Notice: Function _load_textdomain_just_in_time was called incorrectly. Translation loading for the wp-mailinglist domain was triggered too early. This is usually an indicator for some code in the plugin or theme running too early. Translations should be loaded at the init action or later. Please see Debugging in WordPress for more information. (This message was added in version 6.7.0.) in /home/agexcom/mescla.cc/wp-includes/functions.php on line 6170
Arquivos #eventos - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/eventos-2/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Mon, 11 Dec 2023 19:09:29 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 Conferência 2023 do Certal discute a relação entre democracia e redes sociais  https://mescla.cc/2023/12/07/conferencia-2023-do-certal-discute-a-relacao-entre-democracia-e-redes-sociais/ https://mescla.cc/2023/12/07/conferencia-2023-do-certal-discute-a-relacao-entre-democracia-e-redes-sociais/#respond Thu, 07 Dec 2023 19:42:01 +0000 https://mescla.cc/?p=19520 Na manhã da última terça-feira (5/12), ocorreu no campus de Porto Alegre da Unisinos a Conferência Certal 2023. O tema foi “Institucionalidade de telecomunicações”, e os tópicos da conversa foram regulamentação, pirataria, meios, fake news e liberdade de expressão.   Abertura do evento  O Centro de Estudos para Desenvolvimento das Telecomunicações e do Acesso à Sociedade da […]

The post Conferência 2023 do Certal discute a relação entre democracia e redes sociais  appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
Na manhã da última terça-feira (5/12), ocorreu no campus de Porto Alegre da Unisinos a Conferência Certal 2023. O tema foi “Institucionalidade de telecomunicações”, e os tópicos da conversa foram regulamentação, pirataria, meios, fake news e liberdade de expressão.  

Abertura do evento 

O Centro de Estudos para Desenvolvimento das Telecomunicações e do Acesso à Sociedade da Informação da América Latina (Certal) se juntou à Unisinos para promover um debate sobre como se dá a comunicação nos dias atuais.  

O reitor da Unisinos, Sergio Mariucci, agradeceu a todos os presentes e destacou o papel da universidade para a educação básica e a educação superior, enfatizando que ela tem uma responsabilidade de formar cidadãos ao puxar para si a pesquisa e a crítica.  

“O ensino e o conhecimento que a universidade gera prepara e habilita a pessoa para ocupar funções de responsabilidade que a sociedade precisa. Mas ela pergunta não apenas como fazer, mas porque fazemos isso e para que fazemos isso. A liberdade e a verdade, temas centrais do dia de hoje, atuam como realização do ser humano. A Unisinos preza por essa responsabilidade”, aponta Sergio.  

Além de representantes da sociedade civil e dos poderes judiciários e executivos de Brasil, Uruguai e Argentina, também estiveram presentes os decanos e professores da Escola de Direito e da Indústria Criativa da Unisinos. 

Reitor da Unisinos abre os trabalhos da manhã de debates discursando sobre a função da universidade (Foto: Gabriele Rech) 

O impacto das fake news na sociedade e na democracia 

Os palestrantes Marcelo Rech, presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Caetano Cuervo Lo Pumo, chefe da Procuradoria Regional da República, e Marcelo Beckhausen, desembargador do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul, discutiram sobre a liberdade de imprensa como um direito da sociedade. 

Para enriquecer o debate, Marcelo destacou o conceito de “desertos de notícia”, ou seja, locais do Brasil que possuem pouco espaço para a atividade jornalística, em que se vê a “morte” de jornais. O presidente da ANJ considera essa uma grande ameaça para o jornalismo profissional, e falou sobre as redes terem se tornado um campo de batalha que acaba dando espaço para o estímulo ao extremismo. 

Liberdade de expressão na era digital 

A decana da Escola da Indústria Criativa (EIC) da Unisinos, Laura Dalla Zen, mediou o painel sobre liberdade de expressão. A professora destacou que a temática da desinformação e da pós-verdade já está sendo muito debatida na Universidade e, inclusive, deverá orientar os trabalhos da academia em todas as dimensões pelos próximos anos. Por isso, para ela, é muito importante o evento ser sediado aqui, neste momento. 

A mesa também foi composta por autoridades como o vice-prefeito de Porto Alegre, Ricardo Gomes, e o desembargador do TJ-RS, Jaime Weingartner. Assim como o advogado Gustavo Paim, todos comentaram sobre como as redes sociais acabam, de certa forma, ameaçando a democracia. Temas como os debatidos no evento são complexos e, justamente por isso, demandam um olhar transdisciplinar, segundo Laura. “São visões distintas de um mesmo problema. É isso o que faz a universidade ser universidade. Esse é o espaço para essas tensões.” 

A decana da EIC afirmou que os temas sobre desinformação e pós-verdade são caros à Unisinos (Foto: Gabriele Rech) 

Combatendo a pirataria digital 

Entre as autoridades presentes na mesa de debate, o delegado de polícia do Departamento Estadual de Investigações criminais Luís Firmino explicou sobre a chamada ciberpirataria ou pirataria digital: “É a comercialização ou distribuição de conteúdos digitais que possuam direitos intelectuais, conhecidos como copyright”. Luís também mencionou a existência das boxs e IPTVs, aparelhos de transmissão clandestina de conteúdo de televisão paga e streamings

Ele explicou que o uso dessas ferramentas é uma forma de pirataria, e contribui para a violação de direitos autorais, impactando não só as grandes empresas, mas também pequenos criadores e até mesmo as nossas vidas. Isso porque alguns sites com transmissão gratuita de pirataria coletam nossos dados, que podem ser utilizados para fraudes virtuais, por exemplo. “O brasileiro tem uma moralidade seletiva”, encerra o delegado. 

O decano da Escola de Direito da Unisinos, Miguel Wedy, mediou a mesa e relatou, de forma entusiástica, que “a democracia cresce com a pesquisa, o debate e a troca de ideias que irão afetar o nosso futuro”. Segundo ele, “o evento foi fundamental para debater temas relevantes que exigem a participação de profissionais do Direito, das Comunicações, da Academia, de instituições públicas e privadas, pois só assim teremos avanços nessas matérias”. 

Inovação tecnológica  

A última mesa deu espaço para a visão da Indústria Criativa, representada pelas professoras Maria Clara Aquino e Taís Seibt. Maria Clara, uma das fundadoras do Instituto de Cultura Digital (ICD) da Unisinos, comentou sobre uma pesquisa desenvolvida por sua equipe em parceria com o DigiLabour. O trabalho revelou que o que parecia ser fruto de Inteligências Artificias (IA) nas plataformas, era, na verdade, feito por humanos. Trata-se de “plataformas parasitas” de fazendas de cliques que oferecem trabalhos através de micro tarefas, como se fossem “vagas de emprego”. Essas tarefas são curtir e engajar posts em troca de dinheiro – mas por um valor “miserável”: menos de 1 centavo por ação, segundo Maria Clara. A pesquisa virou matéria no Nexo Jornal, e você pode conferir com mais detalhes aqui

Taís Seibt ressaltou a importância de a universidade receber debates como esse, e o quanto é significativo ser membra do ICD e discutir temas a partir do campo da Comunicação. “Muitas vezes, os legisladores e os julgadores pensam a regulação sem ter uma visão mais abrangente, a de que as plataformas não são neutras. Há uma questão de mercado e de poder que impacta o jornalismo e, consequentemente, a democracia. Precisamos falar muito mais do que somente sobre o conceito de desinformação em si, sobre o que é verdade ou não. Precisamos falar, sim, sobre toda a estrutura desse ecossistema informacional.” 

