas em torno da existência que a fazem ser tão contínua no tempo, permanente e atual, possibilitando, hoje, diversas leituras. 


Ala com parte da série “As Gordas”, na Fundação Iberê Camargo (Foto: Paola De Bettio) 



Declaração de Magliani sobre a série “As Gordas”, na exposição na Fundação Iberê Camargo (Foto: Paola De Bettio) 



“Eu acho impagável aquela série (das gordas), porque é de uma crueza e de um realismo que deixa a gente desconfortável. Isso eu acho muito importante no artista, deixar o outro desconfortável”, assinala Jeanice.   


“A Magliani era uma pessoa iluminada, embora ela só se vestisse de preto”, brincou rindo a amiga. No entanto, Jeanice acrescenta, lamentando, – “Ela tem uma quantidade de material intenso e ela marcou época. E eu fico com pena dela não ter sido reconhecida em vida. Ela não teve reconhecimento e ela era uma operária.  Ela produzia, produzia, produzia e nunca ninguém chegou e falou o que falam agora dela, que ela era super importante, que ela era significativa, que ela era marcante”. 



Um autorretrato de 1998 e a assinatura da artista são exibidos na exposição na Fundação Iberê Camargo (Foto: Paola De Bettio) 





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A descoberta da arte https://mescla.cc/2020/08/12/a-descoberta-da-arte/ https://mescla.cc/2020/08/12/a-descoberta-da-arte/#respond Wed, 12 Aug 2020 18:51:49 +0000 http://mescla.cc/?p=13658 O ano é 2018 e Elisa Brum era formanda no Ensino Médio Técnico. No final daqueles 12 meses, ela não apenas estaria se preparando para a faculdade, como, também, carregaria o diploma de Técnica em Eventos pelo Instituto Federal Sul-Riograndense (IFSul). Uma das atividades mais esperadas pelos alunos do curso é a saída de campo […]

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O ano é 2018 e Elisa Brum era formanda no Ensino Médio Técnico. No final daqueles 12 meses, ela não apenas estaria se preparando para a faculdade, como, também, carregaria o diploma de Técnica em Eventos pelo Instituto Federal Sul-Riograndense (IFSul). Uma das atividades mais esperadas pelos alunos do curso é a saída de campo para Minas Gerais e Rio de Janeiro. É nessa viagem que os alunos veem a profissão na prática. Elisa estava lá como uma futura técnica em eventos, mas outra profissional também começava a aparecer dentro dela. Nesse momento, mesmo ela não percebendo, nascia a Livreta.


Como forma de avaliação, os estudantes precisavam entregar, ao fim da viagem, um caderno de campo. Elisa fez um artesanal para ela mesmo, o que acabou chamando a atenção de alguns colegas, que também se interessaram pelo produto. Aquilo passou a ser um hobby. Depois, cresceu e alcançou pessoas de fora do círculo de amizade dela. “A Livreta, que é uma papelaria artesanal, se tornou mais do que um passatempo e até me influenciou, inclusive, na escolha da graduação”, conta.


Hoje, ela está no terceiro semestre de Publicidade e Propaganda, curso escolhido para auxiliar no processo artístico dela e de criação na Livreta. Nada mais do que natural, já que o “ser artista”, conforme lembra Elisa, estava dentro dela desde criança. Nessa época, a pequena era incentivada a desenhar. Durante o Ensino Fundamental, experimentou a flauta transversal. A mãe bordava e o pai desenhava. Elisa recorda que ambos sempre deram recursos para ela e a irmã, principalmente na área das artes. Só alguns anos mais tarde, quando participou do Encontro de Arte, Cultura e Cidadania, que Elisa se reconheceu. Ela inscreveu um de seus desenhos no evento e foi selecionada para expô-lo. Lá, o crachá de identificação mostrou à Elisa o que viria a ser uma de suas grandes habilidades: artista.

Arte criada por Elisa exposta em evento


Foi, também, nesse período que ela desistiu de prestar vestibular para Medicina e começou a olhar para os cursos da Escola da Indústria Criativa. “Eu sempre atuei na comunicação dos eventos no IFSul. Foi ali que o interesse despertou em mim”, comenta Elisa. No curso de PP, ela tem desenvolvido a criatividade e até mudou alguns detalhes da Livreta. 


