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Arquivos eleições - Portal da Indústria Criativa https://mescla.cc/tag/eleicoes/ Informação, inovação, tendências e eventos. O Mescla reúne tudo que você precisa saber sobre a Indústria Criativa. Fri, 13 Nov 2020 20:24:14 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 Você já escolheu seus candidatos para domingo? A Beta Redação te ajuda a tomar decisão https://mescla.cc/2020/11/13/voce-ja-escolheu-seus-candidatos-para-domingo-a-beta-redacao-te-ajuda-a-tomar-decisao/ https://mescla.cc/2020/11/13/voce-ja-escolheu-seus-candidatos-para-domingo-a-beta-redacao-te-ajuda-a-tomar-decisao/#respond Fri, 13 Nov 2020 20:24:11 +0000 http://mescla.cc/?p=14356 Neste ano atípico, com tempo mais escasso para as campanhas políticas e novas formas de se chegar aos eleitores, o Laboratório de Jornalismo na editoria de  Política, do curso de Jornalismo da Unisinos, também inovou.  “Cerca de dois meses atrás, ainda não havíamos definido nosso planejamento para as eleições, quando a instituição manifestou interesse no […]

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Neste ano atípico, com tempo mais escasso para as campanhas políticas e novas formas de se chegar aos eleitores, o Laboratório de Jornalismo na editoria de  Política, do curso de Jornalismo da Unisinos, também inovou. 


“Cerca de dois meses atrás, ainda não havíamos definido nosso planejamento para as eleições, quando a instituição manifestou interesse no trabalho da Beta Redação”, explica o professor Felipe Boff, um dos coordenadores da Beta. Além do coordenador, os professores Daniel Bitencourt e Flávio Dutra são responsáveis pela disciplina, em São Leopoldo e Porto Alegre, respectivamente. “A Unisinos apresentou esse entendimento de que, em tempos de pandemia e aulas presenciais suspensas, a Beta seria um canal adequado para engajar a comunidade acadêmica no tema da eleições.”


A partir desse primeiro contato, professores e coordenadores dos campi Porto Alegre e São Leopoldo passaram a debater qual a melhor abordagem para atender a ideia proposta. Dessa discussão surgiu a consulta por e-mail, estendida a toda a comunidade acadêmica para que sugerissem questões aos candidatos das duas cidades diretamente ligadas à Universidade. “Nesse processo, após a filtragem e edição das sugestões, retiramos cinco perguntas comuns para todos os concorrentes de cada cidade”, diz o professor. As outras cinco perguntas foram feitas pelos próprios estudantes, com suporte dos professores.


Foi aí que o trabalho dos alunos começou. A Letícia Costa, que está no penúltimo semestre do curso, foi escolhida para ser a mediadora do debate proposto para os candidatos da cidade de São Leopoldo. “Dividimos a turma para que alguns de nós cuidassem do debate e os outros providenciassem entrevistas com os candidatos”, conta a aluna. “Eu fiquei na produção do debate, então acompanhei as reuniões com os coordenadores de campanha para convidar a participar e acertar os detalhes. Como seria a mediadora, fiz o roteiro e me preparei para o dia, mas também foi graças aos colegas que ficaram cuidando do tempo e divulgando nas redes.”


Já a Ketlin Siqueira, também do sétimo semestre, ficou com a equipe das entrevistas e teve a oportunidade conversar com o candidato a prefeito de São Leopoldo o Professor Nado, do Cidadania, que, mais tarde, participou do debate. “A entrevista foi muito bacana. Foram dez perguntas, cinco minhas e cinco feitas por sugestão da comunidade acadêmica da Unisinos”, revela Ketlin. A ideia de uma videoconferência com o candidato não se realizou, mas recebeu um áudio com as perguntas e respostas na íntegra. “Foi tudo muito tranquilo. Estava aflita porque, como sou da serra, não conhecia ele, mas tudo correu bem. Depois da entrevista, transformamos as informações em um perfil do candidato. Tudo padronizado, para darmos um espaço igual para todos eles.”