 

Taís Seibt trouxe outras perspectivas sobre o que se deve priorizar numa conversa sobre as telecomunicações (Foto: Gabriele Rech) 

Laura Dalla Zen contou com exclusividade ao Mescla que deve se desenrolar, em breve, uma parceria entre o Instituto de Cultura Digital e a Certal para fortalecer a intersecção de temas complexos como o da conferência. 

Com uma gama de diversos pontos de vista, a conferência atingiu o objetivo de Pablo Scotellaro, presidente executivo da Certal, formado em Ciências da Comunicação pela Universidad de la República: o de gerar um diálogo com pessoas que têm a capacidade de transformar. “Foi uma tentativa de entender todos os fenômenos da telecomunicação, que é o fator mais integrador que existe. Queremos nos unir e aprender ainda mais com o Brasil”, encerra o uruguaio. 

The post Conferência 2023 do Certal discute a relação entre democracia e redes sociais  appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
https://mescla.cc/2023/12/07/conferencia-2023-do-certal-discute-a-relacao-entre-democracia-e-redes-sociais/feed/ 0
David Wengrow encerra a temporada 2023 do Fronteiras do Pensamento  https://mescla.cc/2023/10/05/david-wengrow-encerra-a-temporada-2023-do-fronteiras-do-pensamento/ https://mescla.cc/2023/10/05/david-wengrow-encerra-a-temporada-2023-do-fronteiras-do-pensamento/#respond Thu, 05 Oct 2023 19:43:46 +0000 https://mescla.cc/?p=19310 Na última quarta-feira (5/10), o Fronteiras do Pensamento chegou ao fim, pelo menos em 2023. A última palestra desta edição, realizada no Teatro Unisinos, em Porto Alegre, ficou sob a responsabilidade do arqueólogo David Wengrow, professor na University College London, na Inglaterra. “Alguém que coloca de cabeça para baixo todas as teorias sobre a história […]

The post David Wengrow encerra a temporada 2023 do Fronteiras do Pensamento  appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
Na última quarta-feira (5/10), o Fronteiras do Pensamento chegou ao fim, pelo menos em 2023. A última palestra desta edição, realizada no Teatro Unisinos, em Porto Alegre, ficou sob a responsabilidade do arqueólogo David Wengrow, professor na University College London, na Inglaterra. “Alguém que coloca de cabeça para baixo todas as teorias sobre a história da humanidade”, foi assim que o convidado foi apresentado pelo mediador do encontro, o jornalista Marcos Piangers. 

A vinda para o Brasil de Wengrow foi motivada pela divulgação de seu mais recente livro, intitulado “O despertar de tudo: uma nova história da humanidade”, escrito em coautoria com David Graeber, falecido logo antes do lançamento da obra. Em seus estudos, Wengrow percebeu que havia muita desigualdade na área da arqueologia e como ela retrata o mundo ao seu redor. Seu livro foi finalista do Prêmio George Orwell, renomado reconhecimento no jornalismo político. Entre seus principais interesses, segundo o arqueólogo, estão as origens da escrita, das artes ancestrais, da emergência dos primeiros Estados no Egito e na Mesopotâmia – assuntos dos quais, diz, fez grandes contribuições.  

Em seus estudos, Wengrow percebeu que havia muita desigualdade na área da arqueologia e como ela retrata o mundo ao seu redor (Imagem: Luiz Munhoz) 

Contra a imagem convencional da história 

Na palestra, sua visão de mundo é evidenciada em um discurso polêmico, em que ele mesmo rebate seus argumentos e explica detalhadamente seus pontos de vista, ilustrando tudo o que diz com diversos exemplos. “O que está nos meus livros não é algo extraordinariamente novo para os pesquisadores, só não é falado e, consequentemente, não é muito conhecido pela população em geral”, explica Wengrow.  

Ele revelou que uma de suas maiores inspirações – se não a maior – foi o conceito de Kairós, que significa “o tempo, o momento certo”. Wengrow disse que os princípios básicos pelos quais nos orientaram para entender as coisas estão equivocados, de certa forma. Ele vai contra a imagem convencional da história da humanidade que foi criada e que já é contada há muito tempo. Cita que alguns autores, como Jean Jacques Rousseau, exibiram suas publicações como um conto de fadas: “Era uma vez, caçadores que viviam em pequenos bandos igualitários. Depois, veio a revolução agrícola, e depois, surgiram as cidades. Então, estabeleceu-se a civilização e as cidades e, com isso, quase tudo o que existe de ruim – exércitos, execução em massa. Mas, ao mesmo tempo, também surgiram as ciências e a filosofia”, exemplifica. 

“Somos inatamente bons? Ou somos egoístas e competitivos por natureza?”, questiona. Apesar de serem histórias diferentes, as duas nos levam ao mesmo lugar. Se pensava que as cidades e a civilização surgiram juntas. O que sabemos hoje, segundo David, é que esse não é o caso. Parece que muito antes do nascimento da democracia, na Grécia antiga, havia várias cidades consolidadas. Elas não tinham governantes, pelo menos a maioria, mas também não eram perfeitamente igualitárias ou pacíficas – algo bem enfatizado pelo autor.  

“Somos inatamente bons? Ou somos egoístas e competitivos por natureza?”, questiona Wengrow (Imagem: Luiz Munhoz) 

Wengrow argumenta que todos os casos que ele cita durante a fala são exemplos do “argumento do falso escocês”: “Alguém chamado Hamish McDonald, sentado tomando seu café da manhã, lê no jornal uma história horrível sobre um maníaco sexual, e diz com firmeza que ‘nenhum escocês faria isso’. Dias depois, ele lê sobre outro maníaco escocês em outra cidade que faria o primeiro parecer um cavalheiro, e diz ‘nenhum escocês de verdade faria isso’. A segunda notícia mostra que Hamish estava errado, mas, como ele nunca admitira isso, ele comete essa falácia”, explica o professor. “Essa lógica circular é difícil de manter.”  

Tempo excitante e intenso de descobertas 

Piangers pergunta a Wengrow porque há um fascínio por impérios e, ao mesmo tempo, supressão de épocas em que mulheres eram respeitadas. “Ninguém está interessado na paz. Existiu um período denominado ‘intermediário’, que durou por séculos, e que as pessoas não prestam muita atenção”, respondeu. Ainda segundo ele, essa foi uma época de muitas inovações políticas, como mulheres em posições de autoridade no Egito e no Líbano. “Mas a própria classificação como ‘intermediário’ já diz que ‘não tem há nada pra ver aqui’. Mas tem!”, observa o arqueólogo. 

Segundo Wengrow, o período denominado ‘intermediário’ foi uma época de muitas inovações políticas, como mulheres em posições de autoridade no Egito e no Líbano (Imagem: Luiz Mun

A noite encerrou com uma questão vinda da plateia: “Como os arqueólogos verão os tempos de hoje no futuro?” Segundo Wengrow, hoje em dia, a arqueologia é praticada em todos os lugares. “Estamos em um tempo excitante e intenso de descobertas. As coisas que estamos aprendendo estão muito além do que as pessoas anteciparam, e isso significa muita coisa”.  

Vem aí o Fronteira Plus 

Marcos Piangers anunciou que o Fronteiras do Pensamento está lançando um serviço de streaming próprio: o Fronteiras Plus. A plataforma irá contar com documentários, gravações de palestras, livestreams e um clube do livro com vários autores, chamado “Mundo Livro”. 

