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Depois de participarem de uma aula teórica com a Primeiro Tenente Jéssica Lameira Dornelles, os 38 estagiários foram guiados até a encenação de uma área de conflito. O local estava repleto de areia, fumaça e três soldados feridos. A missão era colocar em prática os conhecimentos da aula que haviam acabado de receber. Para auxiliar nos primeiros socorros, os universitários receberam uma sacola com um par de luvas, máscara, gazes e ataduras.
Ainda no segundo dia, o 3º Regimento de Cavalaria de Guarda – Regimento Osório apresentou os veículos utilizados pelo CMS, o treinamento dos cães e os pelotões utilizados para conter situações de conflito.
No terceiro dia, recepcionados pelo Coronel Luiz Fabiano Mafra Negreiros, no 19º Batalhão de Infantaria Motorizada (BIMtz), em São Leopoldo, o grupo de estagiários participou, junto do Grupo de Combate, de um percurso que simula uma operação em local de risco. Cada ação levava quatro estagiários e os fazia percorrer, em fila indiana, pelo labirinto montado.


Deslocados para o Campo de Instrução Leão da Serra, em São Leopoldo, o grupo de estagiários ficou responsável pelo almoço. Recebendo orientações de preparo, os 38 universitários experimentaram a comida militar usada durante operações. O kit completo conta com um tipo de proteína (varia em cada pacote), arroz, farinha de mandioca, repositor de energia, doce de banana, balas de goma, álcool em gel, um fogareiro, fósforos, talheres de plástico e seis cápsulas de Clorin, pastilhas que purificam até 1 litro d’água cada.


Na mesma tarde, o último exercício foi uma pista de orientação. Usando das técnicas homem ponto, homem passos e homem bússola, os grupos, cada um com cinco integrantes, se deslocaram por um campo de treinamento. O objetivo era aprender a se orientar apenas usando a bússola, e encontrar cinco objetos escondidos pelo terreno. Devido à chuva, foi necessário o uso de ponchos.

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]]>Entre as atividades, os estudantes terão oportunidade de participar de dinâmicas nos próprios campos militares. De acordo com a Tenente Luciane Ramos, jornalista do CMS, o curso é voltado para cobertura jornalística em áreas de conflito ou situações de risco – ou mesmo para operações militares. “Para que o jornalista, desde a sua formação, saiba como resguardar sua segurança, mas sem perder o foco da notícia, da cobertura bem-feita”, explica Luciane.
Participante do curso no ano de 2015, Vinícius Ferrari, jornalista formado pela Unisinos, conta como foi a experiência. “Conseguimos nos aprofundar no ambiente militar, entender seu funcionamento e as estruturas da equipe de comunicação. O convívio com alunos de outras universidades também foi uma experiência enriquecedora. Sempre é muito bom conhecer gente nova e, depois de três dias de curso, deu para criar um laço bem legal entre os colegas.”
Entre as atividades realizadas durante o curso estão:
O ECAM 2018 ocorre nos dias 24, 25 e 26 de julho, e as inscrições podem ser feitas pelo link ou através do email comsocial@cms.eb.mil.br até 13 de julho. As vagas são limitadas por universidade.
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]]>A manhã dos estagiários iniciou com o Coronel Luiz Fabiano Mafra Negreiros falando sobre táticas, técnicas e procedimentos e como é preciso ter conhecimentos para superar o medo e situações adversas. “O medo é algo natural, mas nós devemos aprender a controlá-lo e superá-lo e isso só se aprende através do conhecimento.” As palavras do Cel. Negreiros se mostraram uma prévia de tudo o que aconteceria naquele dia. Procedimentos, táticas e técnicas eram constantemente aprendidas e colocadas à prova nos minutos seguintes, mostrando que situações adversas podem ser superadas com as instruções corretas.

Depois de vestir colete à prova de balas e capacete militares, os estagiários participaram de uma orientação de locomoção e progressão em área de conflito. Os militares incorporaram os futuros jornalistas à tropa enquanto faziam a abordagem e apreensão de suspeitos e passavam por uma manifestação. Fogos de artificio, cenário e a atuação dos cabos e soldados deixaram a situação mais real, dando aos alunos a noção de como é realizar a cobertura e se portar em eventos assim.

Após receber um cinto militar contendo cantil e marmita, todos foram deslocados para o Campo de Instrução Leão da Serra do 19º BIMTz onde ocorreu o almoço. O cardápio do dia foi a ração operacional, conhecida como R2 pelos militares. Com estranhamento e curiosidade, os alunos aprenderam a preparar o alimento e depois o consumiram. A refeição dividiu os 30 alunos que estavam participando do estágio entre os que aprovaram e desaprovaram a comida.
O Tenente Bianchini trouxe as instruções de orientação diurna através de bússola, cartografia e contagem de passos. Os alunos, acostumados a usar aplicativos de orientação, tiveram que se dividir em grupos e encontrar pontos em meio a mata utilizando apenas a bússola e instruções passadas previamente. O desafio aumentou a dificuldade a cada ponto encontrado, e no final do circuito, os estudantes comemoraram o sucesso da missão.