Para a Letícia, que além da preparação precisou driblar o nervosismo no dia, essa foi uma experiência importante. “Foi um desafio, mas foi especial. Me sinto privilegiada por ter participado, já que não é sempre que a Beta tem essa oportunidade de cobrir as eleições”, confessa ela. “Vou levar para o resto da vida essa lembrança, de ter mediado um debate nas eleições municipais. Os candidatos também foram profissionais e trouxeram as propostas, sem faltar com respeito.”O debate, realizado no final de outubro, ocorreu ao vivo pelas plataformas do Youtube e Facebook, nas contas da Beta Redação, e permanece disponível neste link. “Pelas impressões que tivemos, foi algo bem grandioso”, comemora Ketlin. “Teve em torno de seis mil repercussões. E foi um debate importante que a universidade proporcionou, porque são questões que sempre precisam ser esclarecidas, já que um dos candidatos vai vir a ser prefeito da cidade onde a Unisinos se encontra.” Para a estudante, essa também foi uma oportunidade única. “Não foi um teste, foi real. Está sendo muito bom fazer Beta Política em ano de eleições.”


A eleição da capital no foco dos interesses


Com os candidatos de Porto Alegre, o processo foi parecido, já que todos os alunos puderam participar das entrevistas. Lucas Lanzoni, do 7º semestre, entrevistou Gustavo Paim, do PP, um processo iniciado com a assessoria do candidato. “Foi uma experiência bacana, porque é interessante poder conversar com essas figuras públicas”, conta ele. “Por mais que eu tivesse que seguir o protocolo, de não poder debater uma resposta dele, por exemplo, foi muito esclarecedor.”


Nessas eleições três mulheres concorrem à prefeitura da capital, uma situação nova, mas que já podia ter acontecido antes, segundo opinião da estudante Juliana Coin, também do penúltimo semestre. “As candidatas estão presentes na política há anos, não sei como não aconteceu antes”, opina. Ela entrevistou a candidata Juliana Brizola, do PDT, e ficou bastante impressionada com a agenda cheia. “Se eu disser que foi fácil, vou estar mentindo. Foi um ano de campanha curta e ainda mais dificuldade de acesso. Principalmente em Porto Alegre, eram muitos veículos buscando contato com os candidatos. Eu, por exemplo, entrevistei a Juliana enquanto ela estava na plenária participando de uma votação, porque foi o tempo que ela tinha. É uma situação que nós, futuros jornalistas, temos que estar preparados para enfrentar, encontrar uma brecha na rotina da pessoa, se adaptar às possibilidades.”


A Tuane Moreira, também finalizando o curso, entrevistou o candidato José Fortunati, do PTB. Há poucos dias da eleição, Fortunati renunciou a candidatura, por causa  da impugnação da candidatura do vice, André Cechinni, por irregularidade no prazo de registro. O fato acabou trazendo uma reviravolta do campo político e também mais uma experiência para todos os jornalistas envolvidos. Para a estudante, foi mais importante do que esperava. 


“Foi gratificante trabalhar com uma figura pública conhecida, experiente na política”, conta Tuane. “Foi uma entrevista boa porque o Fortunati respondeu como os jornalistas gostam: nem muito curto nem extenso demais. Foi meu primeiro contato com um nome conhecido da política e gostei bastante do resultado.” Como não foi possível realizar a entrevista por videoconferência, a assessoria do candidato gravou um áudio com as perguntas e as respostas do candidato. Apesar de não ser a forma ideal de se trabalhar, nesse período de isolamento e ressalvas, a estudante conseguiu tirar um lado bom. “Foi interessante perceber como ele recebeu e interpretou as perguntas.”


As disciplinas da Beta Redação são conhecidas pelo trabalho prático, mas com o isolamento social e as novas necessidades, os alunos e professores vêm trabalhando com adaptações. “Claro que o olho no olho, o presencial, nunca vai ser substituído à altura, mas temos possibilidades para explorar”, concorda Tuane. E essas possibilidades, que envolvem muito contato e rede de conhecimentos, foi outra lição aprendida pelos estudantes. “No futuro, precisamos sempre lembrar de que jornalista não pode ser inimigo de outro jornalista. Precisamos uns dos outros, precisamos de contatos. Sobretudo na política”, pontua Juliana.


Para o professor Felipe Boff, essa foi uma experiência bem sucedida a ser replicada. “Foi um projeto coletivo: institucional, docente e discente”, conclui. “Tão rico como experiência pedagógica quanto valoroso em termos jornalísticos, como contribuição à sociedade neste momento fundamental da nossa democracia. No futuro, certamente será revisitada, repetida, adaptada, e por que não, aperfeiçoada.”