Essa foi a sexta e última conferência do evento, que foi realizado presencialmente no campus de Porto Alegre da Unisinos. O Notícias Unisinos esteve presente em todos os encontros, que contaram com a jornalista espanhola Rosa Montero, com a vencedora do Prêmio Nobel da Paz Nadia Murad, com o neurocientista espanhol Rafael Yuste, com o filósofo norte-americano Michael Sandel e com o escritor Douglas Rushkoff

Você pode conferir as prévias das gravações de todas as conferências neste link

The post David Wengrow encerra a temporada 2023 do Fronteiras do Pensamento  appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
https://mescla.cc/2023/10/05/david-wengrow-encerra-a-temporada-2023-do-fronteiras-do-pensamento/feed/ 0
Michael Sandel discute a justiça, democracia e meritocracia no Fronteiras do Pensamento  https://mescla.cc/2023/08/10/michael-sandel-discute-a-justica-democracia-e-meritocracia-no-fronteiras-do-pensamento/ https://mescla.cc/2023/08/10/michael-sandel-discute-a-justica-democracia-e-meritocracia-no-fronteiras-do-pensamento/#respond Thu, 10 Aug 2023 19:53:35 +0000 http://mescla.cc/?p=18802 Famoso e querido pelo público, o filósofo e escritor norte-americano Michael Sandel esteve em Porto Alegre na noite desta quarta-feira (9/8) para participar de mais uma conferência da edição deste ano do Fronteiras do Pensamento. Michael indagou o público, que lotou a Casa da Ospa, com questões como justiça, merecimento, democracia e meritocracia. A apresentação e mediação […]

The post Michael Sandel discute a justiça, democracia e meritocracia no Fronteiras do Pensamento  appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
Famoso e querido pelo público, o filósofo e escritor norte-americano Michael Sandel esteve em Porto Alegre na noite desta quarta-feira (9/8) para participar de mais uma conferência da edição deste ano do Fronteiras do Pensamento. Michael indagou o público, que lotou a Casa da Ospa, com questões como justiça, merecimento, democracia e meritocracia. A apresentação e mediação foi realizada pelo jornalista Tulio Milman

Professor da Universidade Harvard, sediada em Cambridge, nos Estados Unidos, Michael é autor de livros muito utilizados na área do Direito, como “Justiça: o que é fazer a coisa certa” e “O descontentamento da democracia: uma nova abordagem para tempos periculosos”. Com 70 anos de idade, ele é reconhecido por continuar muito ativo e influente em seus questionamentos e contribuições para diferentes áreas do conhecimento. O livro “Justiça…”, inclusive, se tornou um curso de Harvard, que está disponível gratuitamente na Internet – já foi acessado por mais de 15 mil alunos. 


Sessão de autógrafos reuniu uma enorme fila de fãs e entusiastas (Foto: Luiz Munhoz) 



O autor defende a ideia de que a filosofia pertence não somente às universidades e ambientes acadêmicos, com palavras rebuscadas e difíceis de entender, mas, sim, à cidade, onde os cidadãos se reúnem, raciocinam e debatem juntos sobre como organizar a vida coletiva.  

Como perseguir uma justiça na busca do bem comum, tentando descobrir o que devemos uns aos outros enquanto cidadãos? Com essa pergunta, Sandel iniciou a conferência. Para ele, há uma forte polarização que atrapalha esse processo. “Mas o que traz essa polarização? Grande parte do discurso público está esvaziado. É tecnocrático, que não interessa a ninguém, dispostos aos gritos, ideologias de partido, membros dos congressos que gritam uns com os outros, sem escutar-se. O próprio projeto democrático está em risco”. 

Sandel defendeu a ideia de que a filosofia pertence também à cidade, onde os cidadãos debatem juntos sobre como organizar a vida coletiva (Foto: Luiz Munhoz) 



Com isso, Sandel afirmou que os “vencedores” tiveram ganhos, mas que contemplaram apenas os 20% da “classe de cima”. “A maior parte das pessoas tiveram os salários estagnados por décadas, enquanto a desigualdade aumentou. Isso é uma fonte do que nos dividiu. A frustração com a política que provocou a raiva contra a elite e os políticos”, observou o palestrante. 

O professor apontou ainda para uma força dos trabalhadores, que veem as elites os menosprezando, elites essas acadêmicas, intelectuais e da mídia. Porque, segundo Sandel, mesmo com as desigualdades aumentando devido à globalização, os principais partidos políticos respondem a isso dizendo “se você quiser competir e vencer, faça faculdade. O que você ganha depende do que você estudar”. “A resposta é sempre ‘melhorar a você mesmo’”, criticou. 

Para Sandel, as oportunidades não são iguais. As pessoas não começam a corrida no mesmo local de partida. “Imaginem que possamos corrigir isso: promover uma corrida e fornecer a todos os competidores o mesmo treinamento, acesso a bons treinadores, os mesmos sapatos de corrida, nutrição, para que estejam preparados para correr sem possuir alguma desvantagem. Teríamos uma meritocracia perfeita”, avaliou o filósofo. 

“Todos querem uma vida pública melhor” 

A partir desse cenário, Michael interagiu com a plateia, requisitando opiniões e explicações dos participantes. “Nesse cenário meritocrático perfeito, o vencedor da corrida mereceria a vitória, um prêmio maior?”. Com a pergunta, o palestrante permitiu um espaço para o público literalmente dialogar com ele, que ouvia e considerava os pontos levantados. “Liguem as luzes, para que eu possa ver quem está falando comigo”, pediu Michael. 


“Nós perdemos a capacidade de ouvir uns aos outros, especialmente através das nossas diferenças”, disse Sandel (Foto: Luiz Munhoz) 



“Os vencedores esquecem a sua sorte. Isso nos leva a esquecer a nossa dívida com as pessoas que nos levaram às nossas conquistas: professores, treinadores… Uma meritocracia perfeita produziria uma arrogância daqueles que estão no topo, levaria a menosprezar os menos afortunados”, comentou Sandel, reforçando o fato de que todo o trabalho tem dignidade. “Um médico e um gari são igualmente importantes, pois se o médico não tratar as doenças, a situação urbana piorará, e se o gari não fizer o seu trabalho, as doenças irão se alastrar”.  

Segundo o conferencista, nós perdemos a capacidade de ouvir uns aos outros, especialmente através das nossas diferenças. “Os feeds das redes sociais reforçam isso, nos mantêm em bolhas fechadas. Isso é corrosivo para a virtude cívica”, enfatizou. Para Sandel, é preciso escutar os princípios morais por trás das falas das pessoas. “Temos que ir contra o poder das grandes empresas de mídia social e encontrar uma forma de termos um discurso público mais robusto sobre a moral”. 

“É difícil ser otimista”, disse o professor, que fez uma distinção entre otimismo e esperança. “O que me dá esperança é que todos querem uma vida pública melhor, especialmente os jovens. Existe uma fome de se engajar sobre as diferenças, coisas contestáveis. Temos que aprender a fazer isso”. 

Sobre isso, Tulio Milman comentou com o filósofo sobre a tarde que ele passou na comunidade Morro da Cruz, na Capital gaúcha. “Eu passei três horas em uma mesa redonda com membros locais e do poder público. Mesmo com recursos limitados, havia uma força e criatividade para criar uma comunidade, fazer com que suas vozes sejam ouvidas. O governador estava lá também. Algumas vozes eram mais inflamadas, com raiva. Mas eram legítimas. Às vezes, a raiva desse tipo é necessária e pode ser saudável”, disse o jornalista.  

Michael, então, chamou Vitor, estudante do Ensino Médio, morador da comunidade que ele havia visitado mais cedo ontem. Vitor contou que quer trabalhar com Relações Internacionais e entrar para a política, e a conversa durante a tarde foi uma oportunidade de ter sua voz ouvida.