Durante a quarentena forçada pela pandemia de Covid-19, outro lado artístico de Elisa despertou. Ela começou a fazer ilustrações digitais e divulgar nas redes sociais. Às vezes, ela sofre com bloqueios criativos, mas sempre tenta trabalhar neles: “Eu penso no que tá me bloqueando e coloco no papel, em desenho ou palavras, mesmo que fique ruim”, explica.


A arte influenciou Elisa no crescimento pessoal e, também, no empoderamento feminino. “Consigo me expressar muito pela arte, me abro pras pessoas, porque pessoalmente sou tímida”, conta. Algo que surpreendeu a artista foi sobre o quanto a forma com que se expressa atinge as pessoas positivamente. “Falam para mim que gostam do meu trabalho e que eu sou uma artista incrível. Eu não esperava tamanho reconhecimento”, confessa. 


A Elisa artista e estudante dividem o mesmo espaço de criação. A mesa do quarto é cheia de desenhos e cadernos. Para se organizar, ela precisar tirar as ilustrações do local para conseguir focar na aula. A artista e a estudante se entrelaçam, e uma auxilia a outra no processo criativo.


O maior retorno de Elisa é a troca com as outras pessoas. “É a experiência de criar algo, de se colocar no lugar do outro e ver o que quer. Eu me dedico ao máximo”, explica. Através da Livreta e das ilustrações, ela fez amizades. É possível perceber, apenas ao ouvir a artista falar sobre o que faz, o quanto aquilo se tornou uma parte importante da personalidade e da vida dela. A artista inquieta não esperava que um projeto inocente do Ensino Médio tomasse proporções tão grandes, mas foi por meio dele que a Elisa de 2018 se transformou na artista de 2020.

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2020 em capas e ilustrações https://mescla.cc/2020/07/02/2020-em-capas-e-ilustracoes/ https://mescla.cc/2020/07/02/2020-em-capas-e-ilustracoes/#respond Thu, 02 Jul 2020 21:11:51 +0000 http://mescla.cc/?p=13474 Esteja você onde estiver, uma coisa é certa: 2020 está sendo o ano mais maluco e cheio de imprevistos da sua vida. Quando saímos de 2019, com certeza não imaginamos que estávamos entrando em um ano que seria marcado por uma pandemia de proporções globais, manifestações antirracismo e, no Brasil, uma conjuntura política cada vez […]

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Esteja você onde estiver, uma coisa é certa: 2020 está sendo o ano mais maluco e cheio de imprevistos da sua vida. Quando saímos de 2019, com certeza não imaginamos que estávamos entrando em um ano que seria marcado por uma pandemia de proporções globais, manifestações antirracismo e, no Brasil, uma conjuntura política cada vez mais confusa e sem rumo.

E, com tantos episódios bizarros acontecendo ao mesmo tempo, o papel da mídia fica ainda mais evidente. Se a função do jornalismo sempre foi informar ao público sobre os atuais eventos, isso se tornou muito mais necessário agora, com tudo o que vem acontecendo no mundo inteiro. Afinal, trazer a visão da Ciência, da Medicina, dos agentes públicos, dos cidadãos é o que os meios podem fazer  para nos ajudar enfrentar as incertezas de um hoje, que insistem em não passar. 

Porém, a informação não precisa ser transmitida apenas por meio dos textos das  reportagens, notícias e boletins. Fotos e ilustrações também dizem muito sobre sobre o que estamos vivendo. E isso se torna ainda mais útil quando a imagem for bem pensada e trabalhada, resultando em algo que fica marcado na memória de quem vê.

A professora Beatriz Sallet, do curso de Fotografia da Unisinos, explica que fotos impactantes são fundamentais no fotojornalismo. “Porém, com um olhar treinado para ver, os fotojornalistas conseguem se distanciar um tanto da cena mais explícita e chegar a uma construção simbólica, quando a semiótica trabalha”, diz a professora.

Pensando nisso, a equipe Mescla pediu para que alguns professores da Escola da Indústria Criativa sugerissem capas e ilustrações de jornais, revistas e cadernos que retratem de forma inteligente e criativa o início desta década. São ilustrações que mostram desde a pandemia do novo coronavírus, até acontecimentos ligados ao governo federal e as manifestações antirracismo que tomaram o mundo recentemente.