Reta Final


Na noite de quinta-feira, os candidatos porto alegrenses se reuniram para um debate no estilo drive in, transmitido pela Rádio Gaúcha, com mediação do jornalista Daniel Scola. Esse foi o último debate antes da votação no domingo, e também, a última chance de conversar com os eleitores indecisos. O debate teve rodadas de perguntas entre os candidatos e também perguntas enviadas por pessoas comuns da capital. A repercussão do debate gerou questionamentos nas redes sociais e acirrou os ânimos dos candidatos. 


E para conferir todas essas matérias, e muito mais, só entrar na página da Beta Política. Abaixo você encontra as matérias dos respectivos candidatos de São Leopoldo e Porto Alegre.


São Leopoldo

Ary Vanazzi do PT.

Delegado Heliomar do DEM.

Professor Nado do Cidadania.

Professor Célio do PSOL.


Porto Alegre

Fernanda Melchionna do PSOL. 

Gustavo Paim do PP.

João Derly do Republicanos.

José Fortunati do PTB.

Juliana Brizola do PDT.

Julio Flores do PSTU.

Luiz Delvair do PCO.

Manuela d’Ávila do PCdoB.

Montserrat Martins do PV.

Nelson Marchezan do PSDB.

Rodrigo Maroni do PROS.

Sebastião Melo do MDB.

Valter Nagelstein do PSD.

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Beta Redação cobrirá as eleições em Porto Alegre e São Leopoldo https://mescla.cc/2020/10/01/beta-redacao-cobrira-as-eleicoes-em-porto-alegre-e-sao-leopoldo/ https://mescla.cc/2020/10/01/beta-redacao-cobrira-as-eleicoes-em-porto-alegre-e-sao-leopoldo/#respond Thu, 01 Oct 2020 20:33:44 +0000 http://mescla.cc/?p=14053 A cobertura das eleições municipais deste ano, marcadas para o dia 15/11, contará com a participação de estudantes de Jornalismo da Unisinos. A equipe da editoria de Política da Beta Redação irá produzir matérias com os candidatos a prefeito das cidades de São Leopoldo e Porto Alegre. O objetivo é possibilitar que os candidatos possam […]

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A cobertura das eleições municipais deste ano, marcadas para o dia 15/11, contará com a participação de estudantes de Jornalismo da Unisinos. A equipe da editoria de Política da Beta Redação irá produzir matérias com os candidatos a prefeito das cidades de São Leopoldo e Porto Alegre.

O objetivo é possibilitar que os candidatos possam dialogar e apresentar suas propostas para a comunidade acadêmica. A equipe de alunos-repórteres ainda planeja a realização de um debate entre os postulantes ao cargo máximo municipal de São Leopoldo, onde só há primeiro turno, e entre os candidatos que disputarão o segundo turno em Porto Alegre. Os debates, porém, ainda não estão confirmados, devido à disponibilidade de datas nas agendas dos políticos.

A escolha por realizar a cobertura nas duas cidades foi baseada nos locais onde a Unisinos tem campus. Mas todos os membros da comunidade acadêmica poderão participar do trabalho jornalístico trazendo perguntas e questões, mesmo não residindo em São Leopoldo ou Porto Alegre. Para o professor Felipe Boff, que está supervisionando a organização da cobertura, a participação da comunidade universitária é muito importante: “Por meio dessa escuta que a gente está fazendo, buscamos uma conexão para saber quais são as maiores necessidades, dificuldades e projetos para cada município”, explica.

Para participar, basta preencher o formulário corresponde às cidades de São Leopoldo e Porto Alegre até o dia 2/10. As perguntas serão selecionadas pelos professores responsáveis pela editoria de política e respondidas nas matérias produzidas pelos estudantes para a Beta Redação.