 

Fronteiras vai até outubro

 

Essa foi a quarta conferência do evento, que é realizado presencialmente também no campus de Porto Alegre da Unisinos. O Notícias Unisinos esteve presente nos três primeiros encontros, que contaram com a jornalista espanhola Rosa Montero, com a vencedora do Prêmio Nobel da Paz Nadia Murad e com o neurocientista espanhol Rafael Yuste. Ainda serão recebidos o documentarista norte-americano Douglas Rushkoff, no dia 13 de setembro, e o arqueólogo britânico David Wengrow, para encerrar a temporada, no dia 4 de outubro. 

The post Michael Sandel discute a justiça, democracia e meritocracia no Fronteiras do Pensamento  appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
https://mescla.cc/2023/08/10/michael-sandel-discute-a-justica-democracia-e-meritocracia-no-fronteiras-do-pensamento/feed/ 0
Segunda conferência do Fronteiras do Pensamento 2023 recebe Nadia Murad  https://mescla.cc/2023/06/22/segunda-conferencia-do-fronteiras-do-pensamento-2023-recebe-nadia-murad/ https://mescla.cc/2023/06/22/segunda-conferencia-do-fronteiras-do-pensamento-2023-recebe-nadia-murad/#respond Thu, 22 Jun 2023 19:50:09 +0000 http://mescla.cc/?p=18460 A 17ª edição do Fronteiras do Pensamento tem como tema principal “Entre o caos e a ordem” e ocorre presencialmente em São Paulo e em Porto Alegre, no Teatro da Unisinos. Nesta quarta, 21 de junho, foi a vez de Nadia Murad estabelecer um diálogo com o público da capital gaúcha. A conferência “Que eu […]

The post Segunda conferência do Fronteiras do Pensamento 2023 recebe Nadia Murad  appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
A 17ª edição do Fronteiras do Pensamento tem como tema principal “Entre o caos e a ordem” e ocorre presencialmente em São Paulo e em Porto Alegre, no Teatro da Unisinos. Nesta quarta, 21 de junho, foi a vez de Nadia Murad estabelecer um diálogo com o público da capital gaúcha. A conferência “Que eu seja a última”, mesmo nome do livro de Nadia, trouxe, dentre muitos elementos, um panorama instigante sobre a luta por justiça e direitos. O evento foi mediado por Fernanda Bragato, professora de Direitos Humanos da Unisinos. 

Nadia tem 30 anos e hoje trabalha na defesa dos sobreviventes de genocídio e violência sexual. Após uma breve introdução, ela contou como viveu a violência extrema decorrente dos conflitos motivados pelo Estado Islâmico, simplesmente por ser yazidi (comunidade religiosa que é muito perseguida por ser considerada “infiel”). E sobre como aprendeu a agir para que as coisas começassem a mudar após sair da condição de escravidão em que se encontrava.  

Foto: Luiz Munhoz

 



“Quando fui libertada, sim, eu estava aliviada, mas o luto, o caos e a incerteza conviviam comigo. Eu não tinha a capacidade de ter minhas próprias decisões. Meu lar estava destruído e eu não tinha ideia do que viria no futuro”. A ativista dos direitos humanos diz que as situações, na perspectiva de quem não as vive, são “fáceis de ignorar e esquecer. As coisas estão acontecendo no seu país, na sua cidade”.

A relação com a mãe

 

Não apenas Nadia, como toda sua família sofreu nas mãos do ISIS. “Minha mãe era uma mãe solteira. Conseguiu criar 11 filhos sem nada. Com ela, eu aprendi o que era ser mulher, especialmente num país como o Iraque.  Ela foi morta no meio do dia com a irmã. Depois disso, comecei a pensar no que ela fez por mim e o que eu poderia fazer para legitimar o legado dela”. Além da mãe, seis irmãos dela foram vítimas de um dos diversos genocídios ocorridos no país. 

Depois da fala, Nadia, que é embaixadora da Boa Vontade da ONU para a Dignidade dos Sobreviventes de Tráfico Humano das Nações Unidas, respondeu a perguntas da plateia. Uma das questões foi “Que mensagem você poderia deixar para as mulheres indígenas no Brasil, em vista da violência a que elas e seu povo estão sendo submetidas?”. Ela responde: “Como eu disse para os sobreviventes na Ucrânia, vocês não estão sozinhas. A documentação é a chave. Que vocês continuem documentando e falando umas com as outras, toda evidência será necessária na justiça”. 

“A documentação é a chave. Continuem documentando e falando umas com as outras”, diz Nadia para as mulheres indígenas (Foto: Luiz Munhoz) 



“Até agora, ninguém no Iraque se desculpou comigo ou com algum dos sobreviventes. Nada foi feito para prevenir que aquilo acontecesse. Nós sabemos que há sinais e temos que agir antes que seja tarde. Precisamos agir quando vemos sinais de conflito”.  

Estratégia para ganhar corações e mentes  

Outra indagação envolveu a necessidade de atingir grandes públicos com uma mensagem importante, questionando sobre como fazer isso. Nadia indica uma estratégia: “Pensem sempre em atingir alguém próximo a você, não a públicos maiores. Comece com sua família, amigos, escola, comunidade. Isso é muito mais importante do que falar com grandes multidões”.  

A jornada de Nadia

Você pode conferir mais sobre a jornada de Nadia e até mesmo contribuir com doações através da iniciativa dela, a Nadia’s Initiative.  

Ao final, foram distribuídos autógrafos para quem possuía o livro da convidada, intitulado “Que eu seja a última: Minha história de cárcere e luta contra o Estado Islâmico”. Ela agradeceu muito pela oportunidade de estar no Brasil e disse que foi interessante ver como as pessoas daqui são fortes. “Meus irmãos sempre falavam do Brasil, víamos os jogos de futebol juntos. Eles não estão aqui para me ver hoje, mas ficariam orgulhosos”. 

Nadia autografando os livros do público (Foto: Luiz Munhoz) 



Fronteiras vai até outubro 

Esta foi apenas a segunda conferência do evento. O Mescla esteve presente na primeira noite, que contou com a jornalista espanhola Rosa Montero. A matéria você encontra aqui. Presencialmente, ainda serão recebidos o neurocientista norte-americano David Eagleman, em 5 de julho; no dia 9 de agosto, o filósofo norte-americano Michael Sandel; o documentarista norte-americano Douglas Rushkoff, no dia 13 de setembro; e, para encerrar a temporada, no dia 4 de outubro, o arqueólogo britânico David Wengrow. 

The post Segunda conferência do Fronteiras do Pensamento 2023 recebe Nadia Murad  appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
https://mescla.cc/2023/06/22/segunda-conferencia-do-fronteiras-do-pensamento-2023-recebe-nadia-murad/feed/ 0
Conexões Criativas – integrando egressos e alunos https://mescla.cc/2023/06/15/conexoes-criativas-integrando-egressos-e-alunos/ https://mescla.cc/2023/06/15/conexoes-criativas-integrando-egressos-e-alunos/#respond Thu, 15 Jun 2023 19:12:58 +0000 http://mescla.cc/?p=18416 O curso de Relações Públicas tem uma disciplina chamada Gestão e Produção de Negócios, e uma das atividades desenvolvidas ao longo do semestre é a organização e execução de um evento que acontece na Unisinos. O tema, assim como o público-alvo, muda a cada turma. Desta vez, o produto será o Conexões Criativas.  O objetivo […]

The post Conexões Criativas – integrando egressos e alunos appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
O curso de Relações Públicas tem uma disciplina chamada Gestão e Produção de Negócios, e uma das atividades desenvolvidas ao longo do semestre é a organização e execução de um evento que acontece na Unisinos. O tema, assim como o público-alvo, muda a cada turma. Desta vez, o produto será o Conexões Criativas. 

O objetivo nesta edição, que será única, é a integração entre os alunos e egressos da Escola da Indústria Criativa da Unisinos com os desafios e as tendências do mercado de trabalho. Todo o conceito foi pensado também para unir de forma mais efetiva o todo, incluindo os cursos que não abrangem a comunicação em seus escopos dentro da Escola, como Letras e Moda. Além disso, é esperado contribuir com o networking entre os participantes. 