O dia e o ECAM se encerraram com uma cerimônia e confraternização entre militares e alunos. Entre discursos e parabenizações, o Coronel Negreiros recordou a fala da manhã e pontuou que os alunos que saem do ECAM estão preparados para enfrentar as situações adversas. Foram três dias intensos de ensinamentos, quebra de paradigmas e novas amizades que estão marcados na memória dos alunos.
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]]>“A Comunicação do Exército e dia que os estudantes paralisaram numa área de conflito
Felizes e empolgados com as experiências do primeiro dia do Estágio de Correspondentes de Assuntos Militares (ECAM), os 30 estudantes que foram selecionados para participar do curso durante três dias em Porto Alegre, não imaginavam o que podia acontecer no segundo dia do curso
Na última quarta-feira, 26, as atividades do ECAM, aconteceram no 3º Regimento de Cavalaria de Guarda e foram organizadas pelo 8º Batalhão de Logística. Olhos atentos, bloquinhos e canetas para anotar as dicas dos jornalistas Vanessa Pires e Fábio Almeida, formados pela Unisinos. Os profissionais contaram sobre sua trajetória na profissão e suas experiências durante as pautas que já cobriram na editoria de polícia e demais situações de conflitos que passaram ao longo da carreira.
Além deles, o Tenente Coronel Everton Gimenes, conversou sobre a comunicação do Exército e as adaptações que a instituição passou com os novos meios de comunicação. Gimenes também atentou para uma pesquisa realizada pela Fundação Getulio Vargas, em 2016, que diz que as Forças Armadas é a instituição que a população brasileira mais confia. Sendo assim, ele comentou sobre a parceria que os futuros jornalistas devem ter com o Exército, principalmente quando precisarem atuar em áreas de conflitos.
A ficção imitando a vida real
Na parte da tarde, os militares prepararam uma apresentação com os cães de guerra do Exército e outra da Lei e da Ordem que contou com a tropa de choque do exército e a cavalaria. Após isso, os alunos conheceram as instalações do 8º Batalhão de Logística e em seguida participaram de uma aula sobre primeiros socorros.
Com capacetes, coletes no chão e um kit de primeiros socorros sobre as cadeiras, os alunos ligaram o sinal de alerta. Frases como, “Ih, já tô com medo” e “Ai meu Deus o que vamos ter que fazer agora?” eram ouvidas no auditório. Foram passadas pelo Tenente Tiago as instruções de como agir diante de um conflito e algumas dicas de primeiros socorros. Após isso, solicitaram para que os alunos formassem grupos e colocassem a máscara e as luvas. Até então, seria uma atividades “básica” sobre primeiros socorros.
Assim que o primeiro grupo saiu, gritos, tiros e barulho da ambulância assustavam os alunos que esperavam dentro do auditório. Fogo, fumaça, militares feridos, pessoas desesperadas pedindo ajuda para os alunos e a cena de guerra contribuiu para que alguns estudantes paralisassem durante a cena. Outros participantes conseguiram envolver-se na ação com frieza e pulso firme.
No final do exercício, alguns alunos, ainda assustados, participaram de uma confraternização e ganharam uma moeda de comemoração dos 46 anos do 8º Batalhão de Logística.”

Vídeo da Patrícia Klein, estudante de Jornalismo da Feevale.
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]]>Na manhã desta terça-feira (25), começou mais uma edição do ECAM (Estágio de Correspondente de Assuntos Militares), voltado para estudantes de Jornalismo. O estágio terá três dias repletos de atividades que mostram a rotina de um correspondente em situações de conflito. Hoje, o General Bandeira fez uma palestra para os alunos contando a história da correspondência de guerra, de 1854 até os dias de hoje, dando ênfase às correspondentes femininas que participaram dos conflitos. O jornalista Humberto Trezzi esteve presente no curso contando para os estudantes suas experiências como correspondente de conflitos.
De acordo com o General, cada correspondente tem uma abordagem muito peculiar, que é sua característica pessoal, que dá o tom das suas matérias e boletins de notícia. Wiliam Howard Russell (repórter) e Roger Fenton (fotógrafo) foram os primeiros correspondentes modernos, eles cobriram a Guerra da Criméia (1854-1856).
De 1861 a 1865 ocorreu a Guerra da Secessão. “Nessa época as fotos eram mais estáticas, não mostravam muito movimento”, declarou o General Bandeira. Já na guerra entre britânicos e colonos, de 1899 a 1902, as fotos continham bastante cenas de batalha e tropa, Winston Churchill foi o correspondente mais famoso desse período.
“Erich Marie Remaque foi um soldado alemão que fez uma narrativa muito interessante sobre a vida na trincheira”, contou o General. Segundo ele, o que mais foi noticiado durante a 1ª Guerra Mundial, foram o dia a dia na trincheira. O soldado Erich, autor do livro “Nada de novo no Front”, escreveu como era o dia a dia nas batalhas.
De acordo com o General, na Guerra Civil Espanhola os jornalistas de guerra passaram a analisar além da guerra em si, mas sim as consequência vivenciadas pelos civis. Robert Capa foi um grande fotógrafo da época, sua foto mais famosa é “Morte de um Miliciano”.