A primeira experiência em cobertura política

Para os futuros jornalistas, essa é a chance de ter o primeiro contato com uma cobertura política. Lucas Alves, que acompanhará os acontecimentos eleitorais em São Leopoldo, revela que uma das dificuldades que enfrenta são os prazos de produção jornalística: “Na maioria dos contatos, conversamos com integrantes das assessorias dos candidatos. Como as respostas costumam demorar para vir, temos de correr contra o tempo para fechar o material”, explica o estudante. Já para Lucas Lanzoni, que está na equipe de repórteres locados em Porto Alegre, o contato com as fontes, mesmo a distância, vem dando certo. “Em relação à dificuldade provocada pelo isolamento social, os contatos estão tranquilos, pois as minhas fontes, até agora, foram muito bacanas e me responderam via WhatsApp ou e-mail”, avalia.

Nessa eleição, além da pandemia de Covid-19, o tempo de campanha eleitoral reduzido e o aumento do número de candidatos configuram em novos desafios para o jornalismo. Na avaliação do responsável pela cobertura em Porto Alegre, Flavio Dutra, apesar das dificuldades de contato e acesso aos candidatos, esse trabalho jornalístico será um aprendizado para a carreira dos estudantes. “Um dos fatores interessantes da Beta Redação é que ela reflete muito bem o que é a vida profissional do jornalista. Os prazos serão apertados e, às vezes, a situação de produção não será a ideal”, explica o professor.

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Redes sociais viram local de ativismo político https://mescla.cc/2018/10/18/redes-sociais-viram-local-de-ativismo-politico/ https://mescla.cc/2018/10/18/redes-sociais-viram-local-de-ativismo-politico/#respond Thu, 18 Oct 2018 18:03:52 +0000 http://mescla.cc/?p=8241 Patriotismo e fascismo. As palavras não são inversas, tampouco carregam significado em comum, mas o binarismo exposto nos sites de redes sociais parece obrigar as pessoas a escolherem um deles. Desde antes das eleições, o segundo turno vem sendo desenhado por opostos, onde Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) pareciam ser as únicas alternativas para […]

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Patriotismo e fascismo. As palavras não são inversas, tampouco carregam significado em comum, mas o binarismo exposto nos sites de redes sociais parece obrigar as pessoas a escolherem um deles. Desde antes das eleições, o segundo turno vem sendo desenhado por opostos, onde Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) pareciam ser as únicas alternativas para o posto de próximo presidente do Brasil. De fato, foram eles os eleitos para o segundo turno eleitoral, mas os meios digitais profetizavam isso há tempos.  

No dia 29 de setembro, uma semana antes do dia da votação, milhares de pessoas saíram às ruas em um movimento organizado na internet. A hashtag #elenão esteve no trending topics do Twitter por dias seguidos, e o resultado nas ruas não deixou a desejar ao comparar-se com o ativismo em rede. No lado oposto, uma multidão de usuários enchia as redes com a hashtag contrária, a #elesim. De um lado, pessoas que afirmavam escolher qualquer um para o cargo máximo do executivo nacional: menos ele. Do outro, fãs do candidato que rejeitam as demais candidaturas afirmando que ele seria o eleito, sim.  

Com um sistema binário desenhado no país, os demais 11 candidatos disputavam a atenção do restante do eleitorado. O grupo “Mulheres Unidas contra Bolsonaro”, hospedado no Facebook, reúne pouco mais de 3,8 milhões de membros mulheres. A mobilização partiu de um grupo que repudiava as declarações preconceituosas feitas pelo candidato. Além do grupo, diversas comunidades levantaram-se contra a eleição de Bolsonaro, propagando ideias como hashtags e imagens com frases do tipo “fascismo não”. 

Imagem utilizada pelo grupo “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro” para organização dos atos do dia 29 | Imagem: Reprodução

Evelyn Mendes, analista e desenvolvedora de sistemas, é administradora do grupo “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro RS”, que engaja cerca de 15 mil pessoas na rede social.  Ela acredita que a rede social não é mais distinta da vida real das pessoas, que elas vivem o digital como uma extensão do seu dia.  “Todo mundo está online, mesmo sem Facebook ou Twitter, você está conectado de alguma forma”, conta. 

Ela ainda acredita que, para além das movimentações políticas em rede, o grupo, em específico o que ela administra, foi criado como uma forma de comunicação, conscientização e mobilização feminina, visando a informação e não somente o repúdio ao candidato. E, por isso, Evelyn não acredita que o movimento termine com o findar da eleição. “É muito mais do que isso, é um movimento de conscientização, que vai durar. Você consegue se conectar com as pessoas, se comunicar e isso está ajudando elas a se organizarem, seja pelo bem ou pelo mal”, explica. 