O evento ocorrerá no campus São Leopoldo, na segunda-feira, 19 de junho, às 19h30min. Entre as atividades, haverá uma atração cultural, roda de conversa e oficinas de trabalho. Nestas últimas, os participantes precisam solucionar um problema apresentado pelo cliente de mercado. São formados três grupos, que terão abordagens diferentes sobre o problema.  


A criatividade universitária será valorizada no evento. (Foto: reprodução Freepik) 



  

Cada grupo será ministrado por “mestres da inspiração”, egressos da Unisinos que atuarão como uma espécie de mentores criativos, auxiliando na orientação de ideias nas respectivas áreas. Todos são profissionais jovens, mas que já contam com experiências notáveis. São eles: 


Samuel Gambohan (@gambohan): Egresso do curso de Fotografia. Fotógrafo, Diretor de Fotografia, Editor, Videomaker, Produtor de Podcast e a frente da Rabo de Galo Filmes (@rabodegalofilmes).  

Letícia Mayer Borges (@leticiamayerborges): Egressa do curso de Letras, doutoranda e mestra em Processos e Manifestações Culturais pela Feevale. Professora na Rede Municipal de Tupandi.  

Bruna Soares (@bruunasoarees): Egressa do curso de Relações-Públicas e estudante de Jornalismo. Assessora de Gabinete na Prefeitura Municipal de Capão da Canoa. MBA em Prevenção e Gerenciamento de Crises e Social Media no TEDx Unisinos  

Juliano Schmitt de Andrade (@_juliablo): Egresso do curso de Publicidade e Propaganda. Laboratorista de Publicidade e Propaganda na Agexcom e fez parte da equipe Unisinos Conecta. Curte diversas áreas da comunicação, mas principalmente as relacionadas ao audiovisual e storytelling.  

Olimpio Machado (@olimpiobj): Egresso do curso de Produção Fonográfica. Produtor Musical e Engenheiro de Áudio, trabalha há 9 anos no mercado da música e áudio profissional. Trabalhou na operação de festivais como Lollapalooza, Bananada, Rock In Rio, Porto Verão Alegre e Unimúsica. Atua como produtor técnico no Unimúsica UFRGS, Farol Live – Farol Santander (2023) e na casa de shows Agulha – POA  

Anna Letícia de Cesero (@annadecesero): Egressa do curso de Comunicação Digital. Pós-graduanda em Design de Experiência. Senior Product Designer no Itaú e participa de coletivos como Ladies that UX e Girls in Tech.


É importante salientar que o evento visa abranger todos os 14 cursos da Indústria Criativa, que são: BIHAT (Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades, Artes e Tecnologia), Comunicação Digital, Design, Design de Produto, Eventos Multiplataformas, Fotografia, Jornalismo, Letras Presencial e EAD, Moda, Produção Audiovisual, Produção Fonográfica, Publicidade e Propaganda, Realização Audiovisual, Relações Públicas Presencial e EAD. 

O Mescla conversou com uma das organizadoras do evento, a aluna de Relações Públicas Letícia Flores. Ela conta que a importância dessa integração é evidente, e se mostra desafiadora antes mesmo do evento acontecer. Segundo Letícia, a falta de engajamento dos cursos é o maior desafio da turma na organização. Para lidar com esse contratempo, eles bolaram uma estratégia: realizar intervenções nas salas (on-line e presenciais), “invadindo” as aulas dos professores para divulgar o evento e fazer o convite para os alunos participarem. “Está dando certo. Teremos como participante uma aluna do EAD, que virá de Santa Maria exclusivamente para o evento”. 

Para se inscrever, basta acessar o link: https://bit.ly/conexoeseic. Fique esperto, pois as vagas são limitadas! 

The post Conexões Criativas – integrando egressos e alunos appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
https://mescla.cc/2023/06/15/conexoes-criativas-integrando-egressos-e-alunos/feed/ 0
Semana Acadêmica do Jornalismo: diversidade de conteúdo, gerações e muitas histórias de profissionalismo https://mescla.cc/2023/05/18/semana-academica-do-jornalismo-diversidade-de-conteudo-geracoes-e-muitas-historias-de-profissionalismo/ https://mescla.cc/2023/05/18/semana-academica-do-jornalismo-diversidade-de-conteudo-geracoes-e-muitas-historias-de-profissionalismo/#respond Thu, 18 May 2023 13:40:56 +0000 http://mescla.cc/?p=18122 Carlos Juliano Barros  e os desafios do trabalho jornalístico na editoria de Economia  O primeiro convidado da Semana Acadêmica de Jornalismo, em São Leopoldo, foi o jornalista e mestre em Geografia pela USP Carlos Juliano Barros, que abriu o evento, na segunda-feira (8), com a temática “desafios do trabalho jornalístico na editoria de Economia”. O […]

The post Semana Acadêmica do Jornalismo: diversidade de conteúdo, gerações e muitas histórias de profissionalismo appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
Carlos Juliano Barros 

e os desafios do trabalho jornalístico na editoria de Economia 


O primeiro convidado da Semana Acadêmica de Jornalismo, em São Leopoldo, foi o jornalista e mestre em Geografia pela USP Carlos Juliano Barros, que abriu o evento, na segunda-feira (8), com a temática “desafios do trabalho jornalístico na editoria de Economia”. O jornalista é diretor de seis documentários, exibidos e premiados em festivais dentro e fora do país. Ele é colaborador de publicações como BBC Brasil, Folha de São Paulo, Rolling Stone, The Guardian e UOL, além de roteirista e apresentador do Podcast Rádio Batente

Durante a fala para os alunos, o Carlos levantou diversos assuntos. Primeiro, contou um pouco de sua história, ressaltando que sempre teve vocação literária, muito graças a sua mãe, que é professora de Letras. Falou também sobre as experiências no mercado de trabalho. “Em um primeiro momento, me encantei pelo trabalho em revista. Sempre gostei mais das reportagens de fôlego, aquelas maiores”, revela.  

Em sua carreira, Carlos teve passagens pela revista Rolling Stone e Revista do Sesc, em que pode realizar grandes reportagens e viagens por todo o país. 


Carlos contou sua experiência como jornalista e diretor de documentário (Foto: Reprodução YouTube Portal Mescla) 



Por último, falou de sua aproximação com pautas econômicas, principalmente ligadas ao mercado e às relações de trabalho. Esse tema chegou até o jornalista através do mestrado, e é dentro dessa área que produziu documentários importantes, como “Carne e Osso”, de 2011, que retrata violações trabalhistas na área frigorífica, e “GIG – A Uberização do Trabalho”, de 2017, termo que até então não era muito utilizado, mostrando a precarização do trabalho em plataformas digitais. 

Humberto Trezzi

e os riscos envolvidos na investigação jornalística 

Também na segunda-feira, mas no campus de Porto Alegre, o premiado jornalista investigativo Humberto Trezzi destacou, em sua conversa com os alunos, que o nível de dificuldade do fazer investigativo não mudou. Segundo ele, segue sendo necessária muita coragem, ética, habilidade e tempo para se aprofundar em uma investigação. No entanto, Trezzi, que integra o Grupo de Investigação (GDI), de GZH, ressaltou que os aplicativos de mensagens e outros recursos tecnológicos facilitaram bastante o processo de produção e verificação de informações. Essa ajuda foi útil em algumas de suas investigações, como no caso dos acampamentos antidemocráticos que se alastraram pelo Brasil entre outubro de 2022 e janeiro de 2023. 