A 2ª Guerra Mundial trouxe fotos que mostram a guerra em movimento, como explosões, exércitos em confronto, o dia a dia e sofrimento encontrado pelos soldados, e os efeitos de bombardeamento na população. Rubem Braga e Joel Silveira foram os principais correspondentes brasileiros a cobrir esta guerra. “Ernie Pyle foi o repórter americano mais famoso a cobrir a 2ª Guerra. Ele conversava com os soldados e fazia suas matérias baseadas nas histórias ouvidas”, explicou o General. Margaret Bourke-White (correspondente que cobriu a 2ª guerra) foi a primeira mulher a fazer cobertura de combates aéreos.
Segundo o General Bandeira, a primeira mulher a ganhar prêmio por cobertura de guerra foi Marguerite Higgins, na Guerra do Vietnã (1961-1975). Antigamente os correspondentes usavam o mesmo uniforme dos soldados, hoje em dia não se recomenda que ele usem as mesmas roupas, pois podem acabar correndo risco de serem confundidos com os próprios soldados.
Na Guerra do Golfo, de 1990 à 1991, trouxe a foto colorida. De acordo com o General, Peter Arnett foi o principal correspondente da época. “Peter foi o único que tinha equipamentos de satélite e voz, fazendo coberturas ao vivo”, contou o General Bandeira. Na Guerra do Afeganistão, a maior característica das fotos é a poeira sempre presente e um helicóptero ao fundo.

Segundo o General, Ásia Ramazan Antar, como muita outras mulheres, foi uma militar das Unidades de Proteção da Mulher. Muitos repórteres fizeram matérias falando sobre as mulheres na linha de frente lutando lado a lado com os soldados.
Hoje em dia os correspondentes passam por um treinamento, onde aprendem muitos fatos sobre cobertura de guerra. “Para ser correspondente tem que ter bom julgamento, raciocínio, discernimento, apreciação, avaliação, bom senso, parecer, prudência, critério e ponderação”, declarou o General Bandeira.
Jornalista do grupo de investigação do jornal Zero Hora, Humberto Trezzi deu continuação ao assunto da manhã. Autor do livro “Em Terreno Minado”, Humberto conta que já esteve em vários “lugares de risco em geral” e é necessária coragem e preparação para encarar tais eventos. Guerras, conflitos com o narcotráfico, terremotos e tsunamis estão no currículo do jornalista
Humberto explicou que, diferente de outros países com um grande histórico de guerra, no Brasil a função de correspondente de guerra não é tão frequente, porém possuímos diversos enviados especiais que eventualmente irão cobrir conflitos.

Em 1996, Trezzi esteve na Guerra de Libertação da Angola onde viu e esteve diante de vários conflitos armados. Ele relembra que uma das maiores dificuldades era discernir de que grupo os guerrilheiros participavam pois não havia nenhum uniforme nem nada que os identificasse. Entrar em território inimigo era comum e o passe de entrada, muitas vezes, não funcionava. “O mais fácil era chegar e se apresentar como jornalista logo de cara”, conta Humberto.
Colômbia, México e Rio de Janeiro também fazem parte da história do jornalista. Na Colômbia ele pôde acompanhar uma missão da força aérea colombiana na cidade de La Palma. Em 2009 viveu cenas marcantes no México quando viu mais de 65 pessoas assassinadas em menos de uma semana. No Rio de Janeiro se escondeu junto com policiais enquanto eram alvejados por traficantes no Morro da Providência.
A cobertura mais marcante vem de 2011 da Primavera Árabe. Humberto Trezzi foi até a Líbia duas vezes para acompanhar os conflitos. As dificuldades vividas durante a cobertura começaram ainda no deslocamento do repórter que teve que passar por vários países até chegar a seu destino. A tensão, assim como os bombardeios eram constantes. A disputa por uma refinaria de petróleo levou Humberto a um conflito que envolveu mais de dois mil rebeldes. Sobre artilharia pesada os rebeldes recuaram deixando quase duzentos repórteres na linha de fogo, Trezzi acabou acidentado nesse episódio.
A Líbia também trouxe dificuldades para transmitir as informações. Com internet cortada, foi somente em bases montadas pela CIA que ele conseguiu se comunicar com à redação. “Tudo isso exige bastante esforço de um repórter. O pior pesadelo, além da morte e não ter como transmitir o material e de nada adianta um jornalista no front que não consegue se comunicar”, finaliza Humberto.
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