Iara Jaqueline Baldissera é estudante de Jornalismo e utiliza o Facebook para posicionar-se politicamente. Do outro lado da hashtag, ela traz seu feed de notícias recheado de vídeos, fotos e mensagens de apoio a Jair Bolsonaro, deixando claro o seu posicionamento. Ela aponta que viveu a infância em um Brasil saindo da Ditadura Militar, período em que imaginar espaços de convivência digitais era utopia. Ela vê as redes sociais como meios democráticos, onde é possível expressar-se e organizar uma mudança social.  

Acreditando que o candidato é alguém que se levanta contra o sistema, não acredita que Bolsonaro seja “tudo isso” que falam sobre ele, e que mesmo não apoiando todas as suas ideias, foi ele quem lhe devolveu um sentimento de patriotismo há tanto perdido. É por isso que utiliza o Facebook como forma de militância, buscando reverberar esse mesmo sentimento nas demais pessoas. “Como tudo, temos que ter responsabilidade, bom senso. Eu tenho na minha família pessoas que pensam muito diferente de mim, nem por isso excluí, nem por isso ofendo, nem por isso critico as postagens que fazem, que são extremamente opostas as minhas. Até agora prevaleceu a educação e o respeito”, relata. 

Imagem que circulou nos sites de redes sociais declarando apoio ao candidato Bolsonaro | Imagem: Reprodução

Quem acompanhou o assunto, sob uma perspectiva acadêmica e militante foi Christian Gonzatti, doutorando pela Unisinos, ativista relacionado a questões de gênero e LGBTQ+ e pesquisador da área. Ele explica que, historicamente, o sistema ocidental é binário, trazendo sempre a ideia de opostos: homem e mulher, masculino e feminino, razão e emoção, #elesim e #elenão. Para o pesquisador, esse binarismo causa nas pessoas uma dificuldade de complexificar dados. 

“As pessoas começaram a ler tudo como uma disputa de divas pop, ou de uma partida de futebol, quando na verdade o que está em jogo é um projeto de civilização. E o triste é que são esses dois extremos que vão ser reverberados na rede, que vão gerar uma série de disputas de sentido”, conta. Christian ainda traz a ideia de que neste contexto eleitoral o candidato Bolsonaro é visto como um salvador caso o Partido dos Trabalhadores retorne ao poder. Do outro lado, encabeçando os movimentos do #elenão, existe a luta pela não legitimação de um discurso preconceituoso do candidato do PSL.

 

Ciberacontecimento 

Os movimentos políticos surgidos a partir do #elenão podem ser configuradas como um ciberacontecimento, que são acontecimentos que emergem na sociedade a partir do uso dos sites de redes sociais. Christian explica que a partir da utilização de hashtags, os grupos se organizam em diferentes plataformas e passam a articular rede e rua. 

Christian vivenciou sua pesquisa em uma das manifestações, quando exibiu um cartaz relacionando um dos candidatos a Voldemort, personagem icônico da saga Harry Potter, e acabou sendo amplamente compartilhado nas redes. “Está totalmente implicado a rede, no sentido em que eu já conhecia o cartaz em inglês, de uma manifestação relacionada ao Trump (presidente americano) muito parecida, então eu faço uma releitura dele no nosso contexto através da rede e levo ele para a manifestação. Da manifestação, ele retorna a rede”, conta.  

Christian Gonzatti participando da manifestação #elenão Imagem: Arquivo Pessoal

Houve também uma pressão popular para o posicionamento de artistas e celebridades quanto ao uso de hashtags apoiando, ou não, o movimento inicial. A cantora pop Anitta foi um dos alvos dessas reivindicações. O pesquisador entende que a cobrança por parte do público se dá devido a potência que estas pessoas têm de pautar as discussões da sociedade. Algo muito parecido também foi experimentado pelo, na época candidato, Donald Trump, que viu o crescimento das intenções de voto seguido de protestos e posicionamentos de artistas locais e mundiais.

 

E o jornalismo nisso tudo? 