O jornalista investigativo Humberto Trezzi ao lado da professora Luciana Kraemer (Foto: Laura Santiago) 



O jornalista conseguiu se infiltrar em aplicativos de mensagens nos quais eram organizados esses movimentos, a fim de descobrir quais seriam os próximos passos e quem estaria envolvido. Ele enfatizou que a investigação foi relativamente fácil de ser realizada, uma vez que muitos dos membros deixaram rastros digitais e sequer faziam questão do anonimato. A matéria “Como se organizam e agem os manifestantes que pedem intervenção militar” rendeu ao jornalista o prêmio de melhor reportagem no 3º Prêmio de Jornalismo da Justiça Eleitoral do Rio Grande do Sul. O concurso também premiou um grupo de alunos de Jornalismo da Unisinos, como o Mescla mostrou aqui

Camila Diesel

e a produção de jornalismo cultural no rádio 

No segundo dia, em 9 de maio, a jornalista Camila Diesel compartilhou um pouco da sua trajetória para os alunos. Ela é de Teutônia, no Vale do Taquari. Como atuava como repórter e apresentadora, Camila contou que, muitas vezes, ela mesma chamava as próprias matérias, coisa que não acontece mais hoje em dia. Ela já passou pela rádio Guaíba, Grupo Bandeirantes e Record RS. 

Hoje, é coordenadora de Comunicação na Secretaria de Cultura do Governo do Estado, e tem um canal no YouTube, onde faz um talk show com banda e público. Por enquanto, esse projeto de Camila está paralisado, pois a jornalista está focando em outras faces de sua carreira. Mas Camila não descarta a possibilidade de voltar a produzi-lo. “Faz parte do papel do jornalista buscar assuntos que são importantes, não só populares”. 

Ela destacou ainda a importância de sempre informar o público dos fatos, independentemente do contexto em que se está inserido. Camila contou aos alunos que ela colaborou na inserção de programas com temática cultural na grade da rádio Guaíba, como o “Set Guaíba”, que criou. O programa a ajudou a torná-la uma referência no ramo. Por meio dele, teve a oportunidade de entrevistar grandes nomes da música brasileira, como Erasmo Carlos, Criolo e Vitor Ramil. 

Léo Saballa Jr.

e o telejornalismo diário 

Também no segundo dia, porém no campus de Porto Alegre, Léo Saballa Jr., um dos apresentadores do telejornal Bom Dia Rio Grande, da RBSTV, falou sobre os desafios de preparar e apresentar um noticiário diário e ao vivo. Ele iniciou sua carreira no rádio e, atualmente, é um dos rostos mais conhecidos da televisão gaúcha. Durante a palestra, Léo destacou as mudanças que ocorreram no telejornalismo desde sua primeira passagem pelo Bom Dia Rio Grande, em 2015, principalmente no que diz respeito ao vestuário dos apresentadores. “Antes, havia uma preocupação maior com o estilo formal. Hoje em dia, isso já não é mais tão rígido”, observou. 


“Se gravem, se escutem, se testem”, incentivou Léo Saballa Jr. 
(Foto: Laura Santiago)



O jornalista compartilhou algumas histórias com os estudantes. Léo lembrou de quando teve que apresentar um programa que sequer existia na grade da programação. A ocasião em questão era a chegada do time do Grêmio em Porto Alegre após a conquista da edição da Libertadores, em 2017. “É muito importante sempre estar preparado para os desafios que surgem no telejornalismo”, ressaltou. Léo Saballa Jr. afirmou que é preciso se arriscar e estar aberto para aprender novas habilidades e técnicas, além de se adaptar às mudanças constantes da indústria jornalística.

Elói Zorzetto

e o telejornalismo em rede: o protagonismo do local e do regional 

Elói Zorzetto foi um dos convidados do dia 10 de maio, o terceiro da Semana Acadêmica de Jornalismo. Graduado pela Unisinos no ano de 1984, chegou a estudar, anteriormente, o curso de Direito. O jornalista da RBS TV iniciou sua carreira na editoria de Esporte do Jornal do Almoço. Atuou também na rádio Gaúcha e foi uma das vozes que integrou a primeira equipe da Rádio Atlântida FM. Desde 1988, Elói é editor e apresentador do telejornal RBS Notícias, levado ao ar todas as noites para todo o Estado.  


Elói Zorzetto, à esquerda: “Esse funcionamento de rede nos permite fazer uma cobertura muito precisa, muito ligada a todas as comunidades do Rio Grande do Sul”
(Foto: Reprodução YouTube Portal Mescla) 

 

“Eu nunca sonhei em ser jornalista. Eu sou um jornalista e comunicador por acidente”, revelou Elói. Ele contou que, na adolescência, foi chamado para trabalhar na rádio Veranense, de Veranópolis, cidade situada no Nordeste do Estado, mas negou algumas vezes o convite, até que o diretor insistiu e ele acabou aceitando. Com o tempo, segundo Elói, acabou gostando do trabalho. Aos 17 anos, foi contratado pela RBS. Na época, os apresentadores apenas liam o que os redatores escreviam. “Eu acho que fui o primeiro apresentador a escrever as informações que eram levadas ao ar”, comentou.
 

Elói destacou a importância do jornalismo local e em rede. “Esse funcionamento de rede nos permite fazer uma cobertura muito precisa, muito ligada a todas as comunidades do Rio Grande do Sul”. Ele citou a criação do projeto Painel RBS Notícias, que tem relação com o jornalismo comunitário. “Pensar uma pauta em uma sala, sentado, é uma coisa, mas pensar uma pauta junto com as fontes e ouvindo as pessoas nos próprios locais, é outra. As pessoas se veem na televisão de uma maneira muito mais autêntica”.  

Marcela Donini

com a curadoria e produção jornalística digital 

O jornalismo local enfrenta diversos desafios em um cenário em que a grande mídia domina o mercado. A concorrência com as grandes redes de comunicação pode ser um obstáculo para a sobrevivência dos veículos hiperlocais, que, muitas vezes, não têm a mesma infraestrutura ou o mesmo alcance de audiência. Essas foram algumas questões abordadas pelos estudantes de Jornalismo em uma roda de conversa com a editora-chefe do Grupo Matinal Jornalismo, Marcela Donini.


Para Marcela Donini, as estratégias de distribuição de conteúdo são fundamentais para os veículos de imprensa que não se enquadram como “grande mídia”
(Foto: Laura Santiago)

 

O Matinal não se enquadra naquilo que chamamos de “grande mídia”, afinal, é um veículo exclusivamente online, que conta com cerca de 2.600 assinantes, além de ter pouco tempo de existência. Segundo Marcela, publicações jornalísticas como o Matinal competem com grandes organizações, que possuem mais recursos e alcance, o que pode dificultar a construção de uma base de leitores leais. “Por isso, as estratégias de distribuição de conteúdo se tornam ainda mais fundamentais”, disse a jornalista. No caso do Matinal, a grande responsável por manter financeiramente o grupo é a newsletter, enviada diariamente aos assinantes. “Isso ajuda a traçar um perfil mais definido de quem são nossos leitores, afinal, eles escolheram assinar aquele conteúdo”, disse Marcela. 

Fernando Gomes

e suas quatro décadas de fotojornalismo  

O dia 11 de maio, o último do evento em São Leopoldo, foi marcado pela palestra do repórter fotográfico Fernando Manuel Gomes. O fotojornalista falou sobre seus 44 anos de carreira, abordando as coberturas que já realizou e os tantos perrengues enfrentados nesse período.  