Confira:

O Globo – 10/05/2020

A escolha de Pedro Osório, professor do curso de Jornalismo, foi a capa do jornal O Globo do dia 10 de maio, período em que o Brasil passou das 10 mil mortes causadas pelo novo coronavírus. Aqui, ao invés de foto ou ilustração, a capa foi preenchida com nomes de pessoas que perderam a vida por conta da doença, para lembrar os leitores que as vítimas não são meros números, mas, sim, seres humanos com nomes, sonhos e histórias. “É impactante, pois o signo ‘palavra’  carrega um significado associado ao raciocínio, à compreensão, à explicação para além das sensações inerentes a outros signos”, explica o professor. “Mas a capa não deixa de carregar e causar também uma poderosa sensação, decorrente da identificação dos mortos, da explicitação dos seus nomes, cada um significando uma vida, um viver distinto, um sujeito único, que nos deixou para sempre.”

Caderno “Ilustrada”, Folha de S. Paulo – 20/06/2020

Já o fotojornalista e professor do curso de Jornalismo, Flávio Dutra, selecionou a capa do caderno “Ilustrada”, da Folha de S. Paulo, na edição do dia 20 de junho. Aqui, vemos o ator Mário de Frias, escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro para ser o novo Secretário Especial da Cultura, posando seminu em um ensaio que fez nos anos 2000 para o site Paparazzo. A capa, sexualizada com o sentido de desqualificar o ator que não tem experiência como gestor cultural, chamou a atenção do professor Dutra. “A maneira de se opor ao descalabro não é promovendo descalabros. Se contrapor à falta de ética é ser ético ao extremo. Usar qualquer arma à disposição é dar motivo para que os outros digam ‘imprensa lixo’”, argumenta o professor. “É irresponsável com o papel que a imprensa tem neste momento – pois a fragiliza, e é irresponsável quanto à luta contra a homofobia, pois a justifica”. De fato, uma capa memorável, mas pelos motivos errados.

Diversos jornais do Brasil todo usando a mesma capa – 23/03/2020

Nikão Duarte, professor do curso de Jornalismo, optou por uma capa publicada em diversos jornais do país inteiro. Periódicos como O Globo, Folha de S. Paulo, Estadão, Zero Hora, entre outros, se uniram e publicaram capas idênticas em suas edições do dia 23 de março. Nela, vemos um fundo azul com os dizerem “Juntos vamos derrotar o vírus”, acompanhado também da hashtag #imprensacontraovirus. Trata-se de uma mensagem de união dos jornalistas para combaterem a pandemia do novo coronavírus por meio da disseminação de informações. “Foi chamativo pelo impacto coletivo e por avançar sobre um dogma do ambiente jornalístico: o furo, a exclusividade. Uma rara unidade na imprensa de referência brasileira, em nome de um bem maior, o combate à pandemia”, explica o professor.

New Yorker – 22/06/2020

O professor Everton Cardoso cruzou fronteiras e selecionou a capa da edição de 22 de junho da revista americana New Yorker. Aqui, foi retratado o episódio de assassinato de George Floyd, nos Estados Unidos, que gerou uma explosão de manifestações contra o racismo no mundo inteiro. “Essa construção dá a ideia de que a luta de um negro também é luta de todos os negros. E uma revista como a New Yorker trazer uma capa dessas tem muita força. Isso diz muito sobre o posicionamento editorial da revista. Não estamos falando de uma publicação leviana, a New Yorker é uma referência no mundo inteiro”, afirma Cardoso.

Foto por Roberto Parizotti, no Páginas Amarelas HQ’s – 13/06/2020

A professora Beatriz Sallet, do curso de Fotografia, selecionou uma foto compartilhada no Instagram da Páginas Amarelas HQ’s. De autoria de Roberto Parizotti, a foto foi tirada em São Paulo no dia 13 de junho, três dias após a reabertura dos shoppings na capital paulista. O fotógrafo tirou a foto de um ângulo em que o piso em frente ao shopping forma um crucifixo, dando a entender que o local é um caminho em direção à morte. “Esse primeiro plano revela semioticamente o resultado que foi constatado dias depois com a reabertura do comércio em SP: o aumento exponencial do número de infecções por Covid-19”, explica a professora.