Gonzatti é muito crítico quanto à responsabilidade que o jornalismo carrega em relação ao binarismo encontrado nas redes, e que tem pautado estas eleições. Para o pesquisador, existe uma problemática muito grande quanto as instituições jornalísticas não conseguirem problematizar e complexificar o cenário atual, o que acaba por reforçar a existência de somente dois lados: o #elesim e o #elenão.  

“É mais uma vez esse jornalismo sendo potencializador desse cenário violento, por essas noções de imparcialidades, por essas noções de que o jornalista precisa só ouvir os dois lados sem complexificar os acontecimentos, que vai narrar a os fatos em uma dimensão muito rasa, sendo conivente com esse cenário binário”, explica Gonzatti.  

O jornalismo vem sendo frequentemente deslegitimado enquanto instituição. Não é incomum ver portais de notícias, ligados a grandes veículos de comunicação, sendo acusados de defender um ou outro lado da disputa. Para o pesquisador, o jornalismo se encontra em meio a uma crise, explicitada neste processo eleitoral e que o momento é de repensar o papel social das instituições jornalísticas.

 

As incansáveis Fake News 

Imagem: Reprodução/Unsplash

A Agência Lupa, que atua na checagem de fatos, apontou que as dez notícias falsas mais populares entre os leitores tiveram mais 865 mil compartilhamentos no Facebook. Entre os conteúdos compartilhados, predominam vídeos descontextualizados, imagens manipuladas e teorias da conspiração. Gonzatti trata o assunto, junto ao seu grupo de pesquisa, como “colapso informacional”.  

Estas informações falsas e manipulações são utilizadas com o intuito de deslegitimar grupos contrários. “Ocorre um colapso informacional, discussão que traz como a informação vem sendo distorcida, vem sendo esvaziada, dando espaço para essa reverberação de fake news, que, no caso do grupo (Mulheres Unidas contra Bolsonaro), tem sido utilizada para deslegitimar a mobilização”, fala.  

Na tarde de quarta-feira, 17, o Tribunal Superior Eleitoral, na figura da presidente ministra Rosa Weber, recebeu para uma reunião os representantes das campanhas de Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). O propósito do encontro era discutir a disseminação de notícias falsas e firmar um acordo para não propagação delas. Estudos preliminares já indicam que as fake news poderão influenciar nos resultados destas eleições.

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Como trabalhar com jornalismo político https://mescla.cc/2018/10/03/como-trabalhar-com-jornalismo-politico/ https://mescla.cc/2018/10/03/como-trabalhar-com-jornalismo-politico/#respond Wed, 03 Oct 2018 20:48:39 +0000 http://mescla.cc/?p=8012 Ano de eleições e a pauta não podia ser diferente para os futuros comunicadores. Com a atual situação política que vive o país, na qual discursos de ódio são compartilhados em redes sociais e opiniões se divergem, jornalistas que trabalham com o tema contam como funciona o ambiente durante esta época.   Em uma das mesas mais esperadas […]

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Ano de eleições e a pauta não podia ser diferente para os futuros comunicadores. Com a atual situação política que vive o país, na qual discursos de ódio são compartilhados em redes sociais e opiniões se divergem, jornalistas que trabalham com o tema contam como funciona o ambiente durante esta época.  

Em uma das mesas mais esperadas pelos estudantes de Jornalismo durante a Semana da Comunicação, o tema Jornalismo Político reuniu profissionais da área na última quinta-feira (27). Com a mediação do professor Flávio Dutra, o evento contou com a participação dos jornalistas André Machado, da Bandeirantes, e a colunista do Correio do Povo Flávia Bemfica.  

Uma das questões trazidas pelos estudantes aborda um dos temas mais conhecidos no jornalismo, a isenção. De acordo com André Machado, para trabalhar com ela é necessário ter muito caráter e se despir de convicções. “A gente está vivendo num mundo que cada um quer compor a sua verdade, por isso anda muito difícil fazer o nosso trabalho, mas cada vez é mais necessário fazer jornalismo”, comentou. 

Flávia Bemfica contou sobre algumas decisões que tomou durante a profissão para tornar ainda mais imparcial sua opinião. Além de não ter redes sociais, para não ter que lidar com discursos de ódio, Flávia também falou sobre um importante passo que deu logo no início da careira. “Eu levo essa questão de isenção tão a sério que eu não me lembro quando eu votei pela última vez. Porque eu achava que era aquilo ali que eu tinha que fazer”, contou a jornalista. 