Fernando começou na Zero Hora em 1979 como laboratorista, e logo depois passou a ser repórter fotográfico do jornal. Começou na época em que o mundo era analógico, e a foto também. Tempo em que uma máquina conseguia fotografar até o máximo de 36 poses, em preto e branco, antes de trocar o filme. Foi responsável pela cobertura de imagens de três Copas do Mundo – Itália, França e Brasil – e realizou coberturas presidenciais desde o governo do presidente João Figueiredo. Ao longo da carreira, recebeu diversos prêmios, como o Nikon Photo Contest, de 1984, Nikon (84-85-86), Prêmio da Associação dos repórteres fotográficos de BH e da Associação Riograndense de Imprensa

“Dentro do fotojornalismo, tu não tens uma área, tu fazes de tudo. Uma hora tu podes estar num acidente e, duas horas depois, ser chamado para cobrir uma festa”, explicou para os alunos. 

Por último, comentou sobre as mudanças que ocorreram, ao longo do tempo, no cenário fotojornalístico, tanto no aspecto tecnológico quanto no social. No quesito tecnológico, a mudança do analógico para o digital é a principal. Hoje, não é mais necessário revelar e ampliar fotografias em papel, nem transmiti-las por telefone para a redação do jornal, ação que ocorria em coberturas à distância, um processo que demorava cerca de sete minutos para uma foto preto e branca e 21 minutos para uma colorida, além da necessidade de um arsenal de equipamentos especiais.  

Já no aspecto social, Fernando comentou sobre uma importante mudança que tem deixado esse espaço profissional menos masculino. Segundo ele, hoje, é mais comum ver mulheres fotografando coberturas de esportes. 


Alunos observam fotografias que Fernando Gomes selecionou especialmente para a palestra
(Foto: Beatriz Sallet)



Letícia Costa

e os desafios do início da carreira: “O que eu queria ter descoberto antes” 

O que te motivou a seguir o jornalismo como profissão? Ao longo do curso, já se sentiu perdido? Encontrou uma nova paixão dentro da área? Isso é normal, faz parte do processo. Esse foi o tom da conversa com a convidada Letícia Costa, editora-auxiliar de produção de conteúdo do time de Edição e Distribuição da Gaúcha ZH. Letícia, que é egressa da Unisinos, falou sobre como diferentes possibilidades surgiram para ela ao longo da graduação, como novas portas se abriram.


“Podemos recalcular a rota, seja durante a faculdade ou já durante a carreira”, acredita Letícia Costa, de blazer cinza à esquerda
(Foto: Laura Santiago)

 

Letícia sempre teve o sonho de ser jornalista esportiva, mas, com o passar do tempo, sentiu a necessidade de se desafiar em outras áreas. Ela contou aos estudantes que em determinado momento do curso “enjoou” de fazer pautas sempre ligadas ao futebol, e sentiu que não estava se permitindo aproveitar a pluralidade do jornalismo. Letícia comentou também suas andanças, tendo passado pelas áreas de assistência de conteúdo e assessoria de comunicação da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), da Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul (DPERS), além de ter produzido conteúdo para os canais da Trensurb.

The post Semana Acadêmica do Jornalismo: diversidade de conteúdo, gerações e muitas histórias de profissionalismo appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
https://mescla.cc/2023/05/18/semana-academica-do-jornalismo-diversidade-de-conteudo-geracoes-e-muitas-historias-de-profissionalismo/feed/ 0
Semana de Oficinas da Moda reúne a comunidade de alunos para um passeio pelas diferentes áreas do curso  https://mescla.cc/2023/04/25/semana-de-oficinas-da-moda-reune-a-comunidade-de-alunos-para-um-passeio-pelas-diferentes-areas-do-curso/ https://mescla.cc/2023/04/25/semana-de-oficinas-da-moda-reune-a-comunidade-de-alunos-para-um-passeio-pelas-diferentes-areas-do-curso/#respond Tue, 25 Apr 2023 14:19:16 +0000 http://mescla.cc/?p=17923 Todos os anos, durante uma semana, o curso de Moda da Unisinos promove um workshop entre alunos e comunidade acadêmica com uma empresa parceira convidada. Nas últimas edições, os procedimentos vinham sendo realizados nos mesmos parâmetros. Este ano, porém, a coordenação do curso resolveu mudar e promover uma semana de oficinas.  Os encontros ocorreram na […]

The post <strong>Semana de Oficinas da Moda reúne a comunidade de alunos para um passeio pelas diferentes áreas do curso</strong>  appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
Todos os anos, durante uma semana, o curso de Moda da Unisinos promove um workshop entre alunos e comunidade acadêmica com uma empresa parceira convidada. Nas últimas edições, os procedimentos vinham sendo realizados nos mesmos parâmetros. Este ano, porém, a coordenação do curso resolveu mudar e promover uma semana de oficinas. 

Os encontros ocorreram na semana passada, do dia 10 ao dia 14 abril, e tiveram a participação de 13 egressos, que puderam trabalhar e experimentar práticas com temas diferenciados. As professoras Luciana Borges e Juliana Bortholuzzi, organizadoras do evento, contam que as vagas para as oficinas se esgotaram 30 minutos após o lançamento das oficinas. “Então, duplicamos a quantidade de lugares para cada oficina, e destinamos quatro vagas ao público geral, interessados em estudar Moda na Unisinos”, explica Luciana. 


O evento contou com 13 egressos que trabalharam temas diferenciados (Imagem: Nícolas Suppelsa)



Formada no ano passado, a egressa Bruna Scaratti Selau, que comandou a oficina “Métodos e ferramentas para o desenvolvimento de coleção”, observou estar vendo como o interesse em aprender moda está se ampliando. “O curso cresceu e está cheio de alunos. É uma experiência muito legal”, comentou. Bruna apresentou no encontro com os alunos a solução que criou em seu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), e que continua desenvolvendo, após formada. 


Bruna Selau comandou a oficina de métodos e ferramentas para o desenvolvimento de coleção (Imagem: Nícolas Suppelsa)

 

Já Úrsula Kaercher, que se formou em 2019, ministrou a oficina “Produção de moda”. Atualmente, desenvolve produtos e coleções para grandes marcas, entre elas, a Renner. Ela revelou que reviver o ambiente acadêmico e tentar trazer toda a experiência que tem é emocionante. “É incrível voltar para a Unisinos não como aluna, mas para ensinar alguma coisa aos que estão começando”, disse.  


Úrsula Kaercher se formou em 2019 e ministrou a oficina de produção de moda (Imagem: Nícolas Suppelsa)



A oficina “Breve passeio pelo bordado livre” foi orientada por Sofia Britto Silveira, que se formou em 2016. A egressa comentou que é interessante trazer uma técnica que, para ela, tem uma relação muito afetiva. “Poder compartilhar isso é uma forma de proporcionar todo esse afeto a outras pessoas”, destacou. 

Nicolas Machado Noal ficou responsável pela oficina “Como produzir uma campanha digital de moda com influenciadores”. Segundo ele, a experiência de participar desse evento é “surreal”. “Eu saí daqui sabendo o que eu queria fazer, trilhei esse caminho sabendo o que eu queria fazer. Mas voltar aqui, ver a galera interessada no que eu estou falando e querendo saber o que eu faço hoje em dia é bem surreal. Acho que essa é a palavra”, sublinhou o egresso. Nicolas é influenciador digital, com o seu perfil pessoal nas redes sociais, e trabalha ainda para as lojas Melissa, com planejamento estratégico e relacionamento com influenciadores.

 

Nicolas Noal ficou responsável pela oficina “Como produzir uma campanha digital de moda com influenciadores” (Imagem: Nícolas Suppelsa)

 

Houve também outra oficina de bordado, comandada por Natália Tonial, formada em 2018, na primeira turma de Moda da Unisinos. “Fico muito emocionada de poder voltar para um ambiente em que eu fui tão feliz, em que eu me realizei em relação ao que eu sempre sonhei para a minha vida profissional, e trazer um pouco do que eu sei para outros alunos”, disse. Para Natália, a técnica dos bordados, que é uma atividade mais manual, é pouco abordado no curso porque é muito específica. “Então, é emocionante para mim trazer esse conhecimento, para que aflore a criatividade deles em algo que pode acrescentar tanto numa peça”. 