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Desenhos que mudam vidas https://mescla.cc/2017/10/27/desenhos-que-mudam-vidas/ https://mescla.cc/2017/10/27/desenhos-que-mudam-vidas/#respond Fri, 27 Oct 2017 16:35:46 +0000 http://mescla.cc/?p=3886 Egresso da Unisinos, Pablo Aguiar subiu ao palco do TEDxUnisinos para mudar o jeito com que as pessoas da platéia veem suas cidades. Nascido em Alvorada, cidade da região metropolitana de Porto Alegre, ele uniu a paixão pelo desenho, e em especial pelos quadrinhos, à vontade de transformar as lembranças que os moradores tinham de […]

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Egresso da Unisinos, Pablo Aguiar subiu ao palco do TEDxUnisinos para mudar o jeito com que as pessoas da platéia veem suas cidades. Nascido em Alvorada, cidade da região metropolitana de Porto Alegre, ele uniu a paixão pelo desenho, e em especial pelos quadrinhos, à vontade de transformar as lembranças que os moradores tinham de seu município.

Violência, tiros, buracos e medo. Palavras que surgiam na boca dos moradores da pequena cidade gaúcha quando Pablo lhes perguntava o que pensavam a respeito de sua morada. Mas não foram as palavras negativas que guiaram o jovem estudante. Perseverança, trabalho e esperança, apareceram timidamente entre tantos adjetivos pejorativos.

Foto: Eduarda Bitencourt

Formado em Comunicação Digital pela Unisinos, viu em suas idas e vindas da faculdades, imagens peculiares de passageiros do trem transformarem-se em caricaturas por suas mãos. Eram muitas Marias e Joões sem nome, mas com um rosto e expressões que instigaram a imaginação de Pablo.

Foto: Eduarda Bitencourt

As Histórias inspiraram uma série de quadrinhos em um jornal local, no qual Pablo trabalhava como diagramador e chargista. Ao longo de um ano, 23 pessoas tiveram suas histórias ilustradas pelo veículo. O projeto virou livro que será distribuído em escolas públicas do município. “Eu mesmo tinha preconceito com a minha cidade, mas os desenhos vêm redesenhando Alvorada dentro de mim. Os alunos vão poder conhecer a história de onde eles vivem, se um jeito diferente”, explicou Pablo.

Agora, o ilustrador vem trabalhando em um projeto onde ele tira fotos de pontos estratégicos de sua cidade e desenha as paisagens capturadas, com a ideia de elas virarem cartões postais.

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Ilustrador se inspira em desenhos da Disney para criar croquis https://mescla.cc/2017/08/08/ilustrador-se-inspira-em-desenhos-da-disney-para-criar-croquis/ https://mescla.cc/2017/08/08/ilustrador-se-inspira-em-desenhos-da-disney-para-criar-croquis/#respond Tue, 08 Aug 2017 19:00:20 +0000 http://mescla.cc/?p=2525 Hayden Williams é um ilustrador britânico, que descobriu a paixão por desenhos com apenas três anos. “Desenho foi a minha paixão desde a infância. Eu esboçaria o tempo todo, especialmente os personagens da Disney”, conta. A partir da adolescência, ele resolveu seguir carreira no ramo da moda e dedicar-se à profissão. O objetivo foi sempre […]

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Hayden Williams é um ilustrador britânico, que descobriu a paixão por desenhos com apenas três anos. “Desenho foi a minha paixão desde a infância. Eu esboçaria o tempo todo, especialmente os personagens da Disney”, conta.

A partir da adolescência, ele resolveu seguir carreira no ramo da moda e dedicar-se à profissão. O objetivo foi sempre combinar o amor por ilustração de moda com o design. “Eu queria aprender os conceitos básicos de design de moda, então estudei design de moda no ensino superior”, declarou.

Hayden tem muito orgulho em dizer que é autodidata na ilustração. “Meu trabalho simplesmente evoluiu naturalmente à medida que envelheci”, explicou.

Ele conta que faz croquis inspirados em famosos e em desenhos da Disney pois foi o que lhe inspirou como criança e ainda hoje. Segundo ele, sempre estava interessado em cultura pop, música, etc, e queria incorporar essas inspirações em suas ilustrações. “Isso funciona tão bem, porque todos eles estão de mãos dadas um com o outro. Eu adoro tirar coisas que são vintage e atualizá-las para hoje. Meus seguidores adoram ver minha opinião sobre as coisas e como eu re-imagino certos personagens”, contou.

 

Para quem está começando na profissão, Hayden deixa um simples recado: “Crie coisas que você ama e se inspire. Além disso, tente esculpir sua própria identidade. É importante que o seu trabalho se destaque e seja algo especial, caso contrário, você vai se misturar com o que já existe”.

“É o que eu amo!”, diz Hayden sobre as ilustrações. De acordo com ele, sempre está com projetos novos. Fiquem ligados em suas redes para acompanhar as novas obras.

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