Foto: Liane Oliveira

Além disso, os jornalistas ressaltaram alguns aspectos importantes para levar em conta quando se escolhe fazer jornalismo político. Entre os comentários, Flávia Bemfica fala sobre a importância da diversidade de fontes. “Quanto mais diferentes, mais informações se consegue ter, mais informação para o leitor”, ressaltou.  

André Machado falou sobre a importância de identificar pautas para o público e as que só interessam aos partidos. “As pautas vão surgindo, mas tem que tentar é variar as fontes e prestar muita atenção naquilo que de fato é importante para as pessoas. Tem que tomar cuidado se aquilo que tu estás fazendo tem alguma relevância pra pessoa ou se está cobrindo um interesse pessoal teu ou de quem ofereceu a pauta”, comentou. 

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Abertas inscrições para o “4º Ciclo de Estudos A Reinvenção Política no Brasil Contemporâneo” https://mescla.cc/2018/08/28/abertas-inscricoes-para-o-4o-ciclo-de-estudos-reinvencao-politica-no-brasil-contemporaneo/ https://mescla.cc/2018/08/28/abertas-inscricoes-para-o-4o-ciclo-de-estudos-reinvencao-politica-no-brasil-contemporaneo/#respond Tue, 28 Aug 2018 17:34:37 +0000 http://mescla.cc/?p=7433 Nos dias 4 de setembro (terça-feira) e 8 de novembro (quinta-feira) ocorre no Campus Unisinos São Leopoldo o evento “4º Ciclo de Estudos A Reinvenção Política no Brasil Contemporâneo. Limites e Perspectivas”. Trata-se de rodadas de palestras que abordam a temática da política brasileira nos cenários pré e pós-eleições de 2018.   As falas acontecerão na sala Ignacio Ellacuría e Companheiros. […]

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Nos dias 4 de setembro (terça-feira) e 8 de novembro (quinta-feira) ocorre no Campus Unisinos São Leopoldo o evento “4º Ciclo de Estudos A Reinvenção Política no Brasil Contemporâneo. Limites e Perspectivas”. Trata-se de rodadas de palestras que abordam a temática da política brasileira nos cenários pré e pós-eleições de 2018.  

As falas acontecerão na sala Ignacio Ellacuría e Companheiros. Segundo o professor Lucas Henrique da Luz, “as palestras têm relação entre si, porém são independentes. Assim, você pode assistir todas elas ou participar daquela(s) que tiver mais interesse e disponibilidade”. Abaixo, seguem os horários e temas de cada apresentação. As inscrições podem ser feitas aqui. 

 

04 de setembro de 2018 (terça-feira)

8h30min – Início do Credenciamento

8h50min – Abertura

9h às 11h – O cenário eleitoral brasileiro e a participação das juventudes. Possibilidades e Limites
Profa. Dra. Rosana Pinheiro-Machado – UFSM

11h às 12h30min – Os projetos políticos da eleição brasileira de 2018 e os papéis da esquerda. (Im)previsões e análises
Prof. Dr. Moysés Pinto Neto – Ulbra

12h30min às 14h – Intervalo

14h às 16h – A política do comum e do protótipo. Possíveis alternativas à captura da política e do Estado
Prof. Dr. Henrique Z. Parra – Unifesp

16h15min às 18h – A democracia sem partidos e a partir das muitas e dos muitos. (Re)Invenção política?
Prof. MS Roberto Rolim Andres – UFMG e Piseagrama 

 

 

8 de novembro de 2018 (quinta-feira)

8h30min – Início do Credenciamento

9h às 11h – O cenário pós-eleitoral no Brasil. Possibilidades e Limites
Prof. Dr. Roberto Dutra Torres Junior – UENF

11h às 12h35min – A (nova) biossocialidade brasileira no cenário pós-eleitoral. Limites e Perspectivas
Prof. Dr. Orlando Fernandes Calheiros Costa – PUCRio

12h30min às 14h – Intervalo

14h às 16h – Juventudes e periferias no cenário pré e pós-eleitoral brasileiro
MS Henrique Costa

16h15min às 18h – Trabalho, renda universal, (des)igualdades e a reinvenção da esquerda. Desafios e perspectivas 

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