Oficina de bordado comandada por Natália Tonial (Imagem: Nícolas Suppelsa) 



O estudante Tom Couto achou super interessante conhecer de perto diferentes áreas da moda, através da realidade dos egressos. “Também foi legal a interação que foi proporcionada entre os colegas de diferentes etapas da graduação. A coordenação do curso está de parabéns pela iniciativa e pela produção do evento”, elogiou o futuro profissional da área.  

Para acompanhar mais novidades do mundo da Escola da Indústria Criativa, fique ligado no Mescla!

The post <strong>Semana de Oficinas da Moda reúne a comunidade de alunos para um passeio pelas diferentes áreas do curso</strong>  appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
https://mescla.cc/2023/04/25/semana-de-oficinas-da-moda-reune-a-comunidade-de-alunos-para-um-passeio-pelas-diferentes-areas-do-curso/feed/ 0
A produção de eventos multiplataformas se tornou uma graduação https://mescla.cc/2021/12/09/a-producao-de-eventos-multiplataformas-se-tornou-uma-graduacao/ https://mescla.cc/2021/12/09/a-producao-de-eventos-multiplataformas-se-tornou-uma-graduacao/#respond Thu, 09 Dec 2021 16:13:58 +0000 http://mescla.cc/?p=15944 A pandemia de Covid-19 aumentou a demanda pelo desenvolvimento de eventos que ocupem espaços além do presencial. Olhando para esse cenário, a nova graduação “Eventos Multiplataformas”, a primeira da região, oferece para os futuros estudantes uma interpretação mais ampla do que pode ser alcançado a partir da realização de um evento.   A coordenadora e uma […]

The post A produção de eventos multiplataformas se tornou uma graduação appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
A pandemia de Covid-19 aumentou a demanda pelo desenvolvimento de eventos que ocupem espaços além do presencial. Olhando para esse cenário, a nova graduação “Eventos Multiplataformas”, a primeira da região, oferece para os futuros estudantes uma interpretação mais ampla do que pode ser alcançado a partir da realização de um evento.  


Taís Motta, explica que o currículo do novo curso serve para aumentar o networking e portfólio do aluno 

(Foto: Arquivo pessoal)





A coordenadora e uma das idealizadoras do novo curso, Taís Flores da Motta, explica que quando um evento se expande para o formato híbrido ele é mais potencializado. “Eu ter um evento com uma parte presencial e uma parte online incrementa a participação de pessoas que estão longe, e possibilita convidar palestrantes internacionais sem ter um custo a mais, por exemplo. E, hoje, nós temos tecnologias que nos permitem fazer essa produção com qualidade”, aponta.




A ideia do curso de “Eventos Multiplataformas” surgiu dentro do curso de Relações Públicas, em janeiro de 2021, como lembra a professora de RP Polianne Espindola, que co-desenvolveu a nova proposta. “A Taís, que também coordena Relações Públicas, e eu enxergamos uma potencialidade na área de eventos, que estava desassistida em termos de qualificação, e partimos para um estudo de mercado para verificar a viabilidade da proposta.”  

Polianne Espindola: “A intenção é capacitar profissionais da área de eventos e
produtores culturais” 

(Foto: Arquivo Pessoal)

“Às vezes, gente via estudantes que entravam em RP, mas queriam, na verdade, trabalhar com eventos, eles não queriam trabalhar com relações públicas, então a gente via um potencial enorme”, complementa Taís, que há mais de 15 anos atua na área de eventos. 

A graduação em Relações Públicas já trabalha, ao longo dos semestres, com disciplinas que permitem ao aluno a criação de eventos na prática, a Hackacom Criativa é um exemplo desse tipo de trabalho, e, com a grade curricular da nova graduação, a intenção é que essa experiência seja muito mais direta.


Um currículo prático 



Essa nova graduação é tecnológica, tem um tempo mínimo de duração de 2 anos e meio, ou seja, visa uma formação mais “mão na massa”, trata-se de uma formação bastante dinâmica, conectada com a necessidade do mercado de identificar o evento como estratégia comunicacional. 


O currículo deste curso tecnólogo oferece uma aprendizagem que se baseia na imersão. Com as Tec Experience, os alunos vão participar, desde o primeiro semestre, de desafios para soluções de situações reais de uma organização e empresas parceiras. As Lab Tools também integram a proposta, colocadas de maneira a permitir que o estudante escolha a que mais se encaixe com o que ele quer aprender e desenvolver. Além disso, ele também terá acesso ao conteúdo dessas atividades mesmo depois de ter concluído o curso, para continuar se atualizando. 


“Essas atividades têm o propósito de desenvolver networking, que o aluno tenha relacionamento com as organizações, que ele consiga ter um portfólio – porque ele já está desenvolvendo para o mercado – e utilizando ferramentas do dia-a-dia que o futuro profissional vai precisar para atuar”, esclarece Taís. 


Ademais, a formulação do currículo integra competências interdisciplinares, como Fotografia, Narrativas e Escrita Criativa, além de  Hospitalidade e Turismo, assim como atividades acadêmicas com aulas síncronas e assíncronas. “Justamente pensando nessa nova realidade de educação também. Nós vamos trazer para o presencial aquilo que, de fato, é uma necessidade de experiência e trocas mais intensas e, no online, alguma coisa mais teórica de leitura e criação individual”, continua a coordenadora.  


“A intenção é capacitar profissionais da área de eventos e produtores culturais. Vislumbrando, também, alunos de ensino médio que querem fazer cursos tecnólogos mais rápidos”, fundamenta a professora Poli. A apresentação do curso, inclusive, já está acontecendo para o público-alvo. No Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense (IFsul), por exemplo, onde os professores do técnico em eventos sentiam dificuldades em encaminhar o aluno que se interessasse pela prática. Taís Motta conta que esta foi uma das instituições super receptivas à proposta do curso. 


Projeções para o futuro



Taís da Motta aprofunda que esse curso nasceu com a ideia de que a produção de eventos tem que ocupar outros espaços, não ficar apenas presa ao presencial. Além disso, havia a disposição para  entregar  uma nova graduação tecnológica para a Escola da Indústria Criativa, dando a oportunidade para alunos que querem outra modalidade que não seja o bacharelado.


Somado às expectativas para a primeira turma e a busca por parcerias que proporcionem o melhor aproveitamento da proposta desde o primeiro semestre, a coordenadora do Tecnólogo Eventos Multiplataformas, que também responde pela coordenação do bacharelado em Relações Públicas na modalidades EaD e presencial, descreve a experiência de desenvolver o curso como apaixonante. “Eu fico muito satisfeita de estar lançando esse curso, de poder contribuir, mesmo que signifique muito mais trabalho (risos)”, brinca.  


“Estou muito confiante e ansiosa para receber alunos e dar aula em um curso tecnólogo”, complementa a professora Polianne Espindola.


Saiba mais



Você se interessou pelo curso? Ele está com as inscrições abertas para o próximo semestre, você pode se inscrever para participar dessa primeira turma, tire suas dúvidas sobre esse processo no link. Descubra mais sobre a graduação na página da Universidade clicando aqui

The post A produção de eventos multiplataformas se tornou uma graduação appeared first on Portal da Indústria Criativa.

]]>
https://mescla.cc/2021/12/09/a-producao-de-eventos-multiplataformas-se-tornou-uma-graduacao/feed/